Depois da Meia Noite.
4 Por elas.
Notas iniciais
* * *
Daniela já havia adormecido depois de um banho rápido mas despertou com um barulho no andar de baixo.
Ela se levantou e desceu para ver o que era e viu Miguel sentado na sala comendo alguma coisa
–Por que você não é gordo? Só come!-Ela desce o resto das escadas e se apoia no sofá ficando do lado da cabeça dele. Ele não fala nada, continua comendo e assistindo-Você tá bem?
–O que você quer?-Ele fala irritado
–Você parar de ser ignorante comigo seria uma boa coisa.-Ela diz se sentindo magoada. O irmão suspira e a olha rapidamente
–Desculpa....-O silêncio reina um pouco e Daniela fica dividida entre ficar ou voltar pra cama até que o irmão fala -Eu to tipo bem.
–E isso existe?-Ela pergunta rindo
–Pra mim, sim.-Ele responde e ela da a volta no sofá e se senta no sofá.-Digamos que nossos pais são meu único problema e o resto tá de boa.-Completa simplesmente e come um pouco do salgadinho.
–Suas palavras são quase as minhas.-Os dois ficam conversando sobre uma coisa ou outra, comentam sobre o filme e riem juntos
–Miguel?-Dany chama
–Hm?-Ele responde sabendo que viria alguma pergunta por aí.
–Ontem na festa, eu vi você brigando com o Arth. Ele jogou algo fora e você brigou com ele. O que era?
Miguel suspirou e olhou para a irmã adotiva. Ela era alguns meses mais nova que ele. Mas ainda era mais nova.
– Não se preocupe com os meus problemas, Dany — disse e sorriu. A garota de cabelos azuis ainda o encarava então ele lhe ofereceu salgadinho.
Ela aceitou e se aproximou mais dele no sofá. Miguel estava assistindo algum filme de ação e ela decidiu assistir também.
Infelizmente acabou adormecendo com a cabeça sobre o ombro dele antes mesmo da metade do filme.
Ariel desce as escadas esfregando os olhos. Ela se sentia cansada mas acordou sentindo falta da irmã mesmo que na cama de cima.
Os dois irmãos mais velhos estavam adormecidos no sofá ela foi até o sofá e deitou no colo dos dois.
Miguel foi o primeiro a acordar no dia seguinte. Daniela estava com a cabeça em seu ombro e Ariel havia surgido magicamente e estava deitada com a cabeça sobre as cochas de Dany.
Ele passou a mão pelos cabelos escuros de Ariel e depois nos azuis de Daniela. Ambos macios bem cuidados.
Ele pode ver a raiz loira do cabelo de Daniela que precisava de um retoque na tintura. Ele gostava bem mais quando ela tinha o cabelo loiro caído em cachos. Era assim que ela era aos 10 anos, e depois dos 12 nunca mais deixou o cabelo com sua cor natural.
Miguel se levantou devagar e deixou as irmãs sozinhas na sala indo para seu quarto. Aquele era um lugar que ninguém entrava, nem mesmo as empregadas.
Seu quarto tinhas três paredes brancas e uma verde, onde uma cama de casal ficava no centro. Olhando assim era um quarto de garoto até que bem arrumado, mas ele escondia coisas. Embaixo da cama, atrás do guarda roupa, debaixo da tela do computador, dentro da CPU, no meio do colchão e vários outros lugares. Eles escondia algumas substâncias químicas que ele mesmo usava e as vezes vendia pra uns amigos.
Ele se sentia cansado. Cansado de esconder uma coisa tão horrível das únicas pessoas que ele amava. Ele não era viciado, mas suas irmãs não sabia que ele tinha e que as vezes vendia. Cansado por seus pais não se importarem com eles, e ele acabar desse jeito. Seu único motivo pra continuar na casa, ou até mesmo vivo, era suas irmãs.
Miguel se levantou virando o colchão e tirando tudo escondido debaixo e dentro dele.
Remexeu em todos os esconderijos e jogou tudo na lixeira.
