Demônios
16 Capítulo 16: Um emprego, cordas e ludo
Notas iniciais
Jamais havia tomado atitudes semelhantes antes. No momento em que Neji deixou bem claro que teriam de escolher entre o dia ou a noite para permanecerem com eles, foi como se parte de sua mente tivesse sido apagada ou o inconsciente imediatamente ativado. Teria de largar o emprego na lanchonete, com toda certeza. Do mesmo modo que, havia acabado de optar qual parte do dia iria estar com ele e nada mais: à noite. Não iria dormir uma mísera hora se estivesse de permanecer longe dele, aquela casa já chamava por ela, podia sentir. Não sabia o que havia ocorrido consigo para arrombar aquela graciosa porta amarela da maneira como havia o feito, mas, não se arrependia. Não pensaria em nada que pudesse retirá-la dali, que pudesse retirá-la... Dele. Sakura e Ino estavam corretas, ela, como sempre, havia pegado outra vez a trilha errada... Tinha prometido a si que todos os momentos diante daqueles marcantes olhos azuis seriam verdadeiros, então? O que tinha a perder? Nunca havia encontrado um homem como ele, alguém que fosse capaz de dar a ela a coragem que sempre lhe faltou nas veias. Estaria ligada a ele até o último minuto daquela maldita missão. Não pensaria no fim... Não voltaria ao início... Somente guardaria aquele momento com ela. Para o resto de sua vida.
Separando-se de Naruto, Hinata sorriu. Deveria estar tão vermelha quanto suas sapatilhas, mas não se importava. Pela primeira vez, não abaixaria a fronte na tentativa de inibir sua face rubra. Ele também sorria, o mais radiante dos sorrisos. Serena, a Hyuuga o beijou novamente, entrelaçando suas finas mãos por entre os loiros cabelos do Uzumaki. Ele não a tomava, não avançava sem que ela cedesse e o fato a fazia sentir-se segura. Tão segura a ponto de entrelaçar sua língua a dele e ajudá-lo a erguer-se do sofá. Aquela casa não era comum, ele não era comum, talvez... Ela também não fosse.
Segurando-a pela cintura, Naruto fazia menção em tomar o caminho de seu quarto, no entanto, ela o puxara, sorrateira, para que permanecessem na sala. Ainda não acreditava em todas as palavras dela, não conseguia as processar. Era algo positivo demais para ser totalmente real. Ela havia voltado. Havia voltado para ele... Arrombando sua porta e não importando-se com o frio da noite, que estava a cair no céu. Ela estava mesmo convivendo bastante com ele, nunca imaginara que ela pudesse entrar em sua casa daquela forma, tão pouco apresentar tamanha coragem. Sabia que Hinata era retraída ao seu modo, perguntava-se se ela detinha mesmo certeza do que estava a fazer. Colocando-a em cima do grande aparador da sala, o loiro derrubou todos os objetos presentes neste, jogando-os ao chão.
_ Tem certeza que é... mesmo isso que quer? Eu posso parar se... – se manifestou Naruto, sentindo as doces mãos dela acariciarem seu cabelo de maneira apressada, não muito carinhosa.
_ Não. Não tenho certeza. Mas também não quero ter. – respondeu Hinata, o tom de voz baixo, seguro.
Confuso, o Uzumaki respirou fundo, lentamente. Não gostaria que ela fizesse nada por impulso, tão pouco que se arrependesse depois, não sabia se iria suportar este fato. Desapontado, o loiro se afastou, caminhando vagarosamente até próximo do sofá. Queria que ela tivesse certeza. A mesma certeza que ele tinha em querê-la...
Descendo do aparador, Hinata o rodeou pela cintura, apoiando sua cabeça sob o ombro de Naruto. Não compreendia o que havia acontecido com ele, todavia, faria de tudo para que ele se sentisse confortável. Sabia que ele tivera a infância brutalmente interrompida, que tivera de se acostumar à solidão, se adaptar a sua própria sina. Ele carregava seu cruel título de monstro e, mesmo assim, sorria a cada dia. Construía sua felicidade sem ter concretos motivos para sorrir.
_ ... Não quero que se arrependa por minha causa. – proferiu o loiro, rouco.
