Dark Dawn
26 Capítulo 26: Sob Pressão
Notas iniciais
Capítulo 26:
Sob Pressão
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— QUAL É O SIGNIFICADO DISSO?! Exijo que nos diga a verdade! — Temari esbravejou, os olhos verde-escuros queimando devido à raiva. — E se tentar nos enganar eu juro que acabo com você!
Ela tentou levar as mãos até as costas a fim de abrir o grande e elegante leque que sempre trazia consigo. Seu irmão Kankuro posicionou-se ao lado dela, invocando a sua marionete mais poderosa e preparando-se para um possível combate. Os demais Kages também assomaram contra o Chikage, rodeando-o junto de seus guarda-costas de tal forma que o homem se viu encurralado tanto figurada quanto literalmente.
Os três Shinobis que o protegiam reagiram a isso com hostilidade. Cercaram seu líder numa formação inquebrável, protegendo-o a partir dos flancos e da retaguarda. As mãos estavam posicionadas em selos, um chakra poderosos emanava dos poros da suas peles e fazia com que a tensão no recinto triplicasse.
— Não estou enganando ninguém — ele afirmou. — Por que razão faria algo parecido? Não tenho nada a ganhar contando-lhes uma mentira como essa. — Deu de ombros. — Apenas lhes dei uma informação valiosa que eu espero que façam bom uso. Aproveitem.
A malícia que escoava a partir das palavras que ele dizia, do modo como ele agia e principalmente dos olhos vermelhos e obscenos que jamais fugiam de um contato visual não enganavam Sakura, contudo. Por mais que tentasse convencer os outros do contrário. Ela estava a par das verdadeiras intenções daquele homem. E, por sorte, Sasuke não tinha estragado o seu disfarce ainda. Porque no momento em que o fizesse, no momento em que se revelasse para todos os outros Kages ali presentes, um pandemônio teria início.
— Você disse que Uchiha Sasuke está aqui?! — o Raikage avançou um passo, o rosto encrespado e os olhos nuviosos, turvados pela raiva. O lábio superior recuara sobre os dentes.
— Onde ele está agora?! Neste prédio?! Na montanha?! — a Tsuchikage encontrava-se num estado similar e mesmo o sempre calmo e tímido Mizukage mostrava uma expressão conflituosa no rosto.
O Chikage suspirou profundamente, prolongando o suspense.
— Quem sabe? — ele tornou a dar de ombros. — A localização exata é difícil de precisar, mas possuo fontes confiáveis que me asseguram de que ele está por perto agora, neste exato momento já pode ter se infiltrado no prédio e estar à espreita, esperando pelo momento ideal para atacar todos vocês.
— Isso é um blefe — Sakura se manifestou pela primeira vez, sua voz soando ríspida mas firme. — Está tentando nos distrair do que realmente interessa, do objetivo de termos nos reunido aqui em primeiro lugar. Você ainda é o inimigo, não pense nem por um minuto que isso mudou.
— Será que estou blefando, Hokage-sama? — Kazuma a desafiou, desafiou a todos ao erguer a voz. — Se é isso o que pensam de mim, basta tirarem a prova. Mandem os seus subordinados vasculharem esse prédio e os arredores. Não se esqueçam de que Uchiha Sasuke já se infiltrou nesse lugar uma vez. Não seria difícil repetir o feito para um Shinobi do calibre dele.
— Agora você está tentando nos dividir — Sakura apertou os olhos. — Acha mesmo que somos tão tolos assim?
O Chikage riu.
— Se o que os impede é temor de que eu tente atacá-los pelas costas, garanto que estão se preocupando à toa. Gosto de olhar nos olhos dos meus inimigos quando os abato — assegurou com um meio sorriso frio e perigoso.
— Duvido disso — Sakura rebateu, resistindo ao impulso de olhar na direção de Sasuke; a situação dele era a prova de que o que o Chikage estava dizendo era mentira, afinal, mandara-o àquele mundo agindo a partir das sombras, como o covarde que era — em todas as realidades.
