Desafio dos 42
2 Conspiração
Notas iniciais
O som irritante do despertador do meu celular se fez presente no quarto. Coloquei na soneca, minha disposição estava zero para pedalar até o campus, assistir aula, ouvir as meninas conversando sobre os 42 cm do Sasuke e ouvir a Ino me dando dicas de como fazer um bom oral. Mas o infeliz do despertador tocou novamente e eu tive que levantar.
...
Quando cheguei à sala de aula me deparei com a piranha de salto alto dando em cima do Sasuke. Aquela criatura, cuja espécie desconheço, vem pra faculdade com um vestido mega apertado. Na moral, uma coisa magrela daquelas usando um vestido branco colado -não que eu seja a rainha das curvas, mas pelo menos tenho senso do ridículo- com aquela cabeleira vermelha, fica parecendo um baseado. E ela não sabe andar de salto, parece os protagonistas do Jurassic Park... Sim, estou falando dos dinossauros.
Por sua vez, o moreno sedução a olhava com uma cara de “Volta para o inferno, demônio!”. Na boa, Karui queria que eu acreditasse que ela já deu pro Sasuke, fez oral com Halls e praticamente enfiou o pau dele goela a baixo? Acho que não... A não ser que ele seja do tipo que come uma vez e depois larga, mas acho difícil que ele tenha ficado com a Karui.
Cara, só em cogitar a ideia de que o Sasuke não transou com com a nojenta da Karui, me dá um alívio enorme. Porque sendo a vadia que é, não me surpreenderia se qualquer dia ela aparecesse com AIDS, se é que já não tem. Ou seja, não transou com o Sasuke, ele não pegou AIDS, então menos uma chance de eu contrair essa doença. Poderia até me chamar de sortuda... Mas, espera! Ele não liga pra mim.
A aula de Epidemiologia estava chata, pra variar. Mal me aguentei de felicidade com as belas palavras do professor “Estão liberados.”, isso depois de passar 20 questões para fazermos, ele sempre passa exercícios, ainda bem que eu nunca atraso. Finalmente saí da sala e quase morro do coração com alguém me agarrando por trás e me puxando pra fora do prédio.
– Amiga, tenho babado fortíssimo pra contar. – Ino gritou com o rosto levemente assustado, obviamente seria merda.
– Você pegou AIDS? – falei alarmada em tom baixo.
– Não, algo pior. – ela falou.
– Ai meu Deus, você pegou AIDS, tá grávida e não sabe quem é o pai. – ela me olhou como se eu fosse um alien.
– O que? Claro que não. – ela falou ofendida. – É isso o que você pensa de mim?
– Claro que não, Porquinha. – minto. – Tô só te zoando.
– Sei. – ela é loira, mas não burra, sabe quando eu minto. – Ainda é pior. – arregalei o olho. – Eu estou apaixonada.
Bati no meu próprio rosto. Se bem que é mesmo grave, a Porquinha se apaixonando... Só pode estar com uma doença em fase terminal.
– Por quem? – perguntei, mas com medo do que poderia vir da cabeça dela.
– Ainda não sei. – viu? Por isso tenho medo. – Ele até se parece com o Sasuke. Tem cabelo e olhos negros, mas ele tem a pele mais clara, lindo de morrer. Acho que ele faz Artes. – eu ri.
– Se apaixonou por um gay? – vai dar merda.
– Ah, não me venha com essa de preconceito por cursos. – ela bateu em mim. – Ele é homem e eu vou pegar ele, escuta o que tô dizendo.
Revirei os olhos. Ino geralmente conseguia o que queria. Se o garoto for mesmo gay, ela vai fazer com que ele vire hétero. Fomos para a cantina, sempre me encontrava com as meninas lá... Bem, a Porquinha as vezes vinha me buscar na sala pra me contar sobre a noite dela. Ino e eu compramos algo para comer e fomos para a mesa que as outras meninas ocupavam.
– Daí ele disse: “Quando a mente para, o cu padece.”. – Tenten falava imitando a voz de um professor doido, de Cálculo, Orochimaru, ou Orochibicha, como preferir. – Viado! – ela disse irritada.
– Ouvi dizer que ele tava pegando uma aluna. – Temari deu de ombros.
– Aluna? Tipo... Do sexo feminino? – Ino já chega nas conversas assim.
– Foi o que ouvi. – Temari disse.
– Nossa, quem é a louca? – Manu fez cara de nojo.
– Imagina um boquete com aquela língua medonha dele. – Karin falou rindo.
