Dark Dawn

7 Capítulo 7: No Covil da Serpente


Notas iniciais
Sétimo capítulo! Boa leitura!

Dark Dawn

Capítulo 7:

No Covil da Serpente

○♦○

SUIGETSU TINHA SIDO EFICIENTE, como Sasuke sabia que ele seria. Cuidou dos Shinobis leais à Takigakure que espreitavam a entrada do esconderijo de Orochimaru com rapidez e discrição, despachando-os sem dificuldade. E, logo em seguida, tanto Sasuke quanto Karin estavam descendo da árvore na qual se abrigaram e reunindo-se a ele lá embaixo, que exibia um meio sorriso.

— E então? — perguntou a ambos, apontando para si mesmo com prepotência. — Como me saí? Nada mal, não é?

— Corta o papo furado, cabeça de peixe.

Karin resmungou ao passar por cima do corpo de um Shinobi estirado na relva; embora estivessem inconscientes, Suigetsu havia tido a diligência de não ferir nenhum deles num ponto vital, poupando-lhes a vida, mas não certamente por compaixão e sim porque sabia que Sasuke — o Sasuke diante dele agora — desaprovaria derramamento desnecessário de sangue.

— Vamos lá. Vamos encontrar o Orochimaru-sama. — Karin olhou para Sasuke, que apenas passou por ela a fim de alcançar a entrada oculta do esconderijo.

O sol aquecia toda a floresta, derramando-se através das brechas nas copas das árvores imensas. O único som presente era o dos insetos e aves que enchiam a floresta ao sul do país da Cachoeira com vida. Excetuando-se isso, todo o restante havia se emudecido. Mesmo os passos do trio não produziam ruído algum. Karin tinha se certificado de que eles não encontrariam nenhuma surpresa desagradável pelo caminho e, assim, eles penetraram pela entrada estreita de uma caverna com Sasuke na frente e os outros dois seguindo mais atrás.

A luz do dia desapareceu sobre eles, a escuridão dentro do túnel era densa e fria. Ao término do corredor rochoso — um beco sem saída à primeira vista —, Karin tomou a dianteira e pressionou um mecanismo oculto na parede. Uma vez acionado, uma rocha imensa deslizou para o lado, revelando a continuação da construção, desta vez com paredes lisas, o chão formando um desenho intricado, e cabeças de serpente esculpidas em pedra emergindo de ambas as paredes; nas suas bocas abertas, velas bruxuleavam e iluminavam parcamente a passagem lúgubre.

Sasuke retomou a liderança ao passar por Karin, apressando o passo agora que se encontrava dentro da base oculta de Orochimaru. O lugar parecia abandonado, quase fantasmagórico numa primeira inspeção, mas ele sabia que havia subordinados agindo nas sombras, protegendo seu mestre. Conforme atravessavam o corredor, passando por vários recintos, Sasuke sentia pares de olhos que não pertenciam aos antigos membros do Taka sondando-o, perscrutando-o, reconhecendo-o como o garoto que uma vez prometeu abrir mão do próprio corpo para o seu mestre em troca de poder.

Aqueles tempos tinham terminado havia muito tempo, e por escolha do próprio Sasuke, que absorveu tudo o que pôde do Sannin e o descartou assim que não enxergou mais utilidade no aprendizado. É claro que Orochimaru não encontrou o seu fim naquele dia. Como uma cobra, o homem retornou para as sombras e aguardou, paciente, pelo momento certo para tentar dar o bote outra vez e tomar posse da linhagem sanguínea dos Uchiha. Sasuke ainda devia a Itachi o fato de que ele não obtivera êxito nessa empreitada.

Depois disso, o Sannin pareceu se conformar de que jamais colocaria as mãos no Sharingan, então voltou os seus esforços para um propósito ainda maior: obter a imortalidade. No futuro em que Sasuke vivia, o Sannin não representaria mais do que uma pequena ameaça, vivendo à sombra do terror que apenas o seu nome ser pronunciado causaria no coração dos Shinobis. Não mais um inimigo da vila, mas alguém cujas ambições deveriam ser vigiadas de perto para que não ferissem mais inocentes.

