Demônios Não Amam.
25 Alianças vulgo bombas relógio. Parte 05.
Notas iniciais
Vou agora responder os comentários e mps. Amo vocês, obrigada de novo por tudo ♥.

POV- Elena Gilbert.
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– Como se sente? – A voz macia perguntou sem um traço se quer de estar realmente se importando.
Precisei franzir o cenho por alguns segundos. Como eu estava? Sinceramente, não sabia.
Claro, conseguia reconhecer que as cinco taças monstruosas de sorvete tinham feito mais do que apenas me engordar. Eu era a “Outra Elena”, tinha certeza. A nova e sofisticada que havia lutado com um demônio em um bar, dado um selinho em Damon pela primeira vez e praticamente estapeado a Lenn original por um pedaço do corpo do Hellboy.
Mas, ainda assim, comparando com as outras duas vezes em que eu havia aparecido, não sentia uma separação exata entre nós. Talvez eu tivesse mudado influenciada por Elena e seus olhinhos grandes charmosos e bonzinhos, mas a verdade é que, se eu pudesse apostar, apostaria que era ela que estava mudando.
E isso, infelizmente, podia indicar o que mais temíamos: Nós éramos a Besta apocalíptica. Nah, está vendo? Até os pensamentos emos preocupados estavam iguais. Que droga havia acontecido comigo?
Rolei os olhos com a minha própria chatice e encarei meu sogro com seu ar de like a boss.
– Estou... Normal. – Respondi sem conseguir esconder minha confusão interna. – Sei que sou a “Outra”, mas ainda me sinto Elena... Isso faz sentido?
Ele pareceu achar a resposta engraçada.
– Vindo da senhorita, sem dúvidas, faz. – Zombou com aquele jeito colonial dele, enquanto fazia a pilha de taças se dissiparem. – Creio que isso signifique que a fusão entre vocês têm andado acelerada mesmo que ainda faltem quatro pecados capitais.
Se por um lado isso fazia todo o sentido do mundo, já que nossa personalidade se encaixava melhor agora, por outro soava errado contabilizando o tempo enorme que levei para voltar a surgir.
– É, deve ser isso. – Murmurei sem querer pensar muito. – Terei minha primeira lição de soldada infernal hoje?
O rosto do Diabo ficou mais imperialista e ele assentiu uma vez .
– Agora, caso não se importe. Devo, antes, avisar que sou um péssimo professor e odeio repetir informações.
Tive que rir ao pensar no quanto isso me lembrava de Damon. Nos nossos treinos de defesa pessoal ele praticamente me esganava quando eu errava os movimentos ensinados.
– Acredite, estou familiarizada com isso. Vou prestar atenção redobrada. – Garanti firme enrolando meu cabelo em um coque simples. – “Devo, antes, avisar que”... Farei muitas perguntas idiotas durante o processo, como “Porque você não tem chifres como os retratos do códex?”. A propósito, isso não foi só um exemplo, eu estou mesmo curiosa.
Os olhos azuis brilharam de uma maneira jovial.
– Posso suportar isso. Já conheci seres semelhantes a você. – Sua voz pareceu levemente nostálgica. – Não tenho chifres porque essa é uma invenção católica para causar medo nas pessoas e impedi-las de cultuar deuses de outras culturas. Meu suposto tridente vem do deus grego Posídon, meus chifres de diversos deuses como o celta Cernnunos e o grego Dionísio, a vermelhidão da minha pele, da cor sagrada do hinduísmo, entre outras considerações. Podemos iniciar?
Ok, precisava admitir que estava meio frustrada. Perdi noites imaginando a história trágica de como Lilith havia o traído loucamente a ponto de chifres terem nascido no lugar. Ou cogitando que ele fosse um sátiro maluco.
Pisquei atônita afugentando o pensamento e encontrei a cadeira à minha frente vazia. Uh, será que a polícia acharia que era um trote se eu ligasse para reportar o sumiço de Lúcifer?
“Alô? Então meu sogro sumiu... Nome completo? Ele tem muitos nomes... Mas ele é famoso, aposto que vocês conhecem. Ele é o Diabo, sabe como é”.
Um vulto ao meu lado pigarreou impaciente me fazendo pular da cadeira com a súbita aparição.
– E eu jurando que você tentaria me matar com venenos ou me fuzilando. Nem desconfiei do fator “susto”.
Sua sobrancelha foi erguida só a alguns milímetros.
– Lamento ter lhe assustado, Elena. – Pronunciou a última palavra daquela forma cautelosa estranha, como um estrangeiro falando em inglês. – Tentei fazer isso da maneira mais “normal” que consegui. Dei-me até ao trabalho de levantar como um humano e caminhar até você...
