Demônios Não Amam.
20 Encontramos o amor em um lugar sem esperança.
Notas iniciais
Aaaaaaaaaaaaaaaaaah quero abraçar, apertar e mandar trocentos beijos para tanta gente que vou precisar de uma listinha de itens para não me perder.
1- Bloodzita meu amor, defensora do Stef e mulher do Jeremy, eu nunca vou cansar de dizer o quanto amei o vídeo.
Tá lindo ♥ Muito obrigada mô xuxu.
http://www.youtube.com/watch?v=B2P9jZ4nCmI
2- Carol e Liu sejam bem vindas minhas xuxuzitas!
3- Minhas comentadoras, favoritadoras, leitoras e outros "oras" vocês são umas lindas e eu amo vocês demais.
4- Amores que me deram força lá no tumblr mais beijos.
5- Robb e Bila, vocês são as melhores moderadoras e as mais vagais também. VÃO TRABALHAR SUAS COCOTAS -Q Tá parei, amo vocês HUAHAUAHAUSH.
5- Esse capítulo é o resultado de três pedidos: Uma songfic com "We found love" da Rihanna, um capítulo que abordasse um novo casal (Nem gostei desse novo casal demônio/bruxa, mas enfim) e um capítulo que parasse de nhênhênhê e mostrasse o lado demoníaco de lidar com a situação amorosa. (Mia, obrigada pela bronca xD)
6- Leiam o primeiro pov com MUITO cuidado. Tem muitas dicas falsas e muitas dicas verdadeiras.
7- Não me matem muito por essa porcaria. Fiz esse capítulo com muito amor e carinho, mas não gostei MESMO do resultado.
O próximo terá três partes e será menos terrível, oh yeah.
Muito obrigada por tudo mesmo meus xuxulis. Amo vocês demais e já teria parado há muito tempo se não fosse por vocês.
FELIZ PÁSCOA *O*

POV – Secreto.
A mensagem piscou em seu computador arrancando-lhe um sorriso de diversão.
“Tem certeza que Katherine Pierce será minha se eu sugar todos os poderes de Jenna? A mulher está esgotada, cara amiga. Minha piedade obriga-me a rejeitar a continuação de tal maldade.”
Homens eram tão patéticos quando queriam que isso lhe excitava o apetite. Bebericou a bebida forte sentindo o estômago queimar incomodado e começou a reler as palavras para responder de forma concisa.
Não pôde deixar de notar que o miserável ainda acreditava que Elena era a tal paixão proibida dele. Não que reclamasse, afinal se não fosse assim seus planos teriam que mudar bruscamente de rumo, mas as vezes isso a irritava. Comparar Katherine com a garotinha chata era quase uma blasfêmia.
Suspirou entediada passando a mão pelos cabelos e deixou as pontas dos seus dedos beijarem levemente o teclado com uma agilidade um pouco comprometida.
“ Lamentável que desista Pastor. Pensei que quisesse mesmo a menina...”
Arrependeu-se um pouco da tática de manipulação logo após enviar a mensagem. Gregory era formado na arte de ludibriar as pessoas tanto quanto ela. Só o irritaria tentar controlá-lo abertamente.
“Quero o que o Senhor deseja para mim, madame. Nada mais, nada menos.”
Suspirou encarando a única foto em sua mesa de cabeceira e sorriu tomando novo ânimo para incentivar o pastor a ficar cego pela própria obsessão.
“Meu querido, é o enviado de Deus, recorda? Precisa salvar essa alma condenada ao inferno. Ela está em poder de um demônio... Um que você chama de amigo, mas que é filho de Lúcifer.”
A resposta veio tão apressada que conteve erros de digitação.
“O maldito Donovanxh ou o Salvatore?”
Ela riu tentando imaginar o pobre Matt como um demônio. O garoto não servia nem para ser humano... Que dirá uma personificação do mal.
“O corvo de olhos glaucos e penas negras como seus cabelos”.
Pôde intuir que o missionário estaria socando a mesa a qualquer momento.
“Acabarei com Jenna hoje mesmo e partirei para Mystic Falls assim que os poderes começarem a fazer efeito. Não os julgava necessários, mas já que insiste... Vou ouvir seus belos conselhos minha amiga. Graças a você salvarei Katherine e a conduzirei para o lugar certo.”
“ ‘Para a sua cama’ você quer dizer” – A mulher pensou rindo com asco da hipocrisia do seu correspondente.
“Amém querido. Ainda tem o simbollon?”
“ Sim.”
“Então já sabe como usá-lo. Está na hora de fazermos a primeira ruptura.”
“Entendido. Grato novamente pela sua sabedoria. Certamente é Deus falando por seus lábios.”
“Não, Greg. Deus não tem NADA a ver com isso.” – Refletiu escrevendo algo completamente diferente:
“ Ele guia todos os meus passos. Adeus querido.”
Desligou o monitor deixando que o álcool novamente beijasse sua garganta e fechou os olhos concentrando-se em um rosto bem familiar nos últimos tempos.
Estava tudo tão perfeito que se sentia ainda mais pressionada.
Contava com ajudantes, é claro: O demônio-Sabine, Lilith e até a “menina amaldiçoada”.
Mas a ajuda principal obviamente vinha da Besta. A pobre pessoa ainda mal acreditava que possuía tal identidade, começou a mexer com o lado satanista com intenções tão nobres e fraternais... E, no entanto, lá estava o ser sendo manipulado com tanta facilidade para fazer tudo do jeito certinho que ela ordenara.
Usava da prepotência ao falar que as ordens partiam de seus lábios... Afinal, havia A rainha.
Era Ela que ditava tudo para seus ajudantes e até Lilith se curvava às ordens daquela figura.
O que era bem estranho já que deveriam ser inimigas naturais pelas circunstâncias, mas enfim... Nenhum dos envolvidos estava dentro daquilo por escolha própria.
