Dear Boss

2 My boss?


Notas iniciais
Então, segundo capítulo. Decidi liberar este capítulo e o 3 logo, então vocês podem ser boazinhas comigo e comentar muito/indicar também. Btw, espero que gostem :D

Hoje não era uma segunda-feira.

Hoje, pelo calendário, era uma quarta feira. Meu humor, entretanto, dizia o contrário.

Ninguém poderia me julgar, porque agora eu era uma desempregada com contas para pagar, mau-humor, e fome.

Tudo isso por causa de nada. Por motivo nenhum.

Tudo bem, talvez tenha tido um motivo. Eu, teoricamente, desrespeitei o dono daquela escola, mas era uma questão de opinião. Na minha visão, eu apenas exerci meu papel de cidadã britânica com liberdade para expressar sua forma de pensar livremente.

E olha aonde isso me deixou. Desempregada.

-Isabella, você tem dois minutos para terminar de empacotar todas as suas coisas. Vamos! – Jane gritou, pela milésima vez.

Peguei a minha caixa com alguns livros, a minha bolsa, e saí da parte mais interna da biblioteca. Antes que Jane pudesse me lembrar exatamente porque eu estava sendo demitida e como estava feliz com isso, levantei um dedo sinalizando que ela deveria ficar calada, e liguei para o Emmett.

-Fala, amor! – gritou, com bom humor.

-Vem me buscar logo – falei, direta.

-Bom dia para você também, querida. E já estou quase na sua escola. Chego em menos de dois minutos. – dei uma pausa, e podia apostar que estava sorrindo quando falou a última frase – Feliz com a liberdade?

-Não. Claro que não

-Mas você estava querendo sair daí há meses!

-Não nessas circunstâncias. Não porque um babaca egocêntrico não consegue ouvir a verdade e me demite só porque tem o ego ferido! – gritei, ignorando os olhares de advertência da Jane.

Foda-se. Eu já estava demitida mesmo, ia falar tudo o que tinha direito.

-Ei, calma lá! Veja pelo lado positivo: você vai poder se concentrar totalmente no que quer, e quem sabe ache um emprego da sua área. – Emmet falou, tentando me acalmar

-Tenho contas para pagar, Em, você sabe disso – falei, cortando-o quando estava prestes a debater comigo – Olha, discutimos isso quando você chegar, tudo bem? Estou te esperando.

E, sem esperar resposta, desliguei o telefone.Então me virei para a Jane.

-Você não pode falar assim do chefe. — ela falou logo

-Eu posso falar do jeito que eu quiser com quem eu quiser. – rebati, e ela se contraiu espantada. Claro, nunca tinha falado com ela daquele jeito – Jane, olha, estou de mau humor, demitida e cheia de problemas, tudo bem? Não quero brigar com você, então, por favor, colabore. É o meu último dia aqui.

Ela aquiesceu com um gesto.

- Espere um momento – falou, e foi em direção á sua parte da biblioteca.

-Bella! – ouvi alguém chamar, ao longe.

Olhei para baixo, e Renesmee pulou em mim no exato momento. Sorri, feliz.

-Hey, nessie – falei, abraçando-a.

Nessie era uma das poucas alunas interessantes naquela escola. Bolsista, claro, e passava mais tempo naquela biblioteca do que na própria casa, eu suspeitava. Sua presença é tão constante que criamos uma relação muito forte, e ela era o eixo que me segurava naquele local. O motivo de eu estar ali por tanto tempo, além da minha paixão por livros.

-Não quero que você vá – ela choramingou, e senti, mais do que vi, as lágrimas nos seus olhos.

-Ei, ei, nada de choro – apertei meus braços ao seu redor – Estarei aqui sempre que precisar, você sabe disso.

-Mas quem vai ler Harry Potter para mim nos intervalos? – ela arregalou os olhos, parecendo ter uma revelação – Quem vai passar o intervalo comigo?

Ri abertamente, quase recuperando o meu bom humor.

Quase.

-Você pode me telefonar durante o intervalo, e passaremos juntas, tecnicamente. – sorri doce.

Ela sorriu junto, me fazendo alargar o sorriso. Nessie era linda, mas ficava estonteante quando abria o seu sorriso. Tinha 9 anos, quase 10, e parecia um anjo, sorrindo daquele jeito, principalmente pelos seus cachinhos dourados que hoje brilhavam intensamente. Sorri mais largamente.

Nós fomos interrompidas por um barulho junto á porta.

Olhei em direção ao barulho, me arrependendo instantaneamente.

-Ah, porcaria – praguejei.

O sorriso cínico de Edward Masen estava ali, me analisando como um Falcão. Elegante como sempre, entrou na sala, cada passo calculado e frio.

A última coisa que analisei era que ele estava lindo de matar.

Eu estava tentando me convencer de que foi a última, pelo menos.

-Bom dia – falou, educado.

Bom dia?!

Fiz uma lista mental de tudo o que tinha acontecido, porque eu só podia estar delirando. Nós tínhamos discutido brevemente, com ele sendo um filho da puta, e depois ele me demitiu. Com três palavras simples, e nada agradáveis. “Você está demitida”. Só isso.

E agora ele estava na minha frente, me dando bom dia?

Senhor dê-me paciência.

-Isso é alguma brincadeirinha?- imitei sua frase de antes, usando o mesmo tom que ele tinha usado.

