Os familiares vieram e voltaram para casa, Mercedes e Quinn tinham se mostrado ótimas madrinhas, ensinando todos os seus aprendizados recentes para as duas meninas, Santana tinha aproveitado cada segundo em casa antes de voltar a trabalhar quando sua licença terminou.

Carol estava completamente adaptada a nova vida, e era lógico que as vezes ela ainda se sentia triste com a falta da família, mas Santana conseguiu esgueirá-la algumas vezes para ver o irmão no hospital e isso aplacava um pouco a tristeza da menina. De resto, seu processo de emancipação estava a pleno vapor e Sam estava muito empenhado em fazer dar certo, buscando o máximo de sigilo durante o processo. Ela tinha uma moradia fixa, um emprego com registro em ordem e estava levando seus estudos muito a sério, o que apenas ajudaria em seu caso.

Maya tinha quase dois meses, e todos que a viam tinham entrado em um consenso de que a menina tinha mesmo os lábios de Santana, assim como o pequeno nariz e a cor dos olhos. De Britt a pequena tinha herdado o formato dos olhos e as perninhas inquietas, assim como o olhar, que parecia sempre atento a tudo, o que Susan disse que era exatamente como Britt fazia quando bebê.

Todas as características que lembravam a esposa não poderiam deixar Britt mais feliz. Ela adorava quando estavam sozinhas em casa durante a tarde e Maya dormia em seus braços, fazendo com que a bailarina observasse por longos minutos cada pequeno detalhe que Maya e Santana compartilhavam em sua aparência. Ela descobriu que as orelhas de Maya não eram grandes, mas definitivamente não seriam tão pequeninas como as de sua Mamy, e isso a fez, de maneira quase inconsciente levar a mão a própria orelha para saber se era dela que a pequena tinha herdado esta característica.

Das coisas que Santana mais amava sobre a filha eram com certeza eram as perninhas inquietas, os olhos sempre tão espertos e a maneira como ela tentava sorrir para quase tudo.

– Deus B, ela faz igualzinho você naquele vídeo que sua mãe nos mostrou... (a morena falou entrando na cozinha com a pequena no colo, chamando a atenção da esposa que terminava de preparar a mesa para o jantar).

– Eu ainda prefiro quando ela faz aquela carinha de brava... (Britt respondeu virando-se para deixar um beijinho sobre os lábios da esposa).

– Sim, eu não penso que você vai continuar gostando quando ela for uma adolescente... (a médica respondeu olhando um pouco séria).

– Bem, eu vou deixar que você cuide das birras... (Brittany deu de ombros). Vai ser divertido ver você e sua pequena cópia travando uma luta de olhares... Porque eu sei, por mais que sejamos ótimas mães, adolescência é difícil... (ela continuou terminando de colocar o último prato). Tudo pronto mami... Agora vamos alimentar a nossa pequena enquanto você termina de preparar o jantar... (a bailarina falou pegando Maya do colo de Santana).

Santana sorriu assistindo a esposa levar Maya para amamentar, seus olhos desviando quase sem perceber para o bumbum perfeito enquanto Britt se afastava. Ela estremeceu um pouco, suspirando quando percebeu o que estava fazendo e desviou o olhar para o fogão aonde a água para o macarrão começava a ferver.

– Apenas mantenha o foco Lopes... (ela disse a si mesma, passando a cortar o tomate para o molho).

Quando a médica já estava se encaminhando para chamar a esposa, ela ouviu Britt descendo as escadas e sorriu ao ouvir o som da sala ser ligado em uma música tranquila, o que Britt tinha se acostumado a fazer sempre que Maya dormia.

– Carol não vem? (a loira perguntou entrando na cozinha).

– Mike vai trazê-la no final da sua aula... (Santana respondeu tranquila).

A menina tinha passado a frequentar uma das turmas noturnas de dança no estúdio duas vezes por semana e nestes dias chegava mais tarde em casa.

– Eu acho que ela tem uma nova queda... (Britt comentou sorrindo).

– Sim?

