Demônios Não Amam.
24 Alianças vulgo bombas relógio - Parte 04 (a).
Notas iniciais
A NOTA MAIS GIGANTE QUE JÁ EXISTIU NO MUNDO...
Xuxulis da minha existência, acho que preciso começar essa nota pedindo centenas de desculpas. Milhares. Trilhares. Infinitas.
Quase seis meses sem postar nada foi algo que eu nunca quis fazer, ainda mais sem dar notícias, acreditem. Não brinco quando falo que amo cada um de vocês, cada maneira de falar, cada observação, brincadeiras... Vocês foram maravilhosos comigo desde o início, me deram muito mais do que eu merecia e isso NUNCA vai ser esquecido por mim (nem pela tia Glaucócia, demy, etc). Mas infelizmente, as vezes a gente quer seguir caminho x e vem a vida e fala HAHA, vai ter que seguir o caminho y, oh yeah, oh yeah. e foi mais ou menos isso que aconteceu.
Não quero fazer drama aqui, só sinto que devo explicações a vocês.
No final de maio uma das pessoas mais importantes da minha vida, que me ensinou 90% do pouquinho que eu sei hoje em dia, morreu: meu avô Tony.
Ele era realmente como um segundo pai para mim, a pessoa que eu mais confiava no mundo e foi embora do nada. Ele era saudável, feliz e tinha prometido para mim viver para sempre, mas o Cachinho quis que ele fosse antes para o céu e eu tive que respeitar isso. Esse episódio me fez surtar totalmente, eu perdi uma parte minha.
Pra piorar, como entrei em uma depressão muito louca, mamãe decidiu se mudar da nossa casa (na qual o vovô também morava) para um apartamento aqui no Rio mesmo, e como a escola ficava longe e eu já tava meio que sendo reprovada porque faltava loucamente desde que meu avô morreu, ela pediu transferência para mim. Ou seja, eu estava sem meu avô e sem meus amigos do colégio. A adaptação foi péssima, mesmo todo mundo sendo tão gentil comigo, tive que me dedicar muito às matérias (argh química, MORRA. u_u) e acabei perdendo contato com tudo que eu amava: Me distanciei da família, meu namorado, da Betilda, das meninas, de vocês e dos meus demoniozinhos, anjinhos e bruxinhas. No início todos tentavam ficar próximos e tudo mais, mas acho que depois se cansaram de tentar forçar a barra e eu super entendo.
Da última vez em que falei com a Beta ela disse que não iria mais fazer atualização nenhuma no tumblr, porque se eu fosse abandonar a história eu mesmo teria que avisar isso (sim, eu quase apanhei dela). Só que eu fiquei em uma luta louca comigo mesma, porque eu não queria dizer tchau para vocês. Tá, que no final da fic eu vou ter que fazer isso (vou encher o saco de vocês para sempre MUAHAHAHA), mas eu não podia dizer tchau assim do nada, ainda mais quando prometi que levaria a fic até o final. Fiquei com vergonha também porque já tinha passado muito tempo, e eu estava sem criatividade nenhuma para escrever uma linha sequer... Nah, não sei, bobeiras da tia Nikki. Decidi que iria me concentrar em melhorar e organizar minha vida e então voltaria e explicaria tudo e consegui fazer isso melhor nessa semana.
Voltei MORRENDO de medo. Sério, eu jurava que vocês tinham me abandonado completamente (como eu merecia) e quando eu vi que tantos xuxuzeios ainda permaneciam, com nomes novos, fotos novas (aliais, precisam me atualizar para que eu não chame vocês mais pelos nomes antigos xD), ou do jeitinho que eu lembrava (Dando uma olhada rápida acho que só a Bloodzita, a Gabux e a Belle não mudaram.), eu juro para vocês fiquei chorando que nem uma bobona por meia hora. Alguns excluíram suas contas também e isso doeu muito, vou sentir saudades eternas Thai minha pipoquinha, Mily boneca, e meus outros amores lindos, espero de verdade que de alguma forma consigam saber que eu nunca vou me esquecer de vocês e o quanto eu agradeço pelo tempo que passaram do meu ladinho.
Outros amores também surgiram (Hey, sejam bem vindos meus cubinhos de açúcar, próximo capítulo agradeço pela presença mais direitinho)... Enfim, muita coisa mudou, mas no final essa aqui ainda é uma das minhas casas. Uma das minhas famílias. E como diz o Stitch... Família é nunca abandonar, ou esquecer, não vou esquecer vocês NUNCA, não vou mais abandonar. Seja lá o que aconteça. (Se eu morrer, vou baixar em alguém, tô logo avisando ò.Ó QQQ).
Não sei se vou postar os capítulos em um ritmo mega acelerado, até porque estou escrevendo mais agora (esse último capítulo ficou gigante e o nyah cortou, e olha que tem 8273783 trilhões de partes! Isso só pode ser obra do tio Lú), mas não vou ficar meses sem postar, prometo.
Vou responder cada MP, cada e-mail, cada comentário, cada mensagem no tumblr também. Só quis antes avisar de modo geral o que estava acontecendo e agora vou falar com cada um ♥.
Desculpa MESMO se deixei vocês frustrados, magoados ou preocupados. Eu nunca quis fazer isso. MUITO, MUITO, MUITO, MUITO obrigada pelos comentários, por continuarem acompanhando a história no quadro do Nyah, ou favoritando, por terem tentado falar comigo mesmo depois de tanto tempo, por incentivarem, Mary e Belle -muito obrigada pelos depoimentos lindos! Vocês não existem ♥-, e principalmente, meus amores com ou sem conta do Nyah, muito obrigada por um dia terem entrado na minha vida. Sem o apoio de todos vocês, eu não teria passado do primeiro capítulo. Amo vocês. ♥
Betilda e Bila, vocês foram as melhores moderadoras do mundo (L)
Esse capítulo está fumado como sempre u_u. Está um pouco pior que os outros porque eu tive que relembrar muita coisa da história que eu tinha esquecido totalmente (aliais vocês querem um resumão do que já aconteceu no maior estilo previously on lost... ?) ><, mas aos pouquinhos eu vou consertando as besteirinhas que eu fizer.
Lembrando que essa fic é dedicada à todos vocês. Á você também vovô Tony. Bata no Stefan por mim aí no céu.
smacks nutellizados :*
Xuxulis da minha existência, acho que preciso começar essa nota pedindo centenas de desculpas. Milhares. Trilhares. Infinitas.
Quase seis meses sem postar nada foi algo que eu nunca quis fazer, ainda mais sem dar notícias, acreditem. Não brinco quando falo que amo cada um de vocês, cada maneira de falar, cada observação, brincadeiras... Vocês foram maravilhosos comigo desde o início, me deram muito mais do que eu merecia e isso NUNCA vai ser esquecido por mim (nem pela tia Glaucócia, demy, etc). Mas infelizmente, as vezes a gente quer seguir caminho x e vem a vida e fala HAHA, vai ter que seguir o caminho y, oh yeah, oh yeah. e foi mais ou menos isso que aconteceu.
Não quero fazer drama aqui, só sinto que devo explicações a vocês.
No final de maio uma das pessoas mais importantes da minha vida, que me ensinou 90% do pouquinho que eu sei hoje em dia, morreu: meu avô Tony.
Ele era realmente como um segundo pai para mim, a pessoa que eu mais confiava no mundo e foi embora do nada. Ele era saudável, feliz e tinha prometido para mim viver para sempre, mas o Cachinho quis que ele fosse antes para o céu e eu tive que respeitar isso. Esse episódio me fez surtar totalmente, eu perdi uma parte minha.
