Dear Boss

7 But please, catch me.


Notas iniciais
Comentários agora vão ser essenciais. Irão ver por que ):

A palavra que eu mais estava usando ultimamente era cansada.

Eu acordava cansada, trabalhava cansada e dormia cansada. Esse era o meu ciclo. E estava tão rotineiro, tão natural, que me acostumei com isso. Estar cansada era como estar respirando.

-É hoje? – Angela me perguntou, me dando um sorriso simpático.

-Depois de amanhã – corrigi, cansada. Claro.

Era nosso horário de almoço e eu esperava o Edward me interromper para me obrigar a fazer algo. Conversava com a Angela sobre o casamento da irmã do Edward, a Alice, que aconteceria depois de amanhã.

Todos da família estavam loucos por esta data. Eu tinha mantido um contato freqüente com eles por causa disso, mas ainda não os conhecia pessoalmente. O encontro iria acontecer a dois dias, claro. O estresse do evento estava me tirando do sério, mas de alguma forma, também estava acostumada a isso.

Ultimamente estava com uma mania ridícula de me acostumar á coisas que outros considerariam ruins. Mas é isso que acontece quando se trabalha para o Edward Masen Cullen.

Ele, é claro, não tinha nenhuma preocupação especial. Tinha deixado tudo em minhas mãos, o que não era realmente muita coisa. Eu apenas iria treinar alguns passos de dança com ele, que seria o primeiro a dançar com a noiva após o noivo, Jasper, escolher seu terno e cuidar da parte fotográfica.

Graças a Deus ele não tinha me incumbido de fazer um discurso.

A boa notícia era que a Alice estava mais estressada que todos da família, e estava deixando o Edward louco junto. E quando digo louco, quero dizer que estava descontando todas as suas frustrações em seus funcionários. O Edward idiota estava de volta. O que me deixava livre de riscos de envolvimentos extracurriculares.

-Ele parece estar muito estressado. Nem imagino como você está agüentando – Angela comentou, dando um riso conspirador.

-Isabella! – a voz de Edward chamou, interrompendo meu horário de descanso como sempre.

Levantei-me, rindo baixo.

-Nem eu – murmurei, andando até a sua sala.

Entrei em seu escritório e ele estava em pé, andando de um lado para o outro. Virou-se para mim no exato instante em que pisei na sala.

-Irá a minha casa hoje – ordenou, sem rodeios.

-Quer que ensaiemos a dança? – perguntei, mas já sabia da resposta. Eu o tinha alertado para isso.

Ele suspirou longamente, parecendo resignado... Mas muito estressado.

-Alice me estrangularia se não fizesse o que quer. Então acho melhor me livrar de tudo rápido – explicou.

Eu ri imediatamente.

Ele se livrar de tudo?

-O que é? – perguntou, sentando-se novamente.

-Ah, qual é – brinquei, revirando os olhos.

-O que é? – falou mais baixo, mais vibrante. Cerrando os olhos. Mandando, não pedindo.

Suspirei.

-Você não tem exatamente do que se livrar, Edward. Eu venho fazendo tudo, não é? É só dançar uma dança estúpida – dei de ombros.

Ele olhou para mim por um momento, parecendo pensar no assunto.

-É verdade – pensou, e completou – Mas não quero dançar.

Olhei-o incrédula. Como um ser humano poderia não querer dançar na festa de casamento da irmã?

Pelo amor de Deus!

-Por que está fazendo essa cara?

-Porque não achava humanamente possível um irmão não querer dançar no casamento da irmã – expliquei, ainda surpresa.

Ele riu abertamente, jogando a cabeça para trás. Não pude deixar de notar quanto ficava lindo descontraído. Ele deveria fazer aquilo mais vezes.

-Bem, então talvez não seja humano. Talvez seja uma espécie de super herói – falou, olhando para o seu notebook, provavelmente voltando a trabalhar.

