Notas iniciais
Recebemos um comentário! Ps:Continuem colando na testa e mostrando para o periquitos! Enjoy.

Daniela acordou se espreguiçando e acabou batendo com as mãos em Ester. Com isso ela se sentou rapidamente em meio a um gritinho que fez Ester se erguer também.


– Ai meu Deus! Diz que nós só dormimos! — Daniela disse avaliando as roupas da amiga e as próprias. Estavam cheias de grama e o cabelo úmido da pequena guerra no banho gelado não ajudara muito a impedir que a grama pregasse em seus cabelos.
– Eu espero que sim — Ester passou os dedos nas têmporas — Aaaahh! Doi!
Elas se viraram e viram Marina agarrada a garrafa de Jack Daniel's que elas beberam na noite anterior. A menina murmurava coisas sem sentido e entre elas o nome de Miguel.
– Cadê a Ari? — Daniela perguntou.
– Ela tinha ido embora depois que você gritou com ela.
– Eu gritei com ela? Ah, eu tô fodida — Daniela se levantou cambaleante e foi em direção a casa de Marina.


A casa estava uma bagunça. Tanto lixo, sujeira, pessoas semi mortas e semi(ou totalmente) nuas. Daniela foi abrindo espaço entre as pessoas largadas e pegou um telefone pra ligar no telefone da irmã, ninguém atendeu mas ela ouviu Ester rindo histericamente do lado de fora, e ela foi ver.


Chegando lá, Ester estava rindo com as mãos na barriga e indo perto para ver viu que ela ria de alguém. E esse alguém era Ariel dormindo com a cara colada no asfalto da calçada, e então Daniela riu junto
Ela foi até a irmã dando alguns tapinhas em sua face.
– Acorda, infeliz! — ela deu alguns tapas mais fortes até Miguel aparecer e chutar as pernas da menina.
– Larga ai e deixa os urubus aproveitarem — disse mexendo nela com a ponta do tênis.
Daniela soltou um riso e viu Miguel a encarar pelo canto do olho mas resolveu não encarar de volta.
A manhã estava fria e ela logo passou as mãos pelos braços tentando se aquecer.
– Quer minha blusa? — ele perguntou e isso a fez encara-lo.
Ela aceita e veste a blusa. Os dois arrastam Ariel pra dentro da casa e ajudam Marina a arrumar a casa. Miguel e Marina estavam cheios de cochichos. Ester, depois de algumas aspirinas ajudou Ariel a tomar um banho e deu aspirinas também.


Depois que a casa tava toda arrumada e sem nenhum estranho, era por volta de seis da tarde.
–O que vocês querem fazer?-Ariel pergunta sentada no colo de Alex.
–Vamos andar por aí... Sei lá-Arthur sugere
– Se isso me fizer esquecer dos acontecimentos da noite, eu vou adorar — Daniela disse. Ela estava sentada no braço do sofá com as pernas sobre Arthur.
Os dois eram bem próximos e isso criava grandes dúvidas — e expectativas — nos colegas.
– Só porque você vomitou nos sapatos do cara que pediu pra ficar com você — Ariel perguntou com as sobrancelhas arqueadas só para irritar a irmã. E realmente funcionava.
Daniela apenas abaixou a cabeça e Arthur riu lhe passando a mão nos cabelos azuis.
– Não faz ele gostar menos de você — disse como que para confortá-la.
Depois de muita conversa resolveram andar pelo parque. Marina e Miguel de mãos dadas; Ariel, Marina e Ester de braços cruzados cantarolando "nós andamos de pés iguais" enquanto Alex ria; e Arthur carregando Daniela nas costas enquanto ela ria.
Eles chegaram em um espaço com uns bancos e se sentaram e ficaram brincando e conversando. O celular de Ariel tocou e ela se afastou para atender.


–Alô?
–Oi, filha!-A menina arregalou os olhos e praguejou um "puta que pariu".
–Oi mãe, onde você tá?-A menina torcia para que não fosse em casa.
–To saindo do aeroporto, logo estamos em casa e podemos matar a saudade. Beijos, te amo-E sem mais ela desligou.
–SUJOU!-Ariel voltou correndo pra onde os amigos estavam-Mamãe e papai chegando em casa, tipo menos de meia hora. Fodeu legal!
Miguel e Daniela levantaram alarmados e logo os três estavam no carro de Arthur e o garoto dirigia o mais rápido possível.