— E eu repito que basta que provem que eu estou apenas blefando — o Chikage insistiu. — Façam uma varredura nesse prédio e nas redondezas, e certamente encontrarão o inimigo mais procurado pelas nações aliadas. Uchiha Sasuke está ao alcance da justiça pela primeira vez em anos, e se desperdiçarem a oportunidade pode ser que não encontrem outra tão cedo.
— Se me permite a pergunta — Sakura deu um passo adiante, mirando o Chikage cuidadosamente. — Qual é o seu interesse nessa questão? Até onde me consta, você jamais teve qualquer envolvimento com Uchiha Sasuke antes. O que ganha delatando-o dessa maneira?
— O meu interesse — Kazuma deu de ombros —, é apenas o bem comum, Hokage-sama. Afinal de contas, a prisão e a execução de um Nukenin tão perigoso deveria ser um assunto de todas as nações shinobis.
Sakura cerrou os dentes por trás dos lábios firmemente apertados e obrigou-se a engolir todas as palavras mal-educadas que teve vontade de cuspir para o homem, mandando-o enfiar todas aquelas mentiras e dissimulações onde melhor o aprouvesse. Conhecia a verdadeira intenção dele ao delatar Sasuke e causar aquele tumulto entre os cinco líderes da Aliança Shinobi.
Os outros quatro Kages se entreolharam, aquiescendo uns para os outros — com exceção de Sakura. Decidiram-se então.
— Existe a possibilidade de que ele esteja mentindo — o Raikage disse —, mas jamais me perdoarei se Uchiha Sasuke estiver por perto e nós não aproveitarmos a oportunidade para capturá-lo e levá-lo a julgamento. Ele precisa pagar pelo assassinato do Yondaime Raikage.
— Eu concordo com o Raikage-sama — a Tsuchikage se manifestou, os dentes cerrados e os olhos escuros crispados devido à raiva. — Se o assassino do meu avô estiver por perto, não quero desperdiçar a chance de fazê-lo pagar pelo que fez.
— Também acredito que devamos conferir se essa informação possui procedência — o Mizukage uniu-se à maioria, resoluto. — O assassino da Godaime Mizukage deve pagar pelo crime que cometeu.
Temari foi a última a se pronunciar, apoiada por Kankuro. E a raiva nos seus olhos acendia-os como a um fogaréu de proporções devastadoras, dançando perigosamente por trás das íris verde-escuras e lançando línguas de fogo através dos seus dentes fortemente cerrados.
— O assassino do Gaara... O assassino do meu irmão... Se ele estiver por perto, farei com que se arrependa! Farei com que pague por ter assassinado o meu irmão! Eu juro! — acrescentou e em seguida se virou para Sakura: — Hokage-sama, você também poderá fazê-lo pagar pelas mortes da sua mestra e de Uzumaki Naruto. Não concorda que devamos ao menos averiguar se a informação procede?
Sakura escondeu os seus verdadeiros sentimentos — inclusive todos os seus temores — e olhou nos olhos da Kazekage, anuindo com o máximo de confiança que conseguiu reunir. Mas, se alguém percebesse a sua insegurança talvez presumisse erroneamente que o sentimento se devesse à dor da perda de duas pessoas amadas pelas mãos de Uchiha Sasuke que ainda a assolava.
— Talvez devamos averiguar se essa informação possui procedência — ela ecoou e em seguida trocou um olhar longo com Shikamaru, a expressão tensa no rosto. Esperava que ele entendesse que ela tinha um plano para tirá-los daquela emboscada do Chikage, especialmente Sasuke. Se fosse desmascarado, ele seria acossado pela fúria de quatro Kages que, involuntariamente, cumpririam a vontade e os seus papéis no plano maquiavélico do homem que o tramou.
— Então está decidido — O Raikage anuiu e em seguida passou os olhos por todos os Shinobis presentes no recinto. — Há algum Shinobi sensor presente? Cujas habilidades possibilitem o rastreamento e o reconhecimento do chakra de Uchiha Sasuke? Ele pode estar escondido entre nós.
O plano de Sakura começava a tomar forma; ergueu a mão.
— Eu possuo uma sensora habilidosa. — Ela indicou a mulher ao seu lado. — Ino será capaz de rastrear e reconhecer o chakra de Uchiha Sasuke. Por favor, levem-na para essa missão de rastreamento — Os olhos verdes endureceram. — Se o Chikage estiver falando a verdade, é claro.