Arthur gritara com ele na noite anterior. Deixara claro que não fazia sentido fazer aquilo pelas meninas e que uma hora achariam. Uma hora achariam e usariam por pensar que ele também usava.
Ele olhou a lixeira cheia de drogas sintéticas. Odiou o que viu. Viu o próprio rosto se escondendo naquilo para ignorar o muro que ele havia feito em torno de si.
Mas era hora de derrubar esse muro e construir uma ponte. Uma ponte que o levaria novamente até Ariel e Daniela, as únicas coisas que importavam para ele agora.
Ele voltou para o andar de cima e tomou um banho. Enquanto isso Daniela acordou e deixou Ariel deitada no sofá e foi no banheiro do andar de baixo lavar o rosto e preparar algo para comerem.
Suas refeições tinham que ser livres de açúcar, ou conter o mínimo, por causa da irmã. Era cereais matinais integrais com leite. Danones integrais ou frutas. Algo mais doce a deixaria inquieta o resto do dia. Todos os dias depois do café Ariel saia para correr, geralmente com Daniela, mas as vezes ia sozinha.
Depois de tudo pronto Dany deixou tudo sobre a mesa e foi para o seu quarto tomar banho e quando desceu Miguel já estava comendo.
– Bom dia — disse enquanto amarrava o cabelo num rabo de cavalo desajeitado.
– Bom dia. Cadê a Ari? — ele perguntou antes de terminar de mastigar.
– Dormindo no sofá — disse e seguiu caminho indo até a irmã para acordá-la.
Daniela a chacoalhou pelo braço suavemente sussurrando seu nome mas a menina não deu resposta.
– Ari! — balançou ela mais um vez mas a menina apenas resmungou e se virou de costas para ela.
–Ariel! Levanta!-Daniela disse alto o suficiente pra Ariel despertar de mal humor
–Já vou, porra!-A menina responde pegando uma das almofadas do sofá e jogando na irmã
–Olha a merda da boca, cacete!-Diz e volta pra cozinha pra comer
Ariel levanta com os cabelos totalmente desengranhados, uma cara de mal humor. E estava com os pés descalços, uma regata preta e shorts verde claro. Ela se sentou de frente para Miguel, onde tinha uma tigela de cereal.
A menina estava claramente com sono ainda, ela apoiou a cabeça sobre a mão mas logo a cabeça caiu na mesa fazendo Miguel rir.
–Nem parece que você é hiperativa.-Diz de boca cheia
–Eu to ouvindo assim...-Ela mexe a mão como se fosse um boneco falante- E quero ouvir assim-Ela faz um gesto como se o bone morresse.
Daniela voltou da cozinha com uma xícara de chá em mão e o celular e se sentou ao lado de Ariel.
– Claramente você é adotada — a menina disse olhando o conteúdo da xícara.
– Uhum — Daniela respondeu sem dar muita importância. Ela digitava enquanto sorria.
– Quem é ele? — Miguel perguntou.
– Hm? — Dany levantou o olhar do celular e encarou o irmão a sua frente.
Ariel riu mexendo no cereal a sua frente.
– Eu acho que é o Gabriel — cantarolou suavemente enquanto a irmã corava.
–Tomara que esse cereal te dor de barriga!- Daniela sibila e Ariel encheu a colher com cereal e comeu prazerosamente.
–Gabriel?-Miguel pergunta -Jura?-Ele sooa incrédulo
– O que tem?! — ela respondeu mais defensiva do que gostaria.
– Sei lá, cara. Você vomitou nos sapatos dele há duas noites atrás — Ariel disse e dessa vez Dany bloqueou o celular e largou ele em cima da mesa.
– Nem me lembre... — disse pesarosa.
–Mas se ele tá falando com você... Você devia dar pra ele.-Ariel diz
–Dar o que? O tapa que eu vou te dar na cara?! Ariel!-A menina olha para Miguel e os dois riem.
–Ele é gente boa. Tentem alguma coisa.-O irmão fala normalmente.
–Você ta doente?-Daniela e Ariel dizem juntas
–Não?!-Ele se assusta
–Eu vou pegar o xarope!-A mais nova diz imitando um seriado da que assistia na TV.
