De Baixo do Capuz
2 Capítulo 2 - As coisas poderiam ser piores - Reescrito
Notas iniciais
De Baixo do Capuz
Capitulo 2 – As coisas poderiam ser piores
"Já tive medo do escuro, hoje no escuro, me acho... Me agacho... E fico ali."
– Sawada Tsunayoshi.
Tentara não dar alguns passos em falsos, sua velocidade era tão rápida quanto o pulsar descompassado de seu coração. Estava curiosa para saber o que estava acontecendo ali. Conseguia ouvir cada vez mais distinto o som de gemidos e risadas altas. Parecia ter a impressão de que conhecia cada um daqueles timbres.
Quando chegou, finalmente ao beco, pode observar Yamamoto, Gokudera e Sasagawa, saindo de lá, com suas vozes ainda misturando-se em uma risada divertida, Hayato mandara em sua direção um olhar superior, parando por alguns segundos para observar a face da Miura, e depois seguir em frente, com os outros dois, cujos quis esperavam-no, sorrindo lascivamente de lado, saíram daquele local, como se nada houvesse acontecido, como se aqueles gemidos de suplica não tivessem ocorrido, como se tudo, não passasse de alguma diversão.
Entrou no beco o mais rápido que pode, já tinha suas suspeitas de quem estava lá, mesmo que interiormente, estivesse gritando para que sua imaginação estivesse erada. Tinha de estar. No entanto, como havia suspeitado, encontrara o Sawada jogado sobre o chão lamacento do local.
Sua roupa estava eivada, da mesma forma que rasgada e/ou surradas em algumas partes. Entretanto, mesmo que olhasse para Tsunayoshi, não poderia ver a quantidade hematomas que enfeitavam seu corpo, pois a única coisa não tampada em seu corpo, era sua boca, e a mesma estava com um filete de sangue escorrendo de seu lábio inferior.
– Tudo bem? – correu em direção ao menor, jogando sua mochila escolar em qualquer canto do local. Queria ajuda-lo, não somente porque encontra-lo em tal situação, com os lábios marcados de sangue, e a pulsação desacelerada, lhe preocupava em demasia. Era simplesmente algo a mandando agir por puro instinto.
– N-Não precisa se preocupar — respondera com um tom de voz baixo e um tanto quanto calmo, a Miura não entendia como alguém poderia ficar tão calmo naquele tipo de estado. Distraída, mal vira que o Sawada tentara se levantar, usando uma parede como apoio.
– Claro que preciso, olha seu estado! — falara tentando se aproximar dele, mas o Sawada recuava a cada passo que a Miura dava em sua direção, negando o contato com um pequeno balançar de cabeça — Por que foge? Só quero te ajudar – murmurou, sorrindo, algo pequeno, na direção do garoto.
– Não precisa – o timbre de sua voz era repleto de medo e insegurança. Haru não entendia, ela somente queria ajuda-lo, o Sadawa não precisava ter medo dela. Talvez aquilo fosse o reflexo do turbilhão de sentimentos que brincava no castanho, e refletia em seus medos para com qualquer ser humano.
– Sawada Tsunayoshi, né?! — tentara confirmar o nome do outro, vendo-o abaixar um pouco o olhar, e afirmar um pouco com a cabeça, apertando sua mochila contra seu corpo.
– Não precisa saber, logo vai estar me chamando de Dame-Tsuna — sua boca torceu em um sorriso um tanto quanto melancólico, enquanto as palavras fluíam com naturalidade de seus lábios. A Miura se irritara um pouco, ele estava subestimando-a, e tirando conclusões sem que nem mesmo a conhecesse.
– Quero saber seu nome. – comentara, com uma voz um pouco mais autoritária, aquilo poderia fazê-lo recuar, entretanto, estava magoada de mais para pensar naquilo. Ele ficara parado por alguns segundos, não poderia observar seu rosto, não poderia saber sua expressão, era mais provável que seus olhos, castanhos com lilases, estivessem penetrando-o.
– Dame-Tsuna... Só precisa saber disso – respondeu o Sawada, assim que saíra de um transe, que nem ele mesmo sabia que estava, e novamente tentou sair do beco, mas A Miura fora mais rápida, segurara em seu pulso, pude captar um gemido de dor da parte do menor, o casaco cobria seu pulso, não poderia saber se havia um hematoma ali, mas conseguira ter uma certeza, assim que na parte laranja, cuja qual Haru segurava, começou a ficar com um tom avermelhado férrico.
– Desculpa – espantou-se um pouco, soltando o pulso alheio, ele ficou parado, encarando-a por de baixo de seu capuz — Deixa eu ver – Haru pegara novamente o braço do castanho, segurando-o por sua mão, aquilo fez com que o outro encabulasse-se um pouco, enquanto a Miura começava a ver a peça de roupa uns dois números maior do que deveria ser.
Mas Haru não enrolara muito, logo começara a subir, aos poucos, a manga alheia, tentando observar o hematoma que ali poderia estar escondido. No entanto, antes mesmo que pudesse ver mais que faixas cobrindo aquela parte, o menor puxara seu braço.
– O-O que você está fazendo? – perguntara em um tom aflito, mordia seu lábio inferior e segurava seu pulso com a outra mão, como se temesse que alguém pudesse vê-lo.
– Você precisa ir ao médico, ou ao menos enfaixar esses ferimentos! – estava começando a ficar preocupada. Não entendia como alguém poderia manter aquela calma, mesmo após ter sido surrado por alguns garotos. Era como se já estivesse acostumado, e aquela ideia, fez com que Haru estremecesse.
