Demônios

11 Capítulo 11: Queime, decida-se e faça um bolo


Notas iniciais
Olá!!!! Gostaria mais uma vez de agradecer aos comentários do capítulo anterior, nossa vocês prestam mesmo toda atenção na fic e isso apenas me motiva a estar sempre em busca de melhorar e melhorar. O atraso foi devido a vitória da minha paixão (clube atlético mineiro), fiquei sem voz e optei por descansar um dia. Good read.

Deitado sobre a cama, Gaara sentia-se bastante fraco. Ino havia ido buscar algo na cozinha e, somente a demora da loira em retornar ao quarto já estava deixando-lhe aflito novamente. Temia que a voz voltasse a gritar em sua cabeça ordenando que ele a matasse, que a ferisse e expulsasse-a de sua casa. Havia entrado em pânico apenas com a hipótese de acabar machucando-a, ele não queria, não suportaria machucá-la. Ela acreditava nele, não o via como monstro. Diante dela, ele tentava ao máximo não ser o monstro que ele sempre fora.

Ino subia as escadas depressa, levando uma bandeja com a jarra de soro que preparara, um prato de sopa e, sobre uma das mãos, o velho ursinho de pelúcia do ruivo. Ele havia se desesperado, perdido completamente as forças e ela tivera que ajudá-lo a caminhar até o quarto. Desta vez, ele passara muito mal, vomitara com mais intensidade e aquilo a afligia. A loira não sabia mais o que poderia fazer, sentia que como havia previsto, ele estava adoecendo. A cada vez que passava mal expelia mais e mais sangue, como se além do alimento do demônio, estivesse expelindo o próprio sangue também.

Com os olhos azuis sob a sopa que fizera, Ino atravessava o corredor, sorrindo. Ela havia preparado uma sopa! Se Hinata e Sakura estivessem ali, certamente as duas diriam que o prato provavelmente deveria estar horrível, mas, por milagre dos céus, ela tinha seguido a risca a receita que encontrara atrás uma caixa de cereal. Todos aqueles dias naquela casa, na companhia de alguém que mal se alimentava, estava fazendo a Yamanaka se esforçar na cozinha, para que o ruivo passasse a comer mais.

Adentrando o quarto, Ino ainda exibia o mesmo sorriso nos lábios, observando que ele ficara, como havia prometido, deitado na cama sem se levantar até que ela voltasse da cozinha. Deixando a bandeja sobre a cômoda ainda levemente torta, a loira despejou uma boa quantidade de soro em um copo, que também havia trazido, e aproximou-se suave da cama.

_ Como está se sentindo? – perguntou Ino, sentando-se no espaço vazio ao lado de Gaara, puxando o grosso cobertor para cobrir-lhe as pernas torneadas, que estavam gélidas de frio.

O ruivo olhou-a interrogativo, não compreendia o porquê de todas aquelas coisas sobre a bandeja. Ele estava com o estômago revirar de dor, não iria conseguir comer nada, nem se tivesse fome.

_ Toma, vai ajudar a conter os vômitos. – disse Ino, estendendo o copo de soro.

Olhando o copo, o ruivo o pegou. Ela fazia a dor passar, somente de sentir o perfume floral que emanava dela e, já infectava todo quarto, ele sentia-se seguro. Levando o copo aos lábios ainda com sabor de ferro, Gaara tomou um pequeno gole do soro, fazendo uma careta em protesto ao líquido.

_ O que é isso? – questionou o ruivo, com o tom de voz mais rouco que o normal, devido à ardência na garganta, que, aos poucos passava.

Ino riu, ele estava parecendo um menino quando comia legumes pela primeira vez, já protestando e, olhando-a em súplica exatamente como faziam as crianças. Nunca deveriam ter dado-lhe soro antes, constatou a loira de imediato e, outra vez, a família dele viera-lhe a mente. Aqueles vômitos não aparentavam ser recentes, ele deveria sofrer com eles desde pequeno. Será que ninguém o ajudava? Não faziam nada para aliviá-lo daquele inferno?

