Death - Jily

1 Setembro 1979


Notas iniciais
Oi gentee!!
Essa fanfic foi escrita para o Jilytober 2021.
Eu fiquei muito feliz de participar desse projeto, e espero que goste da fic.

Só uns avisos antes de lerem, eu como uma boa e atarefada estudante da federal ainda não a concli, falta uns tres captulos para o final.
Pode ter gatilhos para você.

Morte, Crise de panico e Violencia são citadas com frequência.

Setembro 1979

A morte é algo incompreensível aos olhos humanos, na verdade talvez seja incompreensível para animais, ou elfos e até mesmo diabretes… ela é incompreensível para mim.

Eu e James estamos saindo do velório de Euphemia Potter, minha sogra que tanto me acolheu, ela foi uma mãe para mim quando não pude visitar a minha. Mia era um doce, era poesia que somente os mais próximos conseguiam ler, James me fez amar a poesia que ela era, porque através dele que a conheci, através dela o amor da minha vida nasceu.

Durante todo o caminho ao cemitério de Godric 's Hollow James permanece calado, e se tem uma coisa que aprendi sobre meu namorado é que ele definitivamente não é uma pessoa calada. James preenche silêncios que não precisam ser preenchidos porque ele odeia ficar sozinho com sua escuridão. O fato de ele estar calado é que ele aceitou a escuridão para si, eu me assusto com isso.

É primeiro setembro e em outro momento eu estaria indo para Hogwarts, mas acabou, minha vida em Hogwarts já não existe mais. Tudo que existe no agora é a Varíola de Dragão que matou Fleamont e agora matou Euphemia. Tudo que existe é eu e James casados pois seus pais estavam prestes a morrer e o último pedido deles foi ver seu único filho se casando. Tudo que existe agora sou eu e James trabalhando integralmente em uma sociedade secreta porque estamos tendo uma guerra estúpida contra um supremacista que tirou a vida de Mary Macdonald. Eu entendo a escuridão do meu marido.

— James – puxo a manga do seu terno e ele se vira para mim, estão olho em seus olhos e se desviar nem por um segundo o abraço, ele afunda o rosto entre meu pescoço e ombro sem se importar com a diferença de altura, aos poucos sinto suas lágrimas me molharem mas não me importo nenhum pouco.

Sirius, Remus e Peter que estavam mais à frente da gente, param e nos esperam olhando para trás solidários. Black mantém o olhar distante, enquanto dá uma tragada de seu cigarro, é compreensível seu luto, os pais de James eram como pais para ele e vejo que Sirius também precisa de um abraço.

Quando James se separa do abraço, seguro seu rosto com minhas mãos e enxugo suas lágrimas com meus polegares. Dou um selinho demorado em seus lábios e sussurro que vai ficar tudo bem, uma promessa que quero mesmo acreditar que seja real.



Nós acompanhamos o enterro em silêncio, a cada medida que o caixão de Euphemia descia a terra para ficar ao lado do marido, a mão de James apertava cada vez mais a minha. Retribui o aperto acariciando-o, me senti tensa, e sei que ele também está, por isso não o forço a desabafar, sei que piorará tudo.



[...]



Sai do banho no banheiro do quarto de James na mansão dos Potter, vi ele sentado em nosso dossel encarando o chão de madeira, quando ele me ver de toalha sorrir sem mostrar os dentes e me chama para sentar-se ao seu lado.

— Quero me mudar – ele diz sem rodeios, e que bom que disse, pois não aguento mais ficar nesse casarão apenas eu e ele. — Vamos morar em Godric 's Hollow, perto dos trouxas, perto de onde meus pais estão enterrados.

Ele diz aquilo com a voz falha, mas compreendo o que quis passar com isso. Eu odiaria viver longe de quem eu amo até mesmo depois que eles morreram, eu odiaria viver sem o meu James.

— Eu estava esperando você sugerir isso, ou eu mesma iria falar – ele se vira pra mim e me dá um beijo na testa.

— Ainda bem que estamos em sintonia, odiaria te fazer se mudar sem querer sair daqui — Eu balanço a cabeça negando, James Potter não existe!— Enfim, precisamos tocar nossa vida, e seguir em frente, por isso disse a Dumbledore que iríamos hoje a reunião da Ordem da Fênix.

— Tudo bem, eu estava mesmo afim de treinar algumas poções com a Dorcas, e James — ele me encara — Eu amo você, tá?

— Também amo você, meu amor. — então nos beijamos, como sempre fazíamos, eu estou feliz por ter James, acredito que se não o tivesse toda a minha vida seria cinza.



Dezembro 1979

Há dois dias atrás acordei vomitando no meio da noite, obviamente não disse a James, ele já está traumatizado o suficiente com doenças e não quero preocupá-lo sem razão.

Aparatamos na nova sede da Ordem, a casa para a qual os Longbottom se mudaram quando se casaram. Está protegida com o feitiço Fidelius, e Dumbledore se encarregou de ser o fiel do segredo. Quando finalmente chegamos na rua da casa sinto que posso desmaiar ali mesmo, tento manter a postura mas obviamente James percebeu que eu não estava bem já que praticamente cai em cima dele, era meio que óbvio que eu não estava bem, e ai vai um fato digno de se gabar é que eu nunca fiquei tonta aparatando, portanto foi novidade para a gente isso acontecer.

— Você está bem? – ele me segura antes que eu caia de cara no chão — Lily você definitivamente não está bem, vem vamos entrar logo e a gente descobre o que aconteceu com você.

Só tive força pra assentir devagar, se eu balançasse a cabeça rápido era provável vomitar meu estômago pra fora também.

Entramos na casa que apareceu literalmente do nada, a primeira vez que vi esse feitiço na prática me surpreendi, mas agora há dois anos usando-o sinto como se todas as casas devessem ter ele.