– Pois fez isso de uma forma muito assustadora e rápida porque eu mal pisquei e você apareceu do meu lado igual ao mágico Mister M.
Seu rosto inabalável pareceu surpreso.
– Deve ter estado distraída na hora, como um aparelho televisivo mal sintonizado. -Os olhos azuis se fixaram no cordão em meu pescoço por míseros segundos e então voltaram a encarar meu rosto. Ele estava sugerindo que eu tinha “apagado” por algum tempo curto ou estava sem “sinal” como celulares de operadoras ruins? Isso só podia ser algum tipo de trote vingativo. – De qualquer forma, acha que podemos começar agora seu treinamento?
– Podemos. – Respondi fitando o colar só para checar se estava tudo bem, mas parei assim que percebi que estava normal.
O medalhão satânico continuava intacto ao lado do mais novo pingente que Bonnie havia me dado. Provavelmente ele havia pressentido que aquilo era bruxo e por isso olhou com aquele ar de um valentão fazendo bullying.
Bom, eu só lamentava. Não iria tirar, até porque nem sabia como.
– Quero que se concentre. Feche os olhos e procure perceber como seu corpo se comporta. – Exigiu com uma persuasão que faltava nos professores de yoga.
Obedeci instantaneamente embora me sentisse idiota. Tinha tentado fazer a mesma coisa mil vezes durante aulas de meditação e nunca consegui “limpar minha mente” ou relaxar.
Aliais, tudo o que conseguia nessas horas era ficar confusa refletindo se repetir a frase mental: “Não estou pensando em nada”, não era uma forma de justamente pensar.
Respirei fundo sentindo a pressão interna que sofria. Realmente precisava conseguir me tornar incrível do dia para a noite. Muitas coisas dependiam disso. Especialmente depois da minha escolha idiota de salvar Lívia, em vez de trazer Jenna de volta ou algo assim. Coisas de Elena, sabe como é.
Tentei manter um ritmo de respiração mais tranquilo e aos poucos fui conseguindo me desconcentrar do resto do universo ouvindo os batimentos do meu coração.
– Lembre-se de que há uma centelha demoníaca em você. Procure-a. – Sua voz invadiu minha mente causando um leve desconforto.
“Minha centelha demoníaca”... Como encontrar essa droga? Todos sempre tinham agido como se eu, a Outra, já fosse essa centelha. Agora, no entanto, com toda essa bagunça cósmica, eu, Elena e a Besta estávamos unidas como bonecas russas esfareladas no chão. No meio dos cacos de porcelana, era quase impossível dizer que pecinha fazia parte da boneca de dentro ou da de fora.
– Vamos, Elena. Achei que meu sangue havia lhe dado uma parcela mínima de inteligência, ao menos. – Provocou a voz diabólica.
“Culpe a Lenn, ela que é a lerda.” – Pensei com amargor sabendo que, estranhamente, ele havia “ouvido” isso.
Apertei os olhos quase sentindo as têmporas doloridas pelo esforço e pensei no ponto óbvio que ainda não tinha vindo até a minha mente.
A única coisa que me interligava ao Diabo e, me dava essa força, era Damon. E fora justamente seu sangue que me criara no dia em que ele e Elena tiveram um ataque bizarro de ciúmes e fizeram uma transfusão estranha e ilegal de sangue.
Sorri com a resposta do enigma e concentrei-me na corrente sanguínea tentando lembrar-me do que aprendi nas aulas de biologia. O que, lê-se, era bem chato de se fazer.
“Crianças, o ciclo começa com o coração bombeando o sangue” – A Sra. Brown costumava dizer na escola com seu ar simpático. “Esse sangue segue por todo o corpo em tubos chamados de artérias que se dividem até ficarem fininhas como um fio de cabelo e ganharem o nome de ‘capilares’. O sangue que flui pelas artérias é responsável por levar nutrientes e oxigênio para todas as células do corpo e em determinado ponto elas começam a se reunir formando tubos mais grossos chamados de veias, que transportam o sangue venoso, cheio de produtos da digestão celular, de volta para o coração. Esse sangue “impuro” é oxigenado e volta a circular pelo corpo.”
Nessa hora, todos costumavam olhar para as figuras do livro enquanto as meninas faziam caretas e os meninos ficavam entusiasmados pedindo vídeos reais sobre o assunto ou prometendo esfaquear um ao outro para ver se era assim mesmo.
“Há também as veias nos membros inferiores que partem do pé até o coração e estão presentes em dois sistemas: as profundas (internas) que correm lá na musculatura da coxa e da perna, e as superficiais que desembocam nas profundas e, são essas que ficam mais perto da pele e sempre vemos.”
