Demônios Não Amam.

19 As coisas que não dizem sobre o céu.


Notas iniciais
Minhas lindezas *OOOO*.

Capítulo feito às pressas, mas cheio de amor e carinho só para vocês.

Thata, Belatrix e Nubiabrt sejam mega bem vindas xuxulizetes! Espero que se sintam a vontade para mandar e desmandar aqui.

Meus outros amores, vocês já sabem que eu amo vocês loucamente e quero dar abraços de urso em todas. Não me abandonem! (escritoraforeveralone)

E agora... A GRANDE NOVIDADE ~le tambores ao fundo~

A FIC GANHOU UM TUMBLR *O*!

Pois é beibe, estamos chiques agora e gliterizados.

Depois passem lá! Terão informações extras, histórias que não couberam, fanarts lindos que eu ganho e vocês poderão fazer perguntitas e outras coisitas mais.

Espero todos lá, hein?

http://demonios-nao-amam.tumblr.com/

beijos, beijos:*



POV- Elena Gilbert.

Old McDonald had a farm ia ia ia ô, and on his farm he had some cows ia ia ia ô. With a moo-moo here and moo-moo there. Here a moo, there a moo… Everywhere a moo-moo. ♪ — Elena cantarolou o mais alto e desafinado que conseguiu batendo nas grades brancas que a cercavam.

Não era exatamente uma cela de prisão. A sala tinha luxo e bom gosto e a garota teria, sem dúvidas, mais conforto ali do que em sua casa, mas ainda assim aquilo era um cárcere.

O anjo que guardava seu cômodo, – um rapaz com aparência de catorze anos com cachinhos negros e olhos de azeviche – sorria disfarçadamente balançando a cabeça no ritmo dos seus repertórios musicais só deixando a animação morrer quando Stefan chegava furioso para manda-la calar a boca. O que acontecia de cinco em cinco minutos.

– Srta. Gilbert, eu posso pedir DE NOVO que se mantenha em silêncio? – Seu cunhado indagou com um sorriso doce que dava a impressão de que ele estava controlando ao máximo seu DNA demoníaco o mandando jogá-la em um tanque com tubarões.

Uh, como se ela tivesse medo.

– Uma diva nunca abandona um show no meio. – Retrucou fingindo estar ofendida e recomeçando a cantar enquanto fazia dancinhas bizarras pelo cômodo.

Ouviu o barulho da grade se abrindo e o anjo entrou com a expressão fechada.

– Se continuar perturbando nossos outros hóspedes... Terei que anestesia-la por algum tempo. – Fora a sua ameaça.

A garota parou de agitar seu corpo como uma idiota e virou-se para encará-lo.

– Seus métodos são tudo, menos angelicais. É sério que os arcanjos permitem isso?

A frase o atingiu como ela pretendeu.

– Você me obrigou a chegar a esse ponto. Sou um joguete do destino.

Elena inclinou a cabeça para trás rindo com escárnio.

– Eu estou presa, sem noticias de Damon ou a minha família, querendo resolver mistérios insolúveis e você diz que você é o joguete do... Espera. ISSO É SHAKESPEARE. – Gritou como uma fã alucinada fazendo o guarda pular de susto agitando seus cachinhos. – Mais um motivo para você colaborar comigo. Irmandade dos... Fãs de Shakespeare!

As feições do loiro relaxaram e ele sorriu com doçura.

– Não sou um fã das obras do Sr. William, apenas as conheço. – Corrigiu encostando-se à parede da “cela”.

– Sério, qual é o problema dos Salvatore com o melhor escritor de todos os tempos? Vocês merecem uns chutes na bunda como diz a Jô. – Retrucou carrancuda aumentando o sorriso do outro. – Eles por sinal vêm me salvar, você sabe né?

A garota sentou-se no sofá a metros de distância do anjo e ajeitou o cabelo em uma pose metida.

Stefan suspirou cansado.

estão fazendo isso. Só a sua cantoria não seria responsável pela ira que demonstrei. – Contraiu os lábios com óbvia chateação. – Damon já destruiu quatrocentos anjos do nosso setor e temo que os números só aumentem. Ele está mais... Forte.

Ouvir o nome do demônio fez com que o coração de Elena se preenchesse com uma sensação de felicidade e vazio ao mesmo tempo. Não sabia quantas horas estava presa, mas sentia tanta falta dele que chegava a doer.

