Dark Dawn
3 Capítulo 3: O Atentado
Notas iniciais
Dark Dawn
Capítulo 3:
O Atentado
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COMO ESTAVA DESARMADO, Sasuke aguardou por algum tempo que seu perseguidor se revelasse de livre e espontânea vontade, caso contrário ele o arrancaria do seu esconderijo e o faria se arrepender por tê-lo escolhido como alvo para sua espionagem.
A lua estava alta no céu, os postes de iluminação emitiam um zumbido baixo no silêncio profundo da noite. Uma rajada abrupta de vento farfalhou as copas das árvores, estalou as folhas secas no pavimento ao redor dos pés dele e agitou sua capa pesada. Com seu Sharingan ativado, sondou as sombras, captando cada movimentação, cada ruído por mínimo que fosse.
Então, seu perseguidor se revelou, recuando da escuridão que se avultava ao redor de ambos, muito além da luz artificial dos postes nas calçadas. Apenas a luz baça do luar banhou uma silhueta esguia e pequena quando Sasuke registrou os primeiros sons dos seus passos no fim da rua.
Estava coberto da cabeça aos pés, mas usava todo o aparato de um Shinobi, ele notou. O rosto estava oculto por trás de uma máscara de tecido bem como a cabeça estava protegida sob uma touca. Na testa trazia um hitaiate cuja insígnia ele conhecera bem nos últimos meses: dois traços curvilíneos e paralelos gravados na faixa estreita de metal brilhante, a vila do Sangue, Chigakure.
Apenas seus olhos estavam descobertos e estes eram indiscutivelmente femininos, traiçoeiros, desafiadores e vermelhos como sangue; não se deixaram intimidar pelo seu Sharingan. Era uma mulher. A descoberta não fez arrefecer a sua raiva. Sasuke desceu os olhos ao longo dos seus membros para encontrá-los muito bem equipados com bolsas e compartimentos para armas variadas. Pouco importava.
Ele ergueu o queixo de modo a intimidá-la.
— Quem é você? É um dos lacaios do Chikage? Veio de tão longe para tentar a sorte comigo? — Estreitou o olhar e baixou a voz, soando mais intimidante. — É tola a esse ponto?
A estranha também estreitou os olhos cor de sangue e colocou-se numa posição ofensiva, alcançando na bolsa que levava atrelada à coxa direita uma kunai. Pelo visto pulariam a etapa das apresentações. Melhor assim, refletiu. Ela afastou os pés, flexionou os joelhos e num átimo estava em cima dele. Era rápida, mas ele era ainda mais veloz e previu seu golpe com folga, esquivando-se com facilidade do chute direcionado ao seu rosto. Ele contra-atacou sem demora, erguendo a perna até a altura do peito para acertá-la com o seu joelho.
Ela previu seu ataque e recuou, saltando para longe. Pelo menos tinha bons reflexos, isso Sasuke admitiria. Quando se empertigou, ele a inquiriu:
— Essa é a sua última chance para desistir. Se se render e me disser como se infiltrou na aldeia eu posso pensar em pegar leve com você — ameaçou-a, mas a sua advertência, tal como a proposta, foi prontamente ignorada.
A Kunoichi, em posse da kunai, ergueu a mão vazia e, sem hesitação, rasgou a palma com a própria lâmina, aspergindo o pavimento da rua com o seu sangue. Num instante, ela acumulou chakra suficiente para um jutsu e mesmo com uma das mãos sangrando realizou os selos de mão. Sasuke se preparou para o que quer que ela estivesse planejando para ele.
A mulher abaixou as mãos no chão, irradiando chakra através do solo. Com seu Sharingan ativado detectou a movimentação muito antes que o atingisse: um paredão de lama se ergueu à sua direita, outro surgiu à sua esquerda, ambos cercando-o. Foi mais rápido, e saltou para longe, virando seu corpo a fim de evadir o mar de lama, que se fechou sobre o ponto onde estivera de pé só um microssegundo depois. Sasuke pousou intacto mais adiante e inspecionou rapidamente os restos da lama ainda úmida sobre a rua. Tinha alguma coisa errada, intuiu. A lama fedia a sangue. Estava misturada ao próprio sangue dela na realidade, ele percebeu consternado.
Fitou-a de novo, intrigado, e perguntou-se a razão daquilo. Sem dúvida era uma Kunoichi da Vila do Sangue. E o Chikage devia tê-la mandado especialmente para ele, usando o seu hitaiate, inclusive. Ele queria que Sasuke soubesse quem estava por trás desse ataque. Mas por quê? E com qual propósito?
