Dear Boss
1 The bad meeting
Notas iniciais
Abri os olhos, cansada antes mesmo de levantar da cama.
O dia estava ruim. Só isso. Ruim antes mesmo de começar. Ruim simplesmente porque era segunda feira. Dia que a semana começa. Dia do cansaço. Dia do “começar de novo”. Dia ruim.
Abri as cortinas do meu quarto, tentando me obrigar a sair daquela casa. Se eu atrasasse no trabalho, um minuto que fosse, Jane iria me matar, cortar em picadinhos e daria meus pedaços aos mendigos da rua. Simples assim.
– Bom dia, gata – Emmett, meu companheiro de quarto e melhor amigo, cumprimentou, em seu usual bom humor.
Olhei para ele, despejando todo o meu bom humor ao contrário, e ele soltou uma risadinha.
– Mal humor matinal ou mal humor da segunda? – perguntou, ainda se divertindo.
–Um pouco dos dois – ele riu novamente e eu revirei os olhos – E logo pode se tornar mal-humor-emmett-está-me-irritando se você não parar com isso.
Ele apertou os olhos para não rir, e resmungou um “não sou obrigado á estar de mal humor também” antes de sabiamente sair da sala.
Emmett tinha deixado o meu café da manhã em cima da mesa, como sempre, o que me fez sorrir um pouco. Ele sempre sabia como me deixar irritada, mas sempre sabia como se desculpar instantes depois. O que ele NÃO sabia era que nunca conseguia me deixar realmente enfurecida. Mas eu gostava de vê-lo tentar de todas as maneiras me paparicar, pensando que eu estava magoada.
Tomei um rápido banho e vesti qualquer roupa elegante que achei no armário. Olhei no relógio e eram quase 8 horas. Merda. Eu precisava chegar ao trabalho logo.
–Emmett, eu estou totalmente ferrada se você não me der uma carona – gritei ainda do quarto.
–Te dou carona se você sair daí em dois minutos – ele gritou, de volta.
Coloquei um lápis do olho e corri para ele, não antes de tropeçar em um livro no chão e quase cair de cara.
Segunda feira, você é uma droga.
–Ei, garota, calma aí. – Emmett falou, com uma risadinha, me ajudando a levantar. Olhou-me de cima a baixo e ergueu uma sobrancelha – Você está indo ao trabalho? O que, decidiu conquistar qualquer aluno rico de lá?
Balancei a cabeça, exasperada.
–Claro que não. Hoje vai ter uma visita super especial do dono da escola, sei lá. Não entendi direito. Só a parte do “se vistam bem, porque ele é um idiota que se preocupa mais com a aparência e com dinheiro do que qualquer coisa”
Emmett riu, já andando para a porta.
– Tenho certeza que eles não usaram essas palavras.
–Talvez não. — dei de ombros – Mas foi isso o que eu ouvi.
E então saímos.
Cheguei à escola revirando os olhos. Eu estava louca para arranjar outro emprego, qualquer outro, e me livrar daquilo ali. O negócio era: eu trabalhava na melhor escola particular de Londres. E conseqüentemente, a mais cara. Trabalhava na biblioteca de lá, e as únicas pessoas que sabiam da minha existência eram os bolsistas, porque eram os únicos que freqüentavam o local.
Eles não tinham tudo de bandeja, a qualquer hora, e precisavam lutar para estar ali.
Assim como eu.
Cheguei à biblioteca, e a Jane estava com cara de quem iria matar uma pessoa á qualquer momento.
Pelo que estou vendo, a segunda feira não estava sendo ruim só para mim.
– Isabella! Finalmente – gritou, correndo em minha direção – Olha, se você se atrasasse, logo HOJE que Sr Masen está vindo fazer uma visita ao colégio eu iria... – parou, respirando fundo, deixando o resto da frase solta sugestivamente
–Me demitir. Sei disso, Jane. Mas estou aqui, tudo bem? Você precisa de algo? — perguntei, reunindo toda a minha calma.
Ela apontou para trás do balcão, aonde fui rapidamente, sem hesitar.
– O Sr Masen é o dono dessa escola. Não, esqueça isso. Ele é o dono de todas as escolas que um dia foram considerados melhores de Londres. Ele é um dos homens mais ricos da cidade – ela listava, olhando diretamente para mim – Você está acompanhando?
–Sim.
–Ótimo. Você não vai falar com ele. Não vai atendê-lo. E, pelo amor de Deus, não vai questioná-lo. Sob nenhuma hipótese. Ele é do tipo durão, Isabella. Se ele não gosta de alguém, demite-a. Simples assim. Então, por favor, não estrague tudo.
Meus olhos se abriram um pouco mais, surpresa com o tom de Jane. Ela estava irritada, dura, mas... Desesperada também. Dava para ver que ela estava surtando com aquela visita. Quem quer que fosse esse tal de Edward, devia ser alguém importante. MUITO importante.
O que significava que eu teria uma Jane estressada durante todo o dia.
Ah, mas este dia estava ficando cada vez melhor.
–Jane, acalme-se. Não vou atendê-lo, certo? – perguntei, recebendo um aceno de cabeça – Então como poderia ser de alguma forma rude com ele?
Ela pensou por um momento.
–Você está certa. Só estou um pouco estressada.
Jura? Chegou a essa conclusão sozinha?
