Depois do Fim
21 Treinamento
Notas iniciais
POV CEBOLA
Assim que a Magali veio da sala do Oráculo nós saímos para o dia que estava clareando lá fora. Levei-os ao encontro de meu general e dos melhores soldados, os humanos contaram sobre seus poderes e, confesso, eram maneiros de mais! Permiti-me sentir um pouco de esperança e meu irmão conseguiu perder um pouco daquela cara amarela que levava desde a descoberta da perda de minha yala.
— General Franja, por favor, quero estes humanos treinados em combate até o fim desse dia.
— H-humanos? — Perguntou assustado e pude ver que o resto dos homens também estavam boquiabertos com a novidade.
— Sim. Agora não há motivos para escondê-los, eles têm poderes, bênçãos dos nossos antepassados, mas precisam saber lutar, conto com você.
— Sim, senhor. Será difícil ensinar combate em apenas uma manhã a pessoas que não sabem, mas tentarei. — Respondeu fazendo uma reverência.
Tudo aconteceu tão rápido que mal tive tempo de se quer assustar-me. Magali e Cascão nos surpreenderam roubando minha adaga e a do general, dando um giro e jogando-as, elas cravaram numa árvore a poucos centímetros da cabeça de um soldado que estava parado ali.
— De onde viemos nunca fomos tratados como crianças. — Magali falou séria.
— Nós lutamos pela sobrevivência desde que nascemos. — O Cas completou.
— Então não ache que não sabemos de nada de combate com armas ou corpo a corpo, isso nos ofende. — A fêmea terminou encarando-me. Eles não precisaram dizer mais nada, tinham pressa e eu também, então, não vi problemas.
— Minhas sinceras desculpas. — Abaixei minha cabeça em sinal de respeito. — Mas acho que um pouco de treino, principalmente envolvendo os poderes não serão desnecessários. Até metade da manhã? O que acham?— Eles deram de ombro e eu acreditei ser um sim, então que o treino comece.
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POV DENISE
Estou realmente intrigada com toda essa confusão, não sei o porquê da Princesa me mandou vigiar esse Syati, certo que ele é lindo... Na verdade, é perfeito! Todo indefeso, quietinho, trabalho nenhum cuidar dele. Mesmo assim ainda não entendo essa vigilância toda.
A Princesa Carmen está muito suspeita, questiono se devo manter minha lealdade a ela, já que tenho certeza que está fazendo algo errado, mas não posso traí-la, ainda mais sem provas. O jeito é ficar por aqui e dar um jeito de escutar e descobrir alguma coisa, algo me diz que tem a ver com os humanos, mas não entendo o interesse de Vossa Alteza em atrapalhar qualquer coisa, pelo contrário, com eles aqui ela deveria estar feliz por não ter que casar com o Príncipe e unir os reinos na guerra.
O bom é que pelo menos posso ficar o dia apenas reparando o... Hum, qual é mesmo o nome? Ah sim, Xaveco! Por que será que ele não acorda? Gostaria de poder fazer algo.
— Opa, desculpe, não sabia que atrapalhava. – Disse uma das enfermeiras enquanto ruborizava. A princípio não entendi, mas depois que percebi que segurava uma das mãos do macho, soltei-a no mesmo instante.
— N-não atrapalhou nada. Precisa de alguma coisa? – Perguntei sentindo o sangue esquentar em minhas bochechas.
— Eu só vim trazer uns medicamentos para o paciente. Você poderia aplicá-los na intravenosa?
— Oh sim, claro.
Peguei os medicamentos das mãos da fêmea e ela me deixou a sós com meu paciente, não sei onde minha cabeça está! Manipulei os remédios e sentei-me ao lado da cama como de costume quando de repente o vi mexer um dos dedos, será que estou imaginando coisas?
— Ei, pode me ouvir? – Falei em voz baixa perto do seu ouvido. Ele não vociferou nenhuma resposta, mas mexeu um dos dedos novamente. Minha felicidade, mesmo que tenha sido apenas um pequeno gesto, foi nas alturas! Queria correr para falar com o doutor, mas sabia que não estava em sua sala, tinha saído cedo de lá acompanhado do Príncipe.
Minhas ordens eram que assim que mostrasse uma melhora eu desse um jeito de avisar a Princesa também, certamente pensei em fazê-lo, mas não tinha ideia dos seus planos e tive um pressentimento que deveria guardar aquela informação por um tempo a mais. Olhei para o Xaveco e sorri, não deixaria que o machucassem.
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POV MÔNICA
Eu já não faço ideia de quanto tempo se passou desde que me largaram aqui, no começo o Rei estava até empolgado na minha tortura, mas até disso ele cansou e jogou-me aqui nessa escuridão. Meu corpo está adormecido, por isso já não sinto tantas dores. Ainda tem o fato de a minha cabeça estourar pensando nos meus amigos e... No Cebola! Aquele beijo foi tão rápido, mas é uma das poucas coisas que mantém minha mente sã.