-Ou o vilão – murmurei baixinho, antes de deixar a sala, balançando a cabeça.

Pelo riso escandaloso que se seguiu após isso, pude adivinhar que ele tinha ouvido a minha última frase.

E concordava com ela.

Doente.

Nunca antes eu tinha sentido tanto medo de uma palavra. Emmett estava doente. Eu estava em pânico. Chamem duas ambulâncias.

A minha preocupação com o Emmett estava acima dos limites permitidos pela sanidade. Ele estava muito pálido, deitado com dores, e se recusava a comer. A preocupação era noventa por cento devido á última parte. Emmett sempre estava com fome.

Como se a situação não pudesse ser mais desesperadora, hoje tinha que ir á casa do Edward. Não podia faltar. Não porque fosse um dia especial (o que era), mas porque Edward não tolerava furos. Sob hipótese nenhuma.

Estava divida entre perder o emprego e deixar o Emmett sozinho.

Olhei para o Emmett enrolado, mas sabia antes disso qual era a minha decisão. Faria tudo por ele. Inclusive perder o emprego.

O pensamento me fez querer gritar, chutar as paredes e praguejar até que minhas cordas vocais parassem de funcionar. Não entendi bem a minha reação. Deixar o emprego era o que eu mais queria. Livrar-me daquela rotina, me livrar da vida do meu chefe, me livrar do...Edward.

Uma dor que queimou minha pele como ácido me atingiu, e eu arquejei, surpresa.

Coloquei as mãos sobre o coração, preocupada. Que diabos estava acontecendo? Será que eu estava ficando doente também?

O telefone começou a tocar no exato instante em que começava a pensar em ir ao hospital, e quando o peguei, quase tive um infarto. Iria ao hospital mais cedo do que o esperado.

-Oi, Edward

-Onde você está? Está 2 minutos atrasada – simples e direto. Bem típico dele.

Limpei a garganta três vezes, me preparando.

-Edward. Eu...Hmm...Eu não poderei ir – despejei, e prendi a respiração, esperando sua reação.

O telefone ficou mudo por tanto tempo, que tive de olhar a tela para ter certeza que ainda tinha alguém na linha.

-O que aconteceu? – uma voz na outra linha falou, finalmente.

-O que? – ele não tinha gritado comigo?

-Você não faltaria um compromisso ao menos que algo sério estivesse acontecendo. O que houve?

Meus olhos arregalaram-se sem vergonha.

Ele me conhecia tão bem ao ponto de saber que eu odiava furos? Como? Eu era a sei-tudo-da-sua-vida, não ele.

-E então? Isabella? – insistiu.

-O Emmett. Ele está doente, muito doente, e não posso deixá-lo sozinho – soltei a respiração – Edward, me desculpe, me sentiria a pior pessoa do mundo se o deixasse. Mesmo se fosse com você, seria uma inútil, porque minha cabeça estaria aqui se perguntando se ele estaria bem, se tinha comido...

Ele me interrompeu, parecendo impaciente.

-Tudo bem, Isabella, mas como vai ser? Alice não aceitará um não – perguntou, rápido.

Quase sorri. Era claro que ele não estava interessado na saúde do Emmett. Queria saber como resolveria aquela situação, e precisava de mim para isso.

Precisava de mim para tudo.

-Tá. Vou ligar para a Jessica, e ela treinará com você. – falei, porque sabia que Jessica aceitaria no ato. Ela era louca para conhecer a casa do Edward.

Ela era louca pelo Edward e fim.

Pensar nela dançando com ele, levando em consideração seus sentimentos por ele, fez-me ter vontade de cancelar tudo e voltar ao plano original, comigo como a companheira.

Doente. Estava ficando doente. Não, estava completamente doente por sequer pensar em deixar o Emmett sozinho por...

Por que?

-Não, não. Isabella, a Jessica não sabe de nada. E seria um ensaio geral, lembra-se? Com as roupas. Com tudo. Você sabe de tudo. Isabella, tudo tem que ser perfeito.. – quando ele começou a tagarelar, o interrompi, antes que surtasse.

