DdAH: A Batalha de Skuldafn
4 As Tropas do Estado de Rift
Agora algumas estradas corriam para o leste e outras para o oeste, mas todas ao encontro da guerra iminente e do ataque do dragão. E, no momento em que Ralof se postava no Grande Portão da Cidade e via o Príncipe de Volskygge entrar cavalgando com suas insígnias e seu grande martelo de aço, o Jarl do Estado de Rift atravessou as montanhas.
O dia terminava. Nos últimos raios do sol os guardas projetavam sombras longas e pontudas que os precediam. A escuridão já penetrara embaixo das montanhas murmurantes de pedra e musgo que construíam encostas íngremes ao redor deles. Agora o jarl cavalgava devagar no fim do dia. De repente, a trilha contornou uma enorme saliência de pedra nua e mergulhou na escuridão das árvores que suspiravam suavemente. Foram descendo cada vez mais numa longa fila sinuosa. Quando finalmente chegaram na primeira torre de vigília do Estado, viram que a noite já caíra nos lugares profundos. O sol se fora. O crepúsculo se deitava sobre as cachoeiras.
Durante todo o dia, bem ao lado deles, o Yorgrim viera descendo da passagem alta que ficava mais atrás, abrindo seu caminho estreito por entre muralhas cobertas de pinheiros; agora corria através de um portão de pedra e passava para um vale mais largo. Os soldados o seguiram, e de repente o Tom de Outono, um largo vale, estendia-se diante deles, ressoando com o barulho das águas no início da noite. Ali alguns riachos antigos passavam, encontrando-se com córregos menores, e corriam velozes, vaporizando-se nas pedras descendo para Riften, para as colinas verdes e para as planícies. Mais ao longe e a direita, no topo do grande vale, o Forte de Greenwall assomava sobre suas amplas torres de pedra envoltas em nuvens. Asgeld observava surpreso aquela terra estranha, sobre a qual ouvira muitas histórias durante a longa viagem, pois partira por um caminho alternativo, e até então nunca havia saído de Riften. Era um mundo sem céu, no qual seu olho, através de espaços escuros de ar sombrio, via apenas encostas sempre subindo, grandes muralhas de pedra atrás de grandes muralhas, e precipícios sinistros envoltos pela névoa.
Ficou por um momento numa espécie de devaneio, ouvindo o ruído da água, o sussurro das árvores escuras, os estalidos das rochas, e o vasto silêncio de espera que pairava acima de qualquer som. Ele amava as montanhas, ou amara pensar nelas se erguendo à margem das histórias trazidas de longe; mas agora sentia-se acabrunhado pelo peso insuportável de Tamriel. Desejava isolar-se da imensidão numa sala tranquila, ao lado de uma fogueira.
Estava muito cansado pois, embora tivessem cavalgado devagar, haviam feito pouquíssimas pausas na viagem. Hora após hora por quase três dias fatigantes, ele estivera sacolejando sobre passagens, através de longos vales e cruzando muitos rios. Algumas vezes, nos pontos onde o caminho era mais largo, cavalgara ao lado do jarl, sem notar que muitos dos soldados sorriam ao ver os dois juntos: o escudeiro montando o pequeno cavalo cinzento e peludo, e o Jarl do Rift em seu grande cavalo branco.
Nessas ocasiões conversara com Harrald, contando-lhe sobre a sua juventude e sobre os afazeres do povo de Riften como o jarl nunca soubera, ou ouvindo por sua vez histórias sobre a Casa de Law-Giver e seus poderosos homens de antigamente. Mas na maior parte do tempo, especialmente nesse último dia, Asgeld tinha cavalgado sozinho logo atrás do jarl, sem dizer nada, e tentando entender a fala lenta e sonora dos homens que vinham atrás dele.
Mesmo assim sentia-se solitário, mais ainda quando chegava o fim do dia. Perguntava-se onde, em todo aquele mundo estranho, foram parar seus amigos e o que aconteceria com Vorstag, Faendal e Kharjo. Depois, de repente, sentindo um frio em seu coração, pensou em Ralof.
— O Forte de Greenwall, finalmente! — disse Saerlund. — Nossa viagem está quase no fim.
Eles pararam. As trilhas que desciam do forte estreito eram íngremes. Era possível apenas entrever, como que olhando de uma janela alta, a grande cidade no crepúsculo lá embaixo. Uma única luz fraca aparecia piscando ao lado do rio.
— Esta viagem talvez tenha acabado — disse Harrald —, mas ainda tenho muito o que viajar. Ontem à noite a lua estava cheia, e amanhã cedo devo cavalgar até Riften para a concentração do Estado do Rift.
— Mas, se o senhor aceitasse meu conselho — disse Saerlund numa voz baixa —, depois você voltaria para cá e aqui ficaria, até que a guerra estivesse terminada, com vitória ou derrota.
Harrald sorriu.
