Demônios Não Amam.

9 Personagens de Sweeney Todd invadem seu mundo.


Notas iniciais
Meus potes de sorvete de chocolate! Como vão?!

Depois do texto enorme passado, vou ser breve ( ~le tosse~)

Obrigada de verdade por tudo (quem lê, favorita, comenta). Vocês são uns xuxulis lindos.

(aliais, como leem isso aqui? Tá¡ muito ruim páris). Mas, enfim...

Algumas observações do capí­tulo.

Gregory Turpin é uma homenagem à Mia Costa (escritora mega xuxuzete que foi super gentil comigo e escreve sobre a inquisição). Ela pediu um padre bem do mal na fic e criei o Gregory para agradar. Não me baseei em nenhum religioso real e ele não reflete o que penso dos padres/pastores/whatever. Ele é assim apenas porque tinha que ser do mal e machista mesmo.

E por último, minha prima perguntou porque coloco frases do Shakespeare no inicio dos capí­tulos e a resposta é: faz parte do desafio da fic. A Bets ama o tio Shake-shake (quem não?) e pediu que eu casasse com o enredo frases dele (mega difícil, mas vá lá).

É isso, chega de enrolação xD.

beijos, beijos:*

POV – O emissário de Deus.

A lamparina era fraca e inútil como a maioria dos falsos fiéis que conhecia. Seus olhos ardiam pelo esforço maior, mas recusava-se a parar.

Não eram muitos os profetas do Senhor que se comprometiam de corpo e alma com a Bela Missão e sobrava para Gregory todo o peso do real compromisso com o sagrado. Se ele se rendesse ao cansaço o mundo viraria uma feira de pecados.

Ajeitou os óculos finos no rosto examinando mais uma vez a fila de papel extensa em sua mesa.

Casos sem dúvida demoníacos que tinham sido relatados com pouco espaço de tempo. Ao que parece todas as vitimas eram do sexo masculino, jovens e ou morreram ou desapareceram após encontrarem uma bela garota.

O perfil não o surpreendia. O Diabo não tentava os velhos porque conhecia a sabedoria incutida neles e as mulheres não poderiam ser as escolhidas já que já eram fruto odioso do pecado.

Fêmeas mesquinhas e sensuais que serviam à Satanás desde Eva.

Gregory fez um sinal rápido da cruz devido ao pensamento, levando o enorme símbolo cristão que carregava junto ao pescoço aos lábios em um beijo cálido.

Infelizmente era um dos poucos que pensava dessa forma nas bases cristãs. O chamavam de “Profeta louco” e o excomungaram da Santa Igreja desde que Katherine cruzara seu caminho.

A jovem era uma beldade apreciada por todos. Corpo vistoso e bem desenhado, seios fartos sem extravagância, pele clara, olhos de um breu quase negro, longos cabelos castanhos e lábios delineados com o mais puro mel.

Padecia de um tique ritmado quando se movimentava e, tendo consciência disso, levava os homens à loucura.

Gregory, entretanto, não foi uma das vítimas. A víbora traiçoeira tirada dos infernos mais profundos não a enganava com seu ar gentil. Ela era obviamente a luxúria materializada em um corpo e devia ser eliminada o quanto antes.

O reverendo tinha a plena noção de quão repulsivo e errado era o ato de condenar alguém à morte, mas era preferível ter o sangue de uma pecadora nas mãos a ver todos os seus fiéis sem suas almas quando o Rei dos reis volvesse com seu julgamento severo.

– Foi necessário. – resmungou em voz baixa fazendo com que as paredes tornassem em eco apenas um chiado.

Sua batina não o permitia executar tudo com as próprias mãos então convencera um dos seus ouvintes mais dedicados a desejar a condenação de Katherine às profundezas do inferno.

No dia seguinte a jovem apareceu pendurada em um dos carvalhos da pequena cidade em que todos viviam.

Estaria tudo perfeito se o velhote do arcebispo não tivesse ouvido sua conversa com o assassino. Don Timothy ficara horrorizado com toda a história e só não tornara o escândalo público porque temia pela boa fama da igreja católica. Mesmo assim o excomungou e o condenou a um exílio.

Suas últimas palavras para Gregory foram:

“Você está louco meu jovem. Isso não foi o que o nosso Bom Senhor pregou! Maria Madalena não foi julgada de forma tão severa assim pelos olhos do Filho de Deus. Quem pensa que é para se achar mais digno de condenar alguém do que o próprio Jesus? Desapareça antes que eu mude de ideia, e passe o resto da vida arrependendo-se pelos seus pecados”.

Velho tolo! Ele salvara a alma de milhares e o gordo vinha puxar-lhe as orelhas?

Mas isso não o abalara. Rumou para o norte assentando-se muito bem em uma cidadezinha ainda mais simplória e minúscula que a outra em que vivia, tornou-se pastor da igreja protestante local e persistiu em sua missão divina.

Era o único verdadeiro emissário de Deus, e por isso o mais atormentado pelo Diabo.

