Depois do Fim

6 Quase no Fim


Notas iniciais
Eu realmente não sei o que escrever aqui hoje, então, apenas obrigada por tudo o que vocês já sabem! Beijos e boa leitura ♥

Quando saltei o Cas segurou minha cintura para manter o equilíbrio, averiguamos se estávamos bem, peguei minha mochila e novamente passamos a correr como se nossas vidas dependessem disso, na realidade, dependiam!

Sabíamos que nos perseguiam, pois, ouvíamos vozes atrás de nós, mas quanto mais ficávamos longe da cidade menos luzes havia, portanto, teriam dificuldade de nos encontrar. Nosso sistema de fuga era o mesmo de sempre quando feito às cegas, segurávamos nas mãos uns dos outros com o Cascão puxando a fila, dessa vez não sabia para onde nos guiava, mas acompanhava sem questionar.

Foi quando percebemos que não havia mais vozes e nem passos ao redor, paramos de correr, mas não deixamos de caminhar. Algumas formas se destacavam de vez em quando e uma luz brilhava bem ao longe, percebi que caminhávamos em direção a ela.

– Acho que precisamos parar... – Magali disse com uma voz arrastada.

Detectei uma sombra do nosso lado direito, um escombro de posto de gasolina, eu acho, seguimos para ele, mas não deixamos de ficar atentos aos sons ao nosso redor. Assim que sentamos Magali soltou um gemido.

– O que foi? – Perguntamos assustados eu e Cas ao mesmo tempo.

– A-acho que peguei um tiro de raspão, mas não tem como ver isso agora... – Silêncio. – N-não se preocupem.

Puxei ela pra perto e tentei focar meus olhos no braço pra ver melhor, o Cas estava paralisado, imaginei-o sem sangue nenhum no rosto. Localizei o ferimento abaixo do ombro, sangrava mais do que devia; peguei água da bolsa e tentei lavar para poder fazer pressão com algum tecido no lugar correto, deu certo. Uma vez que encontrei, puxei um cinto e amarrei a cima do machucado para dificultar o fluxo do sangue, depois amarrei um pano sobre a ferida o mais forte que pude.

Não deveríamos demorar ali, mas o cansaço falou mais alto e nos mantivemos sentados por mais uns minutos. Estava quase pegando no sono quando o Cas avisou que era a hora de irmos, levantei e peguei minha bolsa, ele ajudou a Maga e também pegou as coisas dela. Passamos a caminhar em silêncio, sempre em direção à luz.

– Até quando vamos caminhar? – Perguntei cansada, pois, fazia cerca de quatro horas que estávamos caminhando e o sol ia sair logo mais.

– Acho melhor a gente encontrar um lugar pra ficar, por enquanto... Que tal ali? – Magali apontou pro que provavelmente tinha sido uma casa no passado, não tínhamos como saber. Cas entrou primeiro para verificar se estava limpo, como não encontrou ninguém, disse que entrássemos. Quando nos acomodamos, comemos um pouco e ele nos avisou que daria uma volta por perto, para se assegurar que estaríamos seguros, deu um beijo na Maga e saiu.

– Foi só de raspão mesmo? – Perguntei sem tirar os olhos da minha comida, mas sem nenhuma vontade de continuar comendo.

– Acho que sim... Veja, tem uma pomada que a... – Parou de repente. – Me dei conta que se quer perguntamos o nome dela... A mulher de olhos azuis que nos ajudou, ela nos deu a pomada. Pode passar em mim?

– Sim, claro. – Peguei a pomada nas mãos, mas não a abri. — Olha, Maga, eu sinto muito por ter metido a gente nessa... Eu realmente achei que levaríamos a melhor.

– Não se preocupa, Mô... Já passou. Mas da próxima vez fala com a gente antes, principalmente com o Cas, daí sim tomaremos uma decisão todos juntos, como sempre. – A fitei sem uma expressão muito detalhada, era a hora de falar.

– Uma decisão todos juntos como sempre? Então quando foi que fizemos uma reunião para decidir vir em direção do hangar das naves? Não me lembro de ter aceitado isso... – Ela piscou várias vezes e tentou gaguejar uma resposta. – Primeiro o Cascão aparece com uma arma do nada, depois saímos pra cidade na maior pressa mesmo tendo comida e o Cas ainda machucado, em seguida fugimos para o norte, onde todos sabem que fica o hangar! Eu não sou idiota, sabe?

– C-calma, amiga... Nós não queríamos te contar p-porque...

– Porque eu acharia uma ideia idiota! Por isso não iam me contar! – Respondi exasperando-me um pouco.