O soldado que me capturou continua vindo trazer comida, é uma coisa horrível, mas para quem já comeu aquela gororoba da Terra, isso aqui é um banquete! O Fabinho, acredito que é seu nome, me olhava com cara de fome no início, entretanto, só bastou com que as torturas aumentassem e meus olhos incharem, minha boca sangrar e meus dedos perderem unhas para ele perder o interesse, pelo menos isso.
Acho que no segundo dia de torturas o Rei descobriu que eu era humana, ele ficou muito feliz por terem me capturado, mas logo esbravejou porque seus homens deveriam ter pego os três da profecia. Tudo aconteceu porque ele queria fazer algo terrível, primeiro deixou um líquido super quente e depois iria jogá-lo pelo meu ouvido, assim que se aproximou o suficiente, percebeu que a orelha era falsa, arrancou e descobriu a característica que me diferia de qualquer Katharsiano. Pelo menos isso fez com que esquecesse do líquido quente!
Não sei o que foi pior, toda a tortura física ou a parte em que eles incluíam dor psicológica, dizendo que meus amigos tinham morrido ou me abandonado, que mesmo que estivessem vivos era impossível que me encontrassem, que eu morreria sozinha. De certa forma, me vi mais forte do que nunca estive, consegui resistir e não foi culpa minha que descobrissem que era humana, não falei uma palavra sobre isso e mantive até o fim a versão de ser uma prima distante.
Não me restava mais nada a fazer, não sei o que os Viskhas estavam esperando, mas a única coisa que eu ainda aguardava era a morte e, com toda a certeza, a abraçaria como uma amiga, pois, viver dessa forma era um castigo por um crime que não cometi.
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POV MAGALI
Nunca vi um dia que demorasse tanto! Os guardas reais nos mostraram tudo o que podiam com várias armas diferentes, acabei percebendo que agora minha melhor arma era o meu poder e decidi testá-lo para conseguir manipulá-lo da melhor forma. Infelizmente o Cas não pensava assim, tinha um pouco de aversão ao seu poder, insistia que o Oráculo havia feito de propósito, o que era uma bobagem.
Acabei convencendo-o a treinar mesmo assim e percebeu que como tudo aquilo agora fazia parte dele era mais fácil controlar. Seus jatos de água eram fortes, quando apontados para o chão faziam com que ele voasse e conforme direcionava os jatos se deslocava em qualquer direção. Controlava também a potência, foi capaz de derrubar uma árvore de médio porte, no final das contas percebi que estava até curtindo.
Meu escudo utilizando minha própria energia era capaz de parar uma bala, porém, nada mais entrava ali, ou seja, não conseguia proteger outras pessoas com ele, não ainda. No templo consegui flutuar, porém, aqui já era mais difícil, apenas era capaz de sair uns poucos centímetros do chão e isso me atrapalhava ao invés de ajudar. Lançar energia era bem menos complicado, só precisava projetá-la para fora de mim como um escudo e jogá-la com força. Quanto a utilizar a energia para localizar algo ou alguém ainda tinha muitas falhas, treinamos com Syatis e objetos, mas só conseguia o lugar aproximado e isso era um problema.
O Príncipe e o doutor não acompanharam nosso treinamento, mas na hora marcada estavam lá para atestar nosso desempenho. Ficou combinado que o DC não iria para o resgate, já que não era um excelente lutador, muito a seu contragosto acabamos o convencendo de que seria melhor se não tivéssemos que nos preocupar com ele também.
— Só há um problema, Cebola. – Eu disse receosa e um pouco triste.
— O que foi?
— Não consigo sentir a Mônica com exatidão, não sei em que lugar ela está. – Falei sentindo-me derrotada e ele ficou calado, olhando para baixo, provavelmente pensando numa saída, mas quem falou foi o DC.
— O Doce! – Disse com um brilho nos olhos e um sorriso, fazendo o Cebola voltar o olhar para ele confuso. – O kaphi que dei de presente pra Mô!
Agora sim o Príncipe abriu um sorriso enorme, mas eu e o Cas não entendemos nada.
— Kaphis podem saber onde estão seus donos, eles são super leias e nunca os abandonariam. Aposto que se nos aproximarmos do lugar em que a Mônica está, levando o Doce conosco ele pode encontrá-la. – Cebola falou empolgado.
O Príncipe escolheu os soldados que iriam conosco, nos levou até a sala de armas e armaduras e, por fim, fomos pegar o Doce que havia ficado sob os cuidados da Maria. O bichinho estava triste e definhando, provavelmente não sobreviveria muito tempo sem sua dona, mas teríamos que usá-lo, até para o próprio bem dele. Assim nosso plano foi traçado e saímos ao resgate.
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