Já havia se passado dezessete anos desde o ocorrido e ainda assim a sombra de Katherine o perseguia.

Por vezes podia jurar vê-la em sua pequena casa com os olhos castanhos dissimulados testando sua paciência enquanto seus lábios venenosos faziam apostas com sua alma.

Linda, linda, linda e absurdamente perigosa.

“Volte para o seu sofrimento eterno” – praguejava nessas horas negras, mas ela nunca ia.

Parecia ter jurado que o enlouqueceria primeiro.

O telefone tocou o sobressaltando e tirando os pensamentos confusos da sua mente.

Não era de muitos amigos, apesar de poder contar com a ajuda de pessoas religiosas ao usar seu título de pastor consagrado. Fora assim inclusive que conseguira todos os registros de casos demoníacos estranhos nos últimos meses que relatavam o óbito de rapazes. Provavelmente era algum novo fiel que vira seus cartazes de publicidade.

Retirou os óculos de leitura para limpá-los e levou o fone ao ouvido.

– Sim?

– Reverendo Turpin? – checou a voz feminina desconhecida.

O homem franziu o cenho levando imediatamente a mão à cruz em seu pescoço. Vindo de uma mulher, não podia ser nada bom.

– Ele mesmo. Em que posso ajudá-la senhora?

– Gostaria de denunciar uma atividade satânica nos arredores de Mystic Falls. Tudo indica que ela seja a aberração que tem vitimado tantos homens nos últimos tempos.

Sua fala morreu. Como aquela mulher sabia disso? As suspeitas de que fosse algo maléfico estava resguardada para religiosos e ainda assim os sussurros eram poucos.

A menos que aquele ser pecaminoso com seios o estivesse atraindo para uma armadilha falsa só para acobertar o verdadeiro demônio que fazia tais horrores.

– É mesmo? – induziu com a voz de zombaria. – E você tem alguns dados para me mandar que possam ser checados?

A voz do outro lado suspirou impaciente.

– Na verdade tenho sim, o seu correio eletrônico é o mesmo que consta em seus cartazes de pregação?

Ele fez um murmuro de concordância.

– Então poderá ver o e-mail que lhe mandei com a foto da garota demoníaca. – Gregory ergueu as sobrancelhas ligando a obsoleta máquina que possuía, tamborilando os dedos no teclado para ver se adiantava o processo. – Seu nome é Elena Gilbert e se concordar com a minha informação e buscar por mais detalhes posso lhe dar, acredite, conheço longos detalhes sobre ela.

“Claro que sim, vocês mulheres são todas integrantes da corja de Satanás.” Pensou amargurado.

– O.K senhora, aprecio sua colaboração. Qual seu nome, por favor?

Finalmente a tela azulada brilhou no monitor e a internet começou a dar sinais de reconhecimento.

– Senhora?

Do outro lado, as “reticências” mudas que indicavam que ela não estava mais lá. Aborrecido, o pastor recolocou o fone no gancho murmurando ofensas ininteligíveis.

Provavelmente fora um trote, mas mesmo assim anotou o nome revelado e resolveu checar seu e-mail.

O seu endereço de correio eletrônico estava abarrotado de cartas de fiéis variados, mas ele teria que ler tudo aquilo depois.

Clicou apenas no item exibindo a mensagem “Elena Gilbert” e esperou carregar.

O remetente usava uma nomenclatura louca e pouco útil de números e letras avulsas que formavam: “Eioa720”. Não deu, entretanto, mais atenção do que deveria e apenas concentrou-se na imagem sendo carregada.

A foto era a única coisa que constava em todo o corpo do e-mail então se ele concordasse com essa odisseia louca de ir até Mystic Falls teria que entrar em contato novamente com a tal Eioa que não sabia todas as vogais existentes. Riu com humor da própria piada, pegando os óculos para encarar a figura já carregada em seu computador.

Seu coração acelerou-se e não pôde impedir que a cadeira tombasse para trás derrubando-o no carpete.

Não. Não era possível! Não poderia ser!

Apertou a cruz no pescoço implorando por coragem enquanto olhava atônito para a imagem da bela menina em sua tela.

Era nada mais nada menos do que Katherine.

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POV- Elena Gilbert.

Seu corpo revirava-se sob o colchão sem conseguir adormecer nem por alguns minutos. Bem provavelmente no dia seguinte dormiria em todas as aulas, mas mesmo assim não podia evitar.

Era só deixar que as pálpebras pesassem sobre as íris castanhas para lembrar-se do medo que gelara seu coração ao falar com Sheila Bennett.

Não podia ser só paranoia da sua cabeça! Algo muito estranho estava acontecendo e ela precisava tomar precauções urgentemente antes que fosse tarde demais.

Virou-se sob os lençóis sentindo o peso da angústia amassar suas costas. Queria de forma desesperada poder desabafar com alguém sobre aquilo, mas as opções eram inviáveis.

Seus pais: a internariam.