Sasuke se perguntava como encontraria o antigo mestre. Eles nunca haviam tido uma relação próxima como Naruto e Sakura tinham com seus respectivos mestres. Não havia nem mesmo respeito por parte de Sasuke para com ele. O que possuíram há muitos anos não havia passado de uma mera relação de interesses. Ainda assim, ele se pegou curioso sobre o destino do Sannins das cobras naquela realidade tão estranha e inóspita.

Como se pressentisse o rumo dos seus pensamentos, Karin se pronunciou:

— Devo te alertar, Sasuke, que Orochimaru-sama não se encontra em boas condições. A saúde dele tem se debilitado a cada dia, e esse reencontro provavelmente exigirá mais das forças dele do que o recomendável.

Sasuke ergueu uma sobrancelha, mas não se virou para a Kunoichi ao respondê-la.

— Então ele não encontrou o que tanto procurava? A imortalidade.

Suigetsu estalou a língua no céu da boca num muxoxo.

— Seria bem difícil se dedicar a pesquisas e experimentos com cinco nações bastante zangadas fungando no seu pescoço. Para não dizer impossível. Ele vem fugindo e se escondendo, indo de país em país, desde o término da guerra. Sempre houve subordinados leais e fanáticos dispostos a protegê-lo — Suigetsu olhou de viés para Karin —, então é basicamente assim que ele vem sobrevivendo. Mas os jutsus de trocas de corpos deixaram de mantê-lo saudável já tem algum tempo.

— Com a saúde debilitada, fica mais difícil movê-lo de esconderijo a cada dia — Karin complementou. — Por isso chegou ao ponto de termos Shinobis de Taki farejando o seu paradeiro.

Depois de uma pausa, ela continuou:

— As nações aliadas consideraram Orochimaru-sama seu cúmplice quando você executou os cinco Kages a sangue frio. Por isso eles têm nos caçados sem descanso desde então. Os novos Kages não foram benevolentes com aqueles que se associaram a você, Sasuke, e isso causou a morte do Juugo.

Sasuke abaixou a cabeça e apertou o passo, sem ter mais nada a dizer. No fim do corredor, as chamas das velas revelaram uma porta sólida e negra. Karin passou por ele e se posicionou diante dela, envolvendo a maçaneta com o punho. Mas, antes de abri-la, virou-se para olhar Sasuke uma última vez, uma advertência clara nos olhos entrecerrados e severos:

— Lembre-se, Sasuke: ele está muito debilitado. Não o force além do limite.

E, dizendo isso, abriu a porta, revelando um cômodo tomado quase que completamente por sombras. Sasuke entrou sem demora, seguindo Karin, e Suigetsu fez o mesmo. Seus olhos levaram poucos segundos para se adaptar à penumbra que prevalecia no quarto. Uma vela fraca, no canto oposto, provia a única fonte de iluminação. E embora não pudesse enxergar devidamente, ele distinguiu os contornos de uma grande cama encostada à parede, assim como a figura moribunda que a ocupava.

E foi dela que uma voz rouca e falha soou, cumprimentando apenas um dos visitantes recém-chegados:

— Ora, os meus olhos me enganam? Sasuke-kun — ele pronunciou o nome do antigo pupilo num fôlego áspero e curto. — Não pensei que veria o seu rosto outra vez.

O homem frágil estava acomodado na cama, as costas descansando numa pilha de travesseiros com uma manta fina estendida sobre as pernas. O cabelo negro e liso caía sobre a metade esquerda do seu rosto, ocultando-lhe um dos olhos enquanto o outro brilhava fracamente sob a luz tépida da vela. Íris dourada, pupila negra e elíptica como o olho de uma serpente, pálpebras contornadas por um traçado violeta que se destacava na tez doentiamente pálida.

— Orochimaru — Sasuke o cumprimentou de volta, dando um passo adiante na direção da cama.

