Depois do Fim
25 Deslealdade
Notas iniciais
POV MÔNICA
Aconteceram tantas coisas esses dias que eu havia esquecido totalmente dessa loira falsificada. Como assim meu futuro marido? O Cebola é me... O Cebola é dela, essa constatação acabou com um dia que parecia ser muito proveitoso, então soltei a mão antes que ela percebesse, afinal, ninguém havia obrigado o Príncipe a pedi-la em casamento. Em pensar que ainda cheguei a ter esperança com todas as últimas ocorrências.
— O que aconteceu contigo, meu Príncipe? — Princesa Carmen perguntou chegando perto dele e praticamente empurrando a Magali da cama.
— Calma, querida! Não precisa empurrar... — Maga falou com uma cara irônica.
— E quem são esses... Esses... Plebeus? — Carmem questionou ignorando a todos, como se não houvesse mais pessoas na sala.
— Desculpe, Princesa, mas de plebeus nenhum deles têm nada, na verdade, esses são os humanos, os escolhidos da profecia. — Cebola respondeu a olhando seriamente.
Por um instante ela ficou estática e aos poucos virou-se para nos encarar; foi aí que minha antipatia ganhou mais força, não que precisasse de algo para isso, não gostava da loira de graça, mas quando ela nos mediu dos pés a cabeça e fez uma cara de desdém foi o suficiente para eu querer tacar a primeira coisa que visse pela frente na cabeça real dela.
— Eu não sabia. Pensei que eles eram mais... Hum... Como posso dizer? ‘Especiais’, sim, essa é a palavra. Acreditei que teriam características melhores que os diferissem das demais pessoas, porém, são mais do mesmo, enfim! — Eu realmente não conseguia acreditar no que ouvia, a Princesa estava claramente nos avacalhando. — Mas e você, Príncipe Cebola? O que te aconteceu?
— Eu saí em missão para resgatar essa humana — Apontou pra mim. — que fora sequestrada pelo Rei Viskha, Toni, e acabei me machucando seriamente.
— E por que estão no mesmo quarto? Ora, você deveria estar num lugar melhor, é claro! — Cebola ficou sem palavras, sorte que o Cas ajudou-o.
— Ele é o Príncipe, nós os humanos que ajudaremos na guerra, sei que você é loira, mas não consegue perceber a relação? — Cas falou como se estivesse dizendo algo óbvio e a Princesa ficou com uma cara de quem mataria ele se fosse possível.
— Desculpe-me, mas ainda não posso entender a relação.
— Táticas de guerra, minha filha! Vâmo acordar pra vida hein. — Respondeu estalando os dedos no rosto dela e eu tive que me segurar para não rir.
— Exatamente, Carmem, portanto, peço-lhe que deixe-nos a sós, afinal, precisamos continuar. — Confesso que gostei quando ouvi o Cebola a dispensando, mas sabia que aquilo não iria longe, afinal, ela era sua noiva e logo seria sua mulher.
— Tudo bem, Príncipe. Além disso, não estou à vontade aqui, mais tarde procuro-lhe para conversarmos, creio que os planos de casamento deverão ser adiados, certo?
Ele olhou para mim e senti meu rosto queimar, por isso logo desviei minha atenção para uma máquina que apitava os meus sinais vitais.
— Não é necessário, nos casaremos logo que possível, assim que eu me recuperar.
— Fico muito feliz, prometo que serei a yala mais feliz que todos os reinos já viram! — Disparou em direção à porta de saída, mas antes de trancá-la encarou-me e sorriu, como se quisesse mostrar quem havia vencido.
POV CARMEM
Eu tenho certeza que aquela é a humana que meu Toni contou-me! Asquerosa, urgh! Era de se esperar que o Príncipe tivesse um gosto melhor depois de ter-me como noiva. Só de pensar no quanto precisei segurar-me para não cortar o pescoço dele com minhas próprias unhas... Foi desesperador.
Saí de Lethus, como sempre, assim que o sol se pôs para visitar meu amado Rei, mas assim que cheguei à entrada da caverna percebi que havia algo estranho, nunca havia visto soldados Viskhas pela mata que antecedia a entrada, entretanto, encontrei muitos deles noite passada. Perguntei o que estava acontecendo e quando fui informada que Toni estava mal, saí em disparada ao seu encontro.
Estava no hospital e desacordado, muito machucado, fiquei ao seu lado o tempo todo! Algumas horas depois, que mais pareceram com anos, ele enfim acordou e contou-me os detalhes da batalha que ocorrera. A princípio tive vontade de vir à Syati e matar o Príncipe com minhas próprias mãos, porém, isso estava fora de cogitação, pois o plano era que primeiro me tornasse Rainha e só então eliminasse o Cebola.
Não nos amamos aquela noite, apenas passamos o tempo todo conversando sobre o que eu faria e como. O plano era simples, porém, engenhoso; não faria nada precipitado, deveria primeiro casar-me e na própria noite de núpcias, onde consumaríamos nosso “amor” eu o envenenaria com uma substância que faria Denise conseguir para mim; dessa forma, depois de sua morte quem governará Syati serei eu, os reis Cebolácio e Dona Cebola não terão interesses de continuar como monarcas após minha união com seu filho, então, renunciarão, assim só restará a mim para governar tudo e deixarei as portas completamente escancaradas para a invasão dos Vikhas.
— Senhora, o que faz aqui? – Perguntou-me Denise com as mãos no peito, parece que a parva assustou-se com minha presença, não esperava ver-me aqui.
— Vim ver o Príncipe, mas é ótimo te encontrar, faz tempo que não tenho notícias suas... E o nosso paciente?
— Ah... É... Ele...
— Dêêêêêêê! – Fomos interrompidas por alguém que a chamava do lado de dentro de um dos quartos.
Não esperei que ela me dissesse o que acontecia, abri a porta e observei quem estava deitado em um dos leitos, era ele, o traidor que infiltrara-se em Viskha! Saí antes que me reconhecesse e fechei a porta.
— Sua traidora! Deveria receber a pena de morte por desobedecer ordens diretas da sua Princesa.
— N-não, Princesa. P-posso explicar! Por favor, não me condene, e-eu... – Falou gaguejando e a raiva só me subia a cabeça, será que ainda podia contar com aquela que havia sido minha acompanhante por anos?
— Prove! Prove que não se bandeou para o lado deles!
— Farei o que for necessário para isso, óh bondosa soberana. – Disse curvando-se.
— Preciso que me consigas uma droga aqui do hospital, que pareça substância comum, porém, que em doses erradas seja mortal. Conhece alguma?
— S-se n-não é demais perguntar... Por que a Senhora gostaria dessa droga?
— Não é de sua conta! Quer provar sua lealdade sim ou não?
— C-claro, Princesa. Conseguirei o mais rápido que puder! – Dizendo isso desapareceu da minha frente entrando no quarto do espião.
Observei se não vinha alguém e curvei-me em direção à porta, pude ouvir claramente a conversa dos dois.
— Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou-lhe.
— Não... Só achei que tivesse visto... Hum... Deixa pra lá, não tem importância. – Ele respondeu.
Era apenas aquilo que eu precisava ouvir, saí com um sorriso no rosto e torcendo mentalmente para que dali em diante tudo desse certo e, ainda por cima, que saíssemos vitoriosos, eu e meu Toni.
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