Bonnie: parecia rejeitar suas investidas de contato e podia compartilhar da hostilidade da avó.

Jeremy: a internaria também.

Caroline: Diria que talvez se ela fizesse compras para Sheila, tudo se acertasse. Depois a internaria.

Matt: Tentaria transformar a conversa em uma promessa de amor eterno... no hospício.

Damon: bem...

Na volta do passeio não tivera a coragem nem de encarar o demônio nos olhos, pois sabia que se o fizesse se atiraria nos seus braços implorando por qualquer conforto que a deixasse com a sensação de segurança mesmo que por paupérrimos segundos.

Salvatore parecera respeitar sua atitude e assumiu o controle do volante até que estivessem em casa. Antes de seguir para o seu quarto, entretanto, pôde perceber que ele a observava com as sobrancelhas unidas, como se quisesse saber silenciosamente o que a incomodava.

A menina precisou de toda a sua força de vontade para dar-lhe um sorriso meio fraco, desejar boa noite e se refugiar na sua cama querendo de todo modo esquecer que aquele dia existiu.

Fracassou de todas as formas possíveis. Tinha pressentimentos ruins apertando o seu coração e tirando todo o sono que pudesse existir em seu organismo.

Pensou em apertar o pentagrama uma ou duas vezes, mas convenceu-se que era melhor não.

O dia seguinte seria tranquilo.

Três horas depois conseguiu perder a consciência em algum sonho com um menininho de olhos acinzentados.

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Tranquilo? Tran-qui-lo? Ela pensara mesmo isso? Bem, não poderia estar mais enganada.

Desde que acordou após somente duas horas de sono, seu dia fora um fiasco.

No café da manhã seus pais a encheram de perguntas sobre a noite anterior, enquanto Jeremy e Damon se matavam para conseguir o último pedaço de torta sobrando.

Conversar sobre todo o ocorrido já era horrível, mas tendo uma fatia de bolo voando na cara era pior ainda.

Sim, no calor da confusão seu irmão soltou o prato e gramas e mais gramas de chocolate eclodiram no rosto de Elena.

Como já estava em cima do horário e todos estavam muito ocupados rindo dela, só conseguiu lavar precariamente o rosto e marchar para escola sentindo a calda doce endurecendo seus fios de cabelo.

Damon e Jeremy praticamente engasgavam de rir ao olhá-la durante o trajeto e ao chegar à Mystic Falls High School não ficara muito melhor.

Seu professor de história passara prova surpresa. Ok. História, inglês e literatura eram suas matérias prediletas, mas ela não tinha se dedicado nem um pouco aos estudos nos últimos tempos e estava triste, nervosa e chata demais para dissertar sobre Abraham Lincoln ou Roosevelt.

Praguejou fazendo o melhor que pôde e tentou sobreviver ao resto das aulas.

Naquele dia não fez nenhuma matéria com Damon e isso pareceu deixar tudo um pouco pior.

Ficava pensando em todas aquelas meninas o cobiçando e tinha que se segurar na cadeira para não verificar no google como se quebrava pescoços humanos com as mãos.

Oh céus e ela chamara Damon de bipolar! Ainda ontem ela não o odiava e declarara guerra?

Lembrar-se disso fez com que a tensão a tomasse. Hmm tinha que colocar o seu plano em execução logo.

Como corromper sua pobre, ingênua e santa alma? Podia tentar padecer aos setes pecados capitais, mas não sabia exatamente por onde começar.

Não era nada avarenta, só invejava a Winona Ryder por ter pegado o Johnny Depp, sua vaidade era extremamente controlada e luxúria idem (não perto de Damon, mas isso não precisava ser comentado).

Era um pouco preguiçosa, mas nada além do normal. Gula não era problema, era gulosa desde que nasceu e ira, bem... Estava ficando irritada cada vez mais frequentemente convivendo com o demônio.

Suspirou derrotada, nada daquilo parecia ser o bastante.

Tentou recordar fotos da Winona beijando o Johnny, para ver se atiçava sua inveja, quando Matt surgiu.

– Lenna. – cumprimentou com um sorriso aberto enquanto juntava-se a ela no banco. Seu rosto parecia iluminado ao vê-la e isso quase levantou sua autoestima mesmo com o cabelo grudado de chocolate. – Como você consegue ficar cada vez mais linda?

A garota tentou ser sociável enquanto passava a mão no cabelo em uma caricatura metida.

– Sabe como é, malho seis vezes ao dia, bebo bastante água e procuro manter a alimentação saudável. – entoou como as atrizes sempre faziam nas entrevistas. – Mas acho que o principal é ser feliz e estar bem do jeito que você é. — Finalizou dando um ar mais profissional a sua imitação.

Matt riu e ela se juntou a ele brevemente.

– Vou tentar seguir as recomendações para ver se melhoro. –murmurara tímido e cheio de humildade.

– Você já é lindo Matt. – rolara os olhos só percebendo depois a gravidade das suas palavras. O garoto loiro a olhou fixamente e ela mordeu a língua como autopunição. – Enfim, e aí como você está?