- Vou explicar tudo o que tem que ser feito para a Jessica, em detalhes. Não se preocupe.

Ele não pareceu se convencer.

-Isabella. Escute-me bem. Hoje é o dia de folga do Tyler. Ele deixou tudo pronto aqui, mas não tenho certeza se posso administrar isso. Então, esperava que o fizesse. Por isso a queria aqui – falou, extremamente irritado, e ouvi um xingamento no final.

Tentei me concentrar na última parte, mas só ouvi o “Tyler está de folga”. Ele estava de folga.

Em nenhum dos dias em que trabalhei para ele, e já fazia um mês e meio, tinha tido um dia de folga. A única coisa que me confortava, por mais egoísta que parecesse, era o Tyler. Ele também nunca tinha tido nenhum dia livre, pelo que me contou.

Mas agora isso tinha mudado.

-O Tyler está de folga? – perguntei novamente, para ver se tinha ouvido direito.

-Sim. Isabella, ouviu o que eu disse antes?

Estava com raiva. Muita raiva.

-Porque Tyler pode ter folga, mas eu não? – não iria desistir daquela conversa tão fácil. Trabalhava como uma condenada, e merecia folga. Pelo menos um dia. Uma hora,até. Mas folga.

-Porque eu quero que ele tenha folga, mas você não. – respondeu friamente.

Ele estava mal humorado, agora.

Eu, há muito tempo. Estamos empatados, queridinho.

-Edward, quero uma folga. – pedi, e a voz soou certa. Profissional. Concreta. Distante.

-Não. – Profissional. Concreta. Definitiva. A voz dele soava irredutível.

Mas eu não estava desistindo.

-Por que não?

-Porque acabou de furar um encontro que tínhamos!

Sabia que ele não estava falando de nada romântico, então não me importei.

-E você acabou de dizer que entendia! Edward, não me engane. Quero uma folga.

-E eu quero fazer o último ensaio com a minha secretária para que possa descansar sem que a minha irmã me encha o saco a cada dois minutos – gritou- Mas parece que não podemos ter tudo o que queremos. Então aceite que não te darei folga nenhuma, e voltemos ao assunto original.

Quase joguei o celular no chão. Em vez disso, tapei-o com a mão e dei um grito de frustração, totalmente irritada. Sabia que não teria folga em nenhum futuro próximo, mas por algum motivo idiota queria ter essa discussão com ele. Queria sentir aquilo que senti quando ganhei dele em uma discussão.

Mas tinha perdido. E continuava irritada.

-Edward, tenho certeza que Tyler te deixou tudo pronto. O que pode acontecer de pior? – falei finalmente, esmagando o telefone no ouvido. Só queria desligar aquilo logo.

-Um incêndio, por exemplo? Você ainda não me viu em uma cozinha – rebateu, muito sincero.

Ri, porque a imagem do Edward numa cozinha era extremamente cômica. Sim, provavelmente ele queimaria a casa inteira. Diabos, ele queimaria a rua inteira se chegasse a um raio de um metro e meio de um fogão.

-Tudo bem. Aqui está o que você vai fazer. Irá ensaiar com a Jessica e se precisar desesperadamente falar comigo, me mande uma mensagem com a palavra urgente. – orientei – Edward, só fale isso se for extremamente urgente. Iria desligar o celular, porque não quero incomodar o Emmett nem nada, mas vou deixar ligado por você. Certo?

-Certo –concordou, mas parecia inseguro.

-Edward?

-Sim?

-Vai dar tudo certo. Relaxe – tentei tranqüilizá-lo.

Suspirou. Uma, duas, três vezes. E depois falou:

-Sim. Provavelmente é só o nervosismo da minha irmã passando para mim.

E desligou.