Virando-se de frente para ele, Hinata olhou-lhe nos olhos.
_ Eu nunca me arrependeria de nada que envolvesse você... Naruto... Eu não sou tão corajosa quanto minhas amigas, mas... por você, eu aprendi a encontrar esta coragem. – afirmou a Hyuuga, sincera.
Sorrindo, o loiro pegou-a no colo sem pedir qualquer licença, suspendendo-a no ar de modo brusco e levemente divertido. Nada poderia conter sua emoção, mal acreditava nas palavras de Hinata! Surpresa, ela não contestou, olhando-o nos olhos. O brilho costumeiro daquelas duas peças azuis estava aumentando, talvez numa proporção que ela não pudesse de fato medir.
_ Naruto! – exclamou Hinata, observando-o enquanto o loiro adentrava o quarto a passos rápidos.
_ Eu prometo... – iniciou o Uzumaki, colocando-a gentilmente em sua cama. Demonstrando várias expressões em uma, Naruto confessou: _ ... Eu queria dizer algo bonito, mas não sei o que prometer!! Nunca fui muito bom com isso, era um desastre nos poemas do colégio.
Rindo, Hinata levou delicadamente uma das mãos até a camisa alaranjada usada por ele, ajudando-o a retirá-la.
_ Não precisamos disto, eu também sempre fui muito tímida para recitar poemas em classe... – revelou Hinata, doce, sentindo-o desatar os traçados de seu vestido florido, aos poucos, com certa lentidão.
Aproximando-se, a Hyuuga colou novamente seus lábios aos de Naruto, que deslizando as mãos pela macia pele de Hinata, já terminava de desatar a delicada peça usada por ela. Estendendo os braços, obediente, ela permitiu que ele enfim terminasse de retirar seu vestido, jogando-o em um canto qualquer do desorganizado quarto.
_ Nossa... – comentou o loiro, incrédulo. Tinha uma certa percepção que os seios da Hyuuga deveriam ser grandes, no entanto, a imagem que lhe invadia os olhos não se aproximava dos vagos fleches em que imaginou.
Não compreendendo muito o comentário de Naruto, Hinata sentiu outra vez sua face esquentar. Havia alguma coisa errada com a lingerie azul que trajava? Era bem semelhante as que Ino usava, tinha pensado que o loiro fosse gostar. Entretanto, não poderia permitir que aquela falha a inibisse, ela havia decidido, não iria voltar atrás.
Engatinhando pela cama, Hinata deixou que seus cabelos caíssem por seus ombros, aproximando-se de Naruto. Estático ele a observava, mantendo um meio sorriso, vendo-a tocar-lhe no peito, ao seu ritmo, sentindo-o. A pele dele era lisa, bronzeada e tão distinta da sua, que nunca alcançara um tom mais dourado... Todavia, era a mais linda das peles, assim como o formato de seu abdômen, bem definido para um rapaz que permanecia grande parte do tempo em casa, assistindo tv ou devorando tigelas de lamén. Certamente seria uma intervenção natural do demônio. Intervenção que ela não tinha nada a criticar.
Suspirando, o loiro a sentia desatando o cinto que usava em sua calça jeans, com certa pressa que estava embaçando-lhe a visão. Ela era a mais linda das criaturas, estava acima das flores. Porém, era a mais excitante e viciante também. “Droga...” pensou Naruto, constatando que, somente por observá-la daquela maneira, posta com os joelhos na cama e, a pouco também as mãos, seu membro começava a latejar, o que lhe impediria de tornar aquela noite especial como tinha em mente. Sabia que era um desastrado de plantão, não conseguiria ir devagar e lamentava-se por isso. Mas ela também não pretendia conter a pressa, retirou logo a calça jeans que ele trajava, jogando-a também para longe da cama.
