Demônios Não Amam.
7 Caveira rosa e outras anomalias da sua mente.
Notas iniciais
Amores da minha vida *-*, como estão?
Enfim, semana infernal essa Última, namorado quebrou a perna e tive que dar uma de enfermeira HUAHAUAHUSHAUHSU, mas prometo compensar depois.
Obrigada de verdade por estarem acompanhando, essa fic é dedicada à todos vocês.
beijos, beijos:*
Enfim, semana infernal essa Última, namorado quebrou a perna e tive que dar uma de enfermeira HUAHAUAHUSHAUHSU, mas prometo compensar depois.
Obrigada de verdade por estarem acompanhando, essa fic é dedicada à todos vocês.
beijos, beijos:*
POV – Elena Gilbert.
As mãos ostentando unhas vermelhas perfeitas se agitaram no ar como se dissessem “Exato!”.
Um suspiro pesaroso escapou dos seus pulmões e Caroline deitou a cabeça no ombro da amiga.
– Sabe que eu estava mesmo gostando dele? – Divagou com a voz infantil e manhosa.“Claro que eu sei, considerando que você só o viu uma vez na vida e só trocaram quatro palavras.” – Elena teve vontade de responder, mas se contentou em dar duas tapinhas carinhosas na mão da outra, para confortá-la.
– Nah...Mas é a vida! Nada que margaritas e outro pedaço de mau caminho não me façam superar. – Mostrou a loira ficando radiante de novo. Largou o apoio da amiga ajeitando os cachos dourados e a encarando com olhos pidões. – Agora vai! Conte-me tudo sobre isso. Como o Damonkinho conheceu o Jê?
Elena riria loucamente, mas resolveu se concentrar na sua mentira para não se enrolar muito e estragar as coisas por desatenção.
– Ah eles se conheceram em um bar de, você sabe, bad boys.
– Bar? – A loira ergueu as sobrancelhas, animada. – Que macho! – Usara a palavra em espanhol lembrando-se dos estereótipos de que gays provavelmente não frequentavam lugares assim.
– Um bar só para gays. Para bad-boys gays. – Esclareceu antes que Caroline voltasse a dar em cima de Damon por causa do lugar aparentemente heterossexual que ele “frequentava”. – Chama-se... Hmm, Caveira Rosa.
A bela mulher de cabelos dourados franziu o nariz, confusa.
– Não parece muito nome de bar!
– Você quer ouvir a história ou não?! – Exasperou-se Elena vendo o fiasco que era quando mentia.
A amiga fingiu lacrar os lábios incentivando a continuação.
– Bom, eles se conheceram lá e o Damon se apaixonou pelo Jeremy, mas ele é tímido e não quis se aproximar. – O que diabos ela estava fazendo? Damon gay e tímido era muita piada para um dia só. – E por uma incrível coincidência do destino nós nos encontramos tempos depois desse episódio quando eu estava fazendo o supermercado para a tia Jenna e ele percebeu a minha semelhança física com o J.
A loira olhou para o lado deixando bem claro o que ela achava sobre os irmãos Gilbert serem “parecidos”, mas não falou nada.
– É coisa do amor, reconhecer o amado em qualquer lugar, sabe como é! – Tentou consertar inutilmente. – Bom, conversamos e ele me acompanhou até a casa carregando algumas compras, viu o Jeremy, confirmou que era por ele que havia se apaixonado e contou-me tudo. Tornamo-nos amigos, mas ele sumiu por um tempo e por isso eu bati nele daquela vez. Sabe... Saudades... Preocupação.
Havia algum prêmio de pior mentira esfarrapada do mundo?
Caroline a encarou em dúvida, mas depois simplesmente lembrou-se de algo que apagou isso da memória.
– Espera! Isso quer dizer que o J é gay também? – Entoou alto demais. – Claro, porque se ele estava na Caveira Rosa, que é um bar gay como você me disse (e ir a lugares assim não faz nem um pouco a cabeça do Jeremy) isso só pode significar que ele é também! Ai isso é in-crí-vel, Eles podem ficar juntos então. Vamos ajuda-los Lenn. Vamos, Vamos!Oh-oh.
– Não Cah, o J estava lá só... Fazendo companhia a um amigo.
– Lenn, o seu irmão só tem dois amigos homens: o Matt e o Tyler (que são bem heterossexuais), o resto são todas mulheres! – Observara com o ar calculista. – Eu achava que era porque ele era mulherengo, mas agora faz todo o sentido do mundo. Ele é gay!
– Quer parar de gritar? – Ordenou a morena imaginando Damon e Jeremy a esfaqueando lentamente e incinerando depois. – Não podemos mudar de assunto? Em respeito à privacidade deles e tudo mais.