A frase petulante estava na ponta dos lábios, mas em vez disso, falei:
–Além disso, ele nem deve passar na biblioteca. Certo? Ele só deve passar na diretoria, no máximo no refeitório. Biblioteca não parece o lugar que um multimilionário dono da escola mais cara de Londres visitaria.
Jane relaxou visivelmente diante da minha declaração óbvia.
–Você está certa. De novo. Estou me preocupando em vão. Vou tomar um café, e volto logo. Não saia daqui – e a Jane irritante estava de volta, me olhando duramente.
Suspirei.
Fui até a estante de livros e peguei um exemplar de Harry Potter. Nada melhor para começar a manhã. Mesmo se esta manhã for uma de segunda feira.
Ouvi, ao longe, o som do sinal tocando e quase engasguei de susto. Como que uma hora se passou? E a Jane? Será que ela tinha se queimado com o café e iria ficar fora o dia todo?
O pensamento trouxe um pequeno sorriso aos meus lábios.
Subitamente, a porta se abriu tão forte que quase pensei que alguém estava tentando arrombá-la. Um homem irresistível entrou na sala. Estava vestido com roupas sociais, e tudo nele gritava “dinheiro, dinheiro”. Mas quem naquela escola não era assim?
Porém, ele era... diferente. Não parecia rico. Parecia PODRE de rico. Os cabelos cuidadosamente arrumados. O relógio de ouro. O Iphone 5 branco. O jeito de andar, calmo e cadenciado. Os olhos verdes. A boca..
Não, a boca e os olhos não gritavam “dinheiro”. Gritavam “sou sexy”
–Não, não quero ninguém. Quero averiguar a biblioteca sozinho. Agora – falou com alguém que não pude ver quem era.
Averiguar? Do que ele estava falando?
Não tive tempo para pensar sobre o que ele estava se referindo, porque aqueles olhos verdes estavam sobre mim agora. Analisando.
–Você deve ser a bibliotecária – falou, calmamente.
Soltei o ar rapidamente, sem perceber que estava prendendo a respiração.
– O que você acha? – respondi, seca, ignorando as minhas mãos soadas;
Por que estava tendo essas reações? Aquilo era ridículo.
Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso, e andou até mim.
–Você sabe quem eu sou? – perguntou, numa voz que sugeria que estava furioso.
Bom,então aquela segunda feira não estava sendo legal para ninguém. Pelo menos eu não estava sozinha nessa.
– O que precisa? Clássicos, Best Sellers, revista em quadrinhos? – perguntei, assumindo minha voz profissional. Não estava querendo conversa.
– Não quero livros. Quero que responda á minha pergunta. – respondeu, apertando os olhos.
Ele me olhava autoritário. Respirei fundo, porque já estava acostumada com aquilo. Os riquinhos daquela escola queriam sempre as coisas do seu jeito, ali, agora, sem discussão. Essa era uma das diversas razões por qual queria desesperadamente sair daquela escola.
Me abaixei, pegando um livro e jogando á sua frente.
Quase sorri com a expressão de total perplexidade que atravessou o seu rosto quando leu o título do livro. “Como ser gentil com as pessoas”.
Toma essa, babaca!
– Você está tentando ser engraçadinha? – falou a última palavra com desprezo, cerrando os punhos.
Dei de ombros.
– Foi só uma idéia. Mas o que o senhor precisa?- perguntei novamente, a voz exalando inocência.
Ele olhou para mim como se pudesse me matar com um olhar. Ah, como eu estava adorando aquilo.
– Você é surda? Já disse que não quero livros. Deixe de ser idiota, e responda: Sabe quem eu sou? – perguntou, jogando o livro que eu tinha oferecido no chão.
O que?
A raiva escureceu a minha mente, tomando-me completamente, sem aviso. Como ele se atrevia a falar daquele jeito comigo? Me chamar de idiota e ainda exigir alguma coisa? Toda a raiva acumulada me deu coragem suficiente para responder á altura.
– Não. Não sou surda. Apenas não estou interessada em saber quem você é, porque não acho NADA especial em você – agora eu estava mentindo descaradamente – Acha que não sei? Você é apenas mais um que acha que pode comprar tudo e todos com seu dinheiro. Me desculpe desapontá-lo, você NÃO pode. Então, se me der licença, existem pessoas que precisam trabalhar para viver porque não tem tudo de bandeja e que não gostam de ser importunadas por homens mal-educados e arrogantes.
Terminei a frase arfante, me deliciando com a expressão desnorteada do homem á minha frente.
Com certeza nunca tinha encontrado alguém que lhe dissesse a verdade assim, tão francamente.
– Sr Masen! Me desculpe não estar aqui para recebê-lo, mas eu estava... – a voz de Jane nos interrompeu, morrendo lentamente ao ver a situação em que nos encontrávamos.
Eu, inclinada sobre o balcão, um dedo apontado para ele, vermelha de raiva. Ele, olhando-me com total surpresa, mas com uma sombra de diversão nos olhos, totalmente ereto.
– O que..O que está acontecendo aqui? – ela perguntou, olhando desesperadamente para mim.
E então tudo veio num átimo.
Sr Masen. Senhor Edward Masen. Era ele.O dono da merda da escola que eu trabalhava. O homem que poderia me demitir quando quisesse. O homem que eu tinha desrespeitado vergonhosamente.
Ai. Meu.Deus.
–Nada de importante – ele finalmente respondeu, depois de olhar longamente para mim. – Você está demitida.
E, sem mais nenhuma palavra, deixou a biblioteca.
Fale com o autor