Os olhos azuis caíram para o gramado. Elena tinha que confessar que eles pareciam quase feios perto dos acinzentados de Damon. Tudo no mundo era feio comparado a ele.

– Ah, tão bem quanto se é possível quando a garota que você gosta resolve ignorá-lo. – ele voltou a fita-la com a expressão tensa. – Lenn, o que aconteceu?

A adolescente soltou um suspiro frustrado. Sentia tanta falta de Matt em termos de amizade, mas ele sempre puxava o tema estragando tudo. Antes era para censurá-la, agora para chamá-la para um encontro.

– Desculpa. É só que você sabe muito bem o que eu penso sobre isso tudo. Funcionamos melhor separados Matty, não vê isso? –usara o apelido de quando eram namorados para ver se o adoçava um pouquinho. – Não insista, por favor.

O garoto ficou tanto tempo em silêncio que a filha mais velha dos Gilbert não esperava mais receber uma resposta. Contrariando as expectativas, porém, os lábios masculinos se entreabriram.

– É por causa do cara inglês?

Elena não pôde deixar de corar.

– D-Damon? – gaguejou. – Ah não. Claro que não!

Matt a encarou por um longo tempo como se a testasse e depois suspirou parecendo aliviado.

– Isso me tranquiliza duplamente. – admitiu brincando com os dedos das mãos. – Como irmão e como alguém que gosta de você.

Hã?

A adolescente uniu as sobrancelhas.

– Como irmão?

– É... acabei de ver ele e a Vicki no corredor parecendo bem íntimos. Fiquei preocupado que o cara estivesse com você ao mesmo tempo em que sai com ela.

Foi como se uma pedra de gelo tombasse em sua cabeça. Era impossível explicar o quanto aquilo a imobilizava, lhe dava raiva e tristeza ao mesmo tempo. Como se já não fosse o bastante, seu ex-namorado continuou.

– A Carol até me tranquilizou falando que você não parecia o tipo dele e tal, mas eu quis checar mesmo assim.

Um sorriso amargo brotou em seu rosto sem a sua permissão mesmo sabendo que Caroline tinha falado isso apenas por achar que o tipo de Damon era os rapazes da “Caveira Rosa”.

– Eu já ouvi isso antes. – disse lembrando-se da briga da cozinha. – Mas fique tranquilo, não tenho nada com ele nem nunca vou ter.

NUNCA.

Continuaram a conversar coisas triviais, como o baile idiota que levaria o tema do Fantasma da Opera naquele ano (Matt falava e ela acenava em acordo) até que o sinal batesse e os recolhesse às próximas aulas.

A partir desse momento tudo pareceu mais cinza para Elena, chegou à casa atacada, respondendo de forma grosseira a qualquer um que fosse corajoso o bastante para desafiar a sua carranca e resolveu tentar se afogar no chuveiro.

Quando já estava enrugada como uma velhinha, entretanto, desistiu do plano e resolveu agir de maneira mais corajosa, cobrindo-se com a toalha e rumando para o seu quarto.

Seus pais já deveriam estar no escritório, Jeremy em seu quarto e Damon... Bem, ela esperava que ele tivesse se asfixiado com o perfume forte da VICK VAPORUB ® e nessa hora repousasse no hospital.

, nunca iria acontecer, mas ela poderia sonhar O.K?

Passou os dedos pelo cabelo indo em direção ao armário a fim de achar peças que combinassem com seu humor.

Achou um blusa cinza e uma calça de um verde musgo berrante e decidiu que se adequavam extremamente bem ao seu estado a-vida-é-difícil-e-talvez-o-melhor-seja-cortar-os-pulsos-ou-fazer-uma-canção.

– Uh, meu tio avô Peter tem uma roupa igual – uma voz feminina murmurou às suas costas.

Realmente não era uma combinação fantástica e tal, mas não é como se ela fosse a uma festa ou-

Girou seu corpo assustado encarando uma jovem desconhecida que ainda fitava com reprovação as peças que Lenn segurava.

A garota era alta, bronzeada e magra com o cabelo castanho como o seu e olhos de um mel impressionante.

Vestia um blusão que parecia familiar à Elena e repousava em sua cama confortavelmente.

Será que era uma assaltante ou algo assim?

E HEY, aquele era o seu blusão!

Entreabriu os lábios para gritar por socorro, mas sentiu a mão morna grande pressionando sua boca a impedindo. Não precisava nem se virar para trás para saber quem era.

A expressão da intrusa endureceu.

– Damon. – cumprimentou amarga. – Eu juro que se pudesse estava agora mesmo arrancando o seu fígado para comer com farofa.

Nisso as duas concordavam. O demônio riu por um breve instante, fazendo com que o corpo da menina reagisse inconscientemente devido à proximidade dele.