Caroline olhou para os lados só percebendo naquele instante que estava gritando feito uma louca. Sorriu como se pedisse desculpas e diminuiu o tom de voz para um sussurro.
– Aquela garota nova que vive para cima e para baixo com ele, é a fachada para espantar as mulheres, igual você é a do Damon?“O que aquela garota é do Jeremy... Bom, ótima pergunta.” Elena pensou com leve amargura. Ela e o irmão nunca tiveram segredos e de repente ambos tinham um mundo de coisas a esconder.
Afastou aquela ideia da cabeça com um aceno positivo e viu a amiga dar um sorriso assombrado. A loura amava historinhas de casais, principalmente se fosse algo secreto e ela uma das poucas pessoas que soubesse. Elena já podia imaginá-la fazendo bandeirinhas de “D + J”.
– Carol, por favor, você não pode contar isso para ninguém. Ninguém mesmo! – Implorou enquanto percebia um sorriso ainda mais malicioso no rosto da menina.
Achou que era uma reação àquela fofoca tão polêmica, mas foi só quando sentiu a respiração em seu pescoço que temeu ser algo pior.
– Nem para mim? – Murmurou a voz linda em seu ouvido a fazendo pular do banco levando a mão ao coração.
– Damon! – Ralhou encarando o demônio que sorria divertido. – Você precisa parar com essas coisas de aparecer do nada! Digo, de aparecer sem fazer muito barulho, dando sustos e essas coisas. Não que você “apareça” do nada porque pff, ninguém faz isso. A não ser coelhos de mágicos e tal. – Falou como uma idiota fazendo com que os outros dois a olhassem preocupados.
– Hã... Não liga não, ela está meio chapada hoje. – Murmurou a loira cumprimentando o homem lindo com um beijo na bochecha dele. – Wow, você é quente. Será que está com febre? De qualquer forma... A Lenny me contou tudo sobre você e eu só quero dizer que eu o apoio e estou aqui para o que precisar. – Disse rapidamente não dando a chance de o demônio responder qualquer coisa antes que ela terminasse.Droga!
Salvatore olhou de Elena para Caroline com uma súbita curiosidade.
– Carol... Vamos para aula? – A morena tentou com um sorriso forçado.
Lamentavelmente, foi ignorada pelos amigos.
– Hmm... Obrigado – Salvatore esforçou-se confuso. O azul acinzentado agora encarava a cruz fina no pescoço da loira. – Pensei que isso aí fizesse de você menos compreensiva.
A menina dourada seguiu o olhar e então segurou o símbolo entendendo algo.
– Ah! Não, não... Olha, minha família é católica, mas nós somos “super” liberais e não temos nada contra ao que você é não. – Ela abaixou o tom de voz marota. – Na verdade, acho que daqui a alguns anos até o Papa vai aceitar vocês. – Terminou com uma piscadinha.Ok, era bizarro o fato de os dois estarem falando de coisas completamente diferentes e ainda assim a conversa parecer se encaixar. Elena queria rir, mas tinha que estar preparada para interromper tudo assim que fosse necessário...
– Você é otimista demais. Acha mesmo que a igreja aceitará demônios? – As sobrancelhas negras se uniram enquanto assumia um ar de provocação.
– Demônios?
... Como agora. Agora era muito necessário.
– Sim “demônios”! A galera da Caveira Rosa combinou que todos se fantasiariam de demônios no Carnaval do Brasil. – Elena respondeu sem nem ao menos respirar, puxando a jaqueta de couro preto para que Damon a seguisse. – Ok. Preciso ir agora... Falar com ele em particular e tal. Carol, encontro você na aula!
Virou-se rápido demais para notar a reação da loira, mas conseguia imaginar a cara de “Que droga é essa?” que ela deveria estar fazendo.
Andou arrastando o criado por alguns minutos até chegarem à parte arborizada na qual se encontraram pela primeira vez.
– Certo... Vou contar tudo e depois você pode me matar com um machado. – Elena disse encarando seus pés. – Aliais... Espera. Poderia ordenar que você não me matasse?
Damon assentiu, mas não parecia prestar muita atenção ao que a sua vítima falava.
– Ah, então ótimo. Ordeno que não me mate. Hmm... Salvatore? O que você est- SALVATORE!
Os dedos masculinos se prendiam no vestido azul tentando puxá-lo para baixo. Ao notar, entretanto, que o decote era tomara-que-caia e Elena ficaria seminua com mais uma puxão, retirou a jaqueta de couro dos ombros e a colocou na menina atônita e confusa à sua frente.