Qual era a corda que a amarrava àquilo?
Poder, glória e talvez amor por quem realmente importava.
Não. O último era fútil e sem esperança, não merecia ser contabilizado.
O rosto angelical finalmente foi se focalizando na sua mente e ela suspirou assumindo uma postura mais desafiadora.
A imagem pareceu furiosa pelo contato em telepatia.
“Você perdeu o senso? Os domínios de comunicação mental são quase todos rastreados pelos arcanjos! Quer que a minha cabeça role por aqui?”
Ela riu com a preocupação alheia sabendo muito bem que os poderes vinham de todas as fontes mitológicas possíveis e imagináveis e por isso nunca poderiam ser rastreados.
“Quanto drama! Todos nós estamos ameaçados por aqui. Enfim, me dê noticias sobre o que está ocorrendo.”
“Um banho de sangue, mas conseguimos capturar Damon e ao amanhecer o mataremos com o Aço Milagroso”
Aço milagroso, Plegmaemo, faca maldita... As mitologias precisavam parar de inventar nomes diferentes para aquele simples objeto ou ela ficaria louca.
“Solte-o. O nosso principezinho é mais útil livre, leve e solto fazendo o que ele faz de melhor: sendo um demônio.”
“Quer que eu solte o filho mais perigoso de Lúcifer só por um capricho? Esqueça!”
Aquela audácia a enfureceu. Com quem achavam que estavam lidando?
“Está se esquecendo que em breve A Grande Rainha irá reinar com a ajuda da Besta e ser soberana tanto do céu quanto dos infernos. Nem Deus, os deuses e o Diabo juntos poderão detê-la e você é inteligente o bastante para querer um posto nesse novo mundo.”
“ Olha, eu apoio a sua rainha louca e você sabe muito bem disso, mas não posso soltar o Salvatore ou o Rafael vai me matar.”
Será que só lidava com burros?
“Querida acéfala ignorante e desprezível, o irmão dele está prestes a fazer isso por você. Tudo o que precisa é impedir que dificultem o ato heroico ridículo do anjo.
Com Damon solto e junto a Elena o castelinho de areia desse casal nojento vai desmoronar e ela vai ficar sem a proteção demoníaca que nos impede de interferir de forma mais direta. Lembre que precisamos deixa-la vulnerável em todos os lados: Já tiraremos a tia de circulação, mas falta a melhor amiga, a família e os demônios-babás. Se simplesmente matarmos Damon ela tirará forças disso para nos caçar e Satanás nos destruiria. Ela precisa romper com todos os vínculos afetivos que a protejam, precisa ficar magoada com todos eles, odiá-los, sentir-se sozinha até simplesmente...”
“...Nos procurar. Já sei o plano. Mas ainda acho que simplesmente sequestra-la já estaria de bom tamanho. Vamos obrigar essa imbecil a ficar fora do nosso caminho.”
Tsc, tsc. Como se a vida fosse fácil assim.
“E então ‘Damon e a sua turminha’ apareceriam em companhia de Bonn e do Stefan para nos fazer uma visita de cortesia. Isso chamaria todas as atenções diretamente para nós e não conseguiríamos deixar Elena preparada para a destruição. Quando viessem resgatá-la descobririam nossas outras armas, todos os aliados e seriamos destruídos um por um. Realmente um plano brilhante, quer que eu bata palmas?”
“Matamos todos antes de sequestra-la.”
“Matará Lúcifer, Deus, Nyx e todos os anjos, demônios e bruxas do universo? Porque assim que cometêssemos os crimes todos esses grupos tomariam a afronta como pessoal e viriam contra nós. Consiga que essa modesta lista de trilhões de componentes seja exterminada e eu digo que aceito seguir seu plano, mas por enquanto deixemos que alguém com cérebro dite as regras por aqui, Ok?”
A anja do outro lado bufou meio irritada com a verdade lançada bem na sua cara.
“Posso entender a sua decisão quanto as mortes. Só não sei o porque de você estar tão convicta de que Damon e Elena irão romper. Ela está apaixonada por ele! A-PAI-XO-NA-DA! Não creio que algo consiga separá-los. Esqueceu que os humanos amam com toda a força do universo?”
Um sorriso triunfante encheu seu belo rosto e ela pousou o copo de Whiskey finalmente saboreando algo melhor que a bebida: o sabor da vitória.
“Não. Mas também não esqueci que demônios são exatamente o oposto. E nós mulheres sabemos de cor e salteado o quanto dói amar alguém que nunca corresponderá, não é Beckie?”
Poderia acrescentar que o simbollon em posse de Gregory também ajudaria, mas certos detalhes eram melhores guardados em segredo.
Estava chegando a hora da primeira ruptura.
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POV- Elena Gilbert.
Era como se todos os relógios do mundo tivessem resolvido parar.
As horas se arrastavam dolorosas enquanto ela gastava orações com todos os deuses do mundo.
Não soube se algum a ouviu, mas pôde se lembrar das palavras calmas e gentis de certo Morgan Freeman que fazia analogias com o mar.
“Mas eu não sei nadar, Cachinho! Não consegui nem sair daquela prisão sozinha.”
E realmente não sabia. Johanna e Damon a aperfeiçoaram mais na parte física, mas não era o bastante. Sabia o que era necessário para matar um demônio e seus pontos sensíveis. Intuía que provavelmente as áreas frágeis dos anjos eram todas as opostas as dos servos de Lúcifer. E as bruxas, pelo que sabia, também eram suscetíveis à sua faca que Johanna apelidara de Tramontina.
Não possuía nenhum selo para prender demônios, mas conhecia o processo de cor.
Algumas palavras mágicas, uma gota do sangue do caçador e uma mente forte o bastante para aguentar a energia que seria gasta em tentar puxar todo o poder de um demônio e prendê-lo em uma placa de prata.