— Não, meu irmão, não diga as palavras suaves de Estormo a meus ouvidos inexperientes! — Esticou o corpo e olhou para trás, vendo a longa fileira de seus homens sumindo dentro do crepúsculo. — Parece que longos anos se passaram no espaço de dias desde que cavalguei para o norte; mas jamais me apoiarei num cajado de novo. Se perdermos a guerra, de que adiantará eu me esconder nas colinas? E, se vencermos, que motivo haverá para tristeza, mesmo que eu pereça usando minhas últimas forças? Mas vamos deixar isso de lado agora. Esta noite vou descansar no Forte de Greenwall. Ao menos uma noite de paz nos resta. Vamos continuar a cavalgada!
No crepúsculo que se adensava eles desceram para o vale. Ali um pequeno riacho corria próximo ás paredes ocidentais, e logo a trilha os conduziu a encosta das montanhas escuras. O lugar estava guardado. Com a aproximação do jarl, muitos homens saltaram da sombra das rochas, e, quando o viram, gritaram com vozes alegres: — O Jarl Harrald! O Jarl Harrald! O Jarl do Rift retorna!
Então um deles fez soar um longo toque numa corneta, que ecoou nas montanhas. Outras cornetas responderam, e luzes brilharam do outro lado do rio. De repente elevou-se um grande coro de trombetas lá de cima, emitido de algum lugar côncavo, ao que parecia, e que reunia as notas numa só voz, e a enviava retumbando e batendo nas muralhas de pedra.
Assim o Jarl do Rift retornou vitorioso do nordeste para a Pedra da Sombra, uma das pedras estelares de Skyrim, sob os pés das fronteiras de Cyrodiil. Ali encontrou já reunida a força que restava de seu povo, pois logo que ficaram sabendo da chegada os capitães cavalgaram ao seu encontro no vau, trazendo mensagens de Savos Aren. Slafarne, chefe do povo enfraquecido do Forte de Greenwall, vinha á frente.
— Três dias atrás, ao amanhecer, senhor — disse ele —, Gelado chegou a Riften na velocidade do vento, vindo do oeste; Savos Aren trouxe notícias de sua vitória para alegrar nossos corações. Mas também trouxe mensagens suas para que apressássemos a reunião dos soldados. E então veio a sombra alada.
— A Sombra alada? Um dragão? — disse Harrald. — Nós também o vimos, mas foi na calada da noite anterior à partida de Savos.
— Pode ser, senhor — disse Slafarne. — Apesar disso, a mesma, ou outra semelhante a ela, uma escuridão que vôa na forma de um pássaro monstruoso, sobrevoou Riften naquela manhã, e todos os homens ficaram tomados de medo. Pois ela deu um vôo rasante sobre a Fortaleza da Névoa, e, quando abaixou, quase tocando o cume, ouvimos um grito que paraliso nossos corações. Foi então que Savos nos aconselhou a não nos reunirmos nos campos, mas a encontrá-lo aqui no vale sob as montanhas. E ele ordenou que só acendêssemos luzes ou fogueiras em caso de extrema necessidade. E assim foi feito. Savos falou com grande autoridade. Confiamos que esse seja o seu desejo. Não se viu nenhuma dessas coisas malignas no Greenwall.
— Isso é bom — disse Harrald. — Agora vou cavalgar para a Fortaleza e lá, antes de descansar, encontrarei os marechais e capitães. Quero vê-los o mais cedo possível!
Agora a estrada conduzia para o sul, direto através do vale, que nesse ponto não tinha muito mais que oitocentos metros de largura. Planícies e campinas de capim grosso, agora cinzento ao cair da noite, jaziam por toda a volta. Em todos os espaços planos havia um grande agrupamento de homens. Alguns apinhados na borda da estrada, saudando o jarl e os soldados que vinham do nordeste com gritos alegres; mas estendendo-se na distância atrás deles viam-se fileiras ordenadas de tendas e barracas, e colunas de cavalos amarrados em estacas, e um grande estoque de armas, e pilhas de lanças eretas como matas de árvores recém plantadas. Agora toda a grande assembléia estava mergulhando na escuridão e mesmo assim, embora o vento da noite soprasse gelado das alturas, nenhuma lamparina reluzia, nenhuma fogueira fora acesa. Sentinelas com vestes pesadas e mantos roxos caminhavam de um lado para o outro.
