Demônios

23 Capítulo 23: Rixas, toalhas e testes


Notas iniciais
Yoooooo meus lindos!!!! Sei que fiquei MUITO tempo longe do nyah, no entanto, estou retornando para finalizar Demônios e prosseguir com meus outros projetos. Tive muitos problemas e conflitos nos últimos tempos, fiquei desanimada ao extremo e cheguei a não pegar alguns dias no pc. Mas, graças a Dani Nicacio, Nora Cipriano, Jhessy Lacerda e a fofa da Reticencias, resolvi retornar, e espero que apreciem esse capítulo.

Abrindo um dos armários da cozinha, Temari observou os mantimentos empilhados. Doces? Desde quando Gaara gostava de tantos doces? E, principalmente, havia uma interminável quantidade de biscoitos recheados, ainda fechados e, pelo que podia notar, não havia nada de saudável naquela casa. Apenas alguns saquinhos de suco em pó e alguns vegetais na geladeira. Só poderia ser obra daquela loira de cabelos oxigenados, só poderia!!! O que ela pretendia? Engordar seu irmão? Não, não iria permitir que Gaara ficasse a se alimentar de tantas besteiras. Por mais que não fosse mais o pequeno garoto de breves palavras e medo constante nos olhos, sabia do que ele realmente gostava. Bolinhos de arroz. É!!! Bolinhos de arroz, era isso que faria para o almoço.

Virando-se, a loira dos cabelos mel dirigiu-se a geladeira mais uma vez. Ao menos faria um dos sucos para o café da manhã, caso todos ainda acordassem a tempo da primeira refeição. Em um suspiro cansado, Temari colocou-se a preparar um dos sucos em pó. Laranja. Era o sabor favorito de Gaara e, querendo ou não, da folga em pessoa que Kankuro sempre adotava pela manhã.

Havia dormido como pedra, mesmo com aquela criatura há poucos metros de si, roncando como nunca. Preguiça humana. Era isso que aquele cara era. Como ele ousara se apossar de seu quarto e, ainda mais, da sua cama? Não!! Definitivamente não. O expulsara a travesseiradas de sua cama e como seu dia havia sido muito cheio, fora bondosa e o deixara dormir no colchão extra que, por anos, permaneceu em baixo de sua cama.

_ Bom dia, Temari!! — saudou Kankuro, sentando-se preguiçosamente em uma das cadeiras da antiga mesa trabalhada em madeira. Havia passado uma das piores noites de sua vida, quando finalmente acostumou-se com sua antiga cama, a fome e os sons vindos do corredor fizeram-lhe a linda cortesia de acordar-lhe em meio a madrugada. E, quando finalmente tinha terminado com seu sanduíche, os sons vindos do quarto de Gaara e da namorada loira persistiram. Jamais imaginara tal situação, por horas e horas, o Sabaku mais velho imaginou ter enlouquecido de vez.

_ Bom dia... Nossa, você está um horror. — comentou a loira dos cabelos mel, analisando o deplorável estado do irmão. O que havia ocorrido naquela madrugada? Será que pegara tão pesado no sono assim? Pela aparência de Kankuro, a hipótese de um meteoro ter caído sob todo Oriente na noite passada era válida.

_ Eu sei... Ontem tive certeza de que nosso irmão está mesmo vivo, Temari. Muito, muito vivo. Mais do que nós dois juntos. — revelou Kankuro, avistando as portas abertas dos armários atrás da irmã e, com arrastadas passadas, pegou dois dos muitos pacotes de biscoitos. “Ótimo!...” pensou ele, olhando com euforia os rótulos dos pacotes. Ao menos havia algo açucarado para compensar a noite mal dormida.

_ Não!!! Pode largar já isso. Kankuro!!! — exclamou Temari, vendo o irmão ignorar sua repreensão e, com vontade, abrir um dos pacotes e colocar um biscoito de chocolate inteiro na boca. _ Está tudo errado por aqui... — suspirou ela, dando-se por vencida e, terminando de preparar a jarra de suco a sua frente.

