Sam acordou de repente, imaginando ter ouvido algum barulho, e ficou muito atento. Logo o barulho se repetiu e ele notou que era um grito alto de dor, quase um ganido, e viu as crianças encolhidas num canto, parecendo muito assustadas. Engoliu em seco quando o grito ecoou novamente e olhou ao redor, descobrindo logo de quem eram os sons.

- O que ele fez? – Sibilou para as crianças, que se aproximaram devagar, o suficiente para poderem conversar baixinho.

- Ele trouxe a menina errada. – O garoto sussurrou. – E o Mestre não gostou.

- Menina errada?

- É. – A menina assentiu. – Ele não trouxe a garotinha que se perdeu. Trouxe outra. Agora fique quietinho. – E voltaram a se esconder nas sombras rapidamente.

O Winchester engoliu em seco e tentou não imaginar o que o tal Mestre estaria fazendo com o rapaz loiro, mas do jeito que ele gritava, não era nada bom. Nunca soube quanto tempo aquilo durou, mas finalmente os gritos cessaram e ele não sabia se respirava com alívio ou se deveria se preocupar ainda mais.

Alguns instantes depois, a jaula fora aberta e alguma coisa havia sido jogada pra dentro, mas o moreno não conseguiu distinguir porque logo ela fora se esconder no canto mais escuro e alto do lugar, então ele imaginou se era o rapaz loiro. O Mestre bateu a grade com força e Sam se encolheu automaticamente, fechando os olhos e só os reabrindo quando parou de ouvir o barulho de passos.

- Você está bem cãozinho? – Os gêmeos perguntaram juntos e receberam um resmungo choramingado em resposta. – Vem cá, vamos cuidar de você.

- Me deixem em paz. – Ele pediu, num sussurro cheio de dor que Sam, por um momento, sentiu pena dele.

- Você não precisa ficar aí sozinho. – A menina insistiu. – Vem ficar com a gente.

O loiro hesitou, mas logo desceu e praticamente se arrastou até o colo deles, começando a chorar e soluçar baixinho, feito uma criança, e Sam percebeu que era exatamente aquilo. Eles eram apenas crianças perdidas e torturadas, que tinham apenas um ao outro. Tentou se aproximar, mas lembrou-se de que ainda estava preso, e suspirou, desviando o olhar e querendo ignorar os soluços do loiro.

- Tudo bem, tudo bem. – A menina falava com voz doce e baixa, afagando os cabelos dourados dele. – Não chore.

- E-ele não se z-zangava f-faz tempo...

- Sabemos disso... – As crianças sussurraram ao mesmo tempo.

- Tudo bem, cãozinho, ele não vai mais machucar você. – O menino disse.

O loiro se encolheu contra o colo das crianças, as lágrimas que desciam por seu rosto deixavam uma mancha escurecida naquela fantasia de palhaço que elas usavam. Sentia os olhos tristes do garoto chamado Sam em si, como se quisesse lhe dar algum tipo de carinho. Soluçou baixinho e se encolheu mais, sentindo o corpo doer extremamente cada vez que respirava.

- Vai ficar tudo bem cãozinho. – A menina garantiu.

- Ele não tem nome? – Sam perguntou baixo, meio tímido. Era estranho chamar um rapaz de cãozinho.

- Bem, se ele tinha, esqueceu. – O menino sacudiu os ombros.

- Todo mundo esquece aqui. – A menina comentou, suspirando. – E ele já está aqui faz tanto tempo...

- Quanto tempo? – Sam quis saber.

- Eu não lembro... – O loiro murmurou. – Eu só me lembro de ser pequeno e... Eu acho que meu pai me largou naquela praça...

- Por que ele fez isso? – Sam perguntou triste.

- Eu não sei... Acho que ele não me amava...

- Não seja bobo cãozinho. – A menina o interrompeu, voltando a afagar os cabelos dourados do rapaz. – Você só se perdeu.

- Não... – Ele fungou e recomeçou a chorar, voltando a soluçar baixinho. – Ele sempre gostou mais do outro filho... – Sam umedeceu os lábios, observando o garoto com pena. – Era só ele, eu era uma coisa no meio do caminho desde que a mamãe morreu... Eu só servia pra tomar conta dele.

O Winchester iria falar alguma coisa, mas engoliu assim que ouviu a jaula se abrir e fechou os olhos, ouvindo o loiro ganir baixinho quando o Mestre o chamou. Sam entreabriu os olhos, vendo o rapaz se arrastar até onde o homem estava e eles conversarem baixinho, o loiro choramingando entre as frases.