Sasuke cerrou os dentes quando a mulher se moveu novamente, preparando-se para o próximo ataque. Suas divagações teriam de esperar. Tinha assuntos mais urgentes para resolver primeiro, como nocautear aquela mulher e arrastá-la para uma sala de interrogatório onde extrairia tudo o que conseguisse da mente dela.
Rapidamente ela realizou mais selos de mãos e dispersou uma grande quantidade de chakra através do seu corpo. Chega de brincadeiras, decidiu. Seu chakra correu pelo braço direito e iluminou todo o punho com o Chidori, formando uma lança sólida a partir da sua mão, era o seu Chidori Eisō. Se ela era uma usuária do elemento doton então Sasuke claramente tinha uma vantagem naquela luta.
Avançaram um contra o outro ao mesmo tempo, batendo os pés contra o pavimento. Sasuke brandiu sua lança de Chidori contra ela, que desviou, movimentando-se com extrema agilidade e precisão. Então, com uma pirueta que lançou seu corpo muito acima do chão e a deixou de cabeça para baixo, ela completou seus selos de mão e ativou outra técnica, invocando outra enxurrada de lama que o arrastaria se ele não saísse do caminho.
Sasuke lançou seu corpo no ar, saltando a onda devastadora de lama, mas caiu na armadilha dela. Ela tinha previsto seu movimento e estava à sua espera, com a kunai em posse outra vez. Sem tempo para reagir, a kunai dela afundou-se no seu ombro esquerdo, perfurando sua carne. Com o impacto, os dois caíram em meio ao mar de lama. Ele aterrissou de costas e com força, ela caiu por cima dele, colocando-se de pé uma vez que percebeu que o havia ferido.
Mas então, o corpo imóvel abaixo do dela ondulou e distorceu-se, aturdindo-a por um momento. De onde estava, nas sombras, Sasuke recuou para a luz dos postes, surpreendendo-a. Ela virou-se para ele num ímpeto, os olhos vermelhos estreitados e raivosos por se dar conta de que tudo não havia passado de um genjutsu. A última gota de chakra esvaiu-se do olho esquerdo dele, o olho do Rinnegan, quando a ilusão desapareceu por completo.
— Surpresa? — provocou-a. — Deveria saber que genjutsu é uma das minhas especialidades antes de decidir me atacar.
Como o rosto feminino estava oculto por trás da máscara, apenas os olhos lhe transmitiam suas emoções a Sasuke e no momento elas eram as mais densas e perniciosas possíveis. Ela se recuperou com uma velocidade impressionante. Ele poderia ter acabado com ela um momento atrás, mas queria testar um pouco mais das suas habilidades, ver até onde elas poderiam chegar.
Sem demora, ela se reposicionou, afastando os pés, e lançou-se contra Sasuke sem pensar. Ele se preparou para o seu ataque quando, com o Sharingan, detectando-a liberar uma grande quantidade de chakra.
Lutaram por algum tempo até que ele, vencendo sua defesa, conseguiu atravessar a lança de Chidori no ombro dela. Um ferimento não letal, ainda queria interrogá-la acima de tudo. Porém, para a sua surpresa, o corpo dela se revelou um clone de lama, que se desfez bem diante dos seus olhos. No instante posterior a isso, mais clones surgiram de todas as partes, cercando-o pela dianteira, retaguarda e também pelos flancos.
Sasuke manejou sua lança, cortando-os e perfurando-os para se livrar de todos e encontrar a verdadeira o mais depressa possível. Estava se cansando daquela brincadeira. Por fim, todos os clones desapareceram e a verdadeira o atacou pela frente. Coragem ou, talvez, simplesmente tolice. Foi ao encontro dela, lançando-se num salto. Ela ergueu sua kunai e ele se preparou, porém, quando estava a uma boa distância a estranha posicionou sua kunai sobre o próprio braço e, sem hesitar, arrastou-a pela pele, rasgando-a e deixando 0 sangue fluir, como fez da primeira vez com a sua palma.
Aturdido mas ainda mais determinado a terminar com aquilo, deixou que o jorro de sangue o atingisse, borrifando seu rosto, cabelo e suas roupas. Desfez a lança de Chidori e cerrou o punho a tempo de acertá-la no estômago dela com um soco que lhe roubou todo o ar e a arremessou para trás com o impacto.
Deteve-se diante dela quando seu corpo atingiu o chão. Ela arfava por trás da máscara quando se colocou de joelhos com a mão apertada contra o estômago ferido.