A turma explodia em observações do braço, apontando as “cobrinhas azuis e verdes” enquanto a Elena original deitava a cabeça no livro com sono.
Não que eu a culpasse, acho que faria o mesmo se já fosse seu alterego.
Com os conhecimentos na cabeça, procurei tentar identificar todos os elementos que a Sra. Brown explicava sorridente, sentindo-os de alguma forma.
A princípio fora tudo imaginação.
Imaginava sentir algo mais quente nas minhas artérias, correndo entre as linhas azuladas do meu corpo e mantendo o ciclo que fazia com que eu ainda vivesse. Depois, entretanto, comecei a realmente sentir.
Demorou. Muito, na verdade, mas no fim eu consegui.
Sem prestar atenção ao que Lúcifer falava ou não, concentrei-me na espessura do sangue, em destacar os nutrientes e tentar diferenciá-lo do humano e bizarrices assim. Tinham sérias chances de ser pura maluquice minha, já que parecia impossível se “sentir” os nutrientes ou aspectos sanguíneos, mas ainda assim eu não conseguia parar.
E foi exatamente depois disso que a minha mão começou a parecer um formigueiro ambulante.
Abri os olhos meio desesperada e notei que a janela lá fora mostrava o dia já escuro e sob a vigia da lua.
Minha mão parecia normal e eu também não sabia se tinha algo estranho comigo. Tirando, claro, o fato de o meu corpo inteiro estar dormente e minhas veias estarem quase invisíveis como se minha pele as sugasse.
– Você aprendeu a absorver a energia do meu sangue. Essa fonte de poder é como uma bateria de carro. – Lúcifer lutou com as palavras enquanto caminhava inquieto ao meu redor. – No seu caso é como comprar uma bateria reserva embora já tivesse uma meio deteriorada, que vem a ser a sua vitalidade humana comum. Se você ignorar o poder do meu sangue, como está fazendo, ela será só um peso inútil no porta-malas, mas se instalar no automóvel virará uma fonte de energia poderosa.
Homens e suas metáforas automobilísticas.
– Ok, ok. Não estava usando meu poder do Drácula e realmente me sentia como se carregasse um peso a mais no meu corpo, mas agora já absorvi a coisa e está tudo bem. Palmas para mim.
O Diabo estancou suavemente com sua expressão de estátua de mármore ainda que seus olhos se divertissem.
– Odeio desmerecer suas hipóteses Elena, mas me vejo obrigado a fazer isso dessa vez. A energia diabólica só será completamente absorvida quando completar sua fusão com a dona oficial do corpo. Antes disso, terá que fazer o processo toda vez que quiser utilizar os dons cedidos pelo meu filho.
Certo, já começou muito mal a história.
Pode parecer pessimista, mas tudo que eu conseguia imaginar era um viking com um machado correndo atrás de mim, gritando “MORRA VADIA!” enquanto eu fazia o sinal de “pare” com a mão e implorava: “Pode esperar dois minutos, só para que eu absorva minha energia do mal e possa lutar? Onw obrigada pela compreensão! A gente já continua, certo?”
Sério, eu estava longe de me tornar o Gandhi e aprender a meditar rápido, como iria fazer isso em toda batalha se não conseguisse me unir à Elena original antes da coisa pegar fogo?
– Um problema de cada vez, Elena. – O pai de Damon pareceu ler meus olhos. – Ainda sente alguma espécie de energia em suas veias?
– Se dormência tiver esse significado então sinto.
Meu braço estava praticamente o cosplay de uma almofada com agulhas.
– Ótimo. Deve ser o bastante para livrá-la disso. – Anunciou fazendo com que uma dor nauseante enchesse meus músculos enquanto um vidro de ácido inexistente parecia ser jogado no meu cérebro.
Afundei no piso, quente graças à lareira, e tentei lutar contra uma convulsão.
A sensação era horrível, fisicamente era como se alguém tentasse cerrar todos os meus ossos ao mesmo tempo e mentalmente... Bem, era um pouco mais terrível.
Todos os piores pensamentos do mundo começaram a construir moradia na minha cabeça e rangi os dentes mal conseguindo enxergar a figura estática à minha frente.
– Já vi humanos sem dom algum resistirem ao meu ataque de forma mais digna do que essa, senhorita. – O senhor do Inferno adiantou dois passos me olhando com curiosidade. Algum osso da minha perna se partiu no mesmo instante e eu grunhi tentando me erguer.
Sem a minha permissão, meus lábios formaram a palavra “porquê?”. Eu havia sido muito idiota de ter aceitado aquela maldita viagem ao inferno. O que eu estava pensando? Que seria recebida com chás e bolinhos e Lúcifer me mostraria um álbum de fotos de Damon pequeno? Essa visão era imatura e utópica até mesmo para mim.