- Está bem, já chega. – O Mestre afagou os cabelos do rapaz. – Vá se deitar.

- O-obrigado Mestre, obrigado... – O loiro choramingou, voltando a se deitar no colo dos gêmeos, meio encolhido.

- Agora você. Vejamos. – Sam engoliu em seco quando o homem se agachou na sua frente e contou até dez pra não começar a pedir para ir embora enquanto o Mestre o analisava. – Vai ser acrobata. – O Mestre disse de forma fria. – Vocês dois, ajudem ele. – Falou para as duas crianças, tirando uma chave do bolso e abrindo as correntes dos pulsos do rapaz, deixando-o de pé à sua frente. – E não quero saber de mais choramingos hoje.

- Sim senhor. – Elas comentaram baixinho.

Sam tentou se afastar, mas o homem o segurou com força sobre-humana, e o rapaz gemeu de dor, se debatendo quando o Mestre agarrou seu rosto com força, o fazendo abrir a boca e o obrigando a engolir alguma coisa meio ácida e com gosto horrível. Debateu-se mais, mas logo suas pernas fraquejaram e ele caiu sentado, seu peito subindo e descendo com rapidez e seu coração batendo forte. O Mestre se afastou, sem antes, por um momento, afagar rapidamente os cabelos de Sam.

- Bom garoto. – As crianças gêmeas esperaram que ele se afastasse o bastante para que pudessem ir até Sam.

- Acho que... Bem vindo não é uma palavra boa, né? – A menina baixou os olhos.

- N-não... – Ele murmurou, se recostando na parede quando sua cabeça começou a rodar e ele se sentiu enjoado de novo. – O-o que aconteceu?

- Você é um de nós agora. – O menino comentou e logo voltou o olhar para o loiro, recostado num canto. – Você vai ficar bem cãozinho?

- Vou. – Ele sussurrou. – Podem ir com ele. Eu fico aqui com a dama...

- Está bem.

Sam queria vomitar. Na verdade, ele queria ir embora pra casa. Até abraçaria seu pai se o visse naquele momento, mesmo que não se dessem muito bem. Encolheu-se levemente quando sentiu uma nova ânsia e fechou os olhos, esperando que ela fosse embora.

-... Eu quero ir pra casa... – Choramingou baixo.

- Você já está em casa, sabe? – A menina sorriu levemente e afagou com cuidado o rosto do rapaz. – Você ouviu o Mestre, ele não quer mais ninguém chorando. Pare, por favor.

- D-desculpe... – O Winchester engoliu o choro com esforço.

- Tudo bem. Vem, vamos mostrar tudo pra você. – Eles ajudaram o rapaz a se levantar, mesmo ele ainda cambaleando um pouco. – Logo você vai se sentir melhor.

- É. – O menino concordou, sorrindo levemente. – Passa rápido.

- O que é isso que ele me deu? – Sam perguntou baixo.

- Um remédio, só isso. – A menina sorriu. – Logo você vai estar melhor.

- Tá... – O moreno murmurou, mesmo achando que aquela coisa era qualquer coisa, menos remédio.

- Vem, vamos arrumar uma roupa pra você... – O menino disse e Sam engoliu em seco, cuspindo discretamente um pouco daquela coisa que fora obrigado a tomar, embora tivesse engolido a maior parte. Tinha certeza de que aquele seria um dia muito longo.

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- Encontrou alguma coisa? – John quis saber quando Bobby entrou no quarto.

- Não muito. E você? – O caçador mais velho se sentou na beira da cama e ouviu pacientemente o que o Winchester tinha para relatar. Quando ele acabou, coçou a cabeça por cima do boné e suspirou. – Então é pior do que estávamos imaginando.

- Parece que sim. Mas eu não entendo Bobby, por que o Sam? – O moreno passou as mãos pelo rosto, quase desesperado. – Ele não é mais nenhuma criança.

- Não é só com isso que você está preocupado. Você ainda se culpa, não é? Pelo que aconteceu com o Dean.

- Eu... Eu simplesmente o deixei lá... – John engoliu em seco. – Deus, eu não queria ter feito aquilo...

- Não adianta chorar sobre o leite derramado, John. O que você fez, está feito. Nada poderá mudar isso. – Bobby disse.

- Sua sinceridade me comove.