Quase ninguém conseguia, até mesmo para as bruxas era difícil. As Bennett eram umas das poucas que achavam a atividade “fácil”.
Mesmo assim sabia algo, o bastante para se defender de uma pessoa comum, mas não de um ser com o triplo da força dela.
A Chave idiota em seu corpo também pouco adiantava. A única coisa útil de ser um portal é que ela poderia selecionar os demônios que quisesse que ficassem na terra e expulsar os outros (não valendo para híbridos). Além de conseguir ir para o Inferno sem ser pulverizada.
Ao que parece a chave foi criada para Eva, a única mulher que o Diabo amou. Ele ainda era um anjo na época e ambos precisavam de um lugar onde os olhos de Deus não os alcançassem.
Lúcifer pediu ao mestre um presente e Jeová ingênuo diante de um dos seus anjos mais amados atendeu: nascia assim o inferno.
Só que Eva no final deu para trás quando vira que o anjo havia se rebelado contra Deus, e assim permaneceu no Paraíso ao lado de Adão até cair pela própria rebeldia e desobediência.
Viveu com ele mesmo sem amá-lo durante muito tempo, mas quando teve seu filho Abel morto e Caim amaldiçoado, enlouquecera e buscou o verdadeiro amor.
Assim finalmente foi para o inferno, e os anjos com raiva do comportamento feminino a proibiram de pisar na terra.
Ela ficou desolada por isso e Lúcifer criou a chave que a permitia ficar na terra pelo tempo que quisesse.
Viveram assim em paz por muito tempo, mas Lilith já cobiçava o rei do Inferno e certo dia planejou algo traiçoeiro: Ludibriou a mulher e a fez ir ao mundo dos humanos com uma réplica da chave em vez da verdadeira.
Assim que chegou, seu corpo queimou destruindo seu espírito e Lilith teve o caminho livre para ser a nova esposa do anjo rebelde.
Lúcifer decidiu naquele momento de sofrimento que o amor era algo a ser repudiado e começou a ter casos com diversas humanas fazendo a tal “doação” da humanidade que habitava nele para elas. Assim, aos poucos, virou a criatura que era agora. Incapaz de qualquer sentimento. (segundo algumas lendas, era por esse motivo que as mulheres eram mais sentimentais que os homens — amavam por elas e por Lúcifer). Também instituiu uma filha de Eva com Adão para ser a primeira guardiã da chave, como forma de incidentes de pulverização como esses serem evitados no futuro.
Elena abraçou os joelhos ficando a cada segundo mais desolada. Saber lutar contra os males que o mar escondia não era mais só uma questão de se defender. Ela queria e precisava defender quem era importante para ela, como Damon... Sua família... E seus amigos.
Dan... Se passasse mais um minuto sem saber se ele estava bem, enlouqueceria.
Infelizmente, teve que aguardar muito mais do que isso para vê-lo aparecer junto a Stefan, Johanna e o loiro forte que ela julgava ser Bran.
Não estava muito machucado, apenas ostentava um leve corte acima da sobrancelha e massageava os pulsos com incômodo.
Jô tinha mais arranhões, mas também aparentava estar bem. Todos os invasores de quarto, na verdade, estavam longe de estarem moribundos como seu coração temia.
Um alívio encheu seu peito e ela correu em direção ao seu servo rindo como uma criança.
Sua memória era horrível, ele era muito mais lindo do que se lembrava.
Damon riu aceitando os beijos afobados que ela depositava nele.
Seus lábios quentes, macios e maliciosos; seu perfume inebriador, os cabelos negros desgrenhados... Era do que ela precisava para esquecer que o universo tinha planetas.
– Esse é o Salvatore mesmo? – Bran perguntou chocado para a Jô.
Elena recuou seus lábios dos de Damon temendo que estivesse o colocando em uma situação embaraçosa.
Não queria que ele perdesse o respeito entre os demônios por causa dela.
Ele, entretanto, não se importou e continuou com as mãos possesivas ao seu redor.
– Senti falta de chamar você de lenta. – Brincara com os olhos azuis acinzentados divertidos.
– Senti falta de bater em você por me chamar assim. – O olhou passando a mão perto do ferimento que ainda não cicatrizara. – Está tudo bem? Você é louco Salvatore... Fazer uma guerra só para me soltar!
Dessa vez ele pareceu incomodado e a soltou. Não parecia se importar pelos familiares ouvirem aquilo, o problema era interno. ELE é que não gostara do conteúdo da frase.
A contratante mordeu o lábio inferior como forma autopunição.
– Caham. – Johanna fingiu pigarrear atraindo os olhares para ela. – Agora que Delena parou com seu momento de novela mexicana, é a minha vez! – Disse empolgada correndo para a sua aluna e pulando nela em uma imitação do que a garota fez com Damon.
Lenn riu sem conseguir sustentar o peso graças aos seus braços fracos e as duas se caíram no chão.
– Oh Rodolfa Augusta Daniela Mercedes, eu voltei para você meu doce de coco! Te quiero. – Disse bagunçando o cabelo castanho e imitando as caras e bocas que os atores de Maria do Bairro faziam. Bran riu junto as duas, mas os irmãos Salvatore não estavam no mesmo clima legal.
– É bom ver você também treinadora! Como foi a reunião importante no inferno?
– Nah... Chata, Harry sumiu e ficamos sabendo que no dia da morte de Jenny, uma senhora estava presente na mansão fofocando com aquelas vadias irmãs do Damon. Diti está presa até revelar algo que preste, mas jura de pés juntos que não sabe de nada. Só isso. — Jô levantou-se sem se importar com aqueles detalhes revelados e puxou a mão do homem “desconhecido”.
