Dear Insanity

8 Anjo ou Demônio?


Notas iniciais
Olá! Como estão? Perdão a demora, mas como todos sabem, as provas finais não são fáceis pra ninguém. Capitulo dedicado à Shizukido pela recomendação, obrigada pelas palavras e pala atenção! Sem demora, boa leitura!

Dear Insanity

Capítulo 8

Anjo ou Demônio?

Ainda era noite quando o ar pesado e mórbido abatia-se por sobre a vasta área da rebuscada biblioteca. Sons de uivos eram ouvidos a leste das redondezas — em direção à floresta da morte — e dentro da soberana estrutura do castelo a taciturnidade acometia a todos.

A densa estrutura de madeira polida aparava os baques surdos dos dedos do homem silencioso e submerso em pensamentos. O platinado parecia ponderar de alguma forma, no entanto era notável seu semblante de desinteresse.

Após alguns instantes o mesmo endireitou-se e alinhou a coluna em uma postura ereta para assim encarar de igual o homem imponente à sua frente. Em contrapartida o Uchiha sequer deixou de encara-lo por um instante e a postura relaxada e entediada deixava-lhe nervoso.

Estava acostumado a impulsionar o medo e o pavor no próximo e, de certa forma, saber que sua presença intimidadora — diga-se de passagem — não surtia efeitos no demônio à sua frente o deixava... Refletivo? Bom, certamente não gostava dessa sensação, pois Sasuke Uchiha deveria ser temido.

Não é?

— Tem certeza? — O Hatake não demonstrava sinais de intimidação tampouco interesse no que lhe era proposto, contudo a ordem explícita de seu rei não poderia ser desacatada.

Em troca — como resposta — lhe fora lançado um olhar frio e sem expressões, podendo assim ser captada a mensagem subliminar explícita em cada linha rígida de seu belo rosto:

Cale a boca e faça o que eu mando.

Suspirando, o outro deu-se por vencido e resolveu encerrar o assunto com certo pesar, afinal não queria ter de afastar-se do reino. As condições precárias de sua esposa Shizune eram bem delicadas enquanto a mesma se mantivesse no estágio final de sua primeira gravidez, porém dependendo do que descobrisse, teria grande importância para seu rei. Não que ele se importasse com a realeza — afinal não era à toa que era conhecido por sua irreverência perante os demônios de altos cargos —, contudo não era seu rei sentado naquela poltrona em sua figura estoica e gloriosa solicitando suas habilidades específicas.

Era seu aluno. Mas mais do que isso, era o garoto que viu crescer e aprontar ao lado de Naruto. Era seu afilhado. E como negar-lhe sendo que sempre esperou por ser útil ao menino que viu fechar-se para o mundo após o escândalo que acometeu a família Uchiha?

— Quando parto?

— Imediatamente. — A voz de ferro reiterou de forma quase perigosa.

— Certo. Assim que tiver notícias concretas retorno para dar-lhe um parecer.

Após ouvir suas palavras o moreno simplesmente ignorou-o juntamente com a nostalgia que o assolou quando viu um lampejo de carinho no único olho visível pela máscara de Kakashi. Ouviu um som abafado provir do mais velho, mas estranhamente não era um som de desdém ou inquietude. O outro homem — Sasuke reparou — estava somente cansado. Cansado de dar murros em ponta de faca.

Por um momento o Uchiha sentira uma nano fração de pena do outro, mas ignorou isso.

• ❈ •

Irrompeu no cômodo de forma calma e após constatar que o âmbito encontrava-se silencioso e levemente enegrecido, cerrou a porta em um baque surdo tomando extrema cautela para que a pequena figura adormecida não despertasse.

Observou-a por breves instantes antes de encaminhar-se para a vasta área de banho onde permitiu-se relaxar por alguns minutos ao sentir a água morna desfazer os nós rijos de suas costas.

Após vestir-se devidamente com uma simples calça de tecido confortável — preta, para variar —, deitou-se ao lado do pequeno ser angelical que ressonava de forma calma. Agradeceu internamente por Tenten não estar mais presente quando chegou, não tinha paciência no momento para lidar com a fêmea medrosa.

Chegou mais perto da estrutura frágil e pousou sua mão esquerda na cabeleira rosada, logo sendo presenteado com um sorriso doce ao mesmo tempo em que a mesma movimentava-se para perto de si com o trapo azul em mãos.