– Cara, pisa na porra do acelerador! — Miguel gritou.
– Escuta aqui, Albuquerque, se eu levar uma multa você irá pagar! — e com isso Arthur pisou mais forte no acelerador.
Eles passaram uns sinais vermelhos e acima da velocidade permitida de muitos radares, Arthur resmungava constantemente.


–Minha carteira... Fodeu. Fodeu legal. Ainda bem que vocês são podres de rico, por que eu não vou mexer um dedo com isso. Caralho...
Eles chegaram na mansão Albuquerque. Os três dispararam pra cozinha e tiraram todas as bebidas que tinha ali. Arthur estava no sofá deitado se lamentando pelos milhares multas levadas.


Foram bebidas, salgadinhos levados para o quarto das meninas, e sem que as mesmas percebessem, Miguel pegou suas drogas que estavam escondidas numa parte da cozinha.
Aromatizantes foram borrifados na casa toda, almofadas afofadas e todas as bagunças postas no quarto.
–Pronto... Porra, eu cansei.-Ariel disse se arrastando para a sala aos pés de Arthur
– Minha carteira — ele murmurou outra vez.


– Relaxa cara — Miguel sorriu e se sentou do lado dele — Não foram tantas multas — diz.
Dany ainda estava na cozinha e trouxe um balde com pipocas.
– Vamos fingir que estamos felizes e que estamos assistindo um filme. Você vai ficar, Arth?
O garoto balançou a cabeça e levantou.


– Vou aproveitar meus últimos momentos de abilitado e visitar Matheus. Até — ele saiu e os outros três ficaram se encarando.
–Tchau.-Os três dizem em uníssono, e escutam Arthur falando com alguém
–Boa noite, senhor e senhora Albuquerque.
–Boa noite, Arthur querido. Fique para jantar com a gente.-A mãe oferece e Arthur recusa
–Eu vou visitar meu amigo. Enquanto posso.-Ele mais resmunga do que fala a última parte.
–Tudo bem. Até a próxima.-E então os pais entram na sala e os irmãos fingem que estão assistindo algo na TV
– Ah meus anjinhos! — a mãe abre os braços e Ariel e Miguel os abraça enquanto Dany vai até o pai.
– Alguém reparou que também cheguei — o pai brincou enquanto passava a mão pelos cabelos dela — Tudo bem, meninos? — perguntou.
– Melhor agora — Ariel respondeu dando um beijo na bochecha do pai que sorriu.
– O que acham de jantarmos fora? — a mãe pergunta apertando as bochechas de Daniela.


–Vocês adotaram mais alguém?- Daniela faz um bico, ela não aceitaria ter mais um adotado e ter de dividir a atenção.
–Não! Você é nossa menininha especial, Dany.-O pai a abraça e Miguel bufa voltando ao sofá.-E seu irmão meu menino rebelde.-O pai ri e Miguel repete as palavras do pai com desdém.
–E então? Vamos ou não?-A mãe pergunta.
–Mas é claro. Eu to morta de fome, poderia comer um boi.-Ariel diz e a mãe faz uma careta.


–As vezes duvido se o menino é você ou o Miguel. Deixando claro que não há problemas em ser gay, viu querido... Mas você é?-A mãe pergunta um tanto alarmada
–Mãe! Menos.-Ele se levanta e vai para o quarto.
– O que deu nele? — a mãe pergunta levando a mala para dentro.
– Se a gente soubesse te contava — Ariel disse soando triste.