Mordendo um dos lábios, Hinata sorriu em seguida, ele a desejava e, como não aparentava estar disposto a ultrapassá-la em sua ânsia, aquilo lhe dava mais e mais coragem. Se Ino desvendasse seus pensamentos naquele instante, teria motivos suficientes para devolver cada resposta em choque que proferiu, quando assustava-se com os relatos sexuais da amiga. Travessa, a Hyuuga permitiu-se pela primeira vez retirar suas próprias peças em uma transa, mediante ao olhar hipnotizado de Naruto. Sentia-se excitada e, saber que ele não teria qualquer intenção em feri-la a ajudava a prosseguir em suas ideias. Beijando-o de forma ardente, o auxiliou a tirar sua box preta.
Arfando, Naruto sentia suas garras não o obedecerem e, fechando os punhos com força sobre o lençol, o rasgou. Os lábios lascivos dela lhe percorriam o pescoço, mas, não poderia tocá-la ou iria arranhá-la. Aquilo era a pior das torturas, simplesmente não conseguia controlar a “coisa” dentro de si, como se referia. Acariciando-o com carinho nos braços e abdômen, Hinata o ouvia grunhir, e debater-se levemente. Mas, continuou com suas carícias envolvendo seu principal alvo: o membro túrgido do loiro. Emitindo um rugido, Naruto parou-a segurando-a pelos braços.
_ Me amarra!!! – exclamou Naruto, sentindo as marcas em seu rosto começarem a surgir.
Assustada, Hinata o olhou interrogativa, foi então que notou as garras a cortar o lençol, e as marcas a delimitarem a singela face do Uzumaki.
_ Me amarra!!! Estou falando sério!!! – repetiu Naruto, ofegando.
Afoita, Hinata ergueu-se da cama sem importar-se com sua nudez e correu em direção a sala, onde havia alguns objetos campistas sobre um chapeleiro antigo. Retirando uma corda, a Hyuuga retornou correndo ao quarto, fazendo exatamente como o loiro indicara, amarrando-o na cama.
_ Tem certeza que está bem? – perguntou Hinata, colocando-se sobre ele.
_ S-Sim... Só não deixe que isso... Arg... Solte! – orientou Naruto, respirando com dificuldades.
Beijando-o com esmero, Hinata o analisou, ele estava levemente vermelho. No entanto, queria aquele momento tanto quanto ela, não poderia abandonar tudo aquela altura. O desejava e sentia que ele também, mesmo que ele rugisse ou se debatesse, só pararia se ele indicasse.
Determinada, ela voltou a acariciá-lo no pênis, vendo-o jogar a cabeça para trás como consequência. Ele parecia ir se acalmando, no entanto, não era uma calma considerável. Prosseguindo com movimentos frenéticos e combinados a outras carícias, ela o ouviu rugir mais uma vez, sentindo-o crescer em suas mãos. Não perdendo um segundo a mais, ela sentou-se sobre ele, um pouco receosa, mas, estava gostando. Sentindo-o se movimentar, raivoso, ela fez o mesmo, subindo e descendo com certa pressa.
_ N-Naruto... – ela o chamava, por certo aquela era a mais estranha transa que estava tendo em sua vida, entretanto, era a mais envolvente, sentia-se totalmente preenchida por ele.
Ele lhe respondia com rugidos, tentando se soltar. Firmando-se sobre ele, Hinata jogou os cabelos para trás, não importando-se o descer e subir de seu corpo. Ela o queria mais depressa. Acelerando os movimentos, a Hyuuga emitia sôfregos gemidos, acompanhados pelas arfadas e rugidos do loiro. A cama rangia e, aquele som a fazia sentir-se como em grande altitude. Com um grito, Hinata sentiu seu corpo se contrair, assim como uma súbita invasão de prazer lhe tomar. Mas ele não gozara então persistiu, chegando a um segundo orgasmo até que ele alcançasse o seu, rompendo as cordas e derrubando-os no chão.
Ficando sobre ela, Naruto mantinha seus olhos fechados com força, sentindo sua respiração se normalizar, alguns minutos depois.
_ Desculpe... – ele proferiu, rouco, segurando-se para não cair e esmagá-la.
_ Vamos ter que arrumar mais cordas... – brincou Hinata, espalhando seus dedos pelos cabelos loiros de Naruto. _ Porque eu não estou satisfeita por hoje.