– Só um minuto e conversamos. – Avisou levantando o zíper até o pescoço da morena e finalmente puxando o vestido azul para baixo a ponto de fazê-lo bater na canela. – Pronto. – Sorriu satisfeito cruzando os braços.
Elena olhou para si mesma aturdida. Seu vestido virara uma saia enorme desse jeito e a jaqueta a deixava como uma bad girl recatada. A única coisa relativamente boa – e que ela nunca admitiria- era o perfume de Damon impregnado na peça.
Os olhos castanhos se estreitaram.
– Quem contratou você? Meu pai ou meu irmão? – Indagou lembrando-se do festival de implicância com o comprimento da sua roupa durante o café da manhã. – Enfim, vou falar rápido para ser menos doloroso. Lembre-se de que eu ordenei que você NÃO me matasse!
Ele rolou os olhos, levemente entediado. Não deveria nem desconfiar do que a louca fizera.
– A/Caroline/acha/que/vocêé/gay/e/gosta/do/Jeremy/desde/que/o/vira
/em/um/bar/ chamado/Caveira/Rosa. – A enxurrada de palavras soou a fazendo, logo depois, cobrir o rosto com as mãos.
No fundo tinha sérias esperanças que Damon não a tivesse entendido, mas demônios deveriam ter ouvidos supersônicos ou algo assim, já que não se passou nem um minuto para que ganhasse uma resposta.
– E ela começou a achar isso... Do nada? – Sua voz estava tão carregada de veneno que soava como aquelas mães que já sabem que o filho aprontou, mas querem que ele mesmo se responsabilize por seus atos.
A garota bufou irritada e suas mãos tombaram ao lado do seu corpo.
– Tá, tá. Eu a fiz achar isso. – Admitiu como uma perdedora. – Mas foi por medidas de segurança!
– As mesmas medidas que fizeram com que você gritasse na sorveteria que estávamos juntos?Droga. Ele já tinha entendido todo o jogo dela.
Suas bochechas arderam enquanto umedecia os lábios para não sair correndo em um ataque de vergonha.
Algo nesse gesto fez com que Damon risse divertido, só para logo depois erguer o queixo da garota e fazer com que ela fitasse o azul acinzentado inebriante.
Elena quase recuou ao perceber quão perto estavam, se ela fosse mais alta estariam se beijando.
– Você sabe que a sua mentira soou ofensiva e que nós demônios somos seres extremamente vingativos, não sabe? – Murmurou em um tom mais baixo que fez com que o coração da garota se acelerasse e cada pedaço do seu corpo tremesse.
Ela fez que “sim” com a cabeça e o homem riu mais um pouco.
– E isso significa...? – Estimulou com os olhos faiscando em malícia.
Elena pigarreou tentando encontrar sua voz.
– Que você vai querer dar o troco na mesma moeda. – Respondeu como uma aluna do fundamental obediente.
– Exato. – O demônio concordou inclinando-se para ficar mais próximo ao ouvido dela. Seu perfume a fazia querer fechar os olhos para gravar aquela fragrância para sempre. – O que acha de dizermos para a sua amiguinha que você é lésbica e está apaixonada por ela? Assim podemos ir um encontro duplo na... Caveira Rosa. – Ironizou a fazendo arregalar os olhos.Filho da...
– Damon Salvatore faça isso e eu juro que ordeno que dance I want break your heart ¹ em todos os clubes gays do mundo. – Ameaçou o encarando desafiadoramente.
Ele riu despreocupado como se não tivesse nada a temer e se afastou um pouco.
– Seção 80 do artigo 1389 do Códex do Diabo: “Os demônios contratados não podem ser submetidos a ordens de cunho pejorativo e discriminatório para entretenimento dos humanos ou ridicularizarão dos primeiros citados.” – Recitou com um sorriso de lado. – “Qualquer contratante que desobedeça essa e todas as clausulas do Livro perderá imediatamente o servo e poderá ter sua alma sugada no mesmo instante”.
– Códex do Diabo?! Mas, eu nunca fui informada que essa porra existia. – Extravasou nem ligando para o palavrão em sua frase.
Salvatore deu de ombros como se isso não fosse problema dele.
– Normalmente as pessoas não invocam demônios e sim são abordadas por eles, nesse caso quando oferecemos o contrato damos o Códex. – Pausara meneando a cabeça. – O problema, Srta. Gilbert é que a sua amiga me invocou então já deveria estar ciente de todas as regras, por isso o Livro não foi dado para “ela”.
– Aposto que Bonn não tinha ciência de nenhum desses absurdos! Ela fez o ritual pela internet, logo, me dê a droga do livro para que eu não possa mais ser enganada.