Aninhou-a melhor em seu peito e suspirou confortável com a tranquilidade e a paz que apossou-se de si no mesmo instante em que a pequena cabeça cor de rosa tombou abaixo de seu queixo. Pode vislumbrar com satisfação a lua cintilante por entre as cortinas magestosas na imensa sacada. A luz da mesma iluminava os tecidos ao redor da cama que iam desde o "teto" da mesma até o até o pavimento cru de mármore cobrindo a ambos com uma apresível cortina negra e sedosa.

Um suspiro anasalado escapou sem sua permissão. Não iria dormir. Não dormia à séculos, não seria agora que o faria.

Contudo, a pressão em seu peito, os suspiros pueris e calmos acompanhados de pequenas mãos agarrando-se a si o fizera divagar na possibilidade. Estava confortável para isso — como não estivera a muito tempo —, por que não fazê-lo?

Em meio ao seu pequeno debate interno não deu-se conta de que já adormecia calma e fleumaticamente com sua pequena fêmea sob seu peito.

• ❈ •

Corria por entre os corredores silenciosos como se sua vida dependesse disso — o que de certa forma dependia, já que sua pequena corria riscos —, sendo duramente ouvido no mesmo, apenas seus passos lado à lado aos de Naruto. O galego o seguia sem entender a pressa e desespero de seu amigo, tampouco o motivo que o levava a deixar uma importante reunião com o conselho de lado. No entanto, o Uzumaki contentava-se em apenas seguir seu irmão de criação para apoiá-lo no que preciso.

A verdade é que Sasuke não sabia ao certo o que deveria esperar ao ser interrompido em uma importante reunião, sobre o relatório que Karin havia conseguido levantar após sua volta, por uma ofegante Hinata e uma desesperada e lacrimejante Tenten alegando que sua pequena Sakura havia sumido. Seu desespero só fez aumentar quando seus guardas informaram-lhe tê-la visto indo em direção ao jardim acompanhada de um homem robusto de cabelos alaranjados.

Esperava em seu âmago não ser tarde demais.

O loiro estava prestes a indagar o motivo de tanta correria quando viu o moreno estacar no lugar tão logo adentrou o jardim. Parou ao seu lado, logo podendo reparar nos músculos salientes em seu pescoço, devido a tensão, junto de suas mãos em punho. Acompanhou o olhar rubro e vidrado em algo para fazer com que o desespero o assolasse tão logo o olhar cerúleo pairou diante das duas presenças ali.

Sakura mantinha uma simplória e exultante conversação enquanto recolhia flores no jardim em frente ao quarto do rei — este que antes encontrava-se morto, agora era florido e vivo. Tudo para alegrar pequena Haruno que revelara-se amante das variadas espécimes delicadas —, no entanto isso não seria problema se a mesma não estivesse na companhia de Juugo.

Não que o demônio fosse "mau", na verdade este parecia até mesmo bondoso — levando em conta sua personalidade calma e doce. O homenzarrão até seria uma boa companhia se não fosse por seus constantes acessos de insânia com a qual era quase impossível de se operar. Sasuke era o único que conseguia controlá-lo, decorrente ao poder ocular da linhagem Uchiha.

O ruivo não fazia por mau, mas o mesmo não era alguém com quem impõe-se o convívio à uma criança ou alguém vulnerável. No caso de Sakura os dois, já que a menina além de ser criança era humana.

Ambos aproximavam-se de forma cautelosa para que Juugo não fosse pego de surpresa e tivesse uma ataque espontâneo, afinal ele poderia ficar raivoso. Parou o amigo alguns bons metros de distância com uma mão à sua frente fazendo com que as orbes rubias fossem direcionadas a si, com raiva.

Apesar da distância poderiam ouvir com facilidade a interação verbal e corporal dos dois à frente, que mantinham-se detraídos. Juugo em sua tarefa de encontrar flores bonitas que agradassem a menininha e Sakura em conseguir trançar os cabinhos das flores para que fosse feita uma linda e colorida coroa.

Sasuke estapeou o braço diante de si o jogando para o lado, logo fazendo menção de continuar, mas Naruto o parou com igual brusquidão. Algo que ambos tinham em comum é que não controlavam-se diante da raiva.

— Espera um pouco Teme. Se você chagar lá assim vai acabar assustando ele. Sob efeito de um surto, Juugo pode esmagá-la.

O maldito loiro tinha razão, eles ainda estavam muito perto um do outro. Se ao menos conseguisse afastá-la o suficiente. Como se o ouvisse, Sakura estreitou a distância entre ela e o grandalhão, só para contrariá-lo.

