Dean e May

18 Confusão


Notas iniciais
E enfim, mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem!

Pov. May

Abri meus olhos torcendo pra que tudo tivesse sido apenas um pesadelo muito ruim, mas, infelizmente, não era. Em instantes, todas as memórias da noite anterior vieram como uma avalanche, sentia como se uma parte de mim tivesse ido embora junto com a Catarina e agora tivesse sobrado apenas... um vazio. Às vezes parecia como se nada tivesse acontecido, que se eu fosse até a casa dela, ela estaria lá, sentada na poltrona, tricotando mais alguma coisa que ela com certeza não precisava, só para aliviar a ansiedade. Era muito difícil conseguir encarar que na realidade, nada disso era verdade e ela tinha ido embora pra sempre.

Eu não a conhecia há tanto tempo assim, na verdade antes de receber aquela carta através do Charles eu não fazia ideia de quem era ela, mesmo que ela conhecesse minha família há anos. Foi uma surpresa descobrir que tínhamos tanta coisa em comum, eu sentia que podia falar com ela sobre qualquer coisa que ela escutaria atentamente e depois me daria algum conselho que resolveria tudo, como se ela já tivesse passado por cada uma das situações que eu ainda estava passando.

Não é como se eu nunca tivesse perdido ninguém, na verdade minha avó por parte de mãe (que foi a única avó que cheguei a conhecer) faleceu quando eu ainda era criança, eu a amava tanto, ela quem cuidava de mim quando meus pais estavam fora (o que desde sempre foi frequente) e quando ela se foi... bom, eu não lembro de tanta coisa de quando eu tinha 5 anos, mas essa é uma memória que eu nunca poderia esquecer. E agora era como se tudo se repetisse, como se novamente eu estivesse perdendo alguém que amo e que, verdadeiramente, se importava comigo, parecia que bastava eu me apegar a alguém, para em seguida perder.

Desde sempre soube que não poderia me apegar aos meus pais, porque eu sabia que logo eles iriam embora e levariam uma parte de mim toda vez que fossem. Eu aprendi a não me importar tanto ou pelo menos pensei que tinha aprendido. A diferença é que nunca pensei que poderia perder a Catarina, por mais que ela já fosse uma senhora de idade, ela sempre foi tão cheia de energia que eu nunca poderia imaginar que, na verdade, ela estava enfrentando a maior batalha da vida dela e que eu teria que aproveitar todo momento com ela como se fosse o último.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo som de alguém batendo na porta. Em seguida, ouvi a voz da tia Lucy me chamando pra ir tomar café. Eu saí do quarto, cabisbaixa, depois olhei pra ela e senti meus olhos encherem de lágrimas novamente. Ela me abraçou e eu a abracei de volta com força. Então me senti um pouco melhor, por saber que eu não estava sozinha e que diferente dos meus pais, a tia Lucy nunca me abandonaria, mesmo que não tivéssemos nenhum vínculo familiar, eu sabia que ela sempre estaria ao meu lado.

Depois de mais um momento de choro, nós descemos e eu tomei o café da manhã. Diferente de outras vezes, esse foi muito mais melancólico, todos estavam com uma cara péssima (especialmente eu), percebi que o Dean olhava pra mim de vez em quando, provavelmente com pena de mim e da minha cara inchada. Lembrei do que tinha dito a ele ontem e me senti um pouco mal, talvez eu tenha exagerado e apenas descontado nele tudo que eu estava sentido no momento, mas eu não tive como controlar. De qualquer forma, não é como se fizesse alguma diferença, era fato que nossa amizade já era e que eu tinha que aceitar isso, assim como eu disse ontem que tinha feito.

Não tive muito tempo pra continuar vagando pelos meus pensamentos, terminei rapidamente meu café e subi para me arrumar, em poucos minutos teríamos que sair para o funeral da Catarina. E eu tinha que estar preparada para vê-la pela última vez... meus olhos voltaram a se encher de lágrimas outra vez, enquanto eu escolhia o vestido com o qual iria, enxuguei as lágrimas, terminei de me vestir, desci as escadas e fui em direção a saída, pois a tia Lucy já estava me esperando no carro. Entrei no carro e sentei no banco do passageiro, olhei para trás e me surpreendi ao ver o Dean sentado no banco de trás, vestindo um terno preto.