– Por quê estou fazendo isso? É essa a sua pergunta?- Sua voz penetrante encheu o ressinto enquanto a porta lateral se abria e alguém permanecia chocado diante da cena. – Porque o meu método de ensino é cruel entretanto é o mais eficaz. Quando meu pai, O Velho dos céus, criou a humanidade com outros deuses pensou em ensinar todas as propriedades do mundo através do diálogo como um professor falido de matemática faria, mesmo que eu o avisasse que os humanos precisavam de outras medidas. Milênios ininterruptos de lições pacíficas no Éden não foram capazes de ensinar o precioso Adão a ser um homem de verdade, só quando o fiz apodrecer em desonra ele começou a ser capaz de lutar pelo que queria e é assim que o mundo funciona.
“O homem só aprende a comer quando tem fome; só aprende a andar quando não querem mais carregá-lo no colo, só fala quando não é mais entendido por seus murmúrios infantis.
Assim também como você, senhorita... Só aprenderá a se defender se for atacada.”
– Pai, talvez uma pausa... – A voz do intruso tentou argumentar, enquanto eu identificava que era Bran que assistia a tudo. Surpreendi-me por ele se importar, jurava que o namorado da Jô era o demônio mais fiel ao principio “Diga não ao sentimentalismo” que eu já havia conhecido. Talvez só estivesse receoso da reação de Damon quando soubesse do treino absurdo.
Outra onda de dor percorreu o meu corpo e não cheguei a ouvir a resposta gelada que o Diabo deu ao filho. O único barulho audível foi o da porta se fechando sem que o meu intercessor continuasse na sala.
Tanto faz, nunca fiz o tipo princesinha a ser resgatada mesmo.
– Pensando em desistir? Alerto que não o faça, tenho o péssimo hábito de me tornar implacável diante de uma decepção. E, acredite, deposito muitas esperanças em você, minha cara.
De alguma forma aquilo me irritou mais do que o ataque. Odiava a forma prepotente com a qual ele falava, como se fosse o senhor de uma verdade universal. Era no mínimo curioso que fosse tão arrogante assim diante de alguém que podia ser a grande responsável pelo fim do mundo.
Minha vista escureceu e reuni forças para começar a me levantar com muita dificuldade. Um peso estranho tombava no meu estômago alertando-me que eu estava quase me entregando a outro pecado capital: a vaidade.
Talvez esse fosse seu plano desde o início.
– Sinto que meu estímulo não está sendo o bastante, deseja que eu a ajude mais? – Imediatamente senti uma costela partir e gritei impotente querendo ativar meu poder de alguma forma. – Que estranho, a achei formidável em seu desempenho contra o demônio Elias, mas agora está se comportando como uma garotinha mimada fazendo uma aula de spinning.
Ele veria quem era a garotinha muito em breve.
Senti minha face arder de puro ódio e a dormência no meu corpo se intensificou.
Queria o maldito Diabo morto, estrangulado, despedaçado, só para que eu pudesse dançar em cima dos seus ossos fodões e fazer uma pulseira para mim.
O ódio era tão grande que parecia o resultado de todas as vezes que quis odiar alguém e me proibiam dizendo que era uma atitude pouco cristã. Que se danassem os padres da minha primeira comunhão. Eu agora era uma figura infernal.
Minha visão se tornou rubra e aos poucos as dores que me contorciam foram desparecendo enquanto meus pés se estabilizavam no chão.
Algo que parecia fumaça, mas era um pouco mais denso, começou a me circundar e por um terrível instante vi pares de olhos diante do nevoeiro sorrindo para mim.
A Elena humana presa no meu ser quis acabar imediatamente com aquilo, mas eu estava inebriada demais com o poder e sentia que já não havia coisa alguma que eu temesse.
Eu era o medo que aterrorizava as pessoas e não o inverso.
A fumaça foi tomando forma e quando percebi, estava cercada de criaturas descarnadas com mantos azulados e olhos sombrios. Recuei começando a achar que era mais um truque de Lúcifer, mas ao meu movimento os pseudo-dementadores fizeram o mesmo.
Uma risada irônica escapou dos meus lábios e fitei os olhos azuis acinzentados enquanto me lembrava de quando havia brincado que Bran, Damon e Jô eram componentes do meu “exercito”.
Bom, agora eu realmente tinha um.
– Ataquem-no. – Ordenei achando que não seria nada divertido se a brincadeira parasse sem que eu pudesse testar totalmente meus poderes.
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POV- Tia Galucócia versão ninja.