_ Soro. Isso é soro Gaara... Vem, eu te ajudo a tomar. – afirmou Ino, curvando-se para frente e segurando o copo junto do ruivo, que tomava a bebida ainda com péssima expressão.

Gaara mantinha os olhos sobre Ino, engolindo com dificuldades o tal “soro”, que ele já repetia várias vezes na mente afim de não esquecer do que se tratava aquele líquido nada agradável, onde ele tinha certeza conter sal em meio aquela mistura incolor. No entanto, ela estava tocando-lhe as mãos, auxiliando-o a tomar o estranho soro como se deveria. Aquilo o motivava a engolir a bebida, ela estava tocando-o, retirando a dor com a pele quente que detinha, aquecendo as mãos frias dele.

_ Pronto! – exclamou Ino, divertida, vendo que ele terminara de tomar o soro.

O ruivo permanecia a olhá-la, vendo-a colocar o copo sobre o chão e erguer-se novamente, sorrindo, ajeitando os fios dourados como o sol, que caíram junto do torso dela assim que esta deixou o copo no chão. Ele havia descoberto que os cabelos dela não queimavam como sol, eram macios, lisos, e não feriam seus olhos como a luz solar, que entrava pela janela do quarto toda manhã.

_ Olha quem eu trouxe para lhe fazer companhia... – manifestou-se Ino, retirando debaixo do grosso cobertor o ursinho de Gaara, que ela havia escondido para que ele tomasse o soro primeiro. _ O senhor ursinho estava com saudades de você.

Confuso, o ruivo observava ela encaixar entre os dois a pelúcia, parecendo divertir-se com seu velho ursinho, sacudindo-o sem motivo algum.

_ Eu vou ter que dar uma saída, daqui a pouco amanhece e não terá perigo nenhum. – avisou Ino, levantando-se da cama e indo em direção da porta. _ O senhor ursinho vai ficar com você até eu voltar.

Olhando-a, abatido, Gaara perguntava-se a onde ela iria e porque estava indo embora. Ela havia dito que voltaria, mas ele não queria que ela fosse. Irritado, o ruivo esforçou-se para erguer o tronco.

_ Aonde vai? – questionou Gaara, trêmulo.

A voz dele adentrara os ouvidos da loira como da outra vez em que ele fizera a mesma pergunta. Ele havia sido o primeiro para quem ela dera satisfações, com exceção de Tsunade, para quem ela devia satisfações. E novamente, algo na voz dele, rouca, um pouco aflita, a fazia ceder aquela informação.

_ Vou a Konoha, passar em alguma farmácia para ver se encontro algum medicamento para você. Não pode mais ficar vomitando assim, está perdendo sangue. E também vou encontrar minhas amigas, elas devem estar muito preocupadas comigo. – revelou Ino, deixando o quarto e seguindo em direção ao banheiro.

Amigas? Ele não sabia que ela tinha amigas. No entanto, uma vaga lembrança fez o ruivo tornar-se cabisbaixo. Ela tinha amigas. Certa vez, havia comentando que pegara sua mala, a mesma a qual olhava naquele momento, com essas tais amigas.

XXX

Hinata piscava os olhos devagar, era como se estivesse dormindo, sonhando, totalmente absorta da realidade a sua volta. Entretanto, aquilo não era um sonho, ela sentia vivamente os lábios cálidos do loiro contra os seus e, como se sua consciência se apagasse por tempo indeterminado, ela correspondia ao contato, movendo os lábios devagar, constatando que ele certamente não deveria ter beijado alguém antes. Naruto não convivia com muitas pessoas, apenas com Ayame e seu pai. Porém, para um iniciante, o loiro estava se saindo muito bem, prendendo a Hyuuga ao contato, fazendo-a prosseguir no sonho incontido.

Respirando devagar, Hinata levava as mãos delicadas aos cabelos de Naruto, acariciando-os. Jamais havia beijado um garoto daquele modo, calmo, sem qualquer tipo de pressa ou anseio por parte dele. Ela nunca gostara da pressa que os homens pareciam ter consigo, deixando-a rubra e sem graça. No entanto, ele estava sendo diferente, estava cedendo a ela todo espaço para que também se sorvesse daquele contato.

