Notas iniciais
Seus lindos estou reescrevendo essa fanfic, e estou recebendo a ajuda na betagem da minha amiga Belle Lorage. Bem -vindos de volta!

Domingo, para Steve Stark-Rogers, era o dia perfeito para fazer duas das suas coisas favoritas: faxina e almoço em família. Como fora lhe ensinado há muito tempo por sua, já falecida, mãe, cuidar da casa é uma atividade engrandecedora. Assim como também lhe ensinou que um bom homem deveria sempre acordar junto com o galo, melhor ainda ser for antes dele. Esses dois ensinamentos faziam com que o loiro tornasse o domingo de seu marido Anthony Stark-Rogers, Tony, e de seu filho, adotivo Peter, um pesadelo matutino. Steve queria sempre servir o almoço ao meio-dia em ponto – mais tardando até a uma da tarde – logo a faxina tinha que começar cedo também, no máximo às oito da manhã.

Apesar de a cobertura ser grande – quase um hectare e um completo exagero para os padrões o capitão, que vinha de uma família simples – e contasse com vários empregados, tinha que admitir que não gostava de deixar que eles arrumassem tudo. Ia contra sua natureza deixar que outros suprissem o que sua autonomia podia prover. Se podia pelo menos limpar e arrumar alguns cômodos de vez em quando, principalmente os de uso mais pessoal como o quarto que dividia com seu marido ou o quarto do filho, assim como os banheiros, cozinha e até mesmo a oficina de seu marido e seu quarto de artes; então estava satisfeito.

O mesmo não podia ser dito pelos homens de sua vida.

Eles ganharam um respaldo de sua mania de limpeza por causa de uma viagem a trabalho. Steve tinha ficado algumas semanas longe de casa e os meninos, sem limpar. Mas agora estava de volta e logo queria voltar a sua rotina doméstica. Não se sentiria em casa de novo, com sua família e amigos até o fazer. As missões sempre o deixavam um pouco desestabilizado e… por que não dizer? Até mesmo um pouco carente. Tinha voltado no sábado para Nova York e ainda não vira sua família. Deveria ter voltado para casa no mesmo dia, mas tivera que dormir na base para poder passar os relatórios para seu superior, o general Fury.

E Deus sabia que o homem poderia fazer o jus ao seu nome quando não era obedecido.

Mas o que importava era que estava em casa agora e tudo estava pronto para retomar o rumo. Apesar do baque do retorno sem boas-vindas, não se deixou impactar. Começariam a semana bem. Assim, o capitão modelo da S.H.I.E.L.D., depois de ter feito um café da manhã digno da realeza – com direito a omelete, bacon, torrada, frutas, suco de laranja, geleia de morango, manteiga de amendoim, café no melhor estilo gourmet com noz-moscada, canela e cacau, além de leite bem quente e achocolatado –, se apressou para chamar seus dois amados “preguiçosos”.

Foi primeiro ao quarto do filho, pois sabia que Tony seria uma tarefa muito mais árdua no quesito acordar do que o adolescente. Entrou no quarto do filho, vagarosamente, andando pé ante pé até a janela enquanto o pequeno casulo que Peter formava dormia sereno. Abriu a cortina junto ao blackout, pouco a pouco, para que o seu “pequeno” não acordasse no susto. Mas ao se virar, levou um susto ao ver que quarto de seu filho que estava uma bagunça! Bem, bagunça seria um apelido, na verdade. Tinham pacotes de biscoitos, latas de refrigerante e energético, embalagens de chocolate, uma caixa de pizza esquecida em cima da escrivaninha… Era tanta coisa que nem mesmo conseguiu identificar tudo.

‒ Peter Benjamin Parker Stark-Rogers!! – O loiro as vezes se arrependia de ter sido convencido por seu marido em deixar o nome do filho tão grande. Era um “nome de príncipe” segundo o filantropo. Mas também era excelente para constatar o quão desgostoso estava pelo estado do quarto.

