Dear Boss
6 In sickness and in health
Notas iniciais
-Então, é muito difícil? – perguntei, bebendo mais um gole da minha cerveja.
Emmett e Mike balançaram a cabeça, cansados.
-Porque estão fazendo essa cara? – eu estava irritada
Estávamos os três em uma espécie de happy hour. Tinha pedido para o Emmett vir porque ele estava por perto, e queria ter os dois melhores amigos á minha volta enquanto falava todos os meus problemas.
Na verdade, era só um. Edward Masen.
-Porque você não para de falar do seu chefe desde que chegamos – Emmett respondeu, revirando os olhos.
-Mas é sério gente – virei a cerveja – Trabalho que nem uma condenada, e faço TUDO certo. Tudinho. Do começo da manhã até o final da noite. Cuido dele direito. Será que não merecia um elogio?
Isso. Cheguei ao fundo do poço. Estava implorando por um elogio.
Mas o caso era que eu merecia um. Estava trabalhando dobrado, e isso estava me custando muitas olheiras. Eu viva a vida de Edward Cullen todos os dias, exceto aos domingos.
Sim,ele também tomava o meu sábado.
Tanto que estava com ele agora há pouco,em pleno sábado, escolhendo as flores que daria á sua irmã, porque era incapaz de fazer isso sozinho. Aquele homem estava totalmente dependente de mim. Eu estava por trás inclusive das boxers que ele usava. Tamanho GG.
Tudo bem, vou parar por aqui.
Voltando a minha reclamação, ele, em nenhum dia durante todo este mês que vinha trabalhando para ele, tinha me dito um “ótimo trabalho”. Nunca. Isso me fazia perguntar se estava fazendo algo errado, e conseqüentemente me empenhava mais.
Porém, ao perceber que sabia inclusive o horário exato em que ele bebia água, percebi que não tinha como me esforçar mais.
É, eu sabia o horário que ele bebia água. Sete e meia da manhã, uma da tarde e duas da manhã da noite.
-Por que esse era para ser um happy hour, lembra-se? – Mike chamou a minha atenção – Não é para conversarmos sobre nossos trabalhos.
-E, além disso, você tem que se conformar. Esse cara é um cretino. Por mais que se esforce, ele não vai te elogiar – Emmett completou, dando de ombros.
Claro que não ia. Não sei por que de uma hora para outra queria tanto um elogio dele. Tanto, que era quase uma necessidade.
-Você precisa relaxar – Mike falou – Tem planos para amanhã?
Olhei para ele, agora.
-Vai me chamar para sair? – perguntei.
-Sim – estava sorrindo
Sorri um pouco.
-Esperava ficar em casa para descansar um pouco
Emmett me deu um tapa leve.
-Qual é, Bella! Você passa o dia todo trabalhando, seis dias por semana, e quer passar o domingo dormindo? Sai um pouco. Você precisa de diversão – incentivou.
E precisava mesmo. A palavra diversão parecia bem distante para mim, mas decidi aceitar. Mike era legal, e podia me divertir. Ou pelo menos, era o que eu esperava.
-Tudo bem – dei de ombros – Mas se quiserem que levante em algum momento amanhã, precisamos sair daqui agora. Preciso dar um descanso a esse corpo.
Os homens riram de mim, assentindo. Mike foi para um lado, e Emmett e eu fomos para outro.
Chegamos em casa em dois minutos e fui direto para o banheiro. Tomei um longo banho, e vesti meu pijama do bob esponja. Estava confortável assim. Quando já estava me preparando para dormir, meu celular tocou.
Olhei o identificador de chamadas. Edward. Ótimo.
-Isabella! – falou, e parecia ansioso.
Estava cansada demais para falar qualquer coisa além de um “Edward. Do que precisa?”
-Nada demais. Espero não ter te acordado.
-Não acordou. Mas realmente estou cansada, e preciso acordar cedo amanhã...
Ele parou por um momento.
-Tem planos para amanhã?
-Sim, por quê?
Ele não iria me encher de trabalho ao domingo. Ah, mas não ia mesmo!
-Qual seu plano?
-Edward, o que você quer? – ele estava me irritando. Por que não dizia logo o que queria?
-Neste momento, quero saber o que vai fazer amanhã – ele estava irredutível.