Dessa vez Damon pareceu realmente confuso.
– Elena, Bonnie Bennett é uma bruxa e me invocou com base nesses conhecimentos. Nenhum ritual da internet funciona. – Explicou sério.
A garota revirou os olhos, ainda teimosa.
– Claro que funcionam! Jennifer’s Body² é o quê?
– Um filme. – Respondeu prontamente. – Muito ruim por sinal.
Ela lembrava-se perfeitamente do que Bonnie dissera (havia feito rituais satânicos da rede) e a ruiva nunca mentiria em hipótese alguma para Elena.
Porque então sentia aquele aperto no peito que a alertava que Damon estava certo e a invocação dele tinha mistérios maiores?
Será que...?!
Não. Ela precisava manter a cabeça focada. Demônios eram ardilosos e amigas eram confiáveis. Sem mais.
Fora que os rituais podiam até não funcionar com pessoas, mas talvez por Bonnie ser uma bruxa tivessem dado certo ou sei lá. Não fazia diferença, o fato é que entre Salvatore e Bennett, escolhia a segunda opção.
– Tanto faz se foi pela internet, telefone, fax... Eu não estou ciente dessas regras e quero estar! Códex na minha mão agora Damonkinho. – Ordenou autoritária enquanto ele fazia uma careta para o novo apelido.
Entretanto, não discutiu mais. Apenas suspirou pesadamente fazendo com que o livro gigantesco surgisse nas mãos minúsculas femininas.
Elena tombou com o peso do livrão caindo no gramado com mochila e tudo.
Teve que agradecer mentalmente ao filho de Lucífer por ele ter “aumentado” o comprimento da sua roupa ou estaria nua nesse exato momento.
O homem a encarou surpreso com a sua fragilidade e a levantou de forma cavalheiresca, enquanto segurava o Códex como se fosse um livro comum.
– Quer que eu deixe no seu quarto? – Ofereceu prestativo a vendo simultaneamente massagear os pulsos. A menina balançou a cabeça assentindo, e ele sorriu e fez com que a legislação sumisse. – Preciso alertar que vai ser uma longa leitura. Nenhuma vítima que já tive conseguiu ler por inteiro.
A adolescente bufou com um ar superior.
– Nenhuma das suas vítimas se chamava Elena Gilbert. – Disse apoiando a mochila no ombro novamente. – Vou ler até a última página e pedir por mais.
O demônio ergueu as sobrancelhas com a segurança da garota e seus olhos brilharam maliciosamente como se achasse aquilo fascinante.Ok... Vai ver que os filhos de Lucífer gostavam de atitudes nerds ou sei lá.
– Ha-Ha, quero só ver a sua cara Salvatore quando eu conseguir burlar suas regrinhas idiotas e fizer de você um stripper de boates gays. – O ameaçou divertida enquanto ele pesava o cenho. – Mas antes, ordeno que não invente nada para a Carol. Eu vou procurá-la agora, desmentir tudo e falar que eu estava bêbada ou algo assim... Ou dizer que o seu irmão gêmeo que é gay! Posso usar o tal Stefan? – Brincou marota.
Isso fez com que Damon risse gostosamente.
– Fique a vontade. – Permitiu fazendo uma reverência que fez com que Elena o acompanhasse no riso.
O sinal estridente do colégio soou ao longe alertando os alunos do início da primeira aula. Era a deixa para a Srta. Gilbert sair.
Fez um biquinho chateado de despedida e virou-se caminhando em direção ao prédio central. Parou, no entanto, no meio do caminho ao ouvir Damon a chamando.
Girou nos calcanhares encarando o belo homem a alguns passos de distância. Ele tinha um sorriso traquina no rosto.
– Antes de você ir... Tenho uma pergunta.
– Hmm? – Murmurou curiosa.
– O que você fumou para escolher “Caveira Rosa” como nome de um bar?
__________________________________________________________________A exaustão era tamanha que assim que chegou a casa, jogou-se pesadamente na cama.
Seus pais tinham deixado um bilhete pregado na geladeira avisando que foram fazer uma visita a Jenna – que estava deprimida desde que os filhos do casal partiram da sua casa – e chegariam tarde.
Isso chateou um pouco a garota. Miranda havia combinado com Elena que todos visitariam a tia na próxima semana, porque aparentemente a filial de Mystic Falls estava muito desorganizada e eles aproveitariam esses primeiros dias para colocar tudo em ordem.“Tornaremos a melhor filial da empresa” – Prometeu seu pai, certa vez, metido.