– Stefan, não precisa ser desse jeito. – Tentou fazê-lo ouvir a voz da razão com um olhar suplicante. – Solte-me e tudo ficará bem.

Algo na sua frase o deixou um pouco mais contrariado.

– Um combate é sempre ruim, Srta. Gilbert... Mas em certos casos é necessário. A última criatura maléfica que invadiu o mundo só o fez porque acreditamos que ela nunca seria um problema. Era só uma criança quando soubemos que seria a Besta e após uma leve avaliação o soltamos... Anos depois o homem praticamente dizimou o planeta. – Ponderou ajeitando mais sua postura, dobrando o joelho e apoiando um pé na parede. – Mesmo que não acreditemos que você seja o segundo Therion, é melhor nos precavermos.

A garota revirou os olhos, chateada demais para discutir. Querendo ou não o anjo estava sendo sensato nos termos dele.

– Depois não reclame quando o nosso time dizimar o seu. – Provocou como uma criança birrenta passando a deitar no sofá de couro.

– Fala como se fosse um deles.

Seu tom fora tão cheio de ódio e repúdio que ela o olhou mais atentamente para ver se ele ainda passava aquela aura angelical.

– Porque você tem tanto ódio assim dos demônios? Olha o Cachinho ali, ele não simpatiza com os servos de Lúcifer, mas não os odeia... Odeia Cachinho? – Ambos fitaram o menino da guarda que balançou a cabeça em negação com uma pureza infantil tão fofa que ela queria apertá-lo. – Viu? Não tem porque nutrir esse sentimento, prender seu irmão em selos ou repudiar sua família...

– Eles são a escória do mundo. O lixo da humanidade. Acha mesmo que não merecem meu ódio? – Exasperou-se ainda naquele tom calmo angelical a olhando de uma forma que lembrou Damon quando estava furioso.

A garota balançou a cabeça sentando-se novamente para ficar com um ar mais altivo.

– Essa “escória” é a sua família Salvatore! Você acha mesmo que eu amo tudo o que os meus familiares fazem? Ou que temos as mesmas opiniões? Porque não temos, mas isso não anula nem nunca anulará o fato de que eu sou parte deles. – Ralhou como uma professora censurando um aluno. – Se reconhecemos os erros uns dos outros, temos que reconhecer as qualidades também! E se quer saber eu antes tinha um conceito parecido com o seu sobre demônios, mas agora os prefiro a vocês.
Anjos ficam por aí fazendo encenações do quanto são bonzinhos quando na verdade só repreendem os sentimentos que têm, enquanto eles se assumem com suas imperfeições e tudo mais. Vocês são falsos e eles sinceros! E o Lúcifer que você tanto critica deveria ser uma espécie de ídolo para você, Ok? O cara pode não ser uma figura a ser seguida no aspecto das virtudes religiosas, mas nas filosóficas sim. Era um dos anjos prediletos de Deus, possuía tudo: amor, conforto, companhia... Mas ele discordava da atenção que o chefe dele dava aos humanos por inveja ou sei lá. Ou seja, ele discordava de um sistema político mesmo que ele estivesse em posição confortável e ainda assim teve coragem o bastante para sair da mordomia e ir atrás das próprias filosofias. Ele lutou pelo que acreditava como... CHE GUEVARA ou RAMBO!

O anjo guardião riu um pouquinho lhe dando uma piscadela como se admirasse seu discurso louco e ela devolveu um sorriso.

Ela havia acabado de defender Lúcifer mesmo? Isso era preocupante.
Ignorou seu surto de advogada do Diabo encarando um Stefan sem reação como se repassasse na cabeça linha por linha do que a humana falara.
Era estranho, mas não se arrependia de nenhuma frase dita.

– Cuidado com o que diz Gilbert, isso pode depor contra você no caso do Therion. – O irmão de Damon murmurou desencostando-se da parede e saindo da cela sem nenhuma outra palavra.

Cabeça dura!

Grunhiu fazendo um coque improvisado no cabelo vendo que o guarda a olhava com curiosidade.

– Acha que fiz mal em deixar meu sequestrador chateado, Cachinho?

O anjo balançou a cabeça em negativa.

– Um pouco de verdade sempre é bom. – Respondeu com uma voz melodiosa que o deixava mais adulto.

