Dear Boss
13 Destiny's a bitch
Tenho certeza que deve haver uma lei que decreta que se algo começar a dar errado, todo o resto segue o fluxo infeliz. E então tudo desmorona e quebra-se em pedaços, até que a única coisa que lhe resta é a ferida aberta.
O nome da lei deve ser lei da minha vida.
Enquanto eu observava mais um dia passar sem melhora no estado de saúde do meu pai, pensei que merda tudo aquilo era. Tudo, exatamente tudo, sem exageros. A dor nas costas. A insônia. A espera. O fedor de hospital que pinicava o meu nariz. A vida.
O Edward.
O pensamento foi como uma bala atravessando diretamente o meu peito, e tive que me encolher para evitar cair nos meus joelhos. Quando a minha respiração começou a falhar, soube que tinha que estabilizar a minha mente antes que ela destruísse o meu corpo.
Exatamente nesse momento, lembrei da forma que ele me olhou, a dor em seus olhos, a hesitação quando o pedi aquelas três palavras simples e definitivas. Não sei de onde veio o meu pedido. Naquele momento eu estava tão quebrada, tão desesperada, que algumas coisas simplesmente fluíam através de mim sem permissão. O meu amor por ele estando no topo da lista. E então eu só precisava ouvir. Ouvir aquilo de volta. Ouvir em retorno todo o amor que eu derramava sobre ele.
Àquela altura, eu não sabia que aquilo era mais do que um pedido.
Agora, eu soube que era mais do que uma necessidade.
Respirei fundo, tentando estabilizar o meu emocional e olhei fixamente para o Charlie. Ele parecia sereno em seu sono. Completamente diferente da sua filha, porque eu estava um completo caos.
–Volte para mim. Por favor... Eu só preciso de você – sussurrei, acariciando as suas bochechas.
–Você roubou a minha frase – uma voz falou atrás de mim.
Não virei porque eu reconheceria essa voz em qualquer lugar, à qualquer tempo. Fechei os olhos em agonia, mas descobri que aquilo era uma má ideia. O silêncio dele, a sua recusa em dizer o que eu precisava ouvir encheu a minha retina no momento que a escuridão invadiu-me.
Abri os olhos e, como esperado, ele estava bem na minha frente.
–O que você quer Edward? – perguntei rapidamente, e ele pareceu vacilar com a inflexão da minha voz. Semicerrou os olhos antes de falar.
–Nós precisamos conversar.
Quando ele não desviou o olhar e nem se mexeu, soube que aquilo era uma discussão perdida. Ele não vacilaria até conseguir o que queria. Além do mais, por mais doloroso que fosse, eu precisava enfrentar o que viria a seguir.
Covardia nunca fora uma das minhas características.
–Vamos para fora por uns momentos – falei, e passei na sua frente sem hesitar.
Ele começou a falar no momento que eu estava desacelerando o passo, a alguns centímetros da sala de visitas.
–Eu sinto muito. Muito, muito mesmo.
–Pelo que você sente muito? – perguntei.
A minha voz ainda não tinha emoção. Eu parecia uma morta. E a julgar pelas minhas roupas amassadas, a minha aparência também deveria estar morta.
–Bella...
Quando o meu sobrenome saiu de sua boca, o meu corpo contraiu-se inteiro, em uma dor que me tirou o fôlego. Eu vi tudo acontecendo, como flashes na minha mente. Cada cena era pura agonia e, se aquilo não era uma tortura, eu não sabia mais o que era.
O futuro era uma agonia.
–Bella? Você está bem?
–O que você veio me dizer, Edward? – interrompi, ainda contorcida em dor.
–Eu...
–Você mudou a sua mente?
–O que você quer dizer? – os seus olhos estavam desesperados. Ele também via o que eu acabara de ver.
–Eu acho que você entendeu.
–Bella, você precisa entender...
–Entender o que, Edward? O que eu preciso entender? – a minha voz beirava a histeria, e eu quase levantei as mãos para cima em oração. Por favor, Deus, por favor...