Mesmo assim os dois traíras pareciam ter aproveitado a primeira oportunidade sem os filhos para irem sozinhos. (o que era bem estranho e fazia com que Elena imaginasse que os pais e a tia participassem de algum grupo de investigação ultrassecreto como em “Desventuras em Série”).
De qualquer forma, ela falaria com o irmão e eles iriam outro dia. Sentia realmente falta da sua mãe adotiva. Jenna fora doce, gentil e maravilhosa durante todos esses anos os hospedando... Merecia uma consideração incondicional por parte deles.
Retirou o casaco saído dos filmes do John Travolta, vislumbrando o decote do seu vestido estacionado exatamente na sua cintura. Damon não tinha jeito!
O pior é que gostou mais da peça como saia do que como qualquer outra coisa.
Não tinha pernas tão bonitas assim para sair mostrando-as para toda a cidade.
Puxou as mechas castanhas para frente do seu corpo cobrindo os seios e foi para o banheiro tomar uma ducha sentindo-se a própria Pequena Sereia.
Sim, ela tinha os seus momentos Disney, Ok?
Girou a torneira do chuveiro o máximo que conseguiu e entrou sem hesitação na água morna.
Cada músculo do seu corpo relaxou enquanto ela passava o shampoo no cabelo e massageava os fios. Aquilo era o paraíso depois de um dia tão cansativo como tivera.
Caroline tinha sido irredutível com a história de Damon e sugeriu que só formaria uma opinião da sexualidade dele após... Conhecê-lo melhor (lê-se: irem ao cinema e depois visitarem a cama dela).
Elena decidira não dar uma resposta. Não queria quebrar o nariz da amiga e levar uma suspensão no primeiro horário. Além do mais, Damon que deveria decidir essas coisas já que a Srta. Gilbert só era a contratante dele. Nada mais.
Expulsou a loira oferecida dos seus pensamentos e resolveu concentrar-se mais no banho.
Assim que se sentiu limpa o bastante, desligou o chuveiro e tateou atrás da sua toalha.
Foi surpreendida pela mão gentil a entregando.Mas o quê?!
Abriu os olhos rapidamente deparando-se com o banheiro completamente vazio. Ok. Ou ela estava louca ou... Damon Salvatore morreria naquele mesmo dia.
A vergonha a tomou enquanto ela se secava e vestia um short jeans e uma blusa preta velha com a foto do Johnny Depp.
Se aquele voyeur pensava que podia ver a menina nua e sair em pune estava muito enganado. Hoje, ele veria do que uma humana era capaz com uma frigideira na mão.
Marchou para o quarto ainda ensaiando ofensas e ameaças e encontrou o idiota encostado à porta a esperando.
– Você ficou louco? O Jeremy está em casa! – Sussurrou em um tom enérgico.
O demônio sorriu maliciosamente imitando o volume que ela usava para falar.
– E ele estar em casa é um problema? Sabe Elena um dia você vai ter que assumir a nossa relação para a sua família. – Brincou fingindo estar magoado. – Além do mais... Segundo você e a Caroline ele não é meu namorado ou algo do tipo? – Recordou ácido.
A morena corou irritada.
– Ok. Vamos esclarecer umas coisas aqui mocinho. – Seu dedo indicador cutucou um dos músculos perfeitos do abdômen de Salvatore. – Você não pode ficar me espionando. Minha família não pode nem desconfiar disso ou eu paro em um hospício e... Não, você não namora o Jeremy. Apenas está apaixonado por ele desde que se viram na Caveira Rosa. – Corrigiu sorrindo aberta e maliciosamente.
Damon revirou os olhos pegando a mão da garota e levantando quatro dos dedos femininos para enumerar algo.
– Eu não estava espionando você, só queria garantir que não tinha se afogado no banho. – Murmurou em um tom inocente abaixando o primeiro dedo da garota. – Prometo que se você for para um sanatório, eu deixo as coisas divertidas para você por lá. – Curvou o segundo. – Você é péssima inventando histórias românticas, e Caveira Rosa é um nome deplorável. – Acusou descendo o terceiro. – E por último, Jeremy acaba de ouvir parte da nossa conversa, ou do seu monólogo se preferir, já que ele não pode me ver ou escutar o que eu falo sem a minha permissão. – Acabara triunfante, abaixando o dedo erguido que restava. – Vou deixar vocês terem uma conversa de família agora. Vejo você à noite.
O demônio sorriu de um jeito superior e cheio de malícia, encostou seus lábios dos dela rapidamente e desapareceu deixando a menina atônita, corada e querendo matá-lo de todas as formas cruéis que pudessem existir.
– Lenn? – Uma voz confusa a chamava atrás dela. – Nós podemos conversar?
