Death - Jily
2 Abril
Notas iniciais
Abril 1980
Era manhã de uma segunda-feira e eu e James havíamos dormido na casa da Alice. Achamos melhor assim, pois James e Frank tiveram uma missão por alguns dias e duas grávidas sozinhas em casas distintas no meio de uma guerra não daria muito certo.
James voltou ferido e Frank desidratado, poderia culpar os hormônios da gravidez por ter chorado por grande parte do tempo ao qual curava ele, e Alice fazia de tudo para hidratar o seu marido, mas a verdade é que chorei de alívio pois não sei o que faria se no lugar de voltar apenas ferido ele voltasse morto.
Alice fez questão de dormirmos aqui por mais alguns dias, pelo menos até James está em partes melhor.
Trocamos de roupa e descemos as escadas para ir à cozinha tomar o café da manhã.
— Bom dia, vocês dormiram bem? Os seus cortes já estão cicatrizados, Jay? – Alice pergunta, e em seguida nos estraga um copo de café.
—Obrigada Alice – meu marido fala, e o fiz sentar-se na cadeira, após a careta de dor que ele fez ao esticar o braço para pegar a xícara — Meu corte na costela infeccionou, então não deu para fechar com feitiço…
— Você nem deveria estar aqui na cozinha, Potter — Frank fala chegando para tomar café conosco — Ele quebrou três costelas depois que caiu do segundo andar daquela casa que os comensais estavam… a sorte foi que consegui consertar duas.
— Obrigada por isso Frank – falei e ele acenou com a cabeça como se dissesse que não havia sido nada demais — E você James Potter, qual o seu problema? Você disse que havia sido apenas uma costela.
Ele revira os olhos e me lança um beijo no ar eu bato no braço dele.
— So foi para você não ficar preocup-
Antes que James pudesse terminar de falar, nós ouvimos sons de aparatação, pego minha varinha apontando para a sala e os demais fazem o mesmo. A casa é protegida pelo feitiço Fidelius, mas ultimamente a desconfiança é algo grande na mente de todos e qualquer barulho já estamos alertas.
— Podem baixar as varinhas pessoal! — Sirius falou aparecendo na cozinha.
O problema é que Sirius não parecia ele mesmo, ele estava sombrio com olheiras em seus olhos como se estivesse fazendo um esforço enorme para não chorar. E se havia algo ao qual Sirius Black tinha, era um sorriso ladino em seu rosto, ele nunca deixava de sorrir, e agora Sirius Black estava sério… Eu não conseguia ver os dentes caninos bem afiados que ele tinha, nem o humor que ele sempre transmitia quando falava. Sirius não era Sirius.
Por esse motivo não baixei minha varinha, mesmo todos tendo baixado.
— Me fale algo que somente Sirius Black saberia – falo olhando em seus olhos.
— Antes de namorar o Prongs você veio até mim perguntar se ele ainda gostava de você...Por isso viramos amigos. Sou eu Lily, pode ficar tranquila.
Suspiro aliviada e baixo meu braço.
Olho para James que estava com a sobrancelha arqueada, sério como nunca esteve. Quando Sirius entrou ele se levantou da cadeira, agora em pé ele anda lentamente até o Black e segura em seus ombros.
— Pads quem morreu?— Sirius arregala os olhos e não fala nada, apenas abraça James e chora.
As únicas vezes que havia visto Sirius chorar foi no enterro de Fleamont e no de Euphemia. Ali eu tive certeza que alguém havia morrido.
Alice coloca a mão na boca e sufoca um soluço, Frank vai até ela e a abraça de lado.
Eu sinto o bebê mexer-se em minha barriga, e levo a mão instintivamente até ela.
Sirius se recompõe e fala o que ninguém queria ouvir.
— Dorcas.
Eu sinto o ar ficar difícil de respirar, então me sento. James se vira até mim com os olhos vermelhos, eu sinto um nó se formar em minha garganta, e encaro Sirius.
— Como ela morreu?
— Lily não ach-
— Sirius Black, eu tenho o direito de saber como minha melhor amiga morreu! — Ele abaixa a cabeça e concorda.
Sinto James puxar uma cadeira e se sentar ao meu lado, ele passa o braço sobre meus ombros mas eu não olho em nenhum momento, meus olhos estão vidrados em Sirius.