Os lábios do homem se curvaram num sorriso viperino.

— A que devo a honra de sua presença depois de tantos anos? Qualquer um deveria pensar que um mestre adoentado deveria ser visitado com mais frequência pelo seu pupilo favorito.

Sasuke suspirou pesadamente.

— Preciso da sua ajuda.

Na semipenumbra, o sorriso de Orochimaru se ampliou.

— Mesmo? Eu me lembro da última vez em que você me invocou e pediu pela minha ajuda. Estava se sentindo perdido e desorientado, não tinha certeza qual caminho deveria tomar. Seguir com a sua vingança contra Konoha ou cumprir a vontade de Itachi-kun e perdoar todos aqueles que te fizeram mal.

Sasuke se lembrava muito bem daquele dia, da despedida final de Itachi, das memórias que ele lhe confiou, das palavras que tentou incutir no seu coração tomado pelo ódio. Banhado pela luz da liberação do jutsu Edo Tensei, Sasuke olhou nos olhos do irmão e então os fechou, refletindo sobre a sua jornada e o seu propósito até ali. O que era uma vila? O que era um Shinobi? O que era um Hokage? Invocar Orochimaru para que ele lhe ajudasse a encontrar aquelas respostas havia sido uma decisão acertada. O homem serpente trouxe de volta os quatro Hokages, que por sua vez ofereceram-lhe as respostas que ele pensou na época que precisava ouvir para redefinir o seu caminho.

Somente as palavras e a determinação de Naruto mais tarde o demoveriam de outra decisão equivocada. Mas, naquele mundo, Sasuke jamais permitiu que o melhor amigo tocasse o seu coração. Ele seguiu adiante com uma visão deturpada do que era um Hokage e de como a paz mundial seria alcançada. Naquele mundo, Naruto falhou e Sasuke prevaleceu, e o ódio dele havia destruído tudo aparentemente.

— É diferente dessa vez. Eu não sou mais aquele garoto — Sasuke explicou para o antigo mestre com uma serenidade inabalável. — Preciso de respostas, Orochimaru, e acredito que você possa ser o único a me fornecê-las.

Os olhos dourados de Orochimaru perscrutaram Sasuke, examinando-o de cima a baixo. Então, calmamente ele entrelaçou os dedos pálidos sobre o colo e consentiu para que o homem que um dia já foi seu pupilo prosseguisse.

E Sasuke assim o fez, contando o que acontecera a ele desde que despertou naquele mundo. Omitiu alguns detalhes que não considerou serem relevantes para a construção do seu relato, e viu a expressão de Orochimaru se alterar pouco enquanto ele falava. Exceto por gestos sutis, o homem mal se movera, embora uma sugestão de curiosidade e intriga tivesse faiscado no âmbar dos seus olhos. Ao término de tudo, Sasuke estava se sentindo exausto e vulnerável, o cansaço finalmente se manifestando nos seus músculos e ossos, uma fadiga corroborada por toda a tempestade emocional que o havia acometido há alguns dias.

Orochimaru esfregou o queixo devagar, ponderando, refletindo. Sasuke viu que seu relato havia impressionado tanto Karin quanto Suigetsu, que se tornaram emudecidos e introspectivos uma vez que as palavras de Sasuke foram abarcadas pelo silêncio do cômodo.

Finalmente, depois de um longo período sem se pronunciar, Orochimaru ofereceu a sua opinião sobre a questão:

— Você disse que na sua última noite no mundo “normal”, enfrentou uma Kunoichi leal ao Chikage e que ela fugiu antes que pudesse ser capturada e interrogada.

— Sim — Sasuke anuiu.

— E que ela evadiu a luta assim que se feriu e que o sangue dela entrou em contato com a sua pele e roupas.

— Foi exatamente assim que aconteceu — confirmou com severidade. — Tem alguma ideia de como isso pode estar relacionado ao fato de eu ter despertado nesse lugar? Nessa realidade?