O tom de Jeremy era preocupado e contido e quando ela virou-se para encará-lo, viu que seu rosto estava ainda pior.Ok. Era assim que ataques cardíacos eram?
– C-claro, J. – Gaguejou girando a maçaneta do seu quarto. – Entra.
O menino alto de cabelos escuros entrou meio reservado e sentou-se na poltrona que Elena deixava perto da cama.
Aquele lado era o único que estava impecavelmente arrumado desde que o furacão Salvatore havia agido. Estavam em processo de organização rápida com Damon arrumando tudo sozinho, mas os pais da garota resolveram entrar no quarto para ver como ela estava e viram o caos do lugar. Acharam que foi algum ataque de rebeldia adolescente e, compreensivos, ofereceram-se para arrumar com ela.
Dessa forma, Elena ficara presa a esperar a ajuda dos pais e não podia mandar seu servo deixar tudo brilhando enquanto ela fazia as unhas tranquilamente e ganhava os louros.Droga de vida.
A menina sentou-se na cama de frente para o irmão e esperou pacientemente que ele começasse a dizer quando a internaria.
– Lena, nem sei como falar isso. – Disse a fitando pesaroso. – Mas estou seriamente preocupado com você!“Hospício, remédios controlados... lá vamos nós” – Pensou amargamente.
– Eu já tinha percebido desde quando morávamos com a tia Jenn, que você tinha... Inventado esse “amiguinho imaginário”. – Pausara fazendo aspas com os dedos. – Pensei que era só solidão porque a Bonn viajou e você sentia falta dos nossos pais... Mas aí, voltamos a ter uma família e você ficou ainda mais surtada! Destrói seu quarto do nada, fala com a parede... Até fica corada como se tivesse em momentos constrangedores ou algo assim. – Uma careta formou-se no rosto de ambos. – E... Eu a amo, Lenn e quero o seu bem. Você sabe que eu faria tudo por você, então quando estiver se sentindo sozinha é só falar comigo e dou um jeito de distraí-la. Podemos jogar videogame, ver filmes... Qualquer coisa! Não precisa inventar uma companhia.
Era um absurdo ser acusada tão injustamente, mas ouvir aquelas palavras de apoio ajudara a adoçar o humor da menina.
Elena sorriu assentindo e levantou-se para beijar a testa do irmão. Jeremy era o ser mais doce da face da terra.
– Obrigada. – Murmurou sem jeito. – E... Eu sei que isso é o que todo maluco deve falar, mas eu juro que não estou louca!
– Eu sei que não está. -Ele riu sereno, levantando-se e devolvendo o beijo. – Acho que já vou então. Prova de matemática amanhã. – Uma careta surgiu em sua face e Elena o imitou solidária.
– Boa sorte, J.
– Vou precisar mesmo. – Disse já se virando e indo em direção à porta. Parou a alguns centímetros dela e voltou remexendo algo no bolso. – Ahn... Lena, aqui o telefone do Matt. Sei que provavelmente você não tem mais e acho legal que você salve no celular por garantia.
Instantaneamente a adolescente sentiu suas sobrancelhas se unindo.
– “Garantia”?
Jeremy corou.
– É... Você sabe, ele ainda gosta de você e estava me perguntando se a sua carência era só afetiva-fraternal mesmo ou teria... Algo mais...
Oh não. Não, não, não, não. Isso só acontecia com ela, sério.
– Acho de verdade que agora deveria estudar para a sua prova, Jeremy. – Respondeu furiosa, arrancando o papel da mão dele, amassando em uma bolinha e atirando na pilha de bagunça do outro lado do quarto. – Obrigada pela ajuda.
Seu sorriso demoníaco foi o sinal que o menino precisava para sorrir sem graça e sair do cômodo no mesmo instante.
Toda a família Gilbert sabia muito bem quando era a hora de não mexer mais com Elena.
_________________________________________________________________“Lista de limites territoriais cadastrados em que o poder destrutivo de Lucífer funciona”A menina leu, franzindo a testa com impaciência ao chegar ao ponto final. Demônios eram o quê? Celulares?! E o pior, de uma companhia telefônica terrível, já que só “funcionavam” em certas áreas.
Xingou baixo e fechou o gigantesco livro, marcando a página 509 com a fita vermelho sangue.
O relógio já anunciava as onze horas da noite e nada de Damon Salvatore dar as caras. Coçou os olhos sonolentos e segurou o medalhão sabendo que isso resultaria em uma queimadura nas costas do demônio.
Quase que no mesmo instante, o homem de cabelos negros e olhos acinzentados surgiu ao seu lado com um ar divertido.