As posturas firmes e rígidas notaram quando Sakura e o outro assentaram-se sob o gramado crescente e à luz do crepúsculo para que a Haruno se mantivesse concentrada na tarefa de fabricar uma coroa de flores mimosa e delicada.

Após alguns minutos de expectativa, nada acontecia. Ambos somente trocavam palavras calmas e gentis um com outro. No fim, Sakura pareceu dar-se conta que já entardecia e que em breve deveria voltar para baixo dos olhos atentos da tia Hinata e da tia Tenten até que o seu moreno aparecesse para reboca-la para o quarto. Bufou indignada com o sol que não cooperava.

Após finalizar o processo, a menina levantou-se apressada com o cálido e singelo adorno entre os dedos curtos e gordinhos. Andou esbaforida em direção ao grande demônio que mesmo sentado era milhares de vezes mais alto. Pediu para que o mesmo se abaixasse e logo o mesmo inclinou-se como fora pedido.

A tensão ressurgiu com força total ao redor da dupla subliminar no local. Ambos estavam prestes a correr quando notaram em câmera lenta o ruivo sorrir afável em direção aos bracinhos que colocavam com cuidado, a pequena coroa de flores no topo de seus fios rebeldes. Havia ficado um "pouco" pequena, mas ele sorriu. E se ele sorriu era sinal de que tinha gostado. Depositou um pequeno beijinho na bochecha máscula antes de colocar-se a correr para o castelo novamente ao mesmo tempo em que acenava álacre. O outro acenava de forma mais discreta, entretanto o suave rubor presente nas maçãs de seu rosto o delatavam.

O Uzumaki e o Uchiha suspiraram aliviados, o ato fora feito mais sobriamente por parte do moreno, contudo a cara de taxo presente em ambos era predominante. Juugo não havia perdido o controle? Juugo tinha corado?

Foram retirados de seus pensamentos particulares quando Itachi aparecera. Recompuseram-se em velocidade recorde e encaminharam seus olhares para o Uchiha mais velho que continha um olhar curioso e a sobrancelha levemente arqueada era uma clara inquisição. Deixando de lado a pergunta que coçava sua língua em relação ao que faziam observando Juugo, pigarreou solene antes de falar.

— Kakashi o aguarda em seu escritório.

Não precisou de mais do que isso para fazer com que Sasuke se encaminhasse à toda velocidade para o âmbito mencionado. Fazia quase um mês desde que o platinado saíra e não dava notícias. Cogitou até mesmo ficar preocupado, mas bastava um segundo para lembrar-se que aquele era o demônio com que havia aprendido quase tudo o que sabia.

• ❈ •

Breves segundos depois, adentrou o lugar silencioso e repleto de estantes enfileiradas de livros. Cerrou a porta e então depois acomodou-se em sua cadeira confortável notando a posição relaxada na qual encontrava-se o Hatake. Parecia igual desde a última vez que o vira, não obstante as marcantes olheiras e ar cansado deixava aparente sua exaustão.

O outro endireitou-se mais formalmente antes de suspirar por baixou da máscara que abafou o som, mas não o suficiente para que Sasuke não ouvisse.

— Minha averiguação fora bem satisfatória, contudo sinto não ter muitos detalhes para lhe proporcionar. — O moreno aquiesceu brevemente ao cruzar as mão diante da boca de lábios finos.

— O encontrou?

— Pessoalmente? — O outro assentira. — Não. — Informou ao colocar uma pasta de cor creme em frente ao rei e pulando algumas páginas, parando quando chegou onde desejava. — Fui até o local onde descobri ser a casa do pai de Sakura, mas estava vazia. Relatórios da polícia diziam que Hikaru Haruno desapareceu após o "sequestro" da filha e a morte misteriosa da ex-mulher.

Sasuke sentia-se intrigado. Realmente torcera para que o homem tivesse sumido já que seu espírito possessivo o impedia de dividir a atenção de Sakura com quem quer que fosse.

— Encontrou algo na casa? — Sua mente vagava pela possibilidades.

— Encontrei algumas coisas interessantes. — Disse enquanto retirava do bolço de seu sobretudo em um tom de chumbo, um pequeno saquinho contendo resquícios um pó amarelado.

Após pegar o sache plástico entre os dedos longos e pálidos abriu o mesmo. Aproximou do rosto para logo o odor marcante e demasiadamente forte com o qual já estava acostumado, invadir seu olfato apurado.

— Enxofre?!

