Demônios

24 Capítulo 24: Gritos, abandonos e dor - parte 1


Notas iniciais
Ohayoooo, peço imensas desculpas pelo tempo estrondoso no qual fiquei fora. Tive muitos problemas pessoais, compromissos e entre outros. Não estava tendo tempo para me dedicar ao final da fic e jamais postaria um capítulo em que não pudesse expressar tudo que eu gostaria. Peço desculpas também pelas mensagens não respondidas, amanhã as responderei pois estou faminta aqui kkkkkk. Well, como disse "Demônios" está de fato na reta final e cinco capítulos, no máximo, virão. Esse ficou muito grande então decidi dividi-lo em duas partes, espero que gostem. Para quem tem infartos facilmente, não leia... Fortes emoções! Ah!! Para quem questionou-me a respeito de um hentai NejiTen, em breve terá, ;). Boa leitura a todos!!!

Os olhos dele, vermelhos, cintilavam da mais pura cólera. Seus punhos, cerrados com tamanha força que poderia quebrar-lhe os próprios ossos, escoavam sangue vívido. Havia ferido a mão esquerda ao encontrar aqueles malditos aparelhos e, após quebrá-los com fúria, o Uchiha tinha rachado duas pilastras do andar superior. Naquele momento, a mais forte das iras era tudo que sentia. Era tudo que corria em suas veias. Era tudo que sua solitária mente processava, após breves minutos de negação.

Trêmula, Sakura o encarava com a respiração já alterada. Os pedaços de seu comunicador, aos seus pés, já haviam dito-lhe tudo. Nada precisava ser dito. No entanto, ela deveria se explicar. Ela tinha que se explicar. Não poderia perdê-lo.

_ … Sasuke... — seus lábios sibilaram, após longos minutos do mais agonizante dos silêncios. Não conseguira proferir uma única palavra, apenas olhá-lo. Atônita. Aflita. Com medo.

Ele havia acreditado, erroneamente, que ela ligava-se à ele em espírito e corpo. Ele a queria como sua noiva. Ele a queria como sua família. A família que lhe fora retirada em função de seu outro eu. Este, agora, o ajudava. Fornecia-lhe toda a insanidade necessária. Talvez devesse acolhê-lo como um velho amigo, afinal, o monstro em si era tudo que lhe restava.

_ Cale a boca. — proferiu grave, sombrio, fazendo-a calar-se a medida que ia caminhando em lentas e arrastadas passadas. _ Cale essa sua maldita boca que só sabe proferir MENTIRAS!!!

Seu potente e tórrido esbravejo ecoara por toda a casa, fazendo os vitrais da sala criarem singelas trincas. Sua voz, assim como seus músculos, exalavam energia. Energia complementada de caráter desumano. Poderia levar aquela casa à baixo. E era isso que faria.

_ Sasuke!!! — exclamou Sakura, engolindo parcialmente o abrasivo medo que rondava-lhe com louvor. _ Por favor!!! Você tem que me ouvir!!!

_ EU NÃO TENHO QUE OUVIR MAIS NENHUMA PALAVRA!!! EU NÃO QUERO! — em segundos tinha a Haruno entre as mãos, presando-a na parede e imobilizando seu pescoço com um dos cotovelos.

_ S-Sasuke... M-Me solt-ta... — pedira a rosada, chegando a engasgar com a força com que sua garganta era pressionada.

O Uchiha, no entanto, ignorara sua súplica, trincando os dentes e, por um instante, rendendo-se a lágrima que teimara em sair dos olhos vermelhos. Jamais sentira dor semelhante antes. Nem mesmo quando todos os moradores daquela casa e de todo o Distrito estavam banhados em sangue. Banhados devido a ele.

Fechando os olhos, Sakura tentara apagar a cena que vira. Nunca tinha visto Sasuke daquela maneira. Provocar-lhe choro era desvastador, a maior das catástrofes. Não era capaz de suportar. Gostaria de cortar, ela mesma, a própria garganta. Todavia, agora seu corpo não mais a abrigava somente. Abrigava também outro ser. Um Uchiha, assim como ele.

Não tivera escolhas. O chutou, acertando-lhe o estômago e, no momento em que ele levemente se curvou, aproveitou para fugir. Ou ao menos tentar.