Em uma atitude nunca tomada antes, Hinata aprofundou o beijo, aproximando Naruto de si. Talvez Ino tivesse mesmo razão e, beijar fosse mesmo muito melhor que ela supunha pelas poucas experiências que tinha. Naruto tremia levemente, mas, ela aparentava estar saber o que estava fazendo, não havia o afastado e, aquilo o dava segurança.

Findando o contato em busca de ar, o loiro sorriu, olhando os olhos perolados a frente de si, e a face avermelhada de Hinata. Olhando-o, a Hyuuga deu-se conta do que havia feito. Tinha beijado seu alvo! Sakura iria lhe condenar pelo ato até o fim de suas vidas, mas, ela não conseguia sentir arrependimento, finalmente, havia tido um beijo de verdade. Algo totalmente distinto dos beijos “malucos”, como a própria definia, que já havia experimentado.

_ Kami-sama... O que fizemos? – perguntou Hinata, o tom de voz baixo, demonstrando certa preocupação.

Sorrindo, Naruto encostou sua testa a dela. Ela parecia levemente preocupada, mas, ele conseguia os olhos perolados brilharem e, mesmo que não abertamente, ela sorria.

_ Não liga não... Eu disse que tinha batido a cabeça... – brincou Naruto, arrancando risos de Hinata.

Levando as mãos ao rosto ruborizado, Hinata não acreditava no que os seus próprios lábios lhe diziam. Sentia-se culpada, sabia que havia sido errado, mas tinha prometido a si mesma que, todos os momentos junto dele seriam verdadeiros. Ele havia acabado de passar por um grande transtorno, entrara em desespero e chorara bastante pelo ocorrido, arrebentando um dos travesseiros com socos de raiva. Ela não poderia simplesmente deixá-lo, ou sair correndo, e fazê-lo acreditar que ela possuía medo dele, contrariando o que dissera.

_ Eu vou buscar um copo de leite na cozinha, posso? Já vai amanhecer e eu... Bem... Estou morrendo de fome. – contou Hinata, em parte, correspondendo à verdade.

_ Ah! Pode ir, tem duas caixas de leite na geladeira. – afirmou o loiro, dando espaço a Hyuuga para que se movesse.

_ Obrigado. – agradeceu Hinata, tentando ajeitar o vestido azulado antes de descer da cama completamente tomada por cobertores e travesseiros alaranjados de estampas infantis.

_ Quando voltar eu vejo se consigo dar um jeito nisso. Foi culpa minha. – falou o Uzumaki, abaixando o olhar ao se referir ao ralado no joelho de Hinata.

Levantando-se da cama, Hinata observou a ferida, não estava ardendo, tão pouco era muito extensa.

_ Não se preocupe com isso, não foi nada. – assentiu a Hyuuga, doce, deixando o quarto.

Assim que a viu sair, Naruto deixou o corpo cair em meio aos travesseiros. Ele havia beijado-a!!! E o principal, ela não tinha ido embora. Com um enorme sorriso, o loiro atirou um dos travesseiros contra a parede. Ele não conseguia crer.

Trancando-se no banheiro, Hinata virou-se depressa, ainda com as mãos na porta atrás de si. Levando uma das mãos aos lábios úmidos, a Hyuuga olhava-se incrédula no espelho e, enfim estava sentindo algum remorso. Neji iria matá-la se soubesse! O primo havia lhe pedido um relatório sobre a missão para até no dia seguinte e, ela havia assinado termos de compromisso quando aceitara a missão. Sem saber o que fazer, a Hyuuga saiu correndo do banheiro, indo até a sala, onde pegou a bolsa grande de tecido branco e azul e levou-a novamente ao banheiro.

Girando a fechadura, Hinata ofegava. Tinha que falar urgentemente com Sakura e Ino. Deixando a bolsa sobre a pia, ela logo pegou o comunicador que, após o sermão que levara do primo, não havia mais deixado no hotel.

_ Sakura, Ino, eu preciso muito falar com vocês! Por favor, nós temos que nos encontrar. – pediu Hinata, em tom baixo, fazendo a dupla chamada.

Torcia para que a loira e a rosada vissem a mensagem logo. Não sabia o que fazer.

