Nervosa era um eufemismo para como Santana se sentia, mas a mão da esposa na sua e os olhos azuis confiantes a acalmavam e ela não podia se sentir mais grata por ter Britt em sua vida. Elas entraram no elevador junto com alguns outros residentes que as cumprimentaram e fizeram perguntas sobrecirurgias, mas, desde que tinha algo muito mais importante em mente, Santana não estava muito interessada.

Ao chegar no andar indicado, a morena conduziu Britt até a recepção onde a Dra. Addison já estava a espera.

- Ok meninas, vocês estão nervosas? (ela perguntou de maneira simpática, mas achou melhor não dar tempo para que elas respondessem, era bem clara a resposta, e continuou). Britt, eu vou te levar até uma sala e te preparar para o procedimento está bem?

- Mas... (Britt falou um pouco tensa olhando a esposa). Eu pensei...

- Sim, Santana vai fazer o procedimento... (Addison explicou com um sorriso). Mas eu quero conversar com você antes e tirar algumas dúvidas enquanto ela cuida para que tudo seja preparado, está bem?

- Está tudo bem B... (Santana falou olhando a esposa). Eu vou estar lá em um minuto... (continuou antes de dar um beijo nos lábios da esposa).

- Ok... (Britt concordou abrindo os olhos para olhar os orbes escuros que lhe traziam segurança).

Mesmo quando Santana estava assustada, ou nervosa, Britt não precisava mais do que o olhar cheio de amor para saber que tudo daria certo, elas tinham sido feitas para estar juntas e não havia nada que pudesse tirar delas esta certeza. Ela sabia que mesmo que o procedimento não desse certo, mesmo que elas continuassem tentando sem sucesso, elas tinham uma a outra e isso bastaria para que encontrassem uma maneira de fazer qualquer sonho real.

- Eu te amo... (Santana falou sem afastar da esposa, os lábios tocando os de Britt enquanto falava).

Ela não estava preocupada sobre o que a médica diria delas, ou o que as enfermeiras estavam pensando, aquela era a sua esposa, a mulher que ela escolheu para amar e ela não deixaria de lhe dar conforto quando necessário.

- Eu também te amo... (Britt respondeu com um sorriso antes de seguir a outra médica).

Santana observou por um tempo e depois seguiu para a sala reservada para o procedimento. Antes de entrar ela olhou o quadro com o horário de reserva e sorriu ao perceber que a Dra. Tinha deixado reservada por três vezes o tempo necessário. Ela abriu a porta e seu sorriso ficou ainda maior. Todos os equipamentos assustadores haviam sido afastados e a maca simples havia sido substituída por uma cama mais larga. Sobre uma mesinha estavam os equipamentos esterelizados que Santana iria precisar.

A morena puxou os cabelos em um rabo de cavalo e caminhou até o banheiro para lavar as mãos com cuidado, sentindo-se muito mais tranquila com os preparativos da médica.

- O Britt, você tem alguma dúvida? (Addison perguntou assim que elas entraram na sala ao lado. Britt respirou profundamente olhando ao redor e a médica sentiu necessidade de continuar). Santana está no quarto ao lado (ela explicou). Você sabe que atualmente não é visto com bons olhos a prática deste procedimento em casa certo? (Britt concordou, este era o motivo para que ela estivesse no hospital). Bem, eu entendo as preocupações do governo, mas vendo que Santana é uma médica, e que o material utilizado tem procedência comprovada, acho que vocês não vão precisar de ajuda... (ela continuou devagar). Santana foi muito bem, nos procedimentos que acompanhei, mas eu sei que este é um caso diferente... Veja Britt, eu conheço sua esposa desde que ela ainda usava fraldas (ela sorriu e sentiu que pela primeira ve tinha Britt completamente focada em suas palavras). Seu pai foi meu professor quando fiz minha residência em Columbus e Maribel sempre aparecia com a pequena para buscá-lo ou apenas para tomar café. O Dr Lopes tem muito orgulho dela, e em todo este tempo, desde que fui sua aluna até me tornar sua colega, sempre ouvi coisas boas tanto sobre ela, quanto sobre você. Eu admiro o que vocês têm e sei que toda a família se orgulha de vocês, eu não poderia negar um pedido de um amigo, e acho que nem mesmo o chefe conseguiria, já que não tive problemas em cuidar para que tudo esteja bem pra vocês (Britt a olhou um pouco confusa e ela continuou em um tom conspiratório). Digamos que vocês vão encontrar o quarto um pouco diferente do tradicional (ela piscou e Britt sorriu), então concentre-se apenas no momento que estarão dividindo está bem? Tente esquecer toda a coisa de hospital e aparelhos e pense apenas em vocês duas... (Britt sorriu timidamente e concordou).

- Obrigada doutora... (ela falou ainda sorrindo).

- Não se preocupe com isso, preocupe-se apenas em fazer Santana relaxar para que vocês possam ter um bom tempo (Addison piscou e Britt apenas balançou a cabeça timidamente, ela lembrou das enfermeiras que tinha visto ali por perto e parou).

- Eu só acho que vai ser realmente difícil fazer silêncio... (ela falou em seu tom pensativo fazendo a médica sorrir). Santana é meio que... Muito boa no que faz... (continuou sem jeito).

Addison sorriu em compreensão e caminhou com Britt até a porta, ela olhou ao redor e apontou onde estavam. Britt não tinha percebido, mas seu quarto era o último do corredor e as únicas pessoas além delas no andar estavam distantes.

- Nós fazemos alguns partos por aqui, elas estão acostumadas com o barulho (a médica explicou e só então Britt percebeu que no início do corredor, onde as pessoas estavam, todos pareciam compenetrados demais em trazer os bebês ao mundo para prestar atenção aonde elas estavam).

- Obrigada doutora... (ela sorriu abrindo a porta do quarto ao lado).

- Tudo bem, avise Santana que eu estarei na recepção caso vocês precisem de alguma coisa, mas eu acho que ela vai dar conta... (a médica respondeu já se afastando no corredor).