XXX

Movendo-se levemente no colchão, Ino fez uma careta, deixando escapar por entre os lábios um fraco grunhido de dor. Ah não... Conhecia aquele desconforto abdominal. Suspirando, a loira abriu os olhos, contemplando o ruivo ao seu lado, calmo, sereno, apenas de olhos fechados. Sabia que ele não dormia, mas deveria estar descansando e, saber que encontrava-se naquele estado lhe preocupava. Sua raiva ficava em picos muito altos naquele período, não queria assustar Gaara. Ele provavelmente iria ficar confuso, não deveria estar familiarizado com aquela tortura mensal feminina. Há uns meses atrás, a hipótese de que era injusto as mulheres terem de passar por aqueles dias ainda rondava a cabeça da loira, que comumente culpava a “sorte” dos homens. Lembrava-se bem das conversas com Sakura e Hinata, quando em algumas vezes ao ano, aqueles mórbidos e horríveis dias encontravam-se com os das amigas. Sorvetes, filmes românticos, intermináveis lágrimas e brigas sempre marcavam aquele fatídico período. Porém, com um pequeno pesar, a loira lembrou-se: Sakura e Hinata não estariam ali para confortá-la e compartilhar de sua sensibilidade que, em cerca de algumas horas, certamente deveria estar evidente. Erguendo o tronco, Ino sentou-se no colchão, dedilhando as pontas dos cabelos loiros, desembaraçando-os. Era sempre assim, nada em seu organismo era muito regular, todavia, não acreditava que estava mesmo ocorrendo. Olhando sua lingerie, a Yamanaka já perguntava-se mentalmente em que local da cômoda de Gaara havia deixado os pacotes de absorventes que trouxera. Sim, pois a irmã mais velha dele não seria solidária o bastante para ajudá-la naquela situação. Ah, os irmãos de Gaara... Por breves momentos, havia se esquecido totalmente da presença dos dois naquela velha, porém, perfeita casa. Breves momentos que duraram um significável infinito. Um infinito de apenas uma noite. Jamais iria deixar as memórias daquela linda noite se perderem em sua mente. Aquela noite estaria para sempre, cravada em sua pele, à ferro.

Sorrindo, a loira deixou o corpo cair sob o colchão novamente, encarando os olhos verdes de Gaara, que acabara de os abrir, mediante a intensa movimentação de Ino.

_ Bom dia... — sibilou a Yamanaka, sorrindo abertamente. Não estaria nem aí para aquela chata cólica, ela tinha a ele. Sabaku no Gaara. Estar ao lado dele era mais interessante do que deixar-se abater. Muito mais interessante.

_ Bom dia. — repetiu o ruivo, permitindo que seus pálidos lábios recebessem um leve curvar. Ela sorria com tanta frequência, talvez, parte do estranho costume dela estivesse, aos poucos, fazendo-o querer agradá-la mais. Mesmo que a sua retraída maneira.

Passando os braços ao redor dele, Ino o abraçou. Era tão bom saber que ele passara toda a noite ali, sem sair nem uma mísera vez para expelir aquele vívido sangue que sempre deixava-o exausto, completamente sugado e, afundado em uma dor que trazia revolta a ela. Aquela cruel criatura não deveria ser tão potente. Se pudesse, gostaria de retirar aquele tormento de Gaara. No entanto, não havia como... Com um inaudível gemido, a loira fora acordada de seus pensamentos. Pelo visto, aquela maldita cólica não estava querendo cooperar...

XXX

Trêmula, Sakura respirou fundo mais uma vez. Não... Não podia ser... Tinha que ser engano!!! Olhou para o pequeno espelhinho do modesto banheiro da farmácia. Naquele momento, nem mesmo os detalhes tão acentuados de tudo que aquela isolada cidade parecia ter atraía-a, a não ser a caixa que tinha em mãos.

“Teste de gravidez”.

Nunca em sua vida jamais imaginou-se em tal situação. Realizando um teste de farmácia para confirmar uma suspeita que, se não fosse pelos tantos enjoos que vinha tendo, não iria submeter-se. Não estava doente. Tão pouco alimentando-se mal ou diferente do que sempre acostumara-se. Karin... Jurava ter visto aqueles óculos amarelados inconfundíveis e aquela cabeleira ruiva, tão lisa quanto seda, rondando a mansão Uchiha naquela manhã. Mas nada poderia fazer, tivera que sair correndo, às escondidas de Sasuke, para realizar aquele teste. Ele era extremamente possessivo, controlador... Não daria a ele mais um motivo para vigiá-la. Se contasse que estava estranhando seus enjoos e pretendia verificar isto, ele faria questão de acompanhá-la – quiçá de algemá-la à ele – até a farmácia.