Ele riu, o mais sinuoso dos sons, e fiquei desnorteada.

Pedi paciência antes. Agora estou pedindo resistência.

-Não. – respondeu, simplesmente.

Não. Ele disse não. Só isso. Simples assim.Por que eu não podia avançar e dar um tapa nele?

Ah, porque provavelmente os seguranças enormes que estavam á sua volta provavelmente me pegariam antes mesmo de eu levantar a mão.

-Olha, o que você quer? – perguntei, fria.

Ele olhou rapidamente para baixo, para Nessie, que assistia á tudo calada. Tenho certeza de que ela sabe muito bem quem ele é, e não cometeria o mesmo erro que eu desafiando-o. Ótimo.

Depois ele me respondeu:

-Vim fazer duas coisas. A primeira, a mais simples, é averiguar se todas as coisas estão se arranjando como o planejado.

A raiva acumulada de antes voltou num átimo,me fazendo soltar um arfar de surpresa.

- Bom, já estou indo embora. Não se preocupe com isso – falei, me dirigindo a porta, arrastando Nessie comigo.

Não dei nem dois passos, quando suas mãos agarraram a minha cintura, puxando-me de volta.

Parei por um momento, atônita.

O primeiro motivo foi menor, e foi a raiva. Ele não ia me deixar em paz nunca? Eu só queria sair daquela porcaria!

O segundo motivo foi maior e deixou as minhas bochechas ridiculamente vermelhas. Ele tinha me tocado. Tudo bem, agora isso sim era ridículo. Mas as mãos dele eram incrivelmente macias, e eu pude sentir isso mesmo através da blusa.

Além disso, seu puxão tinha reduzido a distância entre nossos corpos consideravelmente. E ele era um homem lindo, vendo assim de perto.

Ok, mesmo de longe.

-Mas o que! – consegui exclamar, mas fui interrompida logo em seguida.

- O segundo motivo por qual vim foi para te fazer uma proposta – falou, olhando diretamente nos meus olhos.

Seus olhos eram tão verdes, tão brilhantes, tão profundos, que perdi o fio de pensamento por alguns momentos.

- Você deve estar louco se acha que vou aceitar alguma coisa de você depois de ter me demitido. – falei, seca, e acrescentei – A não ser que queria me devolver meu emprego.

Minha voz soou desesperada, afinal. Mas estava desesperada, então estava tudo bem.

Ele deu um risinho, e arqueou a sobrancelha.

- É muito petulante de a sua parte tratar desse jeito o chefe do chefe do seu chefe. E ainda pedir emprego para ele. – falou, irônico.

Me impulsionei para trás, empurrando-o um pouco, tomada pela raiva.

Imediatamente três seguranças seguraram meus braços, me soltando da Nessie.

-Soltem-me. Não toquem nela! – gritei, com os olhos arregalados.

Eu estava com raiva por aqueles homens estarem me prendendo como uma criminosa, mas simplesmente estava possessa por eles estarem tocando na Nessie. Ela era só uma criança, pelo amor de Deus!

Me debati um pouco, inutilmente, e reparei que os seguranças esperavam a ordem do Edward. Edward esse que, neste momento estava rindo, assustando tanto a mim quanto os seus seguranças.

Aquilo só podia ser brincadeira.

-Ai, só posso ter jogado pedra na cruz – gritei, exasperada, deixando meu pensamento voar alto demais.

Edward parou imediatamente

- O que?

-O que o que?

-O que você disse?

- Você nunca ouviu essa expressão? – agora eu estava incrédula.

-Que expressão? – ele parecia em dúvida.

-Você sabe “joguei pedra na cruz” ou “taquei chiclete na santa ceia”?

-Não- sua resposta foi rápida, e agora quem estava rindo era eu.

Aquele homem não podia ser mais inacreditável.

-Do que está rindo? — perguntou, agora circunspecto.

-De você! – falei, entre risos.

- O que? Por que?

A cara de desnorteado dele apenas me fez rir ainda mais intensamente, e senti seus seguranças se afastando.

- Como alguém não conhece a expressão “joguei pedra na cruz”? Em que mundo você vive? – perguntei, quando consegui parar de rir.

Ele deu de ombros, e riu novamente comigo.

A cara dos seus seguranças sugeria que não era comum o som da risada de Edward. Isso era um grande pecado. Apenas o som do seu riso me deixava delirante. E com vontade de rir mais.

Depois dos insultos trocados poucos minutos antes, uma risada era um grande avanço. Quem sabe ele estava de bom humor e devolvia meu emprego.

Eu estava trabalhando com fortes suposições. Isso é o que desesperados fazem.

-Gata, cadê você? – ouvi a voz de Emmett gritar, entrando na sala.

- Hey, Em – sorri, voltando-me para ele um momento antes dele me envolver em um abraço sufocante.

- Vamos para a casa? Fiz a sua comida favorita – ele falou, sem nem perceber Edward ao meu lado.

Meu sorriso alargou-se consideravelmente. Eu estava morrendo de fome, e a comida de Emmett era divina.

Então me lembrei do Sr zangado que não conhecia expressões populares, e me virei, ainda sorrindo.

Ele não estava olhando para mim. Olhava para os braços do Emmett ao meu redor, os olhos cerrados, os lábios franzidos.

Parece que o mau humor dele tinha voltado.

Ótimo.

Notas finais
Aprovado??? Comentem sempre!