— Já chega dessa brincadeira. Vou te fazer falar tudo o que sabe sobre o Chikage — prometeu enquanto se aproximava passo por passo sem se dar ao trabalho de limpar o sangue de sua pele e roupas.
Por fim ela se colocou de pé, mas havia algo de errado. Seus olhos estavam ainda mais vermelhos. Sangue gotejava dos ferimentos auto-infligidos, pingando no pavimento, mas ela não pareceu se importar nem um pouco com isso.
Mesmo que o restante do seu rosto estivesse oculto pela máscara, seus olhos sorriram, um sorriso de vitória, um sorriso de malícia. Sasuke se deteve, alarmado, sondando as sombras sob a suspeita de ela ter aliados escondidos. Mas não havia mais ninguém, e isso o inquietou.
Ele crispou o cenho, pronto para nocauteá-la e extrair todas as informações que pudesse dela, mas antes que sequer tivesse a chance ouviu vozes soando ao longe enquanto mais pessoas se juntavam aos dois:
— Sasuke!
Era a voz de Naruto. Bastou um segundo de distração para que a estranha realizasse seus selos de mãos — antes que ele pudesse impedi-la — e fosse engolida por uma enxurrada de lama que brotou do chão sob os seus pés, puxando-a para dentro. Cerrou os dentes e direcionou seu Sharingan na esperança de rastrear seu chakra, mas ela tinha desaparecido como um fantasma, como uma sombra.
Finalmente Naruto o alcançou, dois Shinobis que ele não conhecia vinham no seu encalço. Eles também deveriam ter percebido a movimentação suspeita. Naruto se aproximou e inspecionou o amigo superficialmente na iluminação precária da rua.
— Sasuke, você está bem?! De repente senti o seu chakra se elevando, e havia um chakra sinistro por perto!
— Eu estou bem — afirmou, erguendo o braço para olhar as manchas de sangue que já secavam nas suas roupas; com que propósito ela tinha feito isso?
Caso se tratasse de uma tentativa de envenená-lo era inútil. Orochimaru tinha se assegurado de que nenhuma toxina teria efeito no seu corpo com seus experimentos tantos anos atrás. Ele era praticamente imune a venenos e substâncias alucinógenas. Ainda assim, tinha um péssimo pressentimento sobre isso.
Naruto, notando as mesmas manchas rubras sobre a sua pele e roupas, mas nenhum corte, preocupou-se:
— Ei, cara, esse sangue todo não é seu, né?!
— Não — afirmou apático.
Naruto ordenou aos dois Shinobis que o acompanhavam que vasculhassem os arredores, e que alertassem outros para a presença do inimigo. Eles concordaram e partiram imediatamente, obedecendo-o sem contestação.
— Droga! Você conseguiu identificar quem era? — ele perguntou, estava visivelmente aborrecido por alguém ter conseguido se infiltrar na sua aldeia. — Um dos selos da barreira de proteção da vila foi rompido, por isso aqueles dois vieram me avisar. Imediatamente suspeitei que tivesse alguma coisa errada acontecendo, e depois disso eu senti aquele chakra estranho perto do seu...
— Era uma mulher, não pude ver o rosto, mas carregava a insígnia de Chigakure.
— O quê?! Tem certeza?! — ele perguntou, o tom da voz alterado.
Sasuke anuiu com um meneio da cabeça.
— Mas isso é loucura! O Chikage enviou um dos seus subordinados para te atacar na calada da noite e dentro da aldeia?!
— Ele queria que eu soubesse quem estava me atacando — murmurou friamente. — Ele queria me transmitir uma mensagem, um aviso: ele sabe que eu estou investigando-o.
— Mas que merda — Naruto vociferou, levando as mãos à cabeça. — Vamos ter que fazer uma mudança de planos. A sua missão pode colocar em risco muito mais coisas agora...
— Não — Sasuke o cortou, surpreendendo-o por um momento. — É imperativo que eu me infiltre em Chigakure e acabe com esse bastardo, agora mais do que nunca. Naruto, ele sabe dos meus passos, de alguma forma. Ele sabe que estamos vigiando-o.
Naruto emitiu um muxoxo e sacudiu a cabeça, frustrado.
— Eu não gosto disso, Sasuke. Não gosto disso nem um pouco.
— Eu sei — murmurou de modo mais brando, visando aplacar a hesitação do melhor amigo. — Mas se recuarmos agora vamos permitir que aquele desgraçado continue a espalhar o medo e a opressão. Ele tem que ser detido, e depressa, Naruto. Sou o mais indicado para essa missão, você sabe disso.