Pra piorar, como entrei em uma depressão muito louca, mamãe decidiu se mudar da nossa casa (na qual o vovô também morava) para um apartamento aqui no Rio mesmo, e como a escola ficava longe e eu já tava meio que sendo reprovada porque faltava loucamente desde que meu avô morreu, ela pediu transferência para mim. Ou seja, eu estava sem meu avô e sem meus amigos do colégio. A adaptação foi péssima, mesmo todo mundo sendo tão gentil comigo, tive que me dedicar muito às matérias (argh química, MORRA. u_u) e acabei perdendo contato com tudo que eu amava: Me distanciei da família, meu namorado, da Betilda, das meninas, de vocês e dos meus demoniozinhos, anjinhos e bruxinhas. No início todos tentavam ficar próximos e tudo mais, mas acho que depois se cansaram de tentar forçar a barra e eu super entendo.
Da última vez em que falei com a Beta ela disse que não iria mais fazer atualização nenhuma no tumblr, porque se eu fosse abandonar a história eu mesmo teria que avisar isso (sim, eu quase apanhei dela). Só que eu fiquei em uma luta louca comigo mesma, porque eu não queria dizer tchau para vocês. Tá, que no final da fic eu vou ter que fazer isso (vou encher o saco de vocês para sempre MUAHAHAHA), mas eu não podia dizer tchau assim do nada, ainda mais quando prometi que levaria a fic até o final. Fiquei com vergonha também porque já tinha passado muito tempo, e eu estava sem criatividade nenhuma para escrever uma linha sequer... Nah, não sei, bobeiras da tia Nikki. Decidi que iria me concentrar em melhorar e organizar minha vida e então voltaria e explicaria tudo e consegui fazer isso melhor nessa semana.
Voltei MORRENDO de medo. Sério, eu jurava que vocês tinham me abandonado completamente (como eu merecia) e quando eu vi que tantos xuxuzeios ainda permaneciam, com nomes novos, fotos novas (aliais, precisam me atualizar para que eu não chame vocês mais pelos nomes antigos xD), ou do jeitinho que eu lembrava (Dando uma olhada rápida acho que só a Bloodzita, a Gabux e a Belle não mudaram.), eu juro para vocês fiquei chorando que nem uma bobona por meia hora. Alguns excluíram suas contas também e isso doeu muito, vou sentir saudades eternas Thai minha pipoquinha, Mily boneca, e meus outros amores lindos, espero de verdade que de alguma forma consigam saber que eu nunca vou me esquecer de vocês e o quanto eu agradeço pelo tempo que passaram do meu ladinho.
Outros amores também surgiram (Hey, sejam bem vindos meus cubinhos de açúcar, próximo capítulo agradeço pela presença mais direitinho)... Enfim, muita coisa mudou, mas no final essa aqui ainda é uma das minhas casas. Uma das minhas famílias. E como diz o Stitch... Família é nunca abandonar, ou esquecer, não vou esquecer vocês NUNCA, não vou mais abandonar. Seja lá o que aconteça. (Se eu morrer, vou baixar em alguém, tô logo avisando ò.Ó QQQ).
Não sei se vou postar os capítulos em um ritmo mega acelerado, até porque estou escrevendo mais agora (esse último capítulo ficou gigante e o nyah cortou, e olha que tem 8273783 trilhões de partes! Isso só pode ser obra do tio Lú), mas não vou ficar meses sem postar, prometo.
Vou responder cada MP, cada e-mail, cada comentário, cada mensagem no tumblr também. Só quis antes avisar de modo geral o que estava acontecendo e agora vou falar com cada um ♥.
Desculpa MESMO se deixei vocês frustrados, magoados ou preocupados. Eu nunca quis fazer isso. MUITO, MUITO, MUITO, MUITO obrigada pelos comentários, por continuarem acompanhando a história no quadro do Nyah, ou favoritando, por terem tentado falar comigo mesmo depois de tanto tempo, por incentivarem, Mary e Belle -muito obrigada pelos depoimentos lindos! Vocês não existem ♥-, e principalmente, meus amores com ou sem conta do Nyah, muito obrigada por um dia terem entrado na minha vida. Sem o apoio de todos vocês, eu não teria passado do primeiro capítulo. Amo vocês. ♥
Betilda e Bila, vocês foram as melhores moderadoras do mundo (L)
Esse capítulo está fumado como sempre u_u. Está um pouco pior que os outros porque eu tive que relembrar muita coisa da história que eu tinha esquecido totalmente (aliais vocês querem um resumão do que já aconteceu no maior estilo previously on lost... ?) ><, mas aos pouquinhos eu vou consertando as besteirinhas que eu fizer.
Lembrando que essa fic é dedicada à todos vocês. Á você também vovô Tony. Bata no Stefan por mim aí no céu.
smacks nutellizados :*
POV- A órfã. As lágrimas invisíveis desciam pelos seus olhos como cascatas, enquanto ela amaldiçoava aquele ano cruel.
Como tudo tinha ficado tão ruim? “Como?”, alguém poderia, pelo amor dos Deuses, lhe responder?
Há menos de um ano sua vida era praticamente perfeita. Era boa aluna, tinha amigos maravilhosos, um relacionamento mais ou menos complicado e preocupações bobas como, qual seria a cor do vestido que usaria no baile do colégio.
Era só uma adolescente e ainda que tivesse uma essência meio fútil como a de uma boneca de plástico, era muito mais gentil, amorosa e feliz do que agora que havia amadurecido.
Durante anos de pesquisa sobre a bruxaria, leu coisas maravilhosas sobre o respeito à natureza, amor a todas às criaturas, união e rituais dignos de livros como “Brumas de Avalon”.
Eram conhecimentos delicados, do tipo que se aprendia com a mãe enquanto ela desembaraçava seus cabelos depois do banho. Histórias sobre várias mitologias, as músicas que mudavam o ciclo do mundo (chantes), os sabbats e as propriedades das ervas.
Também lera que as bruxas eram boas, não faziam maldades porque acreditavam na lei tríplice (tudo que fizesse, voltaria três vezes para você) e sabiam respeitar os desígnios da Deusa que era uma mãe amorosa e gentil que não condenava os filhos ao inferno nem nada disso.
Era uma filosofia linda de amor e igualdade que cheirava a chá de morango, contos em volta da fogueira e enfeites silvestres no cabelo. Entretanto, não foi nada disso que aprendeu com sua avó.
Todos os dias, acordava ouvindo sobre a importância do ódio e da vingança.“Emily falhou e a família caiu em desgraça, minha querida” Sheila sussurrava enquanto rasgava seu sapo infantil de pelúcia. “Mas a culpa não foi dela, foi dos malditos demônios e da Besta. Nem os anjos prestam, só as bruxas são dignas. Só a nossa linhagem mágica que descende desde Merlin.” Eram as palavras venenosas que enchiam seus ouvidos desde o princípio.
Aquilo era a única coisa que sabia agora. Ódio, vingança, poder.
E no fundo talvez tivesse voltado à Mystic Falls justamente para correr para o colo de Elena e implorar para que a amiga tirasse aqueles conhecimentos da sua cabeça. Para encontrar com Carol e rir do seu total desprezo por matemática ou brigar com Tyler por bobagens.
Para deitar na sua cama e conversar com a mãe que quase sempre estava ausente, ainda que a amasse.“Minha mãe... Eu sempre achei que, embora você vivesse longe, nunca ficaria inalcançável” – Pensou chorosa não sabendo se falava com o espírito de Abby ou com a Deusa. Talvez com as duas.
– Bonn? – Jeremy encostou uma mão ao seu ombro indicando que tinham chegado à antiga casa onde as Bennett moravam. – Não precisa fazer isso se não quiser.
Ela olhou seus olhos castanhos acolhedores e tentou sorrir. Por um momento, sentiu-se solidária a ele. Aquele ano também fora de fortes mudanças para o pobre Jemmy.
– Na verdade, preciso sim. Obrigada por me deixar aqui. – Disse com a voz um pouco estranha saindo do carro e enfrentando a multidão curiosa que cercava a casa.
Os policiais lacravam o lugar com faixas espessas e tiravam fotos anotando besteiras em pranchetas padronizadas. Não pareciam considerar uma verdadeira investigação, Bonnie soube ler em seus olhos. Tinham certeza de que Abby havia se matado.