‒ Quando um átomo sofre um decaimento alfa, o seu número atômico diminui duas unidades e o seu número de massa diminui quatro unidades! ‒ O jovem exclamou a gravada frase de maneira alta e abrupta ao levantar sua cabeça do livro de Química Nuclear do colégio. ‒ Aaah… Oi, pai… ‒ Disse, se desmanchando de volta na cama. Tivera um sonho tão esquisito! Bocejou, de maneira preguiçosa e sonolenta, para então se espreguiçar e se sentar na cama, olhando em volta demorando a entender o que dera em seu papaizinho para chamá-lo por seu nome completo.

De supetão, seu cérebro clicou e voltou a passar os olhos pelo cômodo – Oh não – Choramingou e voltou a olhar para seu pai, que mantinha os braços cruzados e seu pé batia contra a tábua corrida banca. ‒ Eeer… Desculpa pai… Eu passei o dia estudando… ‒ Sabia muito bem como o pai era asseado e seu quarto era uma afronta direta ao loiro.

‒ Humph… Passou o dia… né? Essa bagunça é de, pelo menos, uma semana. Não minta para mim. ‒ Peter corou de maneira rápida e forte, logo abaixando a cabeça e fixando seus olhos em seu colo, onde suas mãos repousavam, completamente envergonhado por ter sido pego em uma mentira.

Steve expirou, incomodado, e descruzando os braços do peito. Pelo menos ele se arrependia, pensou com um bufar. Não. Peter era um bom menino. Sabia disso em seu coração. Seus olhos correram sobre a escrivaninha onde anotações e mais anotações com razões e contas que ele até tinha medo de olhar a fundo lhe encaravam de volta. Não que fosse burro, mas sua área era mais voltada à estratégia militar, armas e por mais estranho que pudesse parecer, artes plásticas. Seus talentos apenas não incluíam química. ‒ Pelo menos, estava estudando. ‒ Relaxou a postura por completo, sentando-se ao lado do adolescente para fazer um leve carinho em seus cabelos castanhos. ‒ Mas não se force muito, Petey, ou ficará doente. Principalmente porque, quando eu viajo, eu sei que você e papai não comem direito. — Implicou, cutucando o lado de seu filhote – Além de ter certeza de que apesar de você estar estudando, deve também ter passado dias e mais dias jogando online. E o seu pai! Ah, esse deve ter passado madrugadas trabalhando em algo. ‒ Disse visivelmente exasperado e preocupado, já tão característico de si.

‒ Aaah, pai… ‒ O adolescente sempre ficava envergonhado com a superproteção da família. ‒ Também não foi assim…

‒ Tomarei isso como um sim. ‒ Steve não pode conter um riso baixo que saiu de seus lábios. ‒ Sei que está cansado, mas vem tomar café, um de verdade. ‒ Deu um beijo no topo da cabeça do menor. ‒ Depois vamos arrumar esse quarto para você poder descansar direito. ‒ Deu um afago na cabeça do menor antes de se levantar. ‒ Nem pense em voltar a dormir. ‒ Avisou, já que aquela frase era muito mais uma ordem do que um simples pedido. ‒ Tem café com cacau, como você gosta. ‒ Anunciou para dar um incentivo ainda maior ao filho. Como se ele precisasse.

O loiro saiu do quarto e se voltou para o quarto do casal. Porém, antes de adentrar parou em frente à porta, inspirou e expirou algumas vezes. Estava se preparando psicologicamente para o que iria encontrar lá e buscando em seu ser toda a paciente existente. Não que fosse alguém impaciente, mas seu querido marido era capaz de fazê-lo perder o chão… ou sua cabeça. Em todos os sentidos.

Fez o quase o mesmo processo que fizera com o filho: passos sorrateiros e abrir a cortina com o blackout bem devagar, só que dessa vez não houve nenhum grito. O capitão sentou-se ao lado do homem que mais amava no mundo e fez um pequeno carinho em sua cabeça.

‒ Vamos, Tony… Acorde. ‒ Sabia que o marido podia ser para lá de mimado quando queria, então era mais fácil convencê-lo com carinhos e agrados.

‒ Steve… Você… ‒ Tony grunhiu, suspirando em prazer por ter seu marido de volta. Mas então, sua mente registrou o horário. — É um pé no saco… ‒ O moreno resmungou se remexendo na cama sem abrir os olhos.