Percebi aquele tom.Ele sugeria ‘vai me contar. Agora’
Sem alternativa, suspirei
-Tenho um encontro, ok? Agora pode me dizer o que quer?
Outra pausa.
-Encontro com quem?- numa voz baixa
-Edward!
-Tudo bem. Não vai nesse encontro amanhã.
-E por que não? – estava cética.
Quem ele pensava que era? Pelo amor de Deus, não podia controlar toda a minha vida!
Já bastava 90% dela.
-Porque tem que trabalhar amanhã.
-Não trabalho aos domingos. — rebati, irritada.
-Mas trabalha ás segundas.
Bufei, revirando os olhos.
-Estarei segura e bem na segunda. Mas no domingo, cuido da minha programação, obrigada.
-Não use esse tom comigo.
-Que tom?
-De que não irá fazer o que estou mandando.
Mandando? Então era uma ordem?
Nunca fiquei tão feliz em não seguir uma ordem na minha vida.
-Ah, bem, seria bom continuar a usar esse tom, porque não irei fazer o que está mandando.
-Sou seu chefe – podia jurar que estava cerrando os braços, a julgar pela sua voz.
Sorri mais largamente.
-Não aos domingos — e, sem esperar resposta, desliguei o telefone.
Meu coração estava acelerado e meu estômago estava cheio de borboletas. Não tinha percebido de como gostava de desafiar o Edward até agora. Ah, era maravilhoso.
Podia adivinhar como ele estava. Na realidade, conhecia-o suficientemente bem para saber que estava arremessando algo contra a parede, os olhos cerrados, praguejando. Devia estar furioso.
E com o pensamento de um chefe mais que furioso na mente, dormi com um sorriso nos lábios.
Acordei antes do que desejava. Algo tocava sem parar, me tirando do meu sono. Olhei no relógio. Oito da manhã. Que porcaria era aquela? Estava planejando acordar ás doze, no mínimo.
-Alô? – falei irritada, sem olhar o identificador.
-Isabella – uma voz fraca, errada, falou.
Era o Edward. Eu tinha certeza. Porém, tive que olhar para a tela e confirmar. Não parecia ele.
-O que é, Edward? – perguntei, rápido.
Jesus, ele era provavelmente a única pessoa que conseguia me irritar ás 8 da manhã.
- Quero que venha até a minha casa. Estou doente – falou a última frase levemente, mansamente, e achei meio fofo.
Com certeza, ele não gostava de ficar doente. E um Edward mal-humorado era tudo o que eu NÃO precisava numa manhã de domingo.
-Olha, Edward,como te disse, não faço expediente aos domingos. Fale com o Tyler – respondi, me levantando.
-Mas ele não sabe quais os remédios sou alérgico. E não tenho paciência para lhe explicar tudo – rebateu, num fio de voz.
Edward falando baixo? Ele deveria estar mesmo doente.
-Edward, eu tenho um encontro hoje – era meu último argumento.
-E eu uma maldita virose – parou, e continuou – A que horas chega? Não demore muito. E traga remédios.
Ele tinha simplesmente decidido que eu iria.
Suspirei, já cansada. Não podia deixá-lo na mão. Não agora. Infelizmente, para mim, eu era a única, além de seu médico, que sabia exatamente todos os seus remédios, tudo o que precisava. E agora ele estava doente.
-O que você está sentindo? – perguntei, derrotada.
Ele estava sorrindo. Tinha certeza.
-Dor de cabeça, vômitos, mal estar. E tem algum monstro no meu estômago me impedindo de me alimentar.
Quase dei risada do seu tom.
-Chego em vinte minutos. Enquanto isso, permaneça deitado – ordenei, desligando.
Mais um dia com Edward Masen. Que sorte a minha.
Tomei um rápido banho e fiz a higiene matinal. Quando saí, Emmett estava sentado á mesa, tomando o café da manhã.
-Em pé ás oito e meia da manhã! Isso sim é um milagre – gritou, rindo.
-Cala a boca – peguei um pedaço de maçã, e o seu suco de laranja, ignorando seu protesto – E não me acordei sozinha. Edward está doente.
-E daí? – ele me olhava fixamente.
Lá vem sermão por aí.
-E daí que vou ter que cuidar dele.