– Imagino que ainda esteja furiosa por causa do roubo, mas sabe, talvez devêssemos adotar algumas das coisas que o imbecil do Stefan prega... Vamos começar pelo perdão, soa legal. – seu tom era extremamente sarcástico como de costume.

A mulher estancou, levantando-se da cama com os olhos espremidos em uma linha fina.

– Roubo? Você me roubou? OH MEU LÚCIFER! FOI VOCÊ QUE ROUBOU A MINHA FRIDOVALDIE! – acusou levando a mão aos lábios chocada.

Elena revirou os olhos ainda presa na armadilha masculina. Estava confusa, e cansada demais para tentar entender aquilo. Fridovalddie era outra namorada do imbecil? E a compridona que parecia modelo da Victória Secrets também? Mas ela dissera “minha”... eles eram uma espécie de trio amoroso?

– Você não está aqui ameaçando o meu fígado por causa disso? – Ele realmente estava confuso agora e, acredite, isso não era nem metade do quanto ELA estava aturdida.

– É claro que não, se soubesse que estava com a Valddie ameaçaria arrancar coisa pior. – respondera com os olhos claros queimando em fúria.

Damon pareceu fazer uma careta e então virou o rosto na direção do pescoço da garota amordaçada.

– Acho que a sua lentidão cerebral é contagiosa, Lenn. Acabei de confessar um crime sem nem ser acusado. – murmurara pesaroso no seu cabelo a fazendo lutar contra os arrepios e fuzilá-lo com o canto dos olhos pela crítica. – Mas enfim, já que a acusação não é essa, o que exatamente eu fiz? Posso antecipar que estou extremamente arrependido?

A mulher parecia agora indignada a ponto de fazer um churrasco inteiro de Salvatore.

Elena não se opunha à ideia, só queria pedir que ela acrescentasse na lista a Vick, vovó Bennett e talvez a Carol também.

– Vamos começar por você não ter respondido nenhum dos meus recados. – A intrusa apontou fazendo Elena trincar os dentes. É, era outra namorada. – Lúcifer quer que você vingue a morte da sua irmã lá e acha que não estou conseguindo contactar você por – ela fez aspas com as mãos- “incompetência” minha.

– Uma das minhas irmãs foi destruída? – sua voz era animada. – Por favor, que tenha sido a Diti. – fingiu fazer uma prece olhando para o teto.

A adolescente virou-se horrorizada para o demônio e ele libertou seus lábios com um sorriso.

Se Jeremy morresse ela desabaria, como Damon podia ficar tão... Alegre com uma noticia como aquela? Talvez fosse o choque traumático ou uma brincadeira estranha demoníaca. A segunda opção era bem provável, ela tinha quase certeza de que o seu demônio lhe dissera certa vez que não podia morrer.

– Não, foi aquela mais nova. – A mulher apoiou o indicador nos lábios em uma pose pensativa. – Jenny Wolf, acho. Não vi o corpo, mas o inferno inteiro está chocado. É o segundo mito quebrado em menos de um século e logo pela sua família. Vocês deveriam procurar um terreiro de macumba depois dessa, quando colocaram o nome da minha prima na boca do sapo começou a acontecer um monte de tragédia também. Claro que não dá para comparar, porque ela é humana, mas sei lá... Tomem banho de sal grosso só por via das dúvidas. Eu posso comprar se você quiser. – Tagarelara loucamente fazendo Elena erguer o canto dos lábios.

Damon, no entanto, não parecia estar mais no clima alegre que o rondava segundos atrás.

A expressão do demônio se tornara gelada e homicida, como se cada traço do seu rosto tivesse sido esculpido em um mármore maléfico que queimasse a pele de quem ousasse tocá-lo.

– Jenny era a mais nova com a exceção de Dolores. – confirmou caminhando em direção à janela. – E a única que merecia continuar existindo. – sussurrara mais para si mesmo do que para as duas expectadoras. Sua voz era tão amarga que provocou na adolescente, calafrios de medo.

Era o seu modo de demonstrar dor?

Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, seus pés a levaram até o belo homem concentrado demais na paisagem insignificante de Mystic Falls.

Seu cérebro parecia ter deletado qualquer sinal da raiva que sentia minutos antes por causa da Vicki, ou por tudo que ele já tinha aprontado. Nem a confusão quanto à intrusa parecia importar. Ela só queria vê-lo bem, quase como se sua vida dependesse disso.

Apertou mais a toalha contra o corpo para não cair e estendeu a mão livre até o braço dele como uma forma inútil de conforto.

O demônio pareceu congelar por alguns segundos e então deixou o acinzentado encontrar o castanho. Algo na situação mandava Elena recuar, mas se recusou e apenas sustentou o olhar determinada. Ele merecia apoio e não medo naquele momento.

Notou com diversão leves pigmentos de um azul mais forte enfeitando o espaço perto da pupila escura e sentiu que poderia passar a eternidade desvendando cada traço daqueles olhos.

O ódio aos poucos fora abandonando a íris hipnótica e a menina sorriu convencida por saber que conseguia deixá-lo menos psicopata.