Orochimaru tamborilou os dedos pálidos sobre a manta fina que cobria o seu colo.

— Curioso — murmurou mais para si mesmo do que para o antigo pupilo.

— Não se trata de um genjutsu, pois não pude quebrá-lo. Tampouco fui transportado para outra dimensão como Kaguya e Obito fizeram comigo e com Naruto no passado. Seja o que for esse lugar, parece ser... real — admitiu relutantemente.

Karin, que até então estivera em silêncio, deu um passo adiante:

— Eu posso atestar que não se trata de um genjutsu — disse, olhando para Sasuke. — O chakra do Sasuke está perfeitamente estável. Calmo até. Sem sinais de perturbação ocasionada pela interferência do chakra de terceiros.

Orochimaru absorveu o que a Kunoichi sensora disse e se virou para o antigo pupilo com uma expressão grave.

— Tudo leva a crer que o Chikage foi o único responsável pela sua “abdução”, Sasuke-kun. Realmente curioso que ele possa ter em mãos uma habilidade tão assombrosa — o Sannin refletiu.

— E como você acha que ele fez isso? O que aconteceu com a minha realidade? — Sasuke olhou para cima e à sua volta com consternação. — O que seria esse lugar, afinal? Algo criado por ele especificamente para mim?

Orochimaru fitou-o por um longo momento, franzindo os lábios enquanto ponderava.

— Quero fazer alguns exames em você, Sasuke-kun, antes de chegar a qualquer conclusão. Colher amostras do seu sangue, cabelo... Se não se importar, é claro — complementou com um meio sorriso, e Sasuke não se opôs. — Karin, por favor — ele se dirigiu à Kunoichi, que assentiu para o seu mestre, imediatamente se retirando do cômodo para fazer todos os preparativos para os exames.

Suigetsu entrelaçou os dedos atrás da sua cabeça e suspirou.

— Cara, que maluquice! Quer dizer que você não é o Sasuke que executou os Kages, matou Uzumaki Naruto no Vale do Fim e que tem dado uma dor de cabeça desgraçada para as nações aliadas por todos esses anos?!

Sasuke o encarou sem lhe responder nada.

— Eu deveria ter adivinhado que não era a mesma pessoa. O Sasuke de quem eu ouço falar faz Uchiha Madara parecer um monge! E você... Você me parece bem sossegado, Sasuke.

— Não se engane — ele disse de modo sombrio, corrigindo a observação de Suigetsu. — Só porque alguém me convenceu a não levar as minhas ambições adiante não quer dizer que eu não tenha tido a capacidade de realizá-las um dia.

Suigetsu abriu um sorriso tenso e revirou os olhos violetas discretamente.

— É, beleza. Se você diz, Sasuke...

Sasuke se virou para Orochimaru, e surpreendeu-o estudando o seu rosto com uma intensidade inquietante, como se ele tivesse voltado a ser um dos experimentos prediletos do Sannin de novo. Sasuke não tinha as melhores lembranças daquele período obscuro de sua vida. Em troca de mais poder, aceitou se submeter às experiências de Orochimaru e Kabuto. Tomou drogas, deixou que injetassem substâncias perigosas no seu corpo e consentiu para que fosse estudado como um maldito projeto.

Mesmo depois de tantos anos, Orochimaru ainda olhava para Sasuke como uma serpente olharia para um falcão: com inveja, com cobiça e com uma admiração sinistra que jamais permitiria que Sasuke confiasse completamente nele porque abaixar a guarda para aquele homem era pedir para acabar com as suas presas venenosas cravadas no seu pescoço. Ainda assim, ele era o único que poderia ajudar Sasuke e, por isso, ele tolerava aquele olhar.

Mais do que nunca.

○♦○

Uma hora mais tarde, Karin colheu amostras de sangue e de cabelo de Sasuke para analisá-las em busca de qualquer traço de anormalidade. Orochimaru, como uma espécie de anfitrião sinistro, ofereceu a ele que descansasse e se alimentasse enquanto aguardavam os resultados.

