Dark Wood Circus
5 Capítulo 5
- O-o que você fazia n-no céu? – O Winchester perguntou baixinho quando conseguiu se sentar depois que o anjo terminou de limpá-lo, as costas contra a parede e o rosto pousado nos braços, com os olhos fechados apenas por não querer aceitar que não podia mais enxergar.
- Não ficava pulando de nuvem em nuvem, se é o que está pensando. – Castiel comentou divertido. – Ficava... Observando aqui. Mas faz tanto tempo...
- Q-quanto tempo?
- Muito. – Castiel suspirou tristemente. – Eu também sinto falta de casa.
- E-ele fez isso c-com você t-também?
- Fez. – O anjo suspirou. – Até com aquelas crianças gêmeas.
- C-como?
- Antes de juntá-las, se você pensou alguma coisa estranha. – Castiel riu sem humor. – Ele as juntou depois de ficarem obedientes.
- I-isso é horrível... S-são crianças...
- Eu sei. – Castiel suspirou baixo. – Não temos muita opção a não ser fazer o que ele quer.
- M-mas ele não traz s-só crianças, né? O-o loiro, ele...
- Cresceu aqui. Muitos deles. – O anjo murmurou triste. – De vez em quando ele traz alguns como você, mas é raro.
- Por quê?
- Acho que... Ele não quer ficar sozinho.
- M-mas ele não p-precisaria machucar a gente...
- Tem certeza? Você ficaria se ele não fizesse tudo isso? – Sam hesitou por um momento e suspirou, aceitando que o anjo tinha toda a razão. – Ninguém ficaria. É por isso que ele faz essas coisas.
- Você t-tá certo, mas... – O moreno suspirou e estremeceu quando Castiel tocou sua testa com delicadeza.
- Sua febre abaixou. Que bom.
- O-obrigado por estar cuidando de mim.
- É o que fazemos aqui Sam. – O anjo acariciou o rosto do mais novo, que esboçou um sorriso triste. – Cuidamos um do outro.
- Obrigado. – O moreno disse. – Será que... Algum dia eu vou poder saber como você é?
- Talvez sim. Isso foi apenas uma... Punição. O Mestre não gosta de pessoas "normais". – Castiel disse. – Ele arrancou minhas asas quando cheguei aqui. Com uma faca. E o rapaz loiro, ele... O fez se esquecer de alguém importante.
- E transformou ele no cachorrinho dele, não é?
- Isso mesmo. – O anjo disse. – Mas vai ficar tudo bem.
- E-espero que sim.
- Está melhor?
- Estou, obrigado. – Sam deu um meio sorriso. – Er...
- Vou vestir você. – Castiel pareceu ler seus pensamentos e o moreno imaginou que ele estivesse sorrindo. – Pode ficar tranqüilo.
- Obrigado Cas. – O moreno sorriu envergonhado, se arrepiando quando o anjo colocou alguma coisa quente sobre seus ombros.
- Está ficando frio. Já está de noite, você vai acabar doente se não se aquecer.
- Já é tão tarde?
- Já.
- Eu... Eu nem lembro há quanto tempo estou aqui. – Sam comentou, suspirando.
- Vai por mim, daqui um tempo você nem vai ligar. – Castiel afagou os cabelos do rapaz levemente. – Você... Hum... Você se importa se eu ficar aqui... Com você?
- Não, claro que não. Vai ser bom ter uma companhia. E está tão... Frio aqui. – O mais novo comentou, sacudindo os ombros e se ajeitou contra a parede, puxando, o que reconheceu ser um cobertor macio e quentinho, para ficar melhor sobre seu corpo, e sorriu mais quando Castiel sentou ao seu lado. – Ele não vai ficar bravo quanto voltar?
- Ele não volta tão cedo. – O anjo garantiu. – Eu posso me cobrir também?
- Claro.
- Obrigado. – O anjo comentou. – Pode... Deitar no meu colo se quiser, fica mais fácil.
Sam hesitou por um momento, mas o anjo havia sido tão... Bom com ele naquele lugar e o estava tratando tão bem. Sorriu levemente na direção dele e se aprumou um pouco.
- Tá bem, mas eu preciso de uma ajudinha.
- Venha. – O moreno sorriu mais e permitiu que Castiel o guiasse, deitando, mais relaxado, no colo do anjo, fechando os olhos apenas por fechar.
