Depois Do Acidente.
2 No hospital...
Acordei com uma sensação de que aquilo que eu havia passado era apenas um sonho, tentei esticar os braços e foi que eu percebi que estava toda machucada, com hematomas por toda parte, sangue escorrendo nos braços, pedaços do asfalto pregados em minha perna, foi nesse momento que percebi que tudo o que tinha sentido era real.
Quando realmente abri os olhos percebi que não estava em um hospital normal, o quarto não era branco, não havia enfermeiros ou sequer médicos naquele local, e o mais importante por que eu estaria em um hospital e ninguém estivesse ali cuidando de mim?
De um estante para o outro, a porta se abre, mas não era uma porta normal não daria para uma pessoa passar nem se a pessoa se ajoelhasse. Então quando a garota para baixo, um coelho vestido recatadamente entra.
Ela fecha seus olhos por um instante, tentando sair daquilo que mais parecia um sonho, e quando abre o coelho está ao seu lado, já lhe perguntando:
_ Como você está Alice?
_ Olhe você mesmo — dou uma risada.
_ Foi bem feio esse acidente não é mesmo?
_ Onde eu estou?
_ Nós te achamos em uma estrada bastante movimentada, e resolvemos te trazer para o nosso modesto refúgio.
_ E onde estão os outros.
_ Sinto muito Alice, mas eles não se recuperaram muito bem, não poderíamos fazer, mas nada.
Alice sente que ira escorrer uma lágrima em seu olho, então olha para cima tentando segurá-la, e novamente ouve a porta se abrindo. Dessa vez entrou um gato, com o olhar fixado em Alice.
_Ouvi falar de você, e resolvi passar para me certificar se era mesmo verdade. E não só é verdade que você está mesmo aqui, como também é a tamanha semelhança entre você e sua mãe...
Nesse momento o coelho o interrompe.
_ Gato de Cheshire, a deixa descansar, foi bastante turbulento seu dia – fala o coelho querendo esconder o que o gato iria falar.
_ Acho difícil descansar com todos esses ferimentos em meu corpo, e acredite esta doendo muito.
_Já ia me esquecendo de seus curativos. Gato faça algo que preste e chame a enfermeira sim.
Antes de sair, o gato olha novamente para Alice e fala:
_Melhoras Alice, e me procure depois que sair daqui. Eles estão lhe escondendo algo muito importante.
Ele sai, e então Alice pergunta ao coelho o que realmente seria aquele lugar, e por que um gato que fala comentaria sobre sua mãe.
O coelho procura as palavras para tentar esclarecer o que o gato acabara de fazer.
_Não dê ouvido ao que ele fala, ele tem a imaginação muito fértil. Em relação ao que é esse lugar, eu o descreveria como um mundo onde tudo se torna algo mágico, aqui todas as belezas terrestres se tornam mais belas. Alice seja bem vinda ao País das Maravilhas.
Antes que Alice pudesse falar algo entra uma mulher toda de branco, então o gato explica como ela deveria fazer os curativos. Logo após isso, ele sai calmamente. Quando ele fecha a porta, Alice o escuta dizer – eu preciso achar aquele gato intrometido -, então a mulher começa a fazer o que o coelho mandara.
_É um prazer enorme poder te conhecer pessoalmente, Alice não é?
_O prazer é todo meu, senhora...
_Por favor, não me chame de senhora, apenas rainha branca, sim?
_Claro rainha branca, mais por que uma rainha estaria cuidando de uma acidentada em um hospital?
_Quando ficamos sabendo que você estava aqui, todos nesse lugar quiseram de alguma forma poder ajudar você. A se recuperar, e depois tomando o lugar que pertenceu a sua... Desculpe-me já falei mais do que eu devia. Olha já acabei, vou chamar uma pessoa que está louca para te conhecer.
E novamente antes que Alice pudesse dizer algo, a rainha vai em direção à porta, sai e logo após entra um homem, com um chapéu e com um olhar de nostalgia e ao mesmo tempo de curiosidade.
_Não posso acreditar, você aqui, eu esperei tanto tempo até chegar esse dia, comecei até mesmo me questionar se realmente hoje chegaria. Você é mesmo muito parecida com sua mãe. Quanto honra poder ver pessoalmente minha fi... Desculpe, eu não autorizado a falar sobre o que ocorreu aqui, e já faz tanto tempo. Ora onde estão meus modos, pode me chamar de chapeleiro maluco.
_O que está acontecendo aqui, primeiro, um coelho falante, depois um gato com um sorriso que me deu medo, depois uma rainha cuidando de mim, agora um homem que mais parece um palhaço dizendo coisas sem nexo...
_Calma minha princesa, tudo ao seu tempo. Agora você tem que descansar, até mais ver.
O chapeleiro sai, e após algum tempo entra uma mulher muito baixa, toda de vermelho, chega bem perto de Alice e fala no seu ouvido.
_Se você acha que vai tomar meu lugar, está muito enganada, eu dei muito duro para pegar o posto de sua mãe. Então não entre no meu caminho, ou se não lhe corto a cabeça.
Neste momento o coelho entra, e muda suas feições de um segundo para o outro, e gritando diz para a mulher.
_ O que você está fazendo aqui? Quem deixou você entrar. Anda vai embora, ninguém quer você perto da menina.
_Eu saio senhor coelho, mais uma coisa eu lhe digo, vocês nunca vão conseguir tirar meu trono.
_ SAAAAAAI – o coelho grita ainda mais alto.
A mulher finalmente sai do quarto e sem esperar Alice pergunta.
_Quem era aquela?
_Era a rainha vermelha, o que ela te falou?
_Ela me dize que se eu atravessasse o caminho ela mandaria cortar minha cabeça.
_ É bem dela falar isso para as pessoas. E você minha querida como está, a dor passou?
_Já passou todas as dores, quando eu vou poder sair daqui, e voltar para minha casa?
_Sair daqui, agora mesmo, mas sua casa será aqui pelo resto de sua vida.
Alice ficou sem resposta para isso. Apenas abaixou a cabeça pensando em como seria sua vida dali para frente, pois conformada por estar ali ela já estava.
De dentro do quarto o coelho chamou todos os que estavam do lado de fora, entrou a rainha branca e o chapeleiro, pois o gato já estava bem longe dali, ou perto, já que ele era mestre em aparecer e desaparecer misteriosamente.
_ Está pronta para nos acompanhar Srtª Alice? – Pergunta a rainha branca.
_Espero que sim, já tive tantas surpresas hoje que já estou até ficando confuso com tudo o que aconteceu.
_Só uma coisa Alice, quando formos lá pra fora não olhe em ninguém e nem deixe que alguém olhe diretamente em seu rosto. – Diz o coelho.
_ Por quê? Eu posso saber o motivo?
_Quando chegarmos ao palácio de branca lhe contamos. – Fala o chapeleiro.
Então Alice se levanta da cama, e de alguma forma já consegue se mover normalmente e sem dores. Eles saem do hospital, e então Alice pode ver o quanto é maravilhoso o mundo do lado de fora daquele lugar. Os três ao seu lado não deixam que ninguém a encarasse nos olhos, afinal ela estava ali, mas ninguém alem deles deveria saber.
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