– Não se intrometa — seu tom de voz que já era baixo, ficou mais baixo ainda, tivera até um pouco de dificuldade em ouvir as palavras — Ninguém faz isso, não precisa, logo você se acostuma — ele falou e deu um suspiro cansado, recuando um pouco, quase fora daquele cenário pesaroso.
– Se não quer ir ao médico, ou qual quer coisa do tipo tudo bem! Mas eu não vou te deixar aqui! Não assim! – e a cada palavra, que escapava intensamente alta dos lábios da Miura, fazia o Sawada ficar cada vez mais estático.
– P-Por q-que? P-Por que v-você faz i-isso tudo? N-Não tem motivos p-para isso! — sua voz era chorosa, ele mordia mais seu lábio inferior, sua cabeça estava abaixada, como se a qual quer momento ele fosse desabar em lágrimas, e tal coisa fez com que a Miura quisesse o proteger de qualquer coisa. Parecia tão frágil e quebradiço ali.
O que ela poderia fazer?, perguntava-se mentalmente. Não tenha ideias, do que fazer naquele tipo de situação, talvez por que nunca passara por aquilo, e nunca pensou em passar. Então fizera a única coisa que veio a sua mente. Lembrava-se de sua mãe fazendo aquilo consigo sempre que precisava.
Colara seus corpos e envolvera suas costas em seus braços, ele havia estremecido com aquele ato, e até mesmo ficado parado por alguns segundos.
Era um abraço.
– Retribua – pedira, com os lábios perto de mais do ouvido do menor, que corara em demasia, sentindo o calor que a Miura expelia. Era bom.
– O q-que é isso? – quando o Sawada perguntara aquilo, a acastanhada não pode deixar de ficar surpresa. Aquilo era um ato de afeto, que qualquer ser humano recebia em seu dia-a-dia, seria possível que ele nem se quer reconhecesse tal coisa?
– Não sabe o que um abraço? – perguntara, colando cada vez mais os corpos, e o apertando, não tão forte, ao redor de seus braços.
– ... — Ele ficara em silêncio, suas mãos subiam devagar em direção as costas da outra, Haru pode até mesmo pensar por alguns segundos que seu ato de feto seria retribuído, entretanto, não fora.
Em um ato rápido de mais para que ela pudesse ver, Tsuna desgrudara seus corpos, pondo a mão nos ombros da Miura, em um contato breve, e a empurrando, com força o suficiente para que ela somente se soltasse de si.
– Obrigado – suas mãos ainda permaneciam nos ombros da Miura, e ele erguera a face por alguns segundos, e seus olhos quase se encontraram. A única coisa que atrapalhava tal contato visual, era a estranha peça que o outro usava para esconder seu rosto.
Ele desgrudara a mão dos ombros da Miura, saindo do local, enquanto Haru ficara parada por alguns segundos, tentando absorver o que tinha acabado de acontecer. Sua única reação, fora colocar um sorriso bobo em seus lábios, enquanto lembrava-se do último segundo de contato com o castanho.
O sorriso, algo pequeno, que o Sawada dará para si.
***
Tsunayoshi correu do local. Por algum motivo, a menina a sua frente o deixava encabulado. Correu o mais rápido que pode em direção a sua casa, ansiando por chegar finalmente em seu quarto.
Quando sua ambição finalmente concretizara-se, o Sawada seguira diretamente para seu leito, sem se quer incomodar-se em falar com alguém em sua casa, ou ao menos, dizer que havia chegado. Quem iria ouvi-lo?
Chegando a seu quarto, trancando a porta do mesmo, antes de jogara sua mochila no chão, antes de fechar completamente todas as cortinas de seu quarto, e apagar as luzes. Suspirou deixando-se jogar em um canto qualquer e escuro do local, perto de um criado mudo.
Retirou o casaco de seu corpo, jogando-o perto de si, e pudera visualizar seu estado, ao menos por cima da fina blusa branca de mangas comprida, que cobria a parte superior de seu corpo.
Pode vê-la completamente encharcada, em algumas partes de seu corpo, com seu próprio sangue. Suspirou antes de dobra-las até um pouco acima de seus cotovelos. Olhou para as fachas que cobriam seus pulsos, antes de aos poucos, começar a retira-las, jogando-as contra o chão.
Tais fachas não estavam em melhor estado que sua blusa. O sangue até mesmo poderia encontrar-se pingando das mesmas. Quando a última volta terminara, seu pulso fora revelado.
As cicatrizes brincavam pelo mesmo, algumas menos visíveis que outras. Algumas ainda nem se quer cicatrizaram-se, e o sangue ainda escorria grosso pelos seus braços.
Mordera o lábio inferior, antes de aproximar sua mão do criado mudo ao seu lado. Abrira a primeira gaveta do local, e tateara o fundo da mesma. Bem ao fundo, encontrara sua arma do crime.
Pegou-a, antes de levar em direção a si, olhando-a atentamente. Para muitos, aquilo poderia vir a ser um canivete normal, entretanto, para si, era algo na qual tinha visto diversas vezes seus momentos de fraqueza, e se sujado com seu sangue inúmeras vezes.
Mordeu o lábio inferior mais forte, e somente o apertara cada vez mais, enquanto a lâmina férrica do canivete cortara a pele de seu pulso. Quando o sangue finalmente jorrara de seus braços, também sentira o gosto férrico provindo de seus lábios.
Talvez aquela fosse sua sina.
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