Dois meses depois...

POV’S CAUÊ

Minha querida e doce Allana,

Estou lhe escrevendo essa carta não sei bem porque, nem sei se um dia eu vou ter oportunidade de lhe entregar. Mas acho que te devo uma explicação de tudo o que está acontecendo.

Não sei se você sabe, nem sei onde você está, se tem alguma notícia do Mundo Bruxo, mas o seu pai (sim, ele é seu pai, porque eu tenho certeza de que você é a verdadeira Allana!), faleceu há dois meses. Ele se sentiu muito mal e os médicos disseram que ele estava com um câncer silencioso, que o matou de repente.

Antes de morrer, Emanuel me pediu que prometesse uma coisa: que eu governasse o Mundo Bruxo, como seu herdeiro. Eu me senti muito lisonjeado, mas havia um problema: eu não era seu filho nem tinha uma ligação sanguínea com ele. Mas para esse problema havia uma solução. A pior solução de todas.

Seu pai gostaria que eu me casasse com Sabrina, que voltou “arrependida” de tudo o que fez. Eu, claro, me recusei! Não havia hipótese alguma de eu me casar com ela, por livre e espontânea vontade! Mas Emanuel me pressionou, implorou para que eu o fizesse. Cheio de pena, por ver meu eterno sogro em leito de morte, acabei prometendo que me casaria.

Oh, minha Allana! Eu não me orgulho nada disso! Tentei adiar ao máximo o casamento, mas Sabrina me permitiu que começasse o meu mandato como Rei e a Corte de ministros vem me pressionando cada vez mais para me casar com a “Rainha”.

Não sei se sou digno, mas eu queria implorar o seu perdão. Queria que você me perdoasse por não ter impedido Sabrina de te matar, há 300 anos. Queria te pedir perdão por ter demorado tanto para te encontrar e não ter provado para Emanuel que você é a Allana verdadeira, a minha Allana. Queria te pedir perdão por não ter te procurado melhor depois da sua fuga, mas aconteceu tanta coisa! Emanuel passou mal no mesmo dia e depois veio só problema.

Enfim, minha Allana, meu amor! Espero que você possa me perdoar um dia! Você é a única que eu amei e para sempre vou amar. Espero que um dia possamos viver felizes.

Com amor, Cauê.

Ao terminar de escrever a carta, uma lágrima caiu de meu olho esquerdo, borrando uma das partes. Eu não sei porque havia escrito, eu nem sabia onde Allana estava e nem se um dia eu a veria novamente. Acho que foi mais por um desabafo. Eu estava desesperado, não sabia mais o que fazer.

O casamento seria amanhã e eu não podia impedi-lo de acontecer. Sabrina se tornaria a minha esposa. Era irônico pensar que a assassina de minha amada tomaria o seu lugar no Reino. Mas isso nunca aconteceria no meu coração. Allana era a dona dele e sempre seria.

Desde que ela se foi, há 300 anos, eu estava deprimido. Passei muito tempo na expectativa de vê-la reencarnar e reencontrá-la. Quando isso aconteceu, eu fiquei muito feliz. Mais feliz do que nunca, mas agora uma depressão ainda maior tomou conta do meu coração e eu não podia fazer nada para impedir.

Espero que algum dia Allana possa me perdoar.

POV’S ALLANA

Meu querido e amado Cauê,

Muita coisa aconteceu depois que eu fugi. Naquela noite eu encontrei Henry e Sabrina. Eles me trouxeram para uma cabana onde Sabrina se escondia. O plano inicial era que Henry fugisse comigo, me levasse para bem longe e eu achei que ele fosse mal. Mas ele não é. Henry é uma boa pessoa. Ele apenas errou, como todos nós cometemos erros, mas está tentando se redimir, nos ajudando a ficar juntos. Me ajudando a escapar de Sabrina.

Eu sei que vocês vão se casar e eu acredito que seja contra a sua vontade. Sei que você não se casaria com a minha assassina. Sei que você me ama, assim como eu também amo você.

Quero que você saiba que eu vou tentar. Não sei se dará certo, mas vou tentar te salvar disso e ser feliz com você. Você saberá que deu errado se estiver lendo essa carta. E se você estiver lendo, eu estarei bem longe daqui. Ou até morta, eu não sei o que irá acontecer.

Independentemente de qualquer coisa, eu te amo Cauê! Sempre amarei.

Da sempre sua, Allana.

Dobrei o papel depois que terminei de escrevê-lo. Eu não sabia o que esperar de amanhã. O plano de Henry era perfeito, mas algo poderia dar errado. Aliás, eu só sabia a minha parte do plano, o que eu teria que fazer. O que ele fará está mantido em segredo.

Duas batidas foram dadas na porta. Henry a abriu, me mostrando um sorriso.

— Tudo pronto para amanhã? – Ele me perguntou docemente. Eu apenas assenti com a cabeça.

— Henry! – Disse, antes que ele voltasse para seu quarto. – Eu quero que se tudo der errado, você entregue isso para o Cauê. – Estendi para ele o papel que estava dobrado em minhas mãos. Henry o pegou, mas não abriu para ler. Acho que ele não faria isso, pelo menos não na minha frente.

— Não vai dar nada errado. – Ele disse. – Confia em mim.

— Em você eu confio! – Me virei para esconder as lágrimas. – Mas não confio em Sabrina. E se ela me matar de novo?

Henry tocou no meu ombro, me fazendo virar para ele e revelar meu rosto todo melecado de lágrimas.

— Fica calma. – Ele me abraçou e eu desabei em seus braços, pondo para fora toda a dor e medo que eu estava sentindo. Henry afagava meus cabelos, o que me deixava mais calma.

Depois que eu me acalmei, Henry me ajudou a deitar na cama e me cobriu. Ele ficou mexendo em meus cabelos até eu dormir.