Santana sentou-se na cadeira de amamentação, apenas olhando para Maya que dormia tranquila em sua caminha. Ela sabia que não tinha volta agora, mas não sabia como continuar o que tinha começado. Brittany iria perguntar se estava tudo bem e o que ela diria? “Eu sinto falta de estar com você? De fazer amor com você? De ser a sua pessoa? De te sentir me abraçar de noite sem medo?”. Ela não sabia exatamente o que estava acontecendo com Britt e Deus, ela queria muito ser paciente e esperar sem dizer nada, mas foram duas semanas! Duas semanas de beijinhos distantes, sem que qualquer outra parte do corpo tocando... Esta não era bem a maneira que ela esperava que fosse a liberação de Britt para voltar a fazer amor. Nem mesmo a reação de Britt quando a médica lhe disse isso no hospital era o que Santana esperava.

A morena pensou que seria arrastada para dentro da primeira sala de descanso, e teria suas roupas fora antes mesmo de conseguir trancar a porta, mas Britt apenas concordou com a doutora de maneira tranquila, falando sobre como precisavam ir para casa antes que Carol tivesse que sair para ir ao estúdio, assim que elas saíram do consultório. Santana tinha ficado um pouco surpresa, mas não deu muita importância, achando que Britt estava apenas sendo super protetora, mas agora ela já não tinha mais tanta certeza sobre isso.

Brittany recolheu as coisas da mesa deixando o prato quase intocado de Santana no microondas antes de limpar a cozinha. Ela estava protelando e sabia disso, mas algo sobre os olhos tristes de Santana mais cedo a tinha assustado e ela sentiu mais medo do que jamais havia sentido. Santana estava machucada e Brittany sabia que era sua culpa. Agora não era apenas seu corpo que poderia empurrar sua esposa para longe, mas suas atitudes.

Brittany subiu as escadas em silêncio, parando um segundo na porta do quarto da filha, para assistir Santana passar as pontas dos dedos de forma delicada nos cabelinhos escuros. A imagem era agridoce tocando seu coração de duas formas diferentes. Ela queria ir e abraçar Santana até que a dor fosse embora, mas ao mesmo tempo queria fechar os olhos e esquecer que ela era a real causa do que Santana estava sentindo.

– Eu vou tomar um banho rápido e ir para a cama San... (ela avisou de maneira triste antes de caminhar em direção ao seu próprio quarto sem dar tempo para que Santana pudesse falar algo).

Santana continuou a observar sua filha dormir com o coração apertado, tentando encontrar uma razão para a distância da esposa. Se fosse em outro tempo Brittany jamais a teria deixado sozinha com seus pensamentos, ela conhecia Santana bem demais para deixar que suas inseguranças tomassem conta, mas desta vez... Parecia que quanto mais calada Santana se tornava, mais longe Brittany ia.

A médica deixou um beijinho suave no rostinho de Maya, sorrindo um pouco quando a menininha moveu em seu sono.

– Que Dios los bendiga mi hija... (ela falou baixinho antes de se afastar do berço deixando a pequena luzinha de fada ligada antes de apagar a luz).

Santana caminhou até o quarto deixando suas roupas sobre a cadeira antes de escolher um pijama, vestindo-o rapidamente. A médica suspirou observando-se no espelho. Qualquer um diria que as olheiras eram causadas por Maya, mas sua menininha era um verdadeiro anjo, dormindo tranquila e acordando apenas para as mamadas antes de voltar a dormir. O que realmente a preocupava era a mulher de seus sonhos e a distância intransponível que estava se formando entre elas.

A morena prendeu rapidamente os cabelos em um coque frouxo e voltou a descer as escadas, pegando o monitor do bebê no caminho. Santana serviu-se de uma xícara de café, querendo ser pelo menos um pouco rebelde depois de tudo que estava passando, mas acabou descartando-a sobre a pia quando pensou em como Britt ficaria ainda mais decepcionada com ela.

