Notas iniciais
Oiee gente! Atrasada, eu sei e peço desculpas.. kk Sem muito o que falar, vamos direto para o capítulo... Espero que gostem, boa leitura ^^

Os olhos fixos, a boca entreaberta e a face toda contorcida por surpresa e algo mais que eu não conseguia identificar.

Eu poderia rir da expressão de Alice se o momento não fosse tão inoportuno.

—Amigos? – ela perguntou parecendo sair do transe. —Amigos? – repetiu ainda mais incrédula.

Segurando o canudo de plástico que saia do copo eu o guiei até minha boca antes de assentir com a cabeça.

Ela bufou, se remexeu na cadeira e então me olhou com frustração.

—Está me dizendo que eu tive o trabalho de fazer aquela casa ficar livre, te convencer a comprar ela, te fazer mudar para ela e continuar lá após descobrir que Edward era seu vizinho, para chegar agora e vocês se tornarem amigos? – a inconformidade era sua maior característica naquele momento.

Respirando fundo me preparei mentalmente.

—Quer dizer que todo meu esforço foi em vão? – ela voltou a falar, mandando embora qualquer intenção que eu tinha de dizer algo. —Que vocês dois agora vão fingir que nada aconteceu e vão virar best friends forever?

Dessa vez eu não contive o riso. Não sabia se era o fim da gravides, mas Alice havia adquirido um cinismo e uma ironia que não eram comuns. Não para o seu jeito doce e meigo.

—Não vamos fingir que nada aconteceu. – coloquei observando sua carranca. —Vamos apenas deixar o passado para trás. Você não tem ideia do quanto é ruim viver presa em algo. É cansativo.

E doloroso.

Completei mentalmente voltando a sugar o suco de laranja que banhou minha boca com sua doçura natural.

—Ok, vocês vão deixar essa história absurda de traição e tudo mais para trás. Isso eu entendi. – seus olhos estavam fixos em mim. —Mas e o que vocês sentem um pelo o outro?

Sua pergunta me deixou muda por longos minutos.

O que nós sentíamos um pelo o outro. Não sabia ao certo se Edward ainda sentia o mesmo por mim, mas que eu o amava com todas as minhas forças, eu tinha certeza.

Ignorar isso quando eu estava a quilômetros de distância não fora fácil, contudo eu sabia que se comparado a ideia de repetir cada pensamento, cada noite e sofrimento estando a metros de Edward, todos aqueles dez anos de resguardo pareciam amenos.

Eu não sabia o que fazer e muito menos o que ia acabar acontecendo, Alice pareceu notar isso.

—Não adianta você ficar calada e dar uma de “não sei do que você está falando”. – cerrei meus olhos ao olhá-la. —Imagine uma tatuagem na testa. – pediu cruzando os braços por cima da mesa. —Uma tatuagem de girassóis amarelos, com as pétalas grandes e largas, com ramos grossos e curvilíneos, folhas achatadas, esverdeadas...

—Vá direto ao ponto.

Não contive o riso ao ver sua careta quando a interrompi.

—Bom, imagine tudo isso em uma tatuagem na testa. – rolei os olhos com sua repetição, tomando mais um pouco do meu suco. —Sabe o que é muito mais chamativo que isso? – com um aceno eu neguei. —Edward e você.

Mordendo meu lábio inferior permaneci calada observando o sorriso voltar a banhar sua boca.

—Qualquer um percebe que vocês se gostam, que vocês se desejam. – pigarreando baixo, fiquei meio sem jeito com sua acusação. —É nítido. – podia ver a determinação em seus olhos. —Antes tinha toda essa confusão, mas agora o caminho está livre! Vocês finalmente tem a chance de se acertarem e ficam aí com papo de amizade. – bufando, ela se recostou na cadeira, os braços cruzaram-se sobre a barriga redonda.

—Que estressada... – comentei fazendo um esforço enorme para conter o riso. No fundo, eu sabia que Alice estava correta, só não queria concordar tão facilmente.

—Edward e você me deixam estressada. – colocou arqueando uma das mãos. —Se Mia nascer brava, saberei exatamente a quem culpar.

Rolando os olhos tomei mais um pouco do meu suco. Já estava sentindo falta daquele bom humor incansável de Alice.

Mia precisava nascer depressa. O mais depressa possível, aliás.