Assim que tocara a fechadura, contudo, Sasuke agarrara-a por trás, atirando-a no sofá, onde batera a cabeça no encosto de mãos em madeira nobre. Ele subira em cima de si, chacoalhando-a com ira. Queria que aquilo fosse mentira. Queria com todo a sua alma envenenada e apertada. Aos gritos, Sakura pegara um dos vasos no aparador, quebrando-o no ombro desnudo do moreno, que não ficara com arranhão algum. Novamente o chutou, erguendo-se com dificuldades do sofá em função da tontura que assombrava-lhe pela batida. E, com rapidez, desviara de um soco que ele lhe desferira, provocando-lhe um assustador e cínico sorriso. É, então ela sabia lutar.

E, diante da Haruno ofegante, tentou acertá-la outra vez, porém, ela desviou-se e encaixou-lhe uma rasteira, derrubando-o. Tempo suficiente para tentar alcançar a porta de novo, desta vez conseguindo abri-la.

_ VOCÊ NÃO SAI DAQUI!!! — o berro estrondoso de Sasuke levara toda a tapeçaria e quadros da casa abaixo, como também os vitrais já rachados. A porta se fechara em uma batida, acertando a lateral do corpo de Sakura, que caiu.

Ele fora em sua direção novamente, pegando-a pelos tornozelos e arrastando-a até o meio da sala. Em pânico, a rosada implorava-lhe para que parasse com aquilo.

_ Sasuke, para!!! PARA!!! — protegia-se dos tapas do Uchiha, que havia enterrado a última gota de sanidade ao vê-la tentando fugir. Ela sabia que qualquer tentativa de fuga deixava-o louco. Ela sabia.

XXX

Como um furacão, o embate do casal era ouvido por todo centro de Konoha, apesar da distância considerável do portão do Distrito Uchiha. Neji, entrelaçando os dedos nos de Tenten, deixou o discreto sorriso cessar em seus lábios. O que diabos estava havendo?! Quando dera por si, já estava na última rua até o bairro privado, com o comunicador próximo do rosto.

_ Shikamaru! Shikamaru! Shikamaru, droga! — chamava, até obter uma resposta preguiçosa do Nara, que mesmo assimilando o tom sério de voz do Hyuuga recusava-se a pensar no pior. Já estava aturando Ino de tpm. Não tinha ideia do que poderia ser mais irritante que esse fato. _ Vou deixar o comunicador ligado, ouça tudo. — ordenou Neji, concentrando-se em arrombar a fechadura do grande portão de hastes metálicas com seus equipamentos. Estava um pouco enferrujada, não levaria muito tempo.

XXX

Temari encontrava-se escorada na porta do quarto do irmão caçula. Em silêncio, assistia o ruivo ser cuidado por Ino, que secava suas costas com uma toalha creme. Se aquela fosse mesmo a que supunha ser, tinha mais de dez anos. Lembrava-se das brigas com Kankuro para que ficasse com o tecido. Era a melhor toalha da casa. Entretanto, no fim, ela ficara com Gaara.

_ Como se sente? — questionou a Yamanka, abraçando-o com carinho. Gaara não havia almoçado. Todos os esforços dela e da irmã do Sabaku foram em vão. Ele não escolhera nem doces nem bolinhos de arroz. Seu estômago estava ferido, e todo o sangue que expelira minutos atrás era puramente dele.

_ Não sei. — respondeu o ruivo, suprimindo um grunhido. Não sentia mais vontade de expelir nada, mas seu abdômen queimava. Queimava absurdamente.

_ Não quer descansar? — sugeriu a loira, já ciente de que não havia mais como adiar: tinha de levar Gaara urgentemente a cidade. Teriam de interná-lo. Aquela situação não era mais sustentável. Tudo que fizera havia tido resultados somente em curto prazo.

Ele nada dissera, mas deixou-se guiar por Ino, que o deitou com esmero no colchão. Puxou os cobertores, acomodando-o e dando-lhe um beijo na testa. O ruivo, insatisfeito por ela não tocar-lhe os lábios igualmente, abaixara a fronte da loira com as mãos gélidas, tomando ele próprio o que desejava. Ino prontamente o correspondeu, mordiscando o lábio inferior dele ao final do beijo.

_ Vou fazer um chá de laranja para você. — disse, tirando os dedos finos dos fios ruivos, úmidos.

Assim que chegou a porta topou com Temari, encarando-a.

_ Quero conversar com você. — afirmou a loira mel, descruzando os braços, sem rodeios. Todavia, não havia nada mais do que seu caráter durão nas palavras. Não as dirigia a Ino com raiva ou algo negativo.