— Você vai? — eu perguntei, ainda com a voz embargada do choro de pouco tempo atrás. Ele balançou a cabeça em afirmação, seus olhos pareciam tristes. Eu senti um nó na minha garganta se formar novamente, voltei a olhar pra frente e logo já estávamos no cemitério. Prometi a mim mesma que iria tentar ser forte e eu realmente achava que conseguiria, mas quando cheguei lá e vi toda a família da Catarina aos prantos, eu desabei. Quando encontrei o Charles, eu já estava me afogando em lágrimas, tentei falar palavras de conforto, mas tudo que eu dizia se perdia em meio aos soluços, ele que acabou me consolando, era incrível como ele conseguia ser tão forte.

Depois finalmente conheci o George, a Louise e a Anna que são os filhos da Catarina e do Charles. Ontem no hospital cheguei a vê-los, mas estavam tão abalados que nem chegamos a nos falar. Me lembrei de como a Catarina sempre falou com carinho deles e fiquei muito feliz ao ver que ela não exagerava nada no que dizia, todos eram muito gentis e atenciosos. Conheci também os netos dela que eram todos muito fofos e apesar da situação me senti um pouco melhor em saber que a Catarina era rodeada de uma família tão maravilhosa.

O resto do funeral foi... doloroso. Quando eu disse que iria tentar ser forte eu não fazia ideia de como estava realmente me sentindo. Mal conseguia escutar o que o padre estava dizendo porque minha cabeça já doía de tanto que tinha chorado, minha visão estava embaçada com as lágrimas que cobriam meus olhos, especialmente no momento em que o caixão começou a descer e eu senti como se aquele fosse o último adeus. Estava quase chegando ao fim do enterro quando pudemos jogar flores sobre o caixão e a flor que a própria Catarina tinha escolhido para esse momento foi a margarida, pois eram as flores favoritas dela. Quando chegou a minha hora de jogar a flor, fechei os olhos e disse em pensamento:

— Catarina, muito obrigada por tudo, por cada momento em que você me tranquilizou diante de qualquer situação, por todos os ensinamentos sobre as flores e sobre a vida, e por cada um dos momentos que compartilhamos. Nunca vou te esquecer e espero que, onde quer que esteja, você esteja feliz, pois você merece isso mais do que ninguém. — as lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto, abri os olhos, joguei a flor e finalmente, pude dizer adeus.

Não demorou muito para que o funeral acabasse, mas um bom tempo depois ainda continuamos lá. Aos poucos as pessoas iam embora, logo só eu, a tia Lucy, o Dean e a família da Catarina estávamos. Charles nos convidou para almoçar com eles e nós aceitamos, eles foram caminhando em direção ao carro que estava um pouco longe.

— Vamos, May? — tia Lucy me chamou, pois eu ainda não tinha saído do lado do túmulo. Sentia que precisaria de mais alguns minutos, então disse a ela pra ir na frente que logo eu a acompanharia. Ela assentiu e seguiu para a saída do cemitério.

Enquanto isso, eu continuava olhando para o túmulo e já sentia meus olhos se encherem de lágrimas novamente. Eu não aguentava mais chorar, mas não conseguia controlar a dor que estava sentindo. Afundei o rosto nas minhas mãos e tentei respirar fundo, até que senti alguém me envolver em um abraço apertado, tirei as mãos do rosto, olhei um pouco para o lado e vi os cabelos ruivos que tanto conhecia. O abracei de volta com mais força do que ele tinha me abraçado, como eu tinha sentido falta desse abraço. Respirei fundo novamente pra tentar segurar as lágrimas que insistiam em continuar caindo e senti o perfume dele, aí eu desabei, por tudo que eu estava sentindo e senti durante todos esses meses, pela saudade que tinha sentido e por não saber o que fazer com esse sentimento que estava fazendo meu coração bater a 1000 por hora só porque ele estava me abraçando.

Ele afagou meu cabelo e fez menção de separar do abraço, eu resisti um pouco, mas logo me separei e percebi como eu tinha deixado o paletó dele molhado com minhas lágrimas.

— Desculpa por ter encharcado seu paletó — eu disse com a voz anasalada por causa do choro. Ele riu.