XXX
Observando o ruivo, Ino notava o modo como ele lhe olhava, inexpressivo, porém, os olhos opacos olhos verdes tinham um ligeiro brilho, de descontentamento. “Um emprego?” questionou-se Gaara mentalmente, sentindo sua respiração se descompassar a cada inspiração do ar.
_ Um emprego? – perguntou Gaara, a voz fraca devido à quantidade de sangue que expelira pouco antes dela chegar.
_ Sim... Arrumei um emprego durante o dia, irei sair ao meio-dia e voltarei por volta das sete. Irei trabalhar com minha amiga, em uma lanchonete na entrada de Konoha. – inventou Ino, receosa, analisando cada gesto do ruivo ao seu lado. Temia que Gaara não aprovasse o fato, não queria de maneira alguma ter de discutir com ele. Infelizmente, não tinha alternativa, apesar de não querer deixá-lo só por todo o dia, não poderia fazer nada.
_ Do meio-dia até as... Sete? – interrogou Gaara, sentindo uma boa dose de agonia lhe invadir o sangue. Era muito tempo, ela iria demorar muito, a queria ao seu lado, não sabia como iria permanecer tantas horas sem a presença dela a infectar a casa e retirar-lhe a dor.
_ Sim... Mas à noite estarei com você!! Podemos preparar gelatinas todas as manhãs! – exclamou a loira, em uma tentativa de animá-lo.
Cabisbaixo, Gaara respirou fundo. Repentinamente, até mesmo o ato de respirar estava difícil, não sabia se suportaria. Apavorado com a notícia, ele puxou-a pela cintura de forma brusca, levemente hostil. Não queria deixá-la ir, seu estômago já revirava outra vez, mas não tinha mais forças para vomitar. O pouco tempo que ela estivera fora havia sido um verdadeiro martírio. Estava acostumado a solidão, no entanto, parecia que a solidão já não mais o agradava e o acomodava e sim, Ino.
Emitindo um grunhido em surpresa pela ação do ruivo, Ino o olhou, perplexa. Gaara tinha a cabeça afundada em seus ombros, que começavam a ficar úmidos. Ele estava a chorar?
_ Gaara... O que foi? – questionou a Yamanaka, suave, comovida, abraçando-o com força.
Porém, ele não lhe respondera e, quando ergueu a fronte, olhara na direção dos lençóis brancos, como se não quisesse que ela visse seus olhos. Paciente, a loira o esperou respirar fundo algumas vezes, acariciando o escarlate cabelo dele.
_ Onde está o senhor ursinho? – perguntou Ino, procurando pela pelúcia na cama com os olhos.
Desviando a cabeça, Gaara indicou a ela onde se encontrava o ursinho, jogado nas tábuas frias do chão, um pouco manchado com sangue. Não compreendia o motivos de Ino querê-lo, seu velho e único brinquedo aparentava estar cada vez mais surrado. Levantando-se da cama sob o olhar interrogativo dele, Ino seguiu até o objeto, pegando-o nos braços e retornando a cama. Retirando o vestido cor de rosa, que traduzia-lhe o corpo, a loira o atirou no chão se importar-se, permanecendo apenas com sua lingerie branca.
_ O senhor ursinho está com saudades de você... – proferiu Ino, divertida, colocando a pelúcia nas mãos de Gaara, que somente a segurou.
Talvez... Aquele velho ursinho fosse a melhor das escapatórias para ela. Na verdade, quem estava sentindo a falta dele era ela mesma, mas, o peso da missão havia sido plantado em suas costas, reativado pela chegada do impotente Hyuuga. Abraçando-o, Ino deu um longo beijo na testa de Gaara, sentindo-o apertá-la na cintura como seu particular agradecimento.
_ Se eu o acordar de madrugada para que tome um pouco de soro não ficará aborrecido comigo? – interrogou a loira, esquecendo-se de um importante detalhe, logo completado por ele:
_ Não durmo. – recordou Gaara, cético.
Entretanto, naquela noite, era bem mais provável que ele pegasse no sono. Não iria conseguir dormir, apenas teria a face dele para contemplar. Sua noite estava estragada, por completo.
XXX
_ Sua vez. – indicou o Uchiha, analisando a possível próxima jogada da Haruno.