A garota sorriu em resposta e se ocupou em brincar com seu medalhão distraidamente. Deveria ter combinado algum Código Morse de queimaduras com Damon para avisá-lo que estava bem, que o amava ou algo assim.
Ele com certeza já sabia seu paradeiro, o problema era como invadir um ambiente protegido por Jeová.

Lembrou-se risonha de como ele a resgatara no depósito de Elias quando fora sequestrada. Recordava-se vagamente da Outra levando broncas do demônio que havia descoberto seu sumiço graças ao pobre Matt. Após a mensagem brincalhona de “socorro”, o loiro foi até a casa dos Gilbert ver se estava tudo bem e mostrou o recado para Damon. Ficaram horas a procurando sem ter nenhum paradeiro e só a encontraram quando ela pôde apertar o medalhão.
Desde esse dia, era sempre o seu primeiro impulso. Chamá-lo.

– Como você imagina Deus fisicamente, Elena? – O anjinho perguntou segurando duas das barras da grade e a tirando dos devaneios.

Hmm, essa era uma pergunta complexa.

– Antes imaginava ele como um velhinho barbudo estilo Papai Noel, mas depois que vi “Todo Poderoso” só consigo imaginá-lo como o Morgan Freeman. – Respondeu, cruzando as pernas sob o sofá em uma pose de meditação, curiosa com a pergunta do guarda.

Ele sorriu e repentinamente uma luz inigualavelmente forte começou a moldar seus traços o transformando no ator que ela dera como referência.

A menina quase caiu no chão esfregando os olhos incomodados pelo brilho forte.

– Perdoe-me pela pergunta, mas sempre procuro sondar que imagem eu posso adotar para não causar sustos. – O homem negro de feições simpáticas e ar doce sorriu, buscando uma cadeira no canto e sentando-se de frente para ela. – As vezes é um problema, me acostumo tanto a atender às aparências físicas que os humanos pedem que quando volto à minha forma original -apenas energia- é perturbador.

Ok... O anjinho era Deus. É... Tudo bem. Não era motivo para surtar e entrar em choque.
Acontece todo dia!

O homem riu demonstrando que lera seus pensamentos.

– Deseja que eu volte outra hora, criança?

Engoliu em seco fazendo que não com a cabeça. Tinha uma série de perguntas para fazer e, além disso, a presença da entidade deixava o ar tão leve e mágico que era impossível não querer aquela companhia. Como se todos os seus medos e inseguranças morressem (efeito muito parecido ao de Damon em seu corpo).

– Porque no fundo, é o amor que provoca essa sensação. – Respondeu ao seu raciocínio mental.

Ela assentiu um pouco incomodada com a ronda na sua cabeça e resolveu entreabrir os lábios e começar a verbalizar logo o que sentia.

– Onde você esteve esse tempo todo?

Sua pergunta vinha com um pouco de raiva.
Não questionava só sobre os dezessete anos que ele passara ausente em sua vida, mas sobre os bilhões em que o mundo existia em guerras, destruições, dor e sofrimento. Não culpava os outros deuses, pois todos possuíam características humanas e irracionais como qualquer pessoa, mas aquele ser que se diferenciava tanto das outras entidades mitológicas não se adequava nisso. Um cara onipresente e onisciente, como todos tanto repetiam, deveria dar conta de deixar o mundo perfeito.

Um longo suspiro com pesar escapou pelos seus lábios.

– É o que sempre me perguntam. – Murmurou com sua voz leve calmante. – Minha resposta é: Estava no lugar no qual pediram que eu ficasse.

Elena o encarou e sentiu uma confusão a invadir.

– Eu sou um menino que recolheu várias formigas em uma caixa de papelão e resolveu criar o seu mundo com igualdade e bondade. Sempre buscando alimentá-las com açúcar e folhas, fazer micro objetos confortáveis e encher de terra o papelão para que elas pudessem fazer moradias próprias. – Continuara querendo desfazer os nós da cabeça da humana. – O inicio foi bom e gratificante, mas as formigas começaram a desejar mais do que aquela utopia. Elegeram uma líder e grupos sociais, começaram a regular a quantidade de açúcar de acordo com o que julgavam justo e por último começaram a destruir a caixa de papelão para colocar alguns pedaços em suas casas como enfeites. Para mim, pobre menino, elas tinham destruído a maravilha que eu criara, mas para elas eu era só um empecilho. Uma figura que deveria ficar inalcançável para sempre de modo a não incomodá-las e só servir como motivo de fé e revolta. Porque por mais que pedissem a minha ajuda, torciam no fundo para não obtê-la, só para poderem reclamar depois do quanto sou péssimo e do quanto as formigas precisam e são capazes de se virarem sozinhas.