XXX

Sakura pegou a peça vermelha, em seda, devagar. Não acreditava no que havia ouvido dos lábios do Uchiha. Ele estava deixando-a ir? Olhando a face cabisbaixa de Sasuke, que encarava o chão, a Haruno segurou com mais força a peça lhe fora cedida.

Como fleches, ela podia sentir tudo que haviam feito a pouco, tudo que ele havia dito. Ele estava disposto a mantê-la ali, porque mudara de ideia? As palavras dele rodeavam em sua mente, como se não conseguissem ser processadas. Em silêncio, ela prosseguia o observando, sem que algo coerente lhe surgisse para proferir. Quando finalmente retirou os olhos esmeralda da face empalidecida de Sasuke, e os colocou sobre as tábuas antigas do chão, Sakura entreabriu os lábios, inibindo uma exclamação de surpresa.

Apertando o vestido, a Haruno correu em direção da suíte do quarto, trancando-se. Ele estava chorando, pelas ações dela. Desesperada, a rosada permitiu-se deslizar da porta ao chão, sentindo nós formarem-se em sua garganta. Ela não poderia ter ido tão longe, não devia ter cedido a ele. Além de comprometer toda a missão, estava o fazendo sofrer por não identificar os motivos de sua repulsa após terem transado. O que ela havia feito? Tinha tirado tudo dos trilhos! Tudo!!! Rodeando os braços alvos envolta dos joelhos, sem importar-se com a tolha, Sakura rendeu-se ao caos. Como iria prosseguir com a missão? Como iria realizar aquela missão? Ela havia perdido toda a coragem. Toda a coragem que viera consigo para fazer aquela missão havia esvaído-se. Era como se já não fosse a mesma.

Ele havia perdido tudo e agora, estava mais uma vez, tendo que abdicar de algo mais. Ela não poderia simplesmente abandoná-lo, querendo ou não, já estavam ligados e já era tarde demais para tentar evitar alguma coisa. Ela não havia o evitado antes. De qualquer modo, ela não tinha forças para deixá-lo naquele estado. O rapaz sempre impotente, autoritário e escondendo-se atrás das próprias inseguranças, estava chorando. Ela havia feito tudo por vontade e ciência própria, agora, tinha que arcar com as consequências, mesmo que elas lhe ferissem. Sempre fora uma mulher segura de si, não poderia abandonar aquela característica quando mais precisava detê-la.

Deixando a toalha cair ao chão, Sakura levantou-se e, com as mãos gélidas, enxugou as lágrimas que teimaram em cair de seus olhos. Olhando-se no espelho, a Haruno respirou fundo. Tudo que precisaria fazer era não permitir que aquilo ocorresse outra vez, por mais que seu corpo gritasse pelo dele, pela maneira violenta, intensa e entregue que ele lhe arrebatava. Tinha que falar com Hinata e Ino, urgentemente. Sobretudo com a loira, que, em matéria de experiências sexuais, passava e muito Hinata e ela. Permaneceria ali, ao lado dele, até que tivesse condições suficientes de se recuperar, de recuperar sua razão, e encontrar o foco da missão outra vez. Não poderia deixá-lo.

XXX

Guardando o comunicador na bolsa novamente, Hinata deixou o banheiro, tomando caminho em direção ao quarto de Naruto. Porém, quando se aproximava do cômodo, a Hyuuga ouviu ruídos na cozinha, fazendo com que voltasse o trajeto.

Deixando a bolsa em cima da mesa, Hinata sorriu. O que ele estava tentando fazer? Uma vitamina? Era o que ela se perguntava, vendo o loiro despejar tantas cenouras cortadas no liquidificador. Respirando fundo, cerrando os punhos e tentando adquirir segurança, Hinata se aproximou, observando que ele colocava tudo que via dentro do aparelho.

_ O que está fazendo? – perguntou Hinata, divertindo-se com o modo desorganizado com que Naruto tentava cortar as cenouras.

_ Ah! Pensei em fazer um bolo, de cenoura. – revelou o loiro, radiante.

