Dark Souls - A Novelização

1 Capítulo 1 - O Asilo Morto-Vivo


Notas iniciais
“Com certeza, o Sinal das Trevas marca os morto-vivos”.

“Mortos vivos são encurralados, então levados ao norte, para serem trancados no Asilo, onde ficarão trancados até o Fim do Mundo”.

“Este é o seu destino”.
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Bem, pessoal. Esta é uma novelização de um dos jogos de RPG mais difíceis e fantásticos que conheço: Dark Souls.

Vi poucas fanfics de Dark Souls, mesmo em sites estrangeiros, então decidi fazer a minha própria, seguindo a linha temporal do jogo.

Espero que gostem, e... Boa leitura!

O asilo morto-vivo. Uma construção de eras antigas, dos tempos do Lorde Gwyn, da sua sagrada cruzada para re-acender a Chama e manter a Era de Fogo viva. Naqueles tempos, era uma moradia digna de um duque ou de um lorde menor. Agora, era uma fortaleza que mal se aguentava em pé. Era um grande castelo de pedra desgastada, com corredores cobertos de limo e com grama emergindo por entre as pedras centenárias. Morto-vivos que se tornaram Vazios patrulhavam aqueles corredores, empunhando espadas quebradas e arcos de madeira apodrecida. O pálido e melancólico sol iluminava aquele estranho abrigo, praticamente encoberto pelas várias nuvens no céu. Sempre foi assim, sempre será assim. O sol sempre estará condenado á não brilhar naquele lugar amaldiçoado.

Os corredores daquele lugar tinham portas gradeadas e vermelhas de ferrugem em suas paredes. Atrás deles, morto-vivos Vazios batiam contra as grades, se contorciam, gritavam palavras incompreensíveis ou simplesmente se sentavam no canto das suas miseráveis celas, aguardando o seu fim.

Ratos corriam livremente naqueles corredores, carregando doenças e parasitas que deixavam a sua pele se encher de bulbos inchados e pulsantes com pus, e seus olhos vazios só demonstravam malícia e dor, embora seu tamanho não fosse grande coisa.

No final de um dos corredores, havia uma cela em particular na qual uma luz caía do teto, vinda de um buraco quadrado por lá. Lá dentro, havia um morto-vivo, de pele enrugada, seca e arroxeada. Cabelos negros de fios quebradiços corriam de sua cabeça até seu pescoço, e seus olhos não eram nada além de buracos negros, fundos e cheios de infinito desespero. Sua magreza era quase anoréxica, e em seu peito, marcas como de vermes formavam uma estranha árvore. Estava trajado apenas com uma tanga de pelos e couro, e esta estava afixada ao seu corpo por uma faixa de pelo e couro que cruzava o seu peito e ombro esquerdo, e dava uma volta em suas costas para retornar á tanga.

Esse estranho morto-vivo estava sentado, recostado no canto de sua cela, numa pose de desalento e conformação. Porém, ao contrário dos outros, não parecia estar tão debilitado como os outros, e seus olhos não brilhavam, pelo contrário, eram como dois túneis que levavam diretamente para baixo. Ao contrário dos outros, ainda não estava Vazio. Não perdera sua sanidade. Ainda servia para alguma coisa.

Ele ficou assim pelo o que pareceu ser minutos, horas até. Não havia mais nada á se fazer.

Mas um som chamou-lhe a atenção. Um som de algo se rastejando.

Ele ergueu a cabeça em leve interesse, e o que veio á seguir o surpreendeu.

O morto-vivo teria piscado em surpresa se ainda tivesse pálpebras, pois do buraco no teto, caiu o cadáver de um morto-vivo Vazio. O cadáver, ao atingir o chão, ergueu uma leve nuvem de poeira. As suas costelas pronunciadas e o ferimento que atravessava a barriga e as costas denunciavam que havia sido perfurado por algo, provavelmente uma espada.