– Bonn! – Miranda gritou ao longe correndo para o seu lado com os olhos marejados. – Oh, eu lamento tanto! Sei que nada no momento pode diminuir sua dor, mas precisa saber que sempre poderá contar com a gente, certo?
Antes que pudesse responder ou pensar no quanto as notícias voavam em cidades pequenas, sua vista foi invadida pelas ondas castanhas do cabelo da Sra. Gilbert. As lágrimas aumentaram no seu rosto como só conseguiam fazer em uma criança órfã, mas ela não pôde chorar totalmente. Queria se entregar ao abraço e à dor, gritando e arrancando os cabelos como qualquer filha que perdeu a mãe faria. O problema é que algo em seu coração a impedia de fazer isso, como se toda a falta de sentimentalismo que aprendeu nos treinos, lhe bloqueasse de alguma forma.
– Obrigada Sra. Gilbert, isso significa muito para mim. – Desentrelaçou-se dos braços da bela mulher e aceitou os tapinhas carinhosos de Grayson, enquanto marchava em direção ao delegado Tuommas.
O homem ruivo com sardas no rosto e olhos de avelã estava parado a alguns passos da porta de entrada checando algo no celular luxuoso preto. O desalinho do seu cabelo e as olheiras mórbidas em seu rosto indicavam que ele não dormira à noite, denunciando que, talvez, o ocorrido tivesse mais tempo do que ela imaginava.“Deviam ter me chamado assim que souberam”– Pensou furiosa engolindo as palavras e encostando a mão pequena no ombro largo do oficial.
– O relatório já está pronto John...- Tuommas começou a falar parando imediatamente ao constatar que era Bonnie que o cutucava. – Santo Cristo! É você menina? Digo, hm, meus pêsames sinceros, pequena. Esse é um dos dias mais tristes de Mystic Falls.
Bonnie assentiu uma vez, analisando sua expressão atípica. Conhecia aquele homem desde pequena e, as vezes, o via espiando sua mãe com um sorriso mais doce que o de costume então dava para imaginar que a dor que sentia era sincera e não apenas solidária. Isso era bom, talvez essa tristeza toda o fizesse atender ao pedido dela.
– Posso entrar e vê-la? – Perguntou fitando a grama recém-molhada no chão.
Ela imaginava que provavelmente aquilo seria contra as regras, uma vez que a casa estava sendo lacrada, mas Mystic Falls era pequena demais para se importar com as normas que regiam o mundo. E ele deveria ser gentil o bastante para entender que ela precisava se despedir.
Não via sua mãe há tanto tempo...
Os olhos de avelã se apertaram impotentes.
– Sinto muito, criança. Não vai ser viável. O cadáv-... Sua mãe, não está aí dentro.
Foi impossível não permanecer em choque por alguns minutos.
– Vocês já a levaram para o necrotério? — Achou que sua voz sairia inexpressiva, mas conteve um toque de raiva.
O chão embaixo de seus pés tremeu um pouco como sinal de absorção do seu humor, mas ela se conteve rapidamente e ninguém pareceu perceber muita coisa.
– Não pequena! Não faríamos isso sem antes avisar. – Esclareceu guardando o celular no bolso e tentando soar apaziguador. Fazia aquilo muito mal. – Esse caso é um pouco mais complicado.
Ela o olhou com ceticismo. Não bastava toda a dor da situação e seus conflitos internos, tudo para ela tinha que ser ainda mais complicado.
– Fale. – Ordenou com uma autoridade sacerdotal que a assustou. O tom soou exatamente como o de Sheila. Aveludado, mas inexorável.
Tuommas piscou de forma ligeira parecendo calcular se não obedecer era uma opção.
– Criança não poss–, Oh droga! Está bem, mas isso deveria ser confidencial. Um dia ainda irei fazer com que Mystic Falls siga as regras que vejo no CSI! – Desabafou com um suspiro cansado. – Bem, o corpo da sua mãe sumiu. Uma voz que não pôde ser rastreada nos ligou, informando que Abby havia feito uma ligação suicida e pediu que investigássemos.
“Eu e John viemos aqui, encontramos o corpo da sua mãe frio e morto como uma estátua, tiramos fotos de análise, um médico a examinou e quando estava preenchendo o obituário, o corpo simplesmente sumiu.
Iria para a necropsia para que confirmássemos as causas da morte e víssemos se havia alguma substância no seu corpo, mas não conseguimos fazer nada.”Só percebeu que suas pernas bambearam quando sentiu mãos firmes a impedindo de cair no chão.
– Bela maneira de dar uma notícia dessas, senhor. – Jeremy ironizou virando-se para Bonnie com preocupação. Seu rosto magro e pálido estava solidário e parecia sussurrar um “Eu não iria te deixar sozinha nessa” como a ruiva pensou que faria.
Deve ter ido só estacionar o carro em um ponto menos tumultuado e havia voltado para apoiá-la. O DNA Gilbert de bondade imperando como sempre.
Bizarramente, sua melhor amiga era a única que não parecia estar por lá. Talvez ainda presa no passeio obscuro dela com o Espírito amaldiçoado. – Bonnie? Bonn? Sei que está tudo confuso, mas, por favor, fique acordada. Estou aqui.
O castanho engoliu seu rosto e ela tentou obrigar a visão a não se embaçar focando naquela íris. Íris normal, sem símbolos como a de todos os mortais.
O contato com a normalidade fez algo em seu peito suspirar aliviado. Estava tão cansada do sobrenatural!
– Vocês estão investigando isso? – Nunca saberia como conseguiu encontrar voz para perguntar.
Tuommas ficou pálido ainda não recuperado da preocupação e da tristeza.
– Sabe que amaria investigar isso pequena, mas provavelmente foi uma quadrilha de fora ladra de órgãos. Informaremos ao FBI e às delegacias vizinhas, mas isso não está mais nas mãos da policia de Mystic Falls. – O homem ruivo coçou o cabelo com desalento. – Não temos recursos para uma investigação dessas e a cidade é tão pequena que sabemos que ninguém seria capaz de fazer isso com a doce Abby.
Tempos atrás acreditaria naquilo com prazer, mas sua avó havia lhe dito que a Besta estava ali. Na mesma cidade pequena em que, aparentemente, todos eram confiáveis.
O encarou finalmente se firmando no chão sem necessitar dos braços de Jeremy e pôde sentir a onda sacerdotal tomando conta do seu corpo e lhe revelando algo:
Tuommas tinha sido enfeitiçado.
Sua aura brilhava em uma frequência enérgica que era típica de quando se estava sendo manipulado, e aquele tipo de magia era tão familiar que chegava a nauseá-la.
Uma bruxa o enfeitiçara. Uma bruxa do seu maldito sangue.“Não deveria ter me treinado tão bem vovó. Reconheço magia a quilômetros.” – Pensou amargamente engolindo as lágrimas obtusas.
Não podia afirmar com perfeita certeza que fora Sheila a responsável, mas sentia em sua alma que tinha sido. Poucas eram as feiticeiras com aquele talento de forjar uma maldição tão perfeita.
Fora que a magia deixava rastros e aquela se parecia muito com a que a própria Bonnie conjurava.“DNA Bennett” – Brincava a senhora durante os treinos mesmo que a os dons de Abby se diferenciassem tanto dos delas.
Checou se havia magia bruxa rondando o sumiço do corpo, mas tudo que viu foi uma trilha vermelha espessa de dom demoníaco mais forte que o do próprio Diabo. Dom de uma Besta.
Os pelos da nuca se arrepiaram com a constatação.
Pelo menos não fora a sua avó a ladra. “Claro, porque brincar de marionete com um policial era um crime muito mais leve do que o rapto de corpos, né?”
Cerrou os lábios com força, por algum motivo sentindo-se decepcionada com a ação. O fato de a avó ter manipulado um oficial para que não investigasse o caso entregava que a mulher sabia já do ocorrido e não se dera ao trabalho nem de comunicar a Bonn ou ficar em Mystic Falls para apoiá-la.
Ela merecia saber através da sua parente em vez de precisar que um policial a contatasse!
