Notas iniciais
Oi, gente ♥ Segue o segundo capítulo assim como eu havia prometido pra vocês! Espero que gostem *-* Beijos e desde já desejo a todos um Natal repleto de paz, luz, amor, pra vocês e suas famílias ^^

– Vai atirar, mocinha? Eu aposto que não consegue. – Grunhiu o do meio, falava comigo, mas não tirava os olhos da Magali, estava devorando-a, mas não parecia faminto de carne, mas sim de sexo.

==

Droga! Não dava pra ficar pior. Eu estava tremendo e nunca tinha atirado em ninguém nem pra salvar minha vida! A Magali tinha muito mais coragem. O Cascão vivia me dizendo que uma hora precisaria aprender a atirar sem ter dó, mas vi meus pais morrendo assim para me proteger, não era capaz, passei a arma pra mão da Magá como se queimasse minha pele.

– Mas eu atiro... E muito bem! – Caraca, é difícil admitir o quanto eu sou fraca, mas vendo a Magali se pôr na minha frente para me proteger foi duro. Ela destravou a arma em menos de dois segundos e já estava com ela engatilhada, na mira do idiota que sorria como se encantado com ela. Tá bom, eu exagerei, se ficássemos sozinha a Magá daria conta do recado sim, mas sem o Cas, tenho a impressão que metade do que ela é iria embora junto dele.

– Que é isso, gatinha! Você seria uma peça valiosa no nosso grupo... Linda e corajosa. Adorei! – Percebi que os outros dois estavam com armas nas mãos também, ela conseguiria atirar no máximo em dois, mas cairia morta antes de mirar no terceiro e o jogo acabaria para mim também logo em seguida. – Você tem uma escolha, larga essa arma, vem com a gente e te deixamos viva ou... Morre junto com sua amiga! – Eu pelo menos não tinha escolha, era morrer ou morrer, já sabia.

– Eu também vou te dar uma escolha, posso atirar no meio da sua cara ou você convence seus amigos a nos deixar em paz; a arma está apontada pra você, então... Adivinha quem vai morrer também? – A voz da Magá saia firme, sem um pingo de dúvida ou medo; o bandido vacilou e foi só isso que ela precisava, vi os três caras caindo como se tivessem desligado as baterias. Mortos. Como?

Magali soltou a arma e correu saltando os homens, pulou nos braços do Cascão que a abraçou afagando seus cabelos longos, parecia que ela era o sopro de vida dele e ele o dela. Não me julguem pelo que direi agora, mas queria muito que alguém se sentisse assim comigo, um sentimento ruim de inveja invadiu meu peito. Meu Deus, eu sou uma pessoa horrível! Devia minha vida a esses dois, deveria ter somente sentimentos de gratidão e cá estou eu pensando em romancezinhos adolescentes que nunca terei.

– Você tá bem? – Cascão veio mancando pro meu lado e me abraçou também, jogando meus pensamentos toscos pra longe.

– C-como aconteceu isso? – Perguntei me sentindo idiota.

– Ele chegou e se escondeu ali atrás, você não viu? – Balancei a cabeça afirmativamente, mas não, não tinha visto. – Pois é, ele apontou os que acertaria e eu só precisei gastar uma bala com aquele porco do meio. – Completou com um sorriso orgulhoso no rosto.

Ela passou os braços do Cas pelos seus ombros e apontou para eu fazer o mesmo do outro lado, o conduzimos até uma cama improvisada com panos velhos e o sentamos ali. Magali tirou as calças dele o deixando só de cueca box e camisa, virei o rosto envergonhada.

– Tira minha camisa também, tá muito quente! – Disse com os olhos fechados jogando a cabeça para trás. Magá estava ocupada com o corte gigante que ele trazia no tornozelo, aquilo me dava náuseas, por isso tratei de me ocupar com a camisa dele. – Tem um pouco de álcool na minha bolsa, tava guardando pra uma emergência, mas né...

– Onde arranjou essa arma? – Perguntei para distraí-lo da dor que ia sentir quando o álcool começasse a cair.

– Por aí! – Deu de ombros, mas percebi que trocou um olhar rapidamente com a Magá. Ultimamente eles vinham cochichando muito, falando baixo quando achavam que eu não percebia, certamente tramando alguma coisa que sabiam que eu não iria aprovar, mas não podia fazer nada. Entreguei o pano mais limpo que encontrei para ele morder enquanto limpavam-lhe a ferida, não podíamos nos dar ao luxo de gritar com a noite caindo e tantas pessoas vagando por perto, os silenciadores das armas serviam justamente para não darmos nossa localização, então não seria a dor que nos entregaria.