Asgeld ficou imaginando quantos soldados havia. Não conseguia calcular o número na escuridão que se adensava, mas parecia-lhe um grande exército, com milhares de homens. Enquanto ele esquadrinhava todos os pontos, o grupo do jarl atingiu o penhasco que assomava na encosta leste do vale; ali, de repente, a trilha começou a subir, e Asgeld ergueu os olhos assombrado. Estava numa estrada como nunca vira antes, um grande trabalho de mãos humanas, feito em épocas além do alcance das canções. Subia fazendo curvas, ziguezagueando como uma cobra, abrindo seu caminho através da encosta íngreme de pedra. Inclinada como uma escada curvava-se para lá e para cá á medida que ia subindo. Para cima, os cavalos conseguiam andar, e as carroças podiam ser lentamente puxadas; mas nenhum inimigo poderia avançar por aquele caminho se este fosse defendido lá de cima, a não ser que esse inimigo chegasse pelos ares. A cada curva da estrada postavam-se grandes rochas que haviam sido esculpidas á semelhança de homens, enormes e desajeitados, agachados, de pernas cruzadas, com os braços fortes cruzados sobre barrigas robustas. Alguns, com o passar dos anos, tinham perdido todos os traços, exceto os buracos escuros dos olhos, que ainda fitavam tristes os passantes. Os soldados mal olhavam para eles.
Depois de um tempo olhou para trás e percebeu que já tinha subido várias dezenas de metros acima do vale, mas ainda conseguia divisar lá embaixo uma linha sinuosa de cavaleiros atravessando o lugar e avançando em fila ao longo da estrada em direção ao acampamento preparado para eles.
Apenas o jarl e sua guarda subiriam até a Fortaleza.
Finalmente a companhia do jarl atingiu uma borda íngreme, e a estrada ascendente avançou por um corte feito nas muralhas de pedra, e assim subiu uma pequena encosta e atingiu uma plataforma larga. Asgeld olhou para as fileiras de pedras em desfile: estavam desgastadas e escuras; algumas inclinadas, algumas caídas, outras rachadas ou quebradas; pareciam fileiras de velhos dentes famintos. Ficou pensando o que poderiam ser, e esperava que o jarl não fosse segui-las em direção à escuridão mais além.
Então percebeu que havia tendas e barracas aglomerando se dos dois lados do caminho de pedra, mas que não estavam armadas perto das árvores, parecendo antes agruparem-se longe delas, na direção da borda do penhasco. A maioria estava à direita, onde o lugar era mais amplo; à esquerda havia um acampamento menor, no meio do qual se erguia um alto pavilhão. Deste lado vinha agora um cavaleiro para encontrá-los, e eles deixaram a estrada.
Assim que se aproximaram, Asgeld percebeu que o cavaleiro era uma mulher com longos cabelos trançados que reluziam no crepúsculo, mas ela usava um elmo, e estava vestida até a cintura como um guerreiro, trazendo uma espada no cinto.
— Salve, Jarl do Estado de Rift! — exclamou ela. — Meu coração se alegra com seu retorno.
— É você, Lydia — disse Harrald — está tudo bem com você?
— Está tudo bem — respondeu ela, mas Asgeld teve a impressão de que sua voz a traía, e poderia pensar que Lydia estivera chorando, se isso fosse possível em uma pessoa com o rosto tão austero. — Está tudo bem. Foi uma estrada cansativa para o povo, afastado repentinamente de suas casas. Houve palavras duras, pois faz tempo que a guerra nos expulsou dos campos verdes, mas não houve más ações. Tudo agora está em ordem, o senhor vê. E seu alojamento já está preparado, pois recebi notícias completas sobre vocês e a hora de sua chegada.
— Então Vorstag veio — disse Saerlund. — Ele ainda está aqui?
— Não, ele se foi — disse Lydia, virando-se e olhando para as montanhas, escuras contra o sudoeste.
— Para onde foi? — perguntou Saerlund.
— Eu não sei — respondeu ela. — Chegou á noite, e partiu ontem de manhã, antes que o sol tivesse subido acima dos topos das montanhas. Ele partiu.
— Você está triste, senhora — disse Harrald. — O que aconteceu? Diga-me, ele falou daquela estrada? — O jarl apontou a distância, ao longo das linhas de pedra que se escureciam na direção de Karthspire. — Falou do Santuário do Templo-Céu?
— Sim, senhor — disse Lydia. — E penetrou nas sombras das quais nunca ninguém retornou. Não pude dissuadi-lo. Ele partiu.
— Então nossos caminhos estão separados — disse Saerlund. — Ele se perdeu. Devemos cavalgar sem ele, e nossa esperança diminui.
Devagar passaram através da charneca baixa e da grama das montanhas, sem falar mais nada, até chegarem ao pavilhão do jarl. Ali Asgeld viu que tudo estava preparado, e que ele mesmo não fora esquecido. Uma pequena tenda fora armada para ele ao lado do alojamento do jarl; ali sentou-se sozinho, enquanto os homens andavam de um lado para o outro, entrando para ver o jarl e se aconselhar com ele. A noite se aproximou, e os topos das colinas parcialmente visíveis a oeste ficaram coroados de estrelas, mas o oeste estava escuro e vazio. As pedras enfileiradas foram lentamente desaparecendo de vista, mas ainda além delas, mais negra que a escuridão, espreitava a vasta sombra agachada das montanhas oeste.