-Bella... – começou cansado, mas me adiantei.
Bebi o seu suco em dois goles, e fui em direção a porta.
-Não me odeie. Não posso recusar quando ele me dá ordens como me deu. Agora, seja bonzinho e diga ao Mike que não poderei sair com ele hoje – pedi,com cara de anjo.
-Ah, não não não. Você está furando, você fala – Emmett se defendeu, levantando as mãos.
-Por favor. Por favor. Por mim- juntei ás mãos, em uma súplica.
Olhou para mim por uns momentos. Fiz a melhor imitação de menina pidona que pude. Ele suspirou derrotado, e falou
-Tudo bem, tudo bem! Sabe que não nego nada a você quando está me fazendo essa carinha fofa.
Sorri vitoriosa, e mandei um beijo no ar para ele junto com um “obrigada” sussurrado.
Fui a farmácia, comprei os remédios do Edward e segui para sua casa.
Quando cheguei,pude ouvi os gritos dele de longe.
-Onde está a Isabella? Quero ser avisado imediatamente quando chegar! – gritava, tossindo.
Aqui vamos nós novamente.
Um Tyler transtornado descia as escadas, tão rápido que eu temia que caísse de lá. Quando me viu, quase desfaleceu de alívio.
-Graças a Deus! Sr Masen está te gritando há horas – começou – O que devo levar-lhe? Alguma bebida?
Sim. Era desse jeitinho que a vida do Edward funcionava. Comigo ditando todas as regras – pelo menos todas as comidas e bebidas que ingeria.
-Faça um sanduíche, e suco de laranja. Ah, e água. Muita água. Por enquanto, só isso – falei, já subindo as escadas.
-Bella? – Tyler me chamou, quando já estava na metade das escadas.
Olhei para baixo.
-Sim?
-Obrigada por vir. Não sei como me viraria sem você aqui para controlá-lo – pensou por um instante- E boa sorte.
Controlá-lo? Eu controlava Edward? Aquilo só podia ser algum tipo de brincadeira. Ele é quem me controlava, confundindo sua vida na minha a todo instante!
Cheguei ao quarto de Edward e ele estava encolhido como uma bola, totalmente enrolado. Estava mais pálido que o normal, com os olhos fechados. Era, na verdade, muito fofo. Sorri um pouco.
-Olá, querido – falei, por instinto, porque era assim que sempre tratava pessoas doentes.
Ele olhou para mim, surpreso, e sorriu debilmente. Depois se encolheu como se estivesse sentindo dor.
-Está doendo muito? – perguntei, me aproximando mais até sentar na cama ao seu lado.
Ele acenou rapidamente, se encolhendo ainda mais. Derreteu meu coração totalmente. Ele estava tão meigo, que nem parecia o Edward durão que era o meu chefe.
Agora parecia um bebê, e os seus cabelos desorganizados reforçavam a minha tese.
-Trouxe seus remédios, querido – falei – Um é em comprimido, e o outro é líquido. Venha, levante-se um pouco para beber eles.
Ele levantou-se com dificuldade, e arfei ao ver que estava sem camisa.
Senti o mundo girar um pouco,depois de perceber que estava prendendo a respiração. Meu deus. Eu tinha que me controlar, pelo menos na frente dele.
-Isabella? – perguntou, esperando.
-Ah! – peguei os remédios rapidamente, e dei o comprimido com uma água ao seu lado para ele.
Bebeu rapidamente.
-Venha, deixe-me ver sua temperatura – pedi, e para minha surpresa, ele obedeceu imediatamente.
Wow.
Toquei nele, e a minha mão ardeu. Primeiro, porque ele estava ardendo. Segundo, porque era a primeira vez que o tocava daquela forma. E era bom.
-Você está com febre. Nada bom. Deixe-me pegar um termômetro – fui me levantando, mas parei quando me puxou para baixo.
Olhei para ele interrogativamente.
-Não vá – falou, baixinho – Peça ao Tyler.
Controle. Era tudo sobre controle. Controle.
Mas como eu poderia me controlar quando seus olhos brilhavam deste jeito? Quando estava sendo fofo deste jeito?
Tremendo um pouco, assenti, e, sem saber o que fazer, peguei o outro remédio.
-É líquido? – perguntou, arregalando os olhos.