E nenhuma desculpa justificaria isso. Sheila não era o tipo de mulher que ficava abalada com perdas para alegar que o seu estado emocional a impedira de procurar a neta. Também podia encontrar Bonnie facilmente com uma simples comunicação telepática, então justificar-se com o “não sabia onde estava” não iria convencê-la.
Talvez, a única explicação aceitável fosse que Sheila temesse a reação da ruiva quando ficasse sabendo que a avó manipulara Tuommas para não fazer justiça.
O que, aliais, era realmente estranho.
Era óbvio que a intenção da avó não era a de ocultar o assassino da filha, ela amava Abby, mas certamente não queria que o caso fosse adiante pelos humanos.
E por um ponto talvez fosse melhor assim uma vez que os policiais não encontrariam nada e poderiam até serem mortos já que o assassino tinha 99% de chances de ser alguém com poderes sobrenaturais demoníacos.
Alguém que, bem provavelmente, era aquela criatura maldita que estava destinada a ser sua presa.
Claro, era essa a explicação! Sua avó não iria querer nenhum humano nem qualquer outra entidade sobrenatural caçando a Fera. Contava com que Bonnie matasse a criatura para que a honra das Bennett fosse restaurada e a maldição quebrada.
As coisas, entretanto, poderiam não acontecer dessa forma caso a investigação prosseguisse. Os humanos poderiam espalhar, sem querer, a história para os ouvidos de anjos ou demônios e milhares de caçadores surgiriam loucos pela recompensa de matar um monstro.
Suspirou passando a mão pelo cabelo e vendo Jeremy e Tuommas conversando sobre o caso. Sua cabeça, entretanto, estava longe.
Sua avó sempre planejando tudo! Cada mínimo detalhe.
Alguns podiam ver isso como um comportamento frio da sacerdotisa, com essa obsessão toda pela restituição da honra; mas quebrar a maldição das Bennett beneficiaria a própria Abby também (Que caso contrário, vagaria eternamente pelo além sem descanso).
O único problema fora agir pelas suas costas. Dando até para imaginar que ocultara tudo da própria neta para que Lucy ou alguém mais competente fizesse o trabalho de caçar o Therion.
O sangue subiu por suas faces e ainda perdida em pensamentos despediu-se do policial e de Jeremy com uma educação duvidosa.
Precisava desvendar esse porquê. Precisava confirmar que sua avó não faria isso com ela.
Em uma última tentativa esperançosa idiota buscou a conexão com a avó desejando sondar suas ideias.
Só tinha uma única chance já que a mulher sempre a bloqueava rapidamente, então procurou afastar-se para um lugar com mais ponto energético.
Respirou fundo deixando que as imagens viessem e concentrando-se nas intenções mais atuais.
Um banho de cores, luzes e vozes desconexas a invadiu quase a enlouquecendo e precisou de muito da sua força de vontade para lembrar-se de como domar tudo em uma fração de segundos.
Um ditado velho, mas útil pareceu zombar dela quando uma das intenções da avó flutuou em sua mente deixando claro que a mulher pretendia fingir para a neta que desconhecia toda a situação: “Quem procura, acha”.
Ao contrário de todas as outras vezes, fechou o fluxo de pensamentos por conta própria e ofegou apoiando-se numa árvore do jardim enquanto seus dentes batiam e um suor frio gotejava pela sua testa.
Sentia-se traída e desesperada. Mal como nunca havia estado antes. Desejava raciocinar com clareza, mas o ódio a cegava e foi movida por isso que, decidindo dar o troco e não seguir mais o que a avó determinava, fez um juramento pela alma de sua mãe.
Um pacto irreversível de magia negra antiga que se não fosse cumprido, destruiria a alma de Abby.
Jurou que, independente de quem fosse a Besta Apocalíptica, mataria a criatura com suas próprias mãos.
__________________________________________________________________POV- Glaucócia Gilly.“Que. Porra. É. Essa?” foi justamente o seu primeiro e instintivo pensamento naquela hora, e, falando sério, qualquer um com o grau de sedução e inteligência da tia Glaucócia pensaria da mesma forma.
Bateu na própria cabeça com medo de que o tempo com os Idiotores tivesse afetado seu cérebro e, após confirmar que ela sobrevivera ilesa à companhia de Mufasa e Scar –ela lembrou tempos depois que Simba era os sobrinho e não o irmão do leão estiloso e malvado-, perguntou a si mesma, de novo, o que diabos era aquilo.
Não estava em choque por ver o Apaixonado diante deles com um sorriso de hippie bêbado, nem porque a Dolores-sem-parafuso estivesse o acompanhando coçando o braço igual a uma maníaca. Nada disso, por mais bizarro que fosse, a assustava. A maconha mesmo da situação era notar a terceira pessoa que integrava o grupo dos “três mosqueteiros” lá.
Isso porque, o D'Artagnan da coisa era a irlandesa-mãe-Potter, macumbeira ruiva insuportável igual à filha.Abby Bennett. Exato! Essa mesma!
Ela nunca tinha pesquisado nada disso, mas precisava checar se a “criação” de uma Besta Apocalíptica gerava a perda de juízo no mundo todo.
Parecia provável ou o fato de dois demônios estarem acompanhados de uma bruxa podia ser só uma consequência do defeito de fábrica dos filhos do Luluzão do Inferno. Aqueles príncipes infernais, sem exceções, tinham probleminhas sérios de falta de cérebro.
Encarou os dois Salvatore buscando alguma reação estilo “This is Sparta!” nos dois, mas só viu Stefanjo quase se benzendo e Damon com um ar de tartaruga fazendo lipoaspiração. Resignada, revirou os olhos e já que ninguém parecia querer falar nada mantendo o suspense de novela mexicana, se pronunciou.
— Ok, ultimamente estão distribuindo ruivas de graça? Porque a cada dia que eu acordo, alguém que eu conheço aparece com uma. – Disse carrancuda observando a bruxa do setenta e um tossir parecendo ter sido atropelada por um caminhão e apoiar-se em Ethan. Johanna não pôde evitar fazer uma careta com a língua para a fora. – Uh, meus olhos estão derretendo! É sério que agora você está pegando a irlandesa-mãe?
Dolores, que parecia uma das cantoras da Disney, riu baixinho daquela maneira maluca e o Apaixonado sorriu parecendo achar graça também.
– Você e as suas deduções ilógicas Joh. – Censurou com doçura (eca) carregando a bruxa que parecia estar prestes a desmaiar. – Eu e Dolores estávamos procurando Damon e, por uma incrível coincidência, quando nos separamos para não sermos seguidos, encontrei Bonnie no meio do caminho...
–... E aí, você foi a um posto de troca da promoção “encontre a miniatura e troque pelo objeto em tamanho real”, pegou a mãe-Potter e deixou a irlandesa-filha lá, porque, afinal, “panela velha é que faz comida boa”...
Sem nem mover os olhos para ela Damon fez com que uma faixa gigante se colasse em seus lábios impedindo que Joh continuasse a interferir.
– Continue... – Seu silenciador teve a coragem de dizer ao irmão como se a interrupção dela tivesse sido trivial e ignorável.
Franziu o cenho, aborrecida com o tratamento de refém de terrorista, e notou enquanto tentava tirar o adesivo infeliz que o resto da cambada estava o reforçando para que não pudesse ser tirado facilmente.
Só uma palavra: SACANAGEM!
– Ok, então. Continuando... – Anunciou Ethan com um sorriso mínimo de deboche pela situação dela. – Bonnie acabou deixando algo comigo e fui devolver, depois de encontrar Dolores, achando que ela teria chegado a Mystic Falls e ido ver a mãe antes de procurar Elena.
“Quando fomos à casa dela, entretanto, só encontramos Abby no chão, sob efeito de algum tipo de veneno.”
Usando sua inteligência miraculosa, Johanna aumentou a própria temperatura corporal a níveis extremos, provocando a queimadura da faixa e se livrando da ditadura do silêncio.