— O Santuário do Templo-Céu — murmurou Asgeld para si mesmo. — O Santuário do Templo-Céu? O que significa tudo isso? Todos me abandonaram agora. Cada um em direção a um destino: Savos e Ralof para a guerra no noroeste; Vorstag, Faendal e Kharjo para o Santuário do Templo-Céu. Mas minha vez chegará em breve, suponho eu. Gostaria de saber sobre o que estão conversando, e o que o jarl pretende fazer. Pois ele é meu jarl, devo ir aonde ele for.
Em meio a esses pensamentos melancólicos, Asgeld de repente se lembrou de que estava com muita fome! Levantou-se para ver se alguém naquele estranho acampamento sentia a mesma coisa. Mas nesse exato momento uma trombeta soou, e um homem veio chamando-o, ao escudeiro do jarl, para que servisse à mesa do jarl.
Na parte interna do pavilhão havia um espaço exíguo, isolado por telas bordadas, e coberto de peles; ali, a uma pequena mesa, estava sentado Harrald com Saerlund, Lydia e Slafarne, senhor do Forte de Greenwall. Asgeld ficou de pé ao lado do banco do jarl e o serviu, até que o velho, saindo de pensamentos profundos, virou-se para ele e sorriu.
— Venha, Mestre Asgeld! — disse ele. — Você não ficará de pé. Vai sentar-se ao meu lado, enquanto eu permanecer em minhas próprias terras, e alegrará meu coração com histórias.
Abriu-se espaço para o escudeiro á esquerda do jarl, mas ninguém pediu qualquer história. Na realidade houve pouca conversa, e eles comeram e beberam em silêncio a maior parte do tempo, até que, finalmente, criando coragem, Asgeld fez a pergunta que o atormentava.
— Já duas vezes, senhor, ouvi sobre o Santuário do Templo-Céu — disse ele. — O que é isso? Para onde foi o Encapuzado, como chamam ele aqui, quero dizer, o Senhor Vorstag, aonde ele foi?
O jarl suspirou, mas ninguém respondeu; finalmente Saerlund falou.
— Nós não sabemos, e nossos corações estão pesados — disse ele. — Mas, quanto ao Santuário do Templo-Céu, sabemos que é uma fortaleza antiga e muito nobre, diferente de qualquer forte nórdico. Mas o que fica atrás dele, homem nenhum sabe.
— Homem nenhum sabe — disse Harrald. — Apesar disso, antigas lendas, agora raramente contadas, têm algo a reportar. Se essas histórias antigas, que passaram de pai para filho na Casa de Law-Giver, falam a verdade, então a caverna de Karthspire conduz a um templo dos Akaviri, e que no tempo certo o povo estranho iria retornar.
— Mas como poderá um homem descobrir se o tempo chegou ou não, a não ser desafiando a caverna? — disse Saerlund. — E por aquele caminho eu não iria nem mesmo se todos os exércitos de Skuldafn estivessem diante de mim, e eu estivesse sozinho e sem outro refúgio. É pena que uma disposição para a morte deva recair sobre um homem de coração tão grande nesta hora de necessidade! Já não há coisas malignas suficientes, sem que se precise procurar embaixo da terra? A guerra se aproxima.
Fez uma pausa, pois naquele momento ouviu-se um ruído do lado de fora, uma voz de homem chamando o nome de Harrald, e a sentinela exigindo a senha. De repente o capitão da Guarda abriu a cortina. — Está aqui um homem, senhor — disse ele —, um mensageiro de Haafingar. Deseja vê-lo imediatamente.
— Faça-o entrar! — disse Harrald.
Um homem alto entrou, e Asgeld sufocou um grito; por um momento teve a impressão de que o amigo de quem Faendal e Kharjo lhe haviam contado estava de volta dos mortos. Então viu que não era verdade; o homem era um forasteiro, embora parecido com Erik como se fosse um parente dele, alto e de olhos cinzentos, de porte altivo. Estava vestido como um cavaleiro, com uma capa vermelha sobre uma cota de malha fina; na frente de seu elmo estava gravada uma pequena face de lobo. Na mão trazia uma única flecha, adornada com plumas negras e com farpas de aço; mas a ponta era pintada de vermelho e preto, com a face do lobo novamente desenhada.
Ajoelhou-se e apresentou a flecha ao jarl. — Salve, Jarl do Rift, amigo de Haafingar! — disse ele. — Sou Leontor, mensageiro de Elisif, a Bela, e trago-lhe este símbolo de guerra. Haafingar está numa grande necessidade. Várias vezes os do Rift nos ajudaram, mas agora a Jarl Elisif solicita toda a sua força e toda a sua velocidade, para que Haafingar não venha a cair.
— A Flecha de Solitude! — disse Harrald, segurando-a como alguém que recebe uma convocação há muito esperada mas terrível quando chega. Sua mão tremeu. — A Flecha de Solitude não foi vista no Estado do Rift durante toda a minha vida! As coisas realmente chegaram a este ponto? E o que a Jarl Elisif calcula que seja toda a minha força e toda a minha velocidade?