Estavam há alguns bons minutos jogando uma mórbida partida de ludo, mórbida apenas para Sakura, que estava a perder de muitas rodadas. Não estava conseguindo se concentrar no jogo, no entanto, devido à insônia que lhe assombrava em decorrer dos últimos ocorridos, uma partida de ludo fora tudo que lhe restara. Sasuke não costumava dormir cedo, ainda não via sono nos olhos ônix que a observavam com intensa atenção. Descobrira que aquele era o jogo favorito do Uchiha, que ficara contente quando ela havia lhe proposto que jogassem um pouco.
Aquela cena... Como ele havia surgido no exato momento para salvar Ino? Ele estava a segui-la? Como? Era uma das especialistas da agência em identificar qualquer movimento que sugerisse uma perseguição, entretanto, não sabia como ele havia conseguido aquela façanha. Todavia, ele havia salvado uma de suas melhores amigas, no fim, devia a ele.
Desviando os olhos em direção ao majestoso tabuleiro antigo feito em prata e cobre, a rosada efetuou sua jogada, vendo também que o dado não estava ao seu lado. Havia perdido outra vez, sua sorte realmente estava virada do avesso, jamais tivera tamanho azar antes.
_ Ganhei. De novo. – afirmou Sasuke, sorrindo, recolhendo as peças do jogo.
_ Não quer jogar mais? – perguntou Sakura, não compreendo porquê ele estava a guardar o jogo.
_ Você não quer jogar mais... Vem, lhe preparo um chá. – decretou Sasuke, deixando a imperiosa caixa com o jogo em cima de um dos aparadores da sala.
Levantando-se do imenso tapete da sala, Sakura o acompanhou, interrogativa. Ele havia dito que prepararia um chá? Não fazia ideia de que o possessivo Uchiha poderia entender algo na cozinha. Mas, como sempre costumava dizer, Ino e ela eram as piores cozinheiras do mundo, não duvidava que Sasuke estivesse bem à frente delas. Até mesmo o loiro sorridente, alvo de Hinata, deveria saber mais a respeito de culinária.
Aquela ereta postura... A maneira como ele caminhava... Todos os traços presentes nele estavam a incomodá-la. Não sabia como iria fazer para deixar aquela casa todos os dias ao meio-dia e voltar as sete. Aquilo estava a corroê-la feito o pior dos ácidos.
_ Sinto muito se não avisei que pretendia buscá-la... Estava tarde e, quando vi aquele sujeito aproximando-se da sua amiga com uma faca, não pensei muito. – revelou Sasuke, abrindo um dos grandes armários da cozinha dos Uchiha. Prepararia um chá simples, com poucas ervas, somente para auxiliá-la a dormir. Ela aprecia inquieta, jamais a vira daquele modo antes e perguntava-se o que tanto deveria ter conversado com as amigas para deixá-la sem sono. Ela dormia antes de si, ele sempre podia observá-la dormindo...
_ Realmente agradeço muito o que fez pela Ino... – assentiu Sakura, sentando-se em uma das cadeiras frente à extensa mesa.
_ Não tenho amigos... Mas, se tivesse, sei que faria o mesmo. – disse o Uchiha, concentrado o chá a fumegar no fogão.
Erguendo a cabeça, Sakura o olhou. Perguntando o inevitável em sua mente:
_ Porque não tem amigos? Não é bom ser sozinho... – argumentou a rosada, era como se todas as visões que tivesse a respeito dele voltasse em sua mente como um longo filme. Ele não dissera uma única palavra sobre a tragédia acontecida com seus pais...
_ Digamos que... Eu sempre estudei em casa, com meu irmão... Itachi... E por isso não tinha contato com as crianças de Konoha... – minimizou Sasuke, desviando os olhos, sentando-se de frente para Sakura enquanto o chá ainda estava a fumegar.
_ Seu irmão... Você parece ter gostado muito dele... Há várias fotos de vocês por toda a casa. – comentou Sakura, tocando-o nas mãos, em uma reconfortante carícia.
O que poderia revelar? O que suportaria contar? Não sabia. Tinha consciência de que ela não teria ideia do que havia ocorrido com toda sua família para deixar todo aquele bairro particular completamente vazio, com exceção dele, que fora fadado a permanecer vivo e velar todos os dias o sangue que banhara aquelas ruas e aquela casa.