Os pés de Gregory se debateram contra a parede enquanto Ethan apoiava Joh embora também estivesse meio tonto. Demônios e anjos sempre puderam retroceder o tempo, mas isso quase nunca era feito porque para voltar um único minuto se gastaria a energia de quinhentas pessoas saudáveis durante toda a vida delas. Voltar algumas horas como Damon fez era desgastante demais até para se imaginar e ficava pior quando se lembrava de que ele antes já gastara grande parte da sua energia em um poder sobrenatural para matar os fantasminhas.
Turpin engasgou tentando se desvencilhar do aperto de Damon e como punição foi sufocado com mais força. Seu rosto já estava de um vermelho quase roxo e se o Idiotore exagerasse mais um pouco ia explodir a cabeça do padreco.
Parecendo perceber isso o maldito Frollo resolveu tentar pronunciar algo. Sua voz estava baixa para ser ouvida até por demônios com ouvidos supersônicos, o que obrigou todo mundo a se aproximar:
– Vocês nunca vão... me... impedir...de... ter.. Pierce... de volta. – Conseguiu falar com muita dificuldade em uma voz de camelo sem água há muito tempo. Como o previsto, a resposta só deixou Damon mais irritado. Os olhos do padre se esbugalharam e um grito feminino ecoou dos seus lábios fazendo Johanna e Ethan se assustarem ao mesmo tempo. – Da-Damon, sou eu, me solte... Gregory... armação...
Que porra era aquela? A voz era de Jenna!
Desconfiado e ao mesmo tempo preocupado Damon afrouxou o aperto e deixou que Gregory, Jenna, ou sei lá quem era aquela pessoa “travestida” de padre do mal, tombasse no chão.
Uma vez livre, a expressão masculina diante deles foi se dissolvendo adotando traços femininos quase cadavéricos. Os três a olharam com desconfiança. Reconhecer a irmã de Miranda embaixo das orelhas profundas, covas de anorexia e arranhões na bochecha era quase um trabalho impossível. Seu cabelo também estava ralo e por todo o corpo, marcas de maus tratos cobriam sua pele.
Seus olhos opacos fitaram Damon com dificuldade e algum sentimento humano os envolveu gentis demais para serem os olhos de Gregory.
– Sra. Sommers!- Ethan se agachou ao lado da tia da Gilly e conjurou um pano úmido o passando pelo rosto dela tentando melhorar a vermelhidão.
Johanna não sabia explicar o porquê, mas quando se deu conta também estava agachada ajudando. Ok, isso era muito estranho, porque ela sentia certo aperto no peito como se algo pressionasse seu coração?
Vai ver era efeito colateral do kamehameha do Idiotore.
– Jenna? Sei que está machucada, mas vai ficar tudo bem, eu prometo. Só que preciso achar Gregory para que isso não se repita e nem você nem Elena fiquem feridas. – Damon pontuou com uma paciência que o tornava menos assustador depois de tudo. – Pode me falar onde ele está ou o que sabe sobre isso?
Os olhos verdes ficaram marejados e cansados.
– Ele me controla. – Esclareceu fraca enquanto Ethan começava a curá-la aos poucos. Joh não sabia se conseguiria deixá-la inteira de novo, sua alma estava mais maltratada que seu corpo. – Muda minha... aparência. Meus pensamentos. Só tenho... poucos minutos de consciência, não sei onde ele está fora isso. Quando descubro, ele apaga da minha memória.
Tia Glaucócia fitou o servo da Gilly e ambos pareciam concordar que aquilo era magia bruxa. O problema era como Gregory conseguia magia demoníaca e bruxa.
Sheila podia estar unida a ele ou outro grupo de feiticeiras o ajudava? E quanto à demoníaca? Poderia ser ajuda de alguém da família de Damon ou de algum outro qualquer?
– Vamos reverter isso Jenna, fique tranquila. Vamos dar um jeito...
Jenna negou com a cabeça.
– Os sonhos... Os sonhos que eu tive com ele. Ele já me controlava desde aquela época. – Uma lágrima pousou na sua bochecha. – Alguém... quem ajuda ele... me conhecia, deu uma peça de roupa minha e ele usou em um ritual para me manipular. Eu... fui fraca. Entreguei minha alma por vontade própria mesmo desconfiando que estava... – Sua voz se embargou.
Glaucócia sentiu falta de algum desenho idiota como Teletubbies que a fizesse parar de pensar no quanto a voz dela também queria ficar de flamingo doente. Demônios não choravam, qual é!
– Não foi culpa sua, Sra. Sommers. Estava sendo influenciada, não estava pensando com a própria cabeça, mas como Damon disse, vamos procurar ajudá-la. Tudo vai se resolver. – Ethan a tranquilizou fazendo outro machucado roxo se tornar cor de pele como se nunca tivesse existido.
Um sorriso fraco sustentou seus lábios por meio segundo.