Enfim tomando coragem, a Haruno encarou o objeto em suas mãos, arregalando os olhos esmeralda ao assimilar a cor indicada.

Positivo.

XXX

Virando-se na cama, Sasuke procurou pelo corpo que tanto queria abraçar, apertar e comprimir junto ao seu, Sakura. No entanto, certa ausência na enorme cama em que haviam passado a noite o fizera abrir depressa os olhos, ainda vermelhos. Ergueu o tronco trabalhado naturalmente e tocou os olhos, tentando acalmar-se o suficiente para que seus olhos voltassem ao ônix de sempre. Em cerca de alguns segundos já encarava o espaço vago a seu lado, confuso.

Onde Sakura teria ido tão cedo? Era sempre ele quem acordava primeiro, e não estivesse enganado, pela localização do sol por detrás dos vitrais da janela, ainda eram oito da manhã. Quem no Oriente ousava acordar tão cedo em um dia de domingo? Ainda mais a rosada... Adepta de um bom e relaxante sono, pelo que já podia afirmar com todas as letras. Todavia, sorriu, ela deveria estar tentando aventurar-se na cozinha outra vez, mesmo sabendo que aquele mérito seria árduo, tratando-se de suas habilidades. Ela e a loira não tinham porte para isso, mas não o cobrava da Haruno. Gostava de cozinhar, portanto, realizar aquela tarefa era um prazer para ele.

Entretanto, Sakura aparentava não ter aquela noção.

O Uchiha retirou os lençóis negros de seu caminho e, ainda de boxer, caminhou tranquilo em direção ao primeiro andar. Zombaria dela com toda certeza, ela havia perdido a aposta que fizeram noite passada. Tinha gemido. Rindo, escorou-se em uma das pilastras na entrada da cozinha, pronto para abordá-la, porém, ela não estava lá.

“Onde ela se meteu?” perguntou-se, concentrando-se para utilizar da marca a seu favor. Descobriria onde ela estava já. Mas, para seu azar e irritação, a velha campainha da mansão soara, e o som que há muito não ouvia lhe provocou uma careta. Caminhou a passos lentos até a porta, onde com cólera girara a maçaneta destrancada. É, ela havia saído.

_ Sasuke!! Bom dia!! — saudou Karin, empolgada, encarando a face de poucos amigos do Uchiha.

Olhou-a dos pés a cabeça. O que ela queria naquele horário? Trincou os dentes. Mais essa... Não poderia se concentrar e usar do outro em si para achar Sakura com aquela garota que só sabia desperdiçar palavras.

_ … O que quer? — perguntou Sasuke, ríspido, não importando-se com sua boxer branca, cuja ruiva então encarava, um tanto ruborizada pela nudez parcial do homem de seus sonhos.

_ Pensei que, como vive sempre sozinho, estaria precisando de uma ajuda feminina para deixar o Distrito Uchiha em ordem... Devidamente limpo, claro. — disse Karin, recompondo-se e cruzando os braços. Sasuke parecia cada dia mais belo, encantador e... Viciante. A pele alva e o tom brutalmente ônix de seus olhos estavam especialmente reluzentes hoje, ou, talvez, fosse a proximidade. Era a primeira vez que via-se tão perto dele.

_ Não preciso, obrigado. — recusou o Uchiha de prontidão, fazendo menção em fechar a porta, porém, o salto médio do sapato lilás de Karin o impedira.

_ A estrangeira é uma espiã. Ela está aqui para matar você.

XXX

Segurando nos azulejos úmidos, Nagato tentou sustentar seu corpo mais uma vez, enquanto Konan ainda esfregava suas costas, tomando a rotineira precaução para não tocar-lhe as feridas. A água caía quente, com certa pressão, molhando-os. No entanto, nada que não estivessem acostumados. Há meses era assim. Ele não tinha forças para tomar banho por conta própria.

Arranhando a superfície rígida a sua frente, Nagato tentava concentrar-se nos azulejos, respirando fundo para não demonstrar a dilacerante dor que tomava seus ossos. Mas, mais uma vez, falhara, gemendo baixinho e abaixando ainda mais a cabeça.

_ Está doendo muito, Nagato? Eu sinto muito... Já refaço os curativos. — manifestou-se Konan prontamente, diminuindo o impacto da água nas costas do companheiro com o auxílio das mãos, retirando a espuma.