—Não tenho a menor culpa! – arqueei as mãos deixando claro minha inocência. —Mas falando sobre Edward e eu... – respirei fundo procurando as palavras certas para serem ditas. —Vou dar tempo ao tempo.

Seus olhos ficaram sérios e quando ela voltou a bufar, percebi que minha resposta não havia lhe agradado em nada.

—Tempo ao tempo. – repetiu frustrada. —Você diz como se não tivesse perdido dez anos...

—Não teria perdido tanto tempo se você, minha melhor amiga, tivesse me contado toda a verdade. – a interrompendo eu lhe dei o meu xeque.

—Eu teria contado se você, minha melhor amiga, não tivesse pedido para deixarmos você em paz. – como uma exímia jogadora de xadrez faria, Alice soube escapar bem e me derrubar com um belo xeque mate.

Ela tinha razão, eu havia pedido mesmo para que eles me deixassem em paz. A verdade é que eu não aguentava mais ser abordada por eles com o assunto Edward e traição.

—Bom, eu não vou me meter mais. – pegando o copo de cima da mesa, Alice tomou um grande gole de seu chá gelado. —Só espero que não seja preciso ter que pegar vocês dois e trancar em uma casa para que, quem sabe assim, vocês se acertem.

Mordendo meu lábio inferior, tentei levar suas palavras na brincadeira, mesmo que no fundo eu sentisse a seriedade em sua voz.

Eram quase seis da tarde quando eu a deixei em casa, sobre os olhos atentos de sua mãe. Como ela estava nas últimas semanas de gestação, Cinthia se recusava a deixa-la sozinha e contava com o apoio total de Emmet.

A ansiedade já tomava conta de todos nós. Era impossível não se empolgar com a chegada de Mia. Eu mal via a hora.

Com um suspiro cansado, parei o carro na porta de casa. A preguiça de fazer algo para comer me fizera criar uma enorme vontade de ir jantar na casa dos meus pais, o que logo me levara a deixar o carro para fora da garagem.

Eu estava cansada, nosso dia havia sido incrível, mas bastante cansativo.

Alegando certa negligencia de minha parte, Alice me arrastou até Denver jurando que só iria comprar as últimas peças do enxoval de Mia.

Eu, inocente, caí em sua conversa e fui praticamente obrigada a entrar em cada loja do Cherry Creek Shopping Center.

Dizer que eu não havia gostado, no entanto, seria uma enorme mentira.

Fazia tempo que não passávamos tanto tempo juntas e eu havia realmente amado.

Conversamos tanto, sobre tantas coisas....

Com um suspiro nostálgico abri a porta do carro, saltando para fora e puxando minha bolsa. Meu estômago roncou assim que o cheiro de fumaça adentrou por meu nariz.

Churrasco.

Eu reconheceria aquele cheiro a quilômetros de distância.

Com os olhos atentos passei a procurar pelo rastro acinzentado no céu que começava a escurecer, logo notei que a trilha fumacenta vinha direto da casa do meu vizinho.

Meu único vizinho. Edward.

Maneando a cabeça, tentei ignorar todos os fatos colhidos nos últimos segundos.

Nada de churrasco, nada de único vizinho, nada de Edward.

Empurrando a porta do carro, coloquei a bolsa no ombro tentando acalmar aquela fome gigantesca que havia se apossado de mim.

Havia saído da lanchonete há menos de uma hora, onde eu tomara um grande copo de suco e agora cá estava eu, faminta e morrendo de vontade de provar do churrasco de Edward.

—Hey, Bella! – senti minha espinha gelar quando a voz rouca pronunciou meu nome, com a mão na fechadura, fechei os olhos e respirei fundo, buscando me acalmar antes de me virar.

Lá estava ele.

Eu constatei sem conseguir deixar de admirá-lo. Calça jeans escuras, regata branca e um avental preto com escritas vermelhas —essas que eu não consegui identificar por causa da distância.

Tão lindo!

Contive o suspiro ao vê-lo se aproximar, Edward sorria abertamente trazendo em suas mãos uma espátula e um garfo de dois dentes.

—Olá. – tentei não soar tão patética quando eu me sentia. Ele tinha esse poder, me desestabilizava por completo.

—Olá. – repetiu ao parar em minha frente.