- Eu sei. Agora pare de bancar o idiota e vamos atrás dessa coisa.

- Está bem...

- Não me venha com essas reticências, John! Simplesmente tente concertar a situação. – O senhor Singer bufou irritadíssimo.

- Tem alguma idéia de onde está o circo? – O Winchester quis saber, emburrado.

- Acho que sim. Então levante esse traseiro e vamos.

- Tá legal.

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Sam engoliu em seco ruidosamente. Ia ter que fazer acrobacias doidas num circo de horrores maluco? Era isso. Só podia ser uma piada de muito mau gosto do destino otário e fodido que estava.

- Eu não... Posso fazer isso. – Disse para as crianças gêmeas.

- Claro que pode! Vamos lá, eu sei que você consegue! – A menina o encorajou e Sam sacudiu os ombros.

- Não, não consigo. – Suspirou baixo. – Não posso fazer outra coisa?

- Não. O Mestre é quem decide o que fazemos. – Os gêmeos disseram.

- Mas eu não posso fazer isso.

- Você vai aprender. – O menino sorriu levemente. – É só tentar.

- Eu vou é me quebrar todo. – Sam mordeu o lábio inferior. – Eu não consigo.

- Você tem que tentar. – A menina insistiu. – Ande logo, se o Mestre vir e te ver assim, ele vai nos castigar.

O Winchester respirou fundo, assentindo assim que se lembrou do loiro. Com certeza não queria acabar do mesmo jeito, ou pior, mas, como esperava, na primeira tentativa de tentar subir na barra, acabou caindo com força no chão, arrancando gargalhadas dos gêmeos.

- Eu disse. – Resmungou ao conseguir se sentar.

- Sabemos. Anda, vai de novo.

- Vocês estão querendo ver eu me arrebentar todo, isso sim.

Eles voltaram a rir e Sam suspirou, se levantando e limpando a poeira da roupa nova. Tinha certeza de que iria quebrar algum osso se continuasse com aquilo, mas como não havia opção, decidiu tentar novamente, mesmo sabendo que não iria adiantar muita coisa. Como previra, caiu de novo, dessa vez batendo a cabeça com um pouco de força no chão, ficando tonto e enjoado.

- Droga...

- Você tá bem? – A menina perguntou, parecendo sinceramente preocupada.

- Tô... – Ele murmurou, se sentando com certo esforço e escondendo a cabeça entre os joelhos, tentando fazer o enjôo passar. – Minha cabeça tá doendo, só isso.

- Você vai ficar legal. Quer descansar um pouquinho?

- Quero sim.

- Tá bom. – O menino sorriu levemente e rapidamente os gêmeos se viraram ao ouvir um barulho, reconhecendo o loiro. – Você melhorou?

- Uhum. E ele?

- Já vai melhorar. – A menina sorriu também. – Você devia estar descansando cãozinho.

- Eu tenho que ficar de olho em vocês. – O loiro balançou os ombros e se sentou, recostando-se na parede. – Eu já tô melhor.

- Tá bem. – Ela pareceu desconfiada, mas logo se voltou para Sam. – E você?

- Eu tô legal. – O Winchester suspirou, se levantando com esforço e balançando a cabeça por um momento, parecendo pensativo.

- Que foi? – O loiro perguntou quando o moreno ficou olhando para um ponto aleatório no chão por tempo demais.

- Eu... – Sam mordeu os lábios, confuso. – Não me lembro o nome do meu pai. Nem da minha mãe. – Franziu as sobrancelhas ligeiramente.

- Tudo bem. Não faz muita diferença aqui mesmo. – A menina sorriu levemente. – E do rosto deles?

- Também não.

- E o seu nome? – O menino perguntou.

- É Sam. – O moreno sacudiu os ombros e as crianças sorriram levemente.

- Vai, Sam, você consegue. – Encorajaram o rapaz.

- Tá bom, tá bom. – Sam suspirou e deu mais uma olhada na barra, tentando, novamente, se segurar nela. Para sua surpresa, conseguiu. Forçou um pouco o corpo para cima e, depois de alguns instantes, já estava sentado na barra, ocupando-se em se equilibrar.

- Viu? Eu disse que você conseguia. – A menina sorriu, batendo palmas levemente, e Sam sorriu também, equilibrado na barra. Até tentou se arriscar numa pequena acrobacia, mas acabou perdendo o equilíbrio e quase caiu.