Santana caminhou até a varanda nos fundos da casa e sentou-se nos degraus olhando o mar. Desde que havia se mudado para esta casa ela jamais havia se sentado sozinha ali, parecia que Brittany estava sempre ao seu lado, colocando os pés sobre seu colo para que Santana pudesse massageá-los, deixando-se abraçar por trás, ou apenas sentando-se ao lado da esposa para olhar a vista.

Ela perdeu-se em seus pensamentos sendo retirada deles quando sentiu uma mão em seu ombro. A esperança durou apenas um segundo antes que ela sentisse o perfume diferente fazendo-a olhar para cima.

– Hei... (Carol chamou olhando um pouco preocupada para a morena).

– Hei... (Santana respondeu forçando um sorriso). Tudo bem no estúdio?

– Tranquilo... (a menina respondeu timidamente). Tudo bem?

– Tranquilo... (Santana mentiu segurando o sorriso). Apenas dando um tempo antes de dormir...

Carol sabia que havia alguma coisa errada e Santana sabia que não tinha convencido a menina, mas nenhuma das duas falou nada para modificar isso e a menina acabou concordando com a médica antes de olhar brevemente o mar, como se estivesse escolhendo a forma de continuar.

– Tiff esteve no estúdio hoje... (ela contou sentando-se ao lado da morena, seus braços abraçando o próprio corpo, sem perder a maneira como Santana lhe olhou preocupada). Ela queria conversar, mas eu disse que estava em aula... (ela continuou antes que Santana pudesse pedir).

– Mike estava lá?

– Sim... Ele pediu que ela se retirasse ou fizesse matrícula em uma das classes porque não era permitido visitantes nas turmas noturnas... (ela sorriu). Mas ela ainda estava esperando quando eu sai...

– Ela fez alguma coisa?

– Não... Eu acho que ela queria tentar conversar, mas Mike e Tina estavam comigo...

– É melhor assim... (Santana suspirou). Eu quero dizer... Esta é a sua decisão para fazer, mas eu apenas fico preocupada com você...

– É... Eu estou bem...

– Se você quiser conversar sobre isso...

– Brittany pode me ajudar? (a menina brincou fazendo Santana sorrir, desta vez com um pouco de verdade).

– Eu acho que sim... (ela respondeu ainda sorrindo).

– Na verdade... (Carol olhou para as mãos um pouco nervosa). Tem problema se a Gabi vier passar a noite? (ela perguntou chamando a atenção da morena que arregalou os olhos). Eu vou dormir no colchonete... (a menina defendeu-se rapidamente). É apenas.. Ela tem sido uma grande amiga...

– Uma grande amiga? (Santana repetiu provocando).

– Apenas uma amiga... (Carol explicou séria, seu rosto corando).

– É ok... Mas você sabe que seria ok se fosse mais do que uma amiga, certo? (ela perguntou ganhando um leve aceno da menina). Eu e Britt queremos apenas que você tome cuidado... Não significa que tenha que virar uma freira, nem nada assim...

– Eu sei, apenas respeitar as regras da casa... (a menina concordou mais tranquila). Mas ela é mesmo, apenas uma amiga...

– É o que você quer que ela seja?

– É o que eu acho que preciso...

– Esta é uma boa resposta... (Santana concordou, voltando a olhar o mar, no mesmo momento em que o chorinho suave foi ouvido no monitor). Acho que o dever me chama... (ela falou parando quando ouviu a voz suave de Britt falando com o bebê).

Carol percebeu como o corpo de Santana endureceu um pouco ao ouvir a voz da esposa e apenas tocou de leve o braço da morena antes de levantar voltando para dentro da casa.

Santana fechou os olhos ouvindo a voz de Britt, desta vez sem tentar segurar as lágrimas. O que estava acontecendo com elas?

Notas finais
Boa sexta-feira... E eu sei que isso é triste, mas estou tentando escrever o mais rápido para tirar todas vocês da tristeza o quanto antes... Me digam o que estão achando...