Normalmente, ele rebatia todo e qualquer pedido de desculpas que fazia, mostrando-se forte, mesmo não possuindo tal força. Entretanto, nas últimas semanas, em que estavam a migrar a procura de Jiraya, ele não mais proferia uma palavra na hora do banho. Aparentava estar mais desconfortável com a situação do que nunca, passando a manter os estupendos cabelos vermelhos sobre a testa por completo, como fazia quando ainda era uma criança e, fatidicamente, se conheceram.

_ Konan... — cortou-a Nagato, com seu grave tom de voz que, por mais arrastado e doente que o tempo o transformara, ainda era capaz de ecoar um local.

_ Sim. — disse ela, cobrindo-o com a toalha branca cedida por Hinata e, rindo, colocou o branco capuz da mesma na cabeça do amigo. De quem seria aquela tolha com capuz? Era tamanho adulto, todavia, possuir uma touca era algo, no mínimo, cômico.

_ Está toda molhada, vá se secar. Deixe, eu me visto. — afirmou ele, esforçando-se para sentar-se sobre o banco acolchoado no banheiro.

Sentia uma enorme vergonha. Jamais havia passado algo tão intenso em suas veias, tudo que queria era que ela deixasse aquele banheiro depressa. Deveria estar chegando aos quarenta quilos, com certeza. Sentia-se mal, não havia mais onde pudesse emagrecer.

Diante do retraimento anormal dele, Konan abaixou-se, olhando-o e tocando com esmero uma das mãos do rapaz de cabelos cor de sangue.

_ Vou ajudar a Hinata com o almoço, não se preocupe, amanhã seguimos para o destino que o afilhado do mentor disse. Iremos embora e encontraremos o mentor logo. — reconfortou ela, depositando um beijo na testa de Nagato e deixando o banheiro.

Esperara alguns minutos e, após a saída dela, abandonou a toalha no chão, encarando-se petrificado no espelho.

Uma lágrima caíra no chão, misturando-se a umidade do ambiente.

Ela jamais esqueceria Yahiko, e jamais sentiria-se atraída por uma verdadeira caveira.

XXX

Sentada à mesa, Hinata terminava de reler o último parágrafo de seu relatório. Tsunade havia dado apenas uma semana. Já estava com seu “relatório final” pronto, caso conseguissem mais algum prazo para explicar à ela a situação. Esperava que Ino e Sakura já tivessem feito o mesmo, assim, talvez ganhassem um crédito a mais e, naquele instante, todo crédito era válido.

Tristonha, a Hyuuga emitiu um suspiro, alisando as folhas de papel com os dedos esmaltados em azul escuro. Ah Naruto... Como o amava... Descrevê-lo de modo tão técnico e voltado para a criatura dentro de si, para as suas vulnerabilidades, doía-lhe profundamente o peito. Jamais uma missão fora tão longa e... Profunda. Haviam aceitado a mais difícil tarefa: amar. E, junto a ela, lá estava as consequências como uma bomba relógio, aproximando a cada fração de segundo.

Neji. Esperava também que seu primo cooperasse e nãos as entregasse ou dificultasse o diálogo que vinham planejando ter com Tsunade há dias. Ele era o único capaz de fazer aquela bomba explodir antes de um possível desarme.

Levou a mão esquerda a maçã do rosto, recolhendo algumas lágrimas que teimavam em cair. No fundo, sentia um vibrante turbilhão de sensações negativas, como se, no seu íntimo, soubesse que algo daria errado. Algo sairia dos devidos trilhos e, o trem desgovernado, tombaria, trazendo um ensurdecedor barulho, arriscando eclodir por toda aquela pacata e única cidade. Respirando fundo, Hinata levou os olhos perolados, opacos, ao último papel em seu colo: “exorcismo no Oriente”.

Era a coletânea própria da agência que reunia todos os detalhes que foram coletados por outros agentes na missão do hospedeiro tido como Utakata, morto horas antes de sua então namorada conseguir exorcizar por completo a criatura antes de si. Os agentes haviam o assassinado como previsto, capturando-o na metade do processo.

Aquilo não poderia acontecer a Naruto, Sasuke e Gaara. Apenas imaginar tal hipótese era capaz de drenar-lhe a vontade de viver e, enterrar, por completo, anos de carreira como espiã. Anos de uma profissão que muito a fizera feliz... Todavia, agora, trazia-lhe dor.

