Dear Insanity
7 Reunião
Notas iniciais
Dear Insanity
Capítulo 7
Reunião
O sombrio e provecto âmbito encontrava-se em total taciturnidade enquanto as figuras imponentes e demasiadamente sérias passavam seus olhos à esmo pelo local.
De todos ali presentes, Naruto era o mais inquieto. Certamente a aflição de Itachi — apesar de muito bem camuflada — era mais do que notável, contudo, ainda assim, apesar da personalidade módida do loiro, este era o mais preocupado com a situação na qual encontrava-se seu amigo e irmão de criação.
Itachi ouviu Neji e Shikamaru sussurrarem amenidades para dissipar o tédio e — de certa forma — a preocupação quando o súbito alívio acometeu-o tão logo a figura estoica de seu irmão passou pelo batente da porta de carvalho antiga.
O silêncio instalou-se e todos acompanhavam com o olhar cada movimento premeditado que o atual rei perpetava ao mesmo tempo que andava em direção a poltrona elegante e bem posta — alinhada à frente da grande mesa.
Um escritório encastoado à uma biblioteca vistosa era a conjuntura do momento.
Assim que o mesmo acomodou-se devidamente, todos entenderam — pelo olhar furtivo que lhes fora lançado — que poderiam facultar-se de forma que preferissem.
Naruto encarava o Uchiha mais novo com extrema intensidade, dada sua raiva.
Sim, raiva. Raiva por tê-lo deixado no escuro por tanto tempo; por ter isolando-se de forma quase cruel após os dias fatídicos que ele — juntamente com seu Aniki — teve de suportar, mas principalmente; raiva pelo moreno ter distanciado de si justamente todas as pessoas que o amavam.
"Apesar de sermos figuras ominosas, demônios como nós ainda tem sentimentos, afinal", o loiro sorriu de canto com seu pensamento dramático.
Fora despertado com um pigarreio forte, porém receoso, vindo de Suigetsu. Quase havia se esquecido da existência do albino ali.
Todos estavam ajustados de formas diferentes. Itachi, Naruto e Suigetsu permaneceram em pé, um gesto claramente facultativo, pois o que não faltava no lugar eram lugares que forneciam conforto.
Sasuke mantinha-se assentado atrás de sua mesa enquanto Neji tinha sua postura rígida escorada na imensa estante de livros — uma das muitas sessões que mantinham-se levemente ocultas atrás daquela — e seu pé direito repousava calmamente na mesma, ficando assim com a perna flexionada.
Shikamaru era o único sentado — além de Sasuke —, suas expressões eram inteiramente tranquilas e preguiçosas.
— Creio que esteja mais do que óbvio, para todos, o motivo de estarmos aqui. — o Nara pronunciava sério, mas sua voz arrastada dava um tom mais descontraído, relaxando, de certa forma os tensos conselheiros reais.
Sasuke avistou todos aquiescessem de forma compreensiva. Seus olhos rubios cintilaram em malícia ao recordar de uma indagação inquietante e ao mesmo tempo grave.
— O fato da hydra que Sasuke-sama trouxe ou o ato do conselho estar quase renunciando o cargo por... 'Cansaço'?
Todos riram baixo em escárnio. O medo dos velhos de serem estraçalhados era tão grande que chegava a níveis apocalipticos, como inventar sandices.
— A primeira opção, contudo não é só isso. — o albino arrepiou-se dos pés a cabeça ao presenciar — ainda que quase irreal — tal voz carregando algo obscuro. Algo que ele jamais conseguiria dizer o que era, somente que a aura que emanava dele era aterradora, ainda que para um demônio.
— Como assim? — Naruto indagou confuso, afinal havia algo mais além da hydra?!
Shikamaru trocou um olhar cúmplice com seu rei — ainda que demasiadamente gélido por parte deste último.
— Não parece-lhes casual demais? — diante do olhar confuso de todos, continuou. — Termos em nossas masmorras a, até então, única hydra que se tinha registros e do nada, logo depois do nosso prisioneiro escapar, aparecer outra? Em tão pouco intervalo de tempo?
Um estalo pareceu derrubar a todos assim que o choque lhes atravessou. Certo, mera casualidade — Shikamaru e Sasuke tinham razão — não haveria de ser.