– Vamos para um assunto melhor... Gilly, esse é Bran também conhecido como Slayer. – Apresentara passando a mão por suas trancinhas já bem desfeitas. – Coisa-insuportável-da-minha-existência, essa é Gilly a menina que fez com que a expressão “lenta como uma tartaruga” fizesse sentido.
– HEY!
O demônio riu do seu protesto esmagando sua mão em um aperto firme que a impulsionou a levantar.
– E aí mortal? Você está dando o que falar lá no Inferno. – Comentou talvez tentando ser simpático.
Elena sorriu em retribuição, mas aquela informação tingiu suas veias de desgosto e medo. A história de que ela era a Besta já havia se espalhado.
Daqui a pouco chegaria a um ponto em que até Grayson e Miranda estariam cientes.
Foi tirada de seus devaneios quando uma presença quase esquecida no quarto se pronunciou.
– Acho que meu trabalho está concluído, então... Talvez seja melhor voltar para o meu setor. – Stefan disse de forma tímida a olhando. – Perdoe meu comportamento mais cedo, Srta. Gilbert, mas tive meus motivos.
Damon o fuzilou com os olhos e Bran e Johanna também adotaram expressões insatisfeitas.
Ela apenas assentiu sem saber ao certo o que fazer. Stefan era uma figura estranha, era difícil fazer julgamentos sobre ele.
– Considere o fato de não ser destruído hoje como um pagamento por ter me libertado. – O seu demônio falou se aproximando como se para defendê-la. – Não devo mais nada a você, mas em uma próxima vez não vou ser tão... Tolerante.
– Isso aí cara-da-harpa, você está fodido por ter mexido com a Gilly.
– É! Praticamente morto. – Elucidou Bran colocando o braço pesado em cima do ombro de Elena.
PFFFF. Ok, ela tinha um exercito agora.
Os olhos verdes angelicais se estreitaram e ele assentiu uma vez.
– Ani Maamim.
– “MAMINHA” DE QUEM SEU FILHO DA PUTA? Sem ofensas Damon só quero ofender a “mãe dele”, nenhum problema com a “sua”. – Jô acrescentou rápido e voltou ao seu ataque. – Vem aqui se você é homem! Vou quebrar você, fazer pizza e vender por dois dólares no mercado negro.
A humana resolveu se adiantar segurando a garota-infernal antes que ela depenasse as assas invisíveis do Salvatore mais novo (que depois disso revirou os olhos e desapareceu).
– “Ani Maamim” é o termo hebraico que originou o anagrama “Amém”, Johanna. – O homem de cabelos negros e olhos azuis, explicou parecendo refletir sobre algum comportamento do irmão. – Significava “Eu acredito”, mas depois começou a ter a conotação de “Que assim seja”.
Não sabia se o demônio tinha a mínima consciência do quanto ficava sexy explicando coisas, mas o fato é que ela quase babou.
O casal infernal trocou um olhar cumplice de compreensão e Jô dera de ombros.
– Anjo, então essa foi a preview de como eu vou ficar se você algum dia bancar o palhaço comigo. Só para você ficar atento. – Avisou como se ele ainda estivesse presente, encostando os dois dedos maiores aos olhos cor de mel e depois os apontando para o teto em um sinal de “estar de olho”.
– A ideia de usar uma pizza na ameaça foi ótima. – Bran elogiou cutucando Johanna com o cotovelo.
– Baby, eu sou ótima em tudo! Ok, tive a ideia quando estava com o Matt Efron Pitt McCartney então créditos para ele também.
O olhar que o irmão de Damon lançou deixou claro porque o apelido dele era assassino.
– Você está me traindo de novo sua Maria Joaquina? – Inquiriu com os punhos cerrados e a voz grave transtornada.
Elena se encolheu se desvencilhando do cunhado e abraçando Salvatore. Por um lado, ter deixado Matt -sem querer- pensando que Jô havia sido contratada para dar em cima dele, foi algo bom, não?
– Se chama “relação aberta” e é divertida! Agora vem bobão, precisamos alterar várias memórias para encobrir o sumiço de uma semana da Gilly. – Murmurou o puxando pela camisa sem nem se importar com sua “cara-de-lobo-mau”.
UMA SEMA–O-QUÊ? ELA PASSOU HORAS NO CÉU NÃO DIAS!
Ok, precisava de foco. Tinha problemas maiores para resolver no momento.
Assim que o casal maluco saiu, a adolescente fitou o namorado com olhos castanhos arrependidos de criança pedindo sobremesa antes do almoço.
Não entendeu exatamente o que teve de tão errado no que falara naquela hora do reencontro, mas odiava ter chateado ele de alguma forma.
– Eu amo você e vamos para Dubai quando quiser. – Disse tentando comprá-lo e conseguindo um sorriso. – Sério, prometo. Agora mesmo!
Ele revirou os olhos a enlaçando de forma carinhosa.
– E prometer que não vai se meter mais em confusões? – Indagara beijando o canto dos seus lábios deixando a área formigando.
– Seria lutar contar a minha essência!
Ele sorriu tendo que concordar e ela o analisou a procura de alguma ferida precisando de cuidados sérios, mas sua pele estava perfeita como sempre.
– A guerra acabou oficialmente?
– Demos uma trégua já que você já estava em segurança. – Sua voz demonstrava que ele odiava aquela pausa no combate.
Se o conhecia como pensava que conhecia, ele não sossegaria enquanto não matasse no mínimo mais uns mil anjos.
Não queria que ele ficasse imerso naquela atmosfera pesada então resolveu mentir.
– Eu estava falando da nossa guerra particular. – Suas mãos confortaram o cabelo preto. – Você sabe que as vezes falo coisas sem pen...
– Você não fez nada de errado. – Suspirou. – Só não consigo entender... — Por algum motivo se interrompeu balançando a cabeça e seus olhos ficaram mais sérios. – Só não queria enganá-la. – Substituiu firme dando um sorriso debochado.