Dany procurou não dizer nada. Apenas ficou abraçada ao pai adotivo. Se sentia confortável perto dele. Mais confortável do que com a mãe ou com os irmãos.
As meninas estavam com as roupas de Marina, se seus pais notaram? Não, e nem perceberam que estavam com um leve bafo de bebida. Miguel tomou um banho e logo desceu e todos foram a um restaurante. Os cinco olhavam o cardápio.
–Eu quero uma salada com croutons e uma água tônica.-A mãe diz
–Eu quero um filé mignon acompanhado com um arroz com legumes e um whisky.-O pai a acompanha entrelaçando a mão com a da sua esposa.
–Fritas e coca.-Ariel diz e a mãe torce o nariz
–Filha... Sua saúde. Escolha direito.-A mãe aconselha e a menina revira os olhos e pegando o cardápio de novo
–Pensando melhor... Eu quero batatas cuidadosamentes fatiadas em tiras e postas no óleo, chamadas batatas fritas. E... Hm... Ah sim, um suco gaseificado da fruta de cola.-A menina diz fazendo os pais e os irmãos rirem.
– Miguel? Dany? — o pai olha para os dois. Por algum milagre divino estavam sentados lado a lado a mesa.
– Aceito as batatas e a coca também — Miguel respondeu fazendo a mãe revirar os olhos.
– Posso comer a sobremesa antes? — Daniela perguntou.
Os pais a olharam, a mãe indignada e o pai com um sorriso divertido.
– Minha pequena Dany... Deve ter nascido invertida, querida — ele disse com um riso no final.
– Não, Daniela. Não pode — a mãe respondeu.
– Quero sopa de legumes então — disse dando de ombros.
– Eca — os outros dois jovens disseram em uníssono.
–Eu gosto!
–Mas ta calor! -Ariel diz
–E?-Daniela ergue a sobrancelha fazendo a irmã bufar
Os pratos chegam e realmente Daniela toma a sopa, e Ariel fez caretas durante a refeição. Seus pais não saíram dos celulares, até atenderam uma ou duas ligações. Quando terminaram de comer pediram a sobremesa, e como sempre Ariel aprontou uma das sua.


Ela pegou um M&M e pos no cabo da colher, em seguindo batendo com o punho em cima fazendo o doce atingir a testa de Miguel
–Porra!-Reclamou
– Olha a boca — a mãe disse enquanto digitava algo no celular.
– Vocês nunca vão sair dessas porcarias, não é? — Miguel disse e os pais o encararam — Vocês acabaram de voltar de una viagem de negócios e já estão nos celulares trabalhando mais. A gente poderia ter no mínimo um almoço sem a droga do celular de vocês tocando e vibrando?


As duas meninas o encaravam boquiabertas. Ele realmente havia falado tudo aquilo aos pais. Aquilo que as duas também queriam dizer e nunca tiveram coragem.
A mãe sempre teve pouca paciência, mas nunca deixo de ser carinhosa ou amorosa, quando estava por perto. O pai sempre foi o mais calmo liberal e divertido.


–É ficar ligado nesse celulares, Miguel, que dá todo esse luxo que vocês tem.-Ela cospe as palavras e sustenta o olhar de Miguel. Daniela empurra a sobremesa.
–É por isso que eu como a sobremesa primeiro, pra nada estragar o momento doce... Mãe, ele tem razão. Sabe, a gente quer mais atenção, poxa.-Ela dizia. Miguel e Daniela tomaram o lugar de porta vozes dos problemas que tinham, Ariel simplesmente comia quieta.


–Meninos... Vamos comer. Depois falamos disso
– Não, mãe. Depois a senhora vai estar numa ligação internacional e depois disso marcando o próximo vôo — Miguel disse.
A mãe olhou para o pai como se pedisse ajuda e ele deu de ombros.
– O que quer que eu faça, Cecília? Eles tem razão, embora eu também tenha culpa — e nesse momento o celular dele se iluminou e começou a vibrar sobre a mesa.
Daniela olhou o aparelho e depois o pai. O encarou fixamente até que ele pegou o aparelho para atender e nesse momento Dany se levantou e pegou o aparelho desligando a
ligação.


– Eu cansei, pai — ela disse o encarando enquanto seu corpo se curvava suavemente sobre a mesa. Ela sentiu os olhos dos outros frequentadores.
– Daniela, devolva meu telefone e sente-se — ele disse calmo porém firme.
– Não — ela retribuiu no mesmo tom.
–Daniela Marília Albuquerque me devolve esse celular!-O pai foi firme dessa vez
–Não, Marcos Albuquerque.-Daniela retruca. Ariel começa a ficar inquieta e se inclina e joga o celular no colo do pai.
–Pronto! Jantar estragado! Hiperatividade ativa! Missão cumprida, vamos embora.-Ela diz já de pé e saindo do restaurante.