— Isso é o senhor quem melhor sabe — disse Leontor. — Mas em breve pode acontecer que Solitude seja cercada, e, a não ser que o senhor tenha a força para quebrar um cerco de muitos exércitos, a Jarl Elisif me ordena dizer-lhe que ela julga que as fortes armas dos homens do Rift ficariam melhor no interior das muralhas do que do lado de fora.
— Mas ele sabe que somos um povo que luta de preferência montado em cavalos e em espaços abertos, e também sabe que somos um povo disperso, e precisamos de tempo para reunirmos nossos soldados. Não é verdade, Leontor, que a Jarl de Solitude sabe mais do que coloca em sua mensagem? Pois já estamos em guerra. Como você deve ter ouvido, você não nos encontra totalmente despreparados. Savos Aren, o Arque-Mago, esteve entre nós, e neste exato momento estamos concentrando nossas tropas para a batalha no leste.
— O que a Jarl Elisif possa saber ou supor sobre todas essas coisas não posso dizer — respondeu Leontor. — Mas realmente nosso caso é desesperador. Mas minha jarl não lhe envia nenhum comando, ele lhe implora apenas para que se recorde da velha amizade e dos juramentos feitos há muito tempo, e que para o seu próprio bem faça o que puder. Ficamos sabendo que muitos reis de outras províncias cavalgaram para o leste a serviço de Skuldafn. No Sudoeste os alik’r estão se movendo, e o medo paira sobre todas as nossas regiões sul, pois Markarth pode não resistir, de modo que receberemos pouca ajuda de lá. Apresse-se! Pois é diante das muralhas de Solitude que o destino de nossa época será decidido, e, se a maré não for estancada ali, então inundará todos os belos campos do Rift, e nem mesmo aqui, neste Forte entre as colinas, haverá refúgio.
— Notícias negras — disse Harrald —, e apesar disso não de todo inesperadas. Mas diga a Elisif que, mesmo se o Rift não se sentisse ameaçado, ainda assim iríamos em seu auxílio. Mas sofremos muitas perdas em nossas batalhas contra o traidor Ancano, e precisamos ainda pensar em nossa fronteira ao norte e a leste, como esclarece a própria mensagem que ele envia. Um poder tão grande como o que o Devorador de Mundos parece agora controlar poderia muito bem nos cercar em batalha dentro da Cidade, e mesmo assim atacar com grande força do outro lado do Rio, lá adiante. Mas não faremos mais planos de prudência. Iremos. O encontro de armas está marcado para o dia de amanhã. Quando tudo estiver em ordem, partiremos. Poderia ter enviado dez mil lanceiros através da planície para o desalento de nossos inimigos. O número será menor agora, receio eu, pois não deixarei minhas fortalezas totalmente desprotegidas. Apesar disso, no mínimo seis mil deverão cavalgar atrás de mim. Pois diga a Elisif que nesta hora o Jarl do Estado de Rift atravessará Skyrim e subirá até Haafingar, embora seja possível que ele não retorne. Mas é uma longa estrada, e homens e animais devem chegar ao fim com forças ainda para lutar. Pode levar uma semana, a contar do dia de amanhã, até que vocês ouçam o grito dos Filhos do Rift chegando do leste.
— Uma semana! — disse Leontor. — Se deve ser assim, que seja. Mas é provável que só encontrem muralhas arruinadas daqui a sete dias, a não ser que outro auxilio inesperado chegue. Ainda assim, vocês poderão pelo menos perturbar os draugrs e os homens morenos em seu banquete no Palácio Azul.
— Pelo menos faremos isso — disse Harrald. — Mas eu próprio acabei de chegar de uma batalha e de uma longa viagem, e agora vou descansar. Permaneça aqui esta noite. Então poderá assistir à concentração das tropas do Rift e partir mais feliz pelo espetáculo que viu, e mais depressa pelo descanso. Pela manhã os conselhos são melhores, e a noite altera muitos pensamentos.
Com isso o jarl ficou de pé, e todos se levantaram. — Agora todos devem ir descansar — disse ele —, e durmam bem. E de você, Mestre Asgeld, não necessito mais esta noite. Mas fique pronto para minha convocação assim que o sol nascer.
— Estarei a postos — disse Asgeld —, mesmo que ordene que eu cavalgue com o senhor para o Santuário do Templo-Céu.
— Não pronuncie palavras de mau agouro! — disse o jarl. — Pois é possível que haja mais de uma estrada digna de tal nome ruim. Mas eu não disse que ordenaria que você cavalgasse comigo em qualquer estrada.
— Não vou ficar para trás, para ser apanhado na volta! — disse Asgeld. — Não vou ficar para trás, não vou! — E repetindo isso inúmeras vezes para si mesmo finalmente adormeceu em sua tenda. Foi acordado por um homem que o sacudia.
— Acorde, acorde, escudeiro! — exclamou ele, e finalmente Asgeld despertou de seus sonhos profundos e sentou-se num sobressalto. Achou que ainda estava muito escuro.