Ele olhou para o buraco, e viu um cavaleiro o observando. Um cavaleiro mesmo, com armadura de placas metálicas e um capacete com visor reto. Eles se encararam por alguns segundos, o morto-vivo com surpresa e ligeiro temor, e o cavaleiro... De provável curiosidade, embora a sua face fosse impossível de ser vista por causa de seu volumoso capacete.

Após isso, o cavaleiro se levantou e simplesmente saiu, sem proferir uma palavra.

O morto-vivo olhou para o corpo do outro, que parecia estar morto. Após olhá-lo por mais alguns segundos, este se pôs de pé, agarrando o cabo de uma espada que estava do seu lado. Porém, era somente o cabo mesmo, com uma pequeníssima parte de uma lâmina quebrada. Era melhor do que sua mão nua, com certeza. Mas era apenas um cabo com uma mínima lâmina, e a espada ainda era anciã e meio sem corte. Facas de cozinha seriam mais aptas á combate do que aquela arma.

Ele se curvou e analisou cuidadosamente o outro morto-vivo. Estava morto, com certeza. Ele provavelmente voltaria á viver em algum outro lugar, por causa da estranha natureza dos mortos-vivos, mas deixaria para trás algumas de suas coisas.

E deixou. Uma chave de ferro, que foi pega pelas mãos trêmulas do morto-vivo que ainda estava de pé.

Ele se pôs de pé e caminhou até a cela, esperançoso. Será que a chave se encaixaria na fechadura daquela rígida grade metálica, a grade que lhe prendia á sua cela?

Ele meteu a chave na fechadura e girou-a... E um estalo pôde ser ouvido, quando a porta destrancou-se. O morto-vivo empurrou-a ansiosamente, e a porta rangeu em protesto, mas finalmente cedeu á sua força e abriu-se, libertando o morto-vivo de sua cela.

Seus lábios ressequidos se estreitaram em um largo sorriso, causando-lhe dor, mas ele não importou. Após tantos anos, finalmente livre!

Ele sentiu uma coisa que não sentia a tanto tempo naquele lugar.

Felicidade.

Porém, logo seu sorriso apagou-se. Ocupar-se-ia de comemorar mais tarde. Ele já vira a segurança do lugar, há tantos anos atrás, quando foi trazido para o Asilo. O Demônio do Asilo patrulhava a saída, e antigamente, havia cavaleiros e guerreiros andando pelos corredores daquele local. Não eram habilidosos ou sequer fortes, mas eram mais do que páreo aos mortos-vivos praticamente insanos que viviam naquela prisão maldita.

Ele caminhou pelo corredor cuidadosamente, segurando o cabo de espada com firmeza. Ele lançou olhares ás celas do lado. Morto-vivos sentados que o olhavam com curiosidade vaga, outros que batiam contra as celas com violência e outros que grunhiam e tentavam abrir as suas portas, com suas mãos, pedras ou faquinhas, sem resultado algum.

Mais á frente, encontrou um morto-vivo recostado na parede, parecendo estar chorando. Estava soluçando de um modo estranho, enquanto tremia. O morto-vivo que empunhava o cabo da espada então percebeu uma coisa. Os cavaleiros e guerreiros tinham sumido há muito tempo atrás. Para buscar outros morto-vivos ou achar um trabalho melhor (Ou tinham morrido), seja qual fosse o motivo, provavelmente não estavam mais ali. De outro modo, aquele morto-vivo não estaria ali, chorando. Já teriam o matado ou o levado de volta á sua cela.

Ele prosseguiu pelo corredor, com mais esperança ainda. Ignorando os outros morto-vivos que estavam sentados, lamentando ou fazendo basicamente nada pelo corredor, ele já estava chegando ao final do corredor, quando percebeu o som de passadas largas e pesadas.

Ele olhou ao redor, confuso e alerta, tentando ver de onde vinham esses sons. Ele percebeu uma janela velha e poeirenta, e viu um vulto passar por ela.