_ Tudo bem. — concordou Ino, emitindo um suspiro. Tentaria ser flexível. Tentaria ser, por mais que não estivesse em um período muito propício para compreensão.

Juntas, desceram as escadas e foram a cozinha, onde a loira de olhos azuis sentou-se em uma das cadeiras da mesa, pegando um pouco do suco posto numa jarra. Sorveu-se de um gole, não ligando para o copo infantil. Provavelmente deveria ser dos irmãos. Conhecia a cozinha de Gaara e os itens nela de cor.

_ Quero me desculpar pelo meu comportamento meio rude. — proferiu a Sabaku, tocando a pia atrás de si.

“Meio?” Ino pensara, não conseguindo deter uma das sobrancelhas que ergueu-se em descrença. Por essa ela não esperava. Não tratando-se de Temari, que pelos poucos dias de contato havia-se mostrado muito diferente dela. Ou, talvez, não fossem tão diferentes quanto acreditava, afinal, as duas compartilhavam da ausência de calmaria impregnada nas personalidades. Deixou o líquido descer-lhe pelo esôfago, enfim permitindo-se falar.

_ Por que quer isso? — interrogou a Yamanaka.

_ Vi o modo como cuidou do meu irmão. Nunca Kankuro e eu conseguimos nos aproximar o suficiente para confortá-lo. Por mais que a ideia de Gaara namorar ainda me seja nova, estranha, você parece fazer bem a ele. — disse Temari, em um pequeno desabafo.

_ Acredite, não é preciso muito para confortá-lo. — afirmou Ino, olhando-a. Sabia que a outra estava tentando aproximar-se de Gaara. A presença dos irmãos poderia ser positiva, apesar de que estar só com Gaara era melhor. Entretanto, os resquícios da missão estavam cada vez mais ferozes. Tinha que conversar com Hinata e Sakura o mais breve possível e se inteirar de como estava toda a situação com a agência. Iria abdicar aquela tarefa, não tinhas dúvidas. Shikamaru a ajudaria.

_ Como parou nesse lugar? — perguntou a Sabaku, curiosa. Repentinamente aquela questão vinha-lhe a mente.

Engolindo seco, Ino já se preparava para inventar uma história convincente. Com Gaara não fora preciso muito, ele não se importava com o que poderia tê-la levado a sua casa. Mas Shikamaru adentrara a cozinha, cortando-lhe os pensamentos. Conhecia aquela expressão.

_ Ino, preciso falar com você. — ralhara ele, estendendo a mão para levá-la para fora dali.

_ Nossa, todos querem falar comigo hoje... — comentou ela, sorrindo com uma pitada de humor necessária para dobrar a irmã de Gaara.

_ Estou conversando com ela se não viu, preguiça invasora. — manifestou-se Temari, cruzando o olhar com o do Nara. Haviam criado uma disputa particular quase involuntária.

_ Mas o assunto que eu tenho que tratar com ela é mais urgente, maluca. Deixe de ser problemática e me empreste a Ino por uns minutos. — decretou, puxando a Yamanaka pelo pulso.

Temari pensou em impedi-lo, contudo, eles já haviam deixado a cozinha.

Desceram os velhos degraus da entrada com pressa.

_ Shika! Você está me machucando! — falou Ino, puxando seu pulso de volta e fazendo-o parar. _ O que houve?!

_ Arrume suas coisas, vamos para o hotel do Neji. O Uchiha descobriu tudo.

XXX

Na grama ao redor da casa de Naruto, Hinata e o loiro ouviam as muitas histórias contadas por Nagato e Konan sobre todos os lugares e povos que conheceram. Uma singela e charmosa fogueira posta entre eles, acompanhando o nascer da lua e das estrelas.

_ Caraca!!! Como saíram de lá? — perguntava Naruto, empolgado com os detalhes de uma passagem da dupla por uma gruta no leste do Oriente.

Sorrindo, Hinata observava a face do Uzumaki. Os brilhantes olhos dele condenavam-lhe: era sim um fanático por aventuras. Aquecida no cobertor dividido pelos dois, vira Konan olhar para a estrada de terra com aflição. Discretamente, também moveu a cabeça para olhar na direção, abrindo os olhos perolados devagar. Um homem vinha da cidade, com certa rapidez.

Virou-se para a fogueira de volta, já respirando com pequenos intervalos. Ninguém naquele local costumava usar terno. Só poderia ser Neji. Mas o que queria naquele horário? Já havia escurecido. Apertou as mãos no colo, sentindo-as trêmulas. Uma péssima sensação cruzava-lhe o corpo.