- Valeu mesmo Cas.
- Não precisa agradecer.
- Hum... Você tinha irmãos lá no céu, né? – Sam perguntou.
- Aham. E muitos, por sinal. – Castiel riu um pouco.
- E por que... Eles não vieram atrás de você?
- Não sei. – O anjo suspirou. – Acho que... Nosso pai não queria.
- Por que não? Quer dizer, é seu pai certo? Ele devia estar preocupado com você.
- Meu pai não é como o das outras pessoas, Sam. – Castiel comentou com pesar.
- Mas ele é o seu pai. Não importa.
- Eu... Eu acho que você tem razão. – Sam sorriu levemente.
- Espero que seu pai venha nos resgatar. – O moreno comentou, acomodando-se melhor no colo do mais velho, achando-o realmente confortável e convidativo para um cochilo.
- Eu também, Sam, eu também. Pode dormir.
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- Nós reviramos essa cidade até o útero, John! – Bobby comentou quando o amigo bateu a porta com força. – Você precisa se acalmar.
- Eu não quero meu acalmar! Meu filho está lá, preso com aquelas coisas!
- Eu sei disso! Mas se você não ficar calmo e sentar o traseiro nessa cadeira, eu te dou um tiro, você entendeu? – John apertou os olhos, bufando baixo e largou-se numa cadeira.
- Tem que ter alguma coisa, porra!
- É óbvio, né? – Bobby rolou os olhos.
- Temos que achar aquele garoto de novo.
- Realmente parece bem fácil. – O mais velho ironizou. – Vamos ficar rodando pela cidade até ele resolver aparecer?
- Basicamente. Essas coisas não têm um padrão?
- Acho que sim.
- Vamos esperar que ele repita o padrão e o pegamos. – John disse simplesmente.
- John... Já considerou a possibilidade desse garoto ser apenas uma vítima?
- Já.
- E?
- E que jeito melhor de encontrar essas coisas do que ele?
- Você não está pensando em torturar o garoto, está? – John o encarou e Bobby arregalou os olhos. – Que inferno, homem!
- E que outra idéia temos Bobby?
- Uma que não envolva torturar alguém!
- Sou todo ouvidos. – John rolou os olhos quando o amigo bufou. Não gostava quando alguém dizia o que tinha que fazer e muito menos iria aceitar qualquer ordem.
- Quando acharmos o garoto perguntamos a ele. Se não cooperar...
- Usamos a persuasão dos socos.
- John, sério, se você não ficar calmo eu juro que te dou um tiro só pra você ficar no hospital.
- Eu quero encontrar o meu filho.
- Eu sei. Não justifica torturar um garoto. – O Winchester mais velho suspirou baixo, passando a mão pelos cabelos, não querendo acreditar no que estava escutando ou pensando.
- Tá. Faremos do seu jeito. – Resmungou por fim.
- Obrigado por me ouvir. – Bobby ironizou.
- Disponha.
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Sam não queria acordar, realmente não queria acordar. Ali, no colo de Castiel estava tão quente e aconchegante que chegou a soluçar baixo quando o anjo o cutucou de leve para acordá-lo. Por fim, acabou piscando algumas vezes, suspirando ao abrir os olhos completamente, a escuridão o envolvendo novamente.
- Está se sentindo melhor?
- Um pouco. Só... – Ele se sentou, se espreguiçando levemente. – Odeio lembrar que agora sou cego.
- Depois de um tempo você vai se acostumar.
- Eu não sei. – Sam mordiscou o lábio inferior, estremecendo quando o anjo segurou sua mão de repente.
- Desculpe. Não vou fazer de novo sem avisar.
- Eu só... Preciso me acostumar, como você disse. – O moreno sussurrou, inconformado com aquela situação. – Eu não quero ficar assim Cas.
- Eu sei. Mas não vai demorar muito. Oh droga.
- O que foi?
- Ele está vindo. – Castiel se levantou com rapidez, fazendo Sam engolir em seco, começando a se assustar. – Se me pegar aqui, ele castiga nós dois.
- M-mas...
- Shh. Deite e eu volto depois.
O Winchester assentiu e tateou o colchão para voltar a se deitar, estremecendo enquanto ouvia os passos do Mestre, se aproximando com certa leveza que ele não gostava de ouvir. Quase choramingou quando o homem o fez se sentar e engoliu o soluço com esforço, apertando os olhos com força.