– Não, Lenny... ela... ela tentou me avisar. – as lágrimas brincavam de fila indiana pelo seu rosto em quantidades absurdas. – Ele também tem um lenço dela, tire... por favor, tire dele. Gregory a manipulou no dia do nosso casamento. Quando... Damon tentava impedir a cerimônia, Elena o mandava parar... O pano com a maquiagem dela... Ele a influenciava por lá e outras coisas também. Ele entregou para uma pessoa. – Jenna puxou mais ar quase se engasgando no processo. Parecia querer contar tudo sem esquecer nada. – Uma mulher... Entregou para uma mulher... E-mail... Ele tem e-mails com ela. Não, não estão aqui. Ele sabia que vocês viriam atrás dele e montou tudo isso de propósito. Fez com que eu ficasse disfarçada aqui os esperando por bastante tempo, alguém disse para ele que Damon voltaria no tempo para pegá-lo então ele me fez fazer aquele teatro todo.
As íris de Scar ficaram completamente vermelhos naquele momento.
– Prometo que ele não vai machucar Elena. – Damon garantiu começando a parecer sentir todo o peso dos poderes que usou durante o dia.
O rosto dela pareceu mais tranquilo depois daquelas palavras.
– Mais dois pedidos...
– O que quiser dona Sara Canning... – Tia Glaucócia ofereceu lutando contra o ataque de cebola que ela estava tendo.
– Não... tentem impedir minha morte. – Os três demônios arregalaram os olhos e ela tentou relaxá-los colocando a mão no ombro de Damon. – Gregory... já me matou. Tirou tudo de mim. Eu sou só uma marionete, eu... eu não posso mais viver com isso... Por favor.
– Podemos acabar com esse controle mental, Sra. Sommers, por favor, não desist...
– Não, quando... ele só me controlava pela roupa, podia ser desfeito. Mas... depois do casamento ele me convenceu a fazer um ritual no qual entreguei minha alma para ele... Eu não posso mais voltar atrás... Não há saída. Mesmo se ele morrer vai voltar através de mim. – Um soluço cortou sua fala e ela limpou as lágrimas com dificuldade. – Eu sou uma parte do Gregory agora... e nenhuma parte dele merece viver.
Poderia ser o padreco controlando essa fala emo suicida dela?
Johanna queria que fosse, mas sabia que não tinha lógica pensar assim, só se o Frollo ainda tivesse apenas influenciando a mulher com truques baratos. Quando se tratava de “tomar a alma de alguém” a coisa era bem diferente. Sempre saía algo que denunciava o controlador; sua expressão, sua voz, seu olhar... Como quando Jenna estava sendo enforcada com a aparência de Turpin e disse com a voz dele que os demônios não tirariam Katherine Pìerce dele.
Dessa vez não tinha nada de Gregory. Era Jenna em aparência, voz e consciência.
– Tem certeza que não está sendo controlada agora? – Damon ecoou seus pensamentos parecendo confuso.
Ela assentiu uma vez fechando os olhos.
– Sempre que eu recupero a minha consciência ele é impedido de agir por duas horas. – Um suspiro vazio escapou por seus lábios. Parecia cada vez mais calma. – Posso pedir a segunda coisa?
Idiotore fez que sim com a cabeça apoiando-se melhor no espaço no chão em que não existiam fantasmas destruídos.
– Elena... Por favor, diga para ela que... Ela estava certa. E que eu a amo, ela... Ela sempre vai ser a minha menininha. Ela e Jeremy são como meus filhos de verdade e eu estou orgulhosa de ambos. – As pontas dos seus lábios se repuxaram para cima embora seu ar fosse mais triste que antes. – Diga para ela que ela se tornou uma menina linda, inteligente, madura, confiante, gentil e que é melhor do que pensa que é. Peça para ela cuidar dos pais e de Jeremy e... – O verde deixou vazar mais lágrimas – Não a engane mais Salvatore.
Damon piscou atônito e Ethan se remexeu desconfortável enquanto passava outro pano úmido no rosto de Jenna.
– Elena sabe o que sou...
– Não... Não falo disso. Estou pedindo para você não enganar ela quanto aos seus sentimentos. Turpin... Eu... eu sabia que ele não me amava, mas eu achava que... – Ela apertou os olhos como se depois de chorar tanto os olhos dela começassem a doer. – Um dia... se eu me esforçasse e mantivesse as esperanças, ele... – Jenna suspirou contra a sua vontade. – Toda mulher quer ser verdadeiramente amada Damon, e se ela continuar assim... Se... continuar te amando... A menos que você... Damon, você... estaria disposto a amá-la?
Claro que estaria! Quem não amaria aquela lerdinha tonificada da Gilly?
