Depois do Fim
16 Conhecendo o Inimigo
Notas iniciais
POV CARMEN
— Morte. A morte libera o outro lado do compromisso. E é assim que tudo vai se acabar: Meu amado terá o que quer, eu me liberto e o Príncipe Cebola morre. Simples.
==
— P-princesa! Se descobrirem isso quem morre é Vossa Alteza! – Denise falou levando as mãos a boca.
— Ninguém saberá. Fique tranquila. Agora ajude-me a pôr as roupas novamente, preciso sair.
Ela não precisou ouvir uma segunda ordem, apenas me deu auxilio com as roupas, cabelo, maquiagem e saiu do meu quarto, deixando-me sozinha para fazer o que desejava.
Esperei algumas horas para colocar as ideias no lugar e dar tempo para que todos pegassem no sono. Sorrateiramente sai dos meus aposentos e silenciosamente atravessei toda a extensão do castelo até o lado de fora, meu pathris* não podia sonhar que estava saindo sozinha àquela hora da noite, mas eu teria que ir até meu futuro Rareen*.
Dei a volta pelo lado externo do Castelo e me dirigi à ala dos empregados, sem cerimônia fui abrindo a porta e encontrei alguns deles comendo alguma coisa, assim que me viram puseram-se aos meus pés, exatamente como deveria ser.
— Titi, desejo que me leve até um lugar nesse momento. – Meu tom não deixava dúvidas de que queria ser atendida imediatamente.
— Como queira, Princesa. – Ele assentiu com um aceno na cabeça.
Quando estávamos quase na carruagem percebi passos apressados em nosso encalço e virei-me.
— P-princesa... Irei... Com... Você. – Denise parava com a mão no peito para respirar, estava ofegante.
— Se eu desejasse sua companhia teria chamado. Agora volte ao castelo e fique em minha cama. Se alguém desconfiar do meu sumiço a coloco na rua, entendeu? – Ela apenas olhou-me assustada e voltou o mais rápido que pode para fazer o que mandei.
A viagem demorou cerca de duas horas, mas logo chegávamos ao meu destino, pedi que Titi parasse há muitos metros de distância e esperasse ali até que eu voltasse, ele era de confiança, porém não podia arriscar ser vista fazendo o que tinha que fazer, além disso, o lugar era secreto e ninguém poderia encontrá-lo.
Caminhei por alguns minutos numa trilha dentro da mata e encontrei a gruta escondida entre árvores, pedras e plantas, entrei e cheguei ao túnel secreto que me levaria ao meu Yala*. A distância que percorri era cansativa, entretanto o que me aguardava ao fim dela era totalmente tentador e pagava todo meu esforço. O túnel foi escavado dentro de uma montanha gigantesca, havia muitas bifurcações, quem não conhecesse acabaria perdido ali dentro para sempre, na verdade, só era necessário perceber o padrão dos caminhos corretos, havia lodo em muitas partes da via, mas o túnel correto era o que tinha musgo em seu canto inferior, apenas questão de prestar atenção.
Finalmente cheguei a uma grande porta protegida por dois brutamontes que logo afastaram-se para permitir minha passagem, não havia outra saída ou entrada que não fosse aquela, cumprimentei-os e finalmente cheguei aquela sala tão familiar que já havia me acostumado, ele esparramava-se numa poltrona gigante e ao me ver seus olhos brilharam.
— Não te esperava aqui, Yala. – Adorava quando me chamava assim, sim, eu já era sua amada e, depois de nossa união, seria sua Shadon* de fato e pra sempre. Suspirei quando seus dedos longos passaram em meu rosto, fechando os olhos pra guardar aquele momento. – O que te trás aqui? Saudades de mim?
Sorri tomando conta daquela verdade, porém, tinha algo muito melhor para justificar minha visita fora de hora.
— Toni, Rei dos Viskhas, lhe trago a informação que você tanto esperou para tomar o controle de Katharsis.
==
POV TONI
Quando ouvi aquelas palavras dos lábios de minha Yala algo rugiu dentro de mim, finalmente a guerra começaria de fato, como nosso Oráculo dos Viskhas previu: “Três humanos, eles serão o único fim da guerra de um jeito ou de outro. Se não os eliminar, será o fim de Vosso povo e os Syatis triunfarão, se houver êxito de sua parte, a guerra acabará e o Senhor será o único Rei Katharsiano.”. Por isso era imprescindível que soubéssemos da existência de humanos assim que estes pusessem os pés em Katharsis.
— São os humanos, Yala? Diga que sim! – Pedi ansioso.
— Sim! São os três da profecia. – Ela respondeu com um ar triunfante. Minha Yala era uma fêmea inteligente, jamais consegui colocar espiões no reino dos Syatis, no entanto, ela o fez por mim. Minha ideia inicial nunca foi de tomá-la como minha Shadon, mas me apaixonei, dessa forma, sempre fizemos tudo um pelo outro e para estarmos juntos.
Abracei-a e rodei-a no ar, sua risada soou alta e alegre, como eu amava aquele som, minha vontade foi de tomá-la ali mesmo, no chão, do jeito que ela gostava, mas qualquer guarda ou criado poderia entrar a qualquer momento e eu mataria o macho que a visse nua.
— Há mais uma coisa... – Ela olhou para baixo e esperou.
— Diga.
— O Príncipe pediu minha mão em casamento, não entendi, afinal, ele tem os humanos e um deles é o liadhere, não sei porque me quer. – Um rugido saiu do fundo da minha garganta e naquele momento seria capaz de rasgar o Cebocó com minhas próprias mãos.
— Ele não ousou tocá-la, não é?
— Não, Yala, nunca! O único a me tocar foi você... – Um leve rubor apareceu em suas bochechas e isso reacendeu meus desejos.
— Bem, então assim será mais fácil. Terei os humanos aqui no reino antes que ele perceba, matarei os três de forma rápida e limpa, não é meu costume, mas tenho pressa. Enquanto isso... Você fará com que ocorra um “acidente” ao Príncipe e ficará mais fácil de tomar o controle de tudo.
— Eu já havia pensado por esse lado, não se preocupe que já tenho meus métodos.
— Excelente! Mas ouça, não deixe que ele toque em você. Seria uma pena se tivesse que matar minha futura Shadon por traição. – Falei com uma voz baixa e transbordando ameaças, ela tremeu nos meus braços.
— N-não... Eu jamais faria isso, juro. – Disse passando os dedos sobre o coração em promessa a mim.
— Sei disso, agora vou leva-la a... – Ouvi um barulho e virei em direção a cortina que cobria minha janela, fiquei esperando algo mais, porém, apenas o vento fazia bater alguns galhos na janela pelo lado de fora.
— Aconteceu alguma coisa, Yala? – Perguntou olhando na mesma direção que eu.
— Apenas achei ter visto algo... Mas deixe pra lá. Tenho algo mais interessante pra fazer agora. – Com isso, a carreguei em meus braços e a levei para meu quarto, ali poderia tê-la e matar a saudade de fazer amor com minha futura Shadon, nossa união e nosso reinado estavam mais perto do que poderíamos ter imaginado.
Fale com o autor