– No que posso lhe servir, majestade? – Murmurou irônico com um sorriso malicioso.
– Pode começar se jogando de um penhasco bem alto. – Retrucara com mal humor. – Graças a você meu irmão acha que eu sou louca, carente e precisando urgentemente de sexo.
Em vez de ficar solidário à sua dor e pedir desculpas como deveria, Damon riu.
– Vai me odiar ainda mais se eu disser que concordo com ele? – Indagou o futuro defunto com um ar malicioso.
Elena preferiu deixar que o travesseiro lançado na cara dele respondesse por ela.
As risadas aumentaram por alguns segundos até ele resolver se comportar.
– Salvatore, Jeremy é o de menos, mas se ele percebeu algo estranho, outras pessoas também irão e eu não quero ficar a base de tarja preta. – Pausara ainda sonolenta e emburrada. – Você também vive sumindo e nem sempre posso apertar o medalhão, então tenho uma ordem meio urgente.
Os olhos castanhos encararam os azuis atrás de algum resquício de protesto, mas só encontraram curiosidade. Seus ombros relaxaram um pouco mais.
– Quero que você dê um jeito de morar aqui como uma “pessoa normal”. Todos vendo você e não só eu. Ninguém estranhará dois “amigos” conversando e eu perderei a fama de louca.
Ele desalinhou o cabelo pensativo e então simplesmente assentiu. Pronto, uma coisa a menos para resolver. Elena se permitiu sorrir para si mesma.
– Andei lendo esse livro idiota e estou frustrada. – Sua mão espalmou na capa negra. – Os bens materiais que vocês fabricam são amaldiçoados, então nada de Lenna doando dinheiro para criancinhas carentes. Não aceitam fazer nada que seja em benefício de outra pessoa a não ser o contratante, então não posso salvar ninguém da guerra, nem qualquer outra coisa legal! Como vocês conseguem contratos?
Damon riu sem muito humor.
– Espero que não se ofenda com a minha sinceridade, mas esses contratos não foram feitos para beneficiar vocês. – Seus olhos brilharam avermelhados. Demoníacos como nunca. – O intuito deles é conseguir almas prometendo coisas que só as deixam melhores para nós. Não sei quem inventou a coisa ridícula de que nós demônios gostamos de almas puras. Odiamos, na verdade, nos corrói e enfraquece. Só tiramos proveito do que há de pior no mundo e o contrato ajuda a despertar esse lado nas nossas vítimas. Elas ficam cegas pelo poder, luxúria, inveja ou arrogância e vão se envenenando cada vez mais.
Elena podia sentir seu coração acelerado gritando por socorro ao vê-lo pela primeira vez sob um prisma tão sombrio. Um medo impactante apareceu, ao mesmo tempo em que parte do seu cérebro a lembrava que ali era só o seu Damon. O mesmo cara charmoso que a auxiliou nos assuntos familiares.
Ainda assim pouco adiantava. Não dava para recuar depois de ver a face do Diabo.
– No final de seis meses. – O demônio continuou apreciando a luta interna que acontecia na menina. – Nossas vítimas estão tão más quanto nós e viram o alimento perfeito. Algumas se arrependem e estragam tudo, mas são raras.
– E as que não se arrependem, viram demônios depois, não é? – Lenn tentou em um fio de voz.
Ele assentiu lentamente ainda a avaliando.
– Mas, enfim... De volta à sua pergunta: Também não temos leis que incentivem a bondade nem coisas bizarras do tipo, porque nunca foram necessárias. Nenhuma vítima nunca desejou o bem do próximo se isso não a favorecesse primeiro. Artistas que fazem campanhas beneficentes apenas para alcançarem mais fama, poder e reconhecimento na mídia. Pessoas que pedem que o namorado baleado em um assalto não morra, apenas pelo egoísmo de querer a pessoa do lado e não por realmente se importar... – Um sorriso cruel se formou em seus lábios. – Meninas que pedem a família unida só para acabarem com o vazio interno das suas vidinhas fúteis e insignificantes.
Elena o encarou como se ele tivesse batido em seu rosto. Não falou nada, no entanto. Ficou apenas olhando aqueles olhos azuis cheios de uma maldade digna de um filho de Lucífer e preparou-se para o que iria acontecer.
Seu peito doeu acabando temporariamente com a sonolência. Ele tinha razão não tinha? Ela era um monstro egoísta como todos os outros humanos do mundo.
Respirou fundo tentando se acalmar, mas sabia que o castanho da sua íris queimava.
Não soube se foi isso que fez com que o gelo acinzentado derretesse atônito ou qualquer outra coisa, mas o fato é que, inesperadamente, Damon fitou o chão.