Respira Steve. Respira. O loiro respirou fundo, passou a acariciar o rosto do engenheiro enquanto distribuía beijinhos pelo pescoço desprotegido do outro. ‒ Vamos lá, Tony… Vem tomar café… ‒ Desceu a mão do rosto pela lateral do corpo do outro, acariciando de leve, ainda de modo casto. ‒ Fiz aquele café que você ama, com noz-moscada.

‒ Porra, Steve… ‒ O moreno tentava resistir, mas como aqueles toques depois de tanto tempo sem o outro e a promessa de café fresquinho que só o loiro e J.A.R.V.I.S. sabiam fazer, não pode evitar abrir os olhos castanhos. ‒ Tem torrada?

‒ Tem. ‒ Com aquela pergunta o capitão sabia que estava indo pelo caminho certo. Entretanto, ainda não chegaram na reta final. Tinha que convencê-lo um pouco mais. Por isso, continuou a fazer carícias inocentes pelo corpo do amado, além dos beijos distribuídos pela nuca, pescoço e ombro de seu marido.

‒ Bacon? Omelete? Suco de laranja? ‒ Tony perguntou manhoso, já se derretendo com os mimos que recebia.

‒ Sim, sim e sim… ‒ Mordeu a orelha do outro e depois lhe deu um beijo em sua bochecha.

‒ Aaah…Tá bom… Mas eu quero torta de maçã para sobremesa, no almoço. ‒ Exigiu, olhando para o loiro que apenas riu baixo e lhe deu um selinho.

‒ Então, vamos, hm? Se não a comida vai esfriar. ‒ Levantou-se e estalou as costas. ‒ Nem pense em dormir, senão nada de torta. ‒ Avisou, saindo do quarto com um sorriso vitorioso, este ainda maior depois de ouvir o moreno resmungar. O que algumas semanas afastado não fazem, pensou. Aquela tinha sido a “batalha” mais fácil que tinha tido para acordar o marido em meses.

Depois de alguns minutos, os dois meninos chegaram à cozinha, aparentemente acordados. Sentaram-se à mesa e começaram a se serviram, mas foram espertos e ficaram em silêncio até Steve abaixar o tablet que Tony havia lhe dado e sorriu para ambos.

‒ Como foram as semanas de vocês? ‒ Perguntou um tanto animado, levando a caneca azul adornada com listras vermelhas e brancas em uma metade e a outra com a frase “melhor pai do mundo” escrita com uma fonte muito bonita e elegante. Um dos primeiros presentes de seu filho.

‒ Péssima… ‒ Resmungou Tony. ‒ Sabe que eu odeio quando viaja. ‒ Resmungou de novo. Ele não sabia por que o loiro ainda não tinha largado a carreira militar. Os lucros de sua empresa eram mais do que suficientes para viverem sem se preocupar com mais nada.

‒ Já conversamos sobre isso, Tony. ‒ O capitão retrucou, paciente, porém firme diante do mau humor matinal do marido. ‒ Mas e você, Peter. Como foram essas duas semanas?

‒ Ah… Foi normal, pai. Jogo, desespero típico das duas semanas de provas, mais jogo, jogo, jogo… ‒ Comentou o jovem, pegando sua segunda porção de ovos e seu terceiro copo de achocolatado quente. Apesar de franzino, o adolescente parecia uma draga de tanto que comia, assustando quem comia junto consigo, mas nunca seus pais. Para eles, Peter parecia Thor Odinson, seu amigo norueguês; um empresário da família que era filho de um grande empresário do ramo de tecnologia ponta de linha, Odin Bohrson e da pintora Frigga Fjörgynndottir. ‒ Ah! Hoje depois do almoço, a Gwen, a M.J., a Betty e o Harry me chamaram para ir ao cinema. Posso ir? ‒ Mesmo, tendo seu dinheiro e bastante confiança de seus pais para ser dado liberdade para ir e vir sem problemas, o adolescente sempre pedia permissão para sair.