Sua boca se encheu com gosto de fumaça e esparadrapo defumado.
– Imagine como o mundo ficaria bem melhor se a moda pegasse e a cada dia uma bruxa resolvesse se mat– A mão firme de Stefan esmagou seus lábios antes que ela concluísse, deixando sua respiração infectada por aquele cheiro de perfume de bebê que os anjos exalavam.
Estava pensando seriamente em virar canibal só para fazer um churrasco de Salvatore.
Tentou mordê-lo, percebendo abismada que ele usava algum tipo de magia para proteger a pele.Filho da...
– Eu não tentei o suicídio. – Abby esclareceu com uma voz rouca que logo sumiu em uma tosse. O esforço parecia ter provocado um terremoto interno nela.
– Está querendo dizer que foi vítima de uma tentativa de homicídio?Nãããão. Ela quis dizer que estava preparando uma sopa, achou que o veneno fazia parte dos ingredientes e provou um pouco. Anjos eram tão idiotas!
Ethan assentiu uma vez para a pergunta imbecil de Stefan e apoiou Abby nos braços com mais cautela como se ela fosse uma espécie de tia ou mãe.
– Isso coloca o criminoso como um civil que não tinha ideia de com quem estava lidando. – Damon interviu fitando o relógio no pulso com frustração. – Alguém com o mínimo de conhecimento sobrenatural não teria achado que uma bruxa morreria com um simples veneno.
– Essa é uma das opções, mas também existe a possibilidade de ele não ter tido tempo para executar tudo, já que quando chegamos parecia que o assassino ainda estava lá. Uma terceira hipótese ainda surge quando pensamos no quanto Abby ficou fraca. A intenção poderia ter sido só essa: enfraquecê-la para voltar depois. – Ethan sugeriu parecendo intrigado com tudo aquilo. – Se ele não se assustou com a nossa presença, talvez ele tenha se assustado com a outra pessoa que chegou cinco minutos depois quando ainda estávamos socorrendo a Sra. Bennett.
– Isso já virou praticamente uma suruba! – A frase de Johanna saiu quase ininteligível graças à mão idiota e repressora do Stefanjo.
Dolores sorriu um pouco corada.
– Enfim, assim que percebemos que tínhamos companhia tramei um plano louco na mente. Pedi para Ethan levar Abby embora e mudei minha aparência para a dela, assumindo seu lugar. A porta finalmente se abriu e Sheila Bennett apareceu.
–... E essa história fica cada vez pior. – Damon resmungou fazendo com que um copo de Whisky surgisse em sua mão direita.
Ele estava definitivamente irritado com aquela conversa. Como se não estivesse nem um pouco interessado no que não envolvesse matar Gregory Turpin e voltar correndo para Elena.Rá, onde estava um celular com o aplicativo que imitava o barulho de um chicote quando ela mais precisava?
– Espere até ouvir a parte em que Sheila conjurou centenas de espectros mortais e tentou me matar julgando ser a própria filha. – A herdeira do Diabo prosseguiu tirando uma mecha de cabelo do rosto.
Não seria exagero dizer que todos ficaram com a mesma expressão perplexa, com a boca muito aberta de clientes no dentista.
Em vários mundos matar um membro da própria família era visto quase como um crime contra si mesmo, afinal, o que transformava um lado em vencedor ou perdedor em uma guerra, era a quantidade e força dos membros do seu clã. Se você atentasse contra seu próprio grupo, ficaria sozinho no combate e seria destruído.
No caso das bruxas o ato era ainda pior já que elas tinham sentimentos humanos de compaixão e amor.
As mãos de Stefan liberaram os lábios de Johanna, enquanto sua expressão se destacava entre as mais horrorizadas.
– Sheila foi para lá pretendendo matar Abby?
Ethan assentiu uma vez enquanto a feiticeira virava seu rosto na direção oposta como se não quisesse mostrar algo.
Alguma emoção humana chata provavelmente.
– Dolores não foi destruída quando estava disfarçada porque os feitiços usados só causavam danos em bruxas, mas ainda assim ela ficou desacordada por um tempo.
– Pode ser uma armadilha em conjunto das Bennett. – Damon se pronunciou virando o liquido do seu copo. – É no mínimo estranho que Sheila não tenha identificado Dolores como um demônio. Além de ver a marca nas íris, bruxas são sensitivas... Ela deveria ao menos ter desconfiado.Ok. Isso fazia muito sentido... E se fosse verdade, ela mesma chutaria a bunda daquelas macumbeiras do mal.
O grupo virou o rosto na direção da Abracadabra parecendo exigir uma confissão.
Como resposta, ela apenas tossiu.
– Sheila estava muito perturbada para atentar para esses detalhes. Ela chorava sem parar e mal olhou para mim. – Dolores esclareceu com a voz branda. – Era como se tivesse que fazer aquilo mesmo que fosse horrível. Tanto que não se aproximou muito e assim que achou que eu estava morta, saiu de lá.
– Abby também tem quase certeza de que a mãe não cometeu a primeira tentativa de homicídio embora ela não consiga se lembrar do assassino com precisão.
– Dia ocupado. – Johanna fitou a bruxa, franzindo o nariz. – O que você fez para todo mundo resolver odiá-la do nada? AI! –Reclamou ao sentir uma cotovelada leve do cara-da-harpa. – Eu não falei nada demais!
– Na verdade, eu me fiz a mesma pergunta enquanto era socorrida. – Abby murmurou com dificuldade atraindo a atenção para seu rosto. Ethan ergueu a mão tentando impedi-la de falar, mas ela sorriu para ele como sinal de que estava melhor e em condições de prosseguir. – Infelizmente, nem sempre encontramos as respostas para as nossas perguntas. Não sei como fui escolhida, mas tenho algumas suposições que posso dividir depois com vocês. Entretanto, agora, creio que exista algo mais importante para resolver, não?
Os olhos claros encaravam apenas os de Damon como se respondessem alguma pergunta mental dele.
Como lhamas treinadas, o grupo começou a fitar de um para o outro tentando entender aquela bazzinga.
A droga daquelas conversas silenciosas era que, se você não estava incluído como participante, não tinham a menor graça.
– Vai nos ajudar? – O namorado da Gilly ergueu uma sobrancelha enquanto passava o copo de Whisky meio cheio para a bruxa em uma típica forma de contrato pacífico.
– Hã... Damon, acho que não é boa ideia oferecer bebida a alguém que acabou de ser intoxica-
– Não tenho porque não ajudá-lo. – A ruiva interrompeu os avisos chatos de Stefan enquanto aceitava a bebida, bebericando só um pouco e devolvendo para Damon. Seu rosto virou-se para Ethan com um brilho meio maternal. – Querido já fez muito por mim e serei eternamente grata, mas agora não precisa mais se preocupar comigo. – O tranquilizou fazendo com que a apoiasse no chão com cautela.
– Sra. Bennett, não acho que seja correto da nossa parte explorá-la dessa maneira. – Mufasa preveniu como um tio dos direitos dos animais vendo uma foca fazendo malabarismo em um circo ilegal.
Damon revirou os olhos como se precisasse se conter para não matar o irmão gêmeo e Abby riu em meio a tosses.
– Estou bem anjo. Aprendi com a minha mãe a ter um senso profissional que anula todo o resto.
– E se durante o caminho ela se sentir mal, auxiliaremos. – Ethan acrescentou ajudando a bruxa a se firmar no chão. – Damon, pode vir na frente comigo? Temos algumas coisas para conversar.Ah sim, a misteriosa conversa que tinha feito o demônio cruzar metade do mundo e ainda encontrar mil irlandesas no caminho. A conversa que Johanna, com certeza, iria dar um jeito de ouvir nem que precisasse se metamorfosear em um micróbio pansexual.
O herdeiro principal de Lúcifer assentiu uma vez fazendo com que o copo de bebida se dissolvesse no ar.
– Podemos ir agora? Precisamos recuperar o tempo que perdemos enquanto o idiota do meu irmão se provava inútil até como GPS.
