Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 3
507 Cap. 508
Brittany cantarolou baixinho colocando a pequena de volta na cama, então deixou um beijinho sobre os cabelos escuros antes de caminhar para fora do quarto. Ela olhou rapidamente a porta de seu quarto, ainda com a luz apagada e soube que Santana não havia voltado para a cama. A última vez que ela viu a esposa, Santana estava sentada na varanda dos fundos, em seus pijamas com o monitor do bebê em uma das mãos e a cabeça voltada para o mar.
A bailarina tinha pensado em caminhar até lá e abraçar a esposa, mas lhe faltou coragem e Britt voltou para o quarto com um copo de água, deitando na cama fria, seus olhos voltados para a porta de vidro, que mostrava as ondas do mar. Santana ainda não tinha voltado para a cama...
Com um suspiro triste Brittany caminhou em direção as escadas, olhando rapidamente para o sofá vazio antes de voltar-se para a porta dos fundos, sem encontrar Santana. Preocupação rapidamente tomou conta de seu coração e ela caminhou procurando pela casa, mas não havia sinal de Santana em qualquer lugar. Ela subiu as escadas e bateu de leve na porta de Carol, abrindo devagar para encontrar a menina embrulhada em um cobertor na cama improvisada ao lado da sua.
– Carol? (a bailarina chamou baixinho acordando a menina). Você viu aonde Santana foi? (ela perguntou fazendo com que a menina sentasse um pouco confusa, negando brevemente com um movimento de cabeça). Você pode atender Maya se ela acordar? Eu vou apenas caminhar pela praia, ela não deve ter ido muito longe...
– Ok... (a menina concordou esfregando os olhos). Tudo bem...
– Me desculpe por te acordar... Ela nunca... Nós nunca ficamos separadas se pudéssemos estar juntas... (ela admitiu). Eu estou apenas preocupada...
– Está tudo bem... (Carol falou tranquila).
– Eu acho que vi ela sair quando estávamos terminando o trabalho de história... (Gabi falou da cama, chamando a atenção das outras duas). Parecia que ela estava indo nadar? (a menina continuou percebendo a expressão confusa de Britt). Você sabe, biquíni e toalha? (ela continuou explicando). Mas eu não vi se ela voltou depois disso...
– Mas está congelando lá fora... (Carol observou lembrando-se de como as noites eram geladas na beira do mar).
– Apenas atendam se ela acordar, está bem? (Britt perguntou levantando). Ela acabou de mamar e eu não vou demorar...
– Você não quer que a gente vá? (Gabi perguntou, completamente assustada por ter que cuidar do bebê).
– Não se preocupem eu estarei de volta em breve... (Brittany respondeu tentando tranquilizar as meninas). Eu vou levar o celular, me ligue se ela voltar está bem?
– Ok... (Carol concordou tranquila).
As meninas assistiram a bailarina se afastar deixando a porta aberta e parecia que Gabi estava lendo os pensamentos de Carol quando perguntou se estaria tudo bem se elas descessem para uma xícara de chá.
As duas desceram levando o monitor do bebê com elas, e Gabi não demorou a ir espiar na porta dos fundos enquanto Carol colocava a chaleira com água para ferver.
– Você acha que está tudo bem? (a moreninha perguntou a amiga entrando na cozinha).
– Eu não sei... (Carol respondeu com sinceridade). Elas nunca pareceram distantes antes e Santana parecia apenas muito triste mais cedo...
– Eu espero que Britt não demore a encontra-la... Você acha que deveríamos chamar alguém? Mike é amigo delas certo?
– Não... Pelo menos não ainda... Britt vai avisar se precisar que façamos alguma coisa e se for mesmo como os amigos dela dizem, elas vão encontrar o caminho... É assustador e ao mesmo tempo dá um monte de esperanças pensar em um amor assim... (Carol suspirou olhando brevemente pela janela nos fundos da cozinha, sem perceber os olhos da outra menina, presos em seu rosto). Maribel falou que elas nunca se largaram... Desde que se conhecerem quando ainda tinham três anos no parquinho, passando toda a infância juntas e nos meses que Britt estava namorando um menino da escola Santana era a pessoa mais miserável do mundo... (ela continuou a contar, voltando sua atenção para a chaleira e passando a preparar as duas xícaras de chá antes de entregar uma delas a amiga).
As duas não precisaram falar para caminhar juntas até o sofá da sala, ligando a TV em um volume muito baixo antes de voltar a falar.
– E depois ainda vão dizer que não existe amor a primeira vista... (Gabi falou desviando timidamente quando seus olhos encontraram os da amiga).
– É... (Carol concordou baixinho sentindo o coração apertar um pouco o passo quando pegou o olhar de Gabi). Eu acho que elas vão encontrar o caminho... (ela continuou levando nervosamente a mão sobre o sofá para encontrar a da moreninha, seus olhos observando atentamente a reação da menina antes de suspirar aliviada quando Gabi sorriu um pouco, voltando seus olhos para a TV).
– Basta ter paciência? (Gabi perguntou esperando alguma forma de promessa que pudesse lhe tranquilizar).
Carol se assustou um pouco com a falta de palavras que era preciso para se comunicar com a outra menina, com Tiff sempre era um monte de conversa, discussões sobre o porque das coisas, explicações que ela estava cansada de dar, mas Gabi parecia simplesmente entender o que se passava dentro do seu coração e a necessidade que ela tinha de ficar um pouco na sua antes de arriscar novamente. Ela parecia conseguir ler seus pensamentos e mesmo sendo aterrorizante como o sentimento tinha se transformado tão depressa, era refrescante poder simplesmente ser ela mesma, sem se preocupar se estava certa ou errada.
– Eu acho que apenas um pouco de paciência... (ela respondeu sorrindo um pouco para a menina, seu coração acelerando novamente quando a moreninha lhe sorriu de volta).
– Ter paciência sempre nos leva ao que existe de melhor... (Gabi falou dando de ombros, como se esta fosse as suas palavras para dizer que estava tudo bem e ela seria paciente).
Carol observou a menina voltar a atenção para a TV, não perdendo a forma como a menina tinha um rosto perfeitamente desenhado, com lábios perfeitos e nariz arrebitado.
“Quem sabe nem precise tanta paciência...” Ela pensou desviando os olhos dos lábios da amiga, antes que ela mesma não pudesse mais ser paciente.
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