Enquanto ia para a cozinha preparar algo para o Emmett, liguei para a Jessica, pedindo para dançar com o Edward. Ela aceitou antes de eu terminar de falar. Cerrei os dentes em irritação, apesar de não saber exatamente o porquê. Queria estrangulá-la, mas ela estava apenas fazendo um favor para mim.

Que droga. Peguei na minha nuca, garantindo que não estava com febre. Não. Devia ser só o estresse.

Passei na farmácia, o que não demorou nem 15 minutos, e fiz suco e um sanduíche enorme para o Emmett.

-Hey – falei, entrando no quarto.

Ele estava encolhido, e me lembrou um Edward doente. Sorri sem perceber e meu peito se contraiu. Saudades. Droga.

Não respondeu, mas acenou a cabeça me mostrando que tinha percebido a minha presença. Ele odiava ficar doente. O Edward também, mas o Emmett era diferente. A situação de impotência o enlouquecia de muitas maneiras. Emmett era homem de movimento, ação, vida. Ficar parado sentindo dor não combinava nada com ele.

-Venha, trouxe alguns remédios para você, querido – falei querido cuidadosamente, porque me lembrou do Edward de novo. – Aqui, vai passar logo.

Ele pegou os remédios, ainda sem dizer nada.

-Vai beber e comer, e posso lutar com você por isso – sorri debilmente – Com você doente, posso até ganhar.

Ele riu, mas o som era apenas um sussurro.

-Esse é o único jeito de ganhar de mim em uma luta. Talvez nem assim. – rebateu, mas pegou o suco que eu tinha feito e bebeu em alguns goles.

Depois comeu, e apontou para a cama. Deitei sem hesitar, e ele pousou a cabeça em minha barriga.

-Senti saudades de ficar assim com você. Não tem tido muito tempo para mim. Agora, todo o seu tempo está naquele Edward – resmungou, e a voz tinha ciúmes claros. Ri um pouco. Ele resmungou de novo – Não é engraçado que só tenha tempo para mim quando estou doente. Devia se envergonhar.

Passei a mão nos seus cabelos.

-Eu sei, querido, mas... – o meu telefone vibrou, e franzi a testa. Peguei-o com dificuldade porque o Emett era enorme, e estava em cima de mim.

Quando vi o “Urgente” do Edward, quase caí da cama. Levantei-me rapidamente, ligando para ele imediatamente. Será que tinha conseguido incendiar a rua em tão pouco tempo?

Não duvidava nada.

-Tudo bem, esqueça o que eu disse. Nem comigo doente você se desconecta do seu chefe – Emmett reclamou, mas não me importei.

Todos os meus pensamentos estavam no Edward. O que tinha acontecido?

-Isabella?! – ele atendeu no segundo toque, parecendo um pouco preocupado.

Um pouco. Então ele não tinha incendiado a rua. Talvez apenas a casa.

Pelo menos ele estava bem.

-O que aconteceu? – perguntei logo, a voz repleta de preocupação.

Será que a Jessica estava bem?

-O que você quer dizer com “legumes secos”? Eu tenho esperar eles secarem? E por que como legumes? Não gosto de legumes! – perguntou rápido, como acontecia quando estava nervoso demais.

Parei por um momento,perplexa.

Ele tinha me mandado uma mensagem. Mensagem escrito “urgente”. Que tínhamos combinado que falaria quando algo desse muito errado.

Mas na verdade, ele só estava em dúvida se teria que secar os legumes, porque falei em legumes secos!

Comecei a rir histericamente, tanto que lágrimas começaram a sair dos meus olhos. Era um misto de sentimentos. Tinha ficado preocupada desesperadamente pelo Edward sem perceber e o alívio era sufocante. Na verdade, era assustador de tão forte. Mas a incredulidade era igualmente potente naquele momento.

-Edward! Isso não é uma urgência! – falei, quando consegui parar de rir.

-Claro que é! Como vou comer uma coisa que não sei o que é? – perguntou, chateado.