A garota sentiu como se um balde de água gelada caísse sob ela. O tom divino era tão triste e doce que tinha vontade de coloca-lo no colo até ele ficar feliz.

O que estavam fazendo com ele?

Como se as imagens lhes fossem dadas começou a entender tudo que rondava o prisma monoteísta. Podia imaginar os próprios anjos ditando regras conservadoras para eles próprios. Os humanos destruindo o mundo e deturpando a fé ou pedindo realizações que no fundo não desejam porque precisam ter alguém para culpar e ficarem no confortável lugar de vítimas.

Deveria ser doloroso enxergar sua própria criação se voltar contra você. E ela desconfiava que aquele deus não era a única entidade a sentir na pele a ingratidão.

– Lamento muito por isso. – Disse em um fio de voz olhando os olhos negros que brilhavam como pedras de ônix. – Mas então você não interfere em mais nada?

Jeová sorriu tocando a mão feminina com carinho por breves instantes e respondendo assim que a soltou.

– Às vezes... Quando o caso é muito sério, mas prefiro apenas observar ou ajudar com limites humanos. Tenho dado muita sopa para mendigos. É bom, as pessoas ficam felizes e saem com a fé renovada uns nos outros acreditado que nem todos são maus assim. Sinto-me melhor com esse amor interno de vocês do que quando se voltam para o meu ar divino. Fora que da última vez que interferi para valer, como vocês dizem, crucificaram meu filho.

– O Senhor é cheio de surpresas. – Murmurara balançando a cabeça de modo divertido. – Aliais... Porque quis falar comigo? Eu meio que estou apaixonada pelo filho do seu arquirrival, sabe? – Falou embaraçada coçando o cabelo só por coçar.

Novamente ele riu.

– Porque você foi uma das poucas formigas que não pediu nada, mas mereceu ajuda. E quanto ao meu “arquirrival”... Posso falar algo que vai abalar seu mundo? – Sussurrou brando com um ar brincalhão. Ela assentiu freneticamente inclinando-se mais para ouvir cada vírgula da noticia paralisante. – Não tenho problemas com Lúcifer.

Os olhos castanhos o fitaram um pouco estreitos como se calculassem a veracidade daquilo e ao notarem que a afirmação era sincera se abriram em choque.

– Você está brincando, não está?

Ele sorriu de um jeito que deixou à mostra covinhas.

– As pessoas esquecem que Lúcifer, antes de tudo, também é meu filho. – Respondeu tranquilo entrelaçando os dedos em cima das pernas. – E o discurso que fez sobre “família” foi completamente aprovado por mim. Eu e ele discordamos em quase tudo, e torço todos os dias para que em uma manhã ele se dê conta do que fez e volte a ser o anjo sorridente que era, mas ainda assim, até se nunca o fizer e continuar pregando a destruição, não deixará de ser parte de mim nem de ser amado.

– Sério? Mesmo ele machucando tantas pessoas?

– Vocês vivem machucando uns aos outros com crueldades maiores que a dele e continuo os amando. – Respondeu erguendo os ombros por mínimos milímetros e os abaixando. – Uma das melhores coisas do amor é que ele é capaz de crescer até em um ambiente hostil de puro ódio.

Elena umedeceu os lábios refletindo por alguns segundos sobre aquilo.
Sempre estranhara que um Deus que era só amor e bondade fosse tão mal em certas ocasiões da Bíblia, mas, agora que O conhecia, simplesmente entendia que aquelas folhas de papel nunca conseguiriam captar a docilidade e genialidade Dele.
Ele era muito melhor do que diziam.
E subiria ainda mais no seu conceito se respondesse mais umas perguntinhas triviais...

– Sim, eu sei quem é a criatura da qual falam. Não, não contarei quem é e não pretendo interferir a principio. Tenho esperança que a própria pessoa se dê conta do lado bom que existe nela e retroceda. – Antecipou-se respondendo a todas as perguntas não verbalizadas pela humana.

A garota bufou cruzando os braços de frustração.

– Você poderia mudar tanta coisa se falasse!