Não sabia como se fazia um bolo de cenoura, mas, não deveria ser algo de outro mundo, pensava Naruto, olhando com louvor os olhos perolados próximo de si. Já havia amanhecido, ele gostaria de preparar um desjejum decente para Hinata, ela certamente não comeria lamén com leite como ele.

_ Naruto... Não acha que tem cenouras demais? – interrogou Hinata, sorrindo de canto, tinha a impressão de que aquilo daria errado.

Sorrindo, o loiro nada disse, apenas continuou a cortar de maneira atrapalhada as cenouras. Ele era simples, e justamente aquilo que a fazia sentir-se tranquila, bem ao lado dele. Ele não parecia querer questionar nada a respeito do beijo e, aquele fato fazia o nervosismo diminuir nas veias de Hinata. Aquele sorriso, ele contagiava todo o ambiente. Aqueles lábios, igualmente simples como ele, capazes de beijar sem agredir. Ele era mesmo uma peça única dentre muitas outras.

Perdida contemplando-o ao seu modo discreto, Hinata foi bruscamente retirada de seus devaneios ao ouvir um estrondo vindo do liquidificador a sua frente.

_ Acho... Que essa coisa entalou... – comentou Naruto, batendo na base do aparelho afim de fazê-lo funcionar novamente.

_ Foi aquela cenoura que entalou. – avisou Hinata, identificando imediatamente o problema. Havia cenouras demais.

_ Tem razão! Deixa eu consertar! – exclamou Naruto.

_ Não!!! – repreendeu Hinata, no entanto, o loiro já havia retirado o vegetal.

Abaixando-se, Hinata puxou o loiro consigo. Um enorme barulho pôde ser ouvido da cozinha e, como observado por ela, havia cenoura por todos os cantos.

_ Okay, fazer um bolo é mais difícil do que parece. – assentiu Naruto, rindo da zona formada e retirando parte da cenoura batida que havia lhe acertado nos cabelos loiros.

A Hyuuga ria, não sabia como iriam limpar toda aquela bagunça mas, pela primeira vez, a desordem não lhe incomodava. Lhe atraía.

XXX

Ino fechava a lateral do vestido roxo que trajava. Adorava aquele vestido, mesmo que Sakura e Hinata argumentassem que ele pudesse ser justo ou curto demais, a loira não se importava, achava qualquer modelo como aquele totalmente perfeito para ela. Estava pronta. Iria a Konoha procurar as duas amigas, há dias não as via e precisava, querendo ou não, fazer um maçante de um relatório para entregar a Tsunade até o dia seguinte. Infelizmente, ela ainda lembrava-se desse detalhe. Com certeza Neji já deveria ter dado algum chilique devido ao seu atraso, mas, como também não importava-se nenhum pouco com o primo prepotente de Hinata, tudo estava bem. Acertaria-se com Tsunade, odiava quando tinha que dar qualquer informação ao Hyuuga, ele sim era uma pedra em seu caminho, sempre criticando-a e, principalmente, o modo como ela se vestia.

Entretanto, ficaria um bom tempo sem vê-lo e aquilo era mais do que ótimo. O prazo mínimo da missão era dois meses e ela duvidava que Neji pudesse ir até aquele local isolado sem que algo de extrema urgência ocorresse. Ele poderia ser um pouco louco, mas, era racional o bastante para não deixar o conforto de Tóquio.

Concentrando-se na pia abaixo de si, Ino tinha os olhos fixos nas marcas de sangue impregnadas no mármore. Desejava imensamente que ele não tivesse nada enquanto estivesse fora, ele estava muito fraco, mal conseguia andar em função da quantidade de sangue perdida, se voltasse a passar mal era muito provável que perdesse a consciência. Ela faria todo possível para que ele começasse a se recuperar logo. Konoha deveria ter uma farmácia aberta por volta daquele horário, já havia amanhecido.

Por mais que seus olhos marcassem singelas olheiras, em função da noite em claro, a Yamanaka não sentia-se com sono. Sobre os saltos finos, Ino caminhava em direção ao quarto afim de verificar se o ruivo ainda estava deitado na cama, repousando.