- Ai... – Respirou fundo, segurando-se como conseguia até voltar a ter firmeza nas mãos. – Isso não vai dar certo.

- Vai sim. Se quiser a gente ajuda você.

- Tá legal.

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Quando Sam abriu os olhos, arrependeu-se de ter acordado. Seu corpo todo doía, além da maravilhosa e forte dor de cabeça. Iria se virar para achar uma posição mais confortável para voltar a dormir, mas decidiu ficar como estava para não piorar a dor. Fechou os olhos novamente, tentando adormecer, mas o chão era duro e desconfortável demais, e tinha certeza de que tinha que ficar muito cansado para voltar a dormir.

- Bom dia. – Ele ergueu um pouco os olhos quando viu o rapaz loiro sentado perto de si.

- Ah... Bom dia. – Sam suspirou, sentando-se com esforço. – Achei que... Estava sonhando. E... Acordaria na minha cama agora.

- Lamento desapontá-lo. Como se sente?

- Horrível. – O moreno murmurou.

- Fica pior, não se preocupe.

- Você é sempre tão otimista? – Sam quis saber, sorrindo levemente.

- Na maior parte do tempo. – O loiro riu também. – Está com fome?

- Morrendo.

- Vou buscar alguma coisa pra você comer. Não saia daqui, tá legal? – O rapaz pediu. – O Mestre não acordou de bom humor.

- Tá legal.

Sam umedeceu levemente os lábios, olhando ao redor. Era impressão dele ou aquele circo estava... Menor? E mais escuro do que antes? Recostou-se na parede fria e fechou os olhos, tentando ignorar a dor chata em seu corpo. Nem se lembrava de como havia ficado todo dolorido, mas também não queria se lembrar realmente. Ouviu um barulho perto de si e entreabriu os olhos, reconhecendo a garota calada de antes, meio encolhida contra a parede, e reparou que ela fora a única que não lhe dirigira uma palavra.

- Han... Oi?

- Não adianta, ela não fala. – Ele se sobressaltou quando o loiro voltou, lhe estendendo um prato de comida. – Melhor não reclamar, é o que tem.

- T-tudo bem. – Sam engoliu em seco e aceitou o prato, tentando não descobrir o que realmente era. – E por que ela não fala?

- Você não vai querer saber, garoto. Mas ela ainda é muito bonita, sabia? – O loiro afagou os cabelos castanhos e compridos da garota, que esboçou um sorriso triste. – E não devia ficar triste.

- E os gêmeos?

- Por aí. Está com fome também querida? – O loiro perguntou para a garota, que meneou a cabeça levemente, negando. – Está bem. Fiquem aqui, tá? Vou procurar as crianças antes que o Mestre encontre-as primeiro.

- Tá bom. – Sam engoliu em seco levemente e esperou o rapaz se afastar para respirar fundo, tentando não se enjoar, mesmo com fome. – Que Deus me ajude...

A menina fitou o rapaz de repente, deixando que Sam notasse que seus olhos eram de cores diferentes. Um era verde e o outro azul, dependendo da luz que batia contra o rosto dela.

- Acho que não adianta perguntar o que houve com você, né? – Perguntou baixo e a garota gesticulou, como se tentasse falar. – Mímica? – Sam viu a menina concordar. – Nunca fui muito bom de mímica.

A menina sorriu levemente e apontou para a garganta, fazendo uma espécie de garra com as mãos.

- Ele arrancou sua voz? — Sam coçou levemente a cabeça e ela ergueu o polegar, mostrando a cicatriz meio arroxeada e podre para o moreno. Sam sentiu a cabeça rodar.

- Por quê? – Ela levou as duas mãos aos olhos, como quem chora. – Por que você chorava muito?

Ela assentiu levemente, umedecendo os lábios e tirando alguns fios de cabelo de cima dos olhos, soltando um suspiro inaudível, e o Winchester engoliu em seco, tendo certeza de que não conseguiria comer por um tempo depois daquilo.

- Eu sinto muito. Mas ele tem razão, você é muito bonita.

A moreninha sorriu, meio encabulada, e Sam desviou o olhar, medindo se sua fome era tanta para comer o que quer que fosse que estava no prato, mas antes de se decidir, levou um susto quando o loiro entrou correndo e foi se esconder em algum canto, junto com os gêmeos, parecendo extremamente assustados, e o moreno engoliu em seco, prevendo o perigo.