Ele riu desentrelaçando os dedos das mãos e levantando-se da cadeira.

– Uma das melhores coisas que já criei em parceria com outros deuses foi o mar. Veja o mar, Elena... Ele não avisa quando vai lançar ondas mais fortes ou quando irá ceder a correntes marítimas. Não sabemos qual será o dia em que seremos queimados por águas vivas ou acharemos pérolas e conchas belas trazidas pelo azul-esverdeado. Com isso ele ensina aos humanos a lerem os seus sinais e pararem de querer controlar tudo. Quando se está no mar só duas coisas importam: Saber se defender, no caso nadar, e saber que tudo será imprevisível e que é melhor se deixar levar pelo que a água salgada lhe reserva. – Discursou filosófico a lembrando do seu professor de história que amava comparações com o oceano. – Você sabe nadar, Elena?

Ela sabia? Já havia aprendido alguns golpes de defesa, matado um demônio e... Não. A verdade é que ela não tinha virado a mulher-maravilha ainda mesmo com seu tempo esgotando.
A garota balançou a cabeça em negativa

– Eu acho que sabe. – Disse simpático apoiando a mão em seu ombro como forma de conforto. – Você já tem tudo o que precisa Elena, só deve se dedicar nos pontos certos com mais sabedoria e se levar mais a sério.

Não soube se foi o toque tão gentil ou suas palavras, mas o fato é que se sentiu imediatamente renovada e feliz.
Sim, ela faria isso.

– Obrigada Cachinho. – Despediu-se o vendo se afastar e sair da cela com uma suavidade e elegância dignas de inveja.

– Ah, sim. – Girou o corpo a olhando de lado. – Não esqueça que as vezes não dizer “eu te amo” não significa que não exista amor.

Ela assentiu sem entender muito bem o ponto. Ele falava de Stefan que não admitia sua relação com a família?

– E um segundo conselho, que é o motivo pelo qual vim... A mãe de Damon está nesse prédio, porque não a procura já que seu guarda sumiu? – Brincou com uma piscadela e se dissolveu no ar.

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POV- A amiga distante.

Ofegou mantendo-se firme mesmo com o aperto de Lucy em seu pescoço. Sentia as batidas confusas do seu coração ditando um compasso que aprendera a seguir depois de muitos erros e derrotas.
Esperou sua pele arder e conjurou um espectro que eletrocutou a morena fazendo com que ficasse imóvel e a atirasse para o lado.

Bonnie se levantou apoiando as mãos nos joelhos em busca de ar, mas percebeu que não possuía tempo para descanso. Lucy já estava de pé novamente.

Lidar com conjurações infernais sugava toda a sua energia e teria que buscar um elemento que fosse mais rápido, então se concentrou no chão sentindo que era feita do mesmo elemento “terra” e fez com que uma cratera se abrisse aos pés da sua rival.

Infelizmente o truque era velho, ela pulou para o lado no momento exato e com seu maldito cajado mágico ergueu a ruiva na altura das nuvens em uma paralisia amedrontadora.

Antigamente Bonn choraria e pediria para parar sentindo-se claustrofóbica, mas agora já se acostumara.
Raciocinou rápido sugando da própria prisão a energia suficiente para reverter a magia e lançar contra a sacerdotisa híbrida que imediatamente caiu no chão parecendo atônita com a novidade.

Tanto Lucy quando Sheila não gostavam das suas improvisações, mas eram nelas que Bonnie se dava bem.

Ok ruivinha, você venceu essa. – A morena declarou com um sorriso cansado sentando-se no chão e gesticulando para que ela a seguisse.

O orgulho obrigou seus lábios a se repuxarem para cima animados e ela obedeceu à outra deitando na grama verde.

– Três meses de treino e você já está pronta! Na sua mamadeira tinha o quê, RedBull? – Zombara ganhando os olhos azuis revirados como presente.

Sim, estava pronta. E desejando amargamente o sangue da Besta passando por suas mãos.

Desenvolvera aquela postura quase como um trauma devido aos treinos absurdos e aos meses de puro inferno. Não se lembrava mais da garotinha que dormia com um sapo de pelúcia e usava rosa.

Agora ela apenas dormia e acordava com um único pensamento na cabeça: Vingança.

Mataria a Besta e qualquer pessoa que tentasse impedi-la.

Deve ter evidenciado isso em suas feições já que Lucy a olhou preocupada.