Porém, ao adentrar o cômodo, uma das tábuas que afundara-se devido ao ocorrido no dia anterior, a fez se desequilibrar pela primeira vez dos sapatos de alto púrpura.

_ Ai!!! – praguejou Ino, tentando erguer-se do chão, sem sucesso.

Observando o pé esquerdo, a loira rangeu os dentes de leve em dor. Tinha torcido o pé naquela tábua vacilante. E, ao contrário do que gostaria, talvez não conseguisse ir a Konoha. Estava doendo bastante. Tentando se erguer novamente, Ino sentiu uma grande quantidade de areia arrastá-la até próxima da cama.

Esforçando-se, Gaara tinha a mão direita erguida, guiando a areia que levantava a Yamanaka, rodeando-lhe pernas e braços, soltando-a na cama em seguida. Ofegando, o ruivo a olhou. Ela estava a sentir dor. Fechando o cenho em desagrado pela constatação, Gaara moveu outra vez a areia, trazendo-a para mais próxima dele.

_ Não vou deixar que sinta dor. – decretou o ruivo, encarando a loira, que tinha as mãos sobre seu peito, mantendo o tronco erguido.

Ino encarava os olhos verdes abaixo de si, comovida pela forma determinada como eles a analisavam. “Você tira a dor, por isso, não merece senti-la...” as palavras roucas do ruivo invadiam-lhe a mente, mantendo-a imóvel. Ele importava-se com ela, como ninguém havia o feito.

Reunindo forças para colocar-se sentado na cama, Gaara ainda controlava sua areia, para ajudá-lo na tarefa que tornara-se árdua devido a fraqueza que ainda apossava-se de seu corpo. Com as pernas rodeadas em volta da cintura do ruivo, Ino permanecia em silêncio, observando o que ele pretendia fazer esforçando-se daquela maneira.

Trêmulo, Gaara respirava com dificuldades. Ela retirava-lhe a dor, ele gostaria de tentar outra vez, fazer o mesmo por ela. Com as imagens do que ela fizera no inicio da noite, o ruivo sentia o estômago abrigar “a sensação arrepiante” outra vez, será que ele seria capaz de conseguir tocar com os lábios como ela? Será que ele iria de retirar a dor dela com os lábios? Nervoso, Gaara fazia-se muitas perguntas mentalmente, concentrado nos olhos azuis a poucos centímetros dos seus. Sentindo o pé doer, Ino fez uma careta, teria de encontrar algum analgésico naquela casa para salvar-lhe. Observando a face dela, Gaara levou imediatamente as gélidas mãos a sua cintura, para garantir que ela não se moveria.

_ Não se mova... – pediu o ruivo, aflito, começando arfar.

Devagar, Gaara inclinou-se, retirando uma das trêmulas mãos da cintura de Ino, para puxar-lhe levemente os cabelos loiros, fazendo-a curvar o pescoço. Aproximando os lábios, o ruivo tocou o pescoço da Yamanaka, sentindo os arrepios em seu estômago aumentarem outra vez, fazendo-o perder o ar. Com os olhos mirando o teto, Ino o sentia deslizar os lábios por sua pele, causando-lhe surpresa pela atitude tomada, e excitando-a pelo choque dos lábios frios a sua pele quente, originando mais uma vez, pecaminosos pensamentos.

A pele dela ardia sob seus lábios, aquecendo-os e, parecendo afetar todo seu corpo. Sorvendo-se do sabor adocicado e do perfume floral que invadia-lhe as narinas com intensidade, Gaara mantinha os olhos fechados, tentando conter o desespero que tomava conta de si. Eram muitas sensações, e ele jamais havia pensado que tocar com os lábios poderia ser igualmente agradável a receber o mesmo toque. Recordando-se do modo como ela deslizara a língua em seu pescoço, o ruivo entreabriu os lábios, inseguro daquela tarefa, todavia, ela estava a sentir a dor, e não merecia sentia-la como ele. Utilizando da língua, Gaara tentava executar o mesmo que ela havia executado em si, gerando suspiros por parte de Ino.

Ouvindo-os, o ruivo sentia-se estranho, como se passasse a arder como ela, colocando-lhe assustado. Afastando-se, Gaara abriu os olhos, receando o que a Yamanaka diria. Ele havia feito corretamente?