– Uma tal de Nathi, não sei de que curso é, nem de qual período. – Temari deu de ombros. – Ela deve curtir um boquete. – ela riu.
– Que horror, parem de falar do professor. – Hinata pediu.
Estávamos comendo, normalmente, na mais santa paz, até que a Ino resolveu começar com um papo, digamos assim, desconfortável...
– Então, garotas... – falou pra Karin e pra mim. – Como é que vocês vão fazer pro Uchiha... – ela começou a fazer uns gestos obscenos. – em vocês?
Eu e a Hina viramos dois tomates, enquanto Karin gargalhou.
– Isso, minha cara Ino, é segredo. – disse a ruiva.
– Ah, qual é, Karin? Conta aí pelo menos um pouco pra gen... – Ino mudou o olhar de direção e sua frase morreu, arregalando os olhos. – Não olhem agora, meninas, mas o boy magia tá se aproximando! – exclamou num sussurro, para apenas nosso grupinho ouvir.
Como o não esperado, Karin e eu viramos a cabeça quase além do possível fisicamente pro ser humano, ou qualquer ser vivo, e vimos aquele moreno lindo vindo na nossa direção.
– Ajam naturalmente. – Temari falou afobada.
Um arrepio cresceu por todo meu corpo e eu e minha “rival” tratamos de fazer poses normais. Mas digamos que... talvez –só talvez- tivessem sido um pouco exageradas demais.
Claro que a minha não foi tão exagerada quanto a da Karin, que se jogou no chão, deitou de lado, apoiou a cabeça com a mão direita e mordeu o indicador da esquerda, tentando seduzir.
Eu apenas cruzei os braços atrás da cabeça, estufei um pouco o busto, sorri sensualmente e cerrei os olhos. Porque todo mundo sabe que é só cerrar os olhos que já tá seduzindo. Quer seduzir? Cerra os olhos. Vai! Seduz, seduz.
Meus olhos esmeraldas se cruzaram com os ônix maravilhosos. Alarguei o sorriso e posso jurar que o vi dar uma risadinha. Logo depois, passou direto. Oh, céus! Ele me notou! Jesus, ele me notou mesmo!
– Oh, meu Deus! Vocês viram isso? – Tenten perguntou embasbacada.
Ino sorriu triunfante e Karin e eu voltamos para nossa postura original, mas Karin estava emburrada.
– Será que... é muito tarde para querer mudar de lado na aposta? – Temari perguntou do mesmo jeito que Tenten.
– Também quero mudar. – Manu falou na mesma situação.
– Falsas! – Karin reclamou com elas.
– Sinto muito! – Ino tocou o meu ombro e olhou superiormente para as outras. – Sabia que fiz bem em apostar em você. – Ino murmurou pra mim.
Trocamos olhares e sorrimos cúmplices. Meu Deus, estou me sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Estou me sentindo muito importante. Se eu receber um convite do Obama para ir jantar na Casa Branca, eu nem vou ligar! Receber um riso de Sasuke Uchiha é um grande feito!
...
Eu estava andando tranquilamente pelo campus da faculdade, o professor que daria a última aula da manhã acabou faltando e minha turma foi liberada, infelizmente teria aula o dia todo. Estava passando perto da quadra e vi alguns meninos jogando, aproveitei para ficar admirando, como algumas meninas já estavam fazendo, enquanto esperava o sol dar uma trégua, já que vou pra casa de bike. Oh, meu Deus! Sasuke está jogando também, melhor ainda, jogando no time dos sem camisa. Nossa, como estava lindo. Ui! Impressão minha, ou o calor aumentou?
Eu me apoiei nas grades da quadra enquanto admirava a cena, eu poderia ficar ali para sempre.
– Hey, Sakura! – Naruto berrou, ele é amigo do Sasuke e também meu amigo, um loiro extremamente idiota, mas super gente boa. Quase caí no chão com o susto que tomei.
– Ah, olá! – acenei pra ele e o loiro voltou a jogar com os amigos.
Foi quando o Sasuke acabou caindo, não vi o que aconteceu, parece que um dos meninos esbarrou nele, não deu pra ver direito. Por um segundo eu pisquei e o Sasuke já estava no chão com a mão sobre o pé direito, acho que o torceu.
Claro que fiquei com o coração na mão ao ver meu moreno delícia jogado no chão com dor no pé, minha vontade era de entrar naquele lugar e agarrar ele, mas eu não ia fazer aquilo, muito menos em público, o que pensariam de mim? Ok, eu estava querendo conferir os 42 cm, mas ninguém precisava saber disso, né?