— Qual é o problema? — perguntou ele.
— O jarl o chama.
— Mas o sol ainda não nasceu — disse Asgeld.
— Não, e não nascerá hoje, escudeiro. E nunca mais, poderíamos presumir sob esta nuvem. Mas o tempo não para, embora o sol esteja perdido.
Jogando sobre o corpo algumas roupas, Asgeld olhou lá fora. O mundo estava sombrio. O próprio ar parecia escuro, e todas as coisas ao redor estavam negras, cinzentas e sem sombras; havia uma grande imobilidade. Não se via o vulto de uma nuvem sequer, a não ser que estivesse muito distante, na direção do oeste, onde os mais longínquos dedos da grande escuridão ainda avançavam rastejando, e uma pequena luz escoava através deles. Acima pairava um teto pesado, sombrio e disforme, e a luz mais parecia estar se extinguindo do que aumentando.
Asgeld viu muitas pessoas de pé, olhando para o alto e murmurando; seus rostos estavam sombrios e tristes, alguns amedrontados. Com o coração pesado, o escudeiro se dirigiu até onde se encontrava o jarl. Leontor, o cavaleiro de Haafingar, estava lá diante dele, e ao lado agora estava um outro homem, parecido com ele e com roupas semelhantes, mas mais baixo e troncudo. Quando Asgeld entrou ele estava falando com o jarl.
— Vem de Skuldafn, senhor — disse ele. — Começou ontem, ao pôr-do-sol. Das colinas da Pedra de Shor de seu reino eu a vi se erguendo e se alastrando no céu, e toda a noite, durante a minha cavalgada, ela me seguiu, devorando as estrelas. Agora a grande nuvem paira sobre toda a região daqui até as Montanhas Velothi; e está ficando mais densa. A guerra já começou.
Por um tempo o jarl ficou sentado e em silêncio. Finalmente falou.
— Então por fim chegamos a ela — disse ele —: a grande batalha de nossa era, na qual muitas coisas deverão morrer. Mas pelo menos não há mais necessidade de nos escondermos. Vamos cavalgar pelo caminho direto e na estrada aberta com toda a nossa velocidade. A concentração das tropas deve começar imediatamente, sem esperar por ninguém que esteja atrasado. Vocês têm bons estoques em Solitude? Pois, se devemos cavalgar com a maior rapidez possível, então devemos estar leves, levando apenas comida e bebida que nos sustentem até a batalha.
— Temos um enorme estoque, preparado há muito tempo — respondeu Leontor. — Partam agora com a maior velocidade possível!
— Então chame os arautos, Saerlund, meu irmão — disse Harrald. — Que os soldados sejam reunidos!
Saerlund saiu e de repente as trombetas soaram no acampamento e muitas outras lá de baixo responderam; mas suas vozes não mais soavam cristalinas e corajosas como Asgeld as ouvira na noite anterior. Pareciam abafadas e roucas, zurrando funestas. O jarl virou-se para Asgeld.
— Estou indo para a guerra, Mestre Asgeld — disse ele. — Em breve deverei tomar a estrada. Dispenso-o de meu serviço, mas não de minha amizade. Você permanecerá aqui, e, se quiser, poderá servir à Senhora Lydia, que governará o povo em meu lugar até que um substituto seja encontrado.
— Mas, mas, senhor — gaguejou Asgeld. — Eu lhe ofereci minha espada. Não quero me separar de sua pessoa desta forma, Jarl Harrald. E, como todos os meus amigos foram para a batalha, eu me sentiria envergonhado se ficasse para trás.
— Mas nós montamos cavalos altos e velozes — disse Harrald —; e, embora você possa ter grande coragem, não pode cavalgar esses animais.
— Então amarre-me ao lombo de um, ou deixe-me andar pendurado num estribo, ou qualquer outra coisa — disse Asgeld. — Há uma longa estrada a percorrer; mas eu irei correndo, se não puder cavalgar, mesmo que tenha de gastar meus pés e chegar com semanas de atraso.
Harrald sorriu.
— Seria melhor que eu o levasse comigo na garupa de meu cavalo — disse ele. — Mas pelo menos você cavalgará comigo até Riften para ver a Fortaleza da Névoa; pois devo fazer esse caminho. Até lá Farvyn pode levá-lo: a grande corrida não começará até atingirmos as planícies.
Então Lydia se levantou.
— Venha agora, Asgeld. Vou lhe mostrar as armas que preparei para você.
Os dois saíram juntos. — Apenas esse pedido Vorstag me fez — disse Lydia, enquanto eles passavam por entre as tendas —, que você fosse armado para a batalha. Eu garanti que seria assim, que faria o possível. Pois meu coração me diz que você vai precisar dessas armas antes do fim.
Então ela levou Asgeld a uma barraca em meio aos alojamentos da guarda do jarl, e lá um armeiro lhe trouxe um pequeno elmo, um escudo redondo, e outras armas.