— Não tem problema — ele secou uma lágrima que descia pelo meu rosto — Na verdade, por tudo que fiz você passar nesses últimos meses eu merecia coisa muito pior do que uma poça de lágrimas no meu paletó. — eu ri, sem muito humor, afinal ele realmente tinha me feito sofrer nos últimos tempos.

— Mas, falando sério, May. Eu tinha que te falar que eu não aguento mais ficar longe de você, eu sei que eu fui um idiota, que eu mesmo concordei da gente deixar de ser amigo, mas isso com certeza não é o que eu quero. — ele disse, gesticulando excessivamente e eu senti meus batimentos acelerarem ainda mais. — Eu... quero que a gente volte a ser como antes, que a gente possa conversar sobre tudo a qualquer hora, que eu não tenha que ficar segurando a minha vontade de comentar algo com você, — então ele também passava por isso? — que a gente possa voltar a jogar video game junto, andar de bike, jogar basquete e até, sei lá... estudar, porque até estudar com você consegue ser divertido.

Decifrar minha expressão no momento devia estar sendo um desafio, porque por mais que eu me sentisse feliz, ao invés de reagir sorrindo como qualquer pessoa normal, eu comecei a chorar de novo, só que dessa vez era de felicidade, na verdade uma mistura de felicidade e alívio, por saber que eu não era a única que estava sofrendo com nosso afastamento. Ele pareceu não entender muito bem que meu choro era de felicidade, pois pareceu ficar mais aflito.

— Não chora, May. E-eu sei que fui o pior amigo do mundo por não ter confiado em você quando precisou de mim, mas é que foi situação muito maluca e eu estava em uma posição difícil. Sabe, eu acredito em você, se você disse que a Sue te empurrou então, eu acredito. Mas eu ainda não consigo pensar que ela fez aquilo de propósito, May... eu gosto dela e por mais que ela seja bem maluquinha às vezes e impulsiva, eu não acho que ela seja má. Eu espero de verdade que não e... ah, me desculpa eu só devo estar piorando as coisas. — ele disse colocando a mão no rosto.

— Não — dessa vez eu consegui sorrir, segurei a mão que ele tinha colocado no rosto pra que ele olhasse pra mim. Por mais que me doesse ouvir ele dizer que gostava dela, eu podia ver que ele realmente se preocupava e eu não podia culpa-lo por se sentir assim, era uma situação complicada mesmo, até eu por vezes me questionava se ela realmente tinha a intenção de me empurrar. — Não piorou não, sabe... eu também fui muito extrema nessa situação, exigi que você escolhesse um lado, sendo que não tinha necessidade. Fico feliz que acredite em mim, mas tudo bem acreditar que ela não fez de propósito, até porque nem eu tenho acreditado mais nisso. E... eu também tava morrendo de saudades — eu disse, dando um grande sorriso e o abraçando em seguida. Não podia nem descrever o alívio que estava sentindo em poder ter meu melhor amigo de volta, mesmo que pra mim ele já não fosse só um amigo. Eu sabia que algum dia isso ia passar e de agora em diante eu ia apenas, esquecer isso. Eu tinha meu amigo de volta e isso já era um passo pra preencher o vazio que eu estava sentindo, certo?

Pov. Dean

Ver ela naquele estado partiu meu coração. Há muito tempo não a via tão triste assim e eu não sabia o que fazer, nem sei se tinha o que fazer já que agora ela, provavelmente, me odiava. Quando vi que ela estava finalmente sozinha, resolvi ir falar com ela, mas não imaginava que ela ia desabar em lágrimas antes que eu pudesse chegar perto. Ela não parava de chorar e como eu não fazia ideia do que dizer para consola-la eu, simplesmente, a abracei. Assim como sempre fiz quando éramos crianças, mas esse foi diferente. A diferença é que eu nunca estive tão nervoso das outras vezes, minhas mãos estavam suando e meu coração estava acelerado, provavelmente porque eu estava morrendo de medo de ela não aceitar minhas desculpas.