– Sakura! – Naruto berrou. – Vai lá na cantina e traz um pouco de gelo!
Assenti, não pensei duas vezes antes de sair correndo até a cantina pra pegar um pouco de gelo para o Sasuke que gemia no chão da quadra. Quase sofri uma queda no caminho, mas consegui cumprir a missão e voltei para a quadra com um pouco de gelo num saquinho.
Sasuke estava sentado na arquibancada, sua expressão era de dor, e Naruto estava com ele enquanto os outros permaneciam na quadra, mas não estavam jogando. As meninas estavam todas sentadas perto do Uchiha, que vadias.
– Aqui. – me aproximei de ambos e estendi o saquinho de gelo na direção do loiro. – Espero que melhore.
– Valeu, Sakura! Você é tão gente boa! – Naruto sorri. Lógico que aquilo era puxasaquisse, já que ele tem uma queda pela minha amiga dos olhos perolados. Ele acha que eu sou o que, um cupido? – Vou voltar para a quadra, você pode cuidar do Teme? – o que?
Meu corpo travou, meu coração falhou, um nó se formou em minha garganta, minhas mãos suaram frio e eu, obviamente, não pude recusar, embora quase não conseguisse me mexer de tanta emoção.
– C-cuido sim. Sem problemas. – eu tremia feito vara verde, Sasuke apenas me encarou por uns segundos e depois voltou a olhar para o seu tornozelo, que, com certeza, estava dolorido.
– Obrigado, Sakura. – o amigo desnaturado voltou correndo para a quadra, me deixando sozinha com o moreno. Cara! Eu estava a ponto de molhar a calcinha só de estar respirando perto dele... Que homem!
– O-oi. – droga, Sakura, vai ficar igual à Hinata, logo agora? Faz alguma coisa garota. Cadê aquele charme? A sensualidade?
Me aproximei do Sasuke e comecei a fazer a pose que fiz mais cedo. Porque sensualidade é uma coisa que não se força, a gente nasce com. Foi assim que fisguei esse homem e, se tá dando certo, tenho que continuar. Agora ele tá me olhando estranho, será que estou fazendo algo errado?
– Ah... O gelo está derretendo. – Ele disse indiferente, mas dava gemidos baixinhos de dor. Nossa, imagina esse som na cama? Calma, Sakura, se recomponha, mulher! Você esqueceu totalmente do gelo!
– Ai, meu Deus, me desculpa! – disse, me apressando em correr até ele e colocar o gelo em seu pé, que agora estava sem a meia.
– Ai! – ele gritou de dor. Acho que esfreguei o gelo no pé dele muito forte, Senhor!
– Tá tudo bem, tudo bem... – disse com voz de bebê para acalma-lo. Ele parou de reclamar da dor, mas ele me olhou como se eu fosse louca. Ai, o que faço agora pra seduzir este homem?
Ok, vamos pensar... Sasuke está com dor e, aparentemente, indefeso. Deveria ataca-lo? Não, não em público, vão pensar que eu sou uma ninfomaníaca. O que a Karin faria? Ugh! Melhor pensar em outra coisa... O que a Ino far... Argh! Piorou! Não posso me exaltar.
– C-como conseguiu torcer o pé assim? – indaguei sem conseguir encara-lo, meu rosto estava roxo feito uma berinjela. Sério que vou fazer o que a Hina faria? Por falar em berinjela, olhei para o meio das pernas dele, ainda de cabeça baixa, tinha um volume ali que, minha nossa, bem dotado ele é mesmo!
– Eu pisei em falso. – ele respondeu. Ah, que voz era aquela? Uma voz rouca e extremamente sensual. Imagina ouvi-lo sussurrando em meu ouvido... Meu Deus! Eu já estava ficando arrepiada.
– Você precisa ser mais cuidadoso. – tentei não deixar o assunto morrer, eu tinha que continuar de alguma forma.
– Serei, não se preocupe. – aahhh! Sasuke Uchiha está conversando comigo, que emoção! – É impressão minha ou você está um pouco nervosa? – um pouco?
– É por causa do desafio dos 42. – mais que merda! Já fale que, quando estou nervosa, as palavras simplesmente pulam da minha boca? Pois é... Sasuke devia estar confuso e achando que eu sou louca. – É... É... Por causa dos... – pensa, Sakura, você não é a primeira da turma à toa! – das 42 questões que eu tenho pra fazer. Vai ser um desafio terminar a tempo.