Johanna o olhou com ar de apoio, mas ele apenas virou o rosto.
– Vou esclarecer as coisas com Elena. – Respondeu parecendo misterioso demais para o gosto de todo mundo. Glaucócia gemeu baixo em descontentamento e Ethan Lewis balançou a cabeça como se o comportamento de Damon parecesse familiar.
Jenna assentiu parecendo mais tranquila e acariciou o rosto do namorado da sobrinha.
– Você é um bom garoto Damon, não sei como, mas é. Espero que consiga entender a tempo o que não entende agora. – Virou-se para Ethan e Johanna dando um sorriso calmo. – Obrigada por serem tão gentis, mas agora chega de cuidados. Por favor, me livrem logo de Gregory antes que ele volte...
– Vou sentir sua falta dona Sommers, você sempre teve estilo. – Johanna se despediu quando a viu fechando os olhos. Lewis acariciou o cabelo dela e os dois olharam para Damon. Ele era o único que possivelmente conseguia fazer aquilo de modo mais dosado e menos agressivo.
Contrariado, o Idiotore respirou fundo e tocou a testa pálida e com menos arranhões que antes de Jenna, tornando ela dura como gelo. Já não respirava mais.
Fins. Eram. Definitivamente. Tristes. Joh não queria mais ver aquilo.
– Não precisa continuar Damon. – Uma voz ecoou atrás deles os sobressaltando. Marshall no início pensou que fosse Mufasa finalmente falando algo depois de mil horas de silêncio, mas depois se lembrou de que Damon o havia mandado em uma “missão” e provavelmente ele tinha ido encontrar Elena antes da reviravolta do tempo.
A presença na sala, embora angelical, era outra. Os ombros largos de bombadão de academia, queixo quadrado, olhos azuis, cabelo castanho claro cortado pelo Edward mãos de tesoura, barba por se fazer, um pouco mais alto que Damon e pele com um leve dourado como em comerciais de bronzeador. O bom e velho Rick.
Johanna deu um meio sorriso ainda frustrada com a fragilidade dos humanos legais e Alaric Saltzman apertou de leve seu ombro como forma de cumprimento.
Sim, era mesmo estranha aquela forma de contato entre anjos e demônios, mas Rick a princípio era só um humano inteligente que se tornou “pirata entre mundos”. Como um mercenário que lutava no lado espiritual que pagasse mais.
Por alguns anos lutou junto aos demônios se tornando anjo apenas quando soube que o Anti-Lúcifer tinha dado uns poderezinhos lá para sua ex-namorada de colegial. Ele queria uma forma de proteger ela, e nesse ponto demônios eram fodas demais para serem compreensivos, então ele basicamente foi obrigado a virar um anjo. E, bem, pela forma com a qual ele olhava a pobre tia Jenna estilosa, ficava fácil adivinhar quem deveria ser a tal namorada.
Damon se ergueu com Ethan ao lado e depois de dar dois tapinhas no ombro de Saltzman cederam espaço para que ele passasse e carregasse a tia da Gilly no colo.
– Ela precisa ser totalmente destruída Rick. Sabe disso. – Idiotore alertou checando rapidamente o buraco atrás do quadro de recados. – A propósito, que tipo horrível de protetor você foi? Quero organizar uma competição entre você e o anjo da guarda de Elena.
Alaric riu mesmo aparentando estar com dificuldade para fazer isso.
– Aí está a ironia, só me tornei protetor dela hoje. Antes estava sendo “preparado” pelos arcanjos. – Seu riso agora era de pura amargura. Como aquelas comidas que a Gilly as vezes esquecia fora da geladeira. – De qualquer forma, quero antes fazer um experimento, mas vou destruí-la. Dou a minha palavra...
–... Que não vale nada...
–... E está sendo oferecida para alguém que igualmente não vale nada. Ou seja meu amigo, temos um acordo de honra justamente por nós dois termos consciência de que não temos nenhum caráter e nos orgulhamos disso.
Foi a vez do Scar rir.
– Vou ficar sabendo como é o experimento?
Como assim aquele Hellboy traíra falava isso no singular? Tia Glaucócia também merecia saber o que o doido do corsário ia aprontar.
– Não. Vai ficar sabendo só que já que duas mulheres importantes para mim — de formas diferentes- não puderam ser protegidas por ninguém, vou tentar, unindo as duas, chegar ao resultado de uma que possa ser protegida de agora em diante.
Ethan desistiu da conversa naquele momento se transmutando na forma de um dos seus totens, o tigre branco e mel, e pulou na passagem secreta do Frollo querendo tentar ver aonde daria.