_ Hinata, o que foi? — a percepção aguçada de Nagato a denunciara. E sua voz notável e grave fizera Naruto olhá-la.

_ Não está passando bem, Hina-chan? — o loiro indagou, preocupado. Hinata sutilmente negara com a cabeça.

_ Continue, Nagato. — incentivou Konan para ajudar a Hyuuga, mas jamais havia visto o amigo falar tanto. Tudo que haviam passado, sob a voz dele, parecia-lhe novo. Nagato via o mundo de outra maneira, sabia disso, porém, sendo um rapaz de poucas palavras, raramente mostrava-se imparcial. Nagato era a pessoa mais negativa que conhecia. Negativa por excesso de dor e desesperança.

_ HINATA! — bradou, imperativo, Neji. O Hyuuga não demorara nem dez minutos para findar com aquela reunião.

Naruto logo se virou, levantando-se para encarar o “almofadinha”, como gentilmente havia apelidado-o antes de conhecê-lo.

_ Pode baixar essa guarda, cara! Você está na minha casa e não tem direito de gritar com a minha mulher! — exclamou Naruto, espalmando a mão direita no peito do Hyuuga.

Ignorando-o, Neji olhou diretamente para a prima, que caminhava até ele, trêmula.

_ O Uchiha descobriu tudo e surtou. Sakura está grávida e Tsunade vem para cá em três dias com reforços. Ino e Shikamaru daqui a pouco estão no hotel. Vim lhe buscar. — resumiu Neji, prosseguindo: _ Conte a verdade a ele agora. Precisamos de você no hotel.

_ Hey! Hey! Hey! Não estou entendendo nada! Contar o quê?! Do que ele está falando, Hina-chan? — confuso, Naruto encarava Hinata, que tinha o rosto carregado de surpresa e desespero.

Como contaria tudo a Naruto? Não!!! Não! Ela não podia contar agora. Ela não havia se preparado para isso. Ele não estava preparado para aquilo. Não podia contar...

_ Conte a ele agora ou conto eu. — decretou Neji, não podiam se dar ao luxo de manter aquela situação mais. Era muito arriscado. E, com os três fugindo dali, demoraria mais para a agência pegá-los. Naquele momento, tinha certeza de que as três prezavam pela vida deles.

_ Contar o que, seu almofadinha?! — gritava escandalosamente Naruto, tendo os braços segurados por Nagato e Konan para que não avançasse no primo da namorada.

_ N-Naruto-kun... — chamou Hinata, imersa em lágrimas. Não conseguira controlá-las de nenhum modo. Havia entendido a atitude do primo. Agora não havia mais jeito. Tinha de protegê-lo. Tinha de proteger Naruto, mesmo que isso custasse seu ódio, que fosse machucá-lo e que... Fosse devorá-la por dentro em tristeza e vergonha.

_ ESTÁ VENDO O QUE VOCÊ FEZ?! — o Uzumaki aumentou a voz, assustado com a reação de Hinata e tentando acertar um dos pés no Hyuuga. Mas Nagato e Konan o afastaram.

_ Pois bem, eu conto... — decidiu Neji, ajeitando a lapela de seu terno um pouco empoeirado.

_ Não!!! — impediu Hinata, colocando-se entre Neji e Naruto. _ Eu conto.

Era melhor que o loiro soubesse por ela. Era o mínimo que poderia fazer. Tinha de honrar a última fresta de dignidade que ainda acreditava ter. Naruto merecia saber por ela. Mostrando os dentes em um choro compulsivo, Hinata passou as mãos pelos cabelos azulados. As íris aflitas dele dificultavam tudo. Memorizava, internamente, cada traço de seu incomum e belo rosto. Ah como amava aquelas doces marcas...

_ Hinata... — Neji a apressou, apontando seu relógio de pulso.

_ S-Sou uma espiã profissional, Naruto-kun. — confessou, a frase mal saindo-lhe da garganta. Suprimiu parte do choro e repetiu-a: _ Sou uma espiã profissional, Naruto-kun.

Como suspeitava, ela era do mesmo pessoal que matara Utakata. Konan, tranquila, tratou de concentrar-se em segurar o afilhado de seu mentor. Certamente ele não havia entendido nada e esta era a chance de Nagato e ela contê-lo de ir atrás da Hyuuga quando essa fosse com o primo. Moveu a cabeça na direção do amigo, que compreendeu.