_ Não se aborreça comigo... – pediu Sasuke, sabia que ela entenderia.
Observando-o, a Haruno o sentiu entrelaçar os dedos aos seus, sorrindo de canto em seguida, como em uma tentativa de inibir a dor que o invadira momentaneamente. Com os olhos sobre a mesa, Sakura inspirou fundo o ar. Nenhum outro homem havia entrelaçado seus dedos aos dela daquele jeito... Neji realmente tinha um pouco de razão. Estavam deixando-se escorregar por um perigoso abismo, sem volta. Mas, a questão que lhe pairava era: ela se deixaria escorregar?
XXX
Revirando na cama, por fim, Neji se ergueu, sentindo toda sua cólera se manifestar em suas mãos. Não era possível que fizesse tanto frio! Parecia que estava no norte da América ou até mesmo nos países nórdicos. Jamais havia sentido tamanho frio antes e aqueles edredons não pareciam aquecê-lo nem mesmo por algum decreto divino. Colocando os soltos cabelos atrás da orelha, o Hyuuga caminhou até a televisão, posta em uma simpática mesa no centro do quarto. Certamente não deveria estar passando nada considerável aquele horário na tv, porém, assistir o que quer que fosse lhe daria sono, independente do frio.
Ligando o aparelho, Neji observou o incessante chiado proveniente do péssimo sinal local. Era só o que faltava! Ele deveria ter feito coisas horríveis no passado, era a única explicação plausível para a recente droga de vida que levava. Gostaria de um novo carro, de preferência um que corresse bastante, para que conseguisse expelir sua raiva.
Voltando os olhos perolados a tv, ele cerrou os punhos, travando guerra contra o aparelho.
_ NÃO VAI PARAR DE CHIAR NÃO?!?! OKAY!!!! – gritou Neji, sacudindo a tv e retirando-a da tomada, com a mais extrema violência.
Sentando-se na cama, o Hyuuga colocou os cotovelos sobre seus joelhos, retirando seu longo cabelo da face. Não sabia como iria suportar tantos dias, até que elas se acostumassem a fazer os relatórios, naquele lugar horrível. O mundo tinha sim um fim, e se localizava exatamente naquela maldita cidade: Konoha, cujo prefeito seria processado ou não se chamaria Hyuuga Neji. Havia passado horas a tentar encontrar algum centro comercial aberto para comprar algo para tomar a noite, e, quando finalmente havia achado uma padaria aberta aquele horário, tudo que eles tinham eram uma garrafa amarga de whisky de péssima qualidade. Apanhando-a no criado-mudo, tomou um bom gole, olhando a janela aberta em seguida.
Aquele mesmo céu estrelado... Será que ela já estaria dormindo? Morava mesmo sozinha? Não conseguia crer que uma moça de olhos tão brilhantes poderia estar solteira, os garotos da cidade deveriam ser uns babacas. Com certeza. Ou, algo bem próximo. “Gaara está com febre e não posso deixá-lo sozinho...” a irritante frase daquela loira também irritante não lhe saía mais da cabeça. Nunca nenhuma de suas namoradas tivera semelhante astúcia para com ele... Não se recordava da última vez em que tivera febre, mas, não tivera alguém para cuidar de si. Talvez nunca fosse ter... Ele era seu único aliado... Havia aprendido aquele real conceito desde pequeno, desde que seu pai lhe abandonara, falecendo e deixando-o como sua mãe, que saíra de casa e jamais dera notícias...
Caminhando até a janela, Neji tocou o parapeito, erguendo a cabeça para observar a lua. “Forasteiro...” a voz dela invadia sua mente. Tão altiva, no entanto, tão comportada e discreta ao seu modo... Tinha que arrumar uma maneira de tirá-la de seus pensamentos por aquela noite ou teria problemas... Sérios problemas.