Sabe-se lá com que mandinga, Damon conseguiu entender sobre o que ele falava. Saltzman piscou parecendo apoiar o fato dos dois ainda conseguirem se comunicar bem sem dizer muita coisa. Em batalha eram os melhores parceiros porque sabiam exatamente o que o outro ia fazer e controlavam suas ações em torno disso dando cobertura, ou facilitando as coisas. Podiam ser chamados de amigos. Não que o Luluzão do inferno fosse aprovar, mas aí já era outra história...
– Isso seria possível?
– Espero que seja. – Os olhos verdes fitaram Jenna com um brilho que não era nem triste nem esperançoso, mas ambos ao mesmo tempo. – Não posso perdê-la Damon. Não totalmente. – Glaucócia entendia. A Katy Perry já havia falado sobre isso em várias músicas. – De qualquer forma, isso já foi feito antes e se der tudo certo você provavelmente vai saber logo, afinal uma era importante para você, outra pra Elena, e vocês formam um casal... Quem sabe uma filha de vocês não seja esse...
– Você está querendo unir em uma só duas mulheres que nem são compatíveis...
– Isso você não sabe. Não tem ideia do quanto duas pessoas podem ser parecidas ainda que a última vogal do nome seja diferente. – Saltzman brincara começando a andar em direção ao corredor. Virando-se para Joh fingiu uma expressão confusa. – A Marshall quebrou ou Elena Gilbert é uma especialista em mudar a cabeça de demônios? Nunca vi Johanna ficar calada por mais de dois segundos e meio.
Tia Glaucócia fez sua melhor careta de “HAHA. Só que não.” e sorriu quando ele começou a ficar transparente no ar junto à Jenna morta nos seus braços.
Salvatore pareceu querer fazer mais perguntas, mas sabia que Alaric estava esgotando sua performance de inabalável e precisava do seu tempo de luto a la Romeu.
Isso deu a ela ideias, se tinha um momento certo para matar sua curiosidade, era aquele. Ergueu-se preparada para formular a pergunta, quando, por algum distúrbio do universo, as patinhas de tigre ecoaram no alumínio do túnel secreto e Ethan, voltando à forma normal, se antecipou. Babaca!
– Alaric falava de unir fragmentos da essência destruída da nossa irmã Jenny com os da tia de Elena?
UH. AGORA AS COISAS FAZIAM SENTIDO! Era meio idiota e arriscado, porque quando se era destruído só pedaços mínimos seus restavam, como micróbiozinhos, mas juntando dois seres destruídos e os colocando dentro de um novo espírito compatível dava pra formar algo útil. A única experiência que deu certo naquele caso foi a de Eva. O pai dos príncipes infernais lerdos tinha ficado tão arrasado quando ela morreu que consultou a irmã de Lilith, Aracne – uma bruxa que só era satanista por respeito à irmã – e ambos mataram a terceira irmã delas para criar a mãe de Damon, Lívia. O processo demorou séculos para dar certo porque era difícil achar um casal que criasse um espírito hospedeiro certo para aquela mistura e quando acharam, Lilith tratou de colocar na Salvatore ideias religiosas para que nunca olhasse para Lúcifer. Ainda assim, a parte mínima de Eva foi mais forte. Por isso o Idiotore cabeçudo era o predileto. Como Damon e Elena eram interligados às partículas das duas vítimas destruídas provavelmente uma filha deles realmente seria uma hospedeira perfeita. Mas ainda assim soava louco
– Rick não falava de nada, esqueça isso Ethan. O que encontrou lá? – Perguntou apontando com a cabeça o túnel.
– Não dá em lugar nenhum, é um túnel sem saída. Ele realmente nos esperava e montou o cenário perfeito para que perdêssemos tempo. Vou encontrar Dolores em Mystical Falls pedir que ela leve Abby para algum lugar seguro para as bruxas e depois eu e Johanna podemos tentar procurar vestígios de Gregory. Quanto a você... – Um sorriso maroto surgiu na face demoníaca. – Acho que talvez prefira ver Elena já que ela está há bastante tempo em companhia do seu irmão Stefan.
Mal Ethan acabara de falar, o Hellboy praguejou algo ininteligível e sumiu no ar como um jato supersônico sem nem se despedir. Tia Glaucócia (E com certeza tia Eulália em algum lugar espiritual) torceriam para que o cardápio do jantar da família Gilly na próxima noite não fosse anjo frito.
– Pronta para o trabalho de verdade, Joh? – Lewis perguntava com um sorriso de lado simpático.
– Nasci pronta e tonificada, Sr. Gêmeo-malfeito-do-Liam-Hemsworth. – Retrucou o seguindo porta afora sem nem se lembrar do envelope que estava lendo antes da batalha começar.
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Notas finais
Talvez seja um dos poderes da besta. ò.ó muahahaha. -qn
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