Stefan estreitou os olhos como um míope irritado, mas não ousou reclamar em voz alta e apenas se aproximou da casa onde o rastro havia se perdido.
– Querem chegar a um caminho bloqueado com magia bruxa, certo? – A ruiva checou rapidamente ganhando um aceno de cabeça afirmativo de Johanna. Ela parecia se esforçar para parecer bem, mas seu estado era lamentável. – Não sei até que ponto conseguirei desbloquear a ilusão para vocês, mas acredito que eu possa manter o espaço livre por umas duas horas. É o suficiente?
– É mais do que eu preciso. – Salvatore confirmou com os olhos brilhando naquela fúria determinada dele.
Abby suspirou fundo largando a mão de Ethan e apenas se apoiando em Dolores para que a energia masculina não interferisse nos poderes matriarcais dela.
Os olhos azulados se fecharam e aos poucos as nuvens que cobriam o céu foram se desfazendo no ar como se alguém as apagasse no photoshop.
Johanna sentiu um calafrio na pele e trocou um olhar de solidariedade com Stefan que também parecia estar odiando a magia utilizada. Não que houvesse algo de ofensivo no que a irlandesa-mãe fazia, mas ambos estavam acostumados a só presenciar esse tipo de coisa em campos de batalha. Logo, era quase impossível controlar o sistema de alerta que gritava: “PEN, PEN. FUJA PARA AS COLINAS. MATE A MACUMBEIRA MALUCA E DANCE SOB O SEU TÚMULO.”
Mesmo assim ela tentou se acalmar observando o ar ficar mais denso e asfixiante, como se uma onda da poluição de Nova York tivesse invadido o beco imundo onde estavam.
Aquilo, infelizmente, durou tempo demais. Estava quase dando a louca, pintando seu cabelo de loiro, trocando seu nome para princesa Peach e pedindo a ajuda do Mario Bros, quando o oxigênio voltou a invadir seus pulmões a fazendo sorrir.
Ajustou seus olhos dilatando as pupilas e quase fez uma dancinha da vitória ao perceber a linha vermelha que marcava o rastro de Gregory Turpin.
– É hoje que o padreco tarado sente o que Shan Iu sentiu quando a Mulan derrotou ele!
__________________________________________________________________Nessas horas, que fique claro que eram as únicas vezes, ela gostaria de sair um pouquinho da sua essência sensual e saber como os humanos viam as coisas.
Criaturas sobrenaturais eram automaticamente programadas para serem discretas, então se a pessoa não tinha mediunidade ou coisas assim, não veria nada de anormal. Um pentagrama invertido realmente satânico virava um colar comum – até mesmo para outros seres especiais -, um códex aparentava ser um livro de história, íris permaneciam sempre normais, etc. Tudo para que o sigilo se mantivesse por muito tempo.
Ela não tinha comentado muito sobre isso com a Gilly porque ver a humana tendo ataques epiléticos para não mostrar seu pentagrama no inicio era bem divertido. De qualquer forma, tinham certas coisas que mesmo normais eram... Esquisitas.
Como um grupo de feiosos com uma gostosona no meio andando por um beco estreito e mal iluminado e sussurrando coisas avulsas quase inaudíveis.
No mínimo, estavam pensando que eram adolescentes drogados se envolvendo em algum plano de assalto para comprar rúcula, ou quaisquer outras ervas que os humanos consumiam como droga.
Não ajudava muito também saber que nunca ficaria sabendo exatamente qual era a impressão que causava. Convivia agora com mortais legais que faziam parte da sua família Gilly, mas não podia perguntar abertamente coisas como: “J-Hot, como você me vê quando eu faço poses com esse Plegmaemo aqui? Normal ou meio demoníaca e sexy?”. Não, sem deixar a American Idol furiosa, pelo menos.
Stefanjo adiantou o passo parecendo querer vigiá-la de perto e ela revirou os olhos para o seu novo perseguidor. O hippie nem tinha entrado direito na merda do grupo e já estava se achando o Stallone?
– É por questões de segurança. – anunciou sem sequer ser coagido a responder.
– Rá! Você vai jogar sua harpa na cabeça do perigo ou vai só falar aquelas coisas bregas que vocês anjos amam falar e provocar um ataque de riso que gere a morte?
O irmão de Damon adotou uma expressão carrancuda enfiando as mãos nos bolsos.
– Não quero defendê-la. Acho que você que é perigosa. – Esclareceu com seu ar esnobe de Mr. Darcy. – E se a senhorita se dignasse a ler a Bíblia, veria que nós anjos somos tão temíveis quanto vocês demônios e que quando faz essas piadas com harpas só está sendo... Preconceituosa.
– Mufasa! – Riu ruidosamente enquanto Damon a encarava por cima do ombro parecendo estranhar a situação. Ela nem o culpava, tudo estava estranho pra cacete mesmo. – Você me achar perigosa é tão preconceituoso quanto as minhas piadas fodas.
Os olhos verdes se arregalaram rapidamente de surpresa e depois voltaram ao normal.
– Bem, você é um demônio, o que esperava?
– E você é um anjo, sempre vou te imaginar com um vestido branco de seda, uma auréola e uma lira. Talvez cantando algo do musical Jesus Cristo Superstar.
Damon e Abby riram interagindo “fofoqueiramente” com a conversa.
– Comovente. De qualquer modo, acho que mais à diante precisaremos de mais tolerância com nossas diferenças, Srta. Marshall. Teremos que conviver por bastante tempo, uma vez que serei o novo anjo da guarda da Srta. Gilbert. – Stefan pontuou fazendo o outro Idiotore cogitar todas as formas possíveis de assassinato.
– Isso se a Gilly aceitar você como protetor. – Johanna retrucou adiantando o passo assim que percebeu que Ethan havia passado para o lado de Damon. Oh yeah, agora que as coisas ficariam mais claras. Aguçou sua audição reduzindo o passo para não desconfiarem.“... Ficamos lá até a polícia chegar, mas estranhamente, os policiais pareciam hipnotizados ou desconcentrados das suas funções. Como se alguém os tivesse dito o que deveriam ‘ver’ naquela cena.”
“O fato da polícia de Mystic Falls ser sempre desconcentrada nas suas funções reduz as chances disso, mas entendi o ponto. Supondo que tenha sido a Bennett que tenha lançado um feitiço nos policiais, é bizarro que ela tenha acobertado o “sumiço” do corpo da filha. Pelo que sabemos ela acha que matou Abby, mas não deveria ter imaginado que o cadáver iria sumir.”
“Talvez ela tenha pensado que outra pessoa se livraria do corpo para ela depois que cometesse o crime...”
–... E por esses motivos todos acho que a Srta. Gilbert irá me aceitar como seu protetor- Stefan continuou tagarelando enquanto tia Glaucócia fazia um “shhhhh” discreto para ver se ele calava a boca.
Ninguém podia escutar conversas alheias secretas em paz agora?!
– Está por acaso tentando escutar a conversa dos dois filhos do Diabo, Srta. Marshall? Preciso intervir e dizer que essa é uma postura imprudente devido a...
– Aposto que eles vão falar da Gilly daqui a pouco. – Johanna o interrompeu sabendo o efeito que aquelas palavras provocariam no babacão.
– Nesse caso posso ser solidário para, você sabe, escutar os detalhes que a senhorita não conseguir.
Ela quase riu loucamente do cinismo cara de pau do Mufasa, mas depois desistiu. Estava perdendo grande parte da conversa naquele blá blá blá com o dono de olhos verdes.“De qualquer forma eu irei investigar isso. Não gosto de pensar que Bonnie está convivendo com alguém como... Bem, alguém que quase matou a própria filha.”Uuuuh. Ethan estava apaixonado pela irlandesa sem graça? Damon pareceu pensar a mesma coisa já que ergueu uma das sobrancelhas com diversão.“Começo a entender porque a Bennett pareceu tão... Entusiasmada comigo.” – Provocou rindo enquanto Ethan virava o rosto parecendo muito envergonhado. “Ela me confundiu com você. O que me deixa um pouco ofendido, preciso deixar claro.”