Foi impossível não reparar em como seus braços ficavam mais grandes e fortes naquela blusa e avental, e claro, sua tatuagem se destacava ainda mais. Sua altura e tamanho também eram algo impressionantes.

Eu me sentia tão minúscula ao seu lado.

—Estava esperando você chegar. – comentou debatendo os utensílios entre si o que causava um batuque compassado e divertido. —Coloquei umas carnes para assar, e então percebi que não vou dar conta de comer tanta coisa... – seus ombros largos se encolheram por alguns segundos.

Não prendi o sorriso.

—Então eu pensei que, talvez, você gostasse de me acompanhar no jantar. – seus olhos verdes demonstravam expectativa e esperança, o sorriso em sua boca contornado por aquela sexy barbinha por fazer, era praticamente a carta mestre do baralho.

Como recusar aquele pedido?

Eu não queria. Nem ia.

—Claro, eu vou adorar. – até eu mesma me surpreendi com o entusiasmo em minha voz. Pigarrei meio sem jeito ao som rouco de sua risada. —Só vou tomar um banho e já vou para lá.

—Ok, vou estar te esperando. – com uma piscada sexy e uma mordida no canto do lábio inferior, ele se afastou.

Tive de contar até cem na busca falha de recuperar minha respiração e equilíbrio ao ver como sua calça era mais justa na volta de sua bunda cheia e redonda.

Conter as lembranças das vezes em que eu tive aquele corpo grande sobre o meu, fora impossível.

Longos arrepios subiram por mim, por instantes pude sentir sua boca na minha, suas mãos em mim, seu quadril estocando contra o meu...

Um calor intenso subiu por meu corpo, deixando a necessidade de tê-lo novamente pulsando em minhas veias.

Tomar um simples banho fora praticamente impossível. A vontade de me tocar e saciar ao menos aquele desejo inoportuno que surgira era grande mais, contudo, como uma boa guerreira eu conseguira me manter firme.

Com a frustração revirando em meu estômago, subi o zíper lateral do meu vestido. O decote era ombro a ombro, acentuado em minha cintura e com a saia plissada, sua estampa era de listras presta e branca que seguiam paralelas na horizontal.

O Mules caíra bem em meus pés, tinha os saltos de madeira e os complementos em couro negro.

Me olhando no espelho soltei meus cabelos, aproveitando para dar uns últimos retoques em minha maquiagem.

Era estupidez minha me arrumar tanto para um simples jantar na casa ao lado, mas não consegui me sentir bem dentro de um short jeans e uma camiseta.

Eu queria estar arrumada, estar bem. Atraente.

Maneando a cabeça tirei o engradado de Heineken tentando não dar moral para os pensamentos nada puros que ainda rondavam meus pensamentos.

É só um jantar. É só um simples jantar.

Tentava me convencer enquanto caminhava pela entrada de sua casa. Beliscando o canto interno da minha bochecha percebi que aquela era a primeira vez que entrava ali.

Não pude deixar de me sentir curiosa, Edward era tão desorganizado quando mais novo... Será que ele havia mudado ou sua casa seguia a mesma desordem de seu quarto na casa de seus pais?

Tomando fôlego pela boca segurei o engradado de cerveja com um só braço, usando o outro para tocar a campainha.

Não demorou muito para que barulhos de passos se misturassem com os da maçaneta, segundos mais tarde a porta de madeira caramelo fora aberta.

Edward me olhou com expectativa, o sorriso em sua boca era torto e encantador.

—Trouxe cerveja. – murmurei meio afetada pelos olhares nada discretos que ele deixou por meu corpo.

—Uh, está gelada! – exclamou ao tomar o engradado de minhas mãos. —Entre.

Assim que seu corpo liberou a passagem eu adentrei em sua casa. O ambiente amplo e aberto incorporava praticamente todo o primeiro piso.

Charme, personalidade e certa austeridade inglesa davam os tons de todo o cômodo. O uso de cores claras, porém marcantes era incrível, estava claro que a maior inspiração vinha dos pubs britânicos pois até uma Whiskeria e uma mesa de pôquer, compunham a decoração.

O mobiliário, em tom de madeira média, complementava a sensação de acolhimento e aconchego, a estante personalizada de portas almofadadas era clássica e realmente linda.

