Descobertas
44 A Cegonha!
Notas iniciais
Carlos Daniel me olha e pega em minha mão.
— Vai dar tudo certo! – Murmura baixinho. – Deixe-me dirigir. – Ele sai do carro e dá a volta, estende a mão. Saio do carro e ele me acompanha.
— Entre! – Diz ele ao abrir a porta do carro.
— Obrigada! – Entro coloco o cinto, enxugo minhas lagrimas. – Vamos logo... – Murmuro sem olhar para ele.
Carlos Daniel coloca o sinto e logo sai com o carro, em poucos minutos estamos no hospital. Entramos no quarto para ver vovó.
— Meu Deus! – Sinto a voz de Carlos Daniel enfraquecer. – Ela vai acordar?
— Ela pode acordar a qualquer momento. – Digo. – Mas ela não pode ter nenhuma emoção forte...
Ele caminha e para ao lado da vovó, segura não mão dela.
— Não nos deixe vovó! – Sua voz agora sai tremula. Engulo em seco.
— Acalme-se Carlos Daniel... – Respiro fundo. – Como você mesmo disse “Vai dar tudo certo”.
Caminho até ele, coloco uma de minhas mãos em seu ombro.
— Ela estava com saudades de você. – Carlos Daniel vira seu rosto e leva seu olhar de encontro ao meu.
— Obrigado por tudo Paulina... Mas principalmente obrigado por estar comigo nos momentos que mais precisei.
— Filho? – Escuto vovó chamando por Carlos Daniel.
— Vovó! – Diz Carlos Daniel segurando a mão da vovó.
Meus olhos se enchem de lagrimas, ver ela acordada me emociona, estou tão frágil ultimamente, mas não posso mostrar minha fragilidade agora, tenho que ser forte tanto para vovó quanto para Carlos Daniel que apesar de tudo é o mais apegado a vovó.
— Filha? – Escuto vovó me chamando. Seco minhas lagrimas e vou até ela.
— Oi vovó! Como é bom te ver acordada. – Digo pegando em sua outra mão. – Assim, logo você vai ficar boa e sair daqui.
— Eu não vou sair daqui e vocês sabem. – Ameaçam sair lagrimas mas consigo me conter. Ela aperta minha mão. – Não fiquem assim, eu estou tranquila...
— Vovó você vai sair daqui sim. – Lanço um sorriso. – Você vai ficar bem.
— Sim vovó você vai sair daqui logo. – Diz Carlos Daniel depositando um beijo na testa da vovó.
— Eu escutei o Rodrigo e o médico conversando.... Mas enfim. – Vovó sorri. – Carlos Daniel cuide da Paulina, não deixe ela fazer esforços... e filha coloque seus sentimentos em ordem, não seja orgulhosa, ame a quem te ame e você sabe do que estou falando. – Sinalizo que sim com a cabeça.
— Prometo tentar vovó, mas pare de falar assim.... Está me assustando. – Com uma mão limpo as lagrimas que tentei tanto segurar. Vovó coloca a mão dela sobre minha barriga e o bebê começou a se mexer.
— Esse vai ser terrível. – Ela sorri. – Coloque a mão Carlos Daniel sinta-o se mexer. – Meu corpo estremece. Carlos Daniel leva seu olhar de encontro ao meu.
— Permita-me? – Diz.
— Claro! – Murmuro. O bebê se mexe ainda mais agora, minhas costelas chegam a doer. – Ela está muito agitada. – Sorrio.
— Ela? – Vovó me questiona.
— Sim vovó, será uma menina. – Sorrio. Carlos Daniel retira a mão de meu ventre e sorri.
— aposto que será linda assim como a mãe. – Fico corada com as palavras dele.
— Junto com a tristeza sempre vem uma alegria. – Vovó me encara. Ela pega em minha mão e pega a mão de Carlos Daniel. – Preciso que sejam fortes, estou muito velha e se eu aprendi algo em todos esses anos é que vocês têm que estar juntos, que ambos se amam...