- Abra os olhos. – O Mestre ordenou, com voz dura.
- N-não me machuca... P-por favor...
- Eu não vou pedir novamente. – Sam soluçou baixinho e abriu os olhos, rezando para que o Mestre não o machucasse de novo. – Bom garoto.
- Por favor, n-não me machuca m-mais...
- Shh. Não vai doer.
O rapaz fungou e tentou se afastar, sem sucesso. O homem o segurou com força e lhe fez engolir algo, ainda mais horrível e ácida que a primeira, mas não teve tempo de pensar em outra coisa, desmaiando logo em seguida. Quando acordou, sua cabeça doía terrivelmente e sentia uma coisa, talvez um pano, amarrado sobre seus olhos, e iria tirá-lo quando sentiu mãos macias sobre as suas.
- Não. Ainda não pode tirar. – Ele reconheceu a voz do loiro e sorriu levemente. – Me desculpe ter te deixado lá, mas o Mestre...
- Tudo bem. Mesmo. – Acrescentou quando o rapaz soltou um muxoxo incrédulo. – O que ele fez comigo agora?
- Eu não sei. Só podemos saber mais tarde, quando o Mestre voltar. – Sam se ajeitou quando o loiro sentou ao seu lado e se recostou nele levemente. – Eu ouvi ele comentar que vamos voltar a apresentar na cidade. Isso é bom, sabe?
- É?
- É. O Mestre sempre fica de bom humor quando fala na cidade. – O loiro segredou.
- Mas... Como eu vou fazer alguma coisa se...
- Eu tenho certeza de que o Mestre não vai deixar você aqui. – Sam sorriu quando o outro segurou suas mãos. – Ele só faz essas coisas ruins quando está zangado, mas não acontece muito. Você vai gostar, eu tenho certeza.
- Espero que sim. – Sam comentou. – Ah... Você sabe onde está o Castiel?
- Conheceu o anjo? Ele é legal. Meio doido, mas legal. – O loiro riu brevemente. – Acho que está por aqui em algum lugar.
- É. Ele é legal. Cuidou de mim e tudo. – O Winchester se ajeitou melhor contra o rapaz, sentindo-o passar os braços por seu corpo e o trazer para perto. – Eu... Eu só tô com medo, sabe...
- Não precisa ter medo. – O loiro garantiu, afagando os cabelos do mais novo. – Todo mundo aqui vai cuidar de você. É o nosso irmãozinho agora.
- Obrigado.
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- Você não está pensando naquilo, não é John? – Bobby quis saber, observando o amigo recostado numa árvore, olhando atentamente para as pessoas no parque.
- Eu só quero achar o meu filho Bobby.
- Eu sei. – O mais velho rolou os olhos e prestou atenção numa figura alta, que entregava alguns balões para as crianças que passavam por perto. Era o mesmo garoto loiro, mas ele parecia estranhamente alegre demais dessa vez. – Ali.
- Já vi. Vamos antes que ele suma. – Os caçadores se aproximaram devagar do rapaz. John tocou em seu ombro e ele se virou.
- Oh, olá! – O rapaz sorriu inocentemente. – Quer um balão?
- Muito engraçado garoto. Que tal vir com a gente?
- Hun, eu adoraria, mas no momento estou trabalhando. – Ele sorriu um pouco mais. – Se vierem mais tarde eu posso ajudar.
- Quando é mais tarde? – John quis saber.
- Hun... Quando ficar escuro.
- Infelizmente não temos tanto tempo. – O Winchester quase rosnou e Bobby bufou, se adiantado.
- Vem com a gente, garoto. Vai ser melhor pra você.
- Colocando dessa forma, tão... Clara. – O loiro sorriu maroto.
- Vai vir ou não? – John rosnou impaciente.
- Está bem, está bem. Mas não posso demorar muito.
- Claro. – O Winchester ironizou, puxando o garoto pelo braço para longe do parque, até o Impala, com Bobby o seguindo, mas o que o irritava mesmo era a indiferença do loiro.
- Ah, vocês não me disseram o que querem comigo. – Ele lembrou.
- Você vai saber logo. – John olhou ao redor, verificando se ninguém olhava, e com rapidez puxou a arma e deu uma coronhada na cabeça do rapaz, que desmaiou.
- Winchester!