-Sim – respondi, enquanto pegava uma colher e despejava o remédio por ali.
-Tem gosto de morango?
Olhei para ele e quase derramei todo o líquido com a força das minhas risadas.
Ele estava brincando, certo?!
-O que? – ri mais uma vez
-Se não for de morango, não quero beber – falou, com um biquinho adorável.
Tive vontade de beijá-lo. Muita vontade.
Controle, Isabella, controle.
-Edward, você tem que beber.
Ele sacudiu a cabeça teimosamente, os cabelos fartos voando de um lado para o outro. Deus, queria tocar aqueles cabelos e puxá-los para mim. E colar nossas bocas.
Controle, merda. Controle.
-Por favor. Por favor. Por mim? – perguntei, tentando com ele a mesma tática que usei com Emmett mais cedo, sem muitas esperanças.
Por isso, fiquei totalmente estupefata quando, com olhos vibrantes e intensos, ele assentiu.
Ainda surpresa, levei á colher a sua boca, e o vi fazer uma careta quando engoliu o líquido. Lindo.
Se eu não começasse a me controlar, iria atirar a minha cabeça na parede.
Mas ele bem que poderia ajudar, não é? Poderia voltar a ser um idiota cretino, que me tirava do sério, ao em vez de estar fazendo biquinho porque um remédio não era de morango. Aquilo derretia o meu coração, e outras partes do meu corpo que preferia não comentar.
Tyler entrou, trazendo o sanduíche, suco, e mais água. Deixou-o sobre a mesa, e olhou para mim.
-Precisa de mais alguma coisa?
-Não, Tyler, obrigada. – sorri, confortadora.
-O que vai ser servido no almoço?
-Arroz, bifes e batatas fritas – falei,categoricamente.
Edward olhou para mim, erguendo uma sobrancelha.
Bem, claro. Um multimilionário não comia arroz, bifes e batatas fritas.
-Você está doente. Precisa de coisas leves – adverti, cerrando os olhos – Não discuta sobre isso comigo.
Surpreendendo-me mais uma vez ele deu de ombros e caiu na cama, parecendo muito cansado.
Tyler saiu da sala.
-Edward, beba um pouco de suco. E coma. – falei, me aproximando.
-Não estou com fome.
-Mas precisa comer – insisti, pegando a bandeja e oferecendo o suco primeiro, sabendo que aceitaria mais fácil.
Bebeu, como previ, mas na hora do sanduíche negou veementemente.
-Por favor. Por mim – tentei de novo minha nova técnica de persuasão.
Ele xingou, e olhou zangado para mim antes de tomar o sanduíche das minhas mãos.
-Você precisa parar com isso – resmungou, antes de começar a comer.
Sorri orgulhosa e me sentindo muito vitoriosa. Ah, como aquilo era bom.
Terminou de comer, e deitou-se novamente.
-Agora descanse, para que o remédio faça efeito – saí da cama lentamente, e ele olhou para mim alarmado.
-Não vá – falou, e a voz soava um pouco desesperada.
Ai meu deus.
Ele podia parar de fazer esse tipo de coisa? Sentia meu estômago revirar a cada vez que me olhava daquele jeito suplicante. Faria qualquer coisa que ele me pedisse, se usasse aquele olhar. Qualquer coisa mesmo.
-Não estarei longe, querido – sorri docemente – Se precisar, estarei bem aqui ao seu lado.
Ele pareceu relaxar visivelmente. Depois fechou os olhos e em alguns instantes, dormiu.
Saí do quarto na ponta do pé. Aquela casa era tão grande que eu achava que podia me perder nela. Tinha tanto quarto, que depois de um mês trabalhando para o dono da casa, ainda não conhecia todos. A cozinha era maior do que o meu apartamento. Sem falar do quarto do Edward. Ali davam dois apartamentos meus.
E não tinha nada a ver com o fato de meu apartamento ser pequeno. Era sobre aquela casa ser grande demais para um homem que morava sozinho.
Claro que tinha a mãe, pai e irmã que o visitavam constantemente – e que ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente, só pelo telefone – mas mesmo assim. Aquilo era demais.
Ou eu era pobre demais para entender a mente multimilionária dele. Não importava.