Naruto concordou, por fim, com um suspiro pesado, deixando cair os ombros.
— Você tem razão. Precisamos deter esse cara antes que ele mate ou machuque mais pessoas...
Sasuke olhou em derredor, vasculhando a escuridão com seu Sharingan atrás de alguma pista, mas não encontrou nada, nenhum rastro que pudesse indicá-lo o paradeiro da mulher que o atacou. Mais Shinobis se juntaram aos dois nos minutos conseguintes à fuga dela. Naruto ordenou a eles que fizessem uma busca pela vila, mas ambos sabiam que ela já deveria estar a quilômetros dali.
Estava ficando tarde e Sasuke decidiu que era hora de ir para casa. Tinha preparativos a fazer. Informou a Naruto que estava se retirando quando ele o recomendou com um semblante sério, duvidava que fosse dormir naquela noite:
— Está bem, mas tenha cuidado, Sasuke. Ainda não estou convencido de que o perigo passou. Se eu descobrir alguma pista do paradeiro dela, eu te aviso.
Ele anuiu e partiu, saltando dali depressa e seguindo em direção à sua casa. As luzes estavam acesas, derramando-se pelas grandes janelas da frente. Aproximou-se da entrada, subindo os degraus, e mal teve a oportunidade de abrir a porta antes que esta fosse escancarada por Sarada.
— Papai?! — exclamou, correndo os olhos pelas suas roupas manchadas de sangue seco. — O que houve?! Está ferido?! Eu vou chamar a mamãe! — anunciou e se afastou sem sequer lhe dar a chance de respondê-la.
Passou pela porta e a fechou, tirando a capa e pendurando-a sobre o seu ombro; estava impregnada pelo cheiro ferruginoso de sangue. Sakura apareceu logo em seguida, os olhos verdes arregalando-se ante o estado do marido.
— Anata, você se feriu?!
— Iie. O sangue não é meu — informou para acalmá-las.
Mas Sakura o examinou de todo modo com suas mãos envoltas pelo brilho do seu jutsu de cura, independentemente do que ele dissesse, assegurando-se de que o marido não tinha sequer um arranhão. Uma vez se que convenceu de que todo aquele sangue não era mesmo dele, ela se afastou um passo e o questionou com os olhos já que Sarada permanecia por perto.
Sasuke suspirou e murmurou que lhe contaria toda a história mais tarde. Pela visão periférica notou a angústia de Sarada, cujos ombros haviam se encolhido e cujos olhos se desviaram para o assoalho, então tocou o alto da sua cabeça para confortá-la, afirmando que estava, de fato, bem. Ela imediatamente sustentou o olhar e abrandou suas feições encrespadas.
— Eu não sofri nenhum ferimento, não se preocupe.
Sarada lhe ofereceu um sorriso pequeno em resposta, assentindo. Notando a sua deixa, subiu as escadas e seguiu para o banheiro contíguo ao seu quarto e de Sakura. Tirou as roupas sujas de sangue e entrou debaixo da torrente de água quente do chuveiro, lavando-se.
Esfregou o rosto a fim de se livrar da sensação do sangue pegajoso e ainda úmido na sua pele, e fechou os olhos, repassando a luta desde o começo na sua mente. Não fazia sentido. Ela não havia conseguido sequer encostar um dedo nele. Na verdade sentia como se ela nem ao menos tivesse tentado encostar-se a ele. Como se o seu objetivo fosse outro.
Sasuke baixou os olhos para a água rósea que escorria para o ralo. Não fazia mesmo sentido. Disse a Naruto que tinha se tratado de uma mensagem, de um aviso enviado pelo próprio Chikage, mas quanto mais refletia sobre o seu encontro com aquela mulher menos convencido disso se tornava.
Fechou o chuveiro e saiu, envolto numa nuvem de vapor e com os cabelos pesados pingando água no piso do banheiro. Enrolou uma toalha ao redor da cintura e foi até o quarto, usando outra toalha para secar seu cabelo. Sakura estava lá, parada no meio do cômodo à sua espera.
Sem uma palavra, ela se aproximou, tomou a toalha de sua mão e passou ela mesma a secar o seu cabelo, inclinando o corpo para trás e esticando bem os braços para alcançá-lo compensando a diferença de altura entre os dois. Sasuke fitou seu rosto tenso e esperou até que ela terminasse de secar seu cabelo para que as palavras que vinha prendendo por trás dos seus lábios cerrados finalmente se libertassem.