‒ Claro! ‒ O bilionário respondeu rápido parecendo ter acordado de uma hora para outra. ‒ Pode ir, meu rebento. Faz bem sair de casa de vez em quando. Nessas semanas eu não vi você sair.

‒ Seu pai tem razão, campeão, por incrível que isso possa parecer. ‒ O loiro deu um sorriso zombeteiro e recebeu uma cara de desagrado exagerado de seu marido. ‒ Você ficou estudando essa semana toda, em total desespero, se bem te conheço. E depois de tanto jogar! Não deve ter saído quarto para quase nada. ‒ O jovem foi ficando sem graça ao ver que seu pai conhecia bastante de sua rotina. Não que essa fosse lá muito imprevisível. ‒ Só não se esqueça de chegar cedo porque amanhã você tem aula. ‒ O mais velho sorriu satisfeito com o tipo de atitude que o filho tinha.

‒ Obrigado. E pai, desculpa por deixar o quarto todo desarrumado, mas é que a semana foi tão corrida-- Eu sei, eu sei, a culpa é minha, eu não deveria ter deixado para última hora. Mas é que…‒ Foi calado pela risada do mais alto entre os três.

‒ Você é realmente um bom garoto, Petey. ‒ O capitão voltou a rir e afagou os cabelos do mais baixo.

‒ Certinho… ‒ Provocou o moreno mais velho logo recebendo um leve tapa no braço. ‒ Porr--! Quer arrancar meu braço, picolé? ‒ Levou outro tapa. ‒ Ca…! Caramba, Steve! Você tem noção da sua força? ‒ Resmungou voltando ao seu café.

‒ Pelo menos, agora você acordou. ‒ O loiro sorriu de maneira debochada, mas em seus olhos tinha uma mensagem clara: nada de palavrão na frente do Peter. ‒ Isso quer dizer que pode me ajudar com a faxina. ‒ O funcionário da SHIELD olhou para marido. — Vamos começar pela sua oficina, amor?

‒ Nem na base do ca…! Castelo. Nem mesmo que ele seja o seu-- digo, nosso, meu amado marido. ‒ O loiro contorceu o rosto em uma careta de desprazer, suas bochechas corarem pelas palavras de seu cônjuge. Peter não ficou atrás, resmungando algo baixo e depois ficando vermelho como um tomate. ‒ Tony saindo. ‒ O moreno mais velho encheu a caneca de café e correu da mesa, fugindo para sua oficina. Não sem antes dar um selinho no amado e bagunçar o já desgrenhado cabelo de seu filho.

‒ Não tem problema, eu ajudo o senhor, pai. ‒ O adolescente deu um sorriso e voltou a comer a torrada.

‒ Já te falei, Pete. O senhor ou está no céu ou no trabalho ou no asilo e eu estou bem aqui na sua frente, campeão – O loiro penteou os cabelos do menino, tentando mitigar o caos que Tony deixara para então se levantar e começar a lidar com a louça suja.

Depois do café e da louça, pegaram todos os materiais de limpeza para começar a faxina. Primeiro da lista era o quarto do adolescente, já que era o mais bagunçado. E ainda bem que assim o fizeram! Pois, enquanto varria embaixo da cama, o loiro conseguiu ver o real estado de bagunça que estava àquele quarto, já que tinham roupas, sapatos, cuecas, embalagens de chocolate, papéis de rascunho e uma… caixa de camisinha!

‒ Peter… — chamou, sua voz saindo mais calma do que se sentia — O que é isso? ‒ O adulto mostrou a caixa de camisinha aberta, que ainda tinha a maioria delas dentro de si, para o menino.