-Você faz isso o tempo todo. E eu que escrevi sua refeição, lembra? Como sempre faço.

-Mas como seco os legumes? Tem alguma máquina responsável por isso?

Ri de novo, sem acreditar. Meu deus, aquele homem era inacreditável.

-Só coloque eles no microondas, Edward. – sugeri, porque achei que seria mais difícil de ele causar um acidente usando o microondas.

-O microondas seca? Achei que apenas esquentasse – o tom de confusão dele era verdadeiro. Assustadoramente verdadeiro.

RI histericamente mais uma vez.

-Edward, faça o que eu digo. – falei, um pouco alto, antes de voltar a rir.

-Quando não faço isso? – e desligou.

Sempre?

Balançando a cabeça, me virei novamente para o Emmett, que me olhava surpreso, mas sorrindo.

-O que? – perguntei, voltando ao seu lado.

Ele me abraçou, e pôs a cabeça na minha barriga novamente.

-Nada. Só estava com saudades do som da sua risada – explicou, e ainda estava sorrindo.

Comecei a acariciar seus cabelos.

-Ora, não está tão mal assim.

Ele se mexeu de forma que olhasse nos meus olhos.

-Está mal assim, sim – seu olhar era sério – Você não está vivendo, Bella, o que têm me deixado muito preocupado. É a primeira a chegar à empresa e a última a sair. Faz tudo daquele Edward. Suspeito que se ele passar um dia inteiro sem você, e os domingos não contam porque você prepara tudo para quando não está, ele não saberia o que fazer. Porque faz tudo por ele.

Abri a boca, mas não respondi nada. Porque ele não estava falando mentira nenhuma.

-Então, Bella, por favor, não me faça pensar que está vivendo por ele, e cuide um pouco de si – continuou, ainda extremamente sério, algo não muito comum no Emmett – Por favor.

Sorri tranqüilizadora, apesar de não estar certa de poder prometê-lo aquilo.

Afinal de contas, Edward não tinha me concedido a merda da folga.

-O que você sugere? Uma noite num SPA? – brinquei, sorrindo para tentar trazer a suavidade dele de volta.

Para meu alívio, ele sorriu de volta.

-Talvez uma saída com o Mike? – sugeriu, voltando a deitar na minha barriga.

-Tudo bem – assenti imediatamente.

Apesar de não estar com nenhuma vontade de sair com o Mike, concordei porque queria tranqüilizar o Emmett. Ninguém teria que se preocupar sobre minha falta de vida agora. Só eu mesma.

Meu telefone vibrou de novo, e o Emmett olhou feio para mim.

Olhei para a mensagem e agora o urgente estava em letras maiúsculas gritantes. Mas que diabos? Quanto tempo atrás ele tinha me ligado, dez minutos?

Lancei um olhar de desculpas ao Emmett e liguei para o Edward.

-O que é? – perguntei logo.

-Acho que a comida derreteu. – a voz do Edward estava histérica.

Pelo amor de deus!

-O que?

-Tyler colocou uma mensagem para colocar a comida quatro minutos no microondas, se fosse usá-lo. Então fiz o que ele pediu – a voz dele tornava-se mais alta a medida que conta a história – Mas já passou quatro minutos e a comida continua lá!

Joguei a minha cabeça para trás, exasperada. Massageei minhas têmporas, ainda sem acreditar no que estava acontecendo.

-Edward, precisamos ter uma conversa séria sobre sua definição de urgência. – comecei, a voz cansada – Vamos falar sobre isso agora.

-Você acha que uma comida desaparecida não é uma urgência? – perguntou, e a voz era inocente.

Ele não estava brincando. Ainda estava decidindo se aquilo era ruim ou bom.

-Urgente: quando o caso envolve incêndio, armas, mortes, gritos, assaltos ou seriais killers – defini, ignorando sua pergunta.

- Isso é ridículo. Meus seguranças nunca deixariam que nada disso acontecesse – rebateu.