Odiou aquela nova formação de frase. As sobrancelhas sob os olhos castanhos se uniram e ela se desprendeu dele para poder encarar melhor o azul acinzentado.
Era um bom momento para adiar a conversa.
Rir ignorando a frase e apenas se render ao quanto o amava. Sempre gritava para as protagonistas de livros e filmes essas recomendações!
“Não fale isso para o mocinho, ele vai dar uma resposta que você não gosta.” – Dizia nessas ocasiões. Claro que se as lerdas a ouvissem não teria história.
Como em “A princesa encantada” quando Odette pergunta ao príncipe porque ele quer se casar com ela e ele responde que é pela beleza da loira. Se não houvesse pergunta, não haveria o drama de o casamento ser recusado e a princesa voltar para a casa sendo enfeitiçada por um mago perverso.
Nem teria a busca do príncipe pelo entendimento do que era verdadeiramente amar e das outras qualidades da amada.
Mas mesmo assim, quando era criança odiava. E talvez por isso tenha esnobado várias princesas da Disney ou Fox por tanto tempo.
Hoje, entretanto, ela as entendia. E, em solidariedade, cometeu o mesmo erro.
– Enganar de que forma, Salvatore?
Ele a olhou por algum tempo e então virou de costas com um sorriso sacana no rosto.
– Fazer com que pense que essa guerra foi por sua causa de uma maneira... Sei lá, romântica, rosas e velas ao fundo. – Zombou com seu humor costumeiro fitando algo que ela não alcançava. – Óbvio que ter você em segurança é a minha prioridade para não estragar o plano todo, pela chave, blá blá blá, mas o motivo principal foi que meu pai prometeu a alguns aliados que deixaria que eles cuidassem da Besta. Não sei quem são, mas Lúcifer deixou claro que não é do nosso interesse romper o acordo. Por isso a resgatamos de forma tão eficiente. – Ele jogou os ombros com indiferença. – Espero que não se importe.
Se importar? Não, imagina. Namorados sempre falavam coisas que deixavam bem claro que não ligavam para a companheira!
Sentiu a ira associada com uma melancolia intensa a invadirem.
Era como se suturassem seu coração sem anestesia.
Ele era um demônio, o que ela esperava? Sempre agiria assim e não podia querer cobrar nada dele.
A grande questão era se ela o amava o bastante para encarar aquilo.
Será que fora assim que Matt se sentiu quando aceitou namorá-la mesmo sabendo que não sentia nada por ele, nem sentiria?
Um turbilhão de emoções brincava com a sua cabeça, mas por fim lembrou novamente do seu Morgan Freeman particular... O que ele falara mesmo?
– O amor pode crescer no meio do ódio. – Sussurrou baixo fazendo com que Damon a olhasse com curiosidade.
Era bom que fosse verdade Cachinho ou ela o atazanaria pelo resto da vida.
Riu por estar ameaçando Deus e por estar naquela situação tão temida desde o inicio: Amar um demônio.
Ela fumara o quê?
Expulsou a tristeza e raiva as escondendo em uma gaveta profunda que mantinha no coração e caminhou até ele levando os dedos até o primeiro botão da camisa preta e a desabotoando.
– Faça com que eu esqueça o quanto me importei. – Pediu maliciosa seguindo a carreira de pecinhas que liberaram o tecido no corpo de Salvatore.
O demônio – primeiramente sem reação- sorriu com uma malícia tingida de algo nebuloso e a encostou na parede exigindo seus lábios sob os dele.
Naquela noite Elena não pensou mais naquilo e aos poucos a dor se aquietou no seu corpo como um corte que após algum tempo para de arder.
A única cicatriz que ficou foi uma pergunta infeliz, como tantas que ela tinha, que ousava insistir:
Um demônio algum dia poderia mesmo se tornar humano o bastante para conseguir amar?
Não teve como saber que séculos atrás uma garota chamada Annelise Baker fez a mesma pergunta para si mesma e, assim como a menina, decidira insistir até o seu limite.
Do Castelo da Fox ou Disney, a princesa Odette apontou para as duas com desgosto.
Shine a light through an open door
(Ilumine uma porta aberta)
Love and life I will divide
(Amor e vida eu vou dividir)
Turn away cause I need you more
(Volte porque eu preciso mais de você)
Feel the heartbeat in my mind
( Sinta as palpitações da minha mente)
It's the way I'm feeling I just can't deny
(É como estou me sentindo, não posso negar)
But I've gotta let it go
(Mas eu tenho que deixar isso ir embora)
We found love in a hopeless place
(Nós encontramos o amor em um lugar sem esperança).
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POV – Bonnie Bennett.
Teletransporte era em definitivo a coisa mais brilhante que já inventaram.
E a única que ela não podia usar para não ser rastreada por outras bruxas. Parecia até piada!
Sentiu a “batata da perna” doer e mudou o peso da bagagem nas costas tentando ver se o incômodo passava. Pouco adiantou, o dia resolvera não colaborar com ela.
No seu celular, duas mensagens novas piscavam e o conteúdo delas era digno de preocupação.
A Sra. Grayson estava desesperada atrás de Lenn que tinha desaparecido completamente.
A situação era estranha e a encheu de medo. Elena era conhecida como rebelde, mas até nisso era eclética. Não era muito de festas, badalações ou sumir de casa sem horário para voltar. Ou seja, algo grave deveria ter acontecido para obrigá-la a tal.
Fez uma breve parada colocando a mochila no chão e alongou os ombros. Estava completamente enferrujada na função de ser “normal”. Um pouco de mágica cairia tão bem naquele momento quanto pipoca cai bem com refrigerante!
– Posso carregar para você se quiser.
A adrenalina percorreu sua espinha dorsal e ela conjurou uma faca maldita no cinto só por precaução, girando o corpo na direção do estranho.