‒ AAAH! ‒ O jovem tentou pegar a caixa da mão de seu pai, mas não deu muito certo. Os reflexos de Steve Rogers eram lendários. ‒ Não é…! Não é isso que o senhor está pensando. ‒ O mais novo disse com a voz trêmula seu rosto ardendo de vermelho, tamanha a vergonha. Steve apenas ergueu uma sobrancelha em desafio; que ele tentasse e mentisse. De novo. ‒ Eu uso isso-- Para não… Aaah… Pai! ‒ Aquele olhar cético sobre si ficou mais intenso e ele largou os ombros desistindo. ‒ Para não sujar a cama…

‒ Oh… — foi a primeira reação do loiro. — Entendi… ‒ Disse seu pai depois de um tempo. ‒ Bem, mesmo que não fosse isso, pelo menos você está usando camisinha. ‒ Mesmo que não estivesse demonstrando, estava bastante sem graça. Não tivera educação sexual quando mais novo e aprendera tudo com amigos e na prática, claro. ‒ Vamos continuar? ‒ Deu um sorriso um tanto tenso ao guardar a caixa dentro da mesinha de cabeceira e voltou a arrumar.

‒ T-tá bom… ‒ O adolescente concedeu, mais relaxado, porém ainda muito tenso, antes de voltar a recolher as latas e a caixa de pizza. Que jeito mais ridículo de meu pai ficar sabendo que eu ainda sou virgem, maravilha, se lamentou. Agora eu posso morrer… Não! Morrer virgem, não! Não quero ser Isaac Newton! Nem beijar na boca eu beijei! Isso é ridículo eu tenho 16 anos! Bufou de leve. Eu devo ter algum problema! Eu sei que não sou o estereótipo de beleza americana, mas… Qual é! Um beijo sem ser na bochecha ou sem serem os selinhos de amigo que a Gwen me dá quando estou chateado antes de eu completar vinte anos seria… Normal, não é? Continuou sua tarefa enquanto se martirizava mentalmente enquanto era observado pelo pai um tanto curioso com seus murmúrios.

xXx

Depois de quase duas horas, finalmente conseguiram faxinar os cômodos de uso mais familiar terminar a amaldiçoada faxina de domingo. Dispensado pelo pai, o pequeno Pete pôde então tomar banho e se jogar na cama. No entanto, por mais cansado que estivesse, não podia dormir sem avisar para os amigos que poderia ir para cinema. Se levantou com um suspiro, aproveitando a chance para olhar suas redes sociais, que estranhamente tinham avisos de atualização fazendo com que o adolescente erguesse uma das sobrancelhas em curiosidade.

Quando foi conferir, levou um susto. Wade Wilson, o cara mais brigão, estranho, e tagarela de toda a escola estava pedindo para ser seu amigo! E tudo o que podia pensar era Por que?

Não era que não gostasse do loiro! Mas ele não era exatamente o tipo de pessoa que Peter se relacionava. Ainda mais que uma das pessoas de sua roda de amigos era Flash Thompson, o atleta que mais amava Peter... para não dizer o contrário.

Nas aulas de Educação Física era um pavor! Flash sempre o empurrava, jogava bolas de vários esportes diferentes em sua direção, além do bullying básico de derrubar seus livros nos corredores, o deixar preso em armários dos vestiários, salas vazias e, em uma ocasião memorável, até mesmo abaixar suas calças caminho para a uma assembleia acadêmica. Não sabia como um cara tão babaca poderia ter namorado alguém tão maravilhosa como Mary Jane Watson, uma das garotas mais bonitas e gentis do colégio.

Peter já tinha sido apaixonado pela ruiva, mas não por muito tempo. Principalmente depois que a mesma havia lhe dado um fora depois que se declarara para ela no ano que passou. Ela até foi bem legal consigo, falando que não gostava dele daquela maneira; que o preferia como um amigo e que não estava procurando um relacionamento naquele momento. Apesar… Apesar dela ter começado a namorar seu melhor amigo Harry depois de algumas semanas de sua declaração…

Mas! Mas voltando a Wade! O garoto que mais parecia um armário; que já era maior que seu pai Steve; que tinha 1,84 m e não dava sinais que estava terminando de crescer! Se não fosse o tamanho de Wilson que era intimidador, ele ainda tinha aquela personalidade violenta e volátil! Tanto que ele estava proibido de participar de qualquer esporte coletivo na Educação Física, pois ele sempre forçava um pequeno grupo de alunos para a enfermaria depois de poucos minutos de jogo. Aparentemente, ele só ficava correndo ou ficava na academia.

