Declínio Das Trevas

3 O Barão de Brennenburg


As batidas fortes da argola de ferro contra a porta de carvalho bruto ecoaram pelo interior do castelo. Daniel ouviu o som dos golpes perder-se por detrás da barreira de madeira e imaginou o quão grande deveria ser o interior do lugar.

Não tardou a escutar passos apressados e fortes se aproximando. Daniel procurou conter o tremelique em suas mãos, decorrente da assombração constante desde o incidente na Argélia.

Ouviu uma chave ser enfiada no ferrolho da porta e um bloco de madeira ser removido. Segurou a respiração, em expectativa, quando as duas pesadas formas que bloqueavam o arco de entrada moveram-se para fora. Deu um salto para trás, fugindo de ser atingido e, nos instante seguinte, foi tragado pelo pulso de luz azulada vindo do hall. Deixou a mala cair e precisou de algum tempo para piscar e recompor-se.

Logo, viu-se dentro de um enorme saguão ladeado por janelas de vitrais azuis, a explicação para toda aquela iluminação penetrante. A poucos metros de si, estava um homem alto, vestido com um longo casaco vermelho e dourado.

– Seja bem vindo, jovem Daniel – a voz profunda dele ecoou pelo salão, de forma que fez os cabelos da nuca do rapaz eriçarem-se. – Sou Alexander de Brennenburg, senhor destas terras e deste castelo.

Diante daquele homem e em um ambiente tão amplo, Daniel sentiu-se subitamente pequeno. Ajoelhou-se e, embora o barão tivesse pronunciado sua saudação em inglês fluente, Daniel gaguejou um agradecimento em alemão.

– D-danken, herr Alexander... – fez uma reverência desajeitada e repreendeu-se mentalmente por ainda não ter contido o tremelique. Odiava parecer um fraco. Estendeu a carta, embora estivesse bem claro que o barão soubesse quem era o jovem visitante.

Alexander aproximou-se para pegar o pedaço de pergaminho e um sorriso complacente esboçou-se na face que agora Daniel pode examinar.

O barão era um homem que aparentava ter pouco mais de cinquenta anos. Sua face era magra e afilada, dotada de certa altivez, talvez por causa do queixo fino, porém proeminente e robusto e dos olhos escuros e estreitos, desses que fazem a pessoa observada sentir-se avaliada de cima a baixo. O cabelo dele era prateado e longo o suficiente para fazer um rabo de cavalo que ia até o meio das costas. Embora ele possuísse rugas e seu cabelo já tivesse perdido a cor da juventude, sua maneira de andar e seu porte físico estavam longe de ser os de um velho. Tinha as costas perfeitamente alinhadas e eretas, também não teve a menor dificuldade em recolher a mala que Daniel deixara cair.

– Nein, nein! – disse o barão, quando Daniel tentou pegar a mala das mãos dele – Permita-me ser um bom anfitrião, senhor Daniel. Aliás, falemos em inglês. Não há problema algum, meu jovem. – os lábios estreitos dele curvaram-se em um breve sorriso – Pois eu conheço bem mais de uma dezena de idiomas e agrada-me muito praticar. Agora, siga-me. Vou mostrar seus aposentos e assim que você estiver descansado e alimentado trataremos do motivo de sua visita.

Incapaz de dizer mais que vários “danken” e distraído pela forte presença daquele homem, Daniel o seguiu em direção às escadas que levavam aos andares superiores. Teve um sobressalto quando seus olhos passaram depressa por uma fonte de aspecto estranho, mas teria tempo para examiná-la depois. Por um momento, sua mente de pesquisador elaborou uma série de questionamentos que julgou educado guardar para si: teria sido o barão quem abrira as pesadas portas, a julgar o menor esforço com que ele carregava a mala de Daniel? Se não, onde estavam os serviçais? Era estranho que um barão vivesse sozinho, não era? Porém, estava tão esgotado que decidiu que deveria confiar no barão Alexander, ainda que tivessem acabado de se conhecer.

– Meus empregados estão nos andares mais baixos, no depósito e nas cozinhas. – Alexander comentou, sem que nada fosse dito a ele. Diante dessas palavras, Daniel procurou lutar contra uma nova saraivada de perguntas inconvenientes.

Notas finais
Para quem nunca jogou Amnesia:TDD -
Daniel é arqueólogo e acabou, sem querer, despertanto uma força sinistra e milenar em uma escavação no deserto africano. Após testemunhar a morte de colegas e professores, conseguiu entrar em contato com Alexander, o barão de Brennennurg, que ofereceu ajuda ao rapaz.