Miguel seguiu a irmã para fora enquanto Daniela ainda encarava o pai.
– Você está de castigo — ele disse pegando a conta e a arrastando pelo braço em seguida.
O aperto de seus dedos deixavam o braço dela branco onde estavam mas Daniela em momento algum mudou a expressão indiferente do rosto.
Cecília tagarelou no carro constantemente dando sermão nos três. Ariel balançava as pernas inquieta enquanto Miguel escutava de cabeça baixa e Daniela olhava pela janela do carro.


Quando o pai parou o carro Ariel foi a primeira a sair do carro. Ela entrou correndo dentro de casa e antes que todos entrassem ela saiu com uma garrafa com água na mão e jogou um comprimido na boca.
–Ariel, volta aqui! Já esta tarde pra você sair por aí.-A menina deu a mínima e tomou outro comprimido e saiu da casa. O pai esfregou o rosto e suspirou-Ótimo! Os dois! Vão fazer a irmã caçula de vocês voltar pra casa e quando voltarem os três estão de castigo.


Miguel e Daniela foram atrás da menina até achá-la, não muito longe, sentada no meio fio da calçada. Ela parecia mais calma porém ainda mexia as pernas sem parar.
– Ari — Miguel a chamou.
– ARIEL! NÃO GOSTO DE APELIDOS! — ela baixou a cabeça enquanto seu grito ecoava pela rua deserta.
– Vamos para casa — Dany disse a pegando pelo braço a levantando — Podemos brincar de algo no quarto. Você adora jogar damas! — disse abraçando a menina pela cintura.
Ariel murmurou algo que nenhum dos dois ouviu enquanto Miguel andava atrás das meninas.
– Ester tinha razão. Somos um trio da pesada. O trio incorreto! — Ariel disse rindo depois — Eu odeio vocês por terem estragado o jantar hoje. Mas pelo menos vieram atrás de mim... — ela continuaria tagarelando se a irmã não a interrompesse.
– Qual das pílulas você tomou? — a irmã tinha dois tipos das famosas Ritalinas. As comuns que duravam 4 horas e as LA que duravam 6 ou 8 horas.
– LA — respondeu — E um chiclete — disse sorrindo. Suas mãos estavam frias e suadas quando eles finalmente chegaram a porta de casa.

Somente a mãe estava na sala esperando pelos filhos.
–Eu sei que já disse o bastante no carro. E também sei que não ouviram nem metade.-A mãe diz assim qur pisam na sala-Sei que depois dessa noite deviamos ficar por perto até as coisas se acalmarem, mas não será possível. O pai de vocês e eu vamor ter que sair em viagem novamente.-Ela diz se aproximando mas Miguel sai da sala e vai para o quarto sem nenhuma palavra.


–Onde vocês vão?-Ariel pergunta inocentemente.
–Chicago. Voltaremos logo, e quando voltarmos terão o castigo merecido. Ok?-A mãe tenta manter a pose de dura mas era impossível diante os olhos azuis da pequena Ariel. A mãe beija a testa da filha e vai para o quarto pegar a mala que não foi desfeita e por de volta no carro.


Dany leva a irmã para o quarto. Ela sempre ficava tonta e sonolenta quando tomava os remédios. Ela colocou a irmã na cama e se sentou ao lado, no chão, apoiando a cabeça no colchão perto do peito da irmã que respirava suavemente em seu sonho, envolvida nos seus doces sonhos.
Daniela sentiu algumas lágrimas molharem o rosto e mordeu o lábio tentando impedir que mais delas rolassem. Odiava ver a irmã assim, odiava ver Miguel trancafiado no quarto, odiava as viagens dos pais adotivos, odiava ser adotada, odiava a mãe biológica por abandoná-la.
O pai bateu suavemente na porta a fazendo levantar a cabeça e se desvencilhar dos pensamentos.
Ele se abaixou ao lado dela enxugando-lhe o rosto desajeitadamente com os dedos.
– Oh, meu anjo, não chore. Perdão por gritar com você hoje — isso só fez com que soluços saissem de Dany e ela abraçou o pai adotivo. Apesar de tantos ódios ela o amava.


– Quando vocês voltam? — perguntou com a voz embargada.
– Em uma semana, minha doce criança — ele disse segurando o queixo dela com o dedo e beijando-lhe a testa — Cuide dos seus irmãos.
Ela se levantou e saiu pela porta deixando-a mergulhar em pensamentos novamente.