— Havia resíduos de enxofre na janela do quarto, banheiro e perto da cama — Kakashi reiterou sério.

O Uchiha arqueou uma sobrancelha descrente. Humanos não eram do tipo que espalhavam pó de enxofre pelos cômodos de suas casas como quem derrama farelos de salgadinho.

— Dentro de uma gaveta do guarda-roupas havia isto. — Ele retirara alguns papéis do bolço da calça agora.

Pareciam antigos demais para terem durado tanto tempo desprotegidos de poeira. Ao por as mão nos papéis notou que não era um simples papel, era papiro egípcio. Demasiadamente raro e antigo para não estar em posse de um museu — Sasuke constatou.

Ao abrir a surpresa o atingira. Invocações? Feitiços? Ritos de exorcismo? Quem era esse homem afinal?

— E o mais inquietante.

O moreno levantou a fronte bem a tempo de presenciar o mais velho levar a mão até a parte traseira do sinto de couro para puxar uma espada curta. O cabo branco e talhado com escritas ilegíveis para qualquer demônio, mas que Sasuke conhecia bem a origem. Sua lâmina era prateada com cerca de quarenta centímetros de comprimento e dez de espessura, mas que se estreitava até a ponta formando uma espécie de adaga longa. Uma espada angelical, não havia dúvidas. A única que um anjo era capaz de empunhar, entretanto, ironicamente, a única capaz de feri-lo.

— Kakashi...

O mesmo aquiesceu compreendendo sua linha de raciocínio. O único ser capaz de chegar tão profundamente no submundo e apto o suficiente para aguentar o enxofre — no caso, levar consigo em suas roupas, calçados, etc. — eram demônios. Contudo, os feitiços não faziam sentido. Demônios conseguem fazer invocações, somente os de classe superior obviamente, mas não são capazes de conjurar um exorcismo, afinal era este que os bania para o limbo. Espadas angelicais são dadas somente a anjos, mas os mesmos não conseguem chegar ao submundo, não por não serem capazes, mas por não conseguirem ao menos chegar perto denique linea* sem que suas auras fossem detectadas pelos demônios. Somente um ser com alma corrompida conseguiria fazê-lo.

— Também pensei nisto.

— É impossível. — Perquiriu irredutível o moreno.

— Mas não há outra explicação.

— Eles estão em extinção Kakashi.

— Isso é o que os anjos dizem, afinal quando os exterminaram, não nos deram nenhuma prova, simplesmente anunciaram. — Fazia sentido, mas Sasuke recusava-se a crer que sua Sakura era descendente de tal raça.

— Tivemos a prova de que em cem anos, um outro nunca apareceu.

— Pense Sasuke, não há outra criatura que consiga adentrar nossas dependências sem chamar atenção, mas que saiba conjurar feitiços e ainda possua uma espada angelical. — O Uchiha ainda estava incrédulo, mas era-lhe incontestável, fora o fato de que a verdade era esfregada contra sua face de forma tão brusca que o deixa letárgico.

— Ele é o único?

— Acredito que sim, mas não podemos ter certeza por enquanto. — Sasuke deixou os ombros caírem em incredulidade. A realidade custava a parecer-lhe verídica. — Contudo algo é irrefutável: Hikaru Haruno é o anjo caído mais antigo com o qual já cruzamos caminho.

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denique linea* = Será mostrado futuramente na estória, por isso, não posso explicar-lhes agora!

Notas finais
Gostaram? Espero que sim e qualquer dúvida, perguntem ok? Bom, eu quero perguntar algo. Como algumas leitoras aqui sabem, pelo menos as com que converso mais deliberadamente, que gosto de dar alguns spilers, então queria saber: o que acham de eu fazer uma página no Face? Ela terá a finalidade de antecipar acontecimentos, imagens e afins da fic (spoilers), divulgar meus trabalhos (já que tenho tido muitas ideias para fanfics ultimamente) e também para me aproximar mais de vocês. O que acham? Digam-me oque pensam da ideia, estou anciosa! Queria gradecer muito o carinho daquelas que me procuraram, tanto por MP, tanto no Facebook (não sei como me acharam. Medo de vocês '-'). Obrigada pelo apoio viu? Não se acanhem, se quiserem mandar MP, podem mandar que a tia aqui é gente boa. Não me importo que mandem mensagem, tanto para falar sobre a fic, como para simplesmente conversar banalidades! Bom, é isso! Beijinhos e até o próximo capítulo em que a Sakura vai estar com ** anos! Sim, não vou falar, sou má!