Notas iniciais
Oi, gente! Como prometido, capítulo de sábado para vocês! Espero que gostem (: Beijinhos :*

Por volta de uma da manhã a Magá acordou para me render na vigia, estava bem cansada, pois, com o Cascão tendo desaparecido por vinte horas, não dormi nada e geralmente passávamos o dia descansando e saindo apenas a noite, mais ou menos como vampiros, se eles existissem, sim, éramos uma nova espécie de humanos, homo sapiens vampirus, até que faz sentido, vai! Só saímos a noite, alguns de nós se alimentam de carne fresca humana, eu sei que não é sangue, mas finge aí, além de tudo isso, a exposição à luz do sol pode nos matar aos poucos; vampiros, viu?

Coloquei minha mochila sob a cabeça, como se fosse um travesseiro, mas acontece algo diferente quando estamos muito cansados, não tem quem te faça dormir, então fiquei acordada, olhando para o tempo. Devo ter dormido em algum momento, pois, o Cas me acordou logo em seguida dizendo que já eram quatro e meia e deveríamos ir.

– Espera, não vamos só a noite? – Perguntei esfregando os olhos sem entender o que estava acontecendo.

– Er... A Maga escutou passos muito próximos durante o turno dela, estamos com medo que nos encontrem novamente, não estou em condições de lutar.

– Anda logo, Mô, precisamos partir no máximo em meia hora. – Me ofereceu a mão para ajudar-me a levantar, aceitei.

Queria perguntar o porquê de nos arriscarmos tanto tendo que viajar pela manhã, mas só podia significar uma coisa, estávamos indo à cidade novamente, já que a nova lei impunha que só entraríamos ali à luz do dia, o que não estava claro para mim era a razão disso, afinal, ainda tínhamos um pouco de comida e água para uns dois dias, fugir apressados para a cidade certamente não era um bom plano, de qualquer forma eu era voto vencido e não estava com vontade de entrar em um discussão boba da qual sairia derrotada, dois contra um é covardia.

Arrumamos tudo e deixamos os corpos dos três caras lá mesmo, o cheiro fétido de morte era comum em qualquer lugar, então não haveria nenhum problema. Mesmo sendo as primeiras horas da manhã nos cobrimos da cabeça aos pés, pusemos nossas máscaras de respiração, óculos na cabeça e mochilas nas costas. Cascão mancava dolorosamente, chiando e reclamando quando pisava de mal jeito fazendo a perna doer mais. A cidade ficava a praticamente três horas de onde estávamos, até perto, mas quando o Cas começou a andar mais devagar percebemos que a ideia tinha sido péssima, o sol já brilhava com toda a sua força e, com toda certeza, isso prejudicava o corte.

Decidimos parar na primeira sombra à vista para descansar, eu estava louca pra dizer “Eu avisei.”, mas era uma ideia ruim, afinal, não sabia o que os dois estavam planejando, pegamos nossa água e fizemos um pouco da mistura para o dejejum, comemos rapidamente e engolimos mais um pouco d’água para seguir viagem. Com muito custo e com uma milagrosa sorte de não encontrar ninguém pelo caminho, parece que não houvesse outras pessoas tão burras quanto a gente para querer sair de dia, chegamos à cidade. Nos apresentamos aos caras grandes e fortes que guardavam as entradas, explicamos quanto tempo ficaríamos e o Cas mostrou algumas coisas que desejava trocar por comida e água, eles puxaram nossos braços grosseiramente e puseram pulseiras azuis “visitantes por dois dias”.

Todos tentariam viver nas cidades, era mais seguro se você não se metesse em brigas, mas elas eram destinadas apenas à donos de pequenos negócios, pobres ralados como nós só passávamos de visita para comprar coisas e sair, então nos adiantamos primeiro para uma estalagem que tinha água e depois para a de comida. As poucas peças de ferro que o Cas trouxe na bolsa foram suficientes para mais uma semana de sobrevivência para os três. Nos dirigimos ao lugar mais próximo para passar no mínimo aquele dia e partir apenas na noite seguinte.

O lugar era barulhento, prováveis donos de comércios se divertiam ali com algumas garotas que trocavam os corpos por comida, Cascão procurou o dono e nós o seguimos sem encarar ninguém.

– Olá, senhor, bom dia. – Tentou sorrir, mas pareceu uma careta. Sem resposta do outro lado, o cara não gostava de conversa. – Queremos um quarto para o dia de hoje e amanhã.

– O que vocês têm pra mim? – Grunhiu o homem com apenas uns cinco dentes quebrados na boca e exalando um cheiro de cachaça terrível. – Cascão se pôs a tirar uns ferros da mochila que não tinham sido trocados e colocou-os no balcão na frente do homem. – Isso não dá nem pra duas horas, garoto, saia já daqui!

– Calma, senhor, podemos negociar... Serviços?

– Rum... Não me interesso por nada a não ser... – Me olhou dos pés a cabeça, não viu muito além do meu rosto, pois, ainda estava cheia de roupas, mas parece que se interessou mesmo assim, me encolhi ao entender o que queria. – Deixa de se achar, dentuça, estou olhando para esse seu colar, é prata, não é? – Primeiro fiquei tranquila, mas depois percebi que ele queria o colar de meus pais, fora de questão!

– Está fora de questão! – Respondeu Magali lendo meus pensamentos.

– Então não há nada que eu queira. Saiam!

– Que tal... Um jogo? – Cascão tentava salvar as coisas, como sempre. – Se ganhar leva o cordão, se perder nos dá o quarto... De graça!

O homem considerou um momento e deu a chance que o Cas esperava.

– Aceito!

Eu poderia ter me aborrecido por terem apostado meu bem mais valioso sem minha permissão, mas já tínhamos passado por isso várias vezes e o Cas nunca falhava, esperava que fizesse tudo certo novamente. Troquei um olhar com a Magali e começamos a fazer nossa parte, era imprescindível um ponto chave na trapaça, distração.

Começamos a nos despir das roupas protetoras do sol, fiquei com um jeans rasgado de costume e uma regata colada ao corpo, assim como a Maga, não que tivéssemos opções de roupa, mas essas serviam para o propósito. As moças do lugar já não eram tão belas e nem tão jovens e assim que os idiotas perceberam carne nova se empertigaram para tentar chamar a atenção.

– Parece que me enganei, dentuça, seu corpo vale muito sim... Uma semana de estalagem com comida e água! O que me diz? Se a magrinha ai do lado vier de brinde aumento a proposta pra uma e meia! – Cascão passou Magali para suas costas imediatamente e rugiu em reposta um “Também está fora de questão.”.

Percebi que podia ajudar e como não era tão importante para que me protegessem daquela maneira, joguei:

– Se você perder serão dois dias de estalagem num quarto com colchões, comida e água a vontade, três banhos e roupas limpas. E se ganhar... Meu colar comigo dentro por uma semana! – Os olhos do comerciante brilharam de excitação e ficaram negros de fome.

– Podemos começar agora? – Riu sem deixar de me olhar. A aposta estava selada.

Notas finais
Obrigada por lerem mais um capítulo, se gostaram ou não deixem aqui em baixo o comentário de vocês e, se possível, favoritem e recomendem para os amigos caso tenham curtido mais uma parte dessa história! Super beijos e até, provavelmente, amanhã :3 Caso não tenham assistido, segue o link para o trailer da fic >> https://www.youtube.com/watch?v=o6DsbpRCrIg