-Mas era disso que eu estava me referindo quando falei sobre o “urgente”.

-E quanto á comida? – ele não ia desistir. Claro que não.

-Abra o microondas. Tire a droga da comida de lá. E só me ligue de novo se a casa estiver pegando fogo – desliguei, sem pena.

Eu podia ser demitida, então. Não estava ligando. Não naquele momento.

-Chefe ruim? – Emmett perguntou, sem levantar a cabeça.

-Não vamos falar dele. Durma um pouco – comecei a cantarolar, tentando esquecer de Edward, incêndios e urgências. Precisava fazer isso. Ia fazer isso.

Emmett não demorou a dormir. Quando o senti mais pesado acima de mim, totalmente relaxado vinte e cinco minutos depois, me afastei, porque precisava me alimentar. Estava morrendo de fome.

O telefone vibrou. Quase o joguei na parede. Pela segunda vez no dia.

-Isabella, sei que disse para não te ligar a não ser que a casa estivesse em chamas... – Edward começou, mas o interrompi.

-E está?

-Não.

-Então por que está me ligando? – perguntei enquanto segurava o celular cuidadosamente para que não caísse acidentalmente no chão e se quebrasse em partes tão pequenas que ninguém nunca pudesse consertar.

-Bem, é por que..- o interrompi pela segunda vez.

-Venha para a minha casa, Edward – fiquei surpresa com o tom de ordem que a minha voz soou.

Conseqüências de se conviver muito com Edward Masen: você começava a ficar mandona.

-O que?

-Venha para cá. Vou te alimentar e dançaremos, já que não pode fazer isso em sua casa – expliquei.

-Como sabe que não dancei com a Jessica?

Bebi outro copo de água, antes de falar.

-Levando em consideração o fato de você não parar de falar comigo a cada dez minutos, pensei que não estava ensaiando. Porque estava mandando mensagem para mim.

Sabia que ele estava sorrindo do outro lado da linha. Sentia isso.

-Bem, sim. Jessica é uma chata. Quase a demiti. Ela não conseguia dar dois passos sem tropeçar no meu pé. Acho que algo estava desconcentrando-a – ele falou, e senti de novo que estava dando de ombros.

Eu sabia bem o que estava distraindo ela. Mas não ia falar, claro.

-Bem, então venha. Até mais, Edward.

Ele desligou o telefone, e comi algo que tinha trazido de um ótimo restaurante perto de casa. Quando me senti satisfeita, fui até o quarto do Emmett, para ver se estava tudo bem. Ele ainda estava dormindo. Ótimo.

Voltei a sala, sentei no sofá e assisti um pouco de TV. Me dei conta que não fazia aquilo há um tempo. Um mês e meio exatamente. Sorri, irônica. Por que será?

Batidas na porta me distraíram, e fui abrir rapidamente.

-Olá – Edward falou, e me olhou longamente, da cabeça aos pés. Corei imediatamente – Indo dormir?

O que?

Ah! Merda. Tinha esquecido de trocar de roupa, e agora estava aqui com camisola de bob esponja na frente do meu chefe. Realmente, muito séria.

-Está tarde. Não me culpe – resmunguei, entrando em casa e me escondendo dos seus olhos.

-Não estou fazendo isso – ele me seguiu, e a porta foi fechada.

Pensei em entrar no quarto e trocar do roupa, mas a idéia de Edward sozinho do meu apartamento me deixava em pânico. E se o Emmett acordasse? Ia ser uma merda total.

Então fiquei ali, olhando-o enquanto ele olhava a minha casa calmamente. Deveria estar achando horrível, porque comparada a sua, realmente era.

-Incomodado? – perguntei, porque estava curiosa.

-Por que estaria? – parou sua minuciosa análise do meu apartamento e lançou seus olhos diretamente para mim.

Precisei de um minuto inteiro para conseguir falar de novo.

-Não sei – dei de ombros – Seu apartamento é dez mil vezes maior. Deve estar achando tudo ruim demais.