O Apaixonado revirou os olhos já mal contendo o riso e algo pareceu se instalar naquele momento.
Podia ser um efeito meio alucinógeno produzido pelas cem panquecas que Glaucócia havia comido naquele dia, mas olhando por aquele ângulo, não parecia haver tantas diferenças assim entre o Idiotore e o meio irmão que havia se tornado humano.
Será que Damon...? Nah não. Não era possível. Johanna sacudiu a cabeça para espantar o pensamento, embora precisasse admitir que uma grande parte dela torcia para que fosse verdade.
Gilly e Hellboy formavam o casal mais estranho e louco do planeta, perdendo só para uma possível união de uma vaca com um pinguim, mas um fazia bem ao outro de uma maneira mais forte do que poderia ser explicada e, embora fossem bobões, mereciam ser felizes.
O único problema era que se Damon estivesse virando humano graças à Gilly, aquilo só traria desespero e dramas de novela mexicana. Afinal, a Gilly ia morrer ou virar o Monstro do Lago Ness, o que reduzia para zero a chance dos dois ficarem juntos.Nah, que se danasse! Ela não ia gastar a beleza dela pensando em finais tristes. Não era porque ela era um demônio que deveria ser negativa. No fim, daria tudo certo como a Oprah sempre dizia.
– Srta. Marshall? – Stefanjo a tirou dos seus devaneios – Sua conversa.
Ela o fitou rapidamente – ainda o imaginando com um vestido de seda e lira- e retomou a sua concentração.“Queria que ficasse avisado. Não acredito que tenha sido o Harry.”
“Ethan, ele fugiu. Porque alguém que supostamente é inocente fugiria?”
“Porque ele sabia demais. Ele reconheceu uma voz estranha no dia em que Jenny foi assassinada e confessou isso colocando Diti, Sabine e Ravenna em uma situação nada favorável. Acha mesmo que elas não se vingariam?”
Aquelas cobras peçonhentas!“ E não é só isso” – Ethan continuou sussurrando em um tom ainda mais discreto. “Acredito que ele saiba informações sobre a Besta apocalíptica. Ele chegou a tentar conversar com Dolores, mas nunca chegou a explicitar tudo já que no momento em que estava contando, recebemos o comunicado de que você estava entrando em guerra com o céu.”
No plano atual das coisas Johanna, Elena, Damon e Klaus desconfiavam que Harry controlava Gilly através de sonhos, o que justificaria o fato dele aparecer sempre quando Elena dormia e ao suposto fato de Jenny ter sido morta -coisa que era praticamente impossível considerando que só a Besta, o Diabo ou Deus poderiam matar demônios filhos de Lúcifer- já que Elena, tudo apontava, era lá o tal Godzilla.
É claro que a Plegmaemo nas mãos de qualquer um poderia ser manuseada contra um demônio herdeiro do inferno, o que reduzia um pouco as provas contra o Harold, mas na época em que não sabiam disso, fazia todo o sentido.
Toda hora os papeis se invertiam. Quem era bom virava mau e quem era suspeito se mostrava simpático.
Essas coisas cansavam! Johanna queria que existissem umas plaquinhas de intenção que dissessem de que lado os seres estavam. Isso pouparia tempo, dinheiro e saco.
Tipo agora... Harry era o quê? Bom? Ruim? Intermediário? Dançarino de Pole dance?“Era isso que queria me contar?” – Damon parecia resistir à ideia de inocência do irmãozinho. Não que a sósia da Mila Kunis não o entendesse, mas algo nas palavras de Ethan a alertavam que ele tinha razão.“Na verdade tem outra coisa, antes de sumir Harry confidenciou para Dolores que nosso pai estava planejando convidar Elena para uma conversa...”
Mesmo sendo a mais incrível e atenta do grupo, nem Glaucócia conseguiria responder quem estancara mais rápido com as palavras de Ethan. Talvez a expressão furiosa e atormentada do Idiotore-moreno entregasse que fora ele, mas Johanna e Stefan também estavam quase tendo um ataque epilético.“Ele vai fazer o quê?! E você me diz isso agora?” – A conversa de sussurros foi por água a baixo nessa frase.“Só o encontrei agora Damon e não sei se tem fundamento ou se ele vai chegar a procurá-la“
– Meninos, vejo que estão tratando de um assunto importante, mas queria avisar que chegamos. O rastro de Turpin termina aqui. – Abby anunciou ainda mais acabada devido ao esforço alacazan.
Com a exceção de Damon versão estátua, o grupo fitou o paredão enorme de pedra que separava a casa saída do filme “O Exorcista” das outras mais normaizinhas. Nem sinistro conseguiria ser um adjetivo que definisse bem aquele lugar. Não que ela estivesse surpresa, a casa do padre tarado deveria ser mesmo tão bizarra quanto ele. Nada de errado até ali.
Não parecia também difícil de cercar. Sentiu suas pupilas dilatarem se preparando para o fatality no padreco. Se vingaria em nome da pobre tia Jenna que apesar de não ser uma Gilly, era da família.
– Damon, se quiser que eu veja como Elena está... – Stefanjo começou a sugerir ao fundo parando apenas quando notou a aura tenebrosa do irmão.Oh oh. Anjo assado seria vendido naquele beco se ela não interferisse logo.
– Caham, baixinho favorito da tia Eulália? Relaxe, a Gilly é forte e está acompanhada do Bran e da irlandesa. Digo, ok que ela é pirada e consegue arranjar perigo até em uma banheira com um patinho de borracha, mas dessa vez é diferente. E se resolvermos logo o problema com o Darth-Vader-versão-padre, podemos voltar para o lado dela mais rápido. – Apertou o ombro dele como forma de incentivo e viu que mesmo odiando a ideia Damon estava cedendo.
– Vamos acabar logo com isso. – resmungou deixando as íris vermelhas e encarando o irmão gêmeo. – Se demorarmos, eu preciso que faça o que ofereceu.
– Ver como Elena está? – Stefan estava tão surpreso que se abrisse um pouco mais a boca criaria um túnel novo para a cidade. – Entendo filho de Lúcifer, farei isso. Obrigado pela confiança.O escravo sexual da Gilly revirou os olhos sem paciência para aquele tipo de conversa e destruiu o portão de ferro passando por ele logo depois.
– Vou me manter invisível com Abby, certo? – Dolores anunciou já carregando a Potter-mãe e ficando camuflada como um camaleão ambulante. – Acho que pode ser melhor também nos afastarmos, para que ela não corra nenhum risco. Vou ficar nos arredores de Mystic Falls, qualquer coisa me chame.
Ethan assentiu uma vez e eles seguiram Damon através da estrutura caindo aos pedaços.
A porta principal de madeira não reclamou ao ser aberta após serem retirados os feitiços e eles invadiram a casa escura e empoeirada sem fazer qualquer barulho.
A decoração inteira era religiosa com diversos quadros de papas famosos e poltronas de ferro que davam a impressão de que aquilo era uma cede de reuniões de super-heróis. Duas portas dividiam o cômodo – provavelmente uma para a
cozinha e outra para um banheiro- e uma escada grande ocupava o centro.
Sem muito tempo para ver outros detalhes, Ethan e Stefan cercaram a parte de baixo vasculhando cada centímetro enquanto Johanna e Damon se teletransportavam para o segundo andar. Idiotore caminhou em direção a um quarto espaçoso e Joh se dirigiu para um escritório pequeno e sem luz. Só conseguia enxergar qualquer coisa com seus olhos demoníacos ativados que davam um efeito parecido aos óculos humanos de visão noturna.
Uma mesa de madeira escura cheia de documentos, uma poltrona verde e um armário atolavam o espaço além de um quadro de recados pregado na parede com papeis colados nele. Nenhum sinal do padreco tarado mesmo que a sua presença ali fosse forte de ser sentida.
Só faltava o Frollo d’O Corcunda de Notredame ter fugido antes. Puta que pari...