Depois, ela o procurou para levá-lo à presença de Orochimaru mais uma vez para informar o que havia — ou não havia — descoberto. Karin ajeitou os óculos, empurrando-os contra o rosto com uma expressão consternada enquanto todos a fitavam.

— Analisei o seu sangue e cabelo, Sasuke, e os resultados foram, infelizmente, inconclusivos.

— O que isso quer dizer? — Suigetsu indagou.

Ela suspirou em resposta, tão frustrada quanto o próprio Sasuke.

— Isso quer dizer que não detectei nada anormal nas amostras que colhi. Está tudo como deveria estar. Não havia o menor rastro do efeito de toxinas no corpo dele. E tenho observado o chakra dele o tempo todo, à procura da menor oscilação, da mudança mais sutil que pudesse indicar que a presença de um chakra estranho estivesse agindo sobre ele. Mais uma vez: não encontrei nada.

Orochimaru se manifestou em seguida:

— Isso não quer dizer que as possibilidades estejam completamente descartadas. Precisamos entender o que houve, e eu receio que o único a poder nos responder essa pergunta seja a origem de tudo isso: o próprio Chikage.

Sasuke franziu o rosto para o antigo mestre, ressabiado.

— Então eu vou encontrá-lo. Nesse mundo. E vou obrigá-lo a desfazer o que fez.

— Pode não ser tão fácil, Sasuke-kun — Orochimaru pontuou. — Não o coloquei a par da situação política até o momento porque queria ter a certeza de que não poderia te ajudar antes. Mas se você pretende mesmo caçar o Chikage então deve se inteirar a respeito do que está havendo lá fora.

— E o que está havendo? — Sasuke questionou impaciente.

Orochimaru franziu os lábios finos antes de respondê-lo.

— Para ser sucinto? Guerra.

— A Quinta Guerra Shinobi — Karin sussurrou com receio, num sussurro.

A resposta surpreendeu Sasuke, e não de uma forma positiva.

— Guerra? Contra o país do Sangue?

Orochimaru assentiu, confirmando os seus piores temores.

— O Chikage invadiu e dominou a maioria das nações vizinhas ao leste. O país do Sangue esteve desestabilizado por uma guerra civil nos últimos anos, e depois de unificar o país e ascender ao poder ele alegou que nações aliadas estiveram financiando o conflito sangrento pelos seus próprios motivos mesquinhos. Em pouco tempo, esse homem ganhou fama de revolucionário e de herói, submeteu muitos à sua autoridade e ninguém sabe exatamente qual é a extensão do seu poder, uma vez que prefere agir a partir das sombras, usando os seus subordinados para realizar os seus objetivos obscuros. Tenho ouvido... rumores inquietantes a respeito de uma Kekkei Genkai antiga e aparentemente amaldiçoada. Quase como o Sharingan do seu clã, Sasuke-kun.

“Quando ele voltou os seus olhos para o oeste, para as nações desse lado do mundo, a Aliança já estava trabalhando para tentar tirá-lo do poder e para devolver a autonomia aos países que ele conquistou. Já faz dois anos e meio desde então, e a pilha de corpos deixada para trás no caminho dele não para de se multiplicar.

“Os Kages fizeram tudo o que podiam, mas seus esforços foram em vão. Eles se concentraram tempo demais em te caçar e te trazer à justiça pelos crimes que cometeu e isso os tornou negligentes para ameaças externas. E quando matou Uzumaki Naruto e destruiu todas as Bijuus, você deixou a Aliança vulnerável para inimigos como o Chikage e seus seguidores fanáticos.

Sasuke recuou um passo. Tinha sido muito para absorver. Era tudo sua culpa. O mundo estava desestabilizado por sua responsabilidade e inconsequência. Toda aquela destruição, todas aquelas mortes de repente pesaram-lhe os ombros, sufocaram-no ao lhe arrancar todo o ar dos pulmões.