Quando percebi que ela tinha retribuído o abraço fiquei tão feliz. Era um ótimo sinal, talvez eu não estivesse tão encrencado como imaginava. Mas aí ela começou a chorar muito de novo e eu não fazia ideia do que mais poderia fazer, das outras vezes eu simplesmente a abraçava e ela parava de chorar, comecei a ficar um pouco mais nervoso, não sabia se o abraço tinha ajudado ou piorado, se eu estar ali piorava ou melhorava a situação. Então, vi que eu precisava agir, eu sabia que alguma hora eu tinha que enfrentar meu medo, afastei o abraço para poder olha-la nos olhos e pedir desculpas. Ela pediu desculpas por ter molhado meu paletó, mas eu disse a ela que eu merecia algo muito pior do que isso, ela sorriu sem muita vontade, seu rosto estava bem inchado, mas ela continuava bonita.

Comecei meu pedido de perdão e meu estômago embrulhou com toda a apreensão de saber se eu teria sucesso. Não tinha jogo de basquete que me deixasse mais nervoso do que eu estava no momento. Acho que tudo que falei só acabou piorando a situação, porque ela começou a chorar de novo, então me desesperei e comecei a falar tudo do modo mais enrolado possível. Pelo visto, isso seria um desastre, ao terminar coloquei a mão no rosto, estava acabado, tinha dado tudo errado.

Bom, pelo menos era o que eu pensava, mas para minha surpresa ela tirou a minha mão do meu rosto e daí eu vi que ela estava sorrindo! Talvez nem tudo tivesse sido um desastre ou só ela que era boa demais. A segunda opção é bem mais fácil de ser a verdadeira, conhecendo a May. Por fim, ela me perdoou! E eu não podia ter ficado mais feliz, ela me abraçou e meu coração voltou a a acelerar, acho que por causa da euforia do momento.

Logo depois seguimos para a casa do Charles para o almoço e apesar da tristeza da ocasião, tudo foi bem leve. A família deles era bem legal e até me emocionei um pouco quando o Charles contou sobre como ele e a Catarina se conheceram (por sorte, ninguém viu). Os dias que se seguiram foram bem tranquilos, agora que eu e a May tínhamos voltado a ser amigos tudo era mais divertido. Ela parecia mais triste, mas isso era esperado, afinal ela ainda estava de luto. Mas tentei fazer ela se animar um pouco, voltamos a nossas competições de video game e a assistir filmes e séries até tarde, ela sempre sabia escolher os melhores pra gente assistir. Um dia ela colocou matrix pra gente assistir e eu nunca imaginaria que aquele filme podia ser tão bom, apesar de eu não entendido várias coisas que depois a May me explicou. Depois decidimos assistir o restante da trilogia, mas, como era muito tarde, ela acabou cochilando.

Subi as escadas pra pegar um cobertor, voltei pra sala e a cobri. Percebi que a franja dela estava caindo sobre os olhos e, por experiência própria, eu sabia que isso podia incomodar, então tentei colocar atrás da orelha dela e quando fiz isso, sorri ao ver como ela parecia serena e... bonita. Meu coração voltou a acelerar e isso não fazia o menor sentido já que eu não podia estar mais relaxado, pelo menos era o que eu pensava até perceber que minhas mãos estavam um pouco suadas. Ok, isso era estranho, decidi desligar o filme e ir dormir.

Os próximos dias e até meses foram recheados de momentos estranhos como esse, talvez eu estivesse com medo que eu acabasse fazendo algo para estragar nossa amizade de novo, essa era a única explicação plausível, né? Tá eu não sou tão burro assim, eu sei que esse tipo de sensação é o que a gente sente quando tá... apaixonado. Mas, no meu caso isso não faz o menor sentido, afinal é a May! Fala sério, ela cresceu comigo, é quase como se fosse da família. Definitivamente, não tem sentido. Além disso, eu nunca me senti assim antes, se fosse paixão deveria ser o mesmo que sinto pela Susan. Afinal, a gente tá junto, eu devo ter me apaixonado por ela, certo? Tá eu mesmo posso responder essa, claro que sim! E o que sinto pela Sue, definitivamente não é o que sinto pela May, então tá tudo bem... tudo bem.

O tempo passou rápido e logo já fazia quase um ano desde toda aquela confusão da May sendo empurrada na piscina, então a Sue queria fazer alguma coisa pra se redimir. O aniversário de 14 anos dela estava se aproximando e como sempre seria a maior festa que a cidade já presenciou, pelo menos isso era o que estava escrito nos convites que ela fez questão de entregar pra todos os amigos dela e para a May. Fiquei surpreso ao vê-la parar a May antes que ela saísse da sala e entregar o convite.