– Sheila não iria aprovar esse meu comentário, mas preciso dar esse conselho: Não deixe de ser a Bonnie que no fundo você é. – Disse cautelosa com os olhos dourados intensos. Ao perceber que a ruiva bufou com impaciência fitando o céu, adotou uma postura mais agressiva. – Ok, o que conhece de mim, Bonnie Bennett?

Uma pergunta sem nexo, mas resolveu responde-la com uma obediência hercúlea.

– Sei que minha avó previu que você morreria e a ajudou. Desde essa época virou da família.

A morena riu de uma forma que a prima nunca havia visto.

– Conhece a história oficial e fico grata por isso... Mas não interessa, sabe porque? Porque não reconheço mais quem fui. Fiquei pedindo por vingança todos esses anos e alimentando o ódio em mim de forma tão intensa que perdi o rumo. E sabe quando foi que eu me dei conta disso? Quando soube que o homem que eu amava estava morto por causa de uma das filhas de Lúcifer. – Cuspiu o ultimo termo com fúria. – Max Mooris era praticamente uma criança desajuizada, mas eu o amava justamente porque ele me lembrava do que eu fui um dia... Acabei perdendo ambos: eu e ele, e tudo porque estava obcecada com outra vingança.

Bonnie uniu as sobrancelhas não entendo o propósito daquilo. Foram três meses chorando como louca para perder o sentimentalismo e agora ela queria que ela pensasse na vida sentimental?

– O que está pretendendo Aislin?

– Estou tentando impedir que você seja apenas mais uma peça do grande tabuleiro do destino. Não podemos lutar contra ao que viemos predestinadas... Mas podemos ser mais do que isso. – Respondera fazendo com que um celular voasse por telecinésia caindo na barriga da dona dos olhos azuis.

As mãos finas, agora completamente arranhadas pelos treinos, seguraram o aparelho visualizando o visor triste. Diversas chamadas e mensagens de Elena, Carol, Tyler, Jeremy e até Matt ocupavam os alertas da operadora.

Lembrou-se com melancolia daquela vida que tinha e que por mais que não fosse perfeita, era a sua.
Ao mesmo tempo, sentia que era inútil procura-los. Já não era a mesma e sabia que eles também deveriam ter mudado naqueles meses.

Não. Seu lugar era ali, treinando. E logo depois seria em cima da Besta cravando uma faca amaldiçoada em seu coração.
Devolveu o telefone para Lucy com falta de interesse e a morena reagiu com um suspiro.

– Ainda tem um mês para o grande baile, vá visitar sua amiga Elena. Soube que ela tem estado mal ultimamente.

A ruiva ergueu a cabeça a olhando preocupada. Lenna era sua irmã, sua melhor amiga e estivera com ela sempre. Era óbvio que falar nela fazia com que a nostalgia a mandasse à Mystic Falls só para saber se estava tudo OK.

– Vá, aproveite e cheque pistas sobre a Besta, assim vira uma viagem de diversão e trabalho. Eu acoberto você. – Incentivou piscando. – A vovó Bennett não vai ficar sabendo, prometo. Faço algum truque para ludibria-la ou invento algo.

Pela primeira vez naquelas ultimas semanas Bonnie sorriu de forma sincera.
Não se sentia fraca viajando, pois também tinha um propósito profissional. Era a solução perfeita!
Assentiu uma vez para Lucy, levantou e foi arrumar suas coisas. Quase sentia a leveza de antes recuperada, quase se percebia como ela mesma.

E foi bom estar tão imersa naquele momento de felicidade. Assim não tivera que ouvir a conselheira de olhos dourados cochichar para Sheila que tudo saíra como o planejado.

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POV – Elena Gilbert.

A sala era um pouco mais confortável e luxuosa que a sua e não possuía grades como a cela de cadeia em que ficara.
O que indicava que a bela mulher lendo um livro estava ali por livre e espontânea vontade mesmo que algo sugerisse que recebesse poucas visitas e fosse meio infeliz.

Elena parou no umbral da porta sem coragem para continuar. Tendo cuidado de Damon ou não, aquela era sua sogra. Tipo, SOGRA.
E sogras sempre mereciam noras observadoras e cautelosas mesmo que algumas fossem “super” legais.
Resolveu passar o tempo necessário para acalmar seu coração a observando. Era extremamente jovem, talvez conservando a aparência de quando morrera.