Balançando a cabeça e cerrando o maxilar, ele se obrigou a encarar o antigo mestre como se, com isso, encarasse todos os erros que cometeu, todas as pessoas que decepcionou.

— Você diz que não pertence a esse mundo, a essa realidade — Orochimaru continuou —, e eu acredito em você, Sasuke-kun. É fácil perceber que você não é a mesma pessoa que executou os Kages e matou o Naruto-kun naquele dia. Mas, esse mundo está se deteriorando rapidamente por causa dos erros que o Sasuke que jamais se redimiu cometeu. Talvez essa seja uma oportunidade concedida pelo destino para que você possa repará-los, quer haja a interferência do Chikage nessa história ou não.

Sasuke abaixou a cabeça e refletiu por um longo momento. Quando ergueu os olhos para o seu mestre outra vez, havia uma determinação inabalável no seu rosto.

— Eu vou para Konoha. Vou reunir o máximo de informações que conseguir sobre o Chikage. E então vou caçá-lo, arrancá-lo de onde quer que ele esteja escondido e obrigá-lo a desfazer isso. — A expressão sombria no rosto dele sugeria que ele não descansaria até que cumprisse cada ameaça.

Orochimaru franziu o rosto, surpreso.

— Eles não vão te receber pacificamente em Konoha. É bem provável que tentem te matar antes mesmo que você abra a boca e consiga se explicar — ele assegurou sombrio.

— Só preciso de uma oportunidade para conversar com o Kakashi. Ele vai me ouvir — Sasuke prometeu.

— Eu vou com você, Sasuke — Karin se voluntariou, solícita, mas Sasuke balançou a cabeça e negou.

— Não, será perigoso demais. Eu vou sozinho.

Karin mordeu o lábio, ameaçando protestar contra a decisão dele, mas acabou acatando. Seria mesmo um encontro cheio de tensão, e bastaria um equívoco por parte de Sasuke para que terminasse da pior forma possível. Ele não tinha dúvidas de que tentariam matá-lo assim que detectassem o seu chakra nos portões da vila. Viriam para cima dele, e viriam com tudo. Precisava estar preparado para confrontar os rostos dos antigos companheiros de academia, e para confrontar o ódio que nutriam por ele.

Suigetsu, ao contrário da companheira, não se voluntariou para acompanhá-lo. Mas não esperava uma atitude parecida por parte dele, não quando claramente havia ressentimento demais direcionado a Sasuke mascarado sob zombaria e indiferença.

Antes de se virar e partir, Sasuke fitou o antigo mestre, acamado e frágil, apenas uma sombra do homem que provocou terror em tantos no passado: o homem que rastejava na escuridão como uma víbora, que agia a partir de servos devotados e aguardava pacientemente pelo momento certo de dar o bote. Para Sasuke estava claro que aquele homem já não existia mais.

— Mais algum conselho? — perguntou a ele em nome dos velhos tempos.

Orochimaru riu baixinho, um riso amedrontador.

— Tente não morrer, Sasuke-kun.

— Aa. Não precisa me lembrar disso — assentiu e em seguida saiu do quarto, atravessando o corredor iluminado pelas velas, e não muito depois emergiu sob a luz do dia.

Seguiu em direção ao sul, saltando através das árvores como um relâmpago. Estava voltando para Konoha, e ao invés do pensamento preenchê-lo com paz e conforto como preencheu nos últimos anos, Sasuke só conseguiu sentir o horror de tudo o que enfrentaria: as consequências violentas dos erros que o seu eu daquele mundo cometeu.

Erros pelos quais jamais pagou e que pesavam sobre os ombros de outro alguém agora.

Notas finais
Até o Oro desse mundo tá ferrado, coitado! E no próximo capítulo vamos pra Konoha! Vai ter drama, tensão, conflito, tudo o que se tem direito! Haha Eu, mais uma vez, pedirei paciência a todos, por favor! As atualizações demoram, mas uma hora ou outra elas acontecem! Obrigada a todos que estão lendo e até o próximo capítulo! Xoxo