Era um homem na faixa dos vinte. Musculatura forte e definida, alto, bem vestido, cabelos castanhos escuros e olhos cinzentos que lembravam diamantes. Ostentava um sorriso minimalista como se dissesse que viera em paz e... Não era exatamente feio.
Tá, era bem bonito (ou mais que isso)... E um adversário à altura se quisesse enfrentá-la.
– Consigo ir o resto do caminho. – Disse o examinando com desconfiança e recolocando a mochila nos ombros sentindo as “agulhadas” que a alça provocava.
O homem a olhou com as sobrancelhas bem unidas por algum motivo desinteressante. Ela não chegaria a Mystic Falls nunca se parasse para observar cada louco que a rondasse.
Voltou a caminhar e percebeu que ele a seguia com certa distância.
Tentou não se incomodar com aquilo, mas era impossível não ficar paranoica quando pensava que era a primeira vez que não poderia contar com o apoio de Lucy ou da avó para defendê-la.
“Ah sim, que comportamento digno da herdeira de Emily” – Zombou mentalmente entortando os lábios. “Você foi treinada, vai dar tudo certo Bonnie. Respire.”
– Estou incomodando você? – Ele parecia realmente preocupado com a possibilidade.
– A estrada é livre. – Não queria prolongar a conversa.
Prosseguiram em silêncio até ela perceber que já passara por diversas ruas em que ele poderia ter entrado e mesmo assim continuava a seguindo.
– Vai para onde mesmo? – Perguntou retirando a franja ruiva da testa e lançando a bagagem ao chão de novo.
– Para a casa de Elena Gilbert assim como você. Não queria assustar a garota com a minha presença repentina e pensei que ir com a melhor amiga dela seria uma tática inteligente. – Um sorriso infantil brotou em sua face.
O analisou com cautela tentando calcular o que, por Merlin, era aquele moço. Humano com certeza não, a menos que fosse um com dons de premonição ou um conhecido do colégio.
Sentiu que a resposta estava nos diamantes azuis e, quando os olhou com concentração, viu a Marca satânica neles.
Maldito! E ainda queria machucar Lenn! Será que esse era o tal demônio com quem fechou contrato naquela noite sombria de meses atrás? Lógico, ele poderia estar perseguindo Elena por causa do medalhão.
Arrancou a faca do cinto em um movimento rápido e preciso e lançou no ângulo exato que aprendera que era o ponto cego dos demônios.
O aço girou no ar de forma perfeita, mas quando chegou a um palmo dele, o demônio a impediu de cortá-lo e a segurou pelo cabo.
– Um milímetro e meio e você teria cortado a artéria correta do meu coração. – Disse um pouco chateado com a bruxa pegando a faca e passando por sua palma. – Você queria o meu sangue derramado... Aqui está. – Finalizou jogando a faca ensanguentada para ela e adiantando o passo a ultrapassando.
A ação por algum motivo a paralisou. Demônios não agiam assim.
Correu para segui-lo com sua mochila nas mãos suadas e foi tentando ver seus olhos novamente para confirmar se vira direito.
Ele provavelmente era um bruxo para não tê-la atacado. Estava tão cansada que deveria ter visto errado, afinal a marca bruxa e a demoníaca se pareciam muito.
– De qual família você é?
O estranho a olhou confuso.
– Sou filho de Lúcifer com uma mortal. Porque a pergunta?
A ruiva meneou a cabeça como se fosse uma competição de quem ficava mais espantado com o outro.
– Você tem um senso de humor estranho. Eu não falaria nem brincando que era daquela família de ratos.
Não era algo para ser feito. Dava azar e até uma criancinha humana sabia disso.
Seu acompanhante de viagem passou a mão pelo cabelo aparentando ser o incomodado da vez. Em menos de duas horas tinham invertido os papeis.
– Você jogou uma faca em um mero viajante de estrada, Ok? Não fale do que é estranho ou não comigo. – Ele mostrou a palma da mão para ela como prova do que dizia. – E não estou brincando, sou Ethan Lewis, o antigo terceiro herdeiro de Lúcifer... Não que isso importe.
Sentiu sua glote se fechando e conjurou um selo e um cajado para mantê-los à mão.
Lewis falava tão sério sobre ser um dos ratos que tinha que dar algum crédito. Fora que tinha visto a marca que comprovava que ao menos humano ele não era.
– O que quer com Elena? — A autoridade soando ameaçadora como só uma melhor amiga conseguia usar.
Ele riu.
– Agora quer conversar?
– Poupe os meus ouvidos dessas suposições equivocadas, só quero estabelecer um limite para a minha confusão e defender minha amiga. Você tem ideia de quem eu sou ratinho?
Seus ombros arderam e ela percebeu que a alça da mochila a machucara.
– Bonnie Bennett, 17 anos, neta de Sheila Bennett, herdeira de Emily e obviamente... Bruxa. – Acrescentou a palavra com um pouco de asco. – É a responsável por quebrar a maldição da família matando a nova Fera. Coisa que ainda vai se arrepender de fazer. – Alertou parando um pouco para caminharem lado a lado. – E apesar de ser a garota mais linda que já vi, parece meio louca. Fim da biografia.
As maçãs do seu rosto ferveram um pouquinho pelo elogio.
– Seu rato imundo, você é o quê? detetive? – Largou a mochila na estrada empoeirada e bloqueou a área mentalmente para proteger civis de um futuro combate. – O que quer com Lenn ou com detalhes da minha vida?
Ele suspirou cansado e ficou de frente para a ruiva.
– Eu e a sua amiga temos um conhecido em comum com o qual eu preciso falar urgentemente. Não sei como esse demônio irá me receber então quero chegar da forma mais pacífica possível. – Pausou com os olhos de diamantes doces. – E não quero nada com os detalhes da sua vida... Apenas os sei. Privilégio de ter dois quintos da minha esposa presos em você.