Sakura se virou para Ino, trocando um longo olhar com a melhor amiga.
— Ino, poderia liderar um grupo de busca pelo prédio e pelos arredores da montanha?
Ino entendeu as intenções de Sakura e concordou com um aceno firme da cabeça.
— É claro, Hokage-sama.
— Se encontrar o menor rastro do chakra de Uchiha Sasuke quero que se reporte comigo imediatamente e me informe a localização.
Mais uma vez, ela aquiesceu.
— Hai!
O Raikage deu um passo adiante, voluntariando-se para ir junto.
— Eu vou junto. Uchiha Sasuke é um criminoso perigoso e muito poderoso. Ele pode muito bem repetir o que fez a esse prédio anos atrás e acabar matando dezenas de inocentes.
— Eu também vou! — Temari declarou. — De jeito nenhum ficarei para trás. Quero ajudar a vasculhar cada centímetro desse prédio se isso significar encontrar aquele homem maldito!
A Tsuchikage também deu um passo adiante.
— E eu também irei!
Abe Shinji, com a mão sobre o cabo da katana que trazia na cintura, também deu um passo à frente.
— Como líder do país do Ferro e organizador dessa reunião sinto que é meu dever acompanhá-los, até para garantir a segurança dos meus subordinados e dos civis que trabalham nesse prédio.
— Talvez alguns de nós devam ficar e vigiar o Chikage — o Raikage propôs, estreitando os olhos para o homem, que demonstrou pouca reação a isso. — Ele precisa e vai responder pelos atos de guerra que cometeu contra os países da Lua Crescente e do Ácido. E nós não chegamos a um consenso sobre como aplicaremos a punição ainda. Os demais permaneçam aqui... — Ele lançou um olhar duro para os dois Lordes Feudais presentes: — Inclusive os senhores.
Os dois homens se remexeram com desconforto. Sakura deu um passo e se voluntariou.
— Eu farei isso. Eu vigiarei o Chikage.
O modo genuinamente insatisfeito como ela soou acabou surpreendendo Sasuke. Ele tinha decidido confiar no plano dela e, por isso, ficou em silêncio mesmo enquanto os outros Kages organizavam um grupo de busca para caçá-lo e muito possivelmente executá-lo sem lhe oferecer qualquer chance de defesa antes. Mas Sakura tinha sido inteligente na sua jogada e ao oferecer Ino para liderar a busca ela passara a controlar os resultados daquela tentativa do Chikage de emboscá-los. Não duvidava de que a Yamanaka guiaria todos os outros em uma procura exaustiva e infrutífera pelo prédio e pelos arredores da Montanha Três Lobos enquanto eles tentavam extrair as verdadeiras intenções do Chikage. Talvez, com três Kages longe se tornasse ainda mais fácil para Sasuke fazer o Chikage cair na própria armadilha que eles haviam arquitetado.
O Mizukage suspirou de forma tímida quando quatro pares de olhos se voltaram para ele.
— Eu ajudarei a Hokage-sama a vigiar o Chikage. Mas, por favor, levem um dos meus subordinados para as buscas a Uchiha Sasuke!
— Se todos estão de acordo, vamos logo! — o Raikage urgiu e todos assentiram ao mesmo tempo, disparando pela saída do recinto e reduzindo drasticamente o número de pessoas presentes no mesmo cômodo que o Chikage.
Aqueles que restaram, entreolharam-se todos com receio e inquietação. O Chikage, por outro lado, não parecia nem um pouco incomodado por haver sido colocado sob a vigilância de dois Kages e de mais de uma dúzia de Shinobis muito bem treinados. Seus três subordinados também pareciam pouco afetados pela desvantagem numérica na qual se encontraram.
Sakura soube que era hora de colocar a segunda parte do seu plano em prática. Para isso, suspirou e relaxou a postura. Deixou que o seu rosto transparecesse cansaço e tédio enquanto contornava a mesa e puxava uma cadeira a fim de sentar. Sentiu os olhos rubros do Chikage seguirem cada movimento seu, e comemorou em segredo o êxito.