Desci as escadas e fiquei um tempo conversando com o Tyler.Ele, diferente do que poderiam pensar, não era velho. Era apenas um pouco mais velho do que eu, e era bonito, também. Não entendia por que era mordomo, e não iria perguntar. Talvez gostasse disso. Talvez precisasse, como eu precisava do meu emprego, e ser mordomo fosse a única opção que encontrou. Vai saber.
Sentei-me no sofá, e comecei a ler um livro que tinha trazido. Não tinha percebido que acabei cochilado até uma voz irromper no silêncio.
-Isabella! – a voz do Edward surgiu, um pouco abafada.
Levantei-me do sofá desajeitada e corri até ele, com pressa.
Ele ainda estava na cama, porém mais encolhido que antes.
-O que houve, querido? – perguntei, me aproximando.
Percebi que estava sorrindo um pouco.
-Gosto quando me chama de querido.
Quase morri do coração. Meu deus.
-Que bom, querido. Mas o que está sentindo? – de alguma forma, consegui fazer a minha voz não tremer.
-Dor de cabeça. Bastante. – reclamou, levando uma mão á cabeça. Ainda estava sem camisa.
O olhei, preocupada.
-Não posso te dar nenhum outro remédio. Olhe, vá tomar um banho, vou pedir para ao Tyler te preparar outro suco. Depois precisa deitar um pouco mais.
Ele fez uma careta.
-Não quero deitar de novo.
-Edward, você precisa. – rebati.
-Querido.
Hã?
-O que?
-Querido. Chame-me de querido. – esclareceu, olhando nos meus olhos.
Ah, bem .Me mexi na cama, desconfortável.
-Tudo bem. – dei de ombros – Querido, seu corpo precisa descansar.
Ele sorriu,e assentiu. Saiu da cama, e começou a tirar a calça.
-Edward! – gritei, assustada.
Será que tinha esquecido que eu estava ali?
Ele não ia tirar a roupa na minha frente....Ia?
Me senti quente em todos os lugares certos.
Edward riu.
-Você sabe o número das minhas boxers. Não é nenhuma surpresa para você – falou, dando de ombros, virando-se para mim.
Virando-se para mim só de cueca;.
Arfei, colocando as mãos sobre os olhos.
-Edward! Entre no banheiro, já! – ordenei, envergonhada.
Estava corando. Que ótimo.
Ouvi o som da risada dele novamente, mas logo depois o som de passos e da porta se fechando.
Quando abri os olhos, ele estava na porta, seminu, olhando divertido para mim.
-Bu! – falou, rindo de novo.
Dei um gritinho, e atirei um travesseiro nele, antes de correr para fora do quarto.
Ele estava tentando me matar por combustão. Era esse o seu plano.
-Você está vestido? – perguntei da porta, quando Edward gritou meu nome.
-Estou. Já disse!
-Tem certeza? – não sei se agüentaria vê-lo só de cuecas novamente. Iria desmaiar. Ou agarrá-lo.
-Eu sei quando estou vestindo roupas ou não, Isabella – respondeu, mandão.
Entrei no quarto cuidadosamente, e ao ver que estava com calças e camisa, suspirei aliviada.
-Como está a dor de cabeça? – perguntei, sentando-se ao seu lado e oferecendo o suco.
Ele bebeu rapidamente todo o conteúdo do copo.
-Melhorou um pouco, mas ainda incomoda – respondeu, finalmente.
Ele me entregou o copo, e coloquei na mesa ao meu lado.
Depois me pegou totalmente de surpresa quando deitou a cabeça no meu colo e fechou os olhos.
Meu deus. Meu deus. Meu deus. Eu tinha Edward Masen sendo fofo no meu colo. Pela primeira vez. Estava confusa, desnorteada, maluca. O coração estava acelerado, e o sangue corria tão rápido nas veias que pareciam em uma maratona. Olha o que aquele cara fazia comigo.
Respirei fundo, tentando inutilmente me acalmar, e coloquei as mãos em seu cabelo, finalmente acariciando-os.
Queria fazer isso há tanto tempo, que quando fiz, foi como uma libertação voraz. Era mais que bom. Seus cabelos eram macios, e tinham a textura perfeita. Podia continuar a passar as mãos ali para sempre. Eu, com certeza, não iria me importar.