Elena era amiga de um amigo de um demônio. Parecia verídico, hein? Rato mentiroso!
Porque ele não parava de falar e reagia logo?
Que tipo de tática de luta era aquela? Sua avó nunca a preparou para lidar com aquilo.
– Ah para com isso! – Pediu chateada girando o bastão entre os dedos fazendo com que o cristal brilhasse. – Se você é mesmo um demônio como tudo indica que é, lute comigo e acabamos com essa chatice logo.
O filho de Satanás a olhou com tédio, buscou a mochila esquecida pela menina no chão e passou a carregá-la, ignorando totalmente ela.
– Além de rato é ladrão? REAJA! – Gritou manipulando uma pedra para fazer com que ele tropeçasse.
– Não enquanto você estiver com ela aí dentro.
Ele era bem inacreditável.
O vento a irritou despenteando sua trança ruiva e Bonnie quis saber mais sobre as coisas sem sentindo que o doido estava falando. Atacá-lo só estava o deixando mais indiferente.
– Não sou uma boneca russa para ter alguém dentro de mim. Do que você está falando?
Ethan não respondeu e continuou andando com as suas coisas.
Entendia muito pouco do que estava fazendo, mas sentia que em parte a culpa não era dela.
Estava condicionada a um pensamento de combate baseado em linhas retas precisas, calculadas e estáticas, então encontrar curvas aproximadas, abstratas e relativas era desorientador.
Queria um manual com Wi-fi para se atualizar automaticamente a todo tempo.
O rato não fazia nada direito! Não a atacou, não usou nenhum dos seus poderes...
Definitivamente não usava nenhuma tática demoníaca. Até porque, ela decorara todas as possíveis e imagináveis naqueles três meses, então já teria identificado qual era a dele.
O seguiu perdida e voltando a ser a Bonn frágil que era. Talvez, desejando que ele fosse uma espécie de GPS que a tirasse daquela confusão.
– Estava havendo uma guerra? – Perguntou perplexa largando seu copo de água na mesma hora na mesa e fazendo um barulhão.
Os dois faziam uma pausa da caminhada no confortável, mas simples Tautogs Restaurant e desde que Bonnie realmente confirmara que ele não iria matá-la, começaram a conversar sobre os acontecimentos Apocalípticos que estavam acontecendo.
Sentia que ele estava lhe escondendo detalhes importantes que deixavam a história cheia de buracos.
Como o fato da guerra ter começado porque queriam resgatar uma humana namorada do irmão dele. Coisa mais absurda, os ratos eram de uma espécie tão inferior que não conseguiam sentir, nunca se arriscariam tanto por um casinho.
Tinha outro motivo oculto aí para até Satanás ter participado.
Mas mesmo com algumas peças desajustadas no quebra cabeça, ao menos se informava mais.
– Sim. Minha irmã Tarah inclusive foi destruída durante a batalha. – Disse com a expressão do gato de botas do Shrek.
Ela não ia dizer “sinto muito”. Não mesmo. Ainda mais lembrando que foi uma das irmãs de Ethan que matara Max Mooris – o tal namorado da Lucy-.
– Sabia que demônios comuns poderiam ser mortos por anjos comuns e vice e versa, mas não tinha a menor ideia de que os filhos do Diabo fossem mortais.
Lewis brincou com o copo d’água sem querer encará-la.
– Aparentemente agora somos. Lúcifer sempre teve o poder de nos destruir se assim quisesse, mas agora as coisas ficaram piores. Descobriram uma forma de fazer armas que conseguem matar qualquer criatura de qualquer mitologia, até mesmo Deuses. Apelidaram de Plegmaemo porque foram testadas em nós demônios, mas comprovamos que afetam outros.
– Os anjos descobriram essa tecnologia mortífera como? Achei que eles fossem mais... Bonzinhos.
– São demônios com vestes brancas e uma bandeira contrária, Bonnie. – Exagerou com um sorriso de canto desanimado. – E não sabemos direito quem foi o criador, mas tudo indica que tenha sido o Sr. Elias Dawson.
– O VELHINHO DO BAR DE MYSTIC FALLS? – A ruiva riu. – Impossível.
– Possível e bem provável, ele era um demônio ilegal fabricado por algum humano.
– E a fábrica de fazer demônios fica... ? – Zombou bebericando o liquido transparente e devolvendo o vidro à mesa.
Os diamantes azuis giraram em tédio, mas seus lábios continuavam doces.
– É uma maneira de se referir aos contratantes humanos que fazem rituais mágicos para criar espíritos serventes. Esses são ilegais e quase sempre perambulam pela terra sem o controle do meu pai.
– Bem feito, foi o mesmo que ele fez com Deus. Saiu criando ratazanas e deixando Jeová confuso e sem domínio sob a situação – Pontuou ignorando o homem bêbado ao lado que soltava beijinhos indelicados para ela. – Mas nem alimento essa briguinha porque não vou com a cara de nenhum dos dois, sirvo à Nyx e não tenho nada com essa mitologia de vocês.
– Eu acho que optei por não preferir lado nenhum. As vezes acho que somos necessários uns aos outros.
A bruxa o olhou com curiosidade refletindo sobre aquilo. A ideia de ter o mundo mágico pacífico e unido era bem bizarra até para ela tão utópica.
– E qual foi o saldo final da confusão?
– O mesmo de quase todas as guerras mágicas: empate. Mas meu irmão estava com tanta raiva que conseguiu que ficássemos em melhor posição que eles.
Ela assentiu meio desligada enquanto uma senhora encostava-se à mesa deles tentando fazer com que comprassem colares de semente que ela fazia.
Estava sem dinheiro e sem animação para comprar bijuterias então a dispensou com gentileza vendo que a mulher começou a se concentrar no ratinho.