O Mestre chegara com passos duros, olhando fixamente para Sam quando o vira. Caminhou até o rapaz, arrastando-o pelos cabelos para longe do loiro, das crianças gêmeas e da menina que estava no canto.

- Não! – Sam gemeu de dor, tentando se livrar das mãos do Mestre, mas era realmente impossível.

- Calado. – O homem sibilou perigosamente e o Winchester obrigou-se, com esforço, a parar de gemer de dor.

- Por favor...

- Eu já mandei você ficar quieto.

O moreno soltou um gemido quase inaudível quando o Mestre o atirou contra a parede com força, deixando-o tonto com o impacto. Tinha certeza de que, se não fizesse alguma coisa, acabaria extremamente machucado, mas também sabia que não conseguiria fazer nada. Instintivamente encolheu-se contra a parede ao ver o homem se aproximar e fechou os olhos quando ele segurou seu rosto, machucando.

- P-por favor...

Sam berrou de dor quando alguma coisa começou a queimar seus olhos, e ficou ainda mais nervoso ao ouvir os choramingos das crianças gêmeas e do rapaz loiro, encolhidos num canto enquanto o Mestre fazia sabe-se lá Deus o que com ele. Sentia alguma coisa escorrer por seu rosto e imaginou se estava chorando, mas a dor era tanta que ele não conseguia pensar em nada, a não ser tentar fugir daquilo, sem sucesso.

- Pára, por favor! – Implorou. – Pára com isso!

- M-mestre... – A menina choramingou, mas ele a ignorara, parando apenas quando os olhos de Sam ganharam uma cor esbranquiçada.

- Não quero ouvir mais nenhum choramingo hoje. – O homem retrucou secamente.

- S-sim senhor. – O menino murmurou.

O Winchester choramingou baixinho quando o Mestre se afastou e se encolheu mais contra a parede, recusando-se a abrir os olhos. Não queria saber o que havia acontecido. Com as mãos tremendo, conseguiu enxugar o rosto molhado e fungou, tentando ignorar a dor que ainda sentia, mas não era nada fácil.

- Você está bem? – A menina perguntou num sussurro, se aproximando.

- Não...

- Olhe pra nós, por favor, Sam. – As crianças pediram e Sam fungou, erguendo os olhos, antes verdes, e que agora não passavam de orbes esbranquiçadas e sem vida. – Oh não!

- E-eu não consigo ver... – Ele choramingou, voltando a se desesperar e a chorar, soluçando baixo.

- Não, não chore! – A menina pediu.

O rapaz loiro se aproximou de Sam, sentando-se ao lado dele perto da parede, segurando seus ombros e inclinando-o para o lado fazendo-o deitar a cabeça em seu colo. Olhou triste para as crianças gêmeas, que se acomodaram perto dele, acariciando os cabelos do moreno, e o jovem tremia cada vez que tentava piscar, descobrindo aquela completa escuridão ao seu redor.

- E-eu... – Ele choramingou, apertando os olhos com força. – Eu tô com medo... – Sussurrou com sinceridade. – E-eu não quero ficar a-assim...

- Vai ficar tudo bem. – O loiro garantiu, brincando com os cabelos castanhos do rapaz. – Só pare de chorar. Você ouviu o Mestre.

- Eu n-não quero f-ficar desse jeito...

- Eu sei, eu sei. – O loiro disse. – Mas... Vai ter que ficar. Eu sinto muito.

- O que e-eu fiz? – Sam perguntou, choramingando mais.

- Não se preocupe. Logo tudo vai ficar melhor. – A menina comentou, alcançando a mão do Winchester e lhe dando um aperto carinhoso. – Vamos cuidar de você, tá? Você não vai ficar sozinho.

- T-tá... O-obrigado... – O moreno fungou, conseguindo se acalmar aos poucos e gemendo baixinho de dor quando a garota limpou seu rosto. – A-ainda dói...

- Desculpe. Vai sarar daqui a pouco.

- E-eu quero v-ver... – Sam soluçou baixo e o loiro sentiu um aperto no coração.

- Vai ficar tudo bem, Sammy. Tudo bem... Logo vai estar tudo bem melhor.

Continua...

Notas finais
Peço desculpas pela demora, eu não queria ter feito vocês esperarem tanto, mas são tantas fics para colocar em dia que eu não consigo lembrar de todas. Mas, enfim, prometo que logo sai o próximo capítulo. E obrigada a todos pelos reviews fofos.

Beijos e até a próxima