– Mas Mô, nós nos decidimos e nada nos faria mudar de ideia, é a única saída disso tudo! E nunca te deixaríamos pra trás!

– Eu. Não. Sou. Uma. Criança! – Falei entredentes pontuando cada palavra. – Posso tomar minhas próprias decisões e...

– COMO ESSA QUE QUASE NOS MATOU? – Mal ela disse aquilo, levou as mãos à boca. Virei o rosto e joguei a pomada no chão, levantei tentando me afastar o máximo que podia da minha amiga. – Mô, me desculpa... Eu não queria ter dito isso assim e...

– Não, esquece, você tem razão. Vocês estariam muito melhor sem mim atrapalhando... Eu só queria ser útil, Maga, só isso. – Ela se levantou com uma cara de dor, mas foi até mim e me envolveu em um abraço.

– Amiga, você não sabe o quanto é importante pra nós dois, por isso não podemos deixa-la. Mas você tem razão, deveríamos ter te falado e você decidir...

– Ai Maga, é muito arriscado...

– Como todo o resto que fazemos! Você confia na gente? – Balancei a cabeça afirmativamente. – Então tudo vai dar certo.

Cascão voltou quase uma hora mais tarde, Magali deve ter falado da nossa conversa e agora já discutiam os planos na minha frente.

– Que horas vamos tentar invadir? A segurança deve ser forte, não é? – Ela perguntou piscando para o menino.

– Ainda não tenho certeza, mas a noite está fora de cogitação, pois, a segurança fica dobrada.

– Então que tal por volta do meio-dia? – Perguntei tendo a ideia repentinamente e eles me olharam descrentes. – Eu sei que é complicado por causa do sol muito forte, mas eles também sabem disso, provavelmente acham que ninguém é tão louco de tentar invadir, então talvez se descuidem!

– Mas a gente pode desmaiar e... – Cascão interrompeu a fala da Magali levantando um dedo.

– Espera, pode dar certo! Estamos perto do hangar, eu verifiquei um ponto falho no muro a parte sul do lugar. Então, se pudermos dar a volta, pode ser que ao meio-dia consigamos entrar sem sermos notados, daí lá dentro teremos que improvisar.

Ficamos em silêncio e me senti orgulhosa, estava nos ajudando. Aquele plano tinha que dar certo.

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Por volta de onze e meia estávamos todos preparados, colocamos nossas proteções costumeira e partimos em direção à parte sul do hangar, mesmo caminhando menos de vinte minutos naquele sol, nós três estávamos mais fracos do que poderíamos imaginar, sentia que desmaiaria a qualquer momento, precisava de sombra e água urgente, mas tínhamos que guardar nossos mantimentos que estavam divididos nas três mochilas para o caso de perder alguma.

Finalmente chegamos no lugar onde o Cas havia detectado uma falha no muro de quase três metros de altura, a brecha na verdade estava na cerca de arame farpado. Em horários de menos sol, os soldados patrulhavam ao redor do muro por fora, mas naqueles momentos de perigo de exposição, recolhiam-se para o interior.

Cascão pegou distância e correu em direção ao muro, com pouca dificuldade o escalou e olhou para dentro, tudo calmo aparentemente. Sabíamos que eu não conseguiria escalar, Maga era até boa, mas não pra aquela altura, então ele saltou de volta até nós para ajudar-nos a subir. Primeiro fez Magali subir em seus ombros para ficar mais fácil tentar pegar na borda, deu certo, logo ela estava lá em cima. Fui a próxima, por mais que fosse baixinha, também consegui. Logo fez o mesmo de antes e já começou a descer do muro para o lado de dentro, nós o seguimos e ele nos ajudou a descer.

Olhamos em volta, nenhum guarda à vista, até agora tínhamos tido sorte, mas ainda precisamos encontrar um lugar fora do sol para descansar, passamos a andar com o Cas e a Maga com armas em punho, localizamos as naves, mas ainda não tínhamos ideia sobre como a roubaríamos, elas foram umas das poucas tecnologias deixadas depois das guerras, nosso ideia consistia em fazer um dos guardas de refém e o levar sorrateiramente para dentro e ele nos mostraria como pilotar aquilo. Arriscado? Sim. Havia outro jeito? Não. Então era melhor que desse certo.

Entramos no galpão, ficando protegidos do sol, nos hidratamos o mais rápido que deu e então era necessário encontrar alguém, de preferência sozinho, e logo nossa oportunidade apareceu.

Notas finais
O que acharam? Comentem aqui em baixo pra eu saber *-* Beijos e até amanhã no último capítulo do ano :3