De Outra Maneira
21 Capítulo XXI
POV’S CAUÊ
Abri meus olhos devido a claridade do sol que entrava pelas cortinas em meu quarto. Havia chego o dia do meu casamento com Sabrina. Olhei para os lados, para aquele quarto estranho, que eu tinha nojo. Aquele não era o meu quarto com Allana. Sabrina insistiu em dormir lá e eu não queria dividir o quarto com aquela piranha.
— Sabrina, saia do meu quarto, agora! – Eu ordenei, já irritado.
— Não vou sair, marido! – Ela me disse. Senti meu sangue subir.
— Não tem problema, então saio eu!
Então vim parar no antigo quarto dela. Eu não queria estar ali, mas era melhor do que dormir na mesma cama de Sabrina. Só de pensar que ela estava dormindo no lugar da minha Allana...
Alguém bateu na porta. Eu não queria abrir, com medo que pudesse ser Sabrina, mas a pessoa abriu ela mesma. Era apenas Lívia. A única que havia ficado do meu lado nesses últimos meses.
— E aí, Cauê. – Ela disse, se sentando na ponta da minha cama. – Chegou o dia.
— O pior da minha vida. – Respondi, querendo chorar.
— Bom, — Lívia continuou. – Temos um lado bom. Jacque e Melissa vão ir ao casamento.
Lívia esboçou um sorriso, mas eu nem isso. Não era o casamento dos meus sonhos.
— Onde você acha que a Allana está? – Perguntei aleatoriamente. Lívia demorou alguns instantes para responder.
— Eu não sei, Cauê. Não sei se vamos recuperá-la.
Dessa vez foi eu quem ficou calado. Aquelas palavras me machucaram, mas talvez Lívia tivesse razão.
— Eu preciso colocar meu terno. – Eu disse, meio que querendo que Lívia fosse embora. Acho que ela ficou magoada e isso me deixava pior ainda. Mas eu não queria ouvir o que ela tinha me dito.
Meu terno era preto, com a gravata e sapato preto. Somente a camisa era branca. Bem fúnebre, como tinha que ser. O casamento ocorreria bem cedo, no pior lugar que Sabrina poderia escolher: o bosque. O mesmo lugar que eu me casaria com Allana. Comecei a chorar de raiva e dei um murro na parede.
Respirei fundo e me acalmei. Precisava acabar logo com isso.
Desci as escadas. Lívia, Jacqueline e Melissa estavam me esperando na sala de estar. Elas não trocaram nenhuma palavra comigo, nem mesmo Lívia. Mal me olharam nos olhos. Decidi também não falar nada. Simplesmente fui até meu carro, elas foram atrás de mim. Jacque e Lívia se sentaram nos bancos de trás e Melissa na frente, comigo. Sabrina iria depois, sozinha. Eu estava torcendo para que ela não demorasse muito.
Finalmente chegamos no bosque. Muita gente estava lá para assistir o casamento. A corte de ministros do reino, funcionários do reino, curiosos da cidade...
As garotas se acomodaram em seus lugares. Eu fui para frente da mesa em que seria presidida a celebração e cumprimentei o Casamenteiro Bruxo. Agora só faltava esperar Sabrina chegar.
POV’S SABRINA
Eu já estava pronta. Meu vestido era longo e branco, meio armado e com muitas rendas, como o de uma princesa. Era bem decotado também, eu precisava provocar o meu noivo. Sorri em frente ao espelho enquanto passava as mãos pelos meus seios fartos. Cauê ainda se entregaria a mim.
Uma buzina de carro fez com que eu saísse de meus pensamentos obscenos com Cauê. Era Henry, que veio me levar para o casamento e levar Allana embora daquele lugar. Saí do meu quarto e desci as escadas que davam para a sala de estar. Saí pela porta principal e logo avistei o carro de Henry. Vacana estava enfeitiçada no banco de trás, mas o que me chamou a atenção foi seu vestido.
Era um vestido de festa. Era azul, longo, com um decote não muito saliente. Tinham várias lantejoulas, o que deixava o vestido muito bonito. Mas porque ela estava vestida assim?
Entrei pela porta da frente e me sentei no banco ao lado de Henry, que estava vestindo um terno e acelerou o carro.
— Porque ela está vestida assim? – Perguntei com desconfiança. – E você? Porque está de terno?
Henry riu.
— Ora, Sabrina! Não é só você que vai se casar. Nós também vamos.
Sorri de satisfação. Finalmente eu tiraria aquela vaca do caminho.
Não demoramos muito para chegar no bosque. Henry estacionou em um local onde Cauê não pudesse nos ver. Eu desci do carro.
— Adeus para vocês! – Eu disse, satisfatoriamente.
— Adeus, Sabrina! – Henry respondeu. – Seja feliz! – Ele acelerou o carro e foi embora. Era a minha vez de brilhar.
Quando eu coloquei os pés no caminho do bosque para ir em encontro ao meu noivo, a marcha nupcial começou a tocar e eu caminhei até ele. Cauê estava com uma expressão muito triste. Eu sabia que ele não queria se casar comigo, mas eu ainda o conquistaria.
Assim que o alcancei, ele segurou em minha mão, por pura obrigação. Nos viramos de frente para o Casamenteiro Bruxo. Era agora ou nunca.
POV’S CAUÊ
Assim que vi Sabrina caminhar até mim ao som da marcha nupcial, eu senti vontade de morrer. Não queria estar vivendo aquele momento e muito menos viver com ela pelo resto de minha vida. Assim que ela parou em minha frente, peguei em sua mão e me nos viramos para o Casamenteiro Bruxo, como manda o Ritual.
Foi aí que uma música estranha começou a tocar. Eu reconheci a música como sendo Whistle, do Flo Rida. Foi ao som dessa música que eu conheci Allana. Estávamos numa festa e eu a vi. A achei linda e a tirei para dançar. Estava tocando Whistle.
Aquela lembrança apertava ainda mais o meu coração, e Sabrina realmente era um monstro por fazer isso comigo. Olhei para ela com um olhar mais triste do que raivoso, mas Sabrina parecia tão confusa quanto eu.
Foi quando olhei para trás. Ela estava caminhando lentamente em minha direção e usava o vestido azul mais indo que eu já vira. Todos estavam olhando sem acreditar naquela cena, inclusive eu. Jacqueline estava se acabando de chorar e uma lágrima escorreu do meu olho direito, juntamente com o sorriso que eu abri.
Era ela. Era a minha Allana.
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