– 42 questões? – percebi a confusão em sua voz. – De Epidemiologia? Ele não passou só 20?
– É... – fiquei toda desconcertada. – Acabei atrasando alguns.
– Pra ser a primeira da turma, achei que fosse mais atenta. Você precisa ser mais atenta. – ele riu. Cara! Que risada mais linda... Que homem!
Estávamos nós dois, sentados, parecendo um belíssimo casal, diga-se de passagem, eu cuidando dele e ele sendo cuidado por mim, até que a risada de um minion se fez presente. Sasuke olhou pra mim com ar de riso e eu peguei meu celular. Sim, a risada era o alerta de mensagem do meu WhatsApp. Abri o aplicativo e a Porquinha tinha mandado um áudio, dei play.
“Ei, Testuda, cadê você? Esqueceu as aulas de oral? Eu não estava brincan...”
Pausei o áudio e fechei o Whats, quase derrubando o celular no desespero. Sorri sem graça para o Sasuke. Que tipo de merda eu tinha na cabeça? Era um áudio de uma de minhas amigas, lógico que seria constrangedor, ainda mais dessa loira depravada. O que ele vai pensar de mim? Ele me olhava um pouco assustado. Ouvimos o minion novamente. Ele olhou do celular em minha mão para o meu rosto. Nunca, nunca, nunquinha eu irei olhar meu Whats perto dele novamente.
– Meu pé já está melhor. – ele falou. – Você pode ir... conversar com sua amiga.
Eu estava constrangida demais pra ficar perto dele. Sai quase correndo e, pela terceira vez no dia, quase fui ao chão.
– Eu vou te matar, porca! – mandei um áudio com toda a minha ira pra ela.
...
Que saco, agora tudo ao meu redor parece algo envolvido com os 42! Olhei as horas e, adivinhem, 20h42min! Ou eu estou ficando louca, ou o mundo conspira contra mim. Pelos acontecimentos do dia, acho que é a segunda opção.
Por falar em “conspira contra mim”, adivinha quem furou o pneu da bicicleta? Eu! Olha que lindo, vou ter que ir empurrando até chegar em casa. Não dava para piorar.
Estava na faixa de pedestre, pronta pra atravessar uma rua pouco iluminada, quando ouvi o barulho de um carro vindo, olhei o automóvel com as luzes apagadas e, antes que pudesse desviar, ele já havia batido em mim.
– Ei! Desculpa, está tudo bem? – o rapaz saiu do carro e retirou a bicicleta que estava caída sobre mim. Ou pelo menos, o resto dela que sobrou. – Se machucou?
– Não, obrigada. – me levantei com sua ajuda. Eu nem o olhei. – A propósito...
– Droga! Amassou meu carro. – espera aí! Ele está preocupado com o carro?
– Você acaba de atropelar alguém e se preocupa com um amassado? – perguntei indignada, o cara a minha frente podia ser quem fosse, mas iria me ouvir.
– Desculpa. – ele disse.
– Desculpa? Eu poderia estar gravemente ferida, graças a sua carteira de motorista comprada. Sim, comprada, porque todo motorista deveria saber que a faixa de pedestre é para pe-des-tres e em seu carro tem uma luzinha chamada “farol”. Idiota!
– Está quebrado... – abaixei meu olhar para o que minutos atrás era minha bicicleta.
– Quebrada está minha bicicleta novinha. – tinha uns 7 anos, mas era bem zelada.
– Olha, desculpa mesmo. O que posso fazer? – ele parecia arrependido.
– Pode me dar carona de ida e volta para a faculdade, já que me deixou sem meio de transporte. — cruzei os braços de forma superior. – E trate de concertar a minha bicicleta ou me dar uma nova. – ouvi-o suspirar.
– Ok, ok! Tudo bem, então. Entra no carro. – ele disse.
– Com o farol quebrado? – perguntei.
– Quer a carona ou não? – ele disse indignado. Aquela voz não me é estranha.
– Humpf! – fiz o que ele mandou.
Ah! Palhaçada! Quebrou minha bicicleta! O rapaz jogou minha amiga de muitos anos no matinho e entrou no carro. Acendi a luz interna pra ver a cara daquele desgraçado, e foi a pior escolha que fiz em minha vida... Milhares de motoristas na cidade para bater em mim e quem me aparece?
– Sasuke? – o moreno delicioso com 42 cm de pinto, ótimo!
– Sakura?
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