Ele arqueou uma sobrancelha.

-Deve ser uma das poucas vezes que está errada sobre algo em mim – parou, e continuou – A primeira vez.

-Estou? – eu estava surpresa.

Ele andou lentamente até mim, chegando muito perto. Perto demais. Seus olhos estavam nos meus, o seu verde refletindo no meu castanho. Esqueci como se respira por um instante.

-Está – olhava no fundo dos meus olhos – Achei a sua casa muito aconchegante. Mais do que imagina.

Não respondi.

Não fiz nada.

Não porque eu não quisesse porque oh, eu queria. Queria me afastar dois passos, e permitir que meus pulmões puxassem oxigênio para meu corpo. Mas naquele instante, com ele tão perto, os olhos esmeralda tão penetrantes, me sentia presa. Enrolada. Como se estivesse amarrada a ele tão forte que não pudesse sequer me mover. Agora eu entendia porque o Emmett odiava tanto se sentir impotente.

-Vamos dançar? – Edward perguntou, me tirando do meu torpor, e se afastando dois passos, para se preparar.

Aliviada, soltei o ar dos pulmões, voltando a respirar.

Olhei para ele por mais um momento. Parecia muito relaxado, e usava uma calça jeans e blusa que custava mais do que três vezes o meu salário. Eu tinha escolhido, obviamente.

E ele estava lindo, obviamente.

Apontei para a mesa que tinha um prato, sorrindo um pouco.

-Que tal comermos antes?

Ele assentiu, e sentou-se na mesa como se já tivesse ido lá milhares de vezes. Olhou a comida, e depois olhou para mim.

-Como você secou os legumes? – perguntou e parecia muito curioso.

Comecei a rir enquanto sentava na sua frente. Ele tinha mesmo me perguntado aquilo?

-Por que está rindo? – perguntou, mas não parecia irritado. Só curioso.

-Porque você está demonstrando um sinistro interesse por cozinha. Está me deixando assustada, Edward Masen – brinquei, pegando batatinhas e comendo, ainda rindo um pouco.

Ele me acompanhou no riso, mas não falou nada. Olhou para mim por um momento pensativo e apesar de querer perguntar o que estava pensando, me detive. Comi os Pringles calmamente, tentando manter a boca calada.

-Você está muito descontraída hoje. Rindo – mordeu o lábio, pensando se deveria ou não falar algo, mas continuou – Tem uma ótima risada. Deveria rir mais.

Olhei para ele, para ter certeza que não estava brincando. Quando vi que falava totalmente a sério, respondi.

-Costumava rir bastante. Há um mês e meio – olhei-o intensamente, para fazê-lo entender do que eu estava falando. Vi que se contraiu como se recebesse um chute na barriga – Bem, menos ás segundas. Sempre fui mal humorada ás segundas.

Ele sorriu, mas parecia afetado.

-Nos conhecemos numa segunda – falou, e me surpreendi que ele lembrasse.

Sim. Aquela segunda.

Eu ri.

-Foi um dia terrível – dei de ombros, e ri de novo.

Ele se deteve a um sorriso.

-Bem, coma – pedi – ou vou achar que acha a minha comida ruim.

-Está envenenada? – brincou, sorrindo mais verdadeiramente.

Prendi a respiração de novo.

-Não te vejo sorrir com freqüência, também. Deveria fazer mais isso. – falei, sendo mais que atrevida, e mordendo a boca logo em seguida. Que coisa idiota de se dizer.

Mas ele sorriu bastante agora, e eu quase fechei os olhos. Meu deus, a visão daquele homem sorrindo humilhava todos os outros homens do planeta.

-Então, faremos um trato. Você ri e eu sorrio – e começou a comer.

Sem reação, fiquei ali sentada, olhando-o comer. Aquele sentado na minha frente, com um sorriso brincalhão nos lábios, não era o Edward cretino. Era o Edward doente. Sem estar doente. Oh, aquilo podia se complicar mais rápido do que a minha capacidade de controlar a situação.