- Cala a boca e me ajuda logo Bobby.
O caçador mais velho suspirou e ajudou o amigo a colocar o rapaz desacordado no carro, tentando imaginar como colocaria juízo na cabeça de John antes que ele fizesse alguma besteira com o garoto. Chegaram ao hotel em menos de cinco minutos e Bobby gostaria de saber como John fazia aquelas coisas com tanta rapidez quando queria. Logo o loiro já estava amarrado a uma cadeira o Winchester tentava acordá-lo.
- Você vai nos meter em encrenca, isso sim. – Bobby comentou.
- Ser sutil iria funcionar?
- Provavelmente. – O mais velho sentou na cadeira mais próxima, batucando os dedos na mesa, imaginando o que John estava pensando em fazer.
- Vamos lá garoto, acorde. – O Winchester bateu de leve no rosto do rapaz. – Isso mesmo, bom menino. – Cerrou os olhos quando o loiro ofegara, meio tonto por causa da pancada. – Sua cabeça dói?
- S-sim... O que eu... – O loiro piscou várias vezes, notando onde estava depois de alguns segundos. – Estou fazendo aqui? – Fitou o homem, começando a ficar assustado.
- Não importa. Onde o Sam está?
- E-eu não posso ficar aqui. – O rapaz murmurou.
- É uma pena, porque você vai ficar até dizer onde o meu filho está.
- N-não, por favor... E-ele vai ficar bravo comigo! Por favor! – O loiro pediu.
- Quem é ele? – John perguntou secamente.
- O-o... Mestre...
- É só dizer pra onde você levou o Sam.
- N-não fui eu... Ele e-entrou sozinho. – O loiro engoliu em seco. – P-por favor, me s-solta.
- Como ele entrou? E como sai de lá? – O mais velho questionou.
- E-e-eu... – O loiro soluçou. – P-p-por favor, eu n-não sei...
- Você sabe sim.
- Eu não sei! – O rapaz fechou os olhos, tentando parar de soluçar. – M-me deixa i-ir...
- John. – Bobby chamou, se levantando num pulo quando o Winchester deu um forte soco no rosto do loiro. – Winchester!
- O quê?! – John ralhou com irritação.
- Se continuar assustando o garoto, não vai conseguir nada dele! – Bobby exclamou, irritado, e puxou o homem para longe do loiro.
- Dane-se! Ele vai falar de um jeito ou de outro!
- Você vai esfriar essa porra de cabeça antes que eu faça isso, Winchester. – John resmungou algo, deixando o cômodo batendo a porta com força. – Garoto, garoto. – Bobby se aproximou do loiro. – Tudo bem agora, ele não vai machucar você.
- N-não é dele que e-eu tenho medo. – O rapaz murmurou, cuspindo um pouco de sangue que acumulara em sua boca. – P-por favor, me deixa i-ir embora...
- Eu não posso fazer isso garoto. Não até dizer onde o Sam está.
- Eu não posso... – O loiro choramingou. – Eu não posso senhor, p-por favor...
- Por quê? – Bobby questionou.
- P-porque ele v-vai me machucar...
- O Mestre?
- É-é.
- É ele quem manda você levar as crianças? – O caçador suspirou quando o rapaz soluçou baixinho. – Certo. Não pode falar também, não é?
- E-eu tenho q-que voltar... P-por favor... – O loiro pediu. – E-eu juro q-que não ia l-levar nenhuma c-criança hoje...
- Só queremos ajudar você, garoto. Me diga, onde fica esse lugar? – O loiro negou com a cabeça, soluçando. – Você não está ajudando.
- N-não posso... – Ele murmurou. – P-por favor, m-me solta...
- Quero ajudar você, mas precisa me dizer. Conhece o Sam? Um garoto alto, com olhos de cachorrinho que caiu da mudança?
- E-eu... S-sim. – O rapaz soluçou.
- Ele está lá, com você?
- S-sim... – O loiro umedeceu os lábios. – P-por favor...
- Ele está bem?
- M-mais ou m-menos... O-o Mestre deixou ele... C-cego.
- Meu Deus. – Bobby suspirou, trazendo a cadeira para perto para poder se sentar. – Escute, garoto, nós podemos tirar vocês...
- Não! P-por favor, e-eu só quero voltar!
- Por que quer voltar? Não disse que ele o machuca?