–Eu...Eu sou quebrado, Bella – ele começou, falando cautelosamente – Havia uma namorada e...E ela me enganou. Eu entreguei-me totalmente e ela partiu-me ao meio. O que você quer ouvir está simplesmente fora dos meus limites. Não é uma opção. Eu sinto muito.
Eu percebi que ele estava falando a verdade. Percebi que aquilo era algo fora do seu controle. Ele não podia evitar...Tampouco conseguiria falar. Eu percebi, e eu o desculpava.
Não há como lutar contra o destino.
–Edward...Eu nunca fui boa em quebra cabeças.
Enquanto as minhas palavras eram assimiladas por ele, vi todas as emoções passarem em seqüência pelo seu rosto. Primeiro a confusão. Depois a raiva, a dor, a mágoa. E então todos esses sentimentos misturaram-se até que eu não sabia onde um começava e o outro terminava.
–NÃO! Não! Bella! O que você está dizendo? – ele gritou, encurtando o espaço entre nós e apertando os meus dois braços.
–Eu não consigo lidar com mais peças quebradas, Edward. Simplesmente... Não dá. Eu sinto muito. – falei e senti as lágrimas nos meus olhos. O meu choro pareceu enlouquecê-lo.
–Pare com isso! Eu não estou pedindo para você juntar os meus pedaços! Eu só preciso que você lide com eles! É o seu trabalho!
Comecei a tossir, e percebi que era porque as palavras estavam presas na garganta. Lutando para sair.
–Eu me demito – minha voz era um sussurro, um sopro, mas, naquele momento, foi como uma avalanche. Edward arregalou os olhos e deu dois passos para trás, atordoado demais para conseguir falar.
–Eu sinto muito por muitas coisas. Mais do que posso lidar. Sinto muito por sua namorada. Mas sinto mais ainda por nós. Ela te quebrou de alguma forma, mas você não vê? Você também fez isso comigo. E, Edward, eu já tenho pedaços soltos o suficiente.
Edward parecia atônito, sem saber como reagir. Os olhos eram um reflexo do meu e ambos pareciam um retrato da dor genuína. Cada segundo que eu permanecia ali, sentia o chão abaixo de mim ceder e tremeluzir. Olhei para baixo, mas não parecia que estava acontecendo um terremoto.
Quando olhei nos olhos do Edward novamente... Soube que o meu chão estava fincado nas suas iris verdes, ao invés dos ladrilhos abaixo de mim.
–Eu te amo – falei por fim, porque era verdade. Ontem, hoje, amanhã, eu o amaria. Mesmo se ele não pudesse falar de volta... Eu o amaria. Meu amor era auto-suficiente. Por isso, eu sempre seria dele.
Eu queria sair dali, deixá-lo sozinho mas, por algum motivo, não consegui mover os pés. Sequer conseguia senti-los. Então permaneci olhando para frente, ouvindo. Um ruído começou a soar, mas não consegui identificá-lo. Parecia um “boom”...Um tambor, talvez? Não. Menos grave que isso. Um gemido?
E logo após uma gota em queda livre.
–Edward? – perguntei, perplexa, a visão do seu olhar úmido balançando todo o meu mundo.
Mas que diabos...?
–Senhorita Bella! O seu pai! Ele está acordado! – uma enfermeira gritou, correndo até mim com um sorriso no rosto.
Olhei para o rosto da enfermeira e não consegui recordar o seu nome. Provavelmente, não teria recordado o meu se ela não tivesse dito. Tudo parecia estar balançando, girando, mudando. O mundo parecia outro. Não parecia que eu estava a Terra. Mas sim em algum outro planeta, porque só assim Edward Masen Cullen estaria chorando na minha frente, parecendo destruído e sem palavras.
Virei o rosto para ele e percebi que aquele era o equilíbrio da vida. Ele era o ying e o meu pai era o yang. Um equilibrava o outro, e a balança nunca pendia apenas para um lado. Não há como eu manter os dois em um mesmo parâmetro.
Eu havia perdido o Edward. Mas a vida tinha me devolvido o meu pai.
O destino era mesmo uma vadia.
Fale com o autor