— Vovó não começa por favor! – Digo, pois, sei onde ela quer chegar.
— Filha vocês se amam e isso é visível para todos... Eu sei que é difícil aceitar ele de volta, porque eu mesmo sei que ele foi um completo idiota. Mas ele te ama...
— Sim amo... E vovó eu sei que ela tem direito a me odiar, mas vou te contar um segredo. – Ele se aproxima do ouvido da vovó e diz algo, mas não consigo entender.
— Vovó você é única! – Eu sorrio, pois, ela é sempre tão direta que chega a me impressionar.
— Filha não peço que faça exatamente o que eu digo, mas que pelo menos tente. Sei que no final o que eu acredito vai ser real.
— Vovó eu prometo tentar, serve isso?
— Sim, serve, mas tente de verdade. – Ela coloca a mão de Carlos Daniel sobre a minha. – Eu ainda verei vocês sendo felizes juntos.
— farei o que for preciso vovó...- Carlos Daniel leva seu olhar ao meu. – Farei o possível e o impossível para reconquista-la.
— Carlos Daniel pare de ilusões! Não comece com tonterias! – Digo furiosa, tudo o que ele está falando me irrita!
Solto a mão da vovó.
— Vovó me desculpe pelo tom de voz, más não posso ficar aqui escutando tanta bobagem! Eu amo você vovó más o que ele fez comigo nunca poderei perdoar totalmente. – Lagrimas involuntárias escorrem por meu rosto. – Bom vamos esquecer esse assunto e pensar em você, precisa descansar para sair logo daqui! Eu tenho fé de que você vai sair daqui. Bom preciso de beber algo. Vou até a cantina e já volto, e Carlos Daniel deixe que vovó descanse.
— Claro Paulina, vou deixar que ela descanse, e bom creio que você também tem que descansar. – Ele se despede da vovó e saímos do quarto. – Mudando de assunto... Está de quanto tempo?
— Estou de 38 semanas.
— Uau! Logo logo essa pequena estará aqui. – Ele sorri. Tento ignora-lo, tento ignorar o fato dele estar ao meu lado, ignorar o fato que o odeio, mas que também... enfim não posso pensar nisso. – irei para casa Bracho você vem?
— Claro.
Vamos par ao carro. Carlos Daniel vai dirigir novamente.
— As crianças sentem muito sua falta. – Digo.
— Eu sinto a falta deles mais do que você pode imaginar. – Ele sai com o carro e logo estamos na avenida.
O silencio domina todo interior do carro, ficamos sem trocar nenhuma palavra.
— Com este transito chegaremos em casa em 2 horas. – Diz Carlos Daniel quebrando o silencio.
— Não tem como fazer o contorno para fazer outro trajeto? – Olho para ele.
— Estamos presos, não tem como voltar.
Reviro os olhos e volto meu olhar para fora da janela.
— Já passaram meia hora e quase não saímos do lugar, deve ter acontecido algo. – Digo.
— Creio que sim. – Carlos Daniel liga o rádio e coloca na estação da nossa região.
Não demorou muito para anunciar na rádio que houve um acidente aqui na avenida. Como se eu já não estivesse estressada ainda tenho que ficar presa no carro com o Carlos Daniel.
— Preciso ir no banheiro. – Murmuro.
— Agora? -
— Não estou apertada, na verdade... Ah esquece. – Fico quieta novamente.
Não quero fazer xixi mas sinto como se estivesse muito húmido entre minhas pernas. Sinto um dor, mas ela passa rapidamente. Tento me ajeitar no banco, acho que a posição está me incomodando. MEU DEUS!
— Carlos Daniel temos que voltar ao hospital!
— O que houve? Esqueceu algo lá?
— Minha bolsa!
— Esqueceu sua bolsa?
— Não! Minha bolsa estourou! O bebê vai nascer!!!
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