Sorrindo, o encarava ofegar, novamente olhando-a como se interrogasse se tinha se saído como deveria. Em resposta, Ino levou uma das mãos a face do ruivo, que tremia. Com os olhos azuis brilhando de desejo, a loira deslizou a língua pelos lábios de Gaara, travessa.

_ Você aprende mesmo muito rápido... – sussurrou Ino, acariciando os cabelos do ruivo, que encarava-a assimilando o toque em seus lábios.

Sorrindo de canto, Ino forçou-se contra o colo de Gaara, findando a distância presente entre eles. Beijando-o calmamente, a loira sentia-o imóvel, como se outra vez, estivesse para lá de assustado. Mantendo as carícias em seu cabelo, Ino distanciou-se, aproximando os lábios do ouvido direito do ruivo.

_ Mova os lábios... – explicou a loira, voltando a beijá-lo com toda calma que pudesse ter para acalmá-lo.

Fechando os olhos, sentindo-a aquecer-lhe o corpo, o ruivo sentiu novamente os lábios dela, cálidos, tocarem os seus, mantendo aquele contato apavorante, porém, que estava a acalentá-lo e aguçar-lhe a mente, almejando prosseguir. Trêmulo, Gaara moveu os lábios devagar contra os de Ino, que passava a segurar-lhe uma das mãos para que ele se sentisse seguro. Sorrindo, a loira deixou-lhe buscar por ar. Ofegante, ele apertava-lhe a cintura, observando-a. O vestido roxo, de curta extensão, estava na altura dos quadris, em função da maneira como ela estranhamente aparentava apreciar forçar-se em seu colo. Os cabelos loiros, soltos, brilhavam junto do sol que adentrava a janela, assim como os olhos azuis, que ao contrário dos seus, sempre carregavam brilho.

Voltando ao ouvido do ruivo, Ino sorriu novamente em travessura.

_ Agora tente o mesmo com a língua... – instruiu a loira, sorrindo em malícia, voltando aos lábios de Gaara.

Confuso, o ruivo respirava fundo, sentindo a pele arder mais, adquirindo um ritmo gradativo. Cedendo passagem a ávida língua da loira, o ruivo sentia-se prestes a afastá-la e sair correndo, mesmo que não tivesse condições para tal ato. Movendo a língua, ele sentia que poderia entrelaçar-se a ela, fundir-se, o que era uma hipótese estranha a sua mente. No entanto, a língua dela era macia, percorria-lhe a boca de modo agradável, ansiante. Respirando com mais facilidade, Gaara movia a própria língua como a dela, sentindo seus cabelos serem acariciados de modo doce, lento.

Entretanto, o ruivo sentia-se cada vez mais quente. Assustado, ele afastou-a em pavor.

_ Estou queimando! – exclamou Gaara, os olhos arregalados devido ao pânico, a cabeça rodopiando em busca do que estava acontecendo consigo.

Rindo levemente, Ino retirou as mãos que ele comprimia contra os cabelos escarlate, desesperado. Algo muito sério estava ocorrendo, pensava o ruivo, emitindo um grunhido ao sentir seu membro enrijecer. Mordendo o lábio inferior, Ino sentia volume abaixo de si, em pura contradição a face apavorada de Gaara.

_ O que está acontecendo comigo?! – interrogou o ruivo, olhando-a em súplica.

Aproximando-se do rosto dele, Ino segurou-lhe forte uma das mãos.

_ Calma... Nada de grave está acontecendo... Só está excitado. – informou a loira, não conseguindo conter o brilho malicioso nos olhos azuis.

_ Excitado? – questionou-se o ruivo, preocupado, não compreendendo ao que Ino poderia estar a se referir. Temia que estivesse mesmo doente.

Passando a língua pelos próprios lábios, Ino direcionou uma das mãos até o membro do ruivo, que arregalou os olhos verdes ao sentir o contato.

_ Eu vou aliviá-lo para você. – afirmou Ino, deitando-o com uma das mãos.