Na realidade, o seu gesto chamara a atenção de boa parte dos Shinobis presentes. Muitos deles, ela percebeu, lhe eram completos estranhos. Não sabia se deveria chamá-los de aliados, mas eles tampouco se enquadravam na categoria de inimigos. Contanto que não descubram o segredo de Sasuke-kun, é claro, ela refletiu mordendo o lábio. Porque, então, todos eles se tornariam empecilhos desagradáveis.
Um dos Lordes Feudais, o mais jovem, aproximou-se da mesa e também puxou uma cadeira para se sentar. Estava tenso por haver sido deixado na companhia de um homem tão perigoso e imprevisível quanto o Chikage, mas decerto ele confiava na capacidade de dois Kages para defendê-lo, pois caso contrário teria encontrado uma maneira de burlar a ordem do Raikage para deixar o local.
Kyoichi disparava olhares ansiosos de quando em quando pelo recinto. Chegou a buscar pelo quadrado de seda para limpar o suor que porejava o seu rosto redondo e pálido como uma lua cheia. E também ofereceu à Sakura um sorriso cordial e uma tentativa de iniciar uma conversa agradável.
— Sempre ouvi histórias a respeito da sua mestra, Hokage-sama. Era uma mulher muito admirável.
Sakura aquiesceu e forçou-se a sorrir. Não queria desperdiçar palavras nem tempo com aquele homem, mas o faria se isso significasse fazer o Chikage acreditar que ela não tinha nenhuma carta escondida na manga.
— De fato, Kondo-sama. Minha shishou era uma mulher incrível.
O homem enrubesceu e averteu os olhos para baixo.
— Também ouço muitas histórias sobre a pupila dela. Você também é uma Kunoichi muito formidável, Hokage-sama. E alcançou tal nível de poder mesmo sendo tão jovem. Um feito de que poucos poderiam se vangloriar.
Sakura refreou a vontade de rir. Não soube dizer se o homem estava apenas tentando sustentar a conversa ao elogiá-la ou se tentava flertar com ela. O rubor nas bochechas dele talvez fosse um indicativo de que se tratava da segunda alternativa. Ela quase sorriu quando percebeu que poderia usar a ingenuidade do homem a seu favor.
— Obrigada, Kondo-sama — agradeceu simpaticamente. — É muito gentil.
Sakura enxergou uma brecha para colocar o plano em prática e não a desperdiçou, aproveitando que boa parte da tensão havia começado a escoar, e mais Shinobis relaxavam as suas posturas e engatavam conversas sussurradas que fluíam por todo o amplo recinto.
— Kondo-sama, se não se importa em responder a uma pergunta minha... — Sakura adejou os cílios longos e simulou despretensão ao se dirigir ao jovem homem, que corou novamente.
— De forma alguma, Hokage-sama!
— Estive me perguntando sobre o paradeiro do Lorde Feudal do país da Nevasca durante toda a reunião. Por acaso sabe o paradeiro dele?
Kyoichi engasgou, disfarçando a gafe com uma crise de tosse, e olhou de forma nervosa ao redor. Os olhos escuros iam e vinham pelo cômodo sem parar. O gesto não escapou à Sakura, que já vinha notando o modo suspeito como ele agira durante toda a reunião.
— Oh, não, Hokage-sama. Também me perguntei sobre o paradeiro de Takagi-sama... Talvez ele tenha se sentido indisposto ou talvez alguma tempestade o tenha apanhado no caminho.
Sakura ergueu as sobrancelhas, anuindo.
— Talvez.
Ela se virou para o Chikage, a expressão no seu rosto transformando-se num piscar de olhos.
— O que acha sobre isso? Acha que Takagi-sama encontrou algum imprevisto enquanto vinha para cá?
Os olhos do homem faiscaram quando a fitaram.
— Está pedindo pela minha opinião, Hokage-sama?
Sakura deu de ombros.
— Estou.
O Chikage riu por um instante. Kyoichi fitava-o com um pavor emudecido nos olhos. Torcia o seu lenço de seda entre os dedos e rangia os dentes sem perceber que o fazia.
— Acho que o homem encontrou uma fatalidade pelo caminho — ele comentou, sem remorso, sem culpa.