— Meg, eu queria te entregar esse convite. Eu sei que você ainda não deve ter me perdoado por causa da todo aquela coisa no aniversário do Dean, mas eu queria que esse convite pudesse fazer você mudar de ideia — ela disse, sorrindo. May parecia bastante surpresa, deu um sorriso sem muita vontade, agradeceu, pegou o convite e saiu. Ainda estava preocupado com a May, ela parecia diferente. Eu sei, todo mundo muda um pouco com o tempo, inclusive eu também tenho mudado bastante esses últimos tempos, mas ela parece mais deprimida. Não importava o que eu fizesse, nada parecia ajudar. Sue interrompeu meus pensamentos pra voltar a falar sobre como o vestido de aniversário dela estava perfeito e sobre como todo mundo não vai parar de falar das festas pelos próximos 100 anos. Eu sorri, mas a verdade é que eu não estava muito interessado no assunto.

Nos últimos tempos, me questionei bastante sobre o quanto gosto da Sue e porque eu continuava com ela. Não tinha nada a ver com todo aquele papo de paixão, mas estar com ela não estava me fazendo feliz e não sei até que ponto estava fazendo a ela também. Eu sentia como se ela sentisse que estar comigo a todo momento fosse uma obrigação, sem contar que nunca a vi se interessar por qualquer coisa que eu dissesse. Talvez a verdade fosse que a gente continua junto por ter se acostumado com isso. Eu sentia que devia terminar, porque continuar só iria fazer com que nós dois sofrêssemos mais, mas ela estava tão feliz com a festa de aniversário, que eu não podia estragar. Prometi a mim mesmo que assim que a festa passasse eu ia terminar com ela e torcia pra que fosse do modo mais amigável possível, porque não queria que ela ficasse magoada.

Logo o dia do aniversário chegou e meu queixo caiu quando entrei na casa da Sue e vi a decoração da festa. A mansão em que a Sue morava por si só já era de surpreender qualquer um, mas como já tinha vindo aqui antes, até que já estava mais acostumado, mas quando entrei pela porta da frente e vi que tinha uma torre Eiffel enorme no meio do salão, fiquei bem surpreso. Como era possível perceber, o tema da festa era Paris e todos estavam muito bem vestidos. Dava pra perceber que além dos meus amigos da escola, tinham muitos adultos (bem chiques) na festa, provavelmente eram os amigos ricaços dos pais da Sue que estavam sentados nas mesas espalhadas pelo salão, conversando.

Não demorou muito para que a Sue me visse e me arrastasse por todo canto para tirar fotos com ela. Me apresentou pra todos como o namorado dela que não vinha de nenhuma família influente, mas que, futuramente, seria um jogador de basquete muito famoso. Não sei se ela achou que isso iria me deixar feliz, mas falar que minha família não é "influente" não é o melhor jeito de elogiar alguém. Mas, ela não precisaria se preocupar porque em breve ela poderia encontrar um namorado muito melhor e muito mais influente do que eu.

Acabei encontrando o Rich na festa e eu fui mostrar a casa da Sue pra ele. A reação dele foi idêntica a minha quando entrei aqui pela primeira vez, era surreal mesmo. Cada vez mais convidados chegavam e a única pessoa que eu ainda não tinha encontrado era May, pensei se ela tinha desistido de vir, mas como tínhamos conversado um pouco antes de eu sair de casa e ela tinha confirmado que viria, então imaginei que ela só tivesse se atrasado. Voltei ao salão principal. Procurei a Sue, mas ela parecia não estar em lugar algum, perguntei a um dos meus colegas do basquete e ele disse que a última vez que ele a tinha visto, ela estava conversando com o Bomba.

Decidi voltar pra pista de dança e ver se conseguia encontrar o Rich, mas isso parecia tarefa impossível no momento, porque o DJ resolveu tocar uma música muito famosa e de repente todo mundo resolveu ir pra o meio da pista de dança. Estava difícil de enxergar um palmo a frente, todos ficavam se esbarrando e eu só queria sair do meio daquele mar de gente. Enquanto tentava me desvencilhar das pessoas, acabei esbarrando em alguém um pouco mais baixo do que eu.