O morto-vivo correu até lá e passou a mão na janela, removendo parte da poeira interna, e o que viu lá fora não era nada animador.

Um ser humanóide gigante, com pernas e coxas grossas, mais grossas do que um homem deitado, e pés deformados, tortos. Sua pele escura era enrugada e parecia ser dura como pedra, e seu corpo era muito gordo, com braços grossos – mas finos em comparação com o resto do corpo – e uma cabeça deformada, com olhos vermelhos que brilhavam malignamente, uma boca aberta cheia de presas afiadas e com resquícios de carne rósea por entre os dentes, e uma cauda que se balançava mecanicamente atrás dele. Em suas mãos, ele empunhava uma arma gigantesca, uma maça gigantesca que parecia ser feita de uma estranha mistura de pedra e madeira. Um golpe daquela coisa o esmagaria facilmente, caso não tivesse algum tipo de armadura.

O morto-vivo franziu a testa. Isso seria um problema á ser resolvido mais tarde.

Ao seguir no corredor, finalmente encontrou uma sala redonda com uma escada de ferro enferrujado logo na sua frente, e logo sentiu seu pé ficar molhado graças á água poluída daquele lugar. Estava suja com dejetos que ele não queria sequer imaginar, e ele caminhou diretamente até a escada.

Começou á subi-la, e ao alcançar o topo, se viu numa sala escura, feita de pedra rachada, com um portal que permitia a entrada da pálida luz do sol. Sem pensar duas vezes, o morto vivo atravessou-o.

Ele se viu num pátio de grama frágil, com estruturas de pedra ao seu redor. Logo á sua frente, havia um gigantesco par de portas de ferro, robustas e duráveis. Logo á direita do gigantesco par de portas, havia uma porta gradeada, não diferente daquela de sua cela. Mas o maior destaque no pátio era uma espada fincada no chão em seu centro, com brasas brilhando onde estava fincada. O metal estava somente levemente alaranjado com o leve calor da fogueira. Era uma Fogueira. Fogueiras eram estruturas que permitiam a completa cura e repouso de qualquer morto vivo que se sentasse ao seu redor, e também secretava um líquido dourado de sabor indescritível – mas bom – que podia ser coletado com frascos, conhecido como Estus.

Porém, a Fogueira precisava ser propriamente acendida. E o morto-vivo sabia como.

Ele pôs a sua mão sobre a fogueira, sem tocá-la, e focou-se nas suas chamas. Sentiu seu calor, sua força vital. E então, ele doou á Fogueira um pouco de sua força vital, incentivando-a á viver e reacender novamente, e foi o que ela fez. Suas chamas subiram um pouco e o calor aumentou, passando de ser apenas leve para confortável, induzindo á sonolência.

O morto-vivo sentou-se ao redor da Fogueira e sentiu-se subitamente revitalizado e energizado, como alguém que acaba de comer uma bela refeição.

Ele se pôs de pé de novo, e caminhou até a porta menor, para ver onde esta iria dar. Porém, ao ver a tranca, ele logo desistiu, pois viu que ela estava trancada pelo lado de fora por um ferrolho de ferro. Então, ele abandonou-a e caminhou até as portas gigantes.

Ele analisou-as e percebeu que não havia tranca nelas. Logo, concluiu que deviam abrir com mera força bruta.

Ele bateu as mãos nelas e começou á empurrá-las. Ele escutou as portas rangerem, e o peso delas era simplesmente descomunal, mas elas cediam á sua força. Gradualmente e lentamente, mas cediam. Logo elas se abriram, e revelou um pátio gigante com solo de pedra, com portas de aço e madeira no lado oposto ao seu. Pilares e jarras de cerâmica velha decoravam o lugar. O morto-vivo logo percebeu que era o pátio de entrada, e aquela porta era a saída.