Objetos de decoração, livros e peças de arte estavam dispostos de forma inteligente a fim de criar uma atmosfera intimista, perfeita para quem desejava aproveitar bons momentos com amigos e até com a família.

Nas paredes, o papel de parede em estampa pied-de-poule reforçava o clima boêmio do espaço e revestia não só as laterais, mas também o teto de algumas áreas do ambiente, delimitando diferentes usos dentro living.

—Quer um copo? – Edward me perguntou seguindo na direção norte da sala, caminhando ao seu enlaço me permiti admirar cada uma das almofadas revestidas com tecidos diferentes e elegantes.

—Não, tomo na garrafa mesmo. – murmurei dobrando a esquerda e novamente me surpreendendo com o espaço que compunha sua cozinha.

Ela seguia o mesmo estilo boêmio, o pé direito era alto e as portas francesas que tinham o mesmo tom de madeira média, deixavam o lugar mais aberto e arejado.

O jogo de armários era retangulares e bem postos atrás do balcão revestido por tijolos brancos.

Uma grande mesa de madeira clara lembrava bastante as encontradas nos pubs ingleses, os bancos de tons sortidos eram charmosos e sofisticados.

—Bem, aqui está. – Edward veio até mim trazendo a garrafa aberta após retirar a tampinha de alumínio com o abridor.

—Obrigada. – agradeci tentando ignorar o formigar em meus dedos quando os seus o tocaram. —Sua casa é incrível.

Murmurei olhando mais uma vez por toda sua cozinha.

—O mérito é todo de Alice. – ele riu antes de levar a garrafa aos lábios. —Não tenho a menor vocação para essas coisas, então quando decidi reformar apenas disse como gostaria que ficasse. Ela não poderia ter sido mais competente.

Erguendo a garrafa eu tomei um gole da cerveja gelada.

—Alice nasceu para decorar. – proferi apoiando o corpo no balcão. —Aposto que se inspirou nos pubs da Inglaterra.

Maneando a cabeça ele abriu um sorriso maroto antes de voltar a levar a garrafa até a boca.

—Apostou bem.

Não contive o sorriso, bebendo mais um pouco da cerveja eu o segui para o lado de fora.

Seu deque era um pouco maior que o meu, havia uma área gourmet com churrasqueira, armários e uma pia de inox.

Um pouco a frente uma pequena mesa de sinuca fazia sombra para Heron adormedido, que deitado parecia ainda maior.

—Você sempre foi fascinado pela Inglaterra. – comentei me sentando no banco a frente do balcão de pedras.

Deixando a garrafa sobre a pia, Edward levantou a tampa da churrasqueira me presenteando com o mais delicioso aroma de churrasco.

Na grelha estavam vários hambúrgueres, salsichas, steaks, milhos, aspargos e o meu preferido, costelinhas de porco.

Senti meu estômago protestar dentro de mim. Eu estava faminta.

—Me diga que as costelinhas não são defumadas, por favor! – pedi praticamente salivando ao olhar para os cortes de carne.

Eles estavam tão bonitos, tão suculentos...

—São sim. – voltando seus olhos para mim, Edward pareceu não entender. —Não eram as suas preferidas? Vai dizer que não gosta mais!

Chacoalhando a cabeça eu neguei.

—Não, eu ainda amo! – o sorriso voltou a aparecer em seu rosto. —E o problema é exatamente esse, ainda mais se tiver...

—Molho BBQ? – Edward completou erguendo o pote de Heinz com o molho.

—Oh, meu Deus! – esticando as mãos, eu o tomei para mim. Há quanto tempo que eu não comia aquilo? Muito. —Você está querendo me engordar, só pode.

Edward riu alto e eu logo o acompanhei, seus olhos brilhosos pararam em mim por breves segundos.

—Você? Engordar? Duvido. – terminou de virar as carnes e abaixou a tampa da churrasqueira. —Corre feito um maratonista, perde tudo aquilo que ganha comendo.

Segurando no gargalo da garrafa tomei mais um gole da cerveja. Ela estava tão gelada, a temperatura exata.

—Mesmo assim, é bom não exagerar. – contive o suspiro quando Edward parou a minha frente. Os braços apoiados no balcão, que nos separada, deixava seu tronco ainda mais definido. —Você andou comendo muita carne nos últimos anos, não é?