E como Peter sabia disso? O próprio loiro havia lhe dito, um dia em uma prova de Química em dupla, que Peter chegara tarde e ele tivera que ser o parceiro do tagarela.

‒ Aquele dia foi estranho. ‒ O moreno acabou dizendo para si mesmo ao aceitar os pedidos de amizade de Wade. Deixou o celular de lado, o mesmo que seu pai fizera só para si, na mesinha de canto. Se ajeitou na cama e fechou os olhos, incapaz de se impedir de lembrar do dia fatídico.

xXx

Mesmo sabendo da prova por ser uma das matérias que tinha facilidade acabou estudando menos, e que tiraria pelo menos um A-, acordara muito atrasado, tendo resolvido ficar jogando até das três da manhã.

Não tivera como parar! O jogo era viciante demais! Maldita hora que seu pai Tony resolvera lhe dar jogos e mais jogos. Uma atitude, diga-se de passagem, que era meio contraditória já que ele sempre falava para ele sair, pelo menos uma vez por semana. Mas já tinha parado de entender o engenheiro há muito tempo.

Então! O resultado disso tudo foi que acordou uma hora atrasado e teve de pedir para um de seus pais levarem. No caso, Steve, que acabou o levando de motocicleta pelas ruas lotadas da Nova York. E quando chegou a sala, todo suado, descabelado, vermelho e atrasado foi recebido por várias risadas e algumas gracinhas, principalmente por ter que fazer dupla com o maior brigão da escola.

Com cada centímetro que se aproximara daquela bancada mais sentia que sua morte estava mais próxima. Assim que se sentou ao lado do outro, teve de cutucá-lo de leve, para que esse acordasse.

‒ Wilson… ‒ Sussurrou, cutucando o braço do outro que era quase do tamanho de seu tronco e ouviu o outro resmungar.

‒ Panquecas…

‒ Wilson, a prova-- Não tem problema você não fazer… ‒ Sussurrou para só o maior ouvir. ‒ Só me dê espaço. Vamos mexer com ácido clorídrico…

‒ Huuum… ‒ O loiro mostrou um dos olhos azuis. ‒ Você não é o Peter Nerd blá, blá, blá, para quê esse nome enorme Rogers?

‒ Err-- Sou eu sim… ‒ O jovem olhou para o relógio acima do quadro. ‒ Wilson, o tempo, por favor…! Tire o corpo de cima da bancada. Por favor? ‒ O moreno estava tremendo de medo tanto de não conseguir fazer a prova com o parceiro que tinha. Se tirasse um zero, seus pais fariam uma vivissecção para poder comer seu fígado e se forçasse o outro a se afastar… Certamente ficaria desfigurado! Grunhiu de leve. O que era a sua vida?! Nada melhor que isso, desfigurado e virgem.

‒ Quero panquecas… ‒ O outro não mexeu um músculo sequer, mantendo aquele contato visual imutável com o pobre garoto ‒ E tacos.

‒ Se me deixar fazer a prova eu compro quantos tacos e panquecas você quiser. ‒ Com isso o outro menino se levantou de supetão e abraçou o jovem franzino.

‒ Obrigado, Petey! ‒ Disse o loiro alto, tão alto que toda a sala virou para olhar a cena, mas ninguém teve coragem de fazer uma única brincadeira sequer. Não só por causa da prova, mas porque também estávamos falando de Wade W. Wilson. ‒ Gostei de você! Nem me conhece direito e já me dá comida! ‒ O loiro o soltou e fez um gesto para que se apressasse. ‒ Vamos, vamos. Quanto mais cedo a gente terminar, mais cedo a gente vai comer. ‒ Wade, por algum milagre, percebeu que o jovem tremia enquanto mexia nos materiais e tremia tanto que deixou um frasco escorregar de suas mãos. Ele teria caído e se quebrado no chão, se Wade não fosse rápido e tê-lo pego em pleno ar. ‒ Hey, baby boy. Está tremendo. ‒ Devolveu o frasco para as mãos do outro e depois ficou observando. ‒ Tem algo de errado?