– Você já a viu... (a loira continuou tranquila). Uma moreninha miudinha... Gabriella... Mas todos a chamam de Gabi...

– A menina que esteve aqui para conhecer Maya no final de semana? (Santana perguntou lembrando-se da outra menina).

– Sim! (Brittany concordou animada). Ela só fala sobre como Gabi dança bem e como é super inteligente... É muito fofo de assistir...

– Isso é bom... Acho que vai fazer bem que ela se distraia com algo diferente... (Santana concordou sorrindo para a esposa enquanto servia seus pratos com salada). Tiff não fez nada de bom... (a morena continuou preocupada).

– Sim e elas parecem estar se dando muito bem na verdade...

– Bom... E você sabe se esta menina é mesmo gay?

– Não... (Britt respondeu pensativa). Eu nunca vi ela com nenhuma menina... Mas também não a vi com meninos também... (ela continuou dando de ombros). E ela é extremamente delicada com Carol... Como tocando o tempo todo, ficando muito perto... É bonito...

– Tão bonito quanto nós quando estávamos na escola? (Santana perguntou segurando o nó na garganta).

Ela não queria ter dito isso, ela queria apenas esperar e ser boa e tentar não pensar em como Britt estava diferente nas últimas semanas. Ela era uma médica, e sabia que a gravidez, o parto e um novo bebê em casa mexiam com a estrutura emocional da mulher, mas ao mesmo tempo não sabia mais o que fazer para voltar a ser como sempre havia sido com Britt. Era difícil viver com o quente e frio o tempo todo, Britt sendo como antes, carinhosa e sorridente quando elas estavam com Maya e arisca e distante quando seu bebê dormia. Ela apenas queria sua esposa de volta, inteira, sem o medo e a distância, mas não sabia mais como abordar isso com Brittany sem deixa-la magoada ou brava.

Brittany levantou os olhos de sua comida devagar e assistiu Santana baixar a cabeça em silêncio para sua própria comida. Ela podia ver a esposa batalhando contra as lágrimas e a mão tremendo um pouco o garfo enquanto Santana tentava se recompor. A bailarina queria saber o que dizer, ou ter a coragem de se abrir com Santana, mas parecia tão pequeno quando ela montava as palavras em sua cabeça, ela não sabia se Santana iria entender. Nas últimas semanas ela tinha trabalhado seu corpo no estúdio, dançando e se exercitando para perder o peso extra da gravidez, caminhando com Maya todas as manhãs antes de ir ao trabalho, mas ainda assim não parecia estar funcionando corretamente porque haviam aqueles dois ou três quilos que não queriam ir embora. Santana casou-se com uma bailarina, ela se apaixonou por uma garotinha magrela, não por uma mulher desleixada e ela não queria que a médica lhe visse assim.

Antes da liberação médica tinha sido fácil fugir. Era só parar quando as coisas estavam esquentando, ou a mão de Santana estivesse em qualquer ponto por baixo de sua roupa, e dizer que elas não poderiam, então Santana sorriria docemente e lhe deixaria um beijinho nos lábios antes de abraçar até que seu coração voltasse a bater normalmente. Mas agora já tinha duas semanas que ela estava fugindo, evitando qualquer princípio que pudesse esquentar as coisas, usando Maya como escudo para a sua falta de confiança.

No fundo a bailarina sabia que Santana havia percebido isso, mas estava tentando se enganar, fingindo que Santana estava bem e que nada havia mudado, mesmo quando via a morena se fechar depois de ouví-la dizer, que estava cansada demais do trabalho ou que Maya estava chorando no quarto, saindo correndo para um banho, ou para se esconder no quarto de sua filha, ela queria acreditar que tudo ficaria bem.

– San... (Britt chamou baixinho, apenas para ver rapidamente os olhos castanhos antes de Santana levantar).

– Eu vou dar uma olhada, acho que ouvi Maya chorar... (a morena desculpou-se rapidamente antes de levantar).

Brittany apenas olhou para o monitor do bebê sobre a mesa e suspirou. Não tinha mesmo como Santana não ter percebido nada...

Notas finais
Bom restinho de semana gatinhas...