Assim que as palavras saíram da minha boca, eu me arrependi. Edward abriu um sorriso satisfeito, eu não sabia se era com a aminha pergunta ou com o meu embaraço.

Porque eu não conseguia conter a merda da língua?

—Carne, ovos, batata doce... – narrou mantendo o sorriso. —Precisei comer para entrar em forma mais rápido, sabe o trabalho exige isso.

—Você é bombeiro, não é? – aproveitando a deixa, mudei a direção do assunto.

—Exato. – confirmou bebendo sua cerveja.

—Fiquei tão surpresa quando Alice me contou. – assumi correndo meu dedo pelo comprimento do gargalo. —Não esperava que fosse seguir carreira militar, que eu me lembre você nunca teve interesse na área.

Encolhendo os ombros, Edward exibiu seus perfeitos dentes em um sorriso leve.

—E eu não tinha mesmo. – concordou. —Foi uma coisa instantânea, tinha acabado de concluir o ensino médio, não tinha ideia do que iria fazer na faculdade foi então que eu fiquei sabendo sobre o alistamento, as provas e tudo mais.

Tentei imaginar cena por cena, contudo não tive muito êxito.

—Qual seu posto lá?

—Sou tenente coronel. – pude sentir o orgulho em sua voz.

—Nossa, parabéns! – o sorriso aumentou em sua boca. Eu sabia muito bem que seu posto era importante, ter um pai policial me deixava mais por dentro do assunto. —Logo se torna coronel.

—Não é tão simples. – passando a mão pelo cabelo, Edward riu. —Nosso coronel ainda é jovem, a menos que ele seja transferido, continuarei como tenente.

Aquilo não o incomodava em nada, eu tinha certeza.

—E então, vamos comer?

Sorrindo eu concordei me deliciando com o ultimo gole da minha cerveja.

Descendo do banquinho eu o ajudei a colocar a mesa, nossa conversa continuou fluindo normalmente.

Era incrível como eu não me sentia mais incomoda ou sem jeito ao seu lado. Nós havíamos recomeçado mesmo.

Aquilo era muito bom. Tão bom quanto as carnes que ele prepara.

Tudo estava delicioso, os hot dogs e os hambúrgueres, os milhos, os aspargos, todos os cortes de carne, mas sem dúvida, o melhor de tudo era aquela costelinha com o molho.

Diminuindo o volume de água da torneira, terminei de enxaguar o ultimo prato estendendo-o diretamente a Edward que logo o enxugou e o colocou em seu devido lugar.

—Eu fiquei tão chateada aquela noite. – contei soltando o ar pela boca enquanto secava minhas mãos no pano de prato. —Juro que se eu pudesse teria pulado da janela, mas minha mãe se fez de guarda a noite toda.

Edward riu ao soltar as fitas que prendiam o avental em seu corpo. Recostando o corpo no balcão, aproveitei para ler a escrita na peça.

Não deixei de sorrir ao ver o símbolo do Super Man em destaque, um pouco a baixo estavam as palavras “Super Churrasqueiro”.

—Eu fiquei te esperando o tempo todo, foi frustrante. – disse deixando o avental de lado. —Todos com a namorada e eu ali, sozinho.

—Pobrezinho! – exclamei lhe empurrando pelo braço. —Você ainda estava na festa e eu? Estava presa naquele quarto, ouvindo os longos discursos de Renée.

Sua risada me cativou e logo o acompanhei.

—Sua mãe e seus discursos. – recostando ao meu lado, Edward respirou fundo. —Lembra quando ela veio falar sobre camisinha conosco?

Evitar o riso foi impossível. Acenando com a cabeça, eu relembrei cada detalhe daquela cena: Renée tentando dar uma de mãe moderna, eu morrendo de vergonha e um Edward apavorado.

—Achei que você fosse morrer ali mesmo.

—E eu quase morri, ainda mais depois que seu pai apareceu e entrou no assunto. – ainda podia sentir o temor em sua voz, aquilo só me fez rir mais. —Você ri, não é? – limpando o canto dos olhos, o vi se aproximar. —Queria ver se fosse ao contrário.

—Impossível. – arqueei as mãos. —Seus pais não são loucos como os meus.

Correndo a mão pelo cabelo Edward parou a minha frente.