‒ N-não. ‒ Sussurrou o pequeno nerd enquanto fazia tudo sem nem mesmo precisar olhar o roteiro que estava na bancada.

‒ Você… Está com medo de mim? ‒ O garoto a sua frente começou a tremer mais forte, tentando fazer tudo ainda mais ligeiro. ‒ Não precisa ficar com medo de mim não, baby boy. Você vai me dá tacos e panquecas! Não sei se é legal bater em quem vai te dá comida de graça! Mas sabe? É engraçado porque eu já bati em um dos jogadores de basquete na fila do refeitório, mesmo ele me dando o dinheiro. Ele me olhou torto, sabe? Não gosto quando as pessoas me olham torto. Parece que elas são vesgas e eu tenho nervoso de pessoas vesgas-- você não sabe se eles estão olhando para você ou para a mosca que está passando. Eu também tenho nervoso das patinhas de hamster, elas fazem cócegas enquanto eles andam no seu braço, mas eu até gosto deles. São pequenos e fofos. Não sei por quê, mas eles me lembram um pouco você! Pequenos, fofos e assustados! É engraçado quando você chega perto e eles saem correndo. Gatos também são assim, mas eles são maiores e traiçoeiros, nem todos, mas tem bastante. Você gosta de gatos, Petey? ‒ O moreno somente meneou a cabeça e o loiro voltou a falar. ‒ Sabe do que eu gosto também? Aranhas! Elas são pequenas, mas podem te matar em apenas alguns minutos, além das teias que elas fazem, são tão legais e eu já vi uns padrões tão legais. Queria ter--

‒ Acabei. ‒ Anunciou o menor cortando o falatório, já escrevendo o relatório e depois escreveu o nome dos dois juntos com o número da bancada.

‒ Nossa, baby boy.... Já? Você por acaso é um supergênio ou super-humano? Tenho certeza que vamos tirar uma nota perfeita e isso vai salvar meu trimestre! ‒ O moreno já estava guardando o material e se levantando. ‒ Oba! Comida! ‒ O mais alto poderia receber um olhar mortal do professor, mas o mesmo tinha amor a vida e ao seu rosto. ‒ Então, velho, o Petey é muito inteligente, não é? Ele tem notas perfeitas. ‒ O professor confirmou com a cabeça e o loiro virou a cabeça para o menor que esperava na porta da sala já. ‒ Está esperando, o que, baby boy? ‒ O loiro fechou a porta atrás de si.

‒ Você-- Err… Não queria tacos e panquecas? ‒ Estava confuso com a pergunta do outro.

‒ Nossa…! Você quer mesmo comer comigo? Não vai sair correndo? ‒ Estava intrigado com aquilo. Normalmente as pessoas saiam correndo assim que podiam.

‒ Mas, eu prometi. E meu pai Steve sempre falou que um homem deve honrar suas promessas. ‒ Disse firme e com um olhar sério para o maior. Era uma amostra de convicção mesmo que estivesse com as bochechas e as orelhas levemente coradas. O loiro ficou olhando para ele um tempo antes de cair na gargalhada. ‒ O que foi? ‒ Murmurou ficando ainda mais vermelho.

‒ Ha, ha, ha, ha, ha.... Ai, baby boy... Você é muito fofo. ‒ O loiro abraçou o moreno e depois foi o puxando pelos corredores. ‒ Vamos comer!

‒ Para onde você está indo, Wilson? Aí é a saída! ‒ Nem tentava lutar para se livrar dos braços do outro, pois já sabia que não tinha força para se soltar.

‒ Primeiro: meu nome é Wade. Repita comigo: Wade. ‒ O nome do brigão foi repetindo pelo menor de maneira baixa, sussurrada. ‒ Segunda: os melhores tacos são em um trailer perto do Central Park e panquecas tem um restaurante um pouco antes. Compramos para viagem e vamos fazer um piquenique! ‒ Depois disso, o moreno nem se atreveu falar alguma coisa.

Notas finais
As postagens dos próximos capítulos será irregular por problemas de saúde. Agradeço a compreensão e sua leitura, não esqueça de deixar o cometário e Maddie's kisses!