Era a hora!

Aproximou-se em um surto de coragem e o abraçou desajeitadamente.

– Sinto muito pela sua irmã. – confidenciou com a voz meio rouca pelo silêncio prolongado. – Sei que vocês não sentem como nós humanos, mas... Nenhuma perda é legal.

A mão masculina apoiou suas costas aceitando o abraço e ele suspirou pesadamente.

Elena sentiu emergir em seu corpo uma sensação de segurança e tranquilidade indescritíveis. O calor que Damon emanava, o perfume inebriante e a mão firme que a segurava... Era como se tudo o que precisasse estivesse ali, a abraçado.

– Uuuuh, filme pornô de graça! – A intrusa comemorou batendo palmas e se jogando na cama. Sua voz era o auge da animação, como a de uma criança recebendo um brinquedo novo.

Elena corou terrivelmente largando o demônio que exibia um sorriso malicioso no rosto. Queria de qualquer maneira se jogar em um buraco bem fundo até achar a rainha das minhocas.

– Infelizmente Johanna, Elena é tímida... Talvez outro dia, quando ela estiver bastante alcoolizada. – brincou fitando o tomate-ambulante ao seu lado, enquanto a outra fazia um biquinho de chateação.

Tentando dispersar a onda vermelha que tingia o seu rosto, pigarreou se concentrando no nome da bela mulher. Parecia familiar... muito familiar...

– Seu nome é Johanna? – murmurou desconfiada fazendo uma análise rápida da intrusa. – Igual à do Sweeney Todd?

Damon revirou os olhos com a citação cinematográfica.

– Oi?

Sweeney Todd, você sabe. O musical que virou filme com o Tim Burton. – ao ver que os olhos da cor do mel ainda estavam confusos, colocou a mão na cintura impaciente. – I feel you, Johaaaana. I feel yoooou. ♪. Não conhece, mesmo?

– Er... não “American Idol”, foi mal. – sua expressão era meio perplexa. – Damon... Diga onde está a Valddie logo porque a sua humana parece ter vindo com defeito.

Chamem-na de idiota, mas ela gostou de como soou “a sua humana”. Sabe, como se ela estivesse com ele ou algo assim. Ok, a garota realmente tinha algum problema.

O demônio riu brevemente voltando os olhos para os seus.

– Johanna Marshall é a dona da chave da qual lhe falei. – esclareceu segurando os ombros femininos. Uh Fridovalddie era a chave então? – Além de ser teoricamente a sua “guardiã e treinadora” por um tempo. – revirou os olhos meio a contra gosto.

– Como é que é? – as duas mulheres perguntaram juntas imersas em confusão.

Olhos azuis se tornaram ardilosos e Elena sentiu que lá vinha bomba.

– Johanna é a guardiã oficial da chave e tem parte da sua existência interligada a ela. Definitivamente precisa ficar perto do objeto.

– Ainda não entendi o que isso tem a ver comigo. – murmurou a castanha cruzando os braços em uma pose desaforada. – Tire essa tatuagem de dançarina de pollydance da minha cocha e entregue a ... Fridovalddie(?) dela.

Como se quisesse confirmar a localização ganha, Johanna levantou um lado da sua toalha espiando por baixo enquanto a humana corava e lhe dava tapinhas na mão indiscreta.

– Er... não posso fazer isso. – murmurou meio distraído. – Teoricamente, você agora é a chave, Lenn.

As duas mulheres o encararam em um misto de perplexidade e irritação e mais uma vez naquele dia, falaram juntas:

– O quê?

– Não escondi a chave em você Elena. Fiz com que absorvesse o poder dela. Você é a chave até que morra.

– Uma hospedeira. –concluiu a filha do Sweeney Todd chocada fazendo com que a menina se lembrasse do livro da Stephanie Meyer por algum motivo. – Você é um grande filho da puta mesmo. Claro! Ela é sua contratada, então teoricamente a “chave” passou a ser sua. É só mantê-la viva e tem a passagem aberta para o mundo humano e como eu sou a responsável pela Valddie, você nem vai precisar se preocupar com os demônios que a perseguirem. Vou ter que cuidar de todos!

Damon deu de ombros com uma falsa inocência charmosa, enquanto Elena pensava seriamente em espancá-lo.

– Sério que você me usou de novo Salvatore? – ralhara o fuzilando com os olhos.

O demônio riu se aproximando e brincando com uma mecha do cabelo castanho da garota.

– Vamos ver por outro prisma: agora você tem mais proteção. – teve a audácia de dizer.

Johanna revirou os olhos com um suspiro cansado.

– Não se preocupe The Voice, a minha primeira lição vai ser ensiná-la a prender demônios em selos. — ameaçou convicta e simpática.

A filha mais velha dos Gilbert encarou seu servo com uma expressão de triunfo e o percebeu fazer uma careta com a novidade.

Parece que Johanna e Elena se entenderiam muito bem.

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POV – A Guardiã.

