Depois do Fim

26 Descobertas


Notas iniciais
Oi, gente! Alguém ainda me conhece? hehe' Bom galera, esse aqui é o antepenúltimo ou penúltimo capítulo da fic, então, espero que aproveitem! Amo vocês :3

POV CEBOLA

Algum tempo se passou e, enfim, saímos do hospital. As semanas que passei ao lado da Mônica só fizeram piorar toda a situação em relação ao casamento com a Carmem, mas no fim das contas a Mô entendeu que eu faria o que tinha que fazer, pois agora não era apenas pelo meu povo, e sim, por ela também, nunca mais deixaria que a ferissem daquela maneira. Conversamos muito e descobrimos várias coisas em comum, ela me contou sobre seus sonhos, seus gostos, seus medos e isso só fazia eu me perder mais e mais apaixonado por ela.

— Finalmente vamos descobrir qual é meu poder... Eu ficaria feliz só com uma inteligenciazinha a mais... O poder do Cas e da Maga também são super legais... Você acha que o oráculo vai ser legal comigo? Será que ele vai gostar de mim? – E desatou a falar sem parar.

— Calma, Mô! – falei rindo a interrompendo – Você tá falando muito rápido e desse jeito eu não consigo acompanhar.

— Desculpa, é que eu tô meio nervosa. – Riu ficando com as bochechas vermelhas, o que, preciso confessar, me deixou morrendo de vontade de beijá-la.

Estávamos apenas os dois a meio caminho do templo do Oráculo, então segurei seu braço e a virei pra mim, estávamos bem próximos, olhos nos olhos, boca quase encostando e já respirávamos praticamente o mesmo ar.

— Não, Cebola, é melhor a gente não ir pra esse lugar. – Ela falou me empurrando delicadamente com as mãos no peito.

Eu queria dizer que não entendia, mas no fundo sabia os motivos dela, das primeiras vezes até consegui roubar um beijo ou dois, porém, quanto mais o tempo passava, mais ela se distanciava, provavelmente por que sabia que cedo ou tarde teríamos que ficar separados de vez.

— D-desculpa, Cê... Mas é melhor assim. Eu já vou sair muito machucada dessa história pra ter que levar mais pra frente.

— Não, precisa se desculpar, eu que deveria... Esquece isso, vamos logo falar com a múmia velha e daqui a pouco você já estará ótima e protegida com seu poder.

Ela sorriu e continuamos nosso passeio até o templo, ao chegar, colocamos as vestes apropriadas e convoquei o oráculo que se mostrou bastante animado em finalmente conhecer a liadhere, tão empolgado que saiu arrastando minha yala rapidamente para a sala em que ela ganharia seu poder e eu os perdi de vista.

POV MÔNICA

Não foi nada fácil voltar até o lugar onde tudo começou, assim que percebi onde o Oráculo estava me levando comecei a tremer.

— Você está bem, minha querida? – Ele me perguntou preocupado.

— Oh sim, sim, senhor... Não se preocupe.

— Está tudo bem mesmo? Por que se não estiver, podemos deixar pra outro dia, não sei...

— N-não, podemos continuar.

Assim que dei minha confirmação ele começou com o ritual e logo me vi flutuando na sala, ganhando uma força que jamais sentira em toda a minha vida, fiquei sem confiança de tudo a minha volta e a única coisa que podia entender era todo o poder que fluía pelo meu corpo, como se fossem partículas misturadas ao meu sangue soltando pequenas fagulhas de eletricidade, pude perceber meus músculos endurecerem sob minha pele, consegui notar meu corpo ganhando peso pela massa muscular... Então essa era a minha benção.

A princípio eu só queria me ver longe da guerra, quando o Cebola sugeriu que eu pegasse o poder apenas para minha proteção e deixasse que ele cuidasse do resto aceitei de imediato, mas depois que o Oráculo me transferiu toda a força, com ela veio toda a consciência, toda a história que eu ainda não conhecia, o sofrimento daqueles povos com a guerra sem fim, a fome e a miséria, tudo veio a mim e foi aí que percebi, aquela era minha missão, o meu dever, precisava ser a liadhere dos meus amigos, do exército e daquele povo.

— V-você tá bem? – O Oráculo me perguntou com uma cara de espanto.

— O que? Como assim? – Olhei para o meu corpo vi porque a múmia estava surpresas, emanava uma luz prateada por todo o corpo, assustada comecei a gritar e em menos de trinta segundos o Cebola apareceu correndo pela porta.

— Mô? Mô? Calma, vamos cuidar disso juntos, okay?

— O que tá acontecendo comigo, Cê? – Falei começando a ficar um pouco desesperada.

— Mô, você precisa se acalmar, tá? – E depois voltou-se para o Oráculo – Você, faça alguma coisa, por favor!

— Eu não sei o que aconteceu, acho que o poder é forte demais, mas presta atenção, tá começando a passar, vê?

Foi aí que olhamos e, me deixando mais tranquila, percebi que ele tinha razão, o brilho estava se extinguindo aos poucos, mas o poder não me deixou.