Seu pensamento foi entrecortado quando seus olhos se depararam de novo com o quadro sob a parede.
Centenas de fotos da Gilly e uma versão dela de cabelos mais cacheados -que deveria ser a Pierce — cobriam toda a superfície junto a bilhetes e setas com informações pessoais e horários. Absolutamente tudo estava ali! Desde coisas bobas como comidas prediletas e cor preferida a segredos da infância e adolescência que provavelmente tinham sido tirados de Jenna.
A mesa também exibia mais cem outras fotos, trechos bíblicos sobre conversão de almas, anotações sobre desaparecimentos de homens na faixa dos dezesseis anos – provavelmente vítimas antigas da irmã assassinada do Idiotore– e um envelope lacrado muito gordo para conter só uma carta.
Rasgou o selo de cera e leu a única frase que tinha ali: “Convocação da Renovada Santa Inquisição para o julgamento da herege...”
– Marshall se abaixe! – Damon gritou enquanto um fogo estranho azulado passava zunindo na sua direção.
Ainda agachada girou nos calcanhares a tempo de ver o Salvatore rasgando, incinerando e golpeando diversos corpos cadavéricos que tentavam rebater com lâminas esverdeadas e foguinhos azuis estranhos.
Espíritos!
Ergueu-se puxando da bota sua espada chique encrustada de rubis demoníacos e se sentindo a própria Xena cortou a mulher estranha que se aproximava sorrateiramente dela.
Zunidos de espadas e eletricidade também ecoavam do primeiro andar e ela entendeu que a casa inteira estava infestada daquelas criaturas malucas que dobravam de número assim que eram destruídas. Definitivamente Stefanjo tinha razão e o dom de Jenna de falar com espíritos era útil. Pena que Gregory havia descoberto isso primeiro.
Desviou do golpe de outro Gasparzinho e com telecinésia jogou a mesa cheia de papéis em cima de uns cinco que estavam à espreita já emendando em outro movimento que partiu o dorso de um homem que parecia com o Nicolas Cage.
Quis rir e se gabar para o Idiotore, mas constatou frustrada que ele era dezenas de vezes melhor. Enquanto ela destruía cinquenta conjurando selos rápidos que os prendesse no inferno ou enfiando a espada e os destruindo para sempre, Damon já incinerava e rasgava quinhentos sem nem parecer colocar muito esforço nisso.
Não que ele já não fosse um bom lutador, mas naquele dia ele estava especialmente perigoso.Nah que se danasse. O importante não era a quantidade e sim a qualidade. Ela lutava com mais estilo que ele.
Apoiou as costas nas de Damon para dar cobertura e brandiu a espada contra os zumbis espirituais os atraindo com o mesmo magnetismo energético que seu parceiro de luta usava.
Dois imbecis conseguiram acertá-la com o fogo do mal no lado direito do seu corpo, mas isso só rendeu a eles uma morte mais dolorosa.
Entretanto, Damon, como bom estraga prazeres, não pareceu entender o ponto e depois de dizimar mais uma leva de espíritos declarou com uma voz que daria inveja ao Exterminador do futuro:
– Johanna fique aqui. – Pediu com entonação de ordem puxando ela pelo braço e a colocando atrás da mesa que formava um escudo de proteção.
Antes que ela ousasse reclamar e desse um verdadeiro ataque de pelanca, uma luz muito forte tomou todo o mínimo espaço e ela teve que proteger os olhos para não ficar cega. Sim, demônios não ficavam cegos com luzes fortes, mas ela não queria arriscar.
O chão tremeu como se mil terremotos os atingissem ao mesmo tempo, um zunido que parecia a união dos barulhos mais irritantes e angustiantes do mundo ecoou e todos os elementos que qualquer ser precisava para sobreviver pareceram ir se dissolvendo aos poucos.
Joh sentiu sua garganta quase fechando enquanto o sangue escorria por seus lábios, o que era bom por um lado porque a impedia de gritar, já por outro era ruim, porque, sabe como é, se o Idiotore sustentasse aquele poderzinho do capeta por mais tempo... ELA SERIA DESTRUÍDA!AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH.
Para a sua sorte, Damon imbecil pareceu perceber que era péssimo protegendo as pessoas com mesas inúteis e tudo parou tão rápido quanto começou.
Estava surda, meio cega e sangrando. HAHA, até que não era tão ruim assim. Saiu do abrigo meio cambaleando e notou centenas de corpos -mais mortos que antes- e cinzas cercando um Hellboy que parecia muito pálido para ser considerado um demônio saudável.
– Você acabou com todo mundo? Uh, seu esquisitão, que poder cósmico é esse? Nunca tinha visto nem seu pai conseguir fazer um estrago do tipo.
Os olhos acinzentados chatos a encararam por breves segundos e ele apoiou as mãos nos joelhos aparentando mais cansaço do que queria demonstrar.
– Acredite, ele consegue. – murmurou com a voz rouca endireitando a postura rapidamente. – Você está bem?
– Para um filme de zumbis, estou ótima. Seguinte, o padre do mal fugiu, nós vamos tentar seguir ele em outro lugar?
– Não. Estou cansado desse maldito joguinho de esconde-esconde.
Sua voz era mais gelada que o ice Berg que destruiu o Titanic. Ela deu de ombros achando que não teria problema ir sem ele procurar o Frollo, mas a reação exagerada de Ethan e Stefan se materializando do nada naquele andar e implorando para que o Hellboy não fizesse sei lá o quê, a deixou preocupada.
– Damon ouça a voz da razão, você já usou um poder absurdo agora. Um que nós nem sabíamos que existia, como vai resistir se fizer mais qualquer truque demoníaco? – Simba/Mufasa apelou parecendo pela primeira vez um irmão de verdade.
– Sim, Stefan tem razão! Nós vamos encontrar o Gregory, só tenha paciência...
– Stefan vá cumprir o que prometeu. – retrucou sombrio olhando para os três de soslaio. – Diga para Elena que eu não pretendo demorar.
E essa foi a única frase que disse antes de tudo começar a ser batido como em um grande liquidificador enquanto as cores pareciam mudar retrocedendo no tempo.
O confronto, Johanna vendo os papeis, eles chegando à casa, e então finalmente Gregory sentado na escrivaninha espiando pela janela do escritório e se preparando para fugir por uma passagem secreta atrás do quadro com fotos de Elena.
Tudo parou com um solavanco bem nessa hora e o namorado da Gilly fez com que a garganta de Turpin fosse atraída como um imã até sua mão enquanto ele erguia o padreco do mal quase o sufocando.
– Ok, vamos brincar disso de uma maneira civilizada. O que você fez com Jenna e o que pretendia fazer com Elena? Prometo que se você responder só vou torturar sua alma por meia eternidade.
__________________________________________________________________
Notas finais
AAAAAAAH NYAH ME FAZENDO CORTAR MIL PARTES DESSE CAPÍTULO! Ok, tinham... muitas páginas, mas, mas, mas... Essa parte daqui não foi feita para ser cortada ;____;. Ok vou deixar de drama.
O ministério da tia Glaucócia adverte: Nikki trabalhando a base de café e saudade fica tão tagarela que faz quase 40 páginas. Tsc, tsc.
Vou tentar arrumar os povs que tive que cortar (da Lenn e o resto do pov da tia Glaucócia) e ver se com isso crio mais uma parte pra postar hoje DD: (o que leva o capítulo 18 a ter 3 BILHÕES DE CAPÍTULOS DENTRO DELE. AEW, AEW -QQQQ.)
O ministério da tia Glaucócia adverte: Nikki trabalhando a base de café e saudade fica tão tagarela que faz quase 40 páginas. Tsc, tsc.
Vou tentar arrumar os povs que tive que cortar (da Lenn e o resto do pov da tia Glaucócia) e ver se com isso crio mais uma parte pra postar hoje DD: (o que leva o capítulo 18 a ter 3 BILHÕES DE CAPÍTULOS DENTRO DELE. AEW, AEW -QQQQ.)
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