– Okay, Cas, isso vai doer um pouco... – E começou o trabalho de limpeza, o corte estava infeccionando, com certeza seria um problema complicado mais tarde, só nos restava torcer para o álcool ser o suficiente. Ele mordeu o pano forte, mas a Magá não recuou e continuou até o fim, colocou um tecido por cima e estava feito. – Pronto, já acabou. Acho melhor ninguém seguir viagem essa noite, vamos descansar e partir amanhã. – Ninguém discutiu. Me ofereci para ficar com o primeiro turno da guarda, pelo menos isso conseguia fazer bem.

POV MAGALI

Graças a Deus o Cascão chegou bem a tempo, tinha certeza que não daria conta de atirar nos três e a Mô não é lá de muita ajuda quando se tem que escolher entre matar ou morrer, ela se julga fraca, mas não é bem assim, tenho plena convicção que daria sua vida para proteger a mim e ao Cas, só não chegou a hora de se provar.

Esse corte na perna do Cascão vai infeccionar, só posso rezar para que a gente consiga realizar nosso plano antes disso. Nos deitamos um pouco afastados de onde a Mônica estava montando guarda para conversarmos melhor.

– Roubou a arma no posto de observação, não foi? – Perguntei curiosa por mais informações.

– Ahãm, não estamos muito longe do hangar das naves, calculo uns seis ou sete quilômetros depois da próxima cidade.

– Quando vai ser?

– Você sabe que temos que chegar às cidades pela manhã, infelizmente, é a nova lei. Então partimos às cinco horas da matina pra pegar o mínimo de sol.

– Você tá em condições de andar? – Sua perna me preocupava muito, logo aquele corte faria um estrago.

– Não importa! Precisamos chegar à cidade e roubar o máximo de mantimentos que conseguirmos para a viagem.

– E a Mônica? – Olhei para ela de canto de olho, estava sentada e fitando o nada.

– Você sabe que eu quero contar o plano pra ela, Magá, mas tenho quase certeza que ela vai dar pra trás e não podemos deixa-la sozinha...

– Eu sei... Vamos dar um jeito dela só saber na hora.

– Sim. – Ele assentiu cansado, precisava dormir um pouco, passou a mão no meu rosto e fechei meus olhos apenas sentindo seu toque. Não sei o que faria se o Cas não voltasse.

Eu nunca achei que ficaríamos juntos, como homem e mulher, acreditava que ele me via como uma irmã mais nova, mas sempre quis que fosse diferente. Permaneci com os sentimentos só para mim durante muito tempo, temia estragar as coisas entre a gente, além disso, não queria que ele se sentisse obrigado a ficar comigo só porque o mundo estava acabando.

Nossa primeira vez juntos aconteceu há cinco anos, eu só tinha quatorze e ele dezenove, estávamos tentando despistar cinco sequestradores que nos perseguiam desde o litoral, tentávamos chegar na cidade mais próxima e procurar abrigo, quando conseguimos já era noite e entramos numa estalagem caindo aos pedaços, não tínhamos nada para trocar com o dono, mas sabíamos que ele nunca recusava uma aposta, Cascão roubou facilmente nas partidas de baralho e nos deram um quarto. Não tinha cama, claro, apenas um monte de lençóis jogados num canto, além de um buraco enorme no teto, ficamos um ao lado do outro de barriga para cima, olhando pro céu sem estrelas.

Ainda lembro perfeitamente da nossa conversa:

“A gente deu sorte hoje...” – Falou olhando para o céu.

“Graças a você!” – Respondi virando para ele, que virou pra mim e deixou nossas bocas muito próximas. Corei e virei pro céu de novo. “Desculpa.”, pediu sem tirar os olhos de mim. Fiquei em silêncio por um tempo. “Pelo quê?”. Não respondeu nada, só me beijou, o melhor beijo da minha vida, quer dizer, não que eu tivesse beijado alguém antes.

Pode parecer estranho, mas só ficamos no beijo até hoje, o Cas fala algo sobre não querer correr o risco de trazer um inocente pra esse mundo condenado, eu concordo. Fazia tempo que não alimentava sonhos de casar, ter filhos, um gato, família! Um a um foram morrendo junto com o nosso planeta, a surpresa é que assim que começamos a formar o plano para nos livrar desse sofrimento passei a me dar o luxo de sonhar de novo, então nada me fará desistir. Nada.

Notas finais
Se estão gostando da história, o que espero que esteja acontecendo, comentem aqui pra eu saber, assim também se tiverem sugestões, toda crítica construtiva é bem vinda! Favoritem, recomendem pros amigos, ficarei muito feliz se puder chegar a mais pessoas :3 Super beijos e Feliz Natal HO HO HO HO Caso não tenham assistido, segue o link para o trailer da fic >> https://www.youtube.com/watch?v=o6DsbpRCrIg