— E aí, como está se sentindo? – O Cê me perguntou.

— Er... Eu tô bem, eu acho. – Falei sorrindo, fitando as minhas mãos surpresas.

Me dirigi a parede mais próxima e, como se fosse a coisa mais normal do mundo, soquei a parede, arrancando um pedaço bem grande, não satisfeita soquei, soquei e soquei mais, abrindo um buraco cada vez maior.

— Opa, opa, calma ai, mocinha! – O Cê disse sorrindo – Antes que você quebre o templo inteiro. – Concluiu segurando com carinho minhas mãos.

— Tudo bem... Eu... Nunca tinha sentido isso dentro de mim... Eu sou forte! – Ok, eu parecia idiota, mas precisamos convir que era algo totalmente novo e estava muito feliz por finalmente ter descoberto minha utilidade na vida.

— Agora precisamos ir... Er... Você sabe... – Comentou coçando a cabeça.

De súbito todas as notícias da última semana me vieram à mente, o casamento. Todos os preparativos, a comoção das pessoas no hospital, a alegria... Seria aquela noite, o Príncipe Cebola e a Princesa Carmem se uniriam para salvar o povo da barbaridade dos Viskhas, os exércitos lutariam juntos, lado a lado, o Cê não sabia, mas meu futuro era claro diante dos meus olhos, não importa o que ele pensava, eu lutaria em favor de Syati, como estava escrito no meu destino.

POV CARMEM

Tudo estava correndo bem, os preparativos para a festa mais tarde saiam a todo o vapor e a ansiedade pelo o que ocorreria logo após a cerimônia arrepiava minha pele. Fui capaz de suportar até mesmo a humilhação em saber que o Príncipe estava com aquela dentuça sem graça. Eles obviamente achavam que eu não tinha olhos e ouvidos naquele hospital, porém, estive muito bem informada sobre toda a cumplicidade e romance que acontecia entre os dois.

Essa manhã mesmo Cebola levou a gorducha para o templo, provavelmente para aquele oráculo abençoá-la como o poder, o que não adiantaria de nada! Nem os ancestrais poderiam prever que Viskhas e Lethus ficariam juntos um dia, tudo aconteceria diante dos olhos de todos e quando menos esperassem haveriam três golpes seguidos: meu casamento com o Cebola, tornando-o o Rei, depois disso sua morte e, em seguida, a cartada final, trago Toni e governaremos Syati, Lethus e Viskha, unificando todos os reinos, tendo o mundo em nossas mãos.

— Princesa? Pode me receber? – Denise batia timidamente à porta, eu atendi, pois já a esperava.

— O que deseja? – Respondi enquanto permitia que entrasse.

— Princesa... O produto... Er...

— Me diga que conseguiu! Ou então lhe denunciarei por traição! – Rosnei em direção a ela.

— E-eu consegui, mas não sei para o que a senhora precisa, então... – E tirou um frasquinho pequeno da bolsa que rapidamente capturei antes que ela desistisse.

— Não interessa para o que eu o quero, agora saia, preciso acabar de me arrumar para meu noivo. – E dizendo isso ela saiu muda do quarto.

POV DENISE

Sai do quarto de minha Princesa um pouco preocupada, não sabia quais eram seus planos, de todo o jeito, fui para o único lugar que me trazia paz, ao lado do Xaveco, todas as vezes que conversávamos eu acaba me transportando para outro mundo, sem traições e nada do tipo.

Algo me dizia que aquela droga era para o Príncipe, mas aquilo não fazia sentido, nenhum sentido!

— Oi, querido, como está? – Perguntei ao entrar no quarto de meu Xaveco.

— Estou bem, pronto para a cerimônia de hoje.

— Você tem certeza que está bem o suficiente? – Questionei tentando dissuadi-lo a ir, afinal, a Carmem não queria ser reconhecida porque... Porque mesmo?

— Cê tá com a cabeça tão longe, Dê...

— N-não é que...

— Diz... – Ele disse acariciando meu rosto.

— A princesa pediu-me algo... Mas antes... Eu queria saber uma coisa...

— Pode perguntar.

— A yala do Rei Viskha, como ela era? – Perguntei rezando para não obter a resposta que vinha imaginando a muito tempo.

— É impossível esquecê-la, estava sempre por lá, cheia de pompa e majestosa, arrogante, loira, com longos cabelos que caiam como ondas, alta e magra, olhos claros, sabe de uma coisa? Ela tinha seu sotaque, sabia?

— V-você tem certeza?

— Claro, jamais me enganaria.

— E você saberia me dizer o nome dela? — Meu coração batia freneticamente.

— Escutei-o muitas vezes, seu nome é Carmem, como o de sua Princesa.

O mundo pareceu girar e achei que a respiração nunca mais sairia de mim, não restava dúvidas, a traidora no final das contas era ela, Princesa Carmem.

Notas finais
Estamos no fim... Espero que gostem das reviravoltas que estou aprontando pra vocês para esse final! Beijos :*