— Desculpa — eu disse e olhei para a pessoa que, para a minha surpresa, era... a May. Só que ela estava diferente, muito diferente. Um diferente bom. Ah, a quem eu quero enganar, ela estava linda! E eu não sei porque isso foi muito mais difícil de dizer do que as várias outras vezes que eu disse que ela era bonita. Porque afinal ela é, sempre foi, mas hoje ela estava muito bonita. Pela primeira vez em muitos anos, ela estava de cabelo solto e só aí percebi como seu cabelo tinha crescido, estava no meio das costas. Sorri ao constatar que ela estava vestindo um vestido lilás, é a cor favorita dela, é claro que ela iria escolher um vestido lilás. Ela até estava usando maquiagem e isso só destacava os olhos dela, que eu nunca tinha percebido antes, mas eram ,definitivamente, os olhos mais lindos que já vi na vida. Percebi que eu devia estar há muito tempo só olhando pra ela, porque quando voltei à terra e comecei a ouvir a música alta ao nosso redor, ouvi também um:

— DEAN! — ela gritou, eu balancei a cabeça saindo do transe — O que deu em você? Eu já te chamei umas cinco vezes. — ela perguntou com a sobrancelha franzida, eu comecei a tentar raciocinar o que iria responder, até que um cara esbarrou com força nela e nem pediu desculpas. Isso fez com que eu sentisse muita raiva.

— Ei! Olha por onde anda — eu falei empurrando o cara que tinha esbarrado nela. Quando ele se virou eu me arrependi no mesmo momento, quem tinha esbarrado nela era o Samuel, simplesmente o valentão do 9º ano que tinha quase o dobro do meu tamanho. Não pude nem pensar muito antes de ser socado no rosto e cair no chão. Senti uma dor aguda abaixo do meu olho esquerdo e minha visão estava um pouco atordoada, mas vi a multidão em volta se afastar e a May se abaixar para segurar meu rosto.

— Dean! Você tá bem?! — ela disse, aflita. Seu rosto estava tão próximo que cheguei a pensar que ter tomado esse soco na cara não tinha sido tão ruim assim. Mas o que que eu tava pensando? Balancei a cabeça de novo pra ver se eu tomava algum juízo, mas parecia que eu estava hipnotizado. E eu tinha certeza que tinha sido pelos olhos dela. ?????? Enquanto, eu estava passando por uma batalha mental, a May continuava preocupada. — Dean?! — ela perguntou de novo me dando alguns tapinhas no rosto. Ótima maneira de tratar alguém que tinha acabado de levar um soco, mas já que eu não estava reagindo ela, certamente, não sabia o que fazer. Resolvi reagir, tentei me levantar e ela me ajudou. Olhei em volta e éramos o centro das atenções, então eu, impulsivamente, segurei a mão dela e a levei até outra parte mais escondida do salão.

— Ufa, talvez agora eles voltem a dançar e esqueçam esse mico. — eu disse soltando a mão dela e percebi que minha mão estava super suada. Super charmoso, Dean. Olhei pra ela que estava parecendo um pouco surpresa e, de repente, preocupada. Ela se aproximou de mim, colocou a mão no lado esquerdo do meu rosto, meu coração acelerou e aí eu senti arder. — Ai — fiz uma careta.

— Dean, sua bochecha esquerda tá cortada. — ela disse olhando preocupada e mostrando um pouco de sangue que tinha na mão que ela tinha tocado no meu rosto. — Eu vou tentar encontrar alguma coisa pra cuidar disso, já volto. — ela disse e eu assenti, porque sabia que quando ela colocava algo na cabeça, não tinha como convence-la do contrário. Não demorou muito pra que ela voltasse com uma caixa de curativos.

— Olha eu não costumo elogiar a Susan, nem nada que tenha a ver com ela, mas as pessoas que organizaram essa festa com certeza estavam muito preparadas. Eu só pedi um curativo e eles me deram uma caixa — ela disse sorrindo. E eu sorri de volta. Ela chegou mais perto e abriu o curativo. — Posso? — ela perguntou e eu tomei um susto. Eu sei que pra qualquer um ficaria bem claro a que ela se referiu com essa pergunta, mas pra um idiota que estava completamente hipnotizado por uma garota que estava assim tão perto de seu rosto, era difícil discernir o sentido dessa pergunta. Bom, pra qualquer uma das perguntas a resposta seria sim, então eu apenas balancei a cabeça em afirmação. Ela colocou o curativo em cima do corte e em momento algum olhou pra mim, eu, por outro lado, não parei de olhar pra ela em nenhum momento.