_ Hinata? — a delicada voz de Konan fizera-se presente, retirando a Hyuuga de seus devaneios e reflexões.

_ Sim... Ele está melhor? — indagou Hinata, mudando prontamente o foco do assunto, antes que Konan notasse seu declínio espiritual nítido. Limpara depressa o rosto, ajeitando como sempre a franja macia, e colocando um doce sorriso nos lábios.

Sorrir. Este era o remédio de Naruto. E, a partir de hoje, seria o seu. Não iria adiantar se perdesse o foco naquele momento, só os colocaria em risco.

_ Está se vestindo... — respondeu Konan, referindo-se a Nagato, com os olhos violeta fixos na face rosada da garota a sua frente. Ela estivera chorando, com toda certeza. Sempre que pretendia esconder o choro de si, Nagato fazia o mesmo. _ O que houve...? — tomara a liberdade de perguntar, preocupada. A Hyuuga os recebera tão bem que não tinha coragem de omitir o que via.

_ Nada. Estou bem. — mentiu Hinata, recolhendo os papéis em cima da mesa. No entanto, uma palavra não passara despercebida por Konan: “exorcismo”.

_ Ele é um, não é? — indagou a hóspede, direta.

_ Hã? — questionou Hinata, desentendida, até que seus dedos revelaram-lhe o que a outra diante de si se referia.

_ Todos já ouviram falar deles... Ainda mais quando se viaja muitas milhas. Nagato e eu estivemos em um vilarejo não muito longe de Osaka, e nos contaram muitas histórias. A maioria do povo não acredita mas... Nosso mentor sempre pareceu acreditar. — revelou Konan, confirmando suas suspeitas. Há anos tinha a ideia de que Jiraya conhecia um demônio, ou melhor, algum hospedeiro. Ele sempre os defendia veemente, como se tivesse segurança do que estava a falar.

“Eles são apenas humanos, como todos nós. Porém, tem de conviver com mais almas” essas eram as palavras que Jiraya dissera aos dois um dia, e ainda se lembrava com nitidez de como as chamas da fogueira que fizeram aparentavam estar a seu lado.

Atenta, Hinata respirou fundo. Não adiantaria esconder, Jiraya acabara por dar as repostas a moça, que era, tinha de adimitir, bem inteligente. Também era reservada e importava-se muito com o amigo, talvez... Pudesse ajudá-la a descobrir o que ocorreria após a metade do ritual. O que não constava nos relatórios.

_ O que sabe a respeito? — questionou Hinata, endireitando-se na cadeira. Aquela seria uma proveitosa conversa.

Entretanto, assim que Konan pretendia responder, uma animada saudação as interrompeu, junto a vívida cor: laranja.

_ Bom dia garotas!!!! — exclamou Naruto, contornando a mesa e, contente, roubando um beijo da namorada.

_ Bom dia... — disse Hinata, tocando-lhe o rosto e ajeitando o capuz alaranjado da toalha do loiro. Ele tinha uma variada coleção daquelas toalhas. Sem dúvidas, era um homem com resquícios de menino. Não, talvez essa concepção não fosse o bastante...

_ Bom dia, Konan!! Cadê o Nagato? — interrogou o Uzumaki, eufórico, partindo um generoso pedaço do bolo de cenoura sobre a mesa.

_ Está se vestindo. — respondeu ela, sorrindo. Os dois formavam um admirável casal... E, agora, descobria de onde viera aquelas peculiares toalhas com capuz.

Devorando o pedaço de bolo, Naruto sentou-se ao lado de Hinata. Há mas aquele almofadinha cairia na calçada de tanto beber!!! As nove, na lanchonete Ichiraku, o tal Uchiha Sasuke aprenderia a não roubar-lhe novamente um xampu. Sorriu de canto, certo. Mesmo que ele fosse outro como si... Estava noivo e provavelmente construiria uma família.

Família... Enfim sentia-se inerte em uma. Mesmo que passageiros por ali, ter os orientados de seu padrinho era agradável. Sentia-se como um verdadeiro membro de uma família. Não bastava muitas pessoas, somente Hinata. Ela era sua família. Ela era tudo.

_ Bom dia. — cumprimentou Nagato, adentrando a cozinha.

Os cabelos em tom de sangue dele lembrava-lhe sua mãe. Não conseguia retirar esse fato da mente. Será que Nagato poderia ser... um Uzumaki?