Sirius está em forma de cachorro e nós cumprimenta abanando o rabo, mesmo passando mal, eu ri. Sirius Black é literalmente um cachorro, às vezes até em sua forma humana ele age como um cachorro, é cômico demais para não rir.

— Oi Six – ele volta a forma humana rápido e dá um abraço em James, só quando vai me dar um abraço ele olha para minha cara.

— Ruiva você sabe que eu a acho magnífica — ele deu uma piscadela – Porém sinto te dizer que sua cara agora está péssima.

Reviro os olhos e sinto outra tontura vir, se isso fosse devido a aparatação, já era para ter passado.

Sinto James ficar tenso ao meu lado, e então me levar até a cozinha.

— Que bom que vocês chegaram eu tenho novidad- Alice para de falar ao me ver, depois puxa uma cadeira para eu me sentar — Lily, você está péssima, o que aconteceu?

Marlene e Dorcas que estavam preparando comida para nossa ceia se viraram e me olharam.

— Uh, é verdade Lils – Marlene fala, então pega um limão e parte no meio — Toma, cheira isso, deve amenizar a vontade de vomitar.

Tento perguntar como que ela sabe que eu estou com vontade de vomitar, mas sou interrompida por James quando ele se abaixa para ficar na altura dos meus olhos, e me lança um olhar preocupado.

— Lírio, o que está acontecendo? – eu reviveu os olhos com a preocupação sem nexo dele.

— Não sei, você não deveria se preocupar com uma simples náusea, James.

— Claro que eu me preocupo, você é a minha vida… eu não posso te perder Lils – a última parte ele fala com um sussurro.

Segurei seu rosto e dei um selinho nele.

Ele me encara ainda preocupado e então solta um suspiro auditivo, minha luta é ganha.

Me viro para Alice e ela sorrir solidária, como se compreendesse o que tinha acontecido… o problema é que nem eu sei o que aconteceu.

— Qual a novidade que queria nos contar Alie? – o sorriso dela se alargou, ela foi até o Frank segurando sua mão.

— Vamos ter um bebê, e eu sei que estamos em guerra e que há muitas mortes, mas um nascimento nos alegra né? Eu estou muito feliz em ter um bebe, e vocês como meus amigos espero que também estejam.— tive que interromper ela, pois quando Alice ficava nervosa ela começava a falar sem parar.



— Você vai ter um bebê – repeti ainda atônita.

— VOCÊ VAI TER UM BEBÊ – Marlene gritou feliz e se jogou em Alice em um abraço de urso, logo após Dorcas também a abraçou e eu fui atrás sendo a última a abraçá-la.

— Merlin! Nem acredito que vou ser tia – eu falei ainda no abraço, quando quis me desvencilhar ela me apertou no abraço e sussurrou em meu ouvido.

— Eu também serei tia, se minhas suspeitas estiverem corretas – parei de respirar por alguns segundos — Lily, o que você está sentindo é o que eu sinto grande parte do tempo desde que engravidei… faça o teste.

Antes de responder ela me solta e me dá um beijo na bochecha.

O burburinho da nova notícia foi tão grande que ninguém escutou o que ela disse.

[...]

Dois dias depois fiz meu único teste de gravidez conhecido, o famoso teste de farmácia dos trouxas.

James estava em uma missão da ordem da fênix juntamente com Sirius, e então resolvi que este é o momento perfeito para descobrir se vamos ter um filho… no meio da guerra.

Na embalagem do teste dizia para esperar aparecer os tracinhos, sentei então no chão e enquanto o tempo passava eu pensava.

Se eu estiver grávida nosso filho vai nascer no meio de uma guerra, e eu não posso perder mais pessoas.

Olhei para o teste em cima da pia e o peguei. O que diabos esses dois tracinhos vermelhos significavam? As vezes me surpreendo o quanto trouxa complicam sua vida. Busquei novamente a embalagem e lá estava escrito: dois tracinhos = grávida.

Eu pisquei algumas vezes como se isso fosse tirar as lágrimas que já estavam alojadas em meus olhos, li e reli a embalagem várias vezes seguidas e então a ficha caiu. Eu também iria ter um bebê, no meio de uma guerra.

E então chorei. Chorei tanto que não vi James entrando e sentando-se ao meu lado no chão. Me puxando para o seu colo, enquanto beijava o topo da minha cabeça, se ele percebeu o teste não disse nada, e eu agradeci por isso.

Eu tentei me recompor duas vezes, mas somente na terceira consegui parar de chorar e o olhar nos olhos.

— Quer me contar o porquê de você está chorando, Lírio? – eu balancei a cabeça afirmando e deitei meu rosto na curva do seu ombro.

— Nós também vamos ter um bebê – sussurrei com a voz chorosa.

Senti a respiração dele ficar irregular e me levantei para olhar em seus olhos.

—O que..? – James estava com os olhos arregalados e vi o momento em que ele compreendeu o motivo de eu estar chorando. Ele me puxou para um abraço forte e me deixei inspirar seu perfume amadeirado tão característico de James Potter.

Depois de um tempo abraçados ele me pergunta.

— Você está feliz Lily?

— Sim.

— Você está mais preocupada que feliz, não é?

— Sim.

— Eu também estou… e com medo pra caralho.

— Você sabe que não vai poder falar palavrão perto do bebê não é?

Ela diz, e James assustado com a naturalidade daquilo, a puxa do abraço para olhar em seus olhos.

— Eu também estou com medo, baby. Mas eu estou feliz de ter um filho com a pessoa que eu mais amo no mundo ao meu lado.

Ele segurou o meu rosto com as mãos, e lançou-me um beijo demorado, saboreando cada centímetro de minha boca.

— Vamos fazer isso!



Notas finais
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