Sakura tamborilou os dedos na mesa.
— Tenho um palpite a respeito dessa fatalidade, Chikage-sama — ela disse, mascarando seu cinismo sob um gracejo e um sorriso que não mostrava nenhum dente.
O homem riu em resposta, descartando o comentário e claramente ignorando a isca que ela lançara. Sakura, então, virou-se para Kyoichi uma vez mais, o homem suava profusamente e se remexia no seu assento com notável desconforto.
— Há quanto tempo exatamente o antigo Lorde Feudal do país do Pântano faleceu, Kondo-sama?
— Alguns poucos meses na verdade, Hokage-sama — ele respondeu de modo contido. — Ainda não atravessei a fase do luto completamente.
Sakura franziu a testa, fingindo estar se sentindo confusa e verdadeiramente curiosa.
— E ainda assim teve forças para pensar no melhor para o seu país, e requisitar por uma reunião para Abe Shinji aqui no país do Ferro. Um feito admirável, Kondo-sama.
Sakura trocou de posição na cadeira.
— O que me recorda que foi a seu pedido, Kondo-sama, que esta reunião foi convocada em primeiro lugar. E, no entanto, tive a impressão de que ficou nervoso e impaciente durante toda a Cúpula.
O homem averteu o olhar e gaguejou algumas meias palavras, mas desistiu de dizer qualquer coisa depois que percebeu que não seria capaz de articular uma frase coerente. O suor escorria pelo seu rosto abundantemente, brilhando na pele enrubescida e flácida.
— N-Não e-entendo o que está sugerindo, Hokage-sama.
Sakura cruzou as pernas e exibiu outro sorriso incisivo ao homem.
— Ora, eu acho que você entende perfeitamente, Kondo-sama.
De repente, a expressão na face dela se tornou austera, os olhos verdes crispados fixaram-se no homem com fúria.
— Acho que requisitou essa reunião com o único propósito de nos atrair para cá, Kondo-sama. Nós, os cinco Kages, as maiores autoridades militares no mundo Shinobi.
Kyoichi colocou-se de pé de modo atabalhoado, por pouco não derrubando a cadeira ao empurrá-la com brusquidão para trás. Os olhos pequenos do homem tornaram-se marejados, acumularam lágrimas que não chegaram a ser vertidas. Sakura, contudo, ainda não havia terminado as suas acusações:
— Acho que esteve de conluio com o Chikage todo esse tempo e nos trouxe para cá para que caíssemos na armadilha dele. Diga-me se estou equivocada, Kondo-sama! — desafiou-o num brado.
Prestes a desabar em lágrimas, o homem enterrou o rosto nas mãos e sacudiu a cabeça vigorosamente, finalmente admitindo toda a sua culpa ao libertá-la num só fôlego.
— Eu juro que não queria isso! Eu juro que não pretendia obedecer as ordens dele... Mas ele me forçou! Ele assassinou o meu pai e prometeu fazer o mesmo comigo caso eu não cooperasse!
Todos os Shinobis presentes imediatamente adotaram posturas ofensivas, armando-se e fitando o Chikage com hostilidade. Sakura curvou a boca num sorriso vitorioso e colocou-se de pé também.
— Finalmente as peças se encaixam — ela comentou exultante, dirigindo-se ao Chikage: — Esse era o seu plano desde o começo, não era? Queria nos atrair para cá. Todos nós, os Kages. E que forma mais conveniente de fazer isso do que requisitando uma Cúpula? Você pretendeu nos emboscar desde o princípio.
O Mizukage colocou-se ao lado dela, a mão direita envolveu o punho da imensa espada que ele carregava nas costas, escondida sob metros e mais metros de faixas brancas.
— Isso é mesmo verdade, Chikage-sama? — ele tentou confirmar, dirigindo-se ao homem. — Usou Kondo-sama para nos atrair para cá? Para qual finalidade?
Tudo o que houve, num primeiro momento, foi silêncio. Um silêncio tão denso que carregou o recinto com uma tensão praticamente palpável. Todos pararam de respirar por um breve instante, pelo menos até que os ombros do homem começassem a sacudir com o seu riso, que cresceu e preencheu tudo.