XXX

Com o pedaço de carne frente a boca, Kankuro observava estático a discussão entre a loira namorada de Gaara e sua irmã, que estavam a puxar uma tigela de arroz há aproximadamente cinco minutos. Shikamaru continuava escorado na parede da entrada da cozinha, coçando preguiçosamente a cabeça, farto do ruído exacerbado formado pelas vozes femininas. “Onde a Ino foi me meter...?” perguntava-se mais uma vez, olhando Ino – com fortes chances de estar no período pré-menstrual – disputar com a outra loira daquela maneira. A conhecia melhor do que ninguém e, perante o escândalo gratuito logo pelo horário do almoço, a mais sábia opção era ficar na retaguarda por hoje.

Ela havia acabado de conhecer os irmãos do ruivinho, portanto, iria querer impressioná-los ao seu modo e mostrar que o merecia, no entanto, não era bem isso que fazia.

_ Ele não gosta de bolinhos de arroz!!! — afirmou Ino pela milésima vez, tentando tirar aquela tigela da bandeja cujo almoço de Gaara estava servido.

_ Ele não gosta é dessas porcarias que você está empurrando nele!!! — rebateu Temari, indignada. Era hora do almoço oras! O que aquela garota estava pensando? Que Gaara faria o desjejum no horário do almoço? Só poderia estar louca! Aliás, tudo naquela casa parecia do avesso! Inclusive Kankuro, a quem lançou um feroz olhar. Era um inútil mesmo... _ Isso mais parece uma porção de sobremesas!!

_ CHEGA!!! — berrou o Sabaku mais velho, segurando ambas e tentando fazê-las largar a tigela. _ Larguem isso!! Gaara vai comer o que ele quiser!!!

Com um suspiro cansado, o Nara se moveu, retirando a polêmica tigela de arroz do foco do conflito e colocando-a na pia.

_ Não toca nisso sua preguiça invasora!! — exclamou Temari, sendo segurada por Kankuro para que não pegasse a tigela novamente.

_ Deixem de ser problemáticas vocês duas!! Eu se fosse esse moleque fugia daqui. E, ah! Também sumiria com todas as vassouras dessa casa. — comentou Shikamaru, não deixando sua maneira irônica e inteligente de ser passar. Aquela maluca era um perigo com uma vassoura em mãos. Ainda recordava-se dos golpes que levara dela.

_ Concordo. — manifestou-se Kankuro, comendo finalmente seu pedaço de carne.

_ Kankuro, seu inútil! — bufou Temari, cruzando os braços.

_ O quê? O cara está certo!! Vocês duas deviam se envergonhar desse comportamento idiota, vão assustar o Gaara. — opinou Kankuro, sério, sentando-se à mesa novamente.

“Gaara!!” recordou-se Ino, afoita, deixando a cozinha sem nem mesmo pegar a bandeja que tinha descido para preparar.

Na porta do quarto, a Yamanaka encontrou o ruivo, sentado em seu canto. Calado, ele girava o pacote de absorventes, intrigado. E assim que os olhos verdes encontraram os azuis, disse com receio:

_ Encontrei o que queria. Não fique brava, por favor... Encontrei.

XXX

Girando os saltos, Sakura encostou a porta da mansão. Pálida, ainda estava em choque. O teste ainda estava guardado na bolsa, e não sabia o que faria de agora em diante. Teria que abdicar imediatamente à missão.

Virou-se, um pouco alheia por hora, dando alguns passos. Entretanto, a escuridão da casa chamara-lhe atenção. Sasuke ainda não teria acordado? Somente agora fazendo algumas assimilações coerentes, ele não havia ido buscá-la. Ele não havia seguido-a. O que diabos estava havendo...?

Focou os olhos esmeralda na entrada da cozinha por relance, assustando-se ao ver a silhueta do Uchiha.

Imóvel; com os olhos vermelhos à mostra; ainda vestindo a cueca que passara a noite.

_ Sasuke...? — perguntou a rosada, em um misto de receio e desentendimento, até que seus olhos cruzaram o chão, a poucos metros de si.

Seus comunicadores estavam quebrados.

Notas finais
E então?? Gostaram?? Neji "o forasteiro", estará no próximo ;). Também os convido para a minha nova fic, Vertigem, que passarei a desenvolver mesmo após o final de Demônios. Muito obrigada, mais uma vez, a todas as recomendações e comentários!!! *---* Kisses, Nita.