_ Espiã? Como assim...? — ele não havia entendido. Não via o que poderia fazê-la chorar.

Encarando o chão, Hinata abriu os lábios, pronta para explicar o que, em toda vida, gostaria de não ter explicado.

_ Vim para Konoha a trabalho. E o meu trabalho, como agente, era... — tomou fôlego, sentindo o peito ser comprimido com extraordinária intensidade. _ … Era capturar e matar o hospedeiro da criatura que você carrega. — arrastadas, as últimas palavras perfuraram-na como diversos tiros.

XXX

Apavorado, Gaara a assistia jogar todas as suas coisas na grande mala roxa que trouxera consigo. Ela, com o rosto escondido pela longa franja e vestindo um de seus vestidos colados e curtos, fazia um igualmente apavorante som com seus saltos altos. Não entendera o porquê dela ter vestido aquela roupa. Não entendera o porquê de ter tirado sua camisa e estar guardando tudo. Eles compartilhavam a cômoda.

_ Quer mais espaço? — questionou o ruivo, referindo-se a cômoda. Sentou-se melhor no colchão para observá-la. Se ela quisesse, poderia pedir a Kankuro que compartilhasse o guarda-roupa com ele e, assim, a cômoda ficaria menos cheia.

_ Hã? — perguntou a loira, tapando a boca para tentar deixar a voz o mais normal possível. Estava a chorar há alguns minutos. Cada peça sua que colocava naquela mala era como se estivesse deixando cada pedaço dele.

_ Na cômoda. Posso falar com Kankuro se... — o ruivo não chegou a completar a frase.

_ Para. Por favor, para. — implorou Ino, colocando seu último jeans dentro da mala e fechando-a. Se ele dissesse algo mais era capaz de jogar tudo para o alto sem medir as consequências. O que, definitivamente, não poderia fazer. Mais do que nunca tinha de protegê-lo. Não se perdoaria jamais se a agência o pegasse. Não! Não poderia pensar naquilo. Tinha que deletar aquela hipótese da mente, era tortura em demasia. Cobriu-se mais com a franja, ele era tudo que queria tocar... Ele tornara-se tudo. Tudo para alguém que um dia chegara a considerar homens como nada.

_ Vai embora? — ele perguntou, finalmente, olhando para as cobertas.

Era sua segunda ideia para o que estava ocorrendo.

_ Vou. — respondeu Ino, puxando a mala até a porta. Mirou o teto, sem ar.

_ Por quê? — ele questionou, baixo.

_ Tenho que ir. — disse Ino simplesmente. Não tinha coragem de contar-lhe a verdade. Gaara não merecia aquela dor. Era covarde e não lhe contaria.

_ Não me quer mais? — o ruivo prosseguiu, e sua voz já embargada fizera a Yamanaka abrir a porta. Não estava mais suportando.

Shikamaru, já com sua mochila nas costas, pegou-lhe a mala roxa, sabendo que a amiga, mesmo tentando se esconder, chorava. E a prova veio através dos pequenos pingos que manchavam as tábuas do chão. Ainda tinham de passar pelos irmãos na sala e atravessar aquela pequena mata até onde o carro que alugara estava estacionado.

_ Conte. — sussurrou o Nara, Neji estava certo. Ele merecia a verdade e ganhariam mais tempo.

_ Não consigo. — respondera a loira, em um sussurro dolorido.

_ Conte. — repetiu Shikamaru.

Entretanto, foram cortados pela voz de Gaara, que se levantava.

_ Fique. Por favor... — pediu ele, tocando a cintura de Ino.

_ Eu não posso. — sibilou ela, suspirando pelo toque. _ Você deveria me odiar...

_ Não odeio. — disse, sentindo a cabeça rodar por ela retirar-lhe a mão.

_ Eu vim para matar você. — despejou Ino, seguindo com Shikamaru.

Em minutos, passaram pelas faces confusas e chocadas dos irmãos Sabaku. Kankuro tentara pará-la, mas Ino tivera de fechar a porta na cara dele. Desceram as mesmas escadas que haviam conversado horas atrás. Mas, dessa vez, sem retorno. O grito ensurdecedor de Gaara ecoara pela mata, mas ela não poderia voltar.

Notas finais
Logo logo atualizarei em "Panem", em conjunto com a Cacau54, e "Grades Mortais" também. Saudades imensas de vocês!!!! E aí?? O que acharam? Kisses, Nita *-*.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.