Depois do Fim
27 O Casamento
Notas iniciais
— V-você tem certeza? – Perguntei sem conseguir acreditar no que ouvia.
— Claro, jamais me enganaria. – Xaveco respondeu.
— E você saberia me dizer o nome dela? — Meu coração batia freneticamente.
— Escutei-o muitas vezes, seu nome é Carmem, como o de sua Princesa.
O mundo pareceu girar e achei que a respiração nunca mais sairia de mim, não restava dúvidas, a traidora no final das contas era ela, Princesa Carmem.
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POV MÔNICA
O frenesi que veio junto com o meu poder aos poucos foi passando junto com as horas daquele dia, afinal, assim que o sol se pusesse o Príncipe Cebola seria Rei e não seria eu sua Rainha; não que queira ser rainha, na verdade, só o que desejo é o Cê. Vim para esse mundo buscando paz, mas a única coisa que encontrei foi mais do mesmo, guerra! Quando achei que pelo menos ganharia um pouco de amor em troca, chega aquela Princesa e tira minha única esperança; tá, eu sei, quando cheguei, ela já estava por aqui, mas qualquer um há de convir que ficamos muito melhor juntos.
Enfim, voltamos juntos até a casa da família real, Cebola ainda tentou conversar, mas já não conseguia fingir que estava tudo bem.
— Você não precisa comparecer à cerimônia se não quiser. – Ele me disse em um tom triste e sério.
— Não, tudo bem, eu estarei lá... – Respondi sem saber se teria coragem de fazer realmente isso.
— Ei – puxou meu braço para que eu deixasse de avançar – eu faria diferente se tivesse escolha... M-me perdoe.
— Você tem suas obrigações com Syati, entendo isso... A-agora eu entendo.
— Como assim “agora”?
— Você não acha que ganhei esse poder e não irei usá-lo para ajudar seu mundo, não é?
— Mô-mônica, o que você tá falando?
— O Oráculo não me abençoou apenas com a super força, junto com ela veio toda a história do seu povo, pude sentir cada momento de tristeza, raiva, frustração, dificuldade... A dor de vocês agora também é minha. – Confessei a ele.
— Você não irá lutar. – Ele falou calmo e pausadamente, como se estivesse explicando a uma criança que ela estava fazendo algo errado.
— Desculpe, mas não é você quem decide isso. – Não queria me irritar, mas detestava que me tratassem daquela maneira, como se eu não fosse capaz. – A decisão cabe apenas a mim! Minha vida inteira as pessoas me viram como fraca e indefesa e agora eu posso provar que sou muito mais do que isso.
— Então... Então você quer se arriscar pra provar alguma coisa pra alguém?! – Agora sim ele falou irritado, em outros tempos eu teria recuado, mas, ao invés disso avancei um passo.
— Não, Cebola, não se trata de outras pessoas, se trata de mim! Eu preciso ME provar. E tem outra coisa, mas você não entenderia... Nem eu mesma entendo! Também quero fazer por seu povo, sinto que devo isso a Syati.
— Você não precisará se envolver em nada disso, eu já estou cuidando de tudo.
— Não só preciso como vou! – E a cada frase nosso tom de voz aumentava, também percebi uma nuvem carregada de chuva se formando sobre nossas cabeças, cortesia do Príncipe do tempo, provavelmente.
— Não, você não pode!
— POR QUE EU NÃO POSSO? – Já estava visivelmente alterada.
— PORQUE EU NÃO VOU CONSEGUIR TE PERDER DENOVO... E-eu não sou forte assim. – Ok, por essa eu não estava esperando e muito menos preparada.
— N-não diz isso...
— Mas é a verdade, eu não quero que você pas...
— Chega! Isso só torna tudo mais difícil pra mim. – Falei sentindo meu coração quebrar, precisava sair dali o mais rápido possível, antes que raptasse o Cebola e foi isso que fiz, dei as costas a ele e entrei na casa.
POV CEBOLA
Passei o resto da manhã no meu quarto, preparando-me para o casamento e preocupado com minha yala, não queria deixar ela se ferir, mas precisava aceitar aquela decisão, afinal, era a vida dela.
— Irmão, posso entrar? — Maria perguntava já metendo a cabeça pelo vão da porta.
— Já está dentro mesmo! — Sorri em resposta.
— Você tá preparado? Estarão lhe aguardando dentro de meia hora.
— Sim, sim, estou pronto.
— Hum... Por que será que eu não acredito nisso?
— Ah baixinha, é complicado...
— Mônica, o nome da complicação é esse, não é?
— Você tá começando a entender as coisas, mas não estou querendo entrar nesse mérito.
— Tudo bem, eu te entendo, mas não demora. — Dizendo isso, ela me deu um beijo e saiu.
Acabei de me arrumar, respirei fundo e sai do quarto em direção ao salão principal da casa real, onde estariam cerca de 300 Karthasianos. Fiquei na minha posição, esperando a Princesa entrar, confesso que nem um pouco empolgado, só não desejei que desistisse por que isso indicaria a sentença de morte dela.
Olhava para a porta principal quando vi a Maga e o Cas entrando, eles acenaram e sentaram no lugar designado a eles; a Mô deve ter decidido não vir, o que era melhor e... Opa, acho que falei cedo demais, a liadhere entrava linda, com um vestido prateado que alongava seu corpo, o cabelo foi preso para o alto, apenas com alguns fios caindo pelo seu ombro.
Mal tive tempo para me recuperar e a marcha nupcial começou a tocar, não consigo dizer com que roupa a Princesa Carmem estava, na verdade, me desliguei durante a cerimônia inteira, meu único desejo era que tudo aquilo acabasse logo...
— Príncipe Cebola Menezes, você aceita a Princesa Carmem para ser sua esposa e Rainha até o fim de suas vidas? — O oficial que realizava o casamento perguntava.
Olhei para a Mônica, que mantinha a cabeça baixa, virei para ele e respondi o que todos já esperavam e que era meu dever, disse que “Sim”.
— Então eu os declaro...
— PARE ESSA CERIMÔNIA! – O suficiente para todos virarem para trás e encontrarmos...
— Denise? Ora sua empregadinha...
— CHEGA! — Denise interrompeu a fala da própria Princesa, o que, com toda a certeza, teria uma punição. – Ela planejava matá-lo, Príncipe! — Agora foi minha vez de ficar assustado.
— O que está dizendo? — Perguntei.
— Ela é a amante do Rei Viskha, ela é a traidora! — Olhei para a Princesa que perdera todo o sangue do rosto e se mostrava totalmente sem palavras.
— O que você afirma é muito grave... Por acaso tem alguma prova?
— Prova? Você não está acreditando no que essa serviçal está falando, não é?
— Eu tenho provas! Tenho testemunha. — E todos ficamos olhando-a. — Xaveco, pode entrar.
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