— O que realmente aconteceu?
— Fui atacado por uma Kunoichi de Chigakure — respondeu-a sem rodeios.
Ela fechou os olhos e suspirou, exalando o ar devagar através dos lábios apartados.
— Eu temia por isso.
Quando virou as costas para o marido e envolveu os braços ao redor de si mesma tudo o que ele quis fazer foi confortá-la, apertá-la contra o seu corpo e prometer que tudo ficaria bem. Mas ela se afastou antes que ele tivesse a chance de lhe fazer qualquer promessa. Andou até uma cômoda e retirou de lá algumas peças de roupa limpas, e voltou, entregando-as para ele.
E então o abraçou, passando os braços pela sua cintura e tocando suas costas ainda úmidas do banho. Apertou o rosto contra o seu peito forte e inspirou na sua pele.
— Sei que você vai levar essa missão adiante — murmurou —, sei que não vai me ouvir ou ao Naruto, portanto, só posso te pedir para que tenha cuidado e...
— Eu terei cuidado — disse, mas ela apertou os braços ao seu redor, protestando.
— Eu não terminei ainda, shannaro!
Suspirou outra vez quando se calou.
— Meu outro pedido é que não importa o que aconteça, não importa o quê ou quem tente te impedir, você deve voltar para mim. Para nós — enfatizou —, para o nosso lar. Me prometa isso, Anata.
Sasuke fechou os olhos e largou as roupas para passar seu braço pela cintura esbelta da esposa, pressionando a contra o seu corpo. Abaixou seu rosto para descansar o queixo no topo da cabeça dela. Seu cabelo tinha o mesmo cheiro de morango que ele sempre se lembrava.
— Eu prometo. Não importa o que aconteça. Vou voltar.
Para você e para Sarada, acrescentou no silêncio confortável que abarcou os dois.
Sakura se afastou de repente e se equilibrou na ponta dos pés para pressionar os lábios nos dele num beijo rápido. Então se foi, deixando-o sozinho no quarto. Sasuke terminou de se secar e vestiu as roupas limpas que ela tinha separado para ele.
Desceu outra vez e encontrou Sarada na sala, sentada no sofá e lendo um livro. Sentou-se ao lado da filha e ela se aconchegou, movendo-se discretamente para mais perto dele. Uma hora e meia mais tarde ela adormeceu no sofá mesmo, a cabeça encostada ao seu braço.
Sasuke a pegou no colo, apoiando-a no seu ombro e seguiu para as escadas com o intuito de colocá-la para dormir no próprio quarto. Sakura se ofereceu para fazê-lo, mas ele assegurou que estava tudo bem. Colocou-a na cama, sem despertá-la, onde ela se aconchegou com maior conforto, e ele aproveitou para tirar seus óculos e colocá-los sobre a mesa de cabeceira.
Puxou a coberta para cima até cobri-la e afastou uma mecha de cabelo negro dos seus olhos. Deixou a porta encostada ao sair, como sabia que ela preferia que fosse deixada desde pequena, mas ao invés de descer outra vez decidiu ir para o quarto e cuidar dos últimos preparativos da sua viagem amanhã pela manhã.
Depois de um tempo, Sakura também entrou no quarto e foi direto para o banheiro para tomar banho. Quando saiu, vestindo uma blusa de alças e os shorts do pijama, apagou as luzes e se acomodou na cama sob as cobertas. Sasuke fez o mesmo. Tinha sido um dia longo e muito exaustivo.
Quando a esposa fez menção de querer se aconchegar ao seu corpo, envolveu o braço na cintura dela, puxando-a até que se deitasse sobre o seu peito. Amanhã, ele partiria rumo ao país do Sangue, à Chigakure, e se tudo corresse como planejava — e correria — ele eliminaria o Chikage e evitaria uma nova guerra ninja, preservando a paz que foi conquistada com tantos sacrifícios.
Ciente de que precisaria estar descansado para o longo percurso que percorreria, fechou os olhos e relaxou o corpo, mas com o calor e o perfume de Sakura por perto e cercando-o foi fácil desligar-se das suas preocupações e pegar no sono.
Adormeceu depressa, um sono profundo e pesado; uma letargia atípica envolveu sua mente, tornou-a embotada e embaralhou seus pensamentos. A escuridão que o abarcou daquela vez, entretanto, foi mais densa e mais inquietante do que todas as outras.
Foi incisiva e inescapável.
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