— Finalmente adivinharam! — Os olhos rubros fitavam a todos de um jeito maníaco. — Achei que jamais juntariam as peças e chegariam à verdade. — Ele então se virou para Sakura. — Parece que te subestimei, Hokage-sama.
— Foi a última vez em que fez isso — ela prometeu, ainda sorrindo vitoriosa, e, por fim, a oportunidade perfeita surgiu e o plano de Sakura desenrolou-se quando ela encheu os pulmões com ar para gritar para Shikamaru e para Sasuke: — Agora!
Tudo aconteceu tão rápido quanto num piscar de olhos.
Shikamaru reuniu chakra numa quantidade e velocidade espantosas e liberou-o para o seu jutsu assim que recebeu o sinal de Sakura. Suas sombras se moveram pelo recinto e restringiram dois dos guarda-costas do Chikage, os gêmeos, imobilizando-os completamente e colocando-os à sua mercê.
Chouji foi quem agiu em seguida. Reuniu chakra para o seu jutsu de expansão, aumentando o tamanho de seu braço e mão ao ponto de conseguir alcançar o terceiro Shinobi que guardava o Chikage. Apesar de golpe não ter conseguido acertá-lo, o homem precisou esquivar-se, fugindo do alcance do golpe e, consequentemente, afastando-se de quem deveria proteger.
Sasuke não esperou por uma confirmação de que deveria agir, simplesmente o fez. Desembainhou a espada e, numa velocidade absurda, percorreu a distância que o separava do Chikage, cruzando o recinto feito um relâmpago. Kazuma mal teve tempo de vê-lo antes que Sasuke estivesse diante dele, o braço com a espada movendo-se para uma estocada letal.
A espada de Sasuke penetrou-o no estômago, atravessando o seu corpo até sair pelas costas. O sangue de Kazuma maculou a lâmina da espada e borrifou sobre a mesa e sobre o rosto de Kyoichi, que estava mais próximo. Quando perceberam o que tinha acontecido, todos os outros shinobis exclamaram, surpresos e chocados.
Sasuke, ainda sob o disfarce do henge no jutsu, olhou nos olhos do homem cujo corpo ele havia acabado de atravessar com a espada. Kazuma abriu a boca para tossir mais sangue, e este respingou na face de Sasuke. A expressão no rosto dele, contudo, era vitoriosa. Assim como o sorriso que ele esboçou, mesmo que fracamente.
— Eu sabia que nos encontraríamos mais cedo ou mais tarde... — disse numa fala entrecortada devido ao ferimento que recebera. — E eu esperei tanto tempo por esse encontro...
Sasuke firmou o punho no cabo da espada. Encarava-o sem remorsos, sem demonstrar fraquezas. O sorriso nos lábios do Chikage, contudo, ampliou-se, contrariando as expectativas dele.
— Uchiha Sasuke — Kazuma anuniou o nome num sussurro, para que apenas Sasuke o ouvisse. — Finalmente, estamos frente a frente.
Sasuke ergueu o queixo num gesto desafiador.
— Sim. Finalmente nos encontramos. E, agora, pretendo acabar com você e desfazer o que fez — prometeu. — Voltarei ao meu mundo e nada do que você faça poderá me impedir de conseguir isso.
Kazuma envolveu a mão de Sasuke junto com o cabo da espada que o atravessava. E, inesperadamente, puxou-o para mais perto, fazendo a lâmina esguia enterrar-se ainda mais no seu corpo. Ele mal se permitiu demonstrar a dor, contudo.
— Então o que está esperando para cumprir isso? — desafiou-o em resposta. — Mate-me — pediu. — E consiga tudo o que você mais deseja e ama de volta.
Sasuke cerrou o maxilar quando o Chikage voltou a sorrir, finalizando:
— Mas não espere que eu facilite isso para você.
Inesperadamente, os olhos vermelhos de Kazuma adquiriram um aspecto diferente. Os vasos sanguíneos dilataram-se no globo, e a íris pareceu emitir uma luz própria, acendendo como a flâmula brilhante de uma vela.
Antes que percebesse o que estava acontecendo, Sasuke se viu sugado por aqueles olhos.
Por uma segunda vez.
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