— Tá, agora você pode me explicar que loucura foi aquela na pista de dança? — ela perguntei parecendo um pouco brava e eu engoli em seco. Não tinha como eu responder essa pergunta, se nem eu sabia a resposta. — Você tem que controlar esse temperamento, ele só esbarrou em mim, provavelmente nem foi de propósito. Bom, de qualquer forma, obrigada. — ela sorriu e olhou pra mim, mas logo desviou o olhar.

— E o Samuel? O que aconteceu com ele? Quando eu levantei ele não estava mais lá. — eu perguntei e ela começou a rir. Eu comecei a rir também, mesmo sem saber ao certo porquê.

— Digamos que agora ele nunca mais vai esbarrar em mim sem pedir desculpas — ela fez uma cara travessa e eu franzi as sobrancelhas sem entender muito bem — Eu dei um chute que ele nunca vai esquecer — eu fiz cara de surpresa e gargalhei, finalmente entendendo o que ela quis dizer. Não acredito que a May tinha chutado o Samuel bem naquele lugar e na frente de todo mundo, por mim! Depois de rirmos por um tempo, começou a tocar uma música bem legal, então decidi chama-la pra dançar, afinal não era nada demais, sempre fazíamos isso nas festas. A música tinha uma batida bem contagiante e nos divertimos bastante, a pista continuava cheia de gente.

De repente, uma música lenta começou a tocar, todos a nossa volta começaram a dançar, bem juntos. Nós nos olhamos, incertos do que faríamos. Decidimos dançar, afinal o que tinha de mal em dançar uma música lenta, né? Pra mim nada, mas pra meu coração parecia ser grande coisa, já que no momento em que ela se aproximou de mim, ele acelerou tanto quanto carro de fórmula 1. Torci para que ela não percebesse como minhas mãos tremiam quando eu a toquei. Estávamos à uma distância considerável, assim era mais fácil raciocinar, enquanto eu continuasse evitando olhá-la nos olhos. Isso se tornou impossível quando mais pessoas resolveram dançar e o espaço era tão pouco que logo, fomos empurrados um contra o outro.

Tentei olhar pra ela, mas percebi que nossos rostos estavam a centímetros de distância, meu rosto esquentou e eu me desesperei. Olhei para os casais ao nosso lado, todos dançavam como se estivessem abraçados. Isso, talvez assim fosse mais fácil, copiei e a abracei, ela pareceu não saber muito o que fazer.

— É só... c-colocar suas mãos em volta do meu pescoço — falei, completamente vermelho. Então ela assim fez e voltamos a dançar, assim como todos estavam fazendo. Mas porque todo mundo parecia tão tranquilo e eu parecia estar prestes a explodir? Então, me recordei do que tinha pensado há um tempo atrás, será que... eu estava realmente apaixonado pela May?! O pensamento me fez começar a suar mais do que o normal, me afastei dela rapidamente.

— May, eu... preciso ir procurar a Sue. Ela deve estar me procurando. Depois a gente se fala, tá? — eu disse e fui pra algum lugar que eu nem sabia onde. Só precisava sair de lá. E talvez eu realmente devesse procurar a Sue, afinal ela é minha namorada, mesmo que pra mim já não pareça isso. Enquanto caminhava, eu tentava assimilar o que tinha percebido há pouco. E agora eu tinha a resposta para a pergunta que tinha feito, sim, eu estava completamente apaixonado pela May.

Pov. May

Quando estávamos na casa do Charles e ele nos contou a história de como ele e a Catarina se conheceram, eu vi o Dean chorar! Sério! O Dean chorou escutando uma história de amor. Pensei em rir dele, mas tinha sido tão fofo que preferi guardar essa memória só pra mim.

Notas finais
E aíi? O que acharaaam? Espero que tenham gostado! Queria dizer a vocês que estamos na reta final da história!!! Finalmente, os próximos capítulos serão os últimos e estou suuuper ansiosa pra postá-los! Não esqueçam de deixar tuuuudo o que acharam desse capítulo nos comentários, mal posso esperar para lê-los! Até o próximo capítulooo :D