— Ela caiu em uma emboscada… Você-sabe-quem estava lá, eu estava lá Lily, eu não consegui salvá-la. Ela debochou dele, Dorcas lutou bravamente, não foi um avada que a matou…
As lágrimas escorreram por meus olhos, mas tudo que presto atenção é na voz de Sirius me contando como uma das minhas melhores amigas foi assassinada.
— Ele conseguiu tirar a varinha dela, a levantou do chão e a fez despencar, ela quebrou o pescoço.
Sirius engoliu em seco e fechou os olhos com força.
Eu não consegui dizer nenhuma palavra.
[...]
Três dias após o enterro de Dorcas, Marlene, Frank, Alice, Emmeline, James e eu fomos convocados para mais uma missão.
O problema que estávamos enfrentando era que havia poucas pessoas disponíveis para missões da ordem, principalmente após a morte de Dorcas. Muita gente saiu com medo da morte.
Eu não os julgo.
James e Frank quase entraram em um duelo com Dumbledore por ele mandar a mim e a Alice para uma missão, com nós estando grávidas.
Mas após a intervenção da gente, eles se acalmaram… não digo que aceitaram, porque seria uma mentira.
Lene estava sentada no banco da praça de Godric 's Hollow, esperando a mim e a James para irmos juntos à floresta. Quando sentiu nosso movimento, a vi enxugando as lágrimas que estava tentando esconder.
— Jay, fica aqui. Vou falar com ela, okay? – ele assentiu e me deu um beijo na testa.
Sentei-me ao lado de Marlene, e a abracei.
— Lils, você não pode morrer também — Eu me aconcheguei mais ao abraço — Eu não sei o que faria sem você, sem o bebê, sem o Jay. Me deixe morrer primeiro, me deixe ir primeiro, eu não conseguiria viver em um mundo sem vocês.
— Marlene McKinnon se você falar mais alguma besteira eu juro que-
Não termino porque a ouço chorar, então eu também estou chorando e o James precisa intervir se não nunca vamos sair daqui, e uma missão nos aguarda.
[...]
A floresta que ele estava era escura, foi a primeira coisa que reparei.
Eu não estava com medo, eu estava com raiva, por mim o mataria assim que o visse.
Mas não é bem isso que acontece.
Mal vejo Voldemort parar em frente a gente.
Minha mente está girando, penso em lançar todos os feitiços que conheço nele, mas eu não seria tão burra a esse ponto. Quando a voz gélida e sibilada de Voldemort atravessa meus ossos como flechas frias, aperto mais a varinha em minha mão, busco o olhar de James e ele sussurrou um ‘eu te amo’.
— Me intriga duas mulheres grávidas estarem aqui – ele fala caminhando ( ou flutuando, eu realmente não quero saber) entre as árvores— Vocês só podem ser ou muito corajosas ou muito burras.
Alice olha para mim apavorada, eu apenas balanço a cabeça e aperto mais ainda a varinha em minha mão.
Após isso um silêncio se instaurou.
— Você seria tão covarde de matar duas mulheres grávidas, Voldemort? – foi Marlene que quebrou-o, falando com uma voz rouca que eu não reconhecia.
— Você é corajosa McKinnon, de falar meu nome. Quero ver se será corajosa quando toda sua família estiver morta, quando o traidor de sangue do seu irmão estiver gelado em seus braços. — Vi Marlene engolir em seco, e vidrar seus olhos nele.
O que aconteceu depois foi rápido, James lançou um feitiço em Voldemort, que se defendeu rapidamente.
James, Alice, Frank e eu duelamos por muito tempo com Voldemort. Enquanto Marlene e Emme cuidavam dos outros dois capangas dele que não vimos antes.
Estávamos em maior número, e Voldemort com certeza se acovardou, pois deu ordem aos comensais para saírem de perto, enquanto ele mesmo fugia.
Eu não entendi o que havia acontecido, Voldemort havia duelado conosco por um tempo e ido embora? Para ser sincera me dava repulsa pensar no que ele pensa.
Me senti enojada de pensar que foi com aquela varinha que Dorcas foi morta.
— Lils, você tá bem? Ele te machucou?— James jorrava perguntas a todo momento.
— Estou — Abraço ele com força e ele afaga meu cabelo. — Quando isso vai parar?
— Eu não sei meu amor… eu não sei.
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