Seus cabelos eram longos e cacheados caindo em uma cascada dourada por suas costas. A pele era bronzeada e leves sardas brotavam em alguns pontos específicos.
Vestia um vestido azul longo e lia algum conto antigo dos irmãos Grimm, tão distraída que Elena podia jurar que mesmo que gritasse seu nome não ouviria.

Estava terrivelmente errada.
Lívia a olhou com espanto e depois suavizou a expressão.
Definitivamente não era comum que recebesse visitas.

– Oi. – Lenn corou encarando os olhos verdes iguais aos de Stefan. Aliais Damon deveria ter puxado mais para o Diabo, pois não parecia quase em nada com ela. – Desculpa incomodar é só que... Eu fui raptada e aproveitei para fazer uma visita. Sou a namorada do seu filho mais velho.

As sobrancelhas loiras se ergueram em surpresa e um sorriso encheu seus lábios grossos.

– Meu pequeno Damon... As vezes esqueço que ele já não é mais tão criança assim. – Riu estendendo a mão como se a convidasse a ir até ela. A garota obedeceu entrando no cômodo e tocando os dedos finos da sua sogra. – Ele tem bom gosto. – Elogiou gentil fazendo a filha dos Gilbert corar.

– A senhoraa...rita... VOCÊ. Você é que é linda.

Lívia riu.

Grazie Mille, é bondade sua dizer isso. Posso saber seu nome?

– Elena. – Murmurou sentando-se ao seu lado no chão e fitando a rica capa do livro que fora esquecida ao seu lado.

– Significa Luminosa ou bonita se eu não me engano. – O seu indicador se apoiou sob os lábios em uma pose pensativa. – Combina com você apesar da carga negativa que a Helena de Tróia incutiu.

A humana assentiu sem graça pensando no que Rebbekah falara enquanto estavam no corredor do colégio. No fim, a maldita loira tinha acertado.
Havia sido raptada igual a princesa grega e agora Tróia estava sendo atacada (o que era bem feito).

– Mamãe brincava que por isso ela resolveu tirar o “H” do meu nome. Disse que foi ele que deu má sorte. – Comentou brincando com os dedos fazendo a bela italiana rir.

– Queria ter conseguido fazer isso com meus filhos. Conversar sobre seus nomes... – Um suspiro desolado ecoou. – Como ele é? Mio figlio?

Foi impossível não escancarar os lábios ao falar de Damon.
Passou horas citando e recitando todas as qualidade, frases que ele dizia ou o quanto ele tinha um lado bom mesmo sendo um demônio.
Lívia ria das histórias e pedia para ela contar de novo fazendo mímica das suas expressões e coisas do tipo.

Ela era simplesmente incrível! A mulher mais doce e maravilhosa que já conhecera. Seu sotaque italiano e tom de voz caloroso pareciam tão aconchegantes e familiares, como se ela fosse sua amiga há anos.
A garota desconfiava que a causa para a empatia era Jenna que as vezes imitava vários sotaques para animar ela e o irmão. Ah... Jenn! Torcia tanto para que sua tia estivesse bem.

A Sra. Salvatore, muito atenta, fez algumas perguntas sobre o que a deixara triste de repente e ela se contentara em dar informações mínimas e passar rapidamente para o assunto Stefan.
Não sabia muito do anjo, mas comentou algumas coisas sendo bem gentil para não traumatizar a pobre mulher.
Ela ouviu com os olhos brilhando como brilharam com Damon e as duas começaram a conversar sobre literatura.
Liv, DEUS SEJA LOUVADO, gostava de Shakespeare!

Falavam sobre a morte trágica de Ophelia quando ouviram o primeiro “boom”.

A estrutura toda tremeu enquanto Lívia colocava as mãos na cabeça de Elena a abraçando para protege-la de possíveis pedaços do teto.
Felizmente, as pedras pequenas não caíram em cima delas.

Outra explosão estourou e as duas gritaram por reflexo ouvindo ao fundo gritos e ruídos de combates.

A garota estremeceu rezando para que Damon e Johanna não se machucassem.

Um terceiro impacto forte as sacudiu e Stefan entrou na sala correndo e a carregando, se aproveitando de quão atônita ela estava.

– O que você está fazendo seu idiota? CARREGUE LÍVIA! – Os olhos castanhos encararam a mulher com a expressão melancólica e voltaram para o rosto do anjo. – Você ficou surdo? É a sua mãe.