XXX
Fechando sua jaqueta, Kiba caminhava calmamente por Konoha. Nada poderia conter sua felicidade, as empresas Inuzuka estavam progredindo e, finalmente ele poderia avançar com o legado de seus pais. Sorrindo, o simpático rapaz de presas vermelhas na face cumprimentou diversos conhecidos que davam o ar da presença naquela ensolarada manhã. Passando em frente a diversas casas, ele suspirou, contente. Amava aquele lugar e, também, a mais nobre das garotas daquela cidade: Tenten. Havia comprado um grande buquê de flores para presenteá-la aquela tarde e pretendia entregá-lo pessoalmente no horário em que ela costumava almoçar.
Desatento a paisagem, o Inuzuka repentinamente caiu de seus pensamentos, localizando a casa amarela de Naruto, seu primeiro amigo que, havia tirado a vida de seu pai. Ele deveria estar o mesmo loiro desaforado de sempre, não o via a um bom tempo e aprovava aquela distância. Caminhando com as mãos dentro dos bolsos, Kiba olhou para uma das janelas da casa, aberta, aquele horário da manhã. Naruto acordado logo cedo? Algo errado estava acontecendo. Mas, não era de seu interesse e não deveria ser. Dando as costas, seguiu seu caminho, concentrado no chão.
_ Hey Kiba!!! Akamaru entrou aqui em casa!! – exclamou Naruto, pulando uma das janelas com facilidade, sendo acompanhado pelo grande e branco cão, que estava a brincar com o loiro e Hinata há alguns instantes atrás.
Virando-se, o Inuzuka encarou os olhos azuis de seu ex-amigo, sorridente.
_ Obrigada... Vem Akamaru! – proferiu Kiba, chamando o cão, que o seguiu.
_ Kiba!!! Parabéns pela sua empresa...!! – disse Naruto, sincero, notando o mesmo olhar vazio que o amigo demonstrava a ele há anos.
Com um leve aceno de cabeça, o Inuzuka prosseguiu em sua trilha, deixando Naruto a falar, sozinho, com o amigo que perdera.
Com os olhos desapontados, o loiro parou, observando a terra batida da entrada de sua casa. Ele nunca deixaria de odiá-lo.
_ Encontrou o dono do cachorro fofinho? – indagou Hinata, abraçando-o pelas costas, terna.
_ Encontrei. Pena que ele não. – afirmou Naruto, observando a sombra de Kiba sumir por entre a estrada.
XXX
Levantando-se da cama, Ino se espreguiçou, não gostava nenhum pouco de acordar cedo, mas, agora tinha um grande motivo para fazê-lo: estar com Gaara pela manhã. Havia dormido sem qualquer camisa dele, somente com a lingerie branca que estava a usar noite passada. Ou melhor, não havia dormido. Aquela era a definição mais adequada. Dormira por poucas horas somente por exaustão... Olhando o ruivo na cama, a loira caminhou, sorrateira, até a lateral da cama, beijando-o com carinho no pescoço.
_ Bom dia... – desejou ela, acariciando os cabelos de Gaara, que apenas abriu os olhos.
Sabia que ele não dormia, somente fechava as pálpebras quando o sol apontava por entre as cortinas, já que, como ele havia dito uma vez, o sol lhe feria os olhos. Ele não passara mal à noite e, aquela era uma razão a se comemorar. Tivera uma leve febre, no entanto, com alguns panos limpos e água fria, conseguira fazer com que a febre abaixasse.
_ Já está indo para seu emprego? – interrogou Gaara, receoso, com os olhos fixos em Ino.
_ Não... Ainda são sete da manhã... Só saio ao meio-dia... – respondeu Ino, erguendo-se novamente para procurar qualquer roupa sua na cômoda torta que, agora, dividiam. Tirara suas coisas das malas há alguns dias, e Gaara não se importara com suas roupas em meio as dele.
_ Irei preparar algumas torradas, suco e gelatinas para comermos tudo bem? Você precisa comer... – falou Ino, vestindo uma camisa vermelha do ruivo mesmo. _ ... Não vem?
Permanecendo imóvel na cama, Gaara somente revirou os olhos. Sentia-se desanimado, não queria levantar-se da cama e, estava sem forças.
Notando a indisposição dele, Ino se aproximou, tocando-o no abdômen.
_ Tudo bem... Eu trago seu café da manhã okay? – se propôs ela, sorrindo.
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