Dany ri e apoia o queixo sobre a mão.
– Não... — disse depois de pensar um pouco — Acho que não.
– Acha que não o que? — Miguel pergunta.
– Eu e ele.
– Cacete, ele gosta de você, você gosta dele, transem e sejam felizes! — Ariel disse e então Miguel olhou para ela.
– Foi assim com o Alexandro, Ariel? — ele deu uma pausa pensativa — Ari, você é virgem? — perguntou.
Ariel arregalou os olhos e engoliu em seco.
–Ta na hora da minha caminhada matinal
Daniela revirou os olhos e voltou a teclar no celular.Miguel saiu andando atrás da irmã mais nova.
– Eu quero uma resposta! — Miguel falou bufando e se colocando na frente de Ariel para que ela parasse de andar.
–Ok.-Ariel fechou os olhos e respirou fundo.-Não. Sou sagitário. Deveria saber disso! Que vergonha...-A menina balança a cabeça fingindo descrença
– Ariel! — ele olhou para ela de forma suplicante e preocupada. Chegava a ser cômico.
– Ela não vai te responder — Dany passou pelos dois e foi para o quarto.
–Escute a sábia dos cabelos azuis!-Ariel diz indo atrás de Daniela.
–Você não é. Eu vou matar o Alexandro!-Miguel diz um pouco vermelho. Ou de raiva ou de vergonha.
–E quem diz que é o Alex?-A menina se vira com as mãos na cintura, mas quando viu a expressão do irmão empurrou Dany e saiu disparada pelas escadas
– ARIEEEL! — Dany riu empurrando o irmão pelo peitoral.
– Deixa a menina, Miguel! — ela riu mais um pouco quando ele desistiu e a abraçou como se ela fosse um ursinho.
Dany estranhou a princípio mas não se importou. Era aconchegante.
– Diz que pelo menos você é virgem — ele disse em um tom suplicante.
Dany deu mais um risinho e depois balançou a cabeça positivamente o que fez os ombros de Miguel relaxarem.
– Por que ela não segue o exemplo dos mais velhos? — perguntou.
– Ela seguiu. Só que seguiu o seu exemplo e não o meu — Dany respondeu e dessa vez ela correu escadas abaixo também.
–EU TO OUVINDO A PORRA TODA. SEUS GAYS!-Ariel grita do quarto.
Os dois riem e sobem as escadas. Dany se troca para caminhar junto com a mais nova.
–Eu pensei que foi o Alex.-Dany diz
–E foi.-Ariel confirma
–Han?!-A irmã a olha confusa.
–Olha, a COISA é grande! Não vou deixar o Miguel bater no meu namorado!-Explica com uma frase cheia de duplos sentidos.
* * *
As meninas saem pra caminhar. Elas moram na zona sul, era calmo, lindo e cheio de árvores. Tudo para acalmar Ariel. Elas iam conversando e alternando entre corrida e caminhada.
Ariel começou a correr deixando Dany um pouco mais para trás. Era engraçadinho ver o cabelo da irmã ir de um lado para o outro no rabo de cavalo firme.
Ariel olhou para trás sorrindo e então Dany correu para o seu lado.
– O que você acha de um encontro de casais? — Ariel perguntou — Sabe, eu e o Alex, o Miguel e a Marina. Você e o Gabriel... — arriscou.
Daniela parou subitamente de correr e voltou a caminhar. Ariel seguiu seu ritmo.
– Eu e Gabriel não somos um casal — argumentou.
– Ainda não. Por que não dá uma chance? — Ariel olhava docemente para a irmã, parecendo um cãozinho abandonado.
–Por que eu vomitei no sapatos dele?!-Deu um bom motivo
–Seu drama me mata. Poxa, ele ainda puxa assunto com você. Ele realmente gosta de você. Larga de ser idiota.-Ariel diz um pouco irritada.
–Tudo bem. Eu falo com ele.
Ariel sorriu e voltou a correr. Quando se deram conta já tinham terminado o percurso e estavam em casa, ofegantes e cansadas.
Fale com o autor