– Não, eu estou errado. – Sussurrou reflexivo. – Você, Elena Gilbert é ridiculamente diferente. Pediu a união da sua família pensando no bem estar do seu irmão. Não deu nenhuma ordem que exigisse dinheiro, poder, manipulasse alguém ou servisse de vingança. Aliais, não pediu nada de útil, até agora. – Dessa vez o tom era o mesmo que ele costumava usar quando brincavam. – Não recusou um favor que eu pedi e agora praticamente me convida para morar com você.
– Não é bem assim a história! – Defendeu-se corando e quase se esquecendo da tensão de minutos atrás. – Só não quero parecer louca falando sozinha.
Ele riu e todo o ar macabro pareceu se dissolver.
– Isso não anula o fato de que pediu a um demônio que ele morasse com a sua família. – Apontou inteligente erguendo as sobrancelhas. – O que me faz achar que ou você os odeia, ou tem algum tipo de confiança estranha em mim.
Esse era um ponto delicado e complexo. Tão louco que Elena não gostava de pensar nem quando estava sozinha, que dirá com Damon.
– Nah, eu confio na ordem que vou dar para você: Não ofereça contratos para a minha família nem tente desencaminhá-los, porque se não eles vão descobrir que eu sou uma contratante e meus pais vão me deixar de castigo. – Brincou desviando o assunto principal.
O filho de Lucífer sorriu em resposta e depois fitou o nada por um longo tempo. Agora parecia que estava tendo suas próprias guerras internas.
Elena manteve-se ali parada, apenas o encarando como se ele fosse o pôster de um ator lindo do qual fosse fã.
Cada traço perfeito o tornava encantador e perigoso. Ainda não havia entendido porque ele se tornara tão cruel nos momentos que antecederam àqueles. Era como se algo o instigasse aquilo ou... Ela deveria estar imaginando coisas!
Deitou-se sonolenta no colchão ainda encarando o homem ao lado enquanto lutava contra o sono. Maldita leitura do tal Códex chato!
Não podia de jeito algum dormir agora, aquela divagação toda sobre Damon inspirara uma pergunta silenciosa na mente feminina e ela precisava fazê-la nesse exato momento antes que esquecesse.
– Dan? – Chamou e ele virou o rosto para encará-la. Os olhos azuis estavam indecifráveis. – Como eu só dou ordens inúteis que não corroem a minha alma, você não deveria estar tentando fazer isso por conta própria? Tipo, colocando lenha na fogueira com mantras de “seja má, seja má, seja má”... – Seus olhos pesaram e os fechou apenas para descansá-los.
Sentiu que ele se mexera desconfortavelmente ao seu lado.
– Deveria. – Assentiu com a voz estranha.
Ela bocejou levemente se aninhando mais ao travesseiro. Sua mente estava mais para cá do que para lá, como dizem.
– E porque não está fazendo? – A frase saiu quase incompreensível, anuviada pelo sono.Imagens de um menininho de cabelos pretos e olhos acinzentados correndo por um campo invadiram a sua cabeça e ela sorriu.Droga, não podia dormir! Damon estava falando algo importante. Tentou abrir os olhos, mas foi em vão.O garoto a chamava apontando para alguma coisa que ele havia achado.
“Não tenho a menor ideia, Lenn.” – Murmurou uma voz familiar em algum lugar longe do seu sonho.Elena queria perguntar sobre o que a voz estava falando, mas precisava ver o que o garoto achara. Ele já estava impaciente e emburrado com a Srta. Gilbert!
Riu marota, correndo em sua direção e viu o contentamento da criança ao ser finalmente atendida.
Entregou-se àquela paz e mergulhou em sonhos dos quais nunca lembraria.
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Notas finais
¹ - Música Break you heart. Do Taio Cruz
² - Filme traduzido como Garota Infernal aqui no Brasil. O enredo se baseia na história de Jennifer, uma garota que vira um súcubo (demônio sexual) após uma banda de rock (que deseja a ascensão) a utilizarem como vítima sacrificial de um ritual demoníaco (o vocalista admite, durante a execução, ter achado na internet). Entretanto, tudo dá errado porque ela não era mais virgem e sei-lá-o-quê.
² - Filme traduzido como Garota Infernal aqui no Brasil. O enredo se baseia na história de Jennifer, uma garota que vira um súcubo (demônio sexual) após uma banda de rock (que deseja a ascensão) a utilizarem como vítima sacrificial de um ritual demoníaco (o vocalista admite, durante a execução, ter achado na internet). Entretanto, tudo dá errado porque ela não era mais virgem e sei-lá-o-quê.
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