Após um minuto de silêncio, Neji — como sempre demonstrando seu lado racional — inquiriu:
— Ainda que remotamente... — Perquiria enquanto suas passadas, em baques silenciosos, aproximavam-se mais da mesa, assim como o loiro de olhos azuis e o moreno de madeixas compridas em um rabo de cavalo baixo. — E se for contingência? Se aquela coisa simplesmente estava na hora errada no lugar errado?
Ssuke sorriu de canto, apesar de inseguro, Neji tinha por onde ser um de seus melhores "homens".
— Concordo com o Hyuuga, o quê ambas as cobras tem haver com isso? Digo, me refiro ao que tem em comum? — Suigetsu tentava acompanhar, mas estava atônito já que esta parte não encachava-se, tampouco tinha-lhe qualquer nexo.
— Verdade. — o Uchiha mais velho fora obrigado a concordar.
— O que as duas tem em comum? — o Uzumaki perguntou mais a si mesmo do que à qualquer outra pessoa.
O Nara suspirou cansado. As vezes era fadigante ser um gênio.
— Elas tem o mesmo alvo. — sua voz fora escutada em um cício arrastado.
Neji e Itachi — após um breve silêncio — trocaram um olhar de entendimento e anuíram, delatando que havia entendido os pensamentos dos "amigos". Já Naruto e Suigetsu pareciam mais perdidos a cada pista.
— As duas hydras tinham como alvo o nosso rei, afinal a que está na sala de interrogatório tinha como objetivo atingir a Sasuke-sama, indiretamente, mas tinha.
Todos compreenderam já que a notícia de que o castelo Uchiha era agora lar de uma humana não lhes era mais novidade, apesar da menina não estar no mesmo à nem menos três horas e, como consequência, sabiam como e porque a garotinha tinha ido parar ali.
Eles eram demônios, afinal.
— E quanto ao nosso ex-presidiário... Não é necessário que diga por que este era mantido recluso.
O loiro e o albino fizeram uma careta pela ironia usada enquanto o restante aquiescia em depreendimento.
— Agora que sabemos que nossos opositores tem certo envolvimento, o quê devemos fazer? — Neji mais uma vez se colocava à frente.
— Foi para isso que lhes chamei. — a rouquidão presente nos decibéis emitidos pelas cordas vocais do Uchiha não deixava qualquer indício de ponderação. — Primeiramente; Itachi — chamou o irmão. — Quero que faça-o falar. Os métodos ficam por sua conta, entretanto não o mate.
E realmente não lhe interessava, como diziam os humanos; sendo de galinha ou de pata, o que lhe convinha era o ovo.
— Certo — O mais velho anuiu indo em direção à porta para executar imediatamente o que lhe fora dito, não antes da lançar à seu Otouto um olhar... Orgulhoso?
— Shikamaru, você...
— Fico com a parte burocrática, pois no fim das contas, ainda que não goste, deve explicações aos velhos.
Assentiu para que compreendesse que era exatamente isso.
— E eu? — Naruto indagou com um bico — horrível, na opinião do moreno — ao olhar para a porta por onde passava um preguiçoso demônio.
— Assim que Itachi descobrir algo você terá a tarefa de rastrear o que quer que seja que ele lhe indique. — Naruto apreendeu sério, pois apesar de descontraído, brincar em serviço não era de seu fetio.
As orbes oriundas fitaram seriamente o Hozuki. O mencionado, assim que percebera os olhares, dirigiu-se ao rei.
— Quero que agilize o trabalho de sua esposa. — a impaciência era mais que patente em suas palavras.
Aquiesceu retirando-se do local. Sabia que aquilo não era um pedido.
Ao ver-se sozinho, o moreno suspirou.
Ficar sem respostas não lhe agradava, mas maior do que sua insatisfação por ter sua soberania ferida era a inquietação em seu peito. Era possível sentir tanta necessidade de algo (alguém) que ao menos lhe fora indeferido? Suas mão tremiam de forma leve; seu demônio estava em um estado interiormente pior que o seu.
Precisava dela.
Ao menos a odiável reunião havia sido encerrada.
Fora extraído de suas reflexão de forma abrupta quando a imperiosa e bem-composta porta de ingresso ao cômodo fora escancarada e um ser de feições — apesar de descontraídas — sérias e ao mesmo tempo relaxadas invadiu o lugar. Uma cabeça de cabelos platinados e rosto coberto por uma máscara negra fora unicamente vista do batente da porta.
— Yo! Cheguei para a reunião. — A voz arrastada e entediada fizera-se audível.
Revirou os olhos carmesim.
Nessas horas odiava seu antigo mestre.
Tsc!
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