Arfando, Gaara mantinha os olhos em desespero, sentindo o membro apertar-se mais e mais sobre a calça de tom preto, fazendo-o ter a sensação de que estava a queimar mais, e de que a dor que tomava conta de seu membro apenas aumentava, fazendo-o soltar um gemido. Retirando a camisa branca que o ruivo usava, Ino deslizou as unhas esmaltadas em roxo por seu abdômen, vendo-o tremer. Abaixando a fronte, a loira sorriu eufórica ao retirar a calça preta de Gaara.

_ Por Kami... – manifestou-se Ino, surpresa com a extensão do membro que acariciava. Retirou também a box vermelha usada pelo ruivo, que acompanhava-a com os olhos, retraído, não compreendendo o que ela estaria pensando em fazer.

Suspirando em alívio sentir o membro livre, Gaara tremeu, ela estava tocando-o, apertando-o, fazendo com que se debatesse na cama, apavorado. Mordendo o lábio inferior, Ino sussurrou um “ fique tranquilo”. Emitindo um grito, o ruivo arregalou os olhos verdes, não crendo no que via. Ela estava a passar a língua por seu membro, aquilo era possível? Deveria estar enfim enlouquecendo, jamais imaginara assistir uma cena tão desesperadora quanto aquela.

XXX

Com as mãos no volante do luxuoso carro preto, Neji mantinha o semblante irritado. Já estava viajando há horas e nada de avistar alguma placa que lhe orientasse à tal cidade isolada de Konoha. “ Que fim de mundo é esse que não tem entrada?” questionava-se o Hyuuga mentalmente, fervendo em cólera. Havia chamado Hinata, Ino e Sakura mais de cinco vezes e até agora nenhuma das três fizera a boa ação de dar-lhe uma resposta.

_ Droga! – exclamou Neji, olhando-se pelo espelho do carro.

Felizmente, qualquer um que o visse identificaria seu “excelente humor” e ele não teria de dar explicações a ninguém. Shikamaru estava mesmo certo. Não devia ter abandonado Tóquio por uma missão que não era sua, porém, agora seria uma completa burrice retornar. Já que estava a caminho do fim do mundo, ele ao menos o encontraria, nem que tivesse que dirigir por dias. Ele era Hyuuga Neji, não seria um trajeto mal informado, de estrada em terra batida, que faria-o desistir de alguma decisão tomada.

Caminhando na lateral da estrada que levava a Konoha, Karin e Tenten protegeram-se da poeira levantada por um carro estrangeiro, preto, cujo modelo nunca fora visto antes em um lugar como Konoha.

_ Porque tantos estrangeiros têm vindo para cidade ultimamente? – perguntou Karin, duvidosa, dedilhando seu óculos.

_ Não faço ideia... Por falar nisso, outro dia vi aquela moça, de cabelos rosas... Sakura, na janela do hotel de Konoha com o Sasuke. – revelou Tenten, prendendo uma mecha do cabelo castanho esvoaçante atrás da orelha.

Parando na estrada, a ruiva encarou a amiga, incrédula.

_ O Sasuke? Com uma garota? Ele nunca deu confiança alguma para as moças daqui! – argumentou Karin, voltando a caminhar.

_ É, mais pelo visto para as moças estrangeiras ele dá confiança. É por isso que vivo te dizendo para esquecê-lo. Inclusive, irei jantar com o Kiba esta noite. – contou a morena, sorridente.

_ Não entendo o que ele possa ter achado de interessante nela... – comentou Karin, referindo-se ao Uchiha que lhe roubava o sono.

_ Esqueça o Sasuke, Karin. Nunca o vi olhar para uma garota do modo como ele olhou para ela, como se estivesse disposto a tudo. Se não o esquecer, vai acabar como o Suigetsu, que ainda é obcecado com aquela tal de Temari, que ninguém nunca soube onde ela morava e de uma hora para outra a garota sumiu. – afirmou Tenten, ainda com a imagem do carro que passara veloz por elas na mente. Para que correr daquela maneira? O motorista deveria ser um insensato, irresponsável.

Notas finais
Gostaram??? Neji a caminho de Konoha. Já avisando, o próximo contém hentai. Kisses, Nita.