Ele acabou de comer rápido, parecendo satisfeito, e levantou.

Ofereceu a mão para mim, e eu a peguei relutante. Quando levantei os olhos, ele me fitava seriamente.

-Sei que não sou o mais fácil dos chefes – começou, e eu senti muita dificuldade em me concentrar. Não culpava a Jessica por não conseguir – Mas também tenho meus momentos bons.

E me puxou para mais perto, andando alguns passos.

Dançar. Não era acostumada a isso, porque a dança era o inimigo natural dos descoordenados. Mas achava fantástico quando pessoas que tinha habilidade para aquilo começavam a mover os pés.

Então fiquei muito surpresa quando comecei a me mover como se soubesse algo sobre dança. O que era uma mentira total. Maravilhada, percebi que era o Edward. Ele dançava como um mestre, e suas mãos fortes e passos coordenados não me permitiam errar nenhuma vez.

-Pensei que não soubesse dançar – interroguei-o, olhando nos seus olhos e me arrependendo no ato. Lindo demais para minha sanidade.

-Disse que não queria dançar, não que não sabia – explicou, sorrindo.

Sorriso, olhos, proximidade. Perigosos ingredientes.

Eu tinha implorado o Edward cretino, porque com ele eu tinha certo controle. Podia me manter afastada, sem precisar prender a respiração a cada vez que se aproximava. Mas aquele na minha frente, delicado, suave, não estava nos meus planos. O meu peito inchando-se e inflando-se, dando boas vindas a algum sentimento desconhecido não estava nos meus planos. Aquela sensação na barriga de algo novo chegando não estava nos planos. A vertigem, os arrepios, a vontade de nunca mais parar de dançar....Nada disso estava nos meus planos.

-Você está se saindo muito bem, Isabella – ele falou, olhando nos meus olhos, para garantir que eu tinha entendido a que se referia.

Ali estava. O elogio por qual tinha implorado. O verde brilhante. A proximidade. Ali estavam.

Fechei os olhos com força.

Ele é o meu chefe. O meu chefe. O meu chefe. O meu chefe. O meu chefe. Tentei repetir isso o máximo que pude, tentando me agarrar a algo sólido como meu emprego para me manter sã, em pé.

Mas quando ele se aproximou ainda mais, se abaixando o suficiente para cantar as notas de I won’t give up do Jason Mraz, a mesma música que eu tinha cantado para ele quando estava doente, algo despertou dentro de mim. De dentro para fora, foi incendiando pré-requisitos, conceitos pré-concebidos e tudo o que pensei saber sobre a vida. O fogo alastrou-se, mas eu estava impotente. O efeito Edward estava ali, e eu não pude me mexer e nem impedir o que eu sentia vindo, mas não entendia. Apesar de não poder fazer nada, pude ver o que fazia. Destruía, mas construía também.Contrua algo que eu não compreendia. Enquanto tudo acontecia eu tentava, desesperada, descobrir o que era aquilo, mas falhava. Miseravelmente.

Edward puxou o meu queixo para cima, obrigando-me a olhar nos seus olhos novamente.

O fogo atingiu o chão, abrindo uma cratera sob os meus pés.

Senti-me caindo. Direto nos braços dele.

Notas finais
Então gente, cheguei numa situação meio que crítica. Sou naturalmente preguiçosa, mas agora chegou a um ponto absoluto. Estou....Bem, desmotivada a escrever, e só postei tudo isso porque já estava escrito e salvo, sabe? Sei lá, acho que a fic não está tendo a recepção que eu esperava, e minha cabeça está em uma outra história -de drama- que estou com MUITA vontade de escrever. Então, isso está basicamente dependendo de vocês. Se a repercussão desse post/história for algo grande, acho que continuarei a escrever, por vocês. Se não acontecer....Bom. Bem.