—Meus pais te adoram, sabia? – a troca de assunto fez minha crise de riso cessar. —Eles falam tanto sobre você.

Saber daquilo me deixou contente. Carlisle e Esme eram muito queridos.

—Eu também os adoro. – fui sincera. —E nem preciso dizer que meus pais te idolatram, não é?

Rindo com vontade, Edward se aproximou mais um passo. Engolindo seco, tentei não ser afetada por seu perfume, seu calor, seu corpo....

—Seus pais são incríveis. – sorriu torto parando um braço de cada lado do meu corpo. —Assim como você.

Olhando-o nos olhos, não consegui não sorrir. Maneando a cabeça, respirei fundo tentando não ficar sem jeito.

Parecia que eu nunca havia recebido um elogio.

—Você e suas cantadinhas baratas! – exclamei arqueando as mãos e as batendo em seu peito. Minha intenção era empurrá-lo, contudo, assim que senti o calor de seu corpo eu desisti.

—Ah, qual é, elas são muito elaboradas. – seus olhos eram ternos, o sorriso em sua boca reclinou um pouco ficando meio torto. E lindo. —Vai dizer que elas não funcionam com você? – com carinho, ele colocou meu cabelo atrás da orelha.

—Elaboradas... – meu tom irônico o fez rir. —Não, não funcionam.

Curvando o lábio inferior em um biquinho, Edward fingiu uma tristeza inexistente. Contive o suspiro, como podia ser tão lindo?

—Acho que vou ter que mudar meu repertório então. – seu rosto se aproximou mais um pouco do meu, com os olhos nos seus eu senti a expectativa crescer dentro de mim conforme ele ia se aproximando.

Minha boca pedia pela sua, eu já ardia de desejo e vontade de tê-lo novamente.

Dois latidos altos me sobressaltaram, Edward também pareceu se assustar e com isso, nós acabamos nos afastando.

Com um grande esforço, retirei minhas mãos dele saindo do vão formado por seu corpo e o balcão de pedra.

Ao nosso lado, Heron nos olhava atento.

—Heron! – Edward ralhou com frustração.

—Não brigue com ele. – pedi passando a mão pela cabeça de Heron. —É melhor eu ir, está tarde, vai chover e eu não coloquei meu carro na garagem.

Eu não queria sair dali, não queria ir para minha casa, mas também não podia agarrá-lo e arrastá-lo para a cama.

Edward pareceu não gostar muito, contudo, acabou concordando e logo se ofereceu para me acompanhar até a porta.

—Eu adorei nosso jantar. – murmurei enquanto passávamos por sua sala. —Estava tudo delicioso, obrigada.

—Não precisa agradecer, foi ótimo estar com você. – seu sorriso foi doce. —Na verdade eu que tenho de agradecer por essa noite incrível, eu adorei.

Suas palavras me tocaram no fundo, não contive o suspiro —que para minha sorte, saiu inaudível.

—Imagine, eu também adorei. – nós paramos em frente a porta, Edward a olhou e ainda a contragosto a abriu. —Bom, eu já vou indo então... Boa noite!

Estava pronta para sair de sua casa, quando ele segurou meu braço.

—Bella, não vai. – ele pediu colando seu corpo a minhas costas. Sua voz rouca me deixou arrepiada e se antes eu já não queria, naquela hora eu quis ainda menos sair dali. —Fica comigo essa noite.

Aquele pedido foi mais que irrecusável, e motivada por todo aquele sentimento que me consumia, eu girei o corpo para ficar a sua frente.

Meus braços enlaçaram seu pescoço e erguendo um pouco os pés, eu fiz o que tanto estava desejando: O beijei.

Sua língua penetrou em minha boca, tocando a minha com ousadia e possessividade.

Apoiando as mãos na minha cintura Edward me ergueu do chão, com as costas coladas na parede enlacei as pernas em seu quadril.

Ele me apertava e eu puxava seus cabelos.

Uma batida forte me informou que a porta havia sido fechada, mas nem me importei.

Tudo que importava naquele momento, era nós dois e o resto da noite que tínhamos para aproveitar.

Notas finais
Eita, algo me diz que o próximo capítulo será hot e.e kkkkkkkkk Espero que tenham gostado, nos vemos! Tenham uma boa madrugada... Beijos :*