Continuei a fazer cafuné num Edward totalmente quieto por algum tempo. Não sabia exatamente o quanto. E não queria saber. Para mim, o tempo parecia suspenso no ar, fechando-nos em uma bolha. Tudo fora estava em segundo plano. Tudo dentro era simples, fácil. Só tinha a mim e a ele, e as minhas carícias. Mais nada.
Fechei os olhos, pensando em como queria que aquilo durasse mais. Que aquele Edward durasse mais. Queria que ele fosse assim sempre. Queria que derretesse o meu coração velho como meus livros da forma que estava fazendo no momento – e olha que ele não estava fazendo realmente nada! Nunca havia me sentido daquele jeito antes. Tranqüila. Relaxada. Até.... Feliz.
Não percebi quando meu pedido começou a transformar-se em uma oração.
-Cante para mim – a voz de Edward me surpreendeu, porque como estava tão quieto, pensava que estava dormindo.
Mas estava apenas quieto, aproveitando minhas carícias. O pensamento inflou o meu coração, e preencheu-o de algo que ainda não sabia o que era.
-Quer que cante algo especial? – perguntei.
-Qualquer coisa. Mas tem que ser verdadeiro – respondeu, e se aconchegou melhor de mim.
Meu Deus.
Não sabia cantar muito bem. Não sabia por que estava fazendo aquilo, mas sabia que o faria. Faria tudo por aquele Edward.
When I look into your eyes
It's like watching the night sky
Or a beautiful sunrise
Theres so much they hold
And just like them old stars
I see that you've come so far
To be right where you are
How old is your soul?
Comecei a cantar a primeira música que me veio à mente. Ele sorriu, fechando os olhos novamente.
I won't give up on us
Even if the skies get rough
I'm giving you all my love
I'm still looking up
Fechei os olhos também. Aquele momento era tão bom, tão lindo, que eu merecia um desconto também.
And when you're needing your space
To do some navigating
I'll be here patiently waiting
To see what you find
Não sabia se estava cantando aquela música para ele por algum motivo especial. Só queria cantá-la. E só servia se fosse para ele.
Cause even the stars they burn
Some even fall to the earth
We've got a lot to learn
God knows we're worth it
No I won't give up
Parei de cantar ao perceber que sua respiração estava mais pesada, ritmada. Ele estava dormindo.
Continuei a mexer no seu cabelo, os pensamentos me levando para longe.
Aquele Edward era bom demais para ser verdade. Vi-me rezando para que o outro, o insensível, o cretino, voltasse. Porque se passasse tempo demais com esse aqui poderia muito bem... Apaixonar-me.
Argh. Amor. Aquele estúpido sentimento por qual todos eram obcecados.
Era tão estúpido, tão ridículo, que nunca o tinha experimentado. A não ser, é claro, nos livros. Ainda lá, já o achava idiota. Fazer tudo por uma pessoa? Se entregar a ela totalmente? Era o atrativo perfeito para encrenca. Esqueça a bosta de primeiro amor. Nunca experimentei o amor, e me orgulho disso.
Já tinha tido namorados antes, mas não me apaixonei por eles. Só os beijei.
Mas o Edward... Ele era diferente. Tinha algo de diferente nele e eu não sabia exatamente o que era. Talvez porque tudo nele tinha que ser completo. Sabe, ou você estava com ele totalmente, ou não estava. Esta profundidade, este grau definitivo, talvez me atraísse. E lembrasse os meus romances dos livros.
Olhei para o Edward dormindo. Ele parecia um anjo daquele jeito. Totalmente livre de barreiras, respirando calmamente, num mundo em que não era aquele. Desci as mãos dos seus cabelos, parando nos lábios.
Realmente, realmente, queria beijá-los.
Bem, ele estava dormindo, não estava? Não iria sequer sentir se ela se aproximasse um pouco, só um pouco, só para tocar os seus lábios, sentir o seu sabor..
Edward se remexeu, passando um braço ao meu redor.
Quando percebi o que estava prestes a fazer, cruzei os braços atrás das costas.
Precisava do Edward cretino de volta. Urgente.
Antes que fizesse uma besteira.
Notas finais
Será que posso ter alguma esperança de atingir 50 comentários nesse capítulo? por favor? por favorzinho?
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