Ele lançou-se para frente subitamente, em grande velocidade, para alcançar a porta. Seu sorriso mostrava a sua esperança de escapar daquele inferno tedioso, daquele lugar maldito, do asilo. Porém, quando estava na metade do caminho, ele percebeu uma coisa errada. Esse pátio era o pátio que vira o Demônio do Asilo caminhar. Onde ele estava?

Virou para trás, subitamente sentindo que devia sair daquele lugar, mas as pesadas portas de ferro fecharam-se sozinhas com um estrondo.

Preparando o pequeno punho de espada, embora soubesse que era algo praticamente inútil, ele virou-se, olhando ao redor atentamente. E então, ele percebeu um vulto saltando no ar... E o chão tremeu quando o Demônio do Asilo bateu no chão com suas boas oito toneladas, caindo em pé e encarando o morto-vivo com ódio e fúria. O demônio rugiu em desafio, e o morto-vivo percebeu detalhes que não tinha visto antes. Pequenas asas atrofiadas em suas costas, o cheiro atroz de decomposição e sangue que vinha de sua boca e saliva, e acima de tudo, o sangue seco que manchava a sua maça.

Ele ergueu sua imensa ferramenta de morte, e o morto-vivo rolou para o lado, justamente em tempo de desviar do golpe destruidor, que triturou as pedras que atingiu no lugar do morto-vivo.

O morto-vivo observou o demônio cuidadosamente, analisando cada movimento dele. A adrenalina corria pelas veias do morto-vivo, e ele rolou de um golpe horizontal do demônio, que quebrou dois pilares, os fazendo ruir em pedras, e estilhaçou vários dos vasos antigos.

O morto-vivo aproveitou enquanto o demônio se recuperava, e correu até ele e golpeou-lhe o joelho com seu cabo de espada, fazendo um minúsculo corte com sua lâmina quebrada, que verteu muito pouco sangue da criatura. De fato, nem uma gota de sangue pingou no chão.

O demônio olhou para baixo e ergueu o porrete, e o morto-vivo tentou recuar, mas estava próximo demais. A cabeça arredondada da maça bateu no chão e literalmente varreu este, batendo no morto-vivo com violência e jogando ele á uns quatro metros de distância, junto com estilhaços e lascas de pedra.

Ele se pôs de pé, grunhindo, mas viu que o demônio já estava erguendo a maça para lhe finalizar. O morto-vivo rolou para o lado, evitando o golpe esmagador da maça. Ele se pôs de pé novamente, agarrando uma lasca particularmente afiada de cerâmica e jogando-a no olho da criatura. Porém, ela evitou a lasca só de balançar a cabeça, e ela passou reto, só atingindo levemente o lado esquerdo do rosto do demônio sem causar dano real.

O Demônio do Asilo saltou ao ar subitamente, muito mais rápido do que seria esperado de um ser de seu peso e altura, e o morto-vivo mal teve tempo de recuar antes que ele caísse no chão com um estrondo massivo. Se ele tivesse ficado parado onde estava, ele teria se tornado uma massa ensanguentada.

Ele olhou ao redor desesperadamente, e á sua esquerda, ele visualizou uma porta gradeada aberta. Os deuses tinham decidido ajudá-lo, ou ele simplesmente estava com sorte?

Não perdeu tempo pensando, ele se lançou á aquela porta, á tempo de evitar um golpe esmagador do porrete da besta demoníaca.

Ele fechou a porta atrás de si com violência, fazendo-a tremer em suas bases – afinal, já estava enferrujada, e o morto-vivo era mais forte do que parecia – e ele trancou-a com o ferrolho.

O demônio tentou chutar a porta, mas sem sucesso, pois seu imenso corpo era bloqueado pela laje que era sustentada pelos pilares de pedra.

Ele rugiu de frustração e curvou-se, colocando a cabeça na porta para observar o morto-vivo, que se virou de costas para ele, e viu que o único caminho era para baixo via umas escadas, e as desceu.

Notas finais
E então, o que acharam?

Deixem a sua opinião!

Nos veremos no próximo capítulo! o/