“Compre para a sua bela namorada, meu querido. Dá sorte, não vai se arrepender.” – A senhora insistiu fazendo Ethan sorrir meio constrangido e comprar um cordão só para se livrar dela.
A menina riu um pouquinho imaginando o que ele faria com o colar e foi surpreendida quando o viu se erguer da cadeira e ir a sua direção colocar a peça em seu pescoço.
Um frio que conseguia ser bom e ruim ao mesmo tempo a fez tremer e suas bochechas ficaram incômodas de tão quentes.
– Para você lembrar que não deve esfaquear viajantes na estrada. – Ele brincou suave e gentil.
– Obrigada. É bem bonito...
Aquilo estava indo para o rumo errado! Tentou repassar na cabeça se algo fazia sentido, mas seus cálculos só apontavam que ela ficara maluca: Encontro com um demônio -> tentar lutar com ele sem conseguir -> ir para um restaurante e passar horas conversando com ele. -> Receber um colar em algo meio romântico.
Absurdo! Bem absurdo!
“O que aconteceu com você Bonnie Bennett? O que aconteceu com a ruiva forte e sem sentimentos na qual você se transformou?”
– Você não terminou de falar da sua esposa. – Lembrou um pouquinho desanimada, mas grata por ter um assunto que a tirasse daquilo. – Disse que eu tinha algo dela, não entendi bem. Estava falando no sentido poético, né?
Os olhos azuis metálicos ficaram tristes.
– Já ouviu falar em Annelise Baker?- Inquiriu e ela assentiu muda se lembrando da pobre bruxa obrigada por um demônio a viver com ele. – Ela era a minha esposa.
A ruiva estancou permanecendo assim até ouvir a versão demoníaca da história (muito diferente da que as bruxas contavam).
Uma parecia um filme de terror e a outra, “Romeu e Julieta” pós-moderno.
E mesmo assim, havia algo que as duas versões concordavam: Anne fora morta e teve sua alma dividida compondo pedacinhos mínimos de várias criaturas na terra.
E se ele dissera que Bonnie a tinha dentro de si...
– Ethan, como tem tanta certeza disso? Eu nunca tive nenhum sonho, pensamento ou nada que fosse dela. – Foi logo se justificando e constatando o desconforto com a situação.
– Tudo foi fruto de uma pesquisa longa de milênios e não funciona dessa forma Bonnie, ela compõe sua alma em dois pedaços mínimos. Você só herdou coisas como... A maneira de rir ou a doçura.
Então essa era a razão para ela voltar a ser a ruiva tola e doce quando estava perto dele. Uma lâmpada se acendeu em sua mente.
– E por ter isso você quer me obrigar a ser ela, como uma substituta... – Estava nervosa sem nem saber bem o porquê. Sentia-se confusa, magoada, triste, frustrada, com raiva de si mesma... O que era aquilo? – Não... Não Ethan, você ficou louco? Conhecemo-nos agora e eu sou... Você sabe o que sou enquanto você é meu inimigo natural.
O demônio balançou a cabeça como se quisesse interrompê-la desde o inicio da frase.
– Nunca iria pedir isso, só queria conhecer alguém que tivesse algo dela. Tem sido um verdadeiro pesadelo viver sem Anne todos esses anos. Mas não pretendia ter nada amoroso com você porque seria desonesto e mesquinho e não sou assim. Não mais, pelo menos.
NÃÃÃÃO! Resposta muito errada, bem errada!
Ele tinha que se admitir como crápula querendo apenas sua esposa e sem ligar para qualquer obstáculo.
Assim ela poderia odiá-lo de uma vez.
Engoliu em seco levantando-se da cadeira desajeitada e quase levando a toalha da mesa junto.
– Aonde você vai?
“Fugir dos seus olhos de diamante.” Ela poderia ter respondido, mas não queria parecer mais tola do que já estava parecendo.
Era besteira negar que estava atraída por ele, porque estava acontecendo mesmo.
E Ethan era exatamente aquele tipo lindo e super legal que faz com que você ria como uma boba mesmo que não o conheça.
Aquele que, mesmo que nunca dê certo com você, faz com que imagine um futuro ao lado dele e diga “Seria bom”.
Mas essa era justamente a senha para a perdição.
Manter contato com ele seria o fim e não podia fazer isso.
Tinha uma família para salvar de uma maldição, um monstro horrível para matar e uma amiga que estava precisando dela.
Relacionamentos eram uma questão encerrada. Até mesmo com Tyler que aparentemente era seu namorado oficial.
Mas principalmente com ele.
– Bennett você não acha que está fazendo uma tempestade em um copo d’agua? – Perguntou erguendo-se para acalmá-la enquanto todos do restaurante os olhavam com tom de fofoca.
Deu um sorriso amarelo buscando forças para parecer menos abalada e ao perceber que não conseguiu, murmurou apenas:
– Estou só adiando essa conversa...
E sem dar a chance de resposta virou-se e partiu dali não se importando com a conta deixada ou a mochila.
Levou apenas o colar... E os redemoinhos confusos que invadiam seu coração.
Um dia realmente conversariam.
Yellow diamonds in the light.
( Diamantes amarelos na luz)
And we're standing side by side
(E nós continuamos lado a lado)
As your shadow crosses mine
(Assim que sua sombra cruza a minha)
What it takes to come alive
(faz com que eu me encha de vida)
It's the way I'm feeling I just can't deny
(É como eu estou me sentindo, não posso negar)
But I've gotta let it go
(Mas eu preciso deixar isso ir embora)
We found love in a hopeless place
( Nós encontramos amor em um lugar sem esperança) – We found love – Rihanna.
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Notas finais
funcionava na mitologia grega como objetos que se complementavam e normalmente funcionavam como reconhecimento.
Exemplo: Egeu reconheceu o filho Teseu (sim, o tio do minotauro) por causa do simbollon: a espada de Teseu.
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