– O concreto não consegue machuca-la e o perigo real está lá fora Elena. Outro anjo já está vindo cuidar dela. – Murmurou andando em direção a porta enquanto a garota protestava agoniada.

– Está tudo bem, dulce. Ficarei protegida.

Não, não ficaria. Aquilo era um absurdo!
Tentou se desvencilhar fazendo escândalo, mas aos poucos a voz persuasiva da loura fez com que algo se anestesiasse no seu corpo e ela assentisse contrariada e triste.

– Eu vou voltar Liv, eu vou reunir vocês todos. – Prometeu sentindo em seu íntimo que realmente conseguiria.

A outra, entretanto, já não tinha tanta certeza assim.

Arrivederci, meu bem. – Sussurrou quase inaudível com o outro estrondo chacoalhando tudo.

Stefan prosseguiu velozmente e Elena só pôde segurar seu pescoço para não cair no chão.

De nada adiantara falar de família com aquele idiota metido a fabuloso.

O cenário lá fora era irreconhecível. O Setor 234 do Paraíso responsável pela parte Católica do Monoteísmo (como a placa semidestruída indicava) estava em puro fogo e corpos sangrentos espalhados pelo gramado como um tapete de pesadelos.
Esculturas caiam, espadas se beijavam e ventanias e trovões soavam.

Procurou, enquanto atravessam o cenário, por Damon, mas não o encontrou.

Jô, no entanto, estava bem visível combatendo dois anjos com seu característico jeito zombeteiro.
Ao lado, um homem tão lindo quanto os irmãos Salvatore a ajudava trocando “selinhos” com ela quando derrotavam algum anjo de modo muito impressionante.
Veio à sua memória que deveria ser Bran, o namorado traído da sua guardiã e irmão de Damon.

Outras beldades também desfilavam nos combates de ambos os lados. Era impossível decidir se anjos ou demônios eram mais bonitos (embora existissem horrorosos de ambos os lados).

A garota se fixou nos que possuíam olhos acinzentados como os de Damon e percebeu pesarosa que uma mulher jazia caída com as órbitas muito abertas enquanto um anjo tentava reanima-la completamente desesperado.

Cena estranha, mas não conseguiu tirar mais informações, já estava no portão que permitia o teletransporte.

Portão esse em que Rebbekah aguardava.

– Stefan, leve-a para o outro setor enquanto controlamos a área aqui e depois volte para nos ajudar com os feridos.

Ah, então ela era a chefa da gangue.

Elena encarou a loira imbecil sentindo o ódio queimar e Stefan se virou tirando-a da visão privilegiada da bruaca como se temesse que a humana conseguisse mesmo mata-la só com o olhar.

– Farei isso e volto. – Disse seu raptor fazendo tudo escurecer.

A garota começou a traçar um plano maquiavélico em sua mente envolvendo uma corrida maratonista e alguns socos de direita em Salvatore.

Ela tinha cansado daquela vida de prisioneira e acabaria com aquilo ou morreria tentando!

Abriu os olhos percebendo que finalmente chegaram ao se... Seu quarto.
Estavam no seu quarto.

Foi colocada no chão cautelosamente e virou-se para olhar Stefan com a pergunta formulada nas íris castanhas.

O anjo fitou o chão parecendo envergonhado e suspirou.

– Você tinha razão. Eles são a minha família. – Disse simplesmente. – Agora preciso soltar Damon. Os arcanjos se juntaram para lutar contra ele e depois dos três feridos resolveram barganhar a sua soltura se ele se entregasse. Meu irmão fez isso, mas o plano angelical não era cumprir a palavra... Eu, entretanto, tenho honra o bastante para assumir os meus compromissos. Prometi para ele naquele corredor que protegeria você e, embora ele tenha recusado, ainda parece válido para mim.

Elena assentiu uma vez com um meio sorriso, mas seu coração estava apertado demais ao pensar em Damon enfrentando três arcanjos e sendo enganado.

Se pudesse, trocaria sua vida pela saúde dele.
Damon que, mais do que ninguém, era um joguete do destino.
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Notas finais
OOOOOOOOOOOLD MACDONALD HAD A FAAAAAARM, E,I,E,I,O

~le dança~

HUAHAUHAUSHUAHSUAHUS Parei ;x