— Não temos malhas que lhe sirvam — disse Lydia —, nem tempo para forjar uma cota menor do que as normais; mas aqui também há um gibão de couro resistente, um cinto e uma faca. A espada você já tem.
Asgeld fez uma reverência, e a senhora lhe mostrou o escudo, que era parecido com aquele que dera a Kharjo e ostentava a insígnia das espadas cruzadas, que haviam por muitos anos sido o símbolo do Rift.
— Pegue todas essas coisas — disse ela — e conduza-as a um bom desenlace! Adeus agora, Mestre Asgeld! Mas não sei se nos encontraremos de novo, e nem sei aproveitei o tempo suficiente com você.
Asgeld levantou-se.
— Talvez seja hora de descobrir.
— Sim — decidiu ela. — Faremos isso! — Lydia atirou a capa que usava para trás e saltou do beliche. — Vou já ter com o jarl. — Dobrou-se sobre um baú, abriu a tampa e pegou a primeira roupa que encontrou, uma saia de seda. — Dê-me o meu cinto — ordenou a Asgeld enquanto puxava a saia sobre as coxas. E o meu... — começou a dizer, virando-se.
— Oh — foi tudo o que Lydia teve tempo de dizer quando ele a puxou e pressionou os lábios contra os dela. Cheirava a suor, terra e couro, e os rebites de couro enterraram-se nos seus seios nus quando ele a apertou com força contra si. Uma mão prendeu-a pelos ombros enquanto a outra deslizou ao longo da espinha até a base das costas, e a boca de Lydia abriu-se para deixar entrar a língua dele, embora ela não lhe tivesse dito para fazer isso. “A barba dele arranha”, pensou, “mas a boca é suave. Ele não devia estar fazendo isso. Sou sua regente, não sua mulher”.
Foi um beijo longo, embora Lydia não soubesse dizer quão longo. Quando terminou, Asgeld largou-a, e ela deu um passo rápido para trás.
— Você... você não devia...
— Eu não devia ter esperado tanto tempo — concluiu o escudeiro, — Devia tê-la beijado em Riften, em Whiterun. Devia tê-la levado a Winterhold e a beijado nos destroços, todas as noites e todos os dias. Foi feita para ser beijada, sempre e bem.
— Eu... isso não foi certo. Sou sua regente.
— Minha regente — disse ele — e a mais corajosa, mais doce e mais bela mulher que eu já vi. Lydia...
Foi assim que, em meio a uma escuridão que se adensava, o Jarl do Rift se aprontou para conduzir todos os seus homens na estrada para o oeste. Os corações estavam pesados, e muitos estremeciam diante da sombra. Mas eram um povo resoluto, leal ao seu senhor, e ouvia-se pouco choro ou murmúrio, mesmo no acampamento, onde se abrigavam os exilados de Riften, mulheres; crianças e velhos. O destino pairava sobre eles, que o enfrentavam em silencio.
Duas rápidas horas se passaram, e agora o jarl montava seu cavalo branco, refulgindo na meia-luz. Parecia orgulhoso e altivo, embora o cabelo que esvoaçava embaixo de seu alto elmo parecesse neve de tão claro; muitos se surpreenderam com ele, e alegraram-se ao vê-lo ereto e destemido.
Lá nas amplas planícies ao lado do rio ruidoso estavam agrupadas muitas companhias que perfaziam quase cinco mil e quinhentos soldados completamente armados, e muitas centenas de outros homens com cavalos avulsos levemente carregados.
Uma única trombeta soou. O jarl levantou a mão, e então, em silêncio, o exército do Rift começou a se mover. Na frente iam doze dos homens da casa do jarl, cavaleiros de renome. Depois ia o jarl com o irmão à sua direita.
Dissera adeus a Lydia em cima, no acampamento, e a lembrança lhe trazia tristeza, mas agora voltava sua mente para a estrada que se estendia à frente. Atrás dele Asgeld montado em Farvyn, com os mensageiros de Haafingar, e mais atrás outros doze homens da casa do jarl. Passaram pelas longas fileiras de homens que esperavam com rostos austeros e imóveis. Mas, quando chegaram quase ao fim da fileira, um deles ergueu os olhos, lançando um olhar agudo para o escudeiro. "Um jovem", pensou Asgeld ao retribuir o olhar, "menor em tamanho e corpulência que muitos." Asgeld capturou o brilho de olhos cristalinos e cinzentos, e então estremeceu, pois de repente lhe ocorreu o pensamento de que aquele era o rosto de uma pessoa sem esperança que partia ao encontro da morte.