- E-eu disse m-mas... Há outros... Ele pode d-descontar neles!
- Então?
- Eu sou o mais velho. – O loiro sussurrou, abaixando a cabeça e deixando os cabelos esconderem seu rosto. – Por favor, não os deixe serem castigados por minha culpa.
- Me deixa ajudar você.
- Não pode, ninguém pode.
- Vamos garoto, me deixe tentar te ajudar.
- Sinto muito. – Ele murmurou. – Por favor, me solte.
- Do que tem tanto medo? O que... Aquele cara faz com você?
- Coisas... Por favor, eu preciso ir. – O loiro insistiu, erguendo o rosto para poder fitar o mais velho, que suspirou. – Se eu disser mais, o Mestre me castigará ainda mais.
- E se eu for com você? – O caçador mais velho sugeriu.
- N-não pode... Ele não o deixaria entrar.
- E o que eu posso fazer?
- Me soltar. – O rapaz suspirou. – Se eu não voltar ele vai machucar o Sam. Por favor.
- Vou soltá-lo. Mas vou com você. – Bobby disse, observando o garoto choramingar. – Não adianta garoto. Não vou deixar você sozinho com esse seu Mestre.
- Ele vai matá-lo antes de conseguir entrar. – O loiro murmurou.
- É um risco que vou correr.
- E então? – Bobby rolou os olhos quando John voltou. – Ele abriu o bico?
- Não começa John.
- O quê? – O Winchester ralhou. – Só quero saber se ele disse alguma coisa.
- Ele disse que conhece o Sam. O tal do Mestre está com ele.
- Não por muito tempo...
- John! Quer me ouvir, homem?
- Não, eu não quero! Eu quero ir atrás do meu filho!
- E nós vamos! – Bobby retrucou. – Mas que porra, John, não dá pra simplesmente entrar lá assim, do nada.
- E como você sabe? Por que ele falou? – John ironizou, indicando o loiro com um aceno. – Ele está mentindo.
- Ele não está mentindo. E John... – Bobby umedeceu os lábios. – Notou como... Aquele garoto lembra um pouco você?
- Você só pode estar brincando.
- Não estou. – O mais velho meneou a cabeça. – Só... Olhe pra ele, certo?
John contou até dez mentalmente. – Tá... – Disse à contra gosto, bufando baixo.
- Vai com calma. Ele é apenas uma vítima, lembre-se disso.
- Você está ficando mole demais Bobby.
- Cala a boca e faz o que eu disse Winchester.
John revirou os olhos, caminhando até o garoto, que se encolhera um pouco quando ele se aproximara. Fitou-o por alguns segundos sem dizer uma única palavra.
- Quantos anos você tem, garoto?
- N-não sei mais senhor. Faz m-muito tempo que e-eu estou lá... – O loiro murmurou, erguendo os olhos timidamente.
- Te dou uns vinte e poucos anos... – John suspirou. – Você... Deu algum apelido pro Sam?
- E-eu... S-Sammy...
- Por quê?
- Eu n-não sei senhor.
- Como foi... Parar lá? – O Winchester quis saber.
- A-acho que m-meu p-pai me abandonou...
- E... Você lembra onde?
- N-na praça... – John umedeceu os lábios, respirando baixo.
- ...Dean?
O loiro olhou-o assustado. – O-o quê?
- Você... Seu nome é Dean, não é?
- E-eu... – O mais novo hesitou. – E-eu não l-lembro senhor.
- Mas... Foi familiar, não foi? – John perguntou e o rapaz assentiu.
- C-como s-se fosse um s-sonho...
O Winchester engoliu em seco e, sem aviso, abraçou o rapaz, que arregalou os olhos levemente, não entendendo.
- M-mas... – O garoto ficou imóvel sob os braços de John. – O-o que aconteceu?
- Eu sinto muito filho. – O mais velho murmurou.
- P-por favor, me deixa ir e-embora... – O loiro pediu.
- Dean, não, eu não vou deixar ele te machucar mais.
- Eu preciso ir! – Ele fechou os olhos, soluçando baixinho. – Por favor, eu tenho que ir senhor. O Mestre vai castigar os outros por minha causa. Eu não posso deixar isso acontecer. Me solta, por favor.
Continua...
Notas finais
Obrigada ao pessoal pelos reviews, eu respondo assim que puder, certo?
Então... Até a próxima!
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