Nunca pensara que um dia se divertiria tanto com uma garota humana, quanto se divertia com Gilly. (A explicação do apelido ficava por conta da originalidade dela. Não chamaria a portadora da sua Valddie de “Lenn(a)” como todo mundo, então retirou do sobrenome Gilbert, o belo, simpático e charmoso “Gilly”). Duas semanas já tinham se passado desde que se conheceram e tudo era estranhamente animador mesmo com tantas coisas a se pensar e planejar.

Johanna não ia bancar a colegial humana que nem o energúmeno do Damon, então ficava invisível quando outras pessoas estavam na área. Gilly deu a louca no inicio com discursos de “mimimi, tadinha de mim. Vão me achar maluca”, mas ela dera a ideia brilhante da garota andar sempre com o celular no bolso e um fone de ouvido, assim podia dizer que estava falando com alguém no telefone e não sozinha. Dããã. Como não pensaram nisso antes?

Quando a casa ficava vazia, ela, Damon e Elena se reuniam naturalmente.

O saco era quando os dois iam para a escola, porque Johanna não ia ficar lá plantada observando imbecis tentando convencer outros imbecis de que tinham algo a ensinar.

Que se dane a trigono.-alguma-coisa... “Não sei pronunciar, não posso estudar”, é a regra!

Perdia a manhã então separando livros humanos que tivessem algo útil para Gilly saber e a tarefa se provou mais complexa que um parto.

Todo o tipo imaginável de idiotice era colocado sobre as criaturas superiores.

Demônios com chifres e coisa e tal, ou com complexos adolescentes exigindo decorações com caveiras e velas pretas, sensibilidade à água benta e a pior parte: sacrifícios.

O que, pelo amor de Satanás, eles fariam com cadáveres de moças virgens?

Nada! A alma da vítima fugiria ou o pobre demônio que conseguisse retê-la não ficaria alimentado por mais tempo do que um dia (virgens tinham um valor calórico baixíssimo, sempre que se queria fazer uma dieta no inferno era esse o prato principal), e então sobrava um corpo para enterrar que não dava nem para ser aproveitado em um assado (Ela nunca comeu um humano nesse sentido, será que era bom?).

A parte legal era a morte sombria e assustadora, mas esse motivo era o único que deixava tudo interessante.

Se os caras queriam fazer tributos aos demônios que anotassem: Oferecer uma boa noite de sexo selvagem, muita bebida alcoólica e por último uma doação instantânea de alma.

ISSO os agradaria.

Mas, então, ficava nessa até a dupla dinâmica chegar acompanhada do irmão gostoso da Gilly.

A partir desse ponto, deixava que tomassem banho e vestissem roupas de casa, os observava estudar (sempre pegando no pé do Damon versão estudante da Mystic Falls High School) e assim que acabavam concentravam-se na preparação da menina.

Elena Gilbert era dedicada e atenciosa, mas não tinha a fúria interna necessária para combater demônios. Seus reflexos eram médios, seus músculos fracos e não sabia pensar rápido e formar uma estratégia (Que ninguém contasse para ela, essa observação).

Constatando isso, os dois demônios decidiram que se manteriam por um tempo com treinos que melhorassem essa parte e depois aprofundariam os termos de um combate sobrenatural, mas definitivamente seria necessário conceder algum tipo de poder para a garota magricela ou ela apanharia feio.

Terminado o horário dos treinos, ficava horas conversando coisas loucas com Gilly. A morena falava sem parar uma enxurrada de histórias e dúvidas que ela tinha.

Contava da ruiva sem graça e da vovó do mal, de como conhecera Damon e de como o odiava (Ok, tesão agora se chamava ódio), do tal loirinho metido a Zac Efron que a procurava tentando reatar o namoro, dos pais, e mais outros trezentos assuntos diferentes.

Johanna ouvia na boa e até guardava segredo e a aconselhava, porque ela não era tão ruim quanto os outros humanos e porque tudo que envolvesse “afundar os planos do Salvatore” era com a Joh mesmo, mas não queria que a garota começasse a achar que era amizade ou algo assim e surtasse do nada.

Aparentemente era o medo do Damon também. Rolava uma óbvia tensão sexual entre aqueles dois, mas isso era normal entre contratante e contratado, o único detalhe fora do lugar ali era que o demônio parecia estar em constante luta interna.

Como se aos poucos Elena fosse alimentando alguma fraqueza dele e isso o deixasse com ódio da garota.

Era engraçado, ele parecia ter probleminhas psiquiátricos. Mas algo sério devia estar ocorrendo e ela sabia que assim que ele descobrisse, outras guerras surgiriam.

O fato é que Gilly já deixava evidente em seus bonitos e redondos olhos castanhos, que gostava dele. O Salvatore era um pouco tapado então não deveria perceber, mas dava pra ver a quilômetros de distância.

Nojento, mas era comum no mundo humano né? Ninguém era perfeito.

Suspirou jogando mais um livro por cima do ombro.

Sinopse feita por Johanna Marshall da publicação: Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda.

Humanos e seu vício de publicarem lixo. A maçaneta da porta girou revelando uma Elena de olhos arregalados.

Oh não, será que ela tinha “quebrado” de novo e iria fazer aquele escândalo de moça virtuosa sendo assaltada por uma criminosa bonitona?

Johanna riu folheando o novo livro da lista.

– Se a sua intenção é me deixar assustada com essa cara, está funcionando. – disse irônica.

– Q-Quem é essa Lenny?

Hmm, agora tudo fazia sentido. A cara de lhama ferida que a Gilly fez era porque o irmão gostosão dela estava junto.

Ops.

Levantou-se da cama indo em direção aos irmãos com um sorriso apaziguador no rosto.

– Antes de explicar o que faço seminua no quarto da Elena... Vamos às apresentações que são mais legais! Você deve ser o Jeremy... Sou Johanna, a escrava sexual da sua irmã. Brincadeira, hey, seus olhos saltaram! Amiga, só amiga.

Cumprimentou estendendo a mão para que ele apertasse. O garoto engoliu alto passando os olhos lentamente pelo sutiã preto que ela vestia só para rapidamente corar olhando para o lado e aceitar o cumprimento.

Será que todo Gilbert ficava vermelho ao ser exposto a tensões sexuais?

– É um prazer conhecê-la. – a formalidade soando alto. – Ela estuda no nosso colégio, Lenn?

Gilly parecia que iria ter um treco e começara a hiperventilar como uma doida tentando falar algo.

– A Jô é... Bem, sabe o bar Caveira Ros– Johanna amassou seus lábios com as mãos antes que ela terminasse.

Se achava mesmo que ela deixaria a sua imagem vinculada ao bar ridículo que Elena inventara, estava muito enganada.

– O tal bar é um lixo, nunca vá nele. – descartou moldando a história de acordo com o seu gosto. – Nos conhecemos no colégio sim, mas nunca estudamos juntas porque sou mais velha. Estou no primeiro ano de faculdade em Boston, mas... Com o acidente dos meus pais resolvi largar os estudos por um tempo e vir em busca da única família que eu tenho: Meu irmãozinho de intercâmbio, Damon. Cheguei aqui ontem de noite e Gilly foi legal e me acolheu, mas pedi que ela mantivesse em segredo porque não quero a atenção de todos da cidade, já é ruim lidar com a perda dos meus pais sem holofotes, imagine com eles.

Seu rosto caiu para dar mais credibilidade à sua “tristeza”.

– Ah, você é a filha dos Caltron. – o garoto pensou se lembrar, colocando a mão desajeitadamente no ombro dela. – Lamento pela sua perda.

– Obrigada, Jeremy. – balançou a cabeça mais vezes como inconformada. – Mas a vida segue... Então, você tem namorada?

Deixou que seu corpo avançasse mais na direção dele, vendo que Elena escondia o rosto com as mãos como se não acreditasse no que estava vendo.

O garoto atraente corou mais se grudando à parede.

– T-tenho... Lucy.

Seus lábios se entortaram em um biquinho de decepção.

– Vamos ver até quando. – segredou colando-se a ele mesmo sentindo que a qualquer minuto Elena a puxaria – Se precisar de alguma ajuda em algo que exija... experiência... É só me chamar Jeremy.

Tinha que admitir que o garoto possuísse muita garra já que quase parecia conseguir responder, mas antes que o fizesse ela o beijou rapidamente e o libertou rindo.

– Releve, J. Ela é louca. – Gilly entoou a arrastando para a poltrona brega do seu quarto e pegando algo em cima da cômoda. – Aqui o que a mamãe pediu.

O pobre menino constrangido assentiu sem graça recebendo o objeto (que parecia um frasco com algo), tentou acenar e partiu em disparada pela porta.

Assim que ficaram às sóis, Johanna caiu na gargalhada.

– Não tem graça sua ninfomaníaca do beco, o que você estava fazendo com o meu irmãozinho?

Isso só fez com que sua risada aumentasse.

– Não estava fazendo nada, mas pretendo fazer muita coisa se ele quiser.

Gilly fez um “o” com os lábios de espanto e vergonha, mas riu um pouquinho.

– Sua louca! Mas, Hey, pelo menos você descobriu algo útil. – disse em tom pensativo. – O nome da namorada misteriosa do J é Lucy... Espera! – pediu começando a iniciar seu próprio ataque de risos. – Isso é bizarro! Lucy e Johanna são nomes de personagens do Sweeney Todd, respectivamente mãe e filha e para piorar, acabamos de saber que a tia Jenna está saindo com um pastor chamado Gregory Turpin. Turpin é outro personagem do musical! Só falta aparecer um Benjamin e um Anthony e está tudo completo.

Seus risos fascinados ecoaram dando-lhe um ar infantil charmoso, mas Johanna não conseguiu acompanha-la nem por piedade.

Turpin... Gregory Turpin... Onde já havia ouvido esse nome?

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