Continuaram descendo pela estrada cinzenta abaixo do Lago, correndo sobre suas pedras, através de algumas cabanas de aldeias, onde muitos rostos tristes de mulheres olhavam através de portas escuras; assim, sem cornetas ou harpas ou música de vozes humanas, começou a grande cavalgada para o leste, da qual as canções do Rift se ocuparam por muitas vidas de homem posteriormente. Da Pedra da Sombra na manhã calada com nobre e capitão saiu o filho de Laila: para Riften ele veio, para os velhos salões dos guardas do Rift envoltos em neblina; das madeiras douradas imersas em dor. Adeus ele deu ao seu povo em liberdade, ao lar, ao alto assento e aos sagrados recintos, onde tanto celebrara até a luz se apagar.
Em frente vai o jarl, o medo atrás ficando, adiante o destino. Sua lealdade ele manteve; juras que fizera, todos as cumpriram.
Em frente vai Harrald.
Dez noites, dez dias, avante para casa foram os homens do Rift. Pela Pedra de Shor e pelo Forte Amol e pelas Torres Valtheim, seis milhares de lanças para o Rio Branco. O Destino os dirigia. As trevas dominaram cavalo e cavaleiro; cascos na distância sumiram no silêncio: assim rezam as canções.
Foi realmente numa escuridão cada vez mais profunda que o jarl chegou a Whiterun, embora não passasse do meio-dia. Ali fizeram apenas uma pausa curta e fortaleceram seu exército com algumas centenas de cavaleiros que haviam sido oferecidos pelo Jarl de Whiterun. Agora, tendo comido sob o teto de Balgruuf, ele se aprontava para partir novamente, e desejou ao seu escudeiro uma estada feliz em Whiterun até que voltasse. Mas Asgeld implorou pela última vez que não se separasse dele.
— Esta não é uma viagem para animais como Farvyn, como eu já lhe falei — disse Harrald. — E, numa batalha como a que pensamos travar nos campos de Haafingar, o que você faria, Mestre Asgeld, embora você seja um espadachim, e maior na coragem do que na estatura?
— Quanto a isso, quem pode saber? — respondeu Asgeld. — Mas por que, meu senhor, fui aceito como espadachim, senão para ficar ao seu lado? E eu não permitiria que as canções dissessem que sempre fiquei para trás.
— Recebi-o para protegê-lo — respondeu Harrald — e também para que cumprisse minhas ordens. Nenhum de meus Cavaleiros pode levá-lo como fardo. Se a batalha estivesse diante de meus portões, talvez seus feitos fossem recordados pelos menestréis mas são cento e duas léguas daqui até Solitude, onde Elisif é senhora. Não direi mais nada.
Asgeld fez uma reverência e se afastou infeliz, olhando as fileiras de cavaleiros. As companhias já estavam se aprontando para partir: os homens apertando cilhas, tratando das selas, acariciando seus cavalos; alguns olhavam aflitos para o céu ameaçador. Sem ser notado, um cavaleiro se aproximou e falou baixinho ao ouvido do escudeiro.
— Quando a vontade não falta, caminho se abre, assim dizemos nós — sussurrou ele —; e foi isso o que aconteceu comigo.
Asgeld ergueu os olhos e viu que era o jovem cavaleiro que notara durante a manhã. — Você deseja ir aonde o Jarl do Rift for: vejo isso.
— Desejo — disse Asgeld.
— Então irá comigo — disse o soldado. — Vou levá-lo sentado na minha frente sob minha capa até que estejamos bem longe, e esta escuridão esteja ainda mais escura. Essa boa vontade não lhe deveria ter sido negada. Não diga mais nada para ninguém, mas venha!
— Fico imensamente grato! — disse Asgeld. — Obrigado, senhor, embora eu não saiba seu nome.
— Não sabe? — disse o soldado baixinho. — Sou Aldiard.
Foi assim que, quando o jarl partiu, na frente de Aldiard foi montado Asgeld, o escudeiro, e o grande corcel cinzento que ele montava fez pouco do fardo, pois Aldiard era menos pesado que muitos homens, embora esbelto e de corpo bem feito. Avançaram para dentro da sombra. Nos maciços de salgueiros, onde a distância se assomava o Labyrinthian, eles acamparam naquela noite. E depois continuaram de novo para norte, pois não desejavam cruzar o Labyrinthian, e através do Forte Dunstad, onde á direita grandes montanhas subiam, sob as sombras do escuro Salão dos Vigilantes, queimado por vampiros, abaixo das fronteiras de Dawnstar; mas á esquerda a névoa pairava nas montanhas que cercavam Morthal. Enquanto cavalgavam chegaram-lhes aos ouvidos os boatos da guerra no norte. Homens sozinhos, cavalgando alucinados, trouxeram notícias sobre os inimigos atacando as fronteiras orientais, sobre exércitos de draugrs marchando no Rift.
— Avante! Avante! — gritou Saerlund. — É tarde demais agora para desviarmos. As montanhas deverão guardar nosso flanco. Precisamos agora de velocidade. Avante!
E assim o Jarl Harrald continuou, e milha após milha a longa estrada avançava sinuosa, e as colinas foram